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	<title>Arquivos Daniel Rezende &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Daniel Rezende &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Com humor e reflexão, Ninguém Tá Olhando mostra que a vida não é aleatória por acaso</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Oct 2020 19:05:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mauê Salina Duarte Lançada em novembro de 2019 pela Netflix e dirigida por Daniel Rezende, a série Ninguém Tá Olhando usa o humor para discutir temas existenciais, lembrando um pouco a aclamada The Good Place. No entanto, enquanto a produção americana explora a vida após a morte, a brasileira foca na vida mundana. Contando com &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ninguem-ta-olhando-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Com humor e reflexão, Ninguém Tá Olhando mostra que a vida não é aleatória por acaso"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_16017" aria-describedby="caption-attachment-16017" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-16017 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-1-Ninguem.jpg" alt="" width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-1-Ninguem.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-1-Ninguem-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-1-Ninguem-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-1-Ninguem-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16017" class="wp-caption-text">Os angelus Úli, Chun, Greta e Fred, mais a humana Miriam, vão te fazer questionar (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Mauê Salina Duarte</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançada em novembro de 2019 pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">e dirigida por Daniel Rezende, a série </span><i><span style="font-weight: 400;">Ninguém Tá Olhando </span></i><span style="font-weight: 400;">usa o humor para discutir temas existenciais, lembrando um pouco a aclamada </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-good-place-critica/#more-15047"><i><span style="font-weight: 400;">The Good Place</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">No entanto, enquanto a produção americana explora a vida após a morte, a brasileira foca na vida mundana. Contando com a atuação de nomes bem conhecidos pelos jovens, entre eles Kéfera, que interpreta a personagem Miriam e Projota, que dá vida a Richard. Entretanto, o protagonista é o carioca Victor Lamoglia, intérprete de Úli, um anjo da guarda novato do Sistema Angelus De Proteção Aos Humanos.</span></p>
<p><span id="more-16015"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de tudo, é necessário explicar como funciona o sistema mostrado na série. Esse modelo é formado por “angelus”, anjos da guarda reais, porém bem diferentes dos que imaginamos. Os angelus possuem cabelos vermelhos e asas somente de enfeite. Isso mesmo que você leu, eles não voam! São gente como a gente, até andam de transporte público. A função de cada um deles é acompanhar um humano selecionado pelo Chefe, que, por sinal, nunca foi visto. Além disso, precisam obedecer 4 regras importantíssimas: cumprir a ordem do dia, não aparecer para os humanos, não proteger humanos fora da ordem do dia e jamais entrar na sala do Chefe.</span></p>
<figure id="attachment_16018" aria-describedby="caption-attachment-16018" style="width: 680px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-16018" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-2-Ninguem.jpg" alt="" width="680" height="453" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-2-Ninguem.jpg 680w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-2-Ninguem-300x200.jpg 300w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-16018" class="wp-caption-text">Úli chega causando no sistema Angelus (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo ocorria normalmente no Sistema até a chegada de Úli, o primeiro angelus criado no distrito em 300 anos. O grande problema é que o rapaz não concorda com os códigos estabelecidos e, ao contrário dos demais, realmente queria ajudar os humanos de forma mais profunda, e acaba quebrando regras. Porém, para a surpresa dele, nada de punição. Assim, o angelus começa a acreditar que ninguém realmente os observa, e é aí que tudo sai dos trilhos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Úli decide explorar a humanidade, levando consigo os veteranos Greta (Júlia Rabello) e Chun (Danilo de Moura), e interferindo na vida de algumas pessoas. Na Terra, os três tentam desvendar a vida mundana. A atuação do trio tem muita sintonia, e é gostoso vê-los experimentando sensações tipicamente humanas. Greta se joga aos excessos e, em consequência, paga por isso. Úli conhece a paixão e suas decepções. Chun é mais cauteloso, pois tem medo de romper com as normas que sempre lhe foram postas como absolutas, ficando em um impasse.</span></p>
<figure id="attachment_16016" aria-describedby="caption-attachment-16016" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-16016" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/72569312_583999902406619_5187935931680859024_n.jpg" alt="" width="1080" height="845" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/72569312_583999902406619_5187935931680859024_n.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/72569312_583999902406619_5187935931680859024_n-300x235.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/72569312_583999902406619_5187935931680859024_n-1024x801.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/72569312_583999902406619_5187935931680859024_n-768x601.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16016" class="wp-caption-text">Úli se apaixona por Miriam e, assim, resolve explorar a vida na Terra (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A reflexão principal da série gira em torno de algo como: se ninguém está olhando, podemos fazer o que quisermos e não seremos punidos? Pois é, complicado. Mas deixe para analisar isso durante os episódios. Ademais, a produção vai te fazer questionar e ver que algumas preocupações não fazem sentido algum.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de reflexiva, a história é leve e divertida. O começo é um pouco devagar, com o intuito de situar o público no contexto da obra, mas, em seguida, tudo flui perfeitamente. Com seu jeitinho despretensioso, Úli traz familiaridade, causando uma identificação imediata. Seu lema</span><i><span style="font-weight: 400;"> “a vida não é aleatória por acaso” </span></i><span style="font-weight: 400;">pode ser confuso, mas resume a história e também a realidade. A trama é irreverente e os episódios são curtos, de 20 a 30 minutos, tornando natural maratonar a série em uma tarde. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda por cima, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ninguém Tá Olhando </span></i><span style="font-weight: 400;">é pura brasilidade, por se passar no Rio de Janeiro e retratar um cotidiano popular. O humor assemelha-se ao da </span><a href="https://www.youtube.com/user/portadosfundos"><i><span style="font-weight: 400;">Porta Dos Fundos</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Parafernalha</span></i><span style="font-weight: 400;">, que já estamos acostumados. Daniel Rezende, diretor da produção, é importantíssimo para o audiovisual brasileiro. É responsável pelo recente longa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Mjz_IqLtI58"><i><span style="font-weight: 400;">Turma da Mônica: Laços</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, bem como o filme </span><a href="http://personaunesp.com.br/critica-bingo/"><i><span style="font-weight: 400;">Bingo: O Rei Das Manhãs </span></i></a><span style="font-weight: 400;">(2017) e alguns episódios da série </span><a href="http://personaunesp.com.br/o-mecanismo-netflix-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Mecanismo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2018).</span></p>
<figure id="attachment_16019" aria-describedby="caption-attachment-16019" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16019" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-4-Ninguem.jpg" alt="" width="600" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-4-Ninguem.jpg 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Imagem-4-Ninguem-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-16019" class="wp-caption-text">Ensaio de cena, na foto Kéfera, Daniel Rezende e Projota (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar das qualidades, o final deixou a desejar. Para não dar </span><i><span style="font-weight: 400;">spoiler</span></i><span style="font-weight: 400;">, melhor dizer que o desfecho ficou bem vago. Ainda por cima a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">confirmou que não produzirá uma sequência para </span><i><span style="font-weight: 400;">Ninguém Tá Olhando, </span></i><span style="font-weight: 400;">decepcionando quem queria a continuação das aventuras de Úli e companhia. Entretanto, mesmo com apenas uma temporada, a série de Daniel Rezende foi indicada ao </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/emmy-internacional-2020-brasil-lidera-indicacoes-ao-premio/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy Internacional</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">na categoria comédia, concorrendo com </span><i><span style="font-weight: 400;">Back To Life</span></i><span style="font-weight: 400;"> (Reino Unido), </span><i><span style="font-weight: 400;">Fifty</span></i><span style="font-weight: 400;"> (Israel) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Four More Shots Please </span></i><span style="font-weight: 400;">(Índia). A cerimônia do evento será em Nova York e irá ao ar em 23 de novembro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para dar boas risadas, passar o tempo, refletir um pouco e, ainda por cima, dar créditos à produção audiovisual brasileira, assistir à </span><i><span style="font-weight: 400;">Ninguém Tá Olhando</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma ótima opção. Durante a história você vai perceber que </span><i><span style="font-weight: 400;">“o que os humanos chamam de sorte, nada mais é do que o trabalho invisível de um angelus”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="NINGUÉM TÁ OLHANDO | TRAILER OFICIAL | NETFLIX" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/RXtqY3Mxhvg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O Mecanismo nasceu quebrado</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Apr 2018 23:42:44 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_9850" aria-describedby="caption-attachment-9850" style="width: 900px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-9850 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/04/O-mecanismo.jpg" alt="" width="900" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/04/O-mecanismo.jpg 900w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/04/O-mecanismo-300x167.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/04/O-mecanismo-768x427.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-9850" class="wp-caption-text"><em>Nova empreitada de José Padilha (Tropa de Elite) alegoriza a Operação Lava-Jato [Foto: Reprodução]</em></figcaption></figure><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p>Que o cenário político de <a href="http://personaunesp.com.br/critica-house-of-cards-quinta-temporada/"><em>House of Cards</em></a> é caótico, nós sabemos. A primogênita do que seria uma grande leva de produções da <em>Netflix</em> nos mostrou como a política americana se ordena. Frank Underwood e sua esposa Claire tiram leite de pedra para conseguir poder; eles fazem o terror. Entretanto, com as acusações contra Spacey, o protagonista foi afastado e a plataforma de <em>streaming</em> deu o veredito: menos episódios, Claire toma os holofotes e a série acaba na sexta temporada. Com as tramoias e artimanhas da Casa Branca se esgotando, a <em>Netflix</em> decidiu virar a câmera para outro cenário extremamente desordenado: o do Brasil.</p>
<p><span id="more-9848"></span></p>
<p><em>O Mecanismo</em> chega com a força do nome de José Padilha, seu idealizador. Pai dos dois <a href="http://personaunesp.com.br/cidade-de-deus-tropa-de-elite/"><em>Tropa de Elite</em></a> e de <a href="http://personaunesp.com.br/critica-narcos-terceira-temporada/"><em>Narcos</em></a>, Padilha é polêmico, não deixa nada subentendido e entrega ao publico uma produção ímpar. Uma realidade já retratada no longa <a href="https://www.youtube.com/watch?v=WdgD4g-JfFA"><em>Polícia Federal: A Lei é Para Todos</em></a>, que agradou poucos. Dessa vez, ele decide contar a história, dividida em oito capítulos, pela versão dos policias envolvidos no início da Lava Jato. Selton Mello é Marco Ruffo, policial que deu origem à fagulha da operação. Ele trabalha ao lado de Caroline Abras, que interpreta a delegada Verena. A química entre os dois é ótima, há um grau de amizade explícito ali.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="O Mecanismo | Trailer oficial [HD] | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/80NBF4O-guM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O grande tema trabalhado na série é o egoísmo das personagens, desde o diretor da <em>Petrobrasil</em> (rá!) que esconde dinheiro na parede até o juiz do Supremo que decide dar autógrafos após decretar prisões. Todo mundo quer ficar no centro da luz. Ruffo trabalha nas sombras, mas, na maior antítese da produção, é o que mais se move para o meio.</p>
<p>Verena se constrói com base nas relações que ela cultiva ao longo dos episódios: a amizade com Ruffo, o caso com o procurador do Ministério Público, a liderança com Vander (Jonathan Haagensen) e a submissão a seus superiores. Tudo isso faz da delegada a personagem mais calejada da série. A interpretação mais gratificante e, ao mesmo tempo, desesperadora é a dela.</p>
<p>Ruffo, porém, tem o arco mais abrangente. Ele trabalha com metalinguagem. Nos episódios dirigidos por Daniel Rezende, há uma trama paralela que envolve esgoto vazando e o conhecido &#8220;jeitinho brasileiro&#8221;. É ali que a série justifica seu título e o discurso que prega ao longo da produção. É um ciclo, e todos estão envolvidos.</p>
<figure id="attachment_9853" aria-describedby="caption-attachment-9853" style="width: 900px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-9853" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/04/5b681ce453151e8316c697ebf5a44a11fba6ec79-300x169.jpg" alt="" width="900" height="506" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/04/5b681ce453151e8316c697ebf5a44a11fba6ec79-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/04/5b681ce453151e8316c697ebf5a44a11fba6ec79-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/04/5b681ce453151e8316c697ebf5a44a11fba6ec79.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-9853" class="wp-caption-text"><em>Verena, Ruffo e Roberto Ibrahim: três caricaturas certeiras de personagens da vida real (Foto: Reprodução/Netflix)</em></figcaption></figure>
<p>Padilha e a roteirista Elena Soarez utilizam um recurso extremamente desgastante: a narração em <em>off</em>. Se usado em dosagem certa, dá um ar mais enigmático aos acontecimentos, mas, nesse caso específico, há exagero. Por puro desleixo, as personagens estão constantemente narrando tudo que já está em tela, julgando o espectador como lesado.</p>
<p>Outro ponto que incomoda em <em>O Mecanismo</em> é a tentativa da criação de jargões e frases de efeito (característica também evidente em <em>Tropa de Elite</em>). Ruffo fala sobre o câncer que o sistema politico brasileiro é, e que<em> “não se pode combater um câncer impunemente”</em>. A todo momento Verena, seu parceiro Vander ou até mesmo o doleiro Roberto Ibrahim (Enrique Díaz) soltam frases caricatas e que ninguém diria nesses contextos.</p>
<p>Ibrahim representa Alberto Youssef, o doleiro que deu o pontapé da Lava Jato. Juiz Rigo (Otto Jr.) é Sergio Moro, numa atuação que limita os próprios feitos e conquistas, o personagem reluta em abraçar o lado celebridade que tanto lhe almeja. O momento de aceitação de seu destino figura entre os melhores da série.</p>
<p><figure id="attachment_9854" aria-describedby="caption-attachment-9854" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-9854" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/04/selnton-mello-300x163.jpg" alt="" width="800" height="436" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/04/selnton-mello-300x163.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/04/selnton-mello-768x418.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/04/selnton-mello.jpg 815w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-9854" class="wp-caption-text"><em>Frases de efeito são recorrentes na série: &#8220;É impossível combater um câncer impunemente&#8221;, decreta Ruffo (Selton Mello) no trailer [Foto: Reprodução]</em></figcaption></figure>Outros dois que brilham em suas caricaturas do real são Lúcio Lemes e Mário Garcez Brito, o Mago. Lemes (Michel Bercovitch) é Aécio Neves, bêbado pelo poder em potencial e pelas descobertas contra a presidente em exercício. Ele quer a presidência para si ao fim das próximas eleições. O Mago (Pietro Mário) é o ex-ministro da Justiça, tramando a costurando um acordo que vai livrar a cara das empreiteiras. O tom de voz rouco e a poetização de suas frases são os grandes destaques da interpretação.</p>
<p><em>O Mecanismo</em> foi alvo de críticas por sua <a href="http://www.bbc.com/portuguese/brasil-43550506">falta de verossimilhança</a> com o cenário político verdadeiro. A série inverte falas e busca pintar uma composição mais heroica, construindo seus heróis de peito estufado. Conta a história da maneira mais condizente possível com suas premissas e objetivos. Por isso, não venha aqui procurando o retrato falado do que aconteceu no Brasil pós-2010: <em>O Mecanismo</em> é entretenimento puro.</p>
<p>Outras produções trabalham de maneira menos alegórica o caos que se instaurou no Brasil. <a href="http://cultura.estadao.com.br/blogs/p-de-pop/berlim-ovaciona-o-processo-o-atestado-de-obito-da-democracia-nacional/"><em>O Processo</em></a>, documentário de 2016 da diretora Maria Augusta Ramos, mostra as duas semanas que antecederam o <em>impeachment</em> de Dilma Rousseff. Exibido no Festival de Berlim, ele não conta com entrevistas ou narrações em <em>off</em>. É um filme cru que visa a informação, e não o entretenimento.</p>
<figure id="attachment_9857" aria-describedby="caption-attachment-9857" style="width: 630px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-9857 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/04/content_pic.jpg" alt="" width="630" height="395" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/04/content_pic.jpg 630w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/04/content_pic-300x188.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-9857" class="wp-caption-text"><em>Juiz Rigo, o Sérgio Moro da Netflix (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p>Com todas as reviravoltas que sucederam o <em>impeachment</em>, ainda existe muita trama para <em>O Mecanismo</em> dramatizar e trazer ao grande público. Ainda mais com um certo vice-presidente descontente à espreita, pronto para dar o bote.</p>
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