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	<title>Arquivos Dance Music &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Ao juntar algumas faixas, FBC nos faz acreditar que O Amor, o Perdão e a Tecnologia Irão nos Levar para Outro Planeta</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Dec 2023 19:03:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Aryadne Xavier Fabrício Soares, mais conhecido como FBC, já trilhava seu caminho na Música há um longo tempo quando seus versos viraram sucesso nacional, no álbum BAILE, parceria com o produtor VHOOR.  Tendo como carro chefe as canções Se Tá Solteira e De Kenner, os maiores triunfos do disco, o conjunto direciona o ouvinte diretamente &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-amor-o-perdao-e-a-tecnologia-irao-nos-levar-para-outro-planeta-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Ao juntar algumas faixas, FBC nos faz acreditar que O Amor, o Perdão e a Tecnologia Irão nos Levar para Outro Planeta"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32405" aria-describedby="caption-attachment-32405" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-32405" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/O-Amor-o-Perdao-e-a-Tecnologia-Imagem-1-800x800.png" alt="A foto apresenta o cantor FBC: um homem negro, de cabelo ralo e preto com alguns fios brancos e uma barba volumosa. Ele usa uma regata preta, coberta por um suéter (aparentemente de lã) nas cores roxo, verde-escuro, amarelo e azul-claro, que se mesclam em listras onduladas. Em sua mão está um globo espelhado, símbolo de festas nos anos 70, 80 e 90. O globo reflete pontinhos de luz para toda a foto, sendo iluminado de um lado e totalmente imerso nas sombras do outro. Ele usa um óculos escuro e também uma grande corrente prateada, que apresenta a figura de São Jorge montado em um cavalo. O fundo da imagem é preto." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/O-Amor-o-Perdao-e-a-Tecnologia-Imagem-1-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/O-Amor-o-Perdao-e-a-Tecnologia-Imagem-1-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/O-Amor-o-Perdao-e-a-Tecnologia-Imagem-1-768x768.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/O-Amor-o-Perdao-e-a-Tecnologia-Imagem-1.png 1000w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32405" class="wp-caption-text">Num futuro em que a terra se torna inabitável e os humanos migraram para outro planeta em busca de um recomeço, uma dúvida surge: se no espaço não se propaga o som, como as gerações futuras irão escutar música? (Foto: Fábio Augusto)</figcaption></figure>
<p><b>Aryadne Xavier</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fabrício Soares, mais conhecido como FBC, já trilhava seu caminho na Música há um longo tempo quando seus versos viraram sucesso nacional, no álbum </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wCyY8OXOHm0"><i><span style="font-weight: 400;">BAILE</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, parceria com o produtor VHOOR.  Tendo como carro chefe as canções </span><i><span style="font-weight: 400;">Se Tá Solteira</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">De Kenner</span></i><span style="font-weight: 400;">, os maiores triunfos do disco, o conjunto direciona o ouvinte diretamente para o passado ao se utilizarem de batidas que ecoam o Furacão 2000 e o </span><i><span style="font-weight: 400;">funk</span></i><span style="font-weight: 400;"> brasileiro dos anos 1990, mesclando a nostalgia sonora com versos muito bem estruturados e performados. Após essa explosão, não é de se assustar que alguma expectativa sobre um novo projeto existisse. Em 2023, dez anos depois de seu primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">EP</span></i><span style="font-weight: 400;"> intitulado </span><a href="https://oganpazan.com.br/10-anos-de-fbc/"><i><span style="font-weight: 400;">C.A.O.S</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o padrim retorna com um de seus trabalhos mais potentes e que reafirma seu nome entre os maiores artistas brasileiros da atualidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Amor, o Perdão e a Tecnologia Irão nos Levar para Outro Planeta</span></i><span style="font-weight: 400;">, o artista faz um caminho no mínimo inusitado: em uma era onde quanto mais passível de </span><a href="https://tecnoblog.net/especiais/uma-fabrica-de-hits-como-o-tiktok-esta-redefinindo-a-industria-da-musica/"><span style="font-weight: 400;">viralizar no </span><i><span style="font-weight: 400;">TikTok</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> melhor o seu lançamento será, FBC mira em Jorge Ben Jor e aposta em um respiro no meio de tanta informação. O que parecia ser andar na contramão para muitos produtores, foi a maneira que o autor encontrou de ser fiel a como enxerga sua Arte e como quer transmitir suas mensagens nos dias atuais &#8211; e, se vier a viralizar, foi consequência não planejada. Como o próprio já assumiu em recentes entrevistas, não se prender a um </span><a href="https://gq.globo.com/cultura/musica/noticia/2023/07/fbc-entrevista-o-amor-o-perdao.ghtml"><span style="font-weight: 400;">único nicho</span></a><span style="font-weight: 400;"> tem sido o guia dessa nova fase de seu trabalho, agora já muito mais amadurecido. </span></p>
<p><span id="more-32404"></span></p>
<figure id="attachment_32406" aria-describedby="caption-attachment-32406" style="width: 714px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-32406" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/imagem2-714x800.png" alt="A foto apresenta o cantor FBC: um homem negro, de cabelo ralo e preto com alguns fios brancos e uma barba volumosa. Ele usa uma camisa bege, com furinhos e botões, além de uma calça de corte reto na cor marrom, com a barra dobrada. Em seus pés, está uma meia de cor roxa e modelo cano alto e um sapato social também marrom. Ele está sentado sobre uma cadeira de madeira, de lado, com o braço apoiado no encosto. A cadeira está sobre um tapete muito decorado. Em seu rosto está um óculos escuro, em seus braços estão pulseiras douradas e pratas, além de um relógio analógico. O fundo da imagem é cinza." width="714" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/imagem2-714x800.png 714w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/imagem2-768x861.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/imagem2.png 888w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32406" class="wp-caption-text">Em letras profundas e intimistas, o rapper mineiro sugere uma forma de se salvar em um possível fim e, de quebra, salva o ouvinte com um trabalho impecável (Foto: Fábio Augusto)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A abertura com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1e0IR90eAwg&amp;pp=ygURbWFkcnVnYWRhIG1hbGRpdGE%3D"><i><span style="font-weight: 400;">MADRUGADA MALDITA</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> já anuncia o tom do que viria a seguir: uma viagem espacial pela </span><i><span style="font-weight: 400;">disco music</span></i><span style="font-weight: 400;">. A melhor comparação para compreender a lógica do álbum pode ser entender cada faixa como uma jornada entre uma estação e a próxima, cada uma com seu próprio começo, meio e fim. Nesse primeiro bloco, o registro se mostra extremamente dançante, mesclando com facilidade rimas, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=j7NepFRl8Yg&amp;pp=ygURZXN0YW50ZSBkZSBsaXZyb3M%3D"><span style="font-weight: 400;">referências literárias</span></a><span style="font-weight: 400;">, analogias entre os efeitos do amor e de substâncias ilícitas e um solo fenomenal de saxofone. Mesmo tendo batidas que realmente cativam (e, por isso, também é indispensável ouvir o disco 2, que é instrumental), as letras continuam repletas de significados e surpresas a quem se dispõe ouvir com mais atenção. Envolvente e de fácil assimilação, as três primeiras produções já criam terreno para o ouvinte se sentir em casa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com  </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9oJnWla0gp8"><i><span style="font-weight: 400;">O QUE TE FAZ IR PRA OUTRO PLANETA?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a viagem realmente começa, apresentando o questionamento central e introduzindo também a resposta, que esteve no título do álbum o tempo todo. É notável uma inspiração em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0kfRv-L-vqg&amp;pp=ygUQYWQgYXN0cmEgdHJhaWxlcg%3D%3D"><i><span style="font-weight: 400;">Ad Astra</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019), filme de James Gray no qual o protagonista viaja a outros planetas enquanto</span><span style="font-weight: 400;"> reflete sobre a complexidade das relações humanas. Esses pensamentos se repetem e se reforçam ao longo do disco, tornando permanente no cerne da obra discutir questões inerentes da nossa existência. Da reflexão desse mesmo longa, surgem as faixas </span><i><span style="font-weight: 400;">LIMITE COMUM</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">O NOSSO GRANDE PAPEL</span></i><span style="font-weight: 400;">, nas quais ouvimos o próprio FBC, em uma espécie de gravação distante, dialogando com o ouvinte. </span><span style="font-weight: 400;">A inserção desses áudios falados entre as faixas cantadas contribui com a narração dos dilemas humanos.</span></p>
<figure id="attachment_32407" aria-describedby="caption-attachment-32407" style="width: 533px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-32407" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/imagem3-533x800.png" alt="A foto apresenta o cantor FBC: um homem negro, de cabelo ralo e preto com alguns fios brancos e uma barba volumosa. Ele usa uma regata preta, coberta por um suéter (aparentemente de lã) nas cores roxo, verde-escuro, amarelo e azul-claro, que se mesclam em listras onduladas. Em suas mãos está um celular de capinha azul-clara, mas ele não olha para o aparelho; olha para a frente, como que pela lente da câmera. Ele usa um óculos escuro e também uma grande corrente prateada, que apresenta a figura de São Jorge montado em um cavalo. Em seu braço direito está um relógio analógico e em seu braço esquerdo está uma pulseira prateada. O fundo da imagem é um azul escuro." width="533" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/imagem3-533x800.png 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/imagem3-683x1024.png 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/imagem3-768x1152.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/imagem3-1024x1536.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/imagem3-1200x1800.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/imagem3.png 1333w" sizes="(max-width: 533px) 85vw, 533px" /><figcaption id="caption-attachment-32407" class="wp-caption-text">Em um clima diferente, FBC explora novos mares nesse disco, abarcando o house, a disco music, o EDM e o Amapiano (Foto: Bel Gandolfo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">DILEMA DAS REDES</span></i><span style="font-weight: 400;">, a questão da proximidade que as redes sociais nos trazem fica em jogo: nessa conversa, estamos realmente conversando ou falando com nós mesmos, com o </span><a href="https://personaunesp.com.br/black-mirror-quarta-temporada-resenha-critica/"><span style="font-weight: 400;">espelho</span></a><span style="font-weight: 400;">? Em seus versos, assim como nas músicas </span><i><span style="font-weight: 400;">ANTISSOCIAL</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">NÃO ME LIGUE NUNCA MAIS</span></i><span style="font-weight: 400;">, o </span><a href="https://gq.globo.com/cultura/musica/noticia/2023/07/fbc-entrevista-o-amor-o-perdao.ghtml"><span style="font-weight: 400;">relacionamento humano</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o amor em sua forma romântica ganham enfoque. As reflexões e reações ao olhar o fim movem os versos que fazem o ouvinte questionar: o que seria o mundo sem amor? Segundo o artista, sem ele nem mesmo é possível se salvar, afinal, o sentimento é um dos três pilares que sustentarão a espécie até outro planeta, em sua proposta de um dia a Terra se tornar inabitável. Para acompanhar a obra, talvez seja necessário um certo esforço do ouvinte, se permitindo sentir e explorar – como um viajante – todas as composições. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A temática, embora bem abordada, teve seu ápice muito por razões da explosão musical que a acompanha. A inspiração para o álbum veio em uma </span><a href="https://br.trace.tv/musica/fbc-propoe-uma-viagem-sonora-com-o-lancamento-do-disco-o-amor-o-perdao-e-a-tecnologia-irao-nos-levar-para-outro-planeta/"><span style="font-weight: 400;">viagem em 2020</span></a><span style="font-weight: 400;"> para a Europa. Naquela ocasião, FBC mergulhou em </span><i><span style="font-weight: 400;">playlists</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">dance music </span></i><span style="font-weight: 400;">e, desse contato, posteriormente aprofundado, nasce a pesquisa sonora que originou o novo registro. Mesclando elementos de </span><i><span style="font-weight: 400;">house</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">disco</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">soul</span></i><span style="font-weight: 400;">, o cantor demonstra muita maturidade em composições filosóficas sobre a existência enquanto indivíduo em um coletivo. Com referências diretas de </span><a href="https://www.portalintercom.org.br/anais/nacional2022/resumo/0709202200255662c8f544f0d43"><span style="font-weight: 400;">Jorge Ben Jor</span></a><span style="font-weight: 400;">, o próprio autor afirma que tentou ser 1% do que a lenda da MPB é na Música. Mas não é exagero afirmar que ele tenha alcançado sua meta e ainda ultrapassado.</span></p>
<figure id="attachment_32408" aria-describedby="caption-attachment-32408" style="width: 534px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32408" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/imagem1-534x800.png" alt=" foto apresenta o cantor FBC: um homem negro, de cabelo ralo e preto com alguns fios brancos e uma barba volumosa. Ele usa uma regata branca e uma calça preta. Na foto, seus olhos estão cobertos por um óculos escuro. Ele usa também uma grande corrente prateada, que apresenta a figura de São Jorge montado em um cavalo. Em seus braços estão tatuagens pretas. O fundo da imagem é cinza." width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/imagem1-534x800.png 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/imagem1-684x1024.png 684w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/imagem1-768x1150.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/imagem1.png 1000w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-32408" class="wp-caption-text">A crença do cantor é sútil, mas estampada desde o primeiro momento: o segredo de tudo está em confiar no amor, no perdão e na tecnologia. (Foto: Fábio Augusto)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A derivação de outras músicas, como uma expansão do universo criado em uma composição anterior, ocorre algumas vezes durante as 15 faixas do disco. </span><i><span style="font-weight: 400;">AHAM</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">QUAL A CHANCE</span></i><span style="font-weight: 400;">? falam sobre um relacionamento amoroso, mas cada uma em seu ponto de vista ou, quem sabe, um ponto na linha da história. Com </span><i><span style="font-weight: 400;">ATMOSFERA</span></i><span style="font-weight: 400;">, a </span><a href="https://issuu.com/thehiddenmag/docs/thm_17"><span style="font-weight: 400;">reflexão</span></a><span style="font-weight: 400;"> talvez chegue na essência de todo o vai e vem de possibilidades para sanar a dúvida central sobre a busca a outro planeta. Aqui, esse novo universo pode existir sem se deslocar geograficamente por milhões de quilômetros, mas sim recuperando a própria humanidade da Terra com o perdão e o amor, sem negar a ciência e a tecnologia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No aspecto produção, a obra não deixa a desejar em ponto algum. Acompanhado pela dupla Pedro Sena e Ugo Ludovico, FBC passeia pela </span><a href="https://noize.com.br/como-fbc-construiu-a-cronologia-da-dance-music-em-novo-disco/#1"><span style="font-weight: 400;">história da </span><i><span style="font-weight: 400;">dance music</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de maneira muito confiante e harmônica. A ideia de unir música após música como um historiador retratando a evolução cronológica dessa vertente torna a experiência de escutar o disco do início ao fim ainda mais encantadora. Além deles, o naipe de trombone, trompete e saxofone, em união com baixo, teclado e guitarra, participa ativamente das faixas, criando uma atmosfera capaz de transportar o ouvinte diretamente para o universo setentista e oitentista. O coral, que preenche algumas das canções e é composto pelas vozes de Aline Magalhães, Sàvio Faschét, Iolanda Souza, Sarah Reis, Fernanda Valadares, dá lugar aos </span><i><span style="font-weight: 400;">feats </span></i><span style="font-weight: 400;">com Don L, nilL, Abbot e Pepito, trazendo dinamismo ao disco.</span></p>
<figure id="attachment_32409" aria-describedby="caption-attachment-32409" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32409" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/imagem5.png" alt="A foto apresenta o cantor FBC: um homem negro, de cabelo ralo e preto com alguns fios brancos e uma barba volumosa. Ele usa uma regata preta, coberta por um suéter (aparentemente de lã) nas cores roxo, verde-escuro, amarelo e azul-claro, que se mesclam em listras onduladas. Em suas mãos está um objeto que se assemelha a um globo de festa, mas em formato similar a letra “O”, sendo de material brilhante e prateado, e ele olha para o aparelho. Ele usa um óculos escuro e também uma grande corrente prateada. O fundo da imagem é um azul escuro." width="600" height="400" /><figcaption id="caption-attachment-32409" class="wp-caption-text">A construção “demorada” desse álbum, que surgiu como ideia em 2020, reflete a lapidação de um material que ficará marcado na história nacional (Foto: Bel Gandolfo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O álbum fecha com </span><i><span style="font-weight: 400;">DESCULPA</span></i><span style="font-weight: 400;">, que, mesmo sendo uma palavra tão pequena, chega a ser às vezes mais complexa de externar do que trava-línguas. FBC, após a minuciosa e </span><a href="https://youtube.com/playlist?list=PLuaAl52Tav4-bq7dlxLZOipIpR_JMPmbD&amp;si=rqBaoljtOwH6UEi0"><span style="font-weight: 400;">colaborativa jornada</span></a><span style="font-weight: 400;"> para explorar a mente e os sentimentos humanos, fecha seu novo trabalho reafirmando a importância de perdoar aos outros e a si mesmo.</span><span style="font-weight: 400;"> É possível notar o amor, o perdão e a tecnologia, ora separados e ora unificados, em cada um dos títulos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mostrando sua capacidade de ir além e se reinventar, </span><a href="https://personaunesp.com.br/fabricio-fbc-2018-critica/"><span style="font-weight: 400;">FBC</span></a><span style="font-weight: 400;"> destaca ao público geral, após 18 anos de uma carreira muito bem consolidada, como sua criação se expande ativamente. Atingindo </span><a href="https://www.jornaldorap.com.br/rap-nacional/fbc-emplaca-single-quimico-amor-entre-as-50-musicas-virais-no-spotify-brasil/"><span style="font-weight: 400;">top 50</span></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">Spotify</span></i><span style="font-weight: 400;"> Brasil e sendo muito elogiado pela maior parcela dos ouvintes, o artista também oferece uma luz e uma indicação de um caminho: nem todas as músicas precisam ser feitas para durar o tempo de uma </span><i><span style="font-weight: 400;">trend</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mirando e acertando em cheio, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Amor, o Perdão e a Tecnologia Irão nos Levar para Outro Planeta</span></i><span style="font-weight: 400;"> entrega uma obra rica e completa e, em quase 53 minutos – ou mais, se for do gosto do ouvinte apreciar apenas o fundo musical – somos capazes de ir para outro planeta.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: O AMOR, O PERDÃO E A TECNOLOGIA IRÃO NOS LEVAR PARA OUTRO PLANETA" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/639QW9bvf08nR0dCWFpcTC?si=x-pAwgxmTFCL_6EMI1FQeA&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>A celebração do passado e do presente de Beyoncé em Renaissance</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Apr 2023 18:40:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aryadne Xavier Que Beyoncé se consolidou como uma das mais importantes figuras do cenário pop nas últimas duas décadas, todo mundo já sabe. Citar o nome da cantora é a porta de entrada para conversas sobre singles que marcaram épocas e provaram como a Música pode ir além de qualquer fronteira física, se espalhando pelo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/renaissance-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A celebração do passado e do presente de Beyoncé em Renaissance"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30688" aria-describedby="caption-attachment-30688" style="width: 1839px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30688" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-01.jpg" alt="Na imagem, vemos Beyoncé, uma mulher negra, adulta, ao centro, vestindo uma roupa prateada com brilhantes, um chapéu branco e sapatos de salto. Ela está com a postura ereta e observa a câmera que a fotografa. Seu rosto possui uma maquiagem na qual o destaque está para seus lábios, com um batom escuro. Ela está sentada sobre um cavalo prateado que reluz e, ao fundo, tem um grande quadro." width="1839" height="1463" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-01.jpg 1839w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-01-800x636.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-01-1024x815.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-01-768x611.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-01-1536x1222.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-01-1200x955.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30688" class="wp-caption-text">Em seu sétimo álbum, Beyoncé confirma a superstição popular: sete é realmente o número da perfeição (Foto: Carlijn Jacobs)</figcaption></figure>
<p><b>Aryadne Xavier</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Que Beyoncé se consolidou como uma das mais importantes figuras do cenário </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> nas últimas duas décadas, todo mundo já sabe. Citar o nome da cantora é a porta de entrada para conversas sobre </span><a href="https://gizmodo.uol.com.br/as-10-melhores-musicas-de-beyonce-segundo-a-rolling-stone/"><i><span style="font-weight: 400;">singles</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">que marcaram épocas e provaram como a Música pode ir além de qualquer fronteira física, se espalhando pelo globo. Seu trabalho artístico, que começou com o grupo </span><a href="https://frequenciamodulada.blogosfera.uol.com.br/2018/10/02/retrato-destinys-child-20-anos-depois/"><span style="font-weight: 400;">Destiny’s Child</span></a><span style="font-weight: 400;"> e progrediu para uma carreira solo no início dos anos 2000, evoluiu a cada novo lançamento, criando a expectativa da mídia e dos fãs ao redor de todo novo passo da vocalista. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Renaissance</span></i><span style="font-weight: 400;">, Beyoncé alcança o seu próprio renascimento, provando como uma artista que vivenciou todas as mudanças da indústria fonográfica nos últimos 30 anos consegue se manter </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-discos-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">relevante</span></a><span style="font-weight: 400;">, atual e soar ainda mais potente em suas criações.</span></p>
<p><span id="more-30687"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Beyoncé Giselle Knowles-Carter, amplamente conhecida apenas pelo seu primeiro nome, já era vencedora do </span><a href="https://www.grammy.com/artists/destinys-child/13008"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">quando lançou seu primeiro disco solo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Dangerously in Love</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2003), e, dentro dele, uma de suas faixas mais memoráveis: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ViwtNLUqkMY&amp;list=OLAK5uy_m_LNFtvBtGHB5lSFMXGoacbZ2Bl20tUWg"><i><span style="font-weight: 400;">Crazy in Love</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A canção, feita em parceria com seu esposo, o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> Jay-Z, ficou oito semanas no topo das paradas norte-americanas e rendeu outros dois gramofones à cantora. Porém, seus feitos na indústria musical são muitos e ultrapassam o topo dos </span><a href="https://uproxx.com/music/beyonce-billboard-hot-100-no-1-hits/"><i><span style="font-weight: 400;">charts</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> com a versatilidade de suas canções que vão do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;">, a inovação em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4m1EFMoRFvY"><span style="font-weight: 400;">clipes</span></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WDZJPJV__bQ"><span style="font-weight: 400;">posicionamento político</span></a><span style="font-weight: 400;">, a propagação de toda uma cultura e a revolução na forma de lançar e consumir Música que se iniciou com o lançamento de sua </span><a href="https://medium.com/converg%C3%AAncia-digital/os-impactos-do-%C3%A1lbum-beyonc%C3%A9-na-ind%C3%BAstria-fonogr%C3%A1fica-e-sua-influ%C3%AAncia-para-m%C3%BAsica-na-era-digital-ad6e27a87fc"><span style="font-weight: 400;">obra homônima</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seis anos depois de seu último álbum, </span><i><span style="font-weight: 400;">Lemonade</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela retorna com um projeto novo, “</span><a href="https://www.papelpop.com/2022/07/beyonce-confirma-renaissance-como-trilogia-e-diz-foi-uma-jornada-linda-de-exploracao/"><i><span style="font-weight: 400;">uma jornada linda de exploração</span></i></a><span style="font-weight: 400;">” visual, lírica e sonora. </span></p>
<figure id="attachment_30689" aria-describedby="caption-attachment-30689" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30689" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-02.jpg" alt="Nessa imagem, temos Beyoncé sentada no chão, com as pernas esticadas (lateralmente) e o seu braço apoiando o torço. Ela veste um body preto, com um decote e mangas longas, cobertas por um tipo de &quot;pelinho&quot;. Em sua cabeça há um chapéu preto cujas abas se encontram acima do topo da cabeça, em seus pés estão sapatos de salto preto. Ela usa uma maquiagem que tem tons de rosa, roxo e verde, inspirada na cantora Donna Summer." width="1400" height="787" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-02.jpg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-02-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-02-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-02-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-02-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30689" class="wp-caption-text">Um compositor é pouco, dois é bom, 24 é melhor ainda: ALIEN SUPERSTAR demonstrou que não se faz história sozinho (Foto: Carlijn Jacobs)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Lavando-se de seus pecados e transicionando sem medo pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">soul</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">I’M THAT GIRL</span></i><span style="font-weight: 400;"> ostenta que não são os diamantes, nem as pérolas, nem o nome de seu esposo, Queen Bey é a melhor no que faz e quer transpor esse orgulho para quem a escuta. Nesse momento de abertura do disco, é interessante notar como a estruturação da obra passa por tríades, a combinação perfeita para contar, em partes, uma narrativa. O primeiro agrupamento ainda conta com uma linha de baixo marcante e agitada em </span><i><span style="font-weight: 400;">COZY</span></i><span style="font-weight: 400;">, sendo um manifesto de como ela se sente confortável em sua própria pele. Ao interpolar trechos do vídeo de Ts Madison, “</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=l6gJ6Uxi6es"><i><span style="font-weight: 400;">B**ch I’m Black</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, Beyoncé reivindica e afirma sua identidade como uma mulher negra, discurso que permeia a obra como um todo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E </span><i><span style="font-weight: 400;">Renaissance </span></i><span style="font-weight: 400;">se mostra muito maior do que qualquer expectativa com </span><i><span style="font-weight: 400;">ALIEN SUPERSTAR</span></i><span style="font-weight: 400;">: uma experiência auditiva que guia o ouvinte por diferentes atmosferas em um espaço temporal curto, mas libertador. A canção que se inicia com trechos de “</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rb4-oOKIZQ8"><i><span style="font-weight: 400;">Moonraker</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, sucesso nas noites de 1998 de Nova Iorque, utiliza com originalidade o conceito de “</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PKsHcX27Vio"><i><span style="font-weight: 400;">Unique</span></i></a><span style="font-weight: 400;">” ao afirmar que ela é a número um e deságua em um refrão que interpola “</span><a href="http://youtube.com/watch?v=P5mtclwloEQ"><i><span style="font-weight: 400;">I’m too sexy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, de Right Said Fred, resgatando seu conteúdo para a negritude e caráter </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">da </span><i><span style="font-weight: 400;">dance music</span></i><span style="font-weight: 400;">. A presença do </span><a href="https://www.vogue.pt/voguing-historia-danca#:~:text=O%20voguing%20era%20uma%20forma,maquilhar%20ou%20arranjar%20o%20cabelo."><i><span style="font-weight: 400;">voguing</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é quase palpável a cada batida marcada. </span></p>
<figure id="attachment_30690" aria-describedby="caption-attachment-30690" style="width: 1846px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30690" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-03.jpg" alt="Na imagem Beyoncé está em foco central. Ela está com o cabelo preso, as mãos estão colocadas próximas a cabeça em um gesto que simula uma coroa. Seu rosto é coberto por uma maquiagem esfumaçada preta nos olhos e um batom dourado na boca. Sua roupa é completamente dourada e os adereços que a compões também. Sua vestimenta é uma referência a símbolos da cultura Ballroom norte americana." width="1846" height="1145" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-03.jpg 1846w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-03-800x496.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-03-1024x635.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-03-768x476.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-03-1536x953.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-03-1200x744.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30690" class="wp-caption-text">O passeio entre as tríades do álbum é como uma montanha-russa: às vezes dançante, outras reflexivo, mas sempre marcante (Foto: Carlijn Jacobs)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra tríade do disco que merece atenção é enérgica e capaz de colocar o ouvinte no ritmo marcante dos baixos e sintetizadores. Com um trabalho vocal fenomenal que se expande em várias faixas de gravação, </span><i><span style="font-weight: 400;">CUFF IT </span></i><span style="font-weight: 400;">aparece desinibida e simpática. A presença sensual e marcante da voz, trabalhada em diferentes nuances, torna esta uma das, se não, a canção de maior sucesso no álbum. Suas batidas finais nos guiam a </span><i><span style="font-weight: 400;">ENERGY</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a familiaridade com o refrão não é por acaso. A utilização do </span><i><span style="font-weight: 400;">sample </span></i><span style="font-weight: 400;">de “</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6AwXKJoKJz4"><i><span style="font-weight: 400;">Milkshake</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, da cantora Kelis, pode ser mais fácil de ser reconhecida, mas a interpolação com</span> <span style="font-weight: 400;">“</span><a href="https://youtu.be/0L5OeCaZDdI"><i><span style="font-weight: 400;">Oh La La La</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, de Teena Marie, e a finalização com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Pa5IV_3fVfk"><i><span style="font-weight: 400;">“Explode”</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Big Freedia, tornam a transição para </span><i><span style="font-weight: 400;">BREAK MY SOUL</span></i><span style="font-weight: 400;"> uma experiência explosiva. Com as batidas de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ps2Jc28tQrw"><i><span style="font-weight: 400;">“Show Me Love”</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, esse é o ápice do bloco, uma celebração ao </span><i><span style="font-weight: 400;">house music</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos anos 90 e à vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio as composições de </span><i><span style="font-weight: 400;">HEATED </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">THIQUE</span></i><span style="font-weight: 400;">, o destaque aqui é direcionado a faixa </span><i><span style="font-weight: 400;">MOVE</span></i><span style="font-weight: 400;">. Beyoncé nos apresenta um encontro interessante: ela mesma como representante do presente, </span><a href="https://vogue.globo.com/lifestyle/cultura/noticia/2022/07/muitas-faces-de-grace-jones.html"><span style="font-weight: 400;">Grace Jones</span></a><span style="font-weight: 400;">, ícone da cultura negra e </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">do passado e a jovem </span><a href="https://tangerina.uol.com.br/musica/tems-nigeriana-beyonce-pantera-negra/"><span style="font-weight: 400;">Tems</span></a><span style="font-weight: 400;">, como uma promessa desse legado para o futuro. Com batidas bem marcadas, a composição das rimas dita seu próprio ritmo a quem escuta, transitando entre três vozes e deixando ao espectador o papel de alguém presente em uma roda urbana, ouvindo essa apresentação. Ao citar o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=khin2DnRknw"><i><span style="font-weight: 400;">Bruk Up</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Jones escancara as referências da cultura jamaicana e integra o propósito de resgate histórico, dando nome a mais uma fonte de inspiração.</span></p>
<figure id="attachment_30691" aria-describedby="caption-attachment-30691" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30691 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-04.png" alt="Nessa foto, Beyoncé aparece vestindo um adereço corporal que cobre apenas suas partes íntimas, fazendo curvas que seguem o formato de seu corpo. Esse adereço é inteiramente prateado e possui detalhes em formas geométricas. Ela usa uma maquiagem carregada, sendo uma sombra roxa com contorno preto em seus olhos, além de um batom rosa em seus lábios. Suas mãos estão acima de sua cabeça, compondo sua pose. Atrás dela, está a figura do cavalo prateado." width="1000" height="667" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-04.png 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-04-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-04-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30691" class="wp-caption-text">Mesmo com os deslizes em sua produção, em 16 faixas o ato I de sua nova trilogia reafirma que não era pura sorte os inúmeros acertos anteriores: Beyoncé sabe o que faz (Foto: Mason Poole)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um dos blocos que mais criou divisões nos sentimentos de quem escuta, Bey expõe um lado mais sentimental e menos agitado, como se ela afirmasse que o momento agora é apenas escutar o lado dela e sentir. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">CHURCH GIRL</span></i><span style="font-weight: 400;">, a cantora se liberta das amarras de sua culpa cristã e afirma como ninguém, além dela, pode a julgar. Já em </span><i><span style="font-weight: 400;">PLASTIC OFF THE SOFA</span></i><span style="font-weight: 400;">, um </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> leve e gostoso de ouvir, ela se declara ao homem com o qual </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kbMqWXnpXcA"><span style="font-weight: 400;">divide a vida</span></a><span style="font-weight: 400;">, revelando que toda especulação envolvendo “</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QxsmWxxouIM"><i><span style="font-weight: 400;">Becky with a good hair</span></i></a><span style="font-weight: 400;">” já foi superada por ela. Na maior faixa do álbum, </span><i><span style="font-weight: 400;">VIRGO’S GROOVE</span></i><span style="font-weight: 400;">, um </span><i><span style="font-weight: 400;">disco-funk </span></i><span style="font-weight: 400;">cria uma atmosfera de romance a partir de texturas, nuances e batidas que a tornam única. Eleita a </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/tracks/beyonce-virgos-groove/"><span style="font-weight: 400;">melhor canção do álbum</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela crítica especializada, seu fluxo continua agradável e dançante por incríveis seis minutos, não caindo na mesmice ao seguir em improvisos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quebrando a sequência de trios e apostando em duas peças únicas, o disco introduz </span><i><span style="font-weight: 400;">ALL UP IN YOUR MIND</span></i><span style="font-weight: 400;">, que se caracteriza como uma faixa experimental. Com a participação de A. G. Cook, a expectativa em descobrir qual gênero musical a cantora mergulharia aumentou, e o resultado foi uma canção com raízes no passado em suas batidas e uma experimentação que mira o futuro. Com a irreverente </span><i><span style="font-weight: 400;">AMERICA HAS A PROBLEM</span></i><span style="font-weight: 400;">, é notável o transporte para as décadas de 80 e 90, que remonta aos brasileiros batidas do tradicional </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nny8m4jwueA"><i><span style="font-weight: 400;">funk</span></i><span style="font-weight: 400;"> carioca</span></a><span style="font-weight: 400;">. É automático querer a resposta para problema americano apontado pela letra, especialmente, considerando lançamentos anteriores de cunho político, mas a surpresa é encontrar um motivo ímpar em seus versos: uma música auto-referencial, com uma batida contagiante que reafirma a grandiosidade de quem a interpreta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com </span><i><span style="font-weight: 400;">PURE/HONEY</span></i><span style="font-weight: 400;">, sua referência à </span><a href="https://houseofraabe.alboompro.com/post/46681-culturaballroom"><i><span style="font-weight: 400;">Ballroom</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">fica ainda mais exposta com a junção de três </span><i><span style="font-weight: 400;">samples</span></i><span style="font-weight: 400;"> em sua construção: </span><a href="https://youtu.be/tW8curhicTQ"><i><span style="font-weight: 400;">“Feels Like”</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://youtu.be/opLpiGv04wE"><i><span style="font-weight: 400;">“Cunty”</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e</span> <a href="https://youtu.be/ECyslqRHQNE"><i><span style="font-weight: 400;">“Miss Honey”</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A inclusão de pessoas da cena que formaram o escopo de quem a artista é hoje pode ser percebida em diferentes trechos de praticamente todas as músicas, mas o maior fica para o final. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">SUMMER RENAISSANCE</span></i><span style="font-weight: 400;">, a presença de Donna Summer é palpável com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Nm-ISatLDG0"><i><span style="font-weight: 400;">“I Feel Love”</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, não diluída em outras batidas, reverenciando a grandeza desse clássico. O encerramento do disco, no entanto, não é o seu fim: </span><i><span style="font-weight: 400;">Renaissance </span></i><span style="font-weight: 400;">nasce como um </span><a href="https://www.omelete.com.br/musica/beyonce-renaissance-trilogia#:~:text=Maior%20nome%20da%20m%C3%BAsica%20pop,isolamento%20causado%20pela%20COVID%2D19."><span style="font-weight: 400;">primeiro ato de três</span></a><span style="font-weight: 400;"> planejados nesse novo projeto da cantora. Sua estreia estrondosa não poderia ser ignorada: alcançando um bilhão de </span><a href="https://updatecharts.com.br/2022/11/10/renaissance-de-beyonce-ultrapassa-1-bilhao-de-streams-no-spotify/"><i><span style="font-weight: 400;">streamings </span></i><span style="font-weight: 400;">no Spotify</span></a><span style="font-weight: 400;"> e primeiro lugar em 100 países no </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple Music</span></i><span style="font-weight: 400;"> no dia de seu lançamento, o álbum rendeu a intérprete mais nove indicações ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30692" aria-describedby="caption-attachment-30692" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30692" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-05.jpg" alt="Na imagem, Beyoncé está com os cabelos, que são castanhos com luzes loiras, soltos. Ela sorri enquanto segura um gramofone e faz seu discurso de aceitação do prêmio. Seu rosto possui uma maquiagem leve e ela utiliza um vestido tomara que caia nas cores prata e bege, e em suas mãos está uma luva preta." width="1500" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-05.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-05-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-05-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-05-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-05-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30692" class="wp-caption-text">Renascendo e sendo continuamente aclamada pela crítica e pela multidão de fãs, Beyoncé segue sem o aguardado Álbum do Ano do Grammy (Foto: Kevin Winter)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo tornando-se a mulher mais premiada dentre todas as edições com 32 gramofones, Beyoncé não alcançou o patamar desejado aos requisitos da premiação, o que ressoa como uma afirmação de que, para a Academia de Gravação estadunidense, ela é boa, mas não o suficiente para o </span><a href="https://personaunesp.com.br/harrys-house-critica/"><span style="font-weight: 400;">Álbum do Ano</span></a><span style="font-weight: 400;">. Essa, no entanto, não foi a primeira vez que isso aconteceu com a cantora, que já perdeu a categoria anteriormente com os álbuns </span><i><span style="font-weight: 400;">I Am… Sasha Fierce </span></i><span style="font-weight: 400;">(2008), </span><i><span style="font-weight: 400;">Beyoncé </span></i><span style="font-weight: 400;">(2013) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/lemonade-amor-confianca-empoderamento/"><i><span style="font-weight: 400;">Lemonade</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2017). Em uma análise até mesmo rápida, é possível notar algo em comum entre todos os ganhadores, que diz além da qualidade de suas </span><a href="https://personaunesp.com.br/25-adele-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">produções</span></a><span style="font-weight: 400;"> e transcende a própria Bey. Em uma indústria racista, para chegar ao ato de </span><a href="https://www.insider.com/black-grammys-winners-album-of-the-year#1999-lauryn-hill-7"><span style="font-weight: 400;">Lauryn Hill</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 1999, torna-se necessário ser três vezes (ou mais) melhor em tudo, mesmo 24 anos depois. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Contudo, por mais apurada e cuidadosa que possa ter sido sua seleção, Beyoncé não estava ilesa aos erros. Durante o ato de lançamento, a quinta faixa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Renaissance</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">ENERGY</span></i><span style="font-weight: 400;">, ficou entre os assuntos mais comentados não apenas pela sua qualidade, como também pelos comentários da cantora da gravação original que foi interpolada na música. Após o pronunciamento público de Kelis (e aqui vale dizer que Beyoncé havia comprado os direitos da música com seus produtores, logo não constava nenhum problema legal em seu uso), uma reviravolta interessante aconteceu. 20 anos depois do lançamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Milkshake</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela finalmente foi creditada como compositora, fortalecendo, mesmo que indiretamente, o exercício de </span><a href="https://personaunesp.com.br/black-is-king-critica/"><span style="font-weight: 400;">resgate histórico</span></a><span style="font-weight: 400;"> do trabalho como um todo.</span><i><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></i><i><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></i><span style="font-weight: 400;">Outra questão de aguardo e dúvidas gira em torno dos visuais desse novo trabalho. Após lançar o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=09z3qcegpHU"><span style="font-weight: 400;">vídeo</span></a><span style="font-weight: 400;"> intitulado como teaser oficial, oferecendo um gostinho aos fãs do que poderia estar por vir, e um segundo trailer repleto de diferentes figurinos e cenários, estimulando o pensamento de muitas adições a sua videografia, Bey pareceu esquecer de lançá-los. Ao se tornar referência e reestruturar a indústria </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> como algo que se apoia no pilar de videoclipes bem planejados e que caminham lado a lado do resultado sonoro, a expectativa de ter algo para se deslumbrar visualmente foi colocada lá para cima. E, talvez comprovando que nem tudo é como se espera, os fãs continuam aguardando, há meses, por um produto que nem sabem se existirá mesmo.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<figure id="attachment_30693" aria-describedby="caption-attachment-30693" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30693" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-06.png" alt="Na foto, Beyoncé segura um copo na mão direita que está levantada. Ela está sentada ereta, com as pernas cruzadas. Seu cabelo está preso em um volumoso coque, de onde caem fios que aparecem como uma franja. Ela usa um vestido preto com detalhes prata. O fundo é composto por espelhos e uma parede (ou encosto de banco) feita com madeira." width="1400" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-06.png 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-06-800x514.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-06-1024x658.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-06-768x494.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-06-1200x771.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30693" class="wp-caption-text">Como uma historiadora, Beyoncé guia os ouvintes de 2023 em uma viagem temporal (Foto: Mason Poole)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Independente de sua performance em premiações, o trabalho de resgate histórico e reconhecimento realizado no disco é seu maior triunfo: utilizando sua visibilidade, Beyoncé aponta e certifica a influência de quem a precedeu. O uso de </span><i><span style="font-weight: 400;">samples </span></i><span style="font-weight: 400;">para a construção da identidade sonora do álbum (e a </span><a href="https://www.rollingstone.com/music/music-news/beyonce-removes-kelis-milkshake-energy-1390926/"><span style="font-weight: 400;">devida creditação</span></a><span style="font-weight: 400;">) utiliza da nostalgia de batidas já conhecidas do público para criação de algo novo, que é aceito sem muitas dificuldades pelo sentimento de familiaridade. A referência a cultura </span><a href="https://www.boniclub.com.br/bonita_de_pele_posts/por-tras-da-beleza-de-beyonce-em-renaissance/"><i><span style="font-weight: 400;">Ballroom </span></i></a><span style="font-weight: 400;">em suas fotos promocionais, utilizando de sua vestimenta e maquiagem inspiradas em ícones como Crystal LaBeija e Moi Renee, é uma esforço consciente de trazer o enfoque a quem fundou algo muito maior. É reconhecer e engrandecer diversos nomes da cultura negra e LGBTQIA+ que foram apagados, esquecidos e marginalizados por tanto tempo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=b2xLsCo8zmQ&amp;list=PLzrMYyHmLhGA9MJNeIMOPrciPVTbnk48M"><i><span style="font-weight: 400;">Renaissance</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a artista demonstra, mais uma vez, seu talento e genialidade, proporcionando um passeio de quase uma hora de duração por diferentes gêneros e estilos, e ilustrando a engenhosidade ao encadear as músicas. A celebração proposta no álbum vai muito além da exaltação ao passado: Beyoncé convida o ouvinte a celebrar quem ele é, a se divertir em uma dança, a reconhecer suas raízes e sua importância no mundo que o permeia. Em um trabalho detalhista, o álbum comprova que muitas mãos, em sintonia e unidas em um propósito, podem construir trabalhos enormes, que vão além de uma experiência sonora. </span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: RENAISSANCE" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/6FJxoadUE4JNVwWHghBwnb?si=P-L0U8ASQ5uhPjnX0ZAkDA&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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