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	<title>Arquivos Dana Andrews &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>No aniversário de 80 anos, Laura, de Otto Preminger, mostra o poder da imagem</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Oct 2025 13:10:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes O assassinato de uma moça acontece; um detetive escava a vida dela, a fim de descobrir quem é o culpado. Nessa investigação, o policial acaba por perceber que a maioria dos homens na vida dela a amava. Sem se dar conta, ele se apaixona também, apenas pelos resquícios da existência de Laura Hunt &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-laura/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "No aniversário de 80 anos, Laura, de Otto Preminger, mostra o poder da imagem"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35925" aria-describedby="caption-attachment-35925" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-35925" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image4-2-800x450.png" alt="Cena de Laura. O filme é em preto e branco. O cenário é o interior de uma casa. À direita está o detetive McPherson, ele usa um sobretudo claro e um chapéu escuro. Ele está olhando para o quadro na esquerda da tela, pendurado na parede, com o rosto impassível. O quadro é uma pintura da personagem Laura. Ela está usando um vestido preto até a altura do peito, deixando seus ombros e braços expostos. Sua cabeça está um pouco inclinada para o ombro esquerdo. O fundo da imagem é um degradê preto e branco, com o preto ao fundo e o branco contornando Laura, dando um aspecto dramático." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image4-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image4-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image4-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image4-2-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image4-2.png 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35925" class="wp-caption-text">Laura foi lançado em 1944, porém chegou ao Brasil em Janeiro de 1945 (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O assassinato de uma moça acontece; um detetive escava a vida dela, a fim de descobrir quem é o culpado. Nessa investigação, o policial acaba por perceber que a maioria dos homens na vida dela a amava. Sem se dar conta, ele se apaixona também, apenas pelos resquícios da existência de Laura Hunt (Gene Tierney). </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-laura-1944/"><i><span style="font-weight: 400;">Laura</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1944),</span> <span style="font-weight: 400;">de Otto Preminger, é mais um dos grandes filmes da história que, apesar de ser inevitavelmente uma representação de seu tempo, se torna mais atual a cada revisão.</span></p>
<p><span id="more-35921"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A relação entre o protagonista e a imagem idealizada da personagem permite diversos olhares. Pensando no próprio Cinema, é possível estabelecer paralelos com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_ykyccq69ns"><i><span style="font-weight: 400;">Vertigo</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1958) de Alfred Hitchcock, na forma como ambos lidam com o tropo da mulher morta. Nesse sentido, o longa de Otto Preminger questiona se o ‘Mestre do Suspense’ é um cineasta clássico ou um maneirista. Contudo, há uma outra forma de enxergar, a partir do advento da internet, das redes sociais e, mais recentemente, das IAs.</span></p>
<figure id="attachment_35922" aria-describedby="caption-attachment-35922" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35922" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-6-800x450.png" alt="Cena de Laura. O filme é em preto e branco. O cenário é o interior de uma casa. À direita está o detetive McPherson em primeiro plano, ele está com uma camiseta branca com gravata. Seu olhar está vago e seu rosto demonstra certa perturbação, ele segura em sua mão direita um copo com alguma bebida. Em segundo plano está o quadro de Laura, que aparenta olhar diretamente para McPherson, que está de costas para a pintura." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-6-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-6-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-6.png 960w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35922" class="wp-caption-text">No filme, a pintura é um personagem, que morre no momento em que Laura aparece (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em termos gerais, o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cvbT0nUJscE"><span style="font-weight: 400;">maneirismo no Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma tendência dos cineastas que vieram, principalmente, após o fim do Cinema Moderno. Estes artistas entendiam que haviam chegado ‘tarde demais’ e perderam a época dos grandes filmes. Assim, eles passaram a buscar sua identidade e marca, a partir das obras clássicas e modernas. Dentro desse contexto, um dos maiores nomes do Cinema Maneirista foi Brian De Palma, que buscava dissecar e, de certa forma, deturpar os clássicos de Hitchcock, encontrando certos aspectos relacionados ao desejo e à violência que, a priori, não eram vistos, formando um traço próprio em sua filmografia. Ou seja, De Palma encontrava sua própria assinatura a partir de outra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com isso posto, voltemos a </span><a href="https://www.cinealerta.com.br/basico-do-cinema/o-basico-do-cinema-conhecendo-um-classico-laura/"><i><span style="font-weight: 400;">Laura</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e a </span><i><span style="font-weight: 400;">Vertigo</span></i><span style="font-weight: 400;">. É muito complicado taxar Hitchcock como maneirista, principalmente por esses argumentos, afinal, ambos os diretores eram contemporâneos e o próprio já havia trabalhado com essa figura ‘necrófila’ em </span><i><span style="font-weight: 400;">Rebecca </span></i><span style="font-weight: 400;">(1940). A preexistência de um filme sobre o mesmo tema já poderia apontar uma falha nesse raciocínio, contudo, a chave para entender essa questão está relacionada à cena do ‘ressurgimento’ de Laura, que pode se conectar com o momento em que Madeleine (Kim Novak) reaparece sobre a personalidade de Judy Barton (também interpretada por Kim Novak).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para compreender a natureza dessa relação, é preciso contextualizar a ideia geral das duas obras. No longa de Otto Preminger, o detetive McPherson (Dana Andrews) se apaixona pela figura de Laura, uma mulher morta, cuja presença ainda é sentida. Enquanto em </span><a href="https://letterboxd.com/cahierspt_br/film/vertigo/"><i><span style="font-weight: 400;">Um Corpo que Cai</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(em português), John Ferguson (James Stewart), Madeleine e Judy Barton formam um triângulo amoroso macabro. No primeiro, o protagonista se encanta pela ideia que constrói, a partir de resquícios da existência de Laura – uma pintura de sua imagem, seu perfume, suas roupas e os relatos de outras pessoas –, no de 1958, o personagem de James Stewart conhece, de fato, Madeleine, e ama aquela pessoa que conheceu. No entanto, mais tarde é descoberto que a mulher nunca existiu, era apenas um papel interpretado por Judy Barton.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Vertigo (10/11) Movie CLIP - Judy Becomes Madeleine (1958) HD" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/tesqTwX7cpc?list=PL30BAE1E1D714C205" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Em ambos os casos, essas </span><a href="https://www.britannica.com/topic/femme-fatale"><i><span style="font-weight: 400;">femmes fatales</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">parecem sofrer uma ‘ressurreição forçada’. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Laura</span></i><span style="font-weight: 400;">, os personagens evocam a sua memória e estabelecem relações com sua imagem mesmo após sua ‘morte’. O momento em que ela retorna é quase a materialização de um sonho de McPherson, o que só é reforçado pela maneira como Preminger dispõe os atores em cena: a chegada de Laura enquanto o detetive dorme e a iluminação no rosto quase desfocada, trazendo um aspecto onírico. Entretanto, este retorno causa uma perturbação no protagonista, que se vê confrontado pela ideia que criou de Laura, com a verdadeira que ‘revive’ na sua frente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto isso, em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mHvAoOi_Hio"><i><span style="font-weight: 400;">Vertigo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não há muito segredo quanto a essa ‘ressurreição forçada’. Afinal, John tenta a todo custo transformar Judy Barton na mulher que ele amava, resultando na clássica cena de Judy saindo do banheiro idêntica a sua alter-ego. A iluminação esverdeada e esfumaçada torna a sua volta algo fantasmagórico. A diferença entre a obsessão e o sonho; entre o que é falso e o que é verdadeiro, sugere um dessecamento, ou anamorfose da imagem original; além disso, na obra, há a tentativa de imputar a existência de algo prévio (Madeleine) no que é ‘novo’ (Judy Barton). Esses dois pontos podem colocar em questão se, de fato, Hitchcock foi um cineasta maneirista, e nesse caso, ele seria quase que um maneirista antecipado, pois ainda não havia terminado o Cinema Moderno – e em alguns países nem sequer havia chegado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27161/tde-29062015-123125/pt-br.php"><i><span style="font-weight: 400;">Vertigo, a teoria artística de Hitchcock</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2015) –</span> <span style="font-weight: 400;">tese de Doutorado feita pelo crítico de Cinema Luiz Carlos de Oliveira Jr. –, essa mesma relação entre Madeleine e o maneirismo é citada e analisada de forma que coloca Hitchcock entre um dos possíveis maneiristas. No capítulo ‘Uma teoria maneirista da arte?’, o autor questiona a posição histórica e o estilo do diretor para reforçar o seu ponto. Afinal, historicamente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vertigo </span></i><span style="font-weight: 400;">se situa ao final do estilo hollywoodiano clássico e, nesse sentido, o cineasta busca encontrar a sua forma limite. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Tal atitude o leva a uma série de procedimentos maneiristas: a construção de espaços irreais (&#8230;), a hipertrofia dos signos plásticos (o trabalho intenso com as luzes, os filtros, os reflexos, as sombras, os efeitos de enquadramento), a anamorfose (os planos da vertigem de Scottie)</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></p>
<figure id="attachment_35923" aria-describedby="caption-attachment-35923" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35923" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-6-800x616.png" alt="Cena de Laura. O filme é em preto e branco. O cenário é o interior de uma casa. À direita está o detetive McPherson, usando uma camisa branca com gravata. Ele está sentado em uma poltrona florida de lado para a câmera. Ele olha para a verdadeira Laura que está à esquerda da imagem. Ela usa um sobretudo claro e um chapéu da mesma cor. Seu rosto demonstra irritação e olha diretamente para McPherson. A iluminação a deixa em evidência. Ao centro, entre os dois, está a pintura, que ganha aspectos ainda mais dramáticos por causa da cena." width="800" height="616" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-6-800x616.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-6-768x591.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-6.png 998w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35923" class="wp-caption-text">A produção começou sob direção de Rouben Mamoulian que não agradou o produtor Darryl Zanuck, com isso o filme passou para as mão de Otto Preminger (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Todavia, é claro que o longa de Otto Preminger tem valores além de sua relação com Hitchcock. O sentimento ‘necrófilo’ que o detetive começa a nutrir surge a partir dos vestígios da vida de Laura, principalmente pela pintura em sua sala. Essas peças soltas que vão se conectando, quase como um quebra-cabeça mental, formam uma imagem romantizada. Assim, o olhar – normalmente investigativo, mas muitas vezes </span><i><span style="font-weight: 400;">voyeurístico</span></i><span style="font-weight: 400;"> – que, geralmente, pertence ao detetive em filmes </span><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i><span style="font-weight: 400;"> e que utiliza essa percepção para encurralar outros personagens – vide a própria cena no </span><i><span style="font-weight: 400;">whisky </span></i><span style="font-weight: 400;">no longa –, passa a tornar-se uma armadilha contra si próprio. É interessante como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iVk34sJpULE"><i><span style="font-weight: 400;">Garota Exemplar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2014) opera na mesma lógica de </span><i><span style="font-weight: 400;">Laura</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas com algumas inversões. O olhar parece disperso, fazendo com que o público seja ignorante sobre a persona Amy (Rosamund Pike) e, após a aparição dela, começa a desconstruir essa figura criada na primeira metade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sobre essa perspectiva, é possível compreender o poder da imagem na construção de uma ideia e como isso se relaciona com o mundo contemporâneo em que somos constantemente sufocados por tais imagens e temos um acervo de informações muito grande na palma da mão. Com as redes sociais, a existência no imaginário coletivo passa a ser associada à divulgação de seus </span><a href="https://www.instagram.com/reel/DOrcMyrgClr/?igsh=aHMxZXp3cmhzdG1m"><span style="font-weight: 400;">dados</span></a><span style="font-weight: 400;"> e à exposição de sua vida. Com tanto conteúdo pessoal disposto na internet à mercê de todos, é criado um duplo digital. Essa persona é quem se relaciona com os outros, afinal, estamos cronicamente </span><i><span style="font-weight: 400;">online</span></i><span style="font-weight: 400;"> e entramos mais em contato com outras pessoas virtualmente do que pessoalmente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma imagem do outro é formada em nosso imaginário a partir do que nos é apresentado via redes sociais. Lemos uma resposta e imaginamos o som e o tom da voz; ouvimos um áudio e pensamos na expressão; vemos um </span><i><span style="font-weight: 400;">post </span></i><span style="font-weight: 400;">ou um </span><i><span style="font-weight: 400;">stories </span></i><span style="font-weight: 400;">e damos vazão a nossa imaginação para criar contexto. No final, existem três versões de uma pessoa: o </span><a href="https://www.instagram.com/reel/DLipiWGA6fO/?igsh=MWtobGx2OWZ0OHZqag=="><span style="font-weight: 400;">duplo virtual</span></a><span style="font-weight: 400;">, a idealizada na mente dos outros e a real. É nesse aspecto que entra Laura</span> <span style="font-weight: 400;">e suas variantes. A criada a partir da pintura, do perfume, do vestido e das memórias – a que surgiu na mente de McPherson e a de carne e osso.</span></p>
<figure id="attachment_35924" aria-describedby="caption-attachment-35924" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35924" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-5-800x450.png" alt=" Cena de Laura. O filme é em preto e branco. O cenário é do interior de uma delegacia, em uma sala de interrogatório. A câmera está próxima dos personagens, enquadrando McPherson e Laura acima dos ombros. À esquerda está McPherson, ele está de costas para a câmera com seu chapéu e casaco, olhando para Laura. Ela olha diretamente para McPherson, com uma expressão um pouco dúbia, que é reforçada pela iluminação, que ilumina metade do rosto dela. Laura está abaixo de McPherson na cena. À direita está uma lâmpada que ilumina o rosto de Laura." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-5-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-5-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-5-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-5.png 1140w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35924" class="wp-caption-text">Laura se enquadra no gênero noir, com a personagem de nome homônimo sendo uma possível Femme Fatale (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As </span><a href="https://feitoporelas.com.br/laura-1944/"><span style="font-weight: 400;">imagens</span></a><span style="font-weight: 400;"> dispostas neste texto não foram selecionadas aleatoriamente, e sim para reforçar, por meio de exemplos claros, essa ideia. Na primeira, o detetive olha para a pintura, dando início ao processo de construção dessa pessoa. Na segunda, é ela quem olha para ele, que parece mais exposto sem o sobretudo e o chapéu. Nesse momento, Laura já está na imaginação do detetive. Na terceira, McPherson é confrontado pela verdadeira Laura. Joseph LaShelle, o diretor de fotografia, faz questão de enquadrar o quadro com a atriz, evidenciando a diferença entre o real, semblante irritado e postura cansada, contra o ideal, aparência meiga e imutável. Por fim, na quarta, ele finalmente a observa verdadeiramente, e nesse momento a perturbação que sentia desde que se apaixonara por sua imagem some.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Voltando um pouco às questões tecnológicas, lógica da pessoa morta e da ‘ressurreição forçada’, com o advento das </span><a href="https://www.instagram.com/reel/DNZB3FWhYUx/?igsh=anp2azNnYmN1ajR2"><span style="font-weight: 400;">Inteligências Artificiais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e dos </span><i><span style="font-weight: 400;">remakes </span></i><span style="font-weight: 400;">em Hollywood, pessoas mortas, de certa forma, voltam à vida de maneira compulsória. A moda atual é utilizar o </span><i><span style="font-weight: 400;">Chat GPT </span></i><span style="font-weight: 400;">ou outras IAs para abraçar virtualmente pessoas, dentre elas artistas e parentes ou amigos mortos. Laura foi evocada pela obsessão de Waldo (Clifton Webb) e McPherson; mas, em Hollywood, Peter Cushing (1913-1994) é recriado digitalmente em </span><a href="https://personaunesp.com.br/rogue-one-uma-historia-star-wars-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Rogue One:</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Uma História Star Wars</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2016) por causa da necessidade incessante de lucro do capitalismo. Familiares, amigos e artistas retornam a partir de uma sociedade que já não reconhece os limites, ou pelo menos busca romper, entre a </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-senhor-dos-mortos-critica/"><span style="font-weight: 400;">vida e a morte</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É razoável pensar que sua influência e relevância sejam eclipsadas por causa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Vertigo</span></i><span style="font-weight: 400;"> – talvez o filme mais refeito na história –, porém, com 80 anos desde que foi lançado no Brasil, </span><a href="http://www.contracampo.com.br/79/dvdlaura.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Laura</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">continua</span> <span style="font-weight: 400;">envelhecendo como vinho, permitindo o surgimento de novas interpretações a cada revisitada. O período histórico e a relação com </span><i><span style="font-weight: 400;">Vertigo</span></i><span style="font-weight: 400;">, podem ter ajudado a se converter em um clássico do Cinema. Contudo, é mais admirável como as mudanças sociais e tecnológicas não o tornaram obsoleto, pelo contrário, fortaleceram suas qualidades.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Laura | #TBT Trailer | 20th Century FOX" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/nzrm_vgoDX0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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