<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Cotidiano &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/cotidiano/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://personaunesp.com.br/tag/cotidiano/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 30 Oct 2023 20:37:58 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Cotidiano &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>http://personaunesp.com.br/tag/cotidiano/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>Here olha para o que ninguém vê</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/here-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/here-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Oct 2023 20:37:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Bas Devos]]></category>
		<category><![CDATA[Bélgica]]></category>
		<category><![CDATA[Bruxelas]]></category>
		<category><![CDATA[Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Dieter Diependaele]]></category>
		<category><![CDATA[Enconteurs]]></category>
		<category><![CDATA[Festival de Berlim]]></category>
		<category><![CDATA[Festival do Rio]]></category>
		<category><![CDATA[Festival do Rio 2023]]></category>
		<category><![CDATA[FIPRESCI]]></category>
		<category><![CDATA[Grimm Vandekerckhove]]></category>
		<category><![CDATA[Here]]></category>
		<category><![CDATA[imigração]]></category>
		<category><![CDATA[Liyo Gong]]></category>
		<category><![CDATA[Rediance Films]]></category>
		<category><![CDATA[Solidão]]></category>
		<category><![CDATA[Stefan Gota]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória Gomez]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=31712</guid>

					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Para Bas Devos, fazer filmes é uma desculpa para ser curioso. Here, seu quarto longa-metragem, usa essa curiosidade para observar a relação de dois estranhos consigo mesmos, um com o outro e com o país que habitam, estrangeiro tanto quanto eles mesmos ali. A produção desembarcou no Brasil no 25° Festival do Rio &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/here-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Here olha para o que ninguém vê"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/here-critica/">Here olha para o que ninguém vê</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31715" aria-describedby="caption-attachment-31715" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-31715" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4.png" alt="Cena do filme Here. A cena se passa em uma floresta, com o solo verde coberto por musgos e troncos de árvores ao fundo. Em um primeiro plano, os dois personagem estão mal iluminados e é possível ver, à esquerda, uma mulher adulta com cabelo preso em um coque, ajoelhada no chão, segurando uma planta na mão. À sua frente, à direita, é possível ver um homem curvado sobre uma pedra, encarando o que ela tem em mãos." width="1536" height="1012" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4-800x527.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4-1024x675.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4-768x506.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4-1200x791.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31715" class="wp-caption-text">Here venceu os prêmios de Encounters e FIPRESCI do Festival de Berlim e participou do Festival do Rio 2023 na seção Expectativa (Foto: Rediance Films)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Bas Devos, </span><a href="http://www.sensesofcinema.com/2023/interviews/here-an-interview-with-bas-devos/"><span style="font-weight: 400;">fazer filmes</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma desculpa para ser curioso. </span><i><span style="font-weight: 400;">Here</span></i><span style="font-weight: 400;">, seu quarto longa-metragem, usa essa curiosidade para observar a relação de dois estranhos consigo mesmos, um com o outro e com o país que habitam, estrangeiro tanto quanto eles mesmos ali. A produção desembarcou no Brasil no 25° </span><a href="https://www.festivaldorio.com.br/br/filmes/here"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio</span></a><span style="font-weight: 400;"> depois de conquistar dois troféus no </span><a href="https://www.berlinale.de/en/2023/programme/202314178.html"><span style="font-weight: 400;">Festival de Berlim</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, olhando para o ordinário, torna até o comum fantástico. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra, o diretor belga segue Stefan (Stefan Gota), um trabalhador romeno da </span><a href="https://personaunesp.com.br/distopia-critica/"><span style="font-weight: 400;">construção civil</span></a><span style="font-weight: 400;"> morando em Bruxelas, na Bélgica. Quando a temporada de obra acaba e ele e seus colegas &#8211; igualmente estrangeiros &#8211; poderão aproveitar as férias em seus países de origem, o protagonista encontra uma mulher que o fará pensar duas vezes se deve ou não voltar. O grande porém é que ela sequer sabe o nome dele.</span></p>
<p><span id="more-31712"></span></p>
<figure id="attachment_31714" aria-describedby="caption-attachment-31714" style="width: 1380px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31714" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5.jpg" alt="Cena do filme Here. A cena se passa durante a noite em um restaurante, onde é possível ver mesas e cadeiras vazias. Ao fundo, através de uma janela, é possível ver fachadas de outros restaurantes com as luzes acesas. No primeiro plano, à esquerda, vemos uma mulher branca, aparentando cerca de 40 anos, com cabelos castanhos na altura do ombro, sentada à mesa do restaurante com uma xícara de café a sua frente. Ela segura a mão do homem que está a sua frente, sentado na mesa à direita do quadro. Ele é branco, com cabelos curtos, aparenta ter cerca de 30 anos, tem uma xícara de café a sua frente e um casaco pendurado na cadeira." width="1380" height="921" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5.jpg 1380w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5-1200x801.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31714" class="wp-caption-text">Como em longas anteriores, Bas Devos aborda sutilmente a imigração, dessa vez de trabalhadores romenos para a Bélgica, algo que ele observou como um fenômeno no país (Foto: Rediance Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O encanto de </span><i><span style="font-weight: 400;">Here </span></i><span style="font-weight: 400;">se faz na </span><a href="https://personaunesp.com.br/carvao-critica/"><span style="font-weight: 400;">simplicidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Stefan não pode ir para casa &#8211; neste caso, seu país de origem, não a residência onde mora &#8211; porque seu carro quebrou e ficará pronto em alguns dias. Nesse meio tempo, a preocupação do rapaz é cozinhar uma sopa com tudo que há na geladeira para que nada estrague. A segunda tarefa é distribuir o alimento para conhecidos, já que nem ele conseguirá consumi-lo antes de voltar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É nessa normalidade que o roteiro &#8211; também confeccionado por Devos &#8211; se desenvolve: a relação do protagonista com a cidade e com as pessoas à sua volta é um exercício de enxergar a </span><a href="https://personaunesp.com.br/paloma-critica/"><span style="font-weight: 400;">humanidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Filmados poeticamente por Grimm Vandekerckhove, os altos prédios de Bruxelas, as linhas de trem e a movimentação dos transportes criam uma sensação de solitude e barulho em meio ao concreto, ressoando a condição de distanciamento, como se ali ele fosse um estrangeiro em todos os sentidos. Stefan repete a si mesmo que ali é sua casa, mas nem ele parece acreditar na afirmação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal cenário é o contrário da </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-som-do-rugido-da-onca-critica/"><span style="font-weight: 400;">natureza</span></a><span style="font-weight: 400;">. O personagem principal, assim como o diretor, é um grande curioso e, com os dias livres enquanto espera seu carro, explora os arredores da cidade. Movido por sementes que encontrou no bolso, ele visita uma horta comunitária, um bosque perto do mecânico e uma pequena floresta local. Ao contrário dos momentos no âmbito urbano, nos quais as conversas são breves e o silêncio interno prevalece, em todos os encontros cercados por natureza ele se depara com pessoas e trava diálogos tão mundanos quanto as situações ali propostas. São nesses ambientes, a princípio quietos, que a </span><a href="https://personaunesp.com.br/past-lives-critica/"><span style="font-weight: 400;">conexão humana</span></a><span style="font-weight: 400;"> acontece, a grandiosidade é preenchida com vida e a sensação de pertencimento e completude impera.</span></p>
<figure id="attachment_31713" aria-describedby="caption-attachment-31713" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31713" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3.jpg" alt="Cena do filme Here. A cena se passa durante o dia em uma floresta, em que é possível ver o solo marrom, coberto por musgos verdes em alguns trechos, troncos e árvores ao fundo. Em um primeiro plano, à esquerda, vemos uma homem branco, de aparentemente 30 anos, loiro de cabelo e barba curtos, vestindo uma jaqueta azul escura, um shorts roxo e uma bota preta ajoelhado no chão, observando uma planta em suas mãos. A sua frente, há um caderno aberto apoiado no chão. A direita do quadro, observando o que há nas mãos do homem, vemos uma mulher chinesa, aparentando cerca de 30 anos, com cabelos pretos presos em um coque, vestindo uma jaqueta com estampa militar, calã jeans e bota preta, sentada no chão." width="1536" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-1200x800.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31713" class="wp-caption-text">Here é projetado em uma janela 4:3, menor do que o tradicional nos cinemas; para Devos, além de fugir ao que o espectador está acostumado, esse formato é o mais próximo de como ele vê a realidade (Foto: Rediance Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo muda quando Stefan conhece Shuxiu (Liyo Gong) em um restaurante chinês na cidade. Se por lá as relações são rápidas e corriqueiras, o reencontro acidental dos dois na floresta acende uma conexão instantânea enquanto observam musgos e líquens. Ela, uma professora de microbiologia e botânica descendente de chineses, parece se sentir tão alheia a um cotidiano apático e desconexo quanto ele. Em mandarim, a personagem revela ter tido um sonho, em que de uma hora para outra esquece palavras, mostrando como se sente uma forasteira ali, como ele. Ambos parecem apenas esperar por uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/her-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">conexão humana</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e a encontram entre seres microscópicos no solo da mata.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por lá, os diálogos não são necessários para explicitar a ligação que passa a se desenvolver: os atores dão conta de expressar a diferença entre o </span><a href="https://personaunesp.com.br/sobre-a-terra-somos-belos-por-um-instante/"><span style="font-weight: 400;">estranhamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> inicial e a familiaridade que se estabelece aos poucos, se não com a cidade, um com o outro. Assim, partindo da grandiosidade da paisagem de Bruxelas e dos altos prédios em construção, a câmera se volta ao solo, ao micro dos organismos na base de tudo.</span></p>
<figure id="attachment_31716" aria-describedby="caption-attachment-31716" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31716" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5.jpg" alt="Cena do filme Here. Na imagem, vemos um zoom ou close-up de dois dedos de uma pessoa branca segurando um pequeno pedaço de planta verde." width="1536" height="1121" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5-800x584.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5-1024x747.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5-768x561.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5-1200x876.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31716" class="wp-caption-text">Passe um café e encare os musgos de olhos bem abertos (Foto: Rediance Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A mudança do panorama macro para o micro, da vastidão para seres microscópicos, acontece de forma lenta, quase imperceptível. Porém, por mais encantador que seja, para explorar esse comum </span><a href="https://c7nema.net/entrevistas/item/119433-bas-devos-o-maior-privilegio-da-minha-vida-e-que-posso-fazer-filmes.html"><span style="font-weight: 400;">Devos</span></a><span style="font-weight: 400;"> propõem um verdadeiro exercício de paciência: se a geração atual não vive sem estímulos audiovisuais, vencer um ato completo de musgos, líquens e paisagens verdes sem nenhuma &#8211; ou pouca &#8211; troca de palavras é uma verdadeira batalha. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=c-6qcdbs6os&amp;source_ve_path=MjM4NTE&amp;feature=emb_title"><i><span style="font-weight: 400;">Here</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o ordinário de Bas Devos, ampliado pela fotografia de Vandekerckhove e pela montagem mansa de Dieter Diependaele, se torna completo, mas, para isso, passa por uma calmaria beirando o entediante. Ao final, Stefan e Shuxiu parecem mais conectados após uma tarde quieta na floresta do que no diálogo completo que tiveram na cidade. Ela sequer sabe o nome dele e, quem comprar o desafio de não se render à inquietude e se entregar à tranquilidade, pode encontrar o fantástico no habitual e a beleza em um encontro mais do que comum.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Here" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/c-6qcdbs6os?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/here-critica/">Here olha para o que ninguém vê</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/here-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">31712</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Os Donos da Casa perde de 7&#215;1</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/os-donos-da-casa-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/os-donos-da-casa-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Nov 2021 17:08:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Documentário]]></category>
		<category><![CDATA[2021]]></category>
		<category><![CDATA[45 Mostra]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Júlia Trevisan]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Carla Dauden]]></category>
		<category><![CDATA[Cobertura]]></category>
		<category><![CDATA[Competição Novos Diretores]]></category>
		<category><![CDATA[Copa do Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Copa do Mundo 2014]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Esporte]]></category>
		<category><![CDATA[Futebol]]></category>
		<category><![CDATA[Miguel Angel Herrera]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra SP]]></category>
		<category><![CDATA[Os Donos da Casa]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Retrato Social]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Seleção Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[The Hosts]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=24350</guid>

					<description><![CDATA[<p>Ana Júlia Trevisan 60 segundos. Esse é o tempo definido pela FIFA para a execução do hino nacional, mas, naquele 12/06/2014, a torcida brasileira parecia não ligar para as determinações. A emoção transbordava na Arena Corinthians, palco de Brasil x Croácia, jogo que abriu a Copa do Mundo de 2014, e a plenos pulmões a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-donos-da-casa-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os Donos da Casa perde de 7&#215;1"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/os-donos-da-casa-critica/">Os Donos da Casa perde de 7&#215;1</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24351" aria-describedby="caption-attachment-24351" style="width: 5760px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24351" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-1-oddc.png" alt="Cena do documentário Os Donos da Casa. Ao centro vemos duas pessoas de costas caminhando apoiadas uma na outra. À esquerda está um homem branco. Ele veste camiseta amarela, calça cinza e sapato fechado. Seu cabelo é curto e grisalho. À direita está uma criança. Ele veste camisa vermelha de gola branca, bermuda vermelha e chinelo. Seu cabelo é preto, liso e um pouco abaixo da orelha. Sua mão esquerda está passada na cintura do outro homem, apoiando ele a andar. Eles estão sob um trilho de trem e a segundo plano vemos um céu claro e à direita o brilho do sol." width="5760" height="3240" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-1-oddc.png 5760w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-1-oddc-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-1-oddc-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-1-oddc-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-1-oddc-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-1-oddc-2048x1152.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-1-oddc-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24351" class="wp-caption-text">Exibido na 45ª Mostra internacional de Cinema em São Paulo, Os Donos da Casa faz parte da Mostra Brasil e da Competição Novos Diretores (Forward &#8211; Imagens que Movem)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Júlia Trevisan</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">60 segundos. Esse é o tempo definido pela FIFA para a execução do hino nacional, mas, naquele 12/06/2014, a torcida brasileira parecia não ligar para as determinações. A emoção transbordava na Arena Corinthians, palco de</span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/mundo/2014/06/13/interna_mundo,432574/hino-cantado-a-capela-emociona-jornalistas-estrangeiros.shtml"><span style="font-weight: 400;"> Brasil x Croácia</span></a><span style="font-weight: 400;">, jogo que abriu a Copa do Mundo de 2014, e a plenos pulmões a arquibancada gritou os versos mandando apoio aos jogadores de nossa seleção. Apesar de todo espírito da Copa transmitido na televisão, os bastidores eram muito diferentes para inúmeros brasileiros afetados diretamente pelo megaevento. </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Donos da Casa, </span></i><span style="font-weight: 400;">exibido na 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, traz a história de quatro deles, impactados positiva e negativamente pela </span><i><span style="font-weight: 400;">FIFA World Cup</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span id="more-24350"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo estando na Competição Novos Diretores, </span><a href="https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/rfi/2021/04/03/cineasta-lanca-documentario-critico-sobre-as-herancas-que-a-copa-do-mundo-de-2014-deixou-para-o-brasil.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Os Donos da Casa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não traz o frescor de uma estreia, muito menos um tema atual ao ponto de ser cativante em seus 80 minutos de duração. Para a construção do documentário, quatro famílias são desproporcionalmente colocadas em voga. Elas, claro, têm histórias válidas para a produção, mas toda a introdução ao tema “Copa do Mundo de 2014” gasta os mesmos 45 minutos do primeiro tempo de uma partida de futebol, levando toda a energia do espectador que não sabe em qual dos temas abordados concentra sua atenção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para ilustrarem a figura de especialistas foram convidados jornalistas esportivos e investigativos, o ex-líder do comitê de governança da Fifa Miguel Maduro e o ativista Argemiro Almeida. Entre os jornalistas, quem tem voz ativa são os brasileiros </span><a href="https://blogdojuca.uol.com.br/2021/03/os-donos-da-casa/"><span style="font-weight: 400;">Juca Kfouri</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Jamil Chade. Fernanda Gentil, coitada, foi apenas peça ilustrativa do documentário, recebendo só duas falas do roteiro. Levantamentos importantes e datados feito pelos dois brasileiros se perdem em 2021, quando estamos mais próximos da Copa do Catar (2022) do que da Copa da Rússia (2018). </span></p>
<figure id="attachment_24352" aria-describedby="caption-attachment-24352" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24352" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-2-oddc.jpg" alt="Cena do documentário Os Donos da Casa. À esquerda está Matheus. Um menino negro, de cabelo crespo, preto e raspado. Ele veste a camisa amarela da seleção brasileira de futebol, bermuda listrada de preto e branco e em seu braço direito tem um relógio verde e amarelo. Suas duas mãos estão na altura da boca e seu olho está vidrado na televisão. Ele está sentado num sofá vermelho com flores brancas. A frente tem uma mesa quadrada com uma toalha xadrez branca e cinza e com detalhes verdes. O fundo é a parede amarela da casa de Matheus." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-2-oddc.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-2-oddc-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-2-oddc-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-2-oddc-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-2-oddc-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-2-oddc-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24352" class="wp-caption-text">O maior medo do Matheus é encontrar com o Michael Jackson na rua (Forward &#8211; Imagens que Movem)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando o juiz apita o coração do brasileiro bate em um só ritmo, é como se não houvesse tristeza quando a bola começa a rolar em campo, no entanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Donos da Casa</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostra que isso não é verdade absoluta. No documentário, quatro brasileiros contam suas vivências em espera do megaevento que foi sediado em </span><a href="http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Futebol/0,,MUL1177312-9825,00-BRASIL+CONHECE+AS+CIDADES+QUE+RECEBERAO+PARTIDAS+DA+COPA+DE.html"><span style="font-weight: 400;">12 cidades</span></a><span style="font-weight: 400;"> do território nacional. Matheuzinho é morador de uma comunidade no </span><a href="https://pt.globalvoices.org/2015/06/09/no-rio-de-janeiro-favela-ao-lado-maracana-sofre-com-remocoes-em-nome-das-olimpiadas-de-2016/#:~:text=Moradores%20da%20favela%20Metr%C3%B4%2DMangueira,constru%C3%A7%C3%A3o%20de%20um%20polo%20automobil%C3%ADstico."><span style="font-weight: 400;">Rio de Janeiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, com vista para o Maracanã, e carrega o sonho de ser jogador. Ivanildo Lopes, residente de Fortaleza, teve a casa destruída para a construção das obras de infraestrutura que não ficaram prontas a tempo da Copa. Marta Gomes trabalha como ambulante e, com o lucro gerado nos jogos, quer realizar o sonho de comprar um carro. Daniel Leon, um dos fundadores da torcida canarinho, leva fãs para todas as Copas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história de Ivanildo é de longe a mais emocionante. Denunciar o sofrimento de famílias, assim como a Lopes, que tiveram suas casas desapropriadas para obras que nunca ficaram prontas renderia um documentário único, mas, infelizmente, é nesse ponto que a produção se perde. A falta de delimitação em qual assunto seria abordado faz com que </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Donos da Casa</span></i><span style="font-weight: 400;"> fale sobre tudo e sobre nada ao mesmo tempo. A denúncia de um dos eventos mais importantes do mundo estar na mão de </span><a href="https://desporto.sapo.pt/futebol/artigos/associacoes-de-agentes-de-futebol-querem-parar-monopolio-da-fifa"><span style="font-weight: 400;">monopólio</span></a><span style="font-weight: 400;">, os protestos de 2013 que mudaram definitivamente o rumo do Brasil e as narrativas pessoais: os pontos se misturam mas não se conectam, deixando uma carência de profundidade nas perspectivas da produção. </span></p>
<figure id="attachment_24353" aria-describedby="caption-attachment-24353" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24353" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-oddc.jpg" alt="Cena do documentário Os Donos da Casa. Nela vemos uma torcida organizada. Na foto, da esquerda para a direita, vemos 14 torcedores, todos homens, brancos e vestidos de verde e amarelo. Eles carregam uma faixa amarela e nela lê-se em azul ‘TORCIDA CANARINHO’. O fundo é o céu azulado." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-oddc.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-oddc-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-oddc-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-oddc-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-oddc-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-oddc-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24353" class="wp-caption-text">A Torcida Canarinho foi fundada em 2006 na Copa da Alemanha (Forward &#8211; Imagens que Movem)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De lá pra cá, a pátria amada se metamorfoseou na enlutada pátria armada, o governo não é capaz de oferecer </span><a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2021/07/26/retrato-da-fome-caldo-com-ossos-alimenta-familia-por-tres-dias-em-cuiaba.ghtml"><span style="font-weight: 400;">segurança alimentar</span></a><span style="font-weight: 400;"> aos filhos deste solo e </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Donos da Casa</span></i><span style="font-weight: 400;"> soa como um documentário atrasado. A diretora Clara Dauden acerta no alvo só depois da flecha já ter enferrujado. Cheia de boas intenções, a data de lançamento e a falta da anunciada visão panorâmica dá um caráter leviano ao filme, que tem uma boa história a entregar. Sua tentativa de trazer narrativas cíclicas não completa a volta e o atraso na produção junto com sua estreia em tempos infernais tiram o tom de urgência na denúncia das pendências que 2014 deixou.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Os Donos da Casa // The Hosts - Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/vFzaQ4759sk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/os-donos-da-casa-critica/">Os Donos da Casa perde de 7&#215;1</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/os-donos-da-casa-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">24350</post-id>	</item>
		<item>
		<title>50 anos de Construção: Deus lhe pague, Chico Buarque</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/chico-buarque-construcao-50-anos/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/chico-buarque-construcao-50-anos/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 19 Jun 2021 05:22:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[1971]]></category>
		<category><![CDATA[2021]]></category>
		<category><![CDATA[50 anos]]></category>
		<category><![CDATA[Aldo Luz]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Aniversário]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Leonam]]></category>
		<category><![CDATA[Caroline Campos]]></category>
		<category><![CDATA[Censura]]></category>
		<category><![CDATA[Chico Buarque]]></category>
		<category><![CDATA[Chico Buarque de Hollanda]]></category>
		<category><![CDATA[Classe operária]]></category>
		<category><![CDATA[Construção]]></category>
		<category><![CDATA[Cordão]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Deus Lhe Pague]]></category>
		<category><![CDATA[Disco]]></category>
		<category><![CDATA[Ditadura Militar]]></category>
		<category><![CDATA[Exílio]]></category>
		<category><![CDATA[Itália]]></category>
		<category><![CDATA[Julinho da Adelaide]]></category>
		<category><![CDATA[LP]]></category>
		<category><![CDATA[Médici]]></category>
		<category><![CDATA[Milagre Econômico]]></category>
		<category><![CDATA[MPB]]></category>
		<category><![CDATA[MPB4]]></category>
		<category><![CDATA[Música Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Philips]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia buarqueana]]></category>
		<category><![CDATA[Repressão]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Rogério Duprat]]></category>
		<category><![CDATA[Samba de Orly]]></category>
		<category><![CDATA[Tom Jobim]]></category>
		<category><![CDATA[Toquinho]]></category>
		<category><![CDATA[Vinícius de Moraes]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=21234</guid>

					<description><![CDATA[<p>Caroline Campos  O roteiro das aulas sobre a ditadura militar, traçado nas salas de Ensino Médio e cursinhos ao longo do país, é padronizado: em algum momento, quando introduzido os malabarismos para escapar da censura e as músicas de protesto contra o regime, Chico Buarque de Hollanda será citado. Será, no mínimo, mencionado – pode &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/chico-buarque-construcao-50-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "50 anos de Construção: Deus lhe pague, Chico Buarque"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/chico-buarque-construcao-50-anos/">50 anos de Construção: Deus lhe pague, Chico Buarque</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_21238" aria-describedby="caption-attachment-21238" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21238" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/chicobuarqueconstrucaolpcapa.jpg" alt="" width="1200" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/chicobuarqueconstrucaolpcapa.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/chicobuarqueconstrucaolpcapa-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/chicobuarqueconstrucaolpcapa-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/chicobuarqueconstrucaolpcapa-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/chicobuarqueconstrucaolpcapa-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21238" class="wp-caption-text">A foto de Chico foi tirada por Carlos Leonam e enquadrada na arte de Aldo Luz, que também assinou a capa de Krig-ha, Bandolo de Raul Seixas (Foto: Philips)</figcaption></figure>
<p><b>Caroline Campos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> O roteiro das aulas sobre a </span><a href="https://carolacampos.medium.com/por-que-n%C3%A3o-devemos-comemorar-o-golpe-militar-de-64-cdf6adfc2c44"><span style="font-weight: 400;">ditadura militar</span></a><span style="font-weight: 400;">, traçado nas salas de Ensino Médio e cursinhos ao longo do país, é padronizado: em algum momento, quando introduzido os malabarismos para escapar da censura e as músicas de protesto contra o regime, </span><a href="https://universoretro.com.br/os-72-anos-de-chico-buarque-e-a-importancia-do-artista-para-a-musica-popular-brasileira/"><span style="font-weight: 400;">Chico Buarque de Hollanda</span></a><span style="font-weight: 400;"> será citado. Será, no mínimo, mencionado – pode anotar. Não é para menos, afinal, Chico integra a gama de </span><a href="https://personaunesp.com.br/falso-brilhante-45-anos/"><span style="font-weight: 400;">artistas brasileiros</span></a><span style="font-weight: 400;"> que sofreram com a repressão e a tesourada em suas composições para que se adequassem aos </span><i><span style="font-weight: 400;">bons princípios </span></i><span style="font-weight: 400;">dos governos militares. Mas o carioca tem um </span><i><span style="font-weight: 400;">quê</span></i><span style="font-weight: 400;"> especial.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Perseguido pelos milicos em meio aos devaneios do </span><i><span style="font-weight: 400;">“milagre econômico”</span></i><span style="font-weight: 400;"> da trupe de </span><a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/historiadobrasil/generalemilio-garrastazu-medici.htm"><span style="font-weight: 400;">Médici</span></a><span style="font-weight: 400;">, a situação se tornou insustentável a ponto de, em 1969, </span><a href="https://m.folha.uol.com.br/ilustrada/2014/06/1472740-no-aniversario-de-chico-buarque-conheca-70-curiosidades-sobre-ele.shtml"><span style="font-weight: 400;">Chico Buarque</span></a><span style="font-weight: 400;"> deixar o Brasil e se instalar na Itália, em um </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/banco-de-dados/2020/03/1970-depois-de-14-meses-exilado-o-cantor-chico-buarque-esta-de-volta-ao-brasil.shtml"><span style="font-weight: 400;">autoexílio</span></a><span style="font-weight: 400;"> que durou pouco mais de um ano. O resultado de toda essa história </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-56409701"><span style="font-weight: 400;">completa 50 anos em 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">; quando o músico enfim retornou, no início da longa década de 70, trouxe com ele as letras daquele que se tornaria seu primeiro manifesto político. Nascia </span><i><span style="font-weight: 400;">Construção</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-21234"></span></p>
<figure id="attachment_21236" aria-describedby="caption-attachment-21236" style="width: 2400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21236" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/15846426245e73ba40a6e96_1584642624_3x2_rt.jpg" alt="" width="2400" height="1600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/15846426245e73ba40a6e96_1584642624_3x2_rt.jpg 2400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/15846426245e73ba40a6e96_1584642624_3x2_rt-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/15846426245e73ba40a6e96_1584642624_3x2_rt-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/15846426245e73ba40a6e96_1584642624_3x2_rt-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/15846426245e73ba40a6e96_1584642624_3x2_rt-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/15846426245e73ba40a6e96_1584642624_3x2_rt-2048x1365.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/15846426245e73ba40a6e96_1584642624_3x2_rt-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21236" class="wp-caption-text">Chico Buarque retornou ao Brasil dia 20 de março de 1970, com a esposa Marieta Severo e a filha Silvia (Foto: Folha de S. Paulo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em 1971, </span><a href="https://vavel.media/br/2018/01/15/musica/868095-5-motivos-para-voc-escutar-o-album-construcao-de-chico-buarque.html"><span style="font-weight: 400;">o oitavo disco</span></a><span style="font-weight: 400;"> de um dos maiores cancionistas da história da música brasileira foi também o segundo gravado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Philips</span></i><span style="font-weight: 400;">, que pouco antes havia lançado </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hpPmzIO7ehI"><i><span style="font-weight: 400;">Chico Buarque de Hollanda nº 4</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O sucesso de </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2021/01/10/album-que-alicercou-obra-de-chico-buarque-ha-50-anos-construcao-retem-a-contundencia-de-1971.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Construção</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, no entanto,</span> <span style="font-weight: 400;">foi astronômico. A gravadora precisou terceirizar os concorrentes para dar conta da prensagem, resultado dos 140 mil discos vendidos só no primeiro mês. Aquele álbum de capa marrom e meia hora de duração bombou pelo país, levando o filho de </span><a href="http://desafios.ipea.gov.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=2252:catid=28&amp;Itemid=23"><span style="font-weight: 400;">Sérgio Buarque de Hollanda</span></a><span style="font-weight: 400;"> a reconfigurar a dinâmica do cenário político-cultural em um Brasil amordaçado pelo medo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Chico Buarque era </span><a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/diretorio-academico/a-censura-as-musicas-de-chico-buarque-na-ditadura-1964-1985/"><span style="font-weight: 400;">figurinha carimbada dos censores</span></a><span style="font-weight: 400;"> que rondavam o país do AI-5. Como a inteligência não era uma característica das patentes militares, as letras irônicas e provocativas do músico passavam despercebidas pelos oficiais, que não demoravam muito a perceber a burrada e voltar atrás nas decisões. </span><a href="http://www.chicobuarque.com.br/sanatorio/julinho.htm"><span style="font-weight: 400;">Julinho da Adelaide</span></a><span style="font-weight: 400;">, inclusive, nasceu nesse período como uma nova tentativa do carioca de driblar seus algozes. O carimbo de </span><i><span style="font-weight: 400;">vetado</span></i><span style="font-weight: 400;"> já era até familiar ao cantor. Foi assim com </span><a href="https://curitibadegraca.com.br/apesar-de-voce-chico-buarque/#:~:text=Chico%20Buarque%20comp%C3%B4s%20%E2%80%9CApesar%20de,falasse%20de%20um%20relacionamento%20amoroso&amp;text=%E2%80%9CApesar%20de%20voc%C3%AA%E2%80%9D%20foi%20composta,no%20auge%20da%20ditadura%20militar.&amp;text=Ela%20faz%20parte%20do%20disco,Buarque%E2%80%9D%2C%20lan%C3%A7ado%20em%201978."><i><span style="font-weight: 400;">Apesar de você</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, foi assim com </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-clube-da-esquina/"><i><span style="font-weight: 400;">Cálice</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e, claro, foi assim com </span><i><span style="font-weight: 400;">Construção</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentre suas dez faixas, o </span><a href="https://www.musicontherun.net/2016/06/discos-para-historia-construcao-chico-buarque-1971.html"><span style="font-weight: 400;">LP</span></a><span style="font-weight: 400;"> é marcado por um samba melancólico, tensionado pela própria realidade. Chico agoniza em suas melodias, construindo um paradoxo suave-agressivo para escancarar sua indignação em um disco indigesto, de um homem que enfrentou diretamente as consequências do</span><i><span style="font-weight: 400;"> ame-o ou deixe-o</span></i><span style="font-weight: 400;"> e ainda regurgitava em cima das lembranças do exílio. </span><a href="http://www.aescotilha.com.br/musica/vitrola/chico-buarque-talento-censura-e-os-45-anos-de-construcao/"><i><span style="font-weight: 400;">Construção</span></i><span style="font-weight: 400;"> elevou os parâmetros</span></a><span style="font-weight: 400;">, aumentou as apostas, e, com seu pulso político firme, vibrante e vivo, uniu uma estética artística especialmente coesa e centrada ao grito de guerra entalado na garganta da Liberdade.</span></p>
<figure id="attachment_21237" aria-describedby="caption-attachment-21237" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-21237 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/117600243-265b43fb-11b0-4f6a-bb11-a11608050ce4-851x1024.jpg" alt="" width="840" height="1011" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/117600243-265b43fb-11b0-4f6a-bb11-a11608050ce4-851x1024.jpg 851w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/117600243-265b43fb-11b0-4f6a-bb11-a11608050ce4-665x800.jpg 665w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/117600243-265b43fb-11b0-4f6a-bb11-a11608050ce4-768x924.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/117600243-265b43fb-11b0-4f6a-bb11-a11608050ce4.jpg 984w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21237" class="wp-caption-text">Cordão foi uma das centenas de músicas de Chico Buarque vetadas pelos censores (Foto: Arquivo Nacional)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Composto ao lado de </span><a href="http://culturabrasil.cmais.com.br/playlists/as-raras-parcerias-de-vinicius#:~:text=Outro%20nome%20da%20MPB%20que,Valsinha%22%20e%20%22Desalento%22.&amp;text=O%20encontro%20para%20Vinicius%20nunca%20passava%20em%20branco."><span style="font-weight: 400;">Vinícius de Moraes</span></a><span style="font-weight: 400;">, Tom Jobim e Toquinho, </span><a href="http://sitenocenaculo.com.br/construcao-de-chico-buarque-completa-50-anos-ainda-atual-contra-o-arbitrio/"><span style="font-weight: 400;">o álbum</span></a><span style="font-weight: 400;"> também contou com a direção musical de </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2021/03/24/chico-buarque-exalta-o-talento-de-magro-em-tributo-ao-arranjador-do-mpb4.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Magro</span></a><span style="font-weight: 400;">, do quarteto </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3ALZNNUQdYM"><span style="font-weight: 400;">MPB4</span></a><span style="font-weight: 400;">, e arranjos do maestro tropicalista </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/podcast/2018/06/08/Qual-a-import%C3%A2ncia-de-Rog%C3%A9rio-Duprat-o-maestro-arranjador-da-Tropic%C3%A1lia"><span style="font-weight: 400;">Rogério Duprat</span></a><span style="font-weight: 400;">. Chico estava, sem dúvidas, bem acompanhado. Assim, é </span><i><span style="font-weight: 400;">Deus Lhe Pague</span></i><span style="font-weight: 400;"> que abre o disco, com uma sonoridade quase sombria e um vocal sóbrio e ecoado. A canção funciona como um sátira, alegorizando um agradecimento aos generais </span><i><span style="font-weight: 400;">por me deixar respirar, por me deixar existir</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de separadas por duas outras músicas, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rxiafycMSTY&amp;list=PLVnkoLiLMTm6iJV3-bYN6I5lwBBJZLOQy&amp;index=1"><i><span style="font-weight: 400;">Deus Lhe Pague</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wBfVsucRe1w&amp;list=PLVnkoLiLMTm6iJV3-bYN6I5lwBBJZLOQy&amp;index=4"><i><span style="font-weight: 400;">Construção</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> são irmãs de luta e sangue. Ambas foram orquestradas por Duprat, que dá a suas óperas tons crescentes conforme os versos vão ficando cada vez mais fechados, claustrofóbicos. </span><i><span style="font-weight: 400;">Construção</span></i><span style="font-weight: 400;">, a faixa que deu título ao álbum, é inigualável – em 2009, a canção estampou o </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/edicao/37/noticia-3939/"><span style="font-weight: 400;">primeiro lugar da lista de melhores músicas brasileiras</span></a><span style="font-weight: 400;"> da revista </span><i><span style="font-weight: 400;">Rolling Stone</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ela se costura à primeira em seus versos finais, que reprisa as sentenças acusatórias depois de uma narrativa extremamente bem delineada entre as composições nacionais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi nos mais de </span><a href="https://comunicacaoescrita.com/analise-construcao-chico-buarque/"><span style="font-weight: 400;">seis minutos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Construção</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que Chico Buarque contou a história de um dos milhares de trabalhadores urbanos da década de 70. O suposto milagre econômico durante o período propulsionou o setor da construção civil, mobilizando um batalhão de operários-máquinas para erguer prédios nas grandes cidades. A vida descartável desses homens foi o motor da </span><a href="http://artecult.com/musica-poesia-construcao/"><span style="font-weight: 400;">composição buarqueana</span></a><span style="font-weight: 400;">, que conta com versos alexandrinos, de 12 sílabas, todos terminados em palavras proparoxítonas, que rimam apenas em decorrência da sílaba tônica.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Construção | Chico Buarque (Vídeo Oficial)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/suia_i5dEZc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da métrica incomparável da faixa, </span><a href="https://canalcienciascriminais.jusbrasil.com.br/artigos/637733133/construcao-chico-buarque-e-a-desconstrucao-do-ser"><span style="font-weight: 400;">Chico cria um jogo de palavras</span></a><span style="font-weight: 400;"> que trocam de lugar e vão se encaixando em novas posições, enquanto o cantor repete, três vezes, a mesma história sem estampar, propositalmente, sensibilidade pelo fato –</span><i><span style="font-weight: 400;"> morreu na contramão atrapalhando o</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">tráfego, o</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">público, o</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">sábado</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sua vida é insignificante, sua morte é indigna de atenção. </span><i><span style="font-weight: 400;">Construção </span></i><span style="font-weight: 400;">dói, assusta e revolta; não é à toa que a música é </span><a href="https://www.ufrgs.br/jornal/tijolos-de-um-pais-em-construcao-em-chico-buarque/"><span style="font-weight: 400;">estudada para vestibulares</span></a><span style="font-weight: 400;">, analisada por pesquisadores e ouvida sagradamente pelos apaixonados pelo Buarque-filho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O disco chegou </span><i><span style="font-weight: 400;">quase </span></i><span style="font-weight: 400;">integralmente às lojas. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6OoyRyePx6o&amp;list=PLVnkoLiLMTm6iJV3-bYN6I5lwBBJZLOQy&amp;index=7"><i><span style="font-weight: 400;">Samba de Orly</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que foi escrita com Toquinho e Vinícius de Moraes, precisou passar por adaptações para conseguir a aprovação dos censores. </span><i><span style="font-weight: 400;">Pela omissão, um tanto forçada</span></i><span style="font-weight: 400;"> se tornou </span><i><span style="font-weight: 400;">pela duração, dessa temporada</span></i><span style="font-weight: 400;">, que é especificamente o verso que Vinícius contribuiu à faixa. Mesmo sendo o samba mais animado de </span><i><span style="font-weight: 400;">Construção</span></i><span style="font-weight: 400;">, a vividez dos instrumentos disfarça o fato de ter sido feito ainda na Itália, como se o carioca exilado enviasse suas lembranças à Cidade Maravilhosa, cheio de saudade de casa. </span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XjWSYQwR-4I&amp;list=PLVnkoLiLMTm6iJV3-bYN6I5lwBBJZLOQy&amp;index=3"><i><span style="font-weight: 400;">Desalento</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, por sua vez, foi órfã de outro trabalho. No começo de 1970, Chico lançou um compacto com duas músicas, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LZJ6QGSpVSk"><i><span style="font-weight: 400;">Apesar de você</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Desalento</span></i><span style="font-weight: 400;">. Comicamente, o registro foi liberado pela censura, que não sacou a acidez impenetrável da primeira canção. Quando os militares voltaram atrás, apenas a parceira ganhou passe livre para integrar o disco posterior. Assim como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SyDrAH5jrqw&amp;list=PLVnkoLiLMTm6iJV3-bYN6I5lwBBJZLOQy&amp;index=6"><i><span style="font-weight: 400;">Olha Maria (Amparo)</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que tem piano de </span><a href="https://cultura.uol.com.br/radio/programas/tom-jobim/2021/02/19/21_as-parcerias-de-tom-jobim-com-vinicius-de-moraes-e-chico-buarque.html"><span style="font-weight: 400;">Tom Jobim</span></a><span style="font-weight: 400;"> e parceria com Moraes, </span><i><span style="font-weight: 400;">Desalento</span></i><span style="font-weight: 400;"> não possui nenhuma roupagem política bem definida, mas a atmosfera desiludida e abatida de ambas as faixas refletiam muito do sentimento geral da população brasileira.</span></p>
<figure id="attachment_21235" aria-describedby="caption-attachment-21235" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21235" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/MPB-4-2.jpg" alt="" width="1600" height="1040" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/MPB-4-2.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/MPB-4-2-800x520.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/MPB-4-2-1024x666.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/MPB-4-2-768x499.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/MPB-4-2-1536x998.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/MPB-4-2-1200x780.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21235" class="wp-caption-text">Chico era quase o quinto membro do grupo MPB4, tanto que <span style="font-weight: 400;">s vozes do conjunto aparecem nas músicas Deus lhe Pague, Desalento, Construção, Samba de Orly e Minha História </span>(Foto: <a href="https://acervofolha.blogfolha.uol.com.br/2017/10/21/ha-50-anos-festival-da-tv-record-reuniu-roberto-carlos-gil-caetano-e-chico-e-deu-novo-rumo-a-mpb/">Folha de S. Paulo</a>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se de um lado Chico constrói músicas explicitamente críticas e do outro ele cria melodias românticas mais suaves, o que há no meio? A resposta é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cPxuSErXvsQ&amp;list=PLVnkoLiLMTm6iJV3-bYN6I5lwBBJZLOQy&amp;index=5"><i><span style="font-weight: 400;">Cordão</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a quinta entre as dez canções do LP. Sutil e amena à primeira vista, é repetindo a afirmação de </span><i><span style="font-weight: 400;">que ninguém vai me acorrentar enquanto eu puder cantar</span></i><span style="font-weight: 400;"> que Chico ganhou mais um carimbo de </span><i><span style="font-weight: 400;">vetado</span></i><span style="font-weight: 400;"> do governo. </span><i><span style="font-weight: 400;">Nas grades do coração </span></i><span style="font-weight: 400;">teve que se transformar em </span><i><span style="font-weight: 400;">as portas do coração</span></i><span style="font-weight: 400;">, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Cordão </span></i><span style="font-weight: 400;">foi considerada um protesto contra a ordem vigente, mesmo com suas múltiplas interpretações.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Independente das músicas serem analisadas em grupo ou individualmente, não se pode separá-las da obra como um todo. Cada escolha musical e narrativa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Construção </span></i><span style="font-weight: 400;">equivale a um alicerce que mantém o disco de pé meio século após seu lançamento. A coerência estética e temática de Chico Buarque é como uma criatura ainda viva, se alimentando dos rumos do país que a criou, ora debochando, ora estrebuchando.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A própria </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dHYOVuq_Fco&amp;list=PLVnkoLiLMTm6iJV3-bYN6I5lwBBJZLOQy&amp;index=2"><i><span style="font-weight: 400;">Cotidiano</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que viria a se tornar um dos maiores clássicos da discografia de Buarque, é desenvolvida com ironia repetitiva para relatar a rotina entediada da vida de um casal comum. Brincando com construções iniciadas por </span><i><span style="font-weight: 400;">todo dia</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cotidiano </span></i><span style="font-weight: 400;">serve para cansar – cansar o cantor, o ouvinte e os personagens. E, claro, isso é o que torna a música ainda mais atraente, principalmente quando contraposta com o romantismo breve e idealizado de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RhLJFYwutUs&amp;list=PLVnkoLiLMTm6iJV3-bYN6I5lwBBJZLOQy&amp;index=8"><i><span style="font-weight: 400;">Valsinha</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Re: CHICO BUARQUE toquinho samba de orly" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/68m7W9cVup4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gZEivZvGohs&amp;list=PLVnkoLiLMTm6iJV3-bYN6I5lwBBJZLOQy&amp;index=9"><i><span style="font-weight: 400;">Minha História</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, versão de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bL3b2qLrRdw"><i><span style="font-weight: 400;">Gesù Bambino</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dos italianos Lucio Dalla e Paola Pallottino, abre os caminhos para a finalização de </span><i><span style="font-weight: 400;">Construção</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas por se tratar de uma letra que referenciava Jesus em meio a </span><i><span style="font-weight: 400;">ladrões e amantes</span></i><span style="font-weight: 400;"> – afinal, segundo a Bíblia, Jesus andou entre soldados e governantes, não é? –, o nome de </span><i><span style="font-weight: 400;">Menino Jesus </span></i><span style="font-weight: 400;">foi barrado. Depois de tanta dureza, não é de se surpreender que Chico opte por finalizar seu disco com um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TdtLk3005BM&amp;list=PLVnkoLiLMTm6iJV3-bYN6I5lwBBJZLOQy&amp;index=10"><i><span style="font-weight: 400;">Acalanto</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, feito para sua filha Helena, na época com um ano. Mesmo com o tom lúdico e sereno, o recado do compositor está claro: </span><i><span style="font-weight: 400;">não vale a pena despertar</span></i><span style="font-weight: 400;">. Não nesse mundo, não nesse país.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há muito ainda o que se discutir sobre </span><i><span style="font-weight: 400;">Construção</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2018/05/01/construcao-album-que-expos-evolucao-poetica-de-chico-e-relancado-em-lp.ghtml"><span style="font-weight: 400;">50 anos depois</span></a><span style="font-weight: 400;">, em um Brasil que teima em eleger generais, que sustenta um genocida responsável por quase 500 mil mortes, não é à toa que </span><a href="http://www.chicobuarque.com.br/texto/entrevistas/entre_realidade.htm"><span style="font-weight: 400;">Chico</span></a><span style="font-weight: 400;"> esteja guardado a sete chaves dentro de sua casa. O registro buarqueano pertence, mais do que nunca, à atualidade. O Brasil ainda está em construção, e seus tijolos, infelizmente, são erguidos com o sangue do próprio povo. Mas amanhã vai ser outro dia.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Construção" width="100%" height="380" allowtransparency="true" frameborder="0" allow="encrypted-media" src="https://open.spotify.com/embed/album/7yrRo2o4XzDfv3mNnkPRE5"></iframe></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/chico-buarque-construcao-50-anos/">50 anos de Construção: Deus lhe pague, Chico Buarque</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/chico-buarque-construcao-50-anos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">21234</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
