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	<title>Arquivos Conto &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>O medo em O Chamado de Cthulhu na verdade é uma sugestão</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Oct 2021 16:40:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Angelus Simões O clima é de abóboras, doces e Terror. Outubro chega e traz com ele uma das datas mais aguardadas pelos amantes do gênero, o Halloween. E é impossível falar de cultura do Horror sem evocar o nome de Howard Phillips Lovecraft, contista de ficção de Terror e fundador de um novo gênero dessa &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-chamado-de-cthulhu-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O medo em O Chamado de Cthulhu na verdade é uma sugestão"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24196" aria-describedby="caption-attachment-24196" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-24196" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-1-capa.png" alt="Capa do livro O Chamado de Cthulhu, pela editora Darkside Books. Foto quadrada, com o livro no centro. A capa é composta majoritariamente pela figura do monstro se levantando do oceano. A criatura posiciona-se de costas para o observador, estando visível principalmente suas asas e braço direito. A imagem possui tons brancos, cinzas e pretos que dão uma impressão de nevoeiro." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-1-capa.png 400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-1-capa-150x150.png 150w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-24196" class="wp-caption-text">Uma das principais inspirações do autor ao escrever esse conto foi o poema <a href="https://www.nerdmaldito.com/2017/06/o-kraken-o-poema-que-inspirou-criacao.html">O Kraken</a> de Alfred Tennyson (Foto: Darkside Books)</figcaption></figure>
<p><b>Angelus Simões</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O clima é de abóboras, doces e Terror. Outubro chega e traz com ele uma das datas mais aguardadas pelos amantes do gênero, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Halloween</span></i><span style="font-weight: 400;">. E é impossível falar de cultura do Horror sem evocar o nome de</span><a href="https://www.infoescola.com/biografias/h-p-lovecraft/"> <span style="font-weight: 400;">Howard Phillips Lovecraft</span></a><span style="font-weight: 400;">, contista de ficção de Terror e fundador de um novo gênero dessa mesma cultura, e autor de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Chamado de Cthulhu</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-24195"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O nome de Lovecraft é conhecido pela grande maioria dos entusiastas de ficção e Horror, e mesmo aqueles que não se relacionam muito com Literatura não estão salvos de suas obras. A influência das criações do autor, como </span><i><span style="font-weight: 400;">The Call of Cthulhu</span></i><span style="font-weight: 400;">, alcançou o mundo dos </span><i><span style="font-weight: 400;">games</span></i><span style="font-weight: 400;">, dos quadrinhos, séries, </span><i><span style="font-weight: 400;">RPGs,</span></i><span style="font-weight: 400;"> animações e filmes, como, por exemplo, o jogo</span><a href="https://turnmundonerd.com.br/como-h-p-lovecraft-influenciou-bloodborne/"> <i><span style="font-weight: 400;">Bloodborne</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e a série de animação </span><i><span style="font-weight: 400;">Rick and Morty. </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O principal problema com a grande popularidade angariada por suas histórias, está no fato de que isso acaba por ofuscar o verdadeiro monstro de suas obras, o </span><a href="https://medium.com/the-speculative-hinterlands/lovecraft-and-the-language-of-eugenics-c28e8ff7977b"><span style="font-weight: 400;">seu próprio racismo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Quando se fala em Lovecraft, muitos pensam em </span><span style="font-weight: 400;">Dagon </span><span style="font-weight: 400;">ou </span><span style="font-weight: 400;">Cthulhu</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">e pouco  se pensa na postura racista e preconceituosa que ele representa, e mesmo  aqueles que pensam no assunto costumam estar dispostos a perdoar essa imensa mazela que permeia quase todos os contos do autor em prol da qualidade de escrita do mesmo.</span></p>
<figure id="attachment_24197" aria-describedby="caption-attachment-24197" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-24197" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-2-12.jpg" alt="A imagem apresenta uma cena da abertura de Rick and Morty. No fundo da cena na parte inferior há uma paisagem deserta e pedregosa em tons cinzas e azuis, na parte superior ao fundo encontra-se o céu. Centralizados na imagem estão a nave de Rick e Morty, fugindo da criatura que se assemelha ao monstro de Lovecraft. O monstro possui seis olhos vermelhos em uma cabeça cefalópode com seis tentáculos, um par de asas em tons rosados e braços terminados em garras afiadas." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-2-12.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-2-12-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-2-12-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-2-12-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-2-12-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-2-12-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24197" class="wp-caption-text">Alusão ao personagem Cthulhu na abertura de Rick and Morty (Foto: Adult Swim)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dessa forma, é crucial preparar-se para um texto advindo de outro lugar histórico. O fato é que as histórias de Lovecraft não são influenciadas apenas pelos valores da época em que foram escritos mas também pelo contexto de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=udk5uWt1GSE"><span style="font-weight: 400;">vida</span></a><span style="font-weight: 400;"> do próprio autor. O contista cresceu a maior parte de sua infância na mansão do avô, afastado inclusive da escola devido a sua saúde frágil, e passava grande parte de seu tempo na biblioteca da casa, lendo obras clássicas e livros de Terror.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse comportamento literato deu a Howard um vasto arsenal de mitologia e vocabulário para fazer mão em seus textos. No entanto, a soma de sua reclusão com a vida em uma cidade pequena e a criação aristocrática, acabou por fortalecer os preconceitos do autor, gerando um comportamento </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/colunas/pagina-cinco/2020/08/20/michel-houellebecq-sobre-h-p-lovecraft-sempre-foi-racista.htm"><span style="font-weight: 400;">racista</span></a><span style="font-weight: 400;">, xenofóbico e muitas vezes eugenista, atitude essa que viria a ser acentuada durante seu período de maior convivência social em Nova Iorque. Esse medo e desprezo em relação ao diferente se vê traduzido em seu estilo de escrita e em suas histórias, sempre protagonizadas por vilões de etnia estrangeira e/ou não-branca. Especula-se que, inclusive, alguns de seus primeiros monstros fossem representações desses povos por quem tinha menosprezo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim sendo, é importante ter consciência sobre essas mazelas que mancham de forma significativa as diversas criações de Lovecraft. Infelizmente, para aqueles que desejam conhecer o Horror cósmico como foi concebido, vez ou outra acabará por ler alguma de suas obras e terá de enfrentar os monstros não-ficcionais em seus textos. No fim, cabe a cada um decidir como lidar com isso.</span></p>
<figure id="attachment_24198" aria-describedby="caption-attachment-24198" style="width: 1095px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-24198" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-3-12.jpg" alt="Fotografia de um aviso presente no início de um livro de contos de H.P Lovecraft. O aviso diz o seguinte: “Ao escritor incomodava a descaracterização das paisagens e dos costumes que tanto queria preservar, e ele atribuía uma decadência generalizada, entre outras coisas, à presença cada vez mais próxima de pessoas de diferentes etnias. Suas histórias apresentam, muitas vezes, indígenas, negros, mestiços, ciganos e imigrantes de várias origens de forma pejorativa. Não é possível dissociar os contos de Lovecraft, repletos de criaturas cósmicas assustadoras, dos contos entremeados de manifestação do preconceito. Fica a critério do leitor o tratamento que dará a essas passagens, para que o clima de horror prevaleça durante a leitura." width="1095" height="836" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-3-12.jpg 1095w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-3-12-800x611.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-3-12-1024x782.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-3-12-768x586.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24198" class="wp-caption-text">Aviso presente em um livro que reúne contos do autor (Foto: Angelus Simões)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dos contos do autor, juntamente com suas criaturas míticas,</span> <a href="http://filosofianerd.com.br/pdf/lovecraft_chamado_cthulhu.pdf"><i><span style="font-weight: 400;">O Chamado de Cthulhu</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é possivelmente o mais conhecido e influente de todos. A história se inicia com uma estrutura característica adotada pelo contista: a narrativa em primeira pessoa. Esse é um recurso utilizado com maestria por Lovecraft, que o utiliza para aproximar o leitor das experiências narradas e trazer um tom de realidade maior para seu Horror. Nesse em específico, Lovecraft nos faz acompanhar quase na pele a construção do medo e da insanidade vividas pela personagem narradora da história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama, publicada em 1928, tem início quando o narrador herda de seu tio-avô, um professor universitário, vários documentos e obras referentes ao seu trabalho, e dentre eles se depara com um estudo peculiar nomeado como </span><i><span style="font-weight: 400;">“O culto de Cthulhu”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Esse estudo trata de uma série de documentos, cartas e anotações que tem como centro uma seita obscura e secreta a uma divindade ancestral que possui o nome de</span> <a href="https://www.lpm-blog.com.br/?p=28089"><span style="font-weight: 400;">Cthulhu</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história então se desenvolve para ser dividida em três partes que visam ilustrar esse estudo sobre o culto. Na primeira, o texto acompanha as investigações do protagonista acerca dos estudos realizados por seu tio-avô, e neles, o parente acaba por descobrir uma interligação entre artistas e poetas que  têm alucinações e sonhos semelhantes relacionados a algum tipo de monstruosidade perdida nas profundezas do mar. Essa parte da narrativa é fundamental para plantar a semente da apreensão no leitor, nos fazendo olhar o horror da história em um plano maior e mais ameaçador. Na segunda parte, o conto regressa um pouco no tempo e nos mostra um culto nos pântanos de </span><a href="https://catracalivre.com.br/viagem-livre/entre-fantasmas-vodu-e-vampiros-nova-orleans-tem-o-titulo-de-cidade-mais-mal-assombrada-do-mundo/"><span style="font-weight: 400;">Nova Orleans</span></a><span style="font-weight: 400;">. Enquanto se desenvolve essa etapa da história, o Horror cósmico começa a mostrar sua face, diminuindo-nos a vítimas impotentes das vontades de uma raça ancestral adormecida em nosso planeta, enquanto tudo o que podemos fazer é aguardar seu despertar.</span></p>
<p><figure id="attachment_24199" aria-describedby="caption-attachment-24199" style="width: 1334px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24199" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-4-2.jpeg" alt="Imagem retangular, em tons frios de azul e preto, representando um grupo de pessoas nuas movendo-se ao redor de uma fogueira que por sua vez encontra-se ao redor de um pilar." width="1334" height="943" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-4-2.jpeg 1334w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-4-2-800x566.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-4-2-1024x724.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-4-2-768x543.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-4-2-1200x848.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24199" class="wp-caption-text">“Os prisioneiros revelaram-se todos homens de um tipo de mestiçagem muito inferior e mentalmente aberrante (&#8230;)” [Foto: Skript]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Na terceira e última etapa da narrativa, o protagonista investiga o caso da tripulação de uma embarcação que foi atacada por cultistas, e, ao sobreviver, acabou supostamente se deparando com a cidade ciclópica, antes vista apenas nos sonhos dos artistas e nas narrativas dos adoradores. Esse ponto em específico do texto pode ser um pouco decepcionante para alguns, pelo fato de quebrar o ar de mistério sobre a existência de todas as coisas descritas nas partes anteriores, mas ainda é de suma importância na construção do medo no conto como um todo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ponto mais forte do estilo de Lovecraft, que é altamente presente nesse conto, é o Terror como uma sugestão. A maior parte da história é composta por divagações e investigações por parte do narrador, onde nada de concreto de fato acontece, e, no entanto, o medo está ali. Esse terror psicológico deixa o próprio </span><span style="font-weight: 400;">Cthulhu</span><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> que leva o nome no título, como uma espécie de personagem secundário, uma sombra milenar que se estende através do tempo para assombrar os dias atuais. O mérito do conto está em nos deixar com medo daquilo que não sabemos o que é, como definir ou que sequer somos capazes de compreender, e é nisso que se baseia o</span> <a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2019/12/bases-filosoficas-do-horror-cosmico-na-literatura.html"><span style="font-weight: 400;">Horror cósmico</span></a><span style="font-weight: 400;"> (subgênero de Terror em que Lovecraft foi pioneiro), na insignificância humana perante um universo desconhecido, assustador e incompreensível.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A verdadeira face do medo criado pelo autor é o desconhecido, reflexo direto da mentalidade do próprio contista, que se traduz em um preconceito explícito que é transmitido por seus personagens. Os grandes cultistas e protagonistas das vilanias retratadas em seus textos são as minorias, povos estigmatizados e negligenciados pela história, de origem majoritariamente negra. O medo de Lovecraft é o medo do estrangeiro, o próprio </span><span style="font-weight: 400;">Cthulhu</span><span style="font-weight: 400;"> é uma criatura advinda de fora da Terra, das profundezas ancestrais do Cosmo.</span></p>
<figure id="attachment_24200" aria-describedby="caption-attachment-24200" style="width: 1086px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24200" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-5-6.jpg" alt="No centro da imagem encontra-se Lovecraft com a metade direita de seu rosto coberta por sombras, assim como as órbitas de seus olhos, dando a entender que a fonte de luz vem de sua esquerda ao fundo, e emanando dele encontram-se quatro tentáculos de polvo. A arte foi feita em um estilo pontilhista (estilo que constitui formar uma imagem através de vários pontos), usando apenas as cores branca, preta e cinza." width="1086" height="652" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-5-6.jpg 1086w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-5-6-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-5-6-1024x615.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-5-6-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24200" class="wp-caption-text">Lovecraft não foi capaz de se formar e cursar Astronomia como desejava, e o desejo de estudar essa ciência foi um das razões para escrever ficção científica (Foto: André Mello)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É nesse espectro de medo do desconhecido, de horror psicológico e de atomização do ser, que se constrói a maior parte da narrativa. Mas, para os amantes de finais abertos e reflexivos, esse conto traz pequenas decepções ao abordar uma confirmação concreta da existência desta divindade alienígena, a consolação se dá pelo fato de não se saber ao certo o que houve com ela, e que destino terá o planeta Terra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O conto em si, que conta com 64 páginas e tradução de Ramon Mapa na edição da </span><i><span style="font-weight: 400;">Darkside Books</span></i><span style="font-weight: 400;">, é um clássico essencial aos amantes do terror psicológico e para aqueles que  desejam ter um contato genuíno com o Horror cósmico. Seu grande defeito, porém, se encontra na mentalidade do autor e no momento histórico em que foi escrito, o que exige um olhar crítico e preparado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No que se refere às traduções para o português brasileiro, é perfeitamente cabível afirmar que a língua latina casa muito bem com a história de <em>O Chamado de Cthulhu</em>, valendo-se de um arsenal vasto de palavras rebuscadas que ajudam a construir o clima de um Terror quase gótico. Não é à toa que suas obras inspiram autores até os dias de hoje, como é o caso do Mestre do Terror</span> <a href="https://blog.estantevirtual.com.br/2016/05/13/conheca-os-idolos-de-stephen-king/"><span style="font-weight: 400;">Stephen King</span></a><span style="font-weight: 400;">, ou até mesmo escritores mais fantásticos, como Neil Gaiman.</span></p>
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		<title>O monstro no túmulo: as Histórias extraordinárias de Edgar Allan Poe</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Oct 2021 20:22:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade Há uma linha tênue entre o Horror e o Terror. Enquanto no primeiro o apreço pelo sobrenatural e sua respectiva negação da realidade são predominantes (lembre-se do “Horror, o Horror!” anunciado pelo agente Kurtz em O Coração das Trevas), o segundo preza pela criação de uma atmosfera repleta de suspense, cuja brincadeira consiste &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/historias-extraordinarias-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O monstro no túmulo: as Histórias extraordinárias de Edgar Allan Poe"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23681" aria-describedby="caption-attachment-23681" style="width: 1278px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23681" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem1.jpg" alt="Capa do livro Histórias extraordinárias, de Edgar Allan Poe. Na imagem, o livro está de pé em um fundo branco. O livro é uma edição em capa dura, de cor roxa, com o nome de Edgar Allan Poe escrito em fonte de cor amarela, com uma caveira desenhada logo acima de seu nome. Abaixo está escrito Histórias Extraordinárias em fonte de cor igualmente amarela. Abaixo está o logo da editora Companhia das Letras, com a fonte de cor amarela" width="1278" height="1280" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem1.jpg 1278w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem1-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem1-1022x1024.jpg 1022w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem1-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem1-768x769.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem1-1200x1202.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23681" class="wp-caption-text">A edição de Histórias extraordinárias, publicada pela Companhia das Letras, reúne 18 contos de Edgar Allan Poe, com seleção, apresentação e tradução de José Paulo Paes, oferecendo ao leitor um panorama da obra do grande mestre do Terror (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há uma linha tênue entre o </span><i><span style="font-weight: 400;">Horror </span></i><span style="font-weight: 400;">e o </span><i><span style="font-weight: 400;">Terror</span></i><span style="font-weight: 400;">. Enquanto no primeiro</span> <span style="font-weight: 400;">o apreço pelo sobrenatural e sua respectiva negação da realidade são predominantes (lembre-se do </span><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><a href="https://revistaquestaodeciencia.com.br/artigo/2021/04/05/o-horror-o-horror"><i><span style="font-weight: 400;">Horror, o Horror!</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">” </span></i><span style="font-weight: 400;">anunciado pelo agente Kurtz em </span><a href="https://www.bonslivrosparaler.com.br/livros/resenhas/o-coracao-das-trevas/1668"><i><span style="font-weight: 400;">O Coração das Trevas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), o segundo preza pela criação de uma atmosfera repleta de suspense, cuja brincadeira consiste justamente na ausência do mágico, e na dúvida se determinadas situações ocorreram ou se estão na cabeça dos personagens. Na Literatura, há predominância dos textos de </span><i><span style="font-weight: 400;">terror</span></i><span style="font-weight: 400;">, e, de forma mais apropriada, trata-se de uma categoria precursora ao suspense psicológico, na qual ambos os gêneros se cruzam quando o assunto é aterrorizar. Em </span><a href="http://www.vortexcultural.com.br/literatura/resenha-historias-extraordinarias-poe/"><i><span style="font-weight: 400;">Histórias extraordinárias</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma coletânea de 18 contos traduzidos pelo poeta José Paulo Paes, o leitor encontrará a angústia e a engenhosidade de <a href="https://www.jornalopcao.com.br/opcao-cultural/escritores-como-personagens-3-edgar-allan-poe-o-insuspeito-de-cj-oliveira-354172/">Edgar Allan Poe</a></span><span style="font-weight: 400;">, um dos principais inventores do Terror moderno.</span></p>
<p><span id="more-23680"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São poucas as coisas que se assemelham a auspiciosa — e estimulante — sensação de que estamos sempre um passo atrás do escritor, e essa habilidade é bem desenvolvida nos contos de Poe. Nesse jogo em que somos submetidos, através de figuras de linguagem, gêneros narrativos e estruturas textuais, recebemos a catarse, possibilitada através de uma brincadeira íntima entre leitor e autor. Mas essa graça parte de um pressuposto, no qual estamos sempre observando em suspeita, analisando o mínimo em detalhe, e, de certa maneira, lançando um olhar um pouco mais crítico. No ensaio </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=12418"><i><span style="font-weight: 400;">O conto policial</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o argentino </span><a href="https://personaunesp.com.br/jorge-luis-borges-morte-35-anos/"><span style="font-weight: 400;">Jorge Luis Borges</span></a><span style="font-weight: 400;"> escreve que Edgar Allan Poe</span> <span style="font-weight: 400;">inventou esse jogo, e não criou um novo gênero literário, mas sim </span><i><span style="font-weight: 400;">“um novo leitor, sempre desconfiado”</span></i><span style="font-weight: 400;">, à espreita de uma revelação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo levando em conta o aspecto fundamental da crítica, que é atentar-se à obra — deixando, na melhor das hipóteses, o autor em segundo plano —, torna-se tarefa particularmente árdua não analisar alguns aspectos da vida particular de Poe, observando reflexos em sua obra. Sabe-se que ele foi um homem infeliz, e o conteúdo biográfico sobre o autor, cuja morte precoce — faleceu aos 40 anos — ainda é </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/controversa-morte-de-edgar-allan-poe.phtml"><span style="font-weight: 400;">motivo de teorias</span></a><span style="font-weight: 400;">, assegura que o contista teve uma vida conturbada, com distúrbios psicológicos e uma marca permanente da ausência paterna. A mãe morreu pouco mais de um ano após o abandono do pai, e Edgar foi morar, ainda aos dois anos, com um comerciante chamado John Allan, que o aceitou, porém se recusou a adotá-lo legalmente; aí surge o sobrenome: Allan Poe.</span></p>
<figure id="attachment_23682" aria-describedby="caption-attachment-23682" style="width: 1183px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23682" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-2-1.jpg" alt="Fotografia de Edgar Allan Poe. Na foto em preto e branco, Poe está olhando para a frente, e só é fotografado da altura dos ombros para cima. Ele é um homem branco, possui cabelos lisos penteados para o lado e bigode de cor preta. Ele está usando um sobretudo de cor preta e um lenço de cor branca amarrado no pescoço. O fundo da foto é cinza." width="1183" height="992" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-2-1.jpg 1183w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-2-1-800x671.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-2-1-1024x859.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem-2-1-768x644.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23682" class="wp-caption-text">“Não existe beleza rara sem algo de estranho nas proporções”, escreve Edgar Allan Poe no conto <a href="http://odivadevirginia.blogspot.com/2012/03/breve-analise-do-conto-ligeia-de-edgar.html">Ligeia</a> (Foto: W.S. Hartshorn)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora alguns argumentem que essa ausência dos pais e uma possível inclinação a problemas psicológicos tenham dado origem a seus escritos, sabe-se que Poe foi um jovem inclinado para a Literatura desde muito cedo, e aos 18 anos publicou seu primeiro livro, </span><a href="https://www.eapoe.org/works/editions/taop.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Tarmelão &amp; Outros Poemas</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(ainda sem tradução no Brasil). Mas o fato é que, como qualquer um que leu pode afirmar, </span><i><span style="font-weight: 400;">Histórias extraordinárias </span></i><span style="font-weight: 400;">é composto por contos poderosos, de enorme </span><a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-part-1-rue-critica/"><span style="font-weight: 400;">profundidade psicológica</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas também muito estranhos. Publicadas originalmente em 15 de fevereiro de 1845, as histórias possuem o medo e a loucura como traços em comum, às vezes de forma conjunta na mesma trama, e seus personagens não conseguem — ou podem — se desenvolver, estando sempre inseridos em espirais temporais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse aspecto evidencia a originalidade de Poe, visto que a maioria dos romancistas da época discorriam sobre as minúcias dos ambientes, com a quase delirante riqueza de detalhes, enquanto o contista norte-americano deixava de lado o moralismo e a extensão, enxugando seus textos e focando no desfecho da história. De modo a sempre considerar a reação do leitor — dispondo rigorosamente seus elementos —, ele construía, assim, a atmosfera para o clímax. Por isso sua escolha pelo gênero: o que poderia prender mais a atenção de alguém que o </span><a href="https://personaunesp.com.br/um-lugar-silencioso-parte-ii-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Terror</span></i></a><span style="font-weight: 400;">? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez por essa razão os cenários em </span><i><span style="font-weight: 400;">Histórias extraordinárias</span></i><span style="font-weight: 400;"> sejam sempre os mesmos castelos sombrios, as mesmas masmorras escuras e os recorrentes personagens misteriosos à beira da loucura. Esses elementos são fundamentais para a apreensão do leitor, que logo de cara percebe um mistério a ser desvendado. Em seus contos, a descrição dos ambientes tem o intuito de construir a atmosfera horripilante, e não é um fim em si mesmo, tendo em vista que auxilia o leitor a compreender os sentimentos do protagonista, que de forma premeditada sente que algo está errado. Ainda assim, elementos físicos misturam-se com a consciência dos personagens, e essa forma pode ser observada no trecho a seguir, retirado do conto </span><a href="https://valeugutenberg.com/2017/09/29/resenha-a-queda-da-casa-de-usher/"><i><span style="font-weight: 400;">A queda da casa de Usher</span></i></a><span style="font-weight: 400;">:</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Débeis raios de luz avermelhada coavam-se através das vidraças e das rótulas, servindo para tornar suficientemente distintos os objetos mais </span><span style="font-weight: 400;">proeminentes em torno; a vista, contudo, esforçava-se em vão por alcançar os cantos mais remotos do aposento ou os recessos do teto, abobado e cheio de ornatos. Tapeçarias escuras pendiam das paredes. A mobília era profusa, sem conforto, antiquada, e encontrava-se em estado precário. Muitos livros e instrumentos musicais espalhavam-se ao redor, mas não conseguiam dar nenhuma vitalidade ao ambiente. Senti que respirava uma atmosfera de angústia. Um sopro de profunda, penetrante e irremediável tristeza andava no ar e tudo invadia.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O que é interessante notar nesse trecho é que a realidade está imposta como um mero jogo de aparências, um produto de consenso. Diferente do real, a realidade é imaginária, pois os artifícios que utilizamos para enxergá-la são possibilitados através de abstrações da consciência. Dessa forma, sabemos que não há possibilidade de se respirar </span><i><span style="font-weight: 400;">“uma atmosfera de angústia”</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas conseguimos enxergar a afirmação em um cenário real, pois temos conhecimento do medo. Na verdade, não há muitas coisas que distinguem a realidade cotidiana da realidade dos contos de Poe. A diferença é que, em suas histórias, tudo ameaça ser apenas uma perspectiva. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, de forma equivalente à originalidade de Poe, os críticos da época mantiveram o tom conservador em relação às inovações propostas pelo escritor — atitude diferente da que teve o poeta </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/04/baudelaire-chega-aos-200-anos-na-hora-em-que-flanar-pode-levar-a-morte-por-covid.shtml"><span style="font-weight: 400;">Charles Baudelaire</span></a><span style="font-weight: 400;">, que saudou a engenhosidade do autor norte-americano e chegou a traduzi-lo para o francês. Essa inovação, observada por Baudelaire, está presente em contos como </span><a href="https://valeugutenberg.com/2018/12/18/resenha-william-wilson/"><i><span style="font-weight: 400;">William Wilson</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, cuja trama gira em torno de um rapaz que encontra um outro jovem de mesmo nome e aparência física, onde a única diferença entre ambos é o fato do </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/webstories/entretenimento/2020/06/o-que-sao-doppelgangers/"><i><span style="font-weight: 400;">doppelgänger</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> comunicar-se somente por sussurros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa história — que inspirou a obra </span><a href="https://www.bonslivrosparaler.com.br/livros/resenhas/o-duplo/5356"><i><span style="font-weight: 400;">O Duplo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Fiódor Dostoiévski, e também aparece com certa frequência em </span><a href="http://www.aescotilha.com.br/literatura/ponto-virgula/paul-auster-a-trilogia-de-nova-york-companhia-das-letras-resenha/"><i><span style="font-weight: 400;">A Trilogia de Nova York</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Paul Auster — apresenta, de forma paradoxal, o interior humano como um outro ser, uma espécie desconhecida e por si só revoltante. Para citar novamente Borges, a história nos remete ao conto </span><a href="http://caixadeliteratura.blogspot.com/2011/07/o-milagre-secreto.html"><i><span style="font-weight: 400;">O milagre secreto</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do livro </span><a href="https://www.seculodiario.com.br/colunas/as-ficcoes-de-borges"><i><span style="font-weight: 400;">Ficções</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1944). Ambos os textos retratam indivíduos que abandonam a realidade, colocando o tempo em suspenso e deixando de lado qualquer tipo de lógica. Mas, como se sabe, a lógica não é garantia da verdade.</span></p>
<figure id="attachment_23683" aria-describedby="caption-attachment-23683" style="width: 710px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23683 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem3-710x1024.jpg" alt="Capa da edição de bolso do livro Histórias extraordinárias, de Edgar Allan Poe. Na imagem, está escrito Edgar Allan Poe em fonte de cor branca, com um fundo de cor roxa. Abaixo, está escrito Histórias extraordinárias em fonte de cor branca, e logo abaixo escrito Seleção, tradução e apresentação de José Paulo Paes, também em fonte de cor branca. O fundo desse trecho é de cor azul. Abaixo, escrito em fonte de cor branca, está o logo da editora, escrito Companhia de Bolso. Na lateral esquerda, há um gato preto com olhos de cor laranja, em um fundo de cor branca." width="710" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem3-710x1024.jpg 710w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem3-554x800.jpg 554w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem3-768x1108.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem3-1064x1536.jpg 1064w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/imagem3.jpg 1070w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-23683" class="wp-caption-text">A edição de bolso da obra faz alusão ao conto O gato preto, um dos mais famosos da carreira de Poe (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.netmundi.org/home/2017/o-gato-preto-de-edgar-allan-poe-um-conto-autobiografico/"><i><span style="font-weight: 400;">O gato preto</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um dos contos mais famosos do livro, traz a noção de anormalidade e uma metáfora para a deterioração do homem, destacada pela violência do protagonista. O gato, que se chama Plutão — mesmo nome do </span><a href="https://www.mitografias.com.br/2015/05/sobre-o-ceu-entre-o-mito-e-a-ciencia-plutao/"><span style="font-weight: 400;">deus dos mortos</span></a><span style="font-weight: 400;"> na Mitologia romana —, é uma possível metáfora na qual a morte vem acertar as contas com o narrador, traçando, ainda, um limiar entre a sanidade e a loucura. Em </span><a href="https://literaturapolicial.com/2015/04/23/a-carta-roubada-e-a-genial-simplicidade/"><i><span style="font-weight: 400;">A carta roubada</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, considerado o primeiro texto da literatura policial, há a investigação do detetive Auguste Dupin sobre o desaparecimento de uma carta furtada pelo Ministro D., sendo Dupin muito parecido a </span><a href="https://personaunesp.com.br/medico-detetive/"><span style="font-weight: 400;">Sherlock Holmes</span></a><span style="font-weight: 400;"> — e isso não ocorre por acaso, pois Poe foi a influência declarada de Arthur Conan Doyle. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais de 175 anos depois de seu lançamento, </span><i><span style="font-weight: 400;">Histórias extraordinárias </span></i><span style="font-weight: 400;">ainda apresenta aos leitores de primeira viagem uma profundidade e imersão surpreendentes, mesmo em tempos atuais. A forma envolvente dos contos — seja pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">terror </span></i><span style="font-weight: 400;">ou pela construção da narrativa — estimula e cativa o imaginário, através de uma escolha exata de palavras e situações. Diferente de </span><i><span style="font-weight: 400;">William Wilson</span></i><span style="font-weight: 400;">, o duplo de Edgar Allan Poe é o que restou, definindo a maneira de enxergar a obra desse autor atormentado. Ele é o gênio do conto, o inventor de um novo gênero literário, o </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2019/11/edgar-allan-poe-o-mestre-que-foi-o-arquiteto-do-horror.html"><span style="font-weight: 400;">mestre do </span><i><span style="font-weight: 400;">terror</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas, acima de tudo, é o escritor. </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/historias-extraordinarias-critica/">O monstro no túmulo: as Histórias extraordinárias de Edgar Allan Poe</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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