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	<title>Arquivos Clarice Lispector &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Lorde morre simbolicamente em Virgin só para experimentar a ressurreição</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Jul 2025 14:25:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Arthur Caires Existe algo desconfortável – e, por isso mesmo, vital – em se olhar no espelho com sinceridade. Não o reflexo rápido do dia a dia, e sim aquele olhar demorado, que tenta entender não só o que mudou, porém o que ainda pulsa por baixo da pele. Às vezes, esse exercício traz &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/lorde-morre-simbolicamente-em-virgin-so-para-experimentar-a-ressurreicao/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Lorde morre simbolicamente em Virgin só para experimentar a ressurreição"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_35434" aria-describedby="caption-attachment-35434" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-35434" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-7-800x800.png" alt="A capa do álbum Virgin é uma imagem de raio-X em tons de azul, mostrando uma pelve humana feminina em posição frontal. No centro da imagem, há um zíper e uma fivela metálica sobrepostos digitalmente à imagem anatômica, além da presença de um DIU (dispositivo intrauterino) visível no útero. A composição evoca temas de feminilidade, exposição e controle do próprio corpo, reforçando o caráter visceral e simbólico do álbum." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-7-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-7-1024x1024.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-7-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-7-768x768.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-7.png 1080w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35434" class="wp-caption-text">Corpo como território, imagem como manifesto (Foto: Republic Records)</figcaption></figure>
<p><b>Arthur Caires</b><b><br />
</b><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Existe algo desconfortável – e, por isso mesmo, vital – em se olhar no espelho com sinceridade. Não o reflexo rápido do dia a dia, e sim aquele olhar demorado, que tenta entender não só o que mudou, porém o que ainda pulsa por baixo da pele. Às vezes, esse exercício traz mais dúvidas do que respostas. O corpo pesa, a cabeça gira, e o que era certeza vira </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-60788360"><span style="font-weight: 400;">angústia</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ainda assim, há algo de libertador em se permitir esse mergulho: abandonar o automático, a complacência. O caos, quando acolhido, pode ser mais revelador do que qualquer solução conveniente.</span></p>
<p><span id="more-35432"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É nesse lugar entre o instinto e a </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2025/06/26/lorde-se-abre-sobre-transtorno-alimentar-em-novo-disco-parte-de-mim-gritava-nao-se-exponha.ghtml"><span style="font-weight: 400;">exposição</span></a><span style="font-weight: 400;"> que </span><i><span style="font-weight: 400;">Virgin</span></i><span style="font-weight: 400;">, o novo álbum de Lorde, habita. Um projeto que soa como um grito íntimo, daqueles que não precisam de plateia, mas que, quando ouvidos, arrepiam. Ao invés de reconstruir uma imagem, a cantora a desmonta por completo. Sem buscar finais felizes ou metáforas rebuscadas, ela entrega um disco cru, tenso e, por isso mesmo, profundamente humano. Não é sobre ser pura, e sim sobre estar viva.</span></p>
<figure id="attachment_35435" aria-describedby="caption-attachment-35435" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35435" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-6-800x548.png" alt="Lorde, mulher branca, posa parcialmente despida contra um fundo azul suave e etéreo. Seu cabelo escuro está preso em um rabo de cavalo baixo, e ela usa um brinco longo e prateado em formato de espiral. Com os braços dobrados à frente do corpo e os olhos fixos na câmera, sua expressão transmite introspecção, força e uma certa melancolia. A iluminação azulada acentua a atmosfera sensorial e aquática que permeia o conceito visual de Virgin." width="800" height="548" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-6-800x548.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-6-1024x701.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-6-768x526.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-6.png 1122w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35435" class="wp-caption-text">Lorde se desfaz para renascer do caos e da carne (Foto: Republic Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após quatro anos de reclusão artística, a neozelandesa retorna em um momento de ruptura e reinvenção pessoal. Desde o lançamento polarizador de </span><a href="https://personaunesp.com.br/solar-power-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Solar Power</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – descompassado com as ideias da época –, a artista passou por um período de profunda transformação. O que parecia distanciamento, na verdade, era ebulição interna: ela enfrentou o fim de um relacionamento, reconheceu um transtorno alimentar e passou a explorar com mais fluidez sua identidade de gênero. Não é surpresa, portanto, que </span><i><span style="font-weight: 400;">Virgin </span></i><span style="font-weight: 400;">chegue como um trabalho denso e emocionalmente exposto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos estopins criativos dessa nova fase foi sua inesperada participação no remix de </span><a href="https://personaunesp.com.br/brat-and-its-completely-different-but-also-still-brat-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Girl, so confusing</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Charli XCX. Mais do que uma colaboração no álbum </span><a href="https://personaunesp.com.br/brat-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">brat</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a faixa serviu como catalisador de um novo desejo artístico: criar algo eletrônico, dançante e ao mesmo tempo confessional. A influência da britânica paira em </span><i><span style="font-weight: 400;">Virgin</span></i><span style="font-weight: 400;">, mesmo sem estar diretamente nos créditos. Desta vez, Lorde deixou de lado a parceria habitual com Jack Antonoff e escolheu trabalhar com Jim-E Stack – produtor conhecido por colaborações com nomes como </span><a href="https://personaunesp.com.br/desire-i-want-to-turn-into-you-critica/"><span style="font-weight: 400;">Caroline Polachek</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Bon Iver. A troca trouxe consequências diretas para o som do álbum: mais texturizado, dissonante e desprovido do polimento típico do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro indício dessa nova direção surgiu com </span><i><span style="font-weight: 400;">What Was That</span></i><span style="font-weight: 400;">, single de estreia do álbum. A faixa marcou o reencontro de Lorde com os sintetizadores eletrônicos de </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-lorde-melodrama/"><i><span style="font-weight: 400;">Melodrama</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas agora com ainda menos controle e mais caos. As letras lembram a franqueza adolescente de </span><a href="https://personaunesp.com.br/lorde-pure-heroine-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Pure Heroine</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, no entanto, agora reconfigurada por uma maturidade que se expressa por meio de reações quase primitivas: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Estamos em uma tempestade de areia e isso me nocauteia</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A artista faz disso uma exposição sem filtros, pulsante, contraditória e quase animalesca.<br />
</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Lorde - What Was That" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/1UpoZpMBM9Y?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de soar provocativo à primeira vista, o título </span><i><span style="font-weight: 400;">Virgin </span></i><span style="font-weight: 400;">está longe de reforçar noções tradicionais de pureza. Lorde deixa isso claro em diversas faixas – em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EV5GGEkavLo&amp;list=RDEV5GGEkavLo&amp;start_radio=1&amp;pp=ygUPY2xlYXJibHVlIGxvcmRloAcB"><i><span style="font-weight: 400;">Clearblue</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, ela canta sem rodeios: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu sentei em você até eu chorar</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A ideia de virgindade aqui é ressignificada: aponta para um estado de descoberta, onde o instinto guia mais do que a razão, e onde o corpo, as emoções e os impulsos são ferramentas de aprendizado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa entrega aparece simbolicamente na capa e no encarte do disco, que exibe um raio-X de uma pélvis adornada com zíper, fivela e um DIU. A imagem, desconcertante e direta, sintetiza o espírito do álbum: corpo como território, feminilidade como força bruta. A metáfora visual conversa com a própria fala de Lorde sobre o </span><a href="https://www.instagram.com/p/DLaoe4izPo5/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igsh=MzRlODBiNWFlZA=="><span style="font-weight: 400;">processo criativo</span></a><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Este álbum me quebrou e me transformou em uma nova criatura. Tenho orgulho de estar diante de vocês como ela</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Lorde - Man Of The Year" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ynrSkSYirB0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A busca por experiência e expressão plena de identidade aparece já na faixa de abertura, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=P7xnBdx70GU&amp;list=RDP7xnBdx70GU&amp;start_radio=1"><i><span style="font-weight: 400;">Hammer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, quando ela canta “Alguns dias eu sou uma mulher, outros dias eu sou um homem”. Essa fluidez – de gênero, de emoção, de linguagem – atravessa todo o álbum e ganha corpo na belíssima </span><i><span style="font-weight: 400;">Man Of The Year</span></i><span style="font-weight: 400;">, um dos momentos mais introspectivos e reveladores do projeto, em que Lorde se questiona “</span><i><span style="font-weight: 400;">Quem irá me amar desse jeito?</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Virgin </span></i><span style="font-weight: 400;">é, de certa forma, o ponto de interseção entre os caminhos que Lorde percorreu ao longo de sua </span><a href="https://rollingstone.com.br/musica/as-melhores-musicas-de-lorde-segundo-rolling-stone/"><span style="font-weight: 400;">discografia</span></a><span style="font-weight: 400;">. Se </span><i><span style="font-weight: 400;">Pure Heroine</span></i><span style="font-weight: 400;"> a apresentou como uma observadora precoce e cética do mundo ao seu redor, </span><i><span style="font-weight: 400;">Melodrama </span></i><span style="font-weight: 400;">a transformou em cronista das emoções adultas com uma intensidade quase operática e </span><i><span style="font-weight: 400;">Solar Power</span></i><span style="font-weight: 400;"> tentou encontrar uma espécie de fuga: menos sobre sentir, mais sobre respirar. Porém, foi no quarto disco da cantora que todas essas versões finalmente colidiram – não para formar uma síntese pacífica, mas para abrir espaço ao conflito. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse sentimento aparece com força em faixas como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6msW1iM7GFI"><i><span style="font-weight: 400;">Favourite Daughter</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0-W6AQ0J1Zc&amp;list=RD0-W6AQ0J1Zc&amp;start_radio=1"><i><span style="font-weight: 400;">Shapeshifter</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Na primeira, Lorde canta sobre sua relação com a mãe, a poeta Sonja Yelich, e questiona se sua carreira seria, no fundo, a realização dos sonhos maternos: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Ataque de pânico só para ser sua filha favorita</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Há uma doçura ali, porém também uma exaustão que parece ecoar as pressões invisíveis da performance afetiva. Já em </span><i><span style="font-weight: 400;">Shapeshifter</span></i><span style="font-weight: 400;">, parente próxima de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IXwVSUexFyM&amp;pp=ygUJI2xvcmRlZmFu"><i><span style="font-weight: 400;">The Path</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ela escancara a desconexão com a própria imagem pública: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu estive no pedestal, mas esta noite eu só quero cair</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Em ambas, o que emerge é o peso de sustentar papéis – de filha exemplar, de artista bem-sucedida – e a vontade de simplesmente poder ser, mesmo sem forma definida.<br />
</span></p>
<figure id="attachment_35433" aria-describedby="caption-attachment-35433" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35433" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-5-800x548.png" alt="Lorde, mulher branca, aparece em close-up, vestindo um moletom cinza com capuz puxado sobre a cabeça. Seu cabelo preto está levemente bagunçado pelo vento e seus olhos encaram diretamente a câmera, transmitindo uma expressão séria e vulnerável. O fundo metálico e prateado cria um contraste frio com o tom da sua pele clara, reforçando a estética crua e intimista associada à era Virgin." width="800" height="548" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-5-800x548.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-5-1024x701.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-5-768x526.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-5.png 1122w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35433" class="wp-caption-text">“Estou orgulhosa e com medo deste álbum, não há onde se esconder” (Foto: Republic Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessa nova fase, Lorde abandona a postura de quem tem todas as respostas para assumir a dúvida. Aos 28 anos, já distante da adolescente sabe-tudo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pure Heroine</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela se apresenta mais vulnerável do que nunca. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Estou pronta para sentir que não tenho as respostas</span></i><span style="font-weight: 400;">”, declara, abrindo um disco que não busca soluções, e sim a liberdade de sentir sem censura. O álbum revela uma artista que não teme mais se perder – e que entende que o </span><a href="https://www.rnz.co.nz/life/music/lorde-s-ride-of-existential-crises-can-finally-come-to-an-end"><span style="font-weight: 400;">inacabado</span></a><span style="font-weight: 400;"> também tem valor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aqz3PJFeMRM"><i><span style="font-weight: 400;">If She Could See Me Now</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ela se orgulha dessa coragem: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu nado em águas que afogariam tantas outras</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Há beleza no desconforto, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Virgin </span></i><span style="font-weight: 400;">é, antes de tudo, um retrato de quem escolhe continuar mesmo sem saber o destino. Como escreveu Clarice Lispector em </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-hora-da-estrela-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Hora da Estrela</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> sobre a personagem Macabéa: “Se ela não era mais ela mesma, isso significava uma perda que valia por um ganho”.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Virgin" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/28bHj2enHkHVFLwuWmkwlQ?si=2-W30vZcR3iZwlhzW8SdFw&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Lispectorante é um espetáculo espectral</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Nov 2024 15:51:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos Em competição na seção Mostra Brasil da 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Lispectorante se destaca como um delírio surrealista, cheio de luzes esverdeadas e paralelos poéticos. A diretora Renata Pinheiro nos entrega um Recife que é mais do que um cenário – é um ser vivo, em estado de abandono &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/lispectorante-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Lispectorante é um espetáculo espectral"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34278" aria-describedby="caption-attachment-34278" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34278" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-1-800x295.png" alt="Cena do filme Lispectorante. Vista aérea de duas pessoas deitadas no fundo de um barco pequeno, com pintura verde central e madeira clara nas laterais. À esquerda está Glória, uma mulher de meia-idade, de cabelos curtos e ondulados, vestindo uma blusa escura e shorts vermelhos. À direita está Guitar, um homem branco com cabelo raspado dos lados e mais longo em cima, usando uma camisa aberta e calça dourada, exibindo uma expressão relaxada. Objetos como cordas e um salva-vidas branco estão espalhados ao redor. A água ao fundo e o verde vibrante da pintura evocam uma sensação de tranquilidade e liberdade." width="800" height="295" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-1-800x295.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-1-1024x378.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-1-768x284.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-1-1536x567.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-1-1200x443.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-1.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34278" class="wp-caption-text">Assim como a protagonista, a diretora do longa-metragem também é uma artista plástica (Foto: Amora Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em competição na seção Mostra Brasil da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Lispectorante</span></i><span style="font-weight: 400;"> se destaca como um delírio surrealista, cheio de luzes esverdeadas e paralelos poéticos. A diretora Renata Pinheiro nos entrega um Recife que é mais do que um cenário – é um ser vivo, em estado de abandono e renascimento.</span></p>
<p><span id="more-34277"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No centro da narrativa encontramos Glória, interpretada por Marcélia Cartaxo, cuja crise existencial e financeira a leva de volta à sua cidade natal. Recife, nesta fábula, se transforma em um campo de tensão entre passado e futuro, explorado por meio da </span><a href="https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2024/04/11/casa-onde-clarice-lispector-passou-infancia-no-recife-vai-abrigar-museu-conheca-o-projeto.ghtml"><span style="font-weight: 400;">casa de Clarice Lispector</span></a><span style="font-weight: 400;">. A residência é uma fenda temporal que conecta Glória a visões fantásticas e assustadoras do que poderia ser seu destino.</span></p>
<figure id="attachment_34279" aria-describedby="caption-attachment-34279" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34279" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-3-800x400.png" alt="Cena do filme Lispectorante. Glória, uma mulher de meia-idade com cabelos curtos e ondulados, está deitada de lado, apoiando o rosto contra uma superfície macia em um ambiente iluminado por uma luz quente e difusa. Seu cabelo está ligeiramente despenteado, e um sorriso discreto, quase melancólico, surge em seu rosto. A iluminação dourada realça a textura dos objetos e do cenário ao fundo, que parece ser um quarto, com detalhes de móveis e cortinas visíveis. O momento captura uma mistura de serenidade e vulnerabilidade, imersa em uma atmosfera introspectiva." width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-3-800x400.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-3-1024x512.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-3-768x384.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-3-1536x768.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-3-1200x600.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-3.png 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34279" class="wp-caption-text">“A salvação é pelo risco” é a frase de Clarice Lispector que a diretora acredita resumir o filme (Foto: Amora Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A Fotografia de </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/wilssa-esser"><span style="font-weight: 400;">Wilssa Esser</span></a><span style="font-weight: 400;"> destaca um Recife, ao mesmo tempo, onírico e distópico. As luzes esverdeadas e os tons pós-industriais nos transportam a um futuro que lembra obras de </span><a href="https://personaunesp.com.br/cowboy-bebop-25-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">cyberpunk</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas que também está profundamente enraizado na realidade brasileira. Esse jogo de luz e sombra é o que dá à obra sua atmosfera de inquietação – por vezes, nos sentimos em uma metáfora do Recife do presente, em outras, em uma dimensão paralela de um futuro incerto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A casa de Lispector não é a única a ganhar protagonismo. O quarto onde </span><a href="https://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2024/07/6883315-em-forma-de-protesto-filme-de-carmen-miranda-sera-exibido-na-fachada-da-casa-onde-artista-viveu.html"><span style="font-weight: 400;">Carmen Miranda</span></a><span style="font-weight: 400;"> costumava se hospedar no </span><a href="https://revistacontinente.com.br/secoes/extra/o-tempero-do-historico-hotel-central#:~:text=O%20Hotel%20Central%2C%20inaugurado%20em,mais%20ilustres%20se%20hospedavam%20ali."><span style="font-weight: 400;">Hotel Central</span></a><span style="font-weight: 400;"> é mais um espaço repleto de memórias, narradas com humor pela atendente do espaço. Esse apego aos locais ressoa o conceito de </span><a href="https://personaunesp.com.br/aquarius-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2016), em que as casas são um porto seguro e, ao mesmo tempo, uma prisão em uma sociedade na qual o dinheiro dita os valores. A diretora faz questão de tornar essa relação entre pessoas e lugares uma das bases do filme, mostrando o dinheiro como o carcereiro ético que faz da liberdade uma mercadoria.</span></p>
<p><figure id="attachment_34280" aria-describedby="caption-attachment-34280" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34280" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-3.png" alt="Cena do filme Lispectorante. Glória, uma mulher de meia-idade com cabelos curtos e ondulados, veste uma camisa colorida com estampas florais enquanto sorri de forma leve e confiante. Ela parece estar em um ambiente festivo, cercada por pessoas que aplaudem ao fundo, envoltas por uma iluminação quente e suave, composta por luzes amarelas e vermelhas que conferem um clima íntimo e acolhedor. A expressão no rosto de Glória sugere um momento de triunfo ou celebração, com um toque de satisfação pessoal, capturando um instante de leveza e alegria compartilhada." width="640" height="320" /><figcaption id="caption-attachment-34280" class="wp-caption-text">Cartaxo já estava inserida no universo lispectoriano ao interpretar a protagonista de <a href="https://personaunesp.com.br/a-hora-da-estrela-critica/">A Hora da Estrela</a> (1986) [Foto: Amora Filmes]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Marcélia Cartaxo e </span><a href="https://personaunesp.com.br/cangaco-novo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Pedro Wagner</span></a><span style="font-weight: 400;"> dão vida a personagens complexos (Glória e Guitar) e, ainda assim, acessíveis. As atuações passam longe de qualquer amadorismo, que acompanham o ritmo lento e ponderado do início da obra. A própria cidade é retratada como um lugar de resistência e contrastes, entre a decadência e a esperança.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, na reta final, a urgência toma conta. O ritmo muda, acelerando fora do ponto. Uma mudança que, embora traga energia ao desfecho, acaba sacrificando a calma necessária para digerir toda a profundidade que o longa construiu. </span><i><span style="font-weight: 400;">Lispectorante</span></i><span style="font-weight: 400;"> pede uma certa </span><a href="https://personaunesp.com.br/la-parle-critica/"><span style="font-weight: 400;">serenidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> para que o espectador entre em sintonia, e, por isso, esse final abrupto parece destoante – mas não menos impactante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Renata Pinheiro e o corroteirista </span><a href="https://embaubaplay.com/diretor_s/sergio-oliveira/"><span style="font-weight: 400;">Sérgio Oliveira</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos entregam incógnitas que não se encaixam em fórmulas. É uma exploração do surrealismo que mora em cada detalhe do cotidiano e uma reflexão sobre a fabulação humana; a capacidade de imaginar uma vida diferente mesmo quando todos os elementos dizem o contrário. Entre a beleza das luzes e a densidade das sombras, queremos saber o que há do outro lado dessa fenda. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Lispectorante, de Renata Pinheiro" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/wYrsC7H2i34?start=2&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Em A Hora da Estrela, Macabéa representa a busca da própria identidade</title>
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		<pubDate>Thu, 16 May 2024 18:15:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Machado Leal A Hora da Estrela, filme de 1985 baseado no livro homônimo escrito por Clarice Lispector, conta a história da datilógrafa Macabéa, que pouco da vida conhece, mas vive com o mínimo porque foi ensinada dessa maneira. Dirigido por Suzana Amaral, o longa-metragem ganhou uma nova versão remasterizada com o apoio da Sessão &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-hora-da-estrela-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em A Hora da Estrela, Macabéa representa a busca da própria identidade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33407" aria-describedby="caption-attachment-33407" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33407" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image3-3.png" alt="Foto da atriz Marcélia Cartaxo, uma mulher branca de cabelos cacheados e castanhos. Ela está correndo e usa um vestido branco. A foto está em preto e branco." width="750" height="452" /><figcaption id="caption-attachment-33407" class="wp-caption-text">Marcélia Cartaxo dá vida à Macabéa, protagonista do livro e da adaptação cinematográfica de A Hora da Estrela (Foto: Sessão Vitrine Petrobras)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Machado Leal</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Hora da Estrela</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme de 1985 baseado no livro homônimo escrito por Clarice Lispector, conta a história da datilógrafa Macabéa, que pouco da vida conhece, mas vive com o mínimo porque foi ensinada dessa maneira. Dirigido por </span><a href="https://jornal.usp.br/cultura/a-trajetoria-de-suzana-amaral-no-cinema-e-na-usp/"><span style="font-weight: 400;">Suzana Amaral</span></a><span style="font-weight: 400;">, o longa-metragem ganhou uma nova versão remasterizada com o apoio da Sessão Vitrine Petrobras como distribuidora e foi lançado nos cinemas em 2024, sendo a chance do público brasileiro conhecer ou revisitar uma das histórias nacionais mais emocionantes já feitas. </span></p>
<p><span id="more-33404"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama da narrativa escrita pela ucraniana é simples: a protagonista alagoana vai para o Rio de Janeiro trabalhar como datilógrafa, algo comum no século XX, visto que o trabalho daria chances de melhores condições de vida para a migrante. Após o falecimento da tia, Macabéa vai morar em uma espécie de pensão com outras três mulheres. Com 19 anos, um estômago ruim e uma alimentação que nada a favorece, a jovem apenas existe sem entender a tamanha dificuldade que a permeia. Nos cinemas, a personagem é vivida brilhantemente pela atriz </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/entrevista/2024/05/10/marcelia-cartaxo-eu-estava-fresquinha-assim-como-macabea"><span style="font-weight: 400;">Marcélia Cartaxo</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esguia, desnutrida e curiosa são três das palavras que definem a protagonista e, infelizmente, a forma como a veem. Mesmo não tendo terminado a escola, Macabéa arruma um emprego como datilógrafa, que dá a ela algo menor do que um salário mínimo. No entanto, embora esteja cercada por inúmeros obstáculos, há algo que desperta chamas em seu coração, a </span><a href="https://memoria.abert.org.br/radio-relogio-voce-sabia/"><span style="font-weight: 400;">Rádio Relógio</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao ouvir os ensinamentos da programação radiofônica, a alagoana aprende os significados daquilo que tanto a aflige: as palavras.</span></p>
<figure id="attachment_33405" aria-describedby="caption-attachment-33405" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33405" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-2.png" alt="Foto da atriz Marcélia Cartaxo, uma mulher branca de cabelos cacheados e castanhos. Ela veste uma blusa bordada com as cores cinza e branco e utiliza uma presilha branca no lado esquerdo do cabelo. Ela está cabisbaixa e olha com tristeza para baixo." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-2.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-2-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-2-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33405" class="wp-caption-text">A primeira edição de A Hora da Estrela foi publicada em 1977, mesmo ano da morte de Clarice Lispector (Foto: Sessão Vitrine Petrobras)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos pontos cruciais para o entendimento da história é a identificação do público com sua protagonista. Dessa forma, o trabalho de Cartaxo é fundamental para que o espectador entenda a nordestina e, assim, tenha empatia por ela. Macabéa não é exclusiva, nem apenas uma persona evocada por </span><a href="https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/verso/por-que-obras-de-clarice-lispector-continuam-sendo-adaptadas-para-o-cinema-e-seguem-relevantes-1.3511543"><span style="font-weight: 400;">Clarice Lispector</span></a><span style="font-weight: 400;">. A alagoana é como todo e qualquer ser humano que já se sentiu minimamente descartável e perdido no mundo. A vida, para ela, é normal. Entretanto, para aqueles que a acompanham nas telas do Cinema, a jovem possui um passado trágico, um presente cinza e um futuro assustador. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em certo ponto da trama, a protagonista conhece o operário Olimpo de Jesus (José Dumont), por quem ela prontamente se apaixona. Com anseio de viver e sentir algo diferente de sua vida monótona, a garota sente as primeiras faíscas do amor (não correspondido). No diálogo de Macabéa com o pretendente, há o desenvolvimento dela enquanto </span><a href="https://vermelho.org.br/coluna/a-estrela-e-a-invisibilidade-social/"><span style="font-weight: 400;">ser pensante</span></a><span style="font-weight: 400;">: à medida em que entende-se a ganância do metalúrgico, compreende-se a inocência da personagem, uma vez que, por não ter acesso a direitos básicos – como educação, saúde e alimentação – pouco do mundo ela conhece.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Virgem, fã de coca-cola e datilógrafa, Macabéa não tem tempo de se sentir triste. No sistema capitalista, pensar em sentimentos é um luxo que ela não se pode deixar levar, ainda mais aqueles que a mostrariam a situação deplorável em que a alagoana vive. Além de suas colegas de pensão, a jovem possui uma amiga no trabalho, a carioca Glória, vivida por </span><a href="https://tvhistoria.com.br/musa-anos-80-anima-festas-infantis-sobreviver/"><span style="font-weight: 400;">Tamara Taxman</span></a><span style="font-weight: 400;">, que é tudo o que ela não é: provocativa, desejada por homens e namoradeira. Viciada em superstições, a coadjuvante rouba o namorado da protagonista a fim de ter o homem que realmente ama. Após a atitude, a loira sugere que a personagem principal faça o mesmo para que sua vida mude.</span></p>
<figure id="attachment_33406" aria-describedby="caption-attachment-33406" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33406" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image2-2.png" alt="Foto da atriz Fernanda Montenegro, uma mulher branca de cabelos cacheados, e a atriz Marcélia Cartaxo, uma mulher branca de cabelos cacheados e castanhos. Elas estão sentadas olhando para as cartas que estão na mesa." width="700" height="466" /><figcaption id="caption-attachment-33406" class="wp-caption-text">Com um trabalho de tirar o fôlego, Fernanda Montenegro é a coadjuvante perfeita para A Hora da Estrela (Foto: Sessão Vitrine Petrobras)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir da ida da datilógrafa à cartomante Madame Carlota, interpretada pela brilhante </span><a href="https://www.folhabv.com.br/variedades/conheca-cinco-filmes-que-marcaram-carreira-de-fernanda-montenegro/"><span style="font-weight: 400;">Fernanda Montenegro</span></a><span style="font-weight: 400;">, Macabéa entende a sua própria vida e existência. Nunca foi amada e muito menos desejada, mas aprendeu a viver assim, pois pensava que esse era o normal: não ser. Em uma interpretação caricata na dose certa, Montenegro traz mais uma carta de humor utilizada pelos escritos de Lispector e pelo roteiro adaptado de Alfredo Oroz e Suzana Amaral. Através da consulta, a alagoana confessa que tem medo de palavras, mas escuta atentamente todas as previsões feitas pela ex-prostituta. Assim, a percepção da protagonista de sua humanidade representa o ponto mais alto da narrativa</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por esse lado, o filme apresenta um dos diálogos mais importantes da história: a análise da vida trágica de Macabéa. A cena reúne tudo o que o público viu ao longo da trama e, com as atuações de Cartaxo e Montenegro, há um anseio por um futuro menos amargo para a protagonista. Após o término da sessão com a profissional, Macabéa se despreende do presente e do passado terrível e olha em direção ao futuro. Vívida por sensações novas e experiências que possam tirá-la do estado automático em que permaneceu por 19 anos, a recém descoberta de sua autonomia serve como a ‘cereja do bolo’ do desenvolvimento perfeito da personagem enquanto arco narrativo. Ancorada na maestria dos </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/12/10/cultura/1544426497_594113.html#:~:text=Clarice%20Lispector%20%C3%A9%20considerada%2C%20junto,a%20primeira%20pessoa%20na%20narrativa."><span style="font-weight: 400;">escritos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Clarice Lispector, o longa-metragem dá um ‘gostinho de quero mais’, levando o espectador a consumir a obra original para entender ainda mais a datilógrafa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baseando-se em um clássico nacional, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Hora da Estrela</span></i><span style="font-weight: 400;"> é competente ao adaptar uma das histórias mais cruas e delicadas escritas pela ucraniana. Ao mesmo tempo em que Macabéa tem a Rádio Relógio como sua melhor amiga, sempre aprendendo um termo novo e informações que não conhecia, a datilógrafa possui medo dessas próprias palavras. Traçando um paralelo com o amargor e doçura que é viver, o longa-metragem escancara os dilemas da vida humana: com medo de não ter sido ninguém, a protagonista foi e muito, assim como Clarice Lispector significou tanto para a </span><a href="https://www.portugues.com.br/literatura/clarice-lispector.html#:~:text=Clarice%20Lispector%20(1920%2D1977),as%20mais%20lidas%20no%20pa%C3%ADs."><span style="font-weight: 400;">Literatura brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;">.  </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="A HORA DA ESTRELA | Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/jCVVei38HZs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Abril de 2024</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Apr 2024 23:12:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Dizem que ler é uma viagem capaz de alcançar mundos e planos além do físico. Nas páginas de um livro, a fantasia, a realidade, o suspense, a aventura, o grotesco, o romântico e muitas outras facetas se encontram e desembocam em linhas poéticas. O Estante do Persona de Abril vem para contemplar essa pluralidade com &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-abril-de-2024/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Abril de 2024"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33319" aria-describedby="caption-attachment-33319" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33319" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/wp1-800x420.jpg" alt="" width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/wp1-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/wp1-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/wp1.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33319" class="wp-caption-text">No mês de uma data comemorativa importante para a literatura, o Persona comemora com dicas especiais (Texto de abertura: Jamily Rigonatto/ Artes: Raíra Tiengo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dizem que ler é uma viagem capaz de alcançar mundos e planos além do físico. Nas páginas de um livro, a fantasia, a realidade, o suspense, a aventura, o grotesco, o romântico e muitas outras facetas se encontram e desembocam em linhas poéticas. O <a href="https://personaunesp.com.br/tag/estante-do-persona/">Estante do Persona</a> de Abril vem para contemplar essa pluralidade com uma lista de exemplares recheados de possibilidades. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o <a href="https://www.santoantoniodaalegria.sp.leg.br/institucional/noticias/23-de-abril-dia-mundial-do-livro">Dia Mundial do Livro</a></span><span style="font-weight: 400;">  e do Direito de Autor </span><span style="font-weight: 400;">tendo sido comemorado em 23 de Abril, fica uma reflexão sobre a importância do hábito da leitura. Além de necessário para o desenvolvimento cerebral e manutenção da boa memória em idades variadas, o consumo de livros é capaz de despertar emoções, suscitar a curiosidade e ainda se comportar como um aparato educacional. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É também um momento oportuno para homenagear e reconhecer o trabalho de <a href="https://personaunesp.com.br/enquanto-eu-nao-te-encontro-critica/">autores nacionais</a> e internacionais, que, mesmo em um mercado desvalorizado, continuam se empenhando por um trabalho original e de qualidade. Em completa resistência diante da digitalização e da facilidade de distribuição de conteúdo pirata no universo online, os escritores seguem mantendo um legado admirável e extremamente humano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas dicas na nossa editoria, você encontra um pouco mais do que essas produções culturais são capazes de causar nas pessoas que as leem. Em uma seleção de obras especiais e significativas, os gêneros, autores, formatos, histórias e demais elementos contemplados pelos escritos se tornam os grandes protagonistas. Escolha o seu favorito e boa leitura!</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span><span id="more-33317"></span></p>
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<h3>Dicas do Mês</h3>
<p><figure id="attachment_33320" aria-describedby="caption-attachment-33320" style="width: 539px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33320" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/o-contador1-539x800.jpg" alt="capa do livro O contador de histórias: Memórias de vida e música, de Dave Grohl. A capa apresenta Dave Grohl, do busto para cima e de lado, como se estivesse observando o horizonte. Dave é um homem branco em torno dos 50 anos, com cabelo moreno iluminado comprido, barba e utiliza óculos. Em sobreposição à fotografia, todas as escritas seguintes estão dentro de um quadrado, com bordas azuis, centralizado na parte inferior da capa. No centro superior do quadrado há os dizeres, em branco, &quot;Dave Grohl&quot;. Logo abaixo há o título &quot;O contador de histórias&quot;. Abaixo, há a escrita &quot;Memórias de vida e música&quot;, em azul claro. A logo da Editora Intrínseca está no canto superior direito." width="539" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/o-contador1-539x800.jpg 539w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/o-contador1-690x1024.jpg 690w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/o-contador1-768x1139.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/o-contador1.jpg 1011w" sizes="auto, (max-width: 539px) 85vw, 539px" /><figcaption id="caption-attachment-33320" class="wp-caption-text">“[&#8230;] quando me vejo cara a cara com algo ou alguém que me inspirou nesta jornada, sou grato. Muito grato.” (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure><b>Dave Grohl &#8211; O contador de histórias: Memórias de vida e música (416 páginas, Intrínseca)</b></p>
<p><a href="https://intrinseca.com.br/blog/2022/02/playlist-comentada-dave-grohl-o-contador-de-historias/"><i><span style="font-weight: 400;">O contador de histórias: Memórias de vida e música</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do multi-instrumentista </span><a href="https://www.instagram.com/davestruestories/"><span style="font-weight: 400;">Dave Grohl</span></a><span style="font-weight: 400;"> – membro do </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/artist/7jy3rLJdDQY21OgRLCZ9sD"><span style="font-weight: 400;">Foo Fighters</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, é um livro de vivências que mostra toda a sua vida sendo rodeada pela Música, principalmente pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">punk rock</span></i><span style="font-weight: 400;">. Retalhando momentos como o descobrimento de seu estilo, suas primeiras viagens pelos Estados Unidos por causa dos shows, ainda adolescente ou quando formou suas famílias fora e dentro do meio artístico, a descrição dessas lembranças faz com que os leitores se sintam muito </span><a href="https://gamarevista.uol.com.br/cultura/trecho-de-livro/o-contador-de-historias/"><span style="font-weight: 400;">presentes</span></a><span style="font-weight: 400;"> na narrativa e experimentem um pouco dessas convivências.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como destaque, Dave sempre exalta aqueles que vieram antes dele – e depois também. De uma forma bem simbólica e poética, o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aZh00Pb2Mcw"><span style="font-weight: 400;">livro de memórias</span></a><span style="font-weight: 400;"> acaba sendo também um livro de exaltação para aqueles que Dave se inspirou e inspira até os dias de hoje. Percebemos Dave cultivando essa mistura entre o lado artístico e o lado família, dois ambientes que se retroalimentam. Dessa forma, o livro acaba sendo para aqueles que já o conhecem ou para quem quer conhecê-lo ainda mais, sendo </span><a href="https://gamarevista.uol.com.br/cultura/trecho-de-livro/o-contador-de-historias/"><span style="font-weight: 400;">bastante dinâmico</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre os documentos pessoais que a obra apresenta. &#8211; </span><b>Marcela Lavorato</b></p>
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<p><figure id="attachment_33324" aria-describedby="caption-attachment-33324" style="width: 522px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33324" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/livraria1-522x800.jpg" alt="Capa do livro Bem-vindos à Livraria Hyunam-dong, de Hwang Bo-Reum. A ilustração é composta por um céu azul com pequenos pontos claros como estrelas, um prédio pequeno e em tons de marrom claro (parte de baixo) e tijolos marrom escuro (parte de cima). No térreo do prédio principal há uma fachada de vidro, que pode-se observar dentro do ambiente, uma livraria com estantes, livros e luz amarelada; dentro da livraria há uma mulher sentada e um homem em pé. O primeiro andar do prédio possui duas janelas, a da esquerda está com a luz amarela acesa. Ao redor do prédio há prédios do mesmo tamanho e cor dele; há árvores ao fundo e mais prédios, logo atrás das árvores Na  frente da livraria estão alguns vasos de plantas; à esquerda há uma bicicleta parada e à direita, uma mulher vestindo saia jeans, moletom bege, touca vermelha, meias compridas brancas, tênis e bolsas preto. A mulher passeia com o cachorro, que é branco e usa uma coleira cinza. Na parte superior, centralizado, está o título da obra acompanhada, logo em seguida está o título em coreano (idioma oficial). Na parte inferior, ao meio, está o nome da autora" width="522" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/livraria1-522x800.jpg 522w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/livraria1.jpg 656w" sizes="auto, (max-width: 522px) 85vw, 522px" /><figcaption id="caption-attachment-33324" class="wp-caption-text">“As lágrimas não teriam cessado, mas, você sabe, quando o coração quer chorar, a gente tem que deixar sair mesmo. Ficar segurando não ajuda a sarar direito [&#8230;].” (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure><b>Hwang Bo-Reum &#8211; Bem-vindos à Livraria Hyunam-dong (272 páginas, Intrínseca)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quase como um abraço apertado, a publicação notável da autora </span><a href="https://intrinseca.com.br/autor/hwang-bo-reum/"><span style="font-weight: 400;">Hwang Bo-Reum</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um conforto para aqueles que estão tentando encontrar o próprio lugar no mundo. Um livro para pessoas comuns que se equilibram entre a aceitação e a incerteza. E em meio a clientes, funcionários e amigos, Yeongju e sua livraria nos guiam numa viagem de introspecção pelo poder dos livros – afinal, “quanto mais livrarias abrem, mais sonhadores surgem”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra inaugura uma nova fase da editora Intrínseca: a </span><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/literatura/historias-reconfortantes-com-gatos-e-livrarias-entenda-o-fenomeno-da-healing-fiction-veja-livros/"><span style="font-weight: 400;">ficção de cura</span></a><span style="font-weight: 400;">, que se tornou um fenômeno nos países asiáticos. Por meio de narrativas feitas para dialogar sobre os problemas que todo mundo enfrenta, envolvendo o leitor em um ambiente acolhedor. O gênero, também conhecido por </span><i><span style="font-weight: 400;">healing fiction</span></i><span style="font-weight: 400;">, nos guia em um mergulho nas relações humanas através de personagens complexos e seus desenvolvimentos; como  Minjun, o barista, que embarca em sua jornada pessoal enquanto tenta viver um dia de cada vez.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma história que se desenvolve com calma, entre capítulos curtos e diálogos sinceros e profundos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bem-vindos à Livraria Hyunam-dong</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma coletânea de conversas valiosas que faz ode aos amantes da literatura. E um lembrete para apreciarmos a jornada em busca dos nossos sonhos. </span><b>&#8211; Agata Bueno</b></p>
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<figure id="attachment_33325" aria-describedby="caption-attachment-33325" style="width: 533px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33325" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/novos-x-men-1.jpg-533x800.jpg" alt="capa do livro X-Men - E  de Extinção, de Grant Morrison. A capa apresenta os heróis Professor Xavier, um homem branco e careca, Jean Grey, uma mulher ruiva e branca, Cyclope, um homem branco com óculos vermelhos, Wolverine, um homem branco de cabelos castanhos, Fera, um homem azulado e Tempestade, uma mulher negra de cabelos brancos. Atrás dos heróis, é possível ver uma cova com o seguinte escrito “RIP Homo Sapiens 33.000 BC - 2005 AD”. Eles estão trajados com um uniforme amarelo e preto.  Além disso, na capa há o título da história “Novos X-Men - E de Extinção” em cores douradas no canto superior esquerdo. No canto superior direito, há o logo da empresa Marvel Studios, nas cores vermelha e branca.  Na parte inferior central da capa, há os nomes dos autores da HQ. Grant Morrison, Frank Quitely, Leinil Francis Yu, Ethan Van Sciver nesta ordem com a fonte branca." width="533" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/novos-x-men-1.jpg-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/novos-x-men-1.jpg-682x1024.jpg 682w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/novos-x-men-1.jpg-768x1154.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/novos-x-men-1.jpg.jpg 852w" sizes="auto, (max-width: 533px) 85vw, 533px" /><figcaption id="caption-attachment-33325" class="wp-caption-text">Utilizando os ideais de Martin Luther King e Malcolm X como pano de fundo para a construção da identidade dos mutantes, os X-Men abordam a segregação entre superdotados e humanos nas suas histórias (Foto: Editora Panini)</figcaption></figure>
<p><b>Grant Morrison &#8211; Novos X-Men &#8211; E de Extinção (204, Editora Panini)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os </span><a href="https://segredosdomundo.r7.com/x-men-historia/"><span style="font-weight: 400;">X-Men</span></a><span style="font-weight: 400;"> são um dos grupos mais icônicos da Marvel Studios e queridos dos fãs de quadrinhos. Na saga </span><i><span style="font-weight: 400;">E de Extinção</span></i><span style="font-weight: 400;">, os mutantes precisam deter a doutora Cassandra Nova, que pretende liberar os sentinelas em direção aos heróis comandados por Charles Xavier. Durante 204 páginas, os leitores acompanham a luta entre os superdotados e os vilões clássicos desse universo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No clima da mais nova série animada dos heróis, </span><i><span style="font-weight: 400;">X-men ‘97</span></i><span style="font-weight: 400;">, a leitura de E de Extinção é fluída e fácil de ser consumida. As ilustrações de Frank Quitely realçam ainda mais a trama, que é uma das mais interessantes do mundo mutante. Com inspirações dos </span><a href="https://tecnoblog.net/responde/x-men-e-a-ordem-correta-para-assistir-aos-filmes-da-franquia/"><span style="font-weight: 400;">filmes </span><i><span style="font-weight: 400;">live-action</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> dos anos 2000, os uniformes ganham uma cor mais neutra e não tão colorida como acontece nos quadrinhos clássicos dos heróis. </span><b>&#8211; Guilherme Machado Leal</b></p>
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<figure id="attachment_33321" aria-describedby="caption-attachment-33321" style="width: 440px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33321" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/A-Lista-de-Coisas-Suspeitas-1.jpg" alt="No topo da imagem temos o título “A lista de coisas suspeitas” escrito em letras brancas. Logo abaixo, temos a imagem de um corvo preto em cima de uma caixa de leite branca. Logo abaixo, temos o nome da autora Jennie Godfrey em letras pretas. Temos um fundo minimalista azul e uma moldura branca em volta da imagem." width="440" height="650" /><figcaption id="caption-attachment-33321" class="wp-caption-text">O livro figurou na lista de best sellers do jornal britânico The Sunday Times (Foto: Editora Paralela)</figcaption></figure>
<p><b>Jennie Godfrey &#8211; A lista de coisas suspeitas (352 páginas, Editora Paralela)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Situado no ano de 1979 em Yorkshire, Inglaterra, </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2024/feb/15/the-list-of-suspicious-things-by-jennie-godfrey-review-girl-turns-detective"><i><span style="font-weight: 400;">A lista de coisas suspeitas</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">conta a história de Miv, uma adolescente que está prestes a se mudar, devido a uma onda de assassinatos misteriosos que assola a cidade. Ela não está contente com a mudança, principalmente pela pressão em deixar a melhor amiga Sharon. Assim, ambas começam a levantar suspeitas sobre quem pode estar por trás de tamanha barbárie. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A autora </span><a href="https://www.penguin.co.uk/articles/2024/02/interview-jennie-godfrey-author-list-of-suspicious-things-yorkshire-ripper"><span style="font-weight: 400;">Jennie Godfrey</span></a><span style="font-weight: 400;"> é sagaz em reconstruir o espírito da época, tendo em vista que o livro é baseado em memórias de sua infância na cidade. Além disso, sua escrita é capaz de mover o leitor, conforme nos leva a refletir sobre o poder da conexão humana e a empatia. No fundo, a verdade sobre tudo que está acontecendo ao redor de Miv está mais perto do que ela imagina. </span><b>&#8211; Nathan Nunes</b></p>
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<figure id="attachment_33326" aria-describedby="caption-attachment-33326" style="width: 330px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33326" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/todos-os-contos.jpg" alt="Texto alternativo: Capa do livro Todos os Contos, de Clarice Lispector. Não há nenhum escrito na capa. É uma foto em preto e branco dos olhos de Clarice, pegando do nariz à testa. Seus olhos são escuros e ela possui um delineado preto. Em primeiro plano, na frente da foto, há linhas paralelas rosas, que tomam conta da capa toda." width="330" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-33326" class="wp-caption-text">O livro foi o primeiro a reunir todos os contos já escritos pela autora (Foto: Editora Rocco)</figcaption></figure>
<p><b>Clarice Lispector &#8211; Todos os Contos (656 páginas, Editora Rocco)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todos os Contos é uma coletânea de escritos de </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2017/12/22/por-que-ler-clarice-lispector"><span style="font-weight: 400;">Clarice Lispector</span></a><span style="font-weight: 400;">, escritora, jornalista e um dos maiores nomes da literatura brasileira. Organizada por Benjamin Moser, biógrafo da autora, o volume único é capaz de viajar através da evolução de Clarice, desde seus primeiros esboços até sua última reflexão sobre a perspectiva humana, incluindo até mesmo contos nunca antes lançados em livros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como de costume, Lispector tem prazer em passear sobre os sentimentos humanos e apreciar cada detalhe do minucioso questionamento do que é o ser. A cronologia não é um detalhe importante &#8211; acompanhar sua trajetória e relembrar as particularidades que tornam a escritora única é, talvez, o objetivo principal da coletânea. Memória e valorização são as palavras chaves quando se fala em </span><a href="https://webstories.quatrocincoum.com.br/quem-foi-clarice-lispector/"><span style="font-weight: 400;">Clarice Lispector</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Amabile Zioli</b></p>
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<figure id="attachment_33322" aria-describedby="caption-attachment-33322" style="width: 534px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33322" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/daqui-a-cinco-anos-1-1-534x800.jpg" alt="Capa do livro Daqui a cinco anos. Na imagem há um fundo branco rosé com o escrito Daqui a Cinco anos grafado em letras cursivas azuis marinho. Nas extremidades da capa é possível ver ilustrações em traço simples de prédios da cidade de Nova York, inclusive a Estátua da Liberdade. O nome da autora está no canto esquerdo." width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/daqui-a-cinco-anos-1-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/daqui-a-cinco-anos-1-1.jpg 667w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-33322" class="wp-caption-text">Na conformidade com o imprevisível, Daqui a cinco anos é uma verdadeira surpresa (Foto: Paralela)</figcaption></figure>
<p><b>Rebecca Serle &#8211; Daqui a cinco anos (264 páginas, Editora Paralela)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A vida tem camadas múltiplas, relações complexas e sentimentos confusos. Com seu valor diante da finitude, cada um desses detalhes compõem a jornada com uma certeza: tudo é incalculável. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Daqui a cinco anos</span></i><span style="font-weight: 400;">, livro lançado em 2020 no Brasil sob a tradução de <a href="https://editoraurutau.com/autor/alexandre-boide">Alexandre Boide</a>, a narrativa repousa na exploração da faceta que faz do existir uma espécie de roleta russa com possibilidades além da conta. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Protagonizado pela advogada </span><span style="font-weight: 400;">Dannie Kohan, a obra nos leva pelos detalhes milimetricamente planejados por ela: um bom emprego, um casamento adequado e todos os outros elementos necessários para garantir o seu conceito de sucesso. </span><span style="font-weight: 400;"> Nas idas e vindas do destino, um sonho confuso a atinge e, apesar de parecer tudo um devaneio desencontrado, cinco anos depois o que era previsível vira de cabeça para baixo. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">A leitura fluida é com certeza um aspecto positivo, mas o ponto alto fica pelas sacadas impressionantes de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=xAIpWxOut1k">Serle</a>, que mantém tudo nas linhas do surpreendente e entrega </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twists</span></i><span style="font-weight: 400;"> constantemente.  Com um enredo que prende, vislumbrar Daqui é cinco anos é dar de cara com uma pequena amostra do quanto os caminhos se emaranham em nós que não somos capazes de &#8211; ou sequer queremos &#8211; desatar </span><b>&#8211; Jamily Rigonatto</b></p>
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		<title>A Paixão segundo G.H. é um passeio por nós mesmos</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Dec 2021 22:36:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Silva Nascida em 1920, Clarice Lispector é um dos nomes intocáveis da nossa Literatura. A ucraniana, batizada como Haya Pinkhasovna Lispector, chegou ao Brasil aos dois meses de idade, com seus pais de origem judaica que fugiram do país devido à perseguição durante a Guerra Civil Russa. Inicialmente residente em Maceió, em sua infância &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-paixao-segundo-gh-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Paixão segundo G.H. é um passeio por nós mesmos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25054" aria-describedby="caption-attachment-25054" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25054" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/wp-gh-800x420.jpg" alt="A imagem é uma arte com fundo vermelho com a capa do livro A Paixão segundo G.H. ao centro e um selo escrito Clube do Livro Persona no canto direito inferior e o logo do Persona no canto esquerdo superior. A capa tem um fundo na cor creme com linhas de distorção, é possível ver no canto superior direito dunas de areia e edifícios que remetem à arquitetura árabe. Abaixo, está escrito Clarice Lispector em letra cursiva e na cor vermelha e o título do livro em caixa alta e na cor bege. No canto inferior esquerdo, abaixo do título, há o desenho de uma moça branca, com cabelos castanhos longos presos em um rabo de cavalo baixo; ela veste uma blusa azul clara de mangas compridas. " width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/wp-gh-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/wp-gh-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/wp-gh.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25054" class="wp-caption-text">Com 165 páginas, A Paixão segundo G.H. foi a primeira leitura do Clube do Livro do Persona (Foto: Reprodução/Arte: Jho Brunhara)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitória Silva</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nascida em 1920, </span><a href="https://www.ebiografia.com/clarice_lispector/"><span style="font-weight: 400;">Clarice Lispector</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um dos </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-55251307"><span style="font-weight: 400;">nomes intocáveis</span></a><span style="font-weight: 400;"> da nossa Literatura. A ucraniana, batizada como Haya Pinkhasovna Lispector, chegou ao Brasil aos dois meses de idade, com seus pais de origem judaica que fugiram do país devido à perseguição durante a Guerra Civil Russa. Inicialmente residente em Maceió, em sua infância e pré-adolescência, a autora passou por Recife e pelo Rio de Janeiro, e, por onde trilhava seu caminho, carregava consigo sua paixão pelos livros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após ingressar na Faculdade Nacional de Direito, em 1941, trabalhou como redatora da Agência Nacional e, posteriormente, do jornal</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Noite</span></i><span style="font-weight: 400;">, dando seus primeiros passos no universo da escrita. Não demorou muito para que mergulhasse de vez nele, e publicou seu primeiro romance em 1944, com o título</span> <a href="https://site.claricelispector.ims.com.br/livro/perto-do-coracao-selvagem/"><i><span style="font-weight: 400;">Perto do Coração Selvagem</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A obra estreante retrata uma perspectiva sobre o período da adolescência e, logo de cara, fez com que Clarice abrisse novos horizontes na Literatura nacional. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quebrando todo e qualquer paradigma literário da época, Lispector abandona noções de ordem cronológica e funde um lirismo único a sua forma de representar ações e emoções humanas, traços que se tornaram mais do que característicos de toda a sua carreira. Não à toa, a produção foi agraciada pelo Prêmio Graça Aranha, e, mais tarde, a autora colecionaria outros títulos de referência, como</span> <a href="https://site.claricelispector.ims.com.br/livro/lacos-de-familia/"><i><span style="font-weight: 400;">Laços de Família</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1960) e </span><a href="https://site.claricelispector.ims.com.br/livro/a-hora-da-estrela/"><i><span style="font-weight: 400;">A Hora da Estrela </span></i></a><span style="font-weight: 400;">(1977), em que este último ainda ganhou uma </span><a href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-15146/"><span style="font-weight: 400;">adaptação para as telonas</span></a><span style="font-weight: 400;">, em 1985.</span></p>
<p><span id="more-25043"></span></p>
<figure id="attachment_25044" aria-describedby="caption-attachment-25044" style="width: 800px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25044" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-2-800x523.jpg" alt="A imagem é uma foto em preto e branco da escritora Clarice Lispector. Nela, Clarice está sentada em um sofá com as pernas cruzadas e os braços abertos. Ao seu lado esquerdo, ela acaricia um cachorro, e no direito, segura um cigarro entre os dedos. Clarice era uma mulher branca, de cabelos curtos e lisos, ela veste um vestido com mangas compridas e usa um colar de pérolas em seu pescoço." width="800" height="523" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-2-800x523.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-2-768x502.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-2.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25044" class="wp-caption-text">Clarice Lispector publicou 18 livros, entre romances, contos e crônicas (Foto: Arquivo Pessoal)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Paixão segundo G.H.</span></i><span style="font-weight: 400;"> nasce em 1961. Uma das produções menos chamativas de toda a sua obra, mas que, de forma subestimada, carrega uma das viagens mais acalentadoras que Clarice conseguiu nos deixar em vida. Ambientada num apartamento no Rio de Janeiro, a história segue a narradora-protagonista, e única personagem, caracterizada pelas iniciais presentes no livro (se é que pode-se afirmar que essas letras dizem respeito a ela). Pertencente à classe alta, após demitir sua empregada, ela decide organizar o quarto da mesma.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao exercer o que parece ser uma tarefa simples e comum, e mais do que rotineira para qualquer um, a protagonista desencadeia uma série de reflexões, enquanto também se depara com a insignificância que a funcionária tinha para ela até o momento. Sem demais componentes atuando, a narrativa é uma imersão no seu próprio pensar, em que a solidão da atividade desempenhada leva a um diálogo com si própria. A estrutura textual evidencia o fluxo de pensamento, com capítulos que não possuem títulos ou marcações numéricas, mas se iniciam com a mesma sentença que encerrou o anterior, ilustrando sublimemente a constância da reflexão humana. </span></p>
<figure id="attachment_25045" aria-describedby="caption-attachment-25045" style="width: 768px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25045" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-3.jpg" alt="A imagem é uma cena do filme A paixão segundo G.H.. Nela, é possível ver o reflexo da atriz Maria Fernanda Cândido em um espelho em formato redondo. Ela está virada de perfil e com as palmas das mãos levantadas próximas ao seu queixo. Maria é uma mulher branca, com cabelos castanhos presos em um coque alto bagunçado. Ela veste uma blusa branca de mangas compridas e usa brinco em sua orelha. " width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-25045" class="wp-caption-text">Em 2020, a obra foi adaptada para o Cinema, com direção de Luiz Fernando Carvalho e protagonizada por Maria Fernanda Cândido (Foto: Paris Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de não trazer nenhum personagem dialogável, se precisássemos eleger uma espécie de antagonista em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Paixão segundo G.H.,</span></i><span style="font-weight: 400;"> com certeza, seria a barata. Ao arrumar o armário do quarto, a protagonista se depara com o inseto, e, no comum ato de esmagá-la, aprofunda-se ainda mais em uma viagem que transcende o tempo e o espaço de sua memória.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Meu ciclo era completo: o que eu vivia no presente já se condicionava para que eu pudesse posteriormente me entender. Um olho vigiava a minha vida. A esse olho ora provavelmente eu chamava de verdade, ora de moral, ora de lei humana, ora de Deus, ora de mim. Eu vivia mais dentro de um espelho. Dois minutos depois de nascer eu já havia perdido as minhas origens.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O monólogo interior gerado pela autora ecoa questionamentos psicológicos da personagem, ao passo que dialoga com obras da também genial </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/25/cultura/1516835051_025456.html"><span style="font-weight: 400;">Virginia Woolf</span></a><span style="font-weight: 400;"> e nos faz pensar se Lispector não seria capaz de ter escrito </span><a href="https://personaunesp.com.br/fleabag-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">nos dias atuais. Sempre se apoiando muito em metáforas, a ucraniana ainda domina as palavras com a maior leveza e facilidade possíveis, conduzindo-as de maneira a traduzir sentimentos dos mais banais, mas que acendem uma luz na mente de quem lê: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Detalhadamente não sendo, eu me provava que — que eu era”</span></i><span style="font-weight: 400;">; </span><i><span style="font-weight: 400;">“Solidão é ter apenas o destino humano. E solidão é não precisar”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_25046" aria-describedby="caption-attachment-25046" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25046" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-4-800x450.jpg" alt="A imagem é uma foto da escritora Clarice Lispector. Nela, Clarice está sentada de lado em frente a uma estante de livros. Clarice era uma mulher branca, de cabelos castanhos claros, curtos e lisos. Ela veste um vestido vermelho de mangas compridas com detalhes pretos espalhados, e usa braceletes nos dois pulsos. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-4.jpg 976w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25046" class="wp-caption-text">“Amor é quando não se dá nome à identidade das coisas?” (Foto: Editora Rocco/Divulgação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Perdida em seus próprios pensamentos, volta e meia a protagonista retorna para a realidade e seu conflito em relação à barata. O clímax de <em>A Paixão segundo G.H.</em> se dá de forma um tanto inesperada, quando, ao inseto expelir um líquido branco, a narradora decide engoli-lo, entrando em total estado de epifania. Ingerir um dos bichos mais asquerosos presentes na superfície terrestre causa uma autorevelação, em um ato perfeitamente simbólico. A mesma figura da barata também é subentendidamente retratada em </span><a href="https://www.culturagenial.com/livro-a-metamorfose-de-franz-kafka/"><i><span style="font-weight: 400;">A Metamorfose</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1915), de Franz Kafka, que aborda sobre a perda da dignidade humana e caminha de mãos dadas com o presente romance, tendo até seu título ressoado nas entrelinhas. </span><i><span style="font-weight: 400;">“É uma metamorfose em que eu perco tudo o que eu tinha, e o que eu tinha era eu — só tenho o que eu sou”.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem um desfecho necessário para uma obra que percorre o mais íntimo do ser humano sem nem precisar sair das paredes de um apartamento, a protagonista não alcança uma devida conclusão. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Paixão segundo G.H.</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem como ponto de chegada o mesmo de sua partida, com questionamentos sem resposta para essa personagem sem rosto e sem nome, na forma mais poética que alguém poderia pensar para retratar a essência daqueles de </span><i><span style="font-weight: 400;">alma já formada</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ainda bem que tivemos uma Clarice Lispector para fazer isso. </span></p>
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		<title>Estante do Persona – Outubro de 2021</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Nov 2021 23:31:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“Há livros escritos para evitar espaços vazios na estante.” &#8211;  Carlos Drummond de Andrade Para poder valorizar cada vez mais a Literatura, parte tão importante e fundamental da cultura do nosso e de qualquer outro país, o Persona começa, agora, a preencher sua própria estante.  O mês de outubro marcou o início do nosso Clube &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2021/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Outubro de 2021"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24611" aria-describedby="caption-attachment-24611" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24611" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/estante-do-persona-wordpress-capa-800x420.jpg" alt="Arte retangular com fundo vermelho. Ao centro há uma estante de livros branca em formato retangular. Acima dela está escrito ESTANTE em fonte preta. Na primeira prateleira, na divisória esquerda, há o símbolo do Persona (desenho de um olho com a íris vermelha e um símbolo de play no lugar da pupila) ao lado da palavra DO em fonte preta. Na divisória da direita, está escrito PERSONA em fonte preta. Na segunda prateleira, há três divisórias, em que, na do meio, há a capa do livro A Paixão Segundo G.H., de Clarice Lispector. Na terceira e última prateleira, também há 3 divisórias, em que, na da ponta direita, há um troféu com o formato do símbolo do Persona. " width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/estante-do-persona-wordpress-capa-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/estante-do-persona-wordpress-capa-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/estante-do-persona-wordpress-capa.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-24611" class="wp-caption-text">A primeira edição do Estante do Persona discute a obra A Paixão segundo G.H., de Clarice Lispector, e traz indicações dos membros do Clube do Livro (Foto: Reprodução/Arte: Ana Júlia Trevisan e Jho Brunhara/Texto de Abertura: Vitória Silva)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">“Há livros escritos para evitar espaços vazios na estante.”</span></p>
<p style="text-align: right;"><em><span style="font-weight: 400;">&#8211;  Carlos Drummond de Andrade</span></em></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Para poder valorizar cada vez mais a Literatura, parte tão importante e fundamental da cultura do nosso e de qualquer outro país, o Persona começa, agora, a preencher sua própria estante. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mês de outubro marcou o início do nosso Clube do Livro, formado por membros da Editoria, que tem o intuito de promover a leitura compartilhada e encontros para discussão de alguma obra sugerida. Ao final do mês, o Clube ainda se reúne para montar o </span><b>Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;">, com um comentário que sintetize as ideias sobre a leitura realizada e uma </span><i><span style="font-weight: 400;">playlist </span></i><span style="font-weight: 400;">de músicas que se relacionem com a mesma, além de uma indicação de cada membro sobre algum livro marcante ou que mereça ser compartilhado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como primeira leitura, o Clube do Livro teve a honra de poder prestigiar </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/12/10/cultura/1544426497_594113.html"><span style="font-weight: 400;">uma das maiores autoras</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Literatura brasileira. </span><a href="https://www.amazon.com.br/Paix%C3%A3o-Segundo-G-H-Clarice-Lispector/dp/853250809X"><i><span style="font-weight: 400;">A Paixão segundo G.H.</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Clarice Lispector, é narrado em primeira pessoa pela personagem que tem suas duas iniciais presentes no título da obra. Uma mulher, moradora do Rio de Janeiro, que, ao desempenhar a tarefa de limpar o “quartinho dos fundos” de seu apartamento, mergulha em um fluxo de pensamento contínuo simbolizado por um monólogo de reflexões existencialistas, uma das grandes marcas da escrita da autora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E nada mais simbólico do que estrear essa publicação especial num mês com acontecimentos tão marcantes para o meio literário. Além de no dia 29 de outubro ser celebrado o </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/datas-comemorativas/dia-nacional-livro.htm"><span style="font-weight: 400;">Dia Nacional do Livro</span></a><span style="font-weight: 400;">, as semanas anteriores também foram marcadas por grandes eventos. No dia 7, ocorreu a cerimônia de entrega do </span><a href="https://g1.globo.com/ciencia/noticia/2021/10/04/premio-nobel.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Nobel</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Literatura 2021, que foi concedido ao autor </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/de-refugiado-ao-nobel-da-literatura-quem-e-o-autor-abdulrazak-gurnah/"><span style="font-weight: 400;">Abdulrazak Gurnah</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nascido na ilha de Zanzibar, atual Tanzânia, em 1948, o escritor é </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1446162399069884427"><span style="font-weight: 400;">especialista em Literatura pós-colonial e na temática de refugiados</span></a><span style="font-weight: 400;">, colecionando em sua carreira títulos como </span><a href="https://www.amazon.com.br/Paradise-Abdulrazak-Gurnah/dp/1565841638"><i><span style="font-weight: 400;">Paradise</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.amazon.com.br/Afterlives-Abdulrazak-Gurnah/dp/1526615851"><i><span style="font-weight: 400;">Afterlives</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais ao final do mês, no dia 20, foi realizada a entrega do </span><a href="https://www.bn.gov.br/explore/premios-literarios/premio-camoes-literatura"><span style="font-weight: 400;">Prêmio Camões</span></a><span style="font-weight: 400;">, para a moçambicana </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2016/09/21/a-escrita-sagrada-da-romancista-mocambicana-paulina-chiziane"><span style="font-weight: 400;">Paulina Chiziane</span></a><span style="font-weight: 400;">. Tão simbólica quanto a vitória de Gurnah, Chiziane é a </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1451639528716898306"><span style="font-weight: 400;">primeira mulher</span></a><span style="font-weight: 400;"> a publicar um romance em Moçambique,</span> <a href="https://www.amazon.com.br/Balada-Amor-Vento-Paulina-Chiziane/dp/9722128159"><i><span style="font-weight: 400;">Balada de Amor ao Vento</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em que o fez depois da independência. Com a figura da mulher moçambicana e africana no centro de sua escrita, a autora dedica-se a explorar os problemas enfrentados pela mesma no meio social, e tem como uma de suas obras de maior prestígio </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/literatura/niketche-uma-historia-de-poligamia.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Niketche: Uma História de Poligamia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em que uma mulher decide conhecer as outras esposas de seu marido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No clima desse mês repleto de grandes feitos na Literatura, você confere as indicações do Clube do Livro na primeira edição do </span><b>Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-24591"></span></p>
<h2>Livro do Mês</h2>
<figure id="attachment_24593" aria-describedby="caption-attachment-24593" style="width: 538px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24593 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-a-paixao-538x800.jpg" alt=" A imagem é a foto da capa do livro A Paixão segundo G.H.. Com um fundo na cor creme com linhas de distorção, é possível ver no canto superior direito dunas de areia e edifícios que remetem à arquitetura árabe. Abaixo, está escrito Clarice Lispector em letra cursiva e na cor vermelha e o título do livro em caixa alta e na cor bege. No canto inferior esquerdo, abaixo do título, há o desenho de uma moça branca, com cabelos castanhos longos presos em um rabo de cavalo baixo; ela veste uma blusa azul clara de mangas compridas. " width="538" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-a-paixao-538x800.jpg 538w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1-a-paixao.jpg 668w" sizes="auto, (max-width: 538px) 85vw, 538px" /><figcaption id="caption-attachment-24593" class="wp-caption-text">A Paixão segundo G.H. ganhou uma adaptação para o Cinema em 2020, dirigida por Luiz Fernando Carvalho e com Maria Fernanda Cândido no papel principal (Foto: Rocco)</figcaption></figure>
<p><b>Clarice Lispector &#8211; A Paixão segundo G.H. (175 páginas, Rocco)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado em 1964, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Paixão segundo G.H.</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um passeio pelo mais profundo íntimo do ser humano. Em seu apartamento no Rio de Janeiro, a protagonista, reconhecida apenas pelas duas iniciais, decide limpar o quarto da empregada, logo após demitir a mesma. O que parece ser uma tarefa banal como tirar pó do armário, desencadeia uma série de reflexões existencialistas e contestações sobre decisões passadas, ao ponto que, ao esmagar uma barata em meio ao processo, G.H. engata em um relato sobre a perda da sua individualidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conhecida por utilizar recursos como análise psicológica e monólogo interior, o presente livro é o mais puro suco que poderíamos ter da </span><a href="https://www.ebiografia.com/clarice_lispector/"><span style="font-weight: 400;">Literatura de Clarice Lispector</span></a><span style="font-weight: 400;">, que ainda se encontra com o teor de obras de </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/25/cultura/1516835051_025456.html"><span style="font-weight: 400;">Virginia Woolf</span></a><span style="font-weight: 400;"> e até mesmo </span><a href="https://www.culturagenial.com/livro-a-metamorfose-de-franz-kafka/"><i><span style="font-weight: 400;">A Metamorfose</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Franz Kafka. Os capítulos não possuem marcações definidas, mas funcionam como sequências sistemáticas, em que cada um se inicia com a frase que encerrou o anterior. Esse aspecto cíclico também é notório no início e final do livro, em que a protagonista termina a narrativa chegando ao mesmo ponto que a desencadeou inicialmente, em um retrato perfeito do que é o complexo processo do pensar humano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de lançada no século passado, a obra de Clarice também dialoga com produções do presente, como, por exemplo, a série </span><a href="https://personaunesp.com.br/fleabag-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que tem uma protagonista que enfrenta dilemas e conflitos internos na mesma proporção e, coincidentemente, também não tem seu nome revelado para o público. Por mais que, às vezes, seja um pouco repetitiva ou até mesmo de difícil compreensão em certas passagens, é impossível não se encontrar com pelo menos um trecho de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Paixão segundo G.H.</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com grandes sacadas de gênia da autora, pensamentos até então nunca questionados são transpostos em simples palavras ou frases, que encontram-se poeticamente e se tornam tudo que precisávamos ler, mas ainda não sabíamos. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Todo momento de achar é um perder-se a si próprio”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: A Paixão segundo G.H. - Clube do Livro Outubro de 2021" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/1NT9TGmh6mbP2gnkf5cs3S?si=c6c81412a4914958&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<h2></h2>
<h2>Dicas do Mês</h2>
<figure id="attachment_24594" aria-describedby="caption-attachment-24594" style="width: 534px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24594" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-desonra-534x800.jpg" alt="Capa do livro Desonra, de J.M. Coetzee. Na imagem, vemos diversas linhas em cor vermelha e verde, assemelhando-se a um labirinto. Ao centro, há uma faixa de cor verde. Dentro dessa faixa, na extremidade direita, está escrito J.M. Coetzee, em fonte de cor branca. Abaixo, também em fonte de cor branca, está escrito Desonra. Ainda dentro dessa faixa, na parte inferior esquerda, está escrito Prêmio Nobel Companhia das Letras, em fonte de cor branca. Há uma coroa de louros de cor branca desenhada entre as palavras Prêmio e Nobel." width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-desonra-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-desonra-684x1024.jpg 684w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-desonra-768x1150.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/2-desonra.jpg 1002w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-24594" class="wp-caption-text">Lançado em 1999, Desonra foi a obra citada para a vitória de J.M. Coetzee no Nobel de Literatura de 2003 (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>J.M. Coetzee &#8211; Desonra (248 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><a href="https://www.blogdacompanhia.com.br/conteudos/visualizar/5-razoes-para-ler-Desonra-de-J-M-Coetzee-em-clubes-de-leitura9"><i><span style="font-weight: 400;">Desonra</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> foi publicado em 1999, e é considerado o grande clássico de </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/livros/jmcoetzee-comenta-autores-classicos-menos-conhecidos-em-ensaios-24841120"><span style="font-weight: 400;">J.M. Coetzee</span></a><span style="font-weight: 400;">, escritor sul-africano que recebeu o </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1446162399069884427"><i><span style="font-weight: 400;">Nobel </span></i><span style="font-weight: 400;">de Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2003. A obra foi tão impactante que fez o autor levar o prêmio </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/livros/mia-couto-primeiro-autor-de-lingua-portuguesa-na-final-do-man-booker-international-prize-15683781"><i><span style="font-weight: 400;">Man Booker</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">pela segunda vez — ele já havia recebido em 1983, pelo livro </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2806200314.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Vida e Época de Michael K</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> —, sendo o único a ter recebido duas vezes a honraria. O título original é </span><i><span style="font-weight: 400;">Disgrace</span></i><span style="font-weight: 400;">, porém o tradutor José Rubens Siqueira optou por um caminho mais amplo e, talvez, mais poético. Mas, afinal, do que se trata o livro? No mais puro sentido, trata-se de um homem que cai em desgraça. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estamos situados em uma África do Sul </span><a href="https://www.politize.com.br/nelson-mandela-e-a-luta-contra-o-apartheid/"><span style="font-weight: 400;">pós-</span><i><span style="font-weight: 400;">apartheid</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e enxergamos esse cenário sob a visão de David Lurie, professor de Literatura na Universidade da Cidade do Cabo. A percepção afiada de Coetzee nos faz vislumbrar como ninguém a sociedade fraturada que se desenvolveu no país, na qual qualquer relação afetiva verdadeira está fadada ao fracasso. Após uma sucessão de acontecimentos dramáticos, abalando profundamente a vida do professor Lurie, ele se vê obrigado a retornar à propriedade rural da filha, Lucy, a fim de encontrar um ponto de equilíbrio entre a sua formação humanista e as normas sociais pré-estabelecidas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somente nesse cenário precário, muito distante da pacata vida acadêmica que estava habituado, ele entende o verdadeiro significado de brutalidade e sofrimento. Com uma narrativa envolvente, através de capítulos curtos — que mostram a habilidade do escritor na escolha das palavras —, o livro nos mantém presos e estimulados do começo ao fim. </span><i><span style="font-weight: 400;">Desonra</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi adaptado ao Cinema pelo diretor Steve Jacobs, no </span><a href="http://www.revistacinetica.com.br/disgrace.htm"><span style="font-weight: 400;">filme homônimo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 2008, e traz </span><a href="https://personaunesp.com.br/estou-pensando-em-acabar-com-tudo-critica/"><span style="font-weight: 400;">John Malkovich</span></a><span style="font-weight: 400;"> no papel de David Lurie. No Brasil, a editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i><span style="font-weight: 400;"> publica a obra completa de J.M. Coetzee. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_24595" aria-describedby="caption-attachment-24595" style="width: 525px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24595 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario-525x800.jpg" alt=" Capa do livro Amigo Imaginário. Em frente a um fundo preto, vemos, na parte superior central, as palavras “Amigo Imaginário” em caixa alta, em uma fonte branca e estilizada, e, no canto superior direito, o logo da Editora Record.. Na parte central, vemos uma árvore, com o tronco iluminado e com uma escada pendurada. À frente da árvore, vemos a silhueta preta de uma pessoa, aparentemente uma criança. Ao lado dela, vemos a frase “Autor do best-seller”, em uma fonte branca cursiva e, abaixo, a frase “As Vantagens de Ser Invisível”, na mesma fonte branca, em caixa alta e estilizada do título. Na parte inferior central, vemos as palavras “Stephen” e logo abaixo, “Chbosky”, ambas em caixa alta, na mesma fonte branca estilizada do título." width="525" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario-525x800.jpg 525w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario-672x1024.jpg 672w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario-768x1171.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario-1007x1536.jpg 1007w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario-1343x2048.jpg 1343w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario-1200x1830.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3-amigo-imaginario.jpg 1679w" sizes="auto, (max-width: 525px) 85vw, 525px" /><figcaption id="caption-attachment-24595" class="wp-caption-text">Com tradução de José Roberto O’Shea, Amigo Imaginário foi publicado em 2019 (Foto: Record)</figcaption></figure>
<p><b>Stephen Chbosky &#8211; Amigo Imaginário (767 páginas, Record)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se Christopher não construir uma casa da árvore no bosque da cidade antes do Natal, sua mãe e os moradores de Mill Grove morrerão. Pelo menos é o que diz a voz na cabeça do menino, que começou a acompanhá-lo desde que ele desapareceu na mata e retornou seis dias depois, intacto e sem memória do que havia acontecido. Nas quase 800 páginas de </span><a href="https://www.bibliotecadoterror.com.br/2019/12/amigo-imaginario-livro-de-horror-de.html"><i><span style="font-weight: 400;">Amigo Imaginário</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, as histórias de Christopher e sua mãe, Kate, se entrelaçam a dos moradores do local e do caso não resolvido que intriga a cidade há décadas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do mesmo autor de </span><i><span style="font-weight: 400;">As Vantagens de Ser Invisível</span></i><span style="font-weight: 400;">, as semelhanças entre as </span><a href="https://themercury.com/ap/entertainment/why-dear-evan-hansen-is-a-sibling-to-stephen-chboskys-the-perks-of-being-a/article_c48071b1-1413-54b9-9775-3385dbfa3aa8.html"><span style="font-weight: 400;">obras de Stephen Chbosky</span></a><span style="font-weight: 400;"> acabam por aí. Diferente do sensível </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i><span style="font-weight: 400;">, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Amigo Imaginário</span></i><span style="font-weight: 400;">, o escritor cria uma narrativa assombrosa, cheia de suspense, terror psicológico e fantasia, com muitas metáforas e um forte simbolismo religioso. O excesso de reviravoltas prolonga o livro mais do que o necessário e faz com que o calhamaço se arraste nas páginas finais, mas a habilidade do </span><a href="https://cinebuzz.uol.com.br/noticias/livros/autor-de-vantagens-de-ser-invisivel-stephen-chbosky-lanca-primeiro-livro-em-20-anos.phtml"><span style="font-weight: 400;">autor</span></a><span style="font-weight: 400;"> em enganar o leitor, assim como faz com o protagonista, torna os caminhos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Amigo Imaginário </span></i><span style="font-weight: 400;">surpreendentes e envolventes do início até (quase) o fim. </span><b>&#8211; Vitória Lopes Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_24596" aria-describedby="caption-attachment-24596" style="width: 518px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24596" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao-518x800.jpg" alt="Capa do livro Cem Anos de Solidão. Na parte inferior vemos folhas verdes e azuis em um fundo rosa pink. Todo o fundo restante da capa é azul. Na parte central superior lê-se em branco PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA. Abaixo lê-se em pink GABRIEL. Abaixo lê-se em verde GARCÍA. Abaixo lê-se em verde MARQUEZ. Abaixo lê-se em branco cem anos de solidão." width="518" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao-518x800.jpg 518w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao-662x1024.jpg 662w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao-768x1187.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao-994x1536.jpg 994w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao-1325x2048.jpg 1325w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao-1200x1855.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/4-cemanosdesolidao.jpg 1605w" sizes="auto, (max-width: 518px) 85vw, 518px" /><figcaption id="caption-attachment-24596" class="wp-caption-text">Para não se perder na história, recomenda-se que você tenha a árvore genealógica dos Buendía ao lado do livro (Foto: Record)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel García Marquez &#8211; Cem Anos de Solidão (448 páginas, Record)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O colombiano Gabriel García Marquez é um dos escritores mais traduzidos no mundo, e, em outubro de 1982, ganhou o </span><a href="https://homoliteratus.com/solidao-da-america-latina-discurso-de-garcia-marquez-no-nobel-de-literatura/"><span style="font-weight: 400;">Prêmio </span><i><span style="font-weight: 400;">Nobel</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo conjunto de sua obra. Entre seus manuscritos que refletem sobre os rumos políticos e sociais da América Latina, </span><a href="https://super.abril.com.br/cultura/conheca-a-historia-de-cem-anos-de-solidao-que-vai-virar-serie-na-netflix/"><i><span style="font-weight: 400;">Cem Anos de Solidão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é o livro mais monumental, sendo também considerado o mais importante de sua coleção. </span><i><span style="font-weight: 400;">Cem Anos de Solidão </span></i><span style="font-weight: 400;">é muito mais que uma simples narrativa, é uma experiência imersiva nas sete gerações da família Buendía. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientada em Macondo, acompanhamos a formação, ascensão e queda da cidade fundada por José Arcádio e Úrsula Iguarán, os pais da família </span><a href="https://medium.com/@torresclark853/la-familia-buend%C3%ADa-7a5e8c021b81"><span style="font-weight: 400;">Buendía</span></a><span style="font-weight: 400;">. O apego pelo livro acontece exponencialmente, o passar do tempo nos faz reconhecer os fatos vividos pela estirpe condenada a cem anos de solidão. Denso de informações e acontecimentos, a obra mostra seus personagens relegados à solidão construindo um paralelo indireto com a América Latina.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Cem Anos de Solidão</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem um início mais realista que se reflete na última metade mais fantástica, tudo construído com o empenho do autor em não perder a essência em que sua </span><a href="https://www.bonde.com.br/entretenimento/literatura/gabriel-garcia-marquez-conta-seus-segredos-38980.html"><span style="font-weight: 400;">avó materna</span></a><span style="font-weight: 400;"> lhe contava histórias, tornando cada objeto ainda mais vivo. Seu final mostra que a solidão, em todos seus dobramentos, é cíclica e intrínseca ao ser humano. </span><i><span style="font-weight: 400;">Cien Años de Soledad</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, com certeza, um dos melhores livros já escritos. </span><b>&#8211; Ana Júlia Trevisan</b></p>
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<figure id="attachment_24597" aria-describedby="caption-attachment-24597" style="width: 462px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24597" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/5-os-miseraveis.jpg" alt="Capa do livro Os miseráveis mostra o perfil de uma menina branca e loira de expressão triste. Ao fundo da cena há alguns lampiões e no topo da foto está escrito Os Miseráveis em dourado e Victor Hugo em baixo em branco." width="462" height="664" /><figcaption id="caption-attachment-24597" class="wp-caption-text">Com tradução no Brasil de Regina Célia de Oliveira, Os Miseráveis apresenta, em suas 1511 páginas, injustiças sociais, revoluções e drama (Foto: Martin Claret)</figcaption></figure>
<p><b>Victor Hugo &#8211; Os Miseráveis (1511 páginas, Martin Claret)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Os Miseráveis</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um dos maiores clássicos da Literatura francesa. Publicada em 1862, a narrativa percorre a vida de várias pessoas pobres financeiramente ou de espírito, como forma de </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/literatura/victor-hugo.htm"><span style="font-weight: 400;">Victor Hugo</span></a><span style="font-weight: 400;"> denunciar a injustiça social tão presente na civilização humana. Como protagonista desta trama histórica temos Jean Valjean, um ex-presidiário condenado a 19 anos de reclusão por roubar um pão. Nesse mesmo plano temporal está Cosette, uma menina que vive em um estado deplorável na moradia dos </span><span style="font-weight: 400;">Thénardier, um casal grotesco que extorque as economias da mãe da criança que não pode criá-la.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após presenciar a morte de Fantine, mãe de Cosette, Jean Valjean parte em busca da residência dos Thénardier para resgatar a menina. A partir daí, o ex-presidiário assume a paternidade da criança. Anos depois, a realidade dos personagens vira de cabeça para baixo. O casal avarento perde todas as suas economias, enquanto que Valjean e Cosette ascendem socialmente. No meio dessa trama de classes, eclodem diversas manifestações sociais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirado por revoluções como </span><span style="font-weight: 400;">o evento de </span><a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/a-revolucao-1830.htm"><span style="font-weight: 400;">Junho de 1832</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/historiag/batalha-de-waterloo.htm"><span style="font-weight: 400;">Batalha de Waterloo</span></a><span style="font-weight: 400;">, Victor Hugo relata em seu romance diversos eventos históricos marcantes e simbólicos. </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Miseráveis</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresenta como ponta pé inicial personagens em situações de vida deploráveis, que se desdobram em diversas manifestações sociais. Essa teia de narrativas profundas permitiu com que fossem realizadas diversas adaptações da obra, como filmes, peças de teatro e paródias literárias. </span><b>&#8211; Gabriel Gatti</b></p>
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<figure id="attachment_24598" aria-describedby="caption-attachment-24598" style="width: 557px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24598" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland-557x800.jpg" alt="Capa do livro Nomadland. A capa é azul e tem alguns escritos em branco. No topo da capa, lemos “Livro que baseou o vencedor do Oscar de Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Atriz de 2021”. Abaixo, lemos “Jessica Bruder” e “Nomadland”. Abaixo disso: “Sobrevivendo na América no século XXI”. No meio, vemos a foto de um trailer, estacionado em uma estrada de terra e mato, com o azul da capa se mesclando ao azul do céu. Na parte de baixo da capa, também em branco, está o nome da Editora Rocco. " width="557" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland-1425x2048.jpg 1425w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland-1200x1725.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/6-nomadland.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 557px) 85vw, 557px" /><figcaption id="caption-attachment-24598" class="wp-caption-text">Anos depois de ser publicado, a belíssima história de Nomadland rendeu alguns Oscars, ressaltando a força da Literatura de Não-Ficção dentro da Arte (Foto: Rocco)</figcaption></figure>
<p><b>Jessica Bruder &#8211; Nomadland &#8211; Sobrevivendo na América no século XXI (304 páginas, Rocco)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pelas palavras de Jessica Bruder, nasce a Terra Nômade. Resultado de um trabalho extenso e vivido na pele pela jornalista, o livro de não-ficção se centra nas pessoas que vivem à margem da sociedade, desamparadas pelo governo e invisíveis para o mundo. Sem apontar soluções ou culpados diretos, </span><a href="https://www.amazon.com.br/Nomadland-Sobrevivendo-Estados-Unidos-s%C3%A9culo/dp/6555321059"><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland &#8211; Sobrevivendo na América no século XXI</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ruma pelas estradas norte-americanas, na companhia de Linda May, uma senhora de idade que encontra subsídio em empregos braçais e temporários. Sem casa, mas não sem lar, a nômade moderna é um dos inúmeros objetos de estudo da autora, que chegou a viver em uma </span><i><span style="font-weight: 400;">van</span></i><span style="font-weight: 400;">, para ter a experiência completa de sua história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado originalmente em 2017, o livro-reportagem chegou ao Brasil alguns meses atrás, traduzido por Ryta Vinagre e com a célebre frase </span><i><span style="font-weight: 400;">“Livro que baseou </span></i><a href="http://personaunesp.com.br/nomadland-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">o vencedor do Oscar</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Atriz de 2021”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sensível e carregado visual e tematicamente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland </span></i><span style="font-weight: 400;">é leitura obrigatória para quem almeja encontrar o </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-56640345"><span style="font-weight: 400;">meio-termo entre a Literatura e o Jornalismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, usufruindo de conhecimento dos dois campos e, na jornada, criando uma linguagem muito única e singular que não apenas denuncia a irresponsabilidade do Estado para com seus idosos, mas também celebra o senso de comunidade que as dificuldades podem fazer nascer nos indivíduos. Se Chloé Zhao conseguiu emocionar com a vida real ficcionalizada, </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/o-filme-e-o-livro-sao-criaturas-bem-distintas-diz-autora-de-nomadland/"><span style="font-weight: 400;">Jessica Bruder foi a primeira</span></a><span style="font-weight: 400;"> a encontrar esse tesouro. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
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<figure id="attachment_24599" aria-describedby="caption-attachment-24599" style="width: 500px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24599 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/7-Cafe-da-Manha.jpeg" alt="Capa do livro Café da Manhã dos Campeões exibe um drinque numa taça." width="500" height="751" /><figcaption id="caption-attachment-24599" class="wp-caption-text">Um dos maiores best-sellers de Vonnegut também é um de seus livros mais engraçados (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Kurt Vonnegut &#8211; Café da Manhã dos Campeões (400 páginas, Intrínseca) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Kilgore Trout é um escritor de ficção científica que descobre que Dwayne Hoover, um vendedor de carros aparentemente normal, está ficando maluco por causa de um de seus livros. Essa é a premissa inicial de </span><a href="https://www.amazon.com.br/Caf%C3%A9-Manh%C3%A3-Campe%C3%B5es-Kurt-Vonnegut/dp/8551005804"><i><span style="font-weight: 400;">Café da Manhã dos Campeões</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a obra-prima de </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/Livros/noticia/2020/11/4-livros-essenciais-para-conhecer-obra-e-historia-de-kurt-vonnegut.html"><span style="font-weight: 400;">Kurt Vonnegut</span></a><span style="font-weight: 400;">, que aproveita sua história nada convencional para fazer uma crítica bem-humorada e ácida dos comportamentos da sociedade norte-americana. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a presença dos famosos desenhos do autor, é uma leitura extremamente divertida, fluida e repleta de metalinguagem. Kurt Vonnegut escreve com um senso de humor e uma sagacidade tão apaixonantes que é impossível parar de ler. </span><i><span style="font-weight: 400;">Café da Manhã dos Campeões </span></i><span style="font-weight: 400;">insere a ampla criatividade da ficção científica em um contexto familiar, aproveitando para mostrar o quanto algumas ideias que tomamos como “inquestionáveis” na sociedade são, na verdade, bem absurdas. Não é engraçado? </span><b>&#8211; Caio Machado </b></p>
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<figure id="attachment_24600" aria-describedby="caption-attachment-24600" style="width: 554px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24600 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel-554x800.jpg" alt="Capa do livro Alif, o invisível, da autora G. Willow Wilson. No centro da capa está o título do livro, em letras grandes e verde escuras, sob um fundo verde claro. Dentro da palavra “Alif”, escrita em letras curvadas, há pequenos circuitos eletrônicos verdes claros. Abaixo dela, “o invisível” está escrito em letras pretas e retas. Na parte inferior da capa, o nome da autora, em letras maiúsculas e verde escuras, e o logo da editora, Fantástica Rocco, com uma chave estilizada no lugar do “F”. As bordas da capa são estilizadas com padrões quadriculares verde escuros." width="554" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel-554x800.jpg 554w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel-709x1024.jpg 709w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel-768x1110.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel-1063x1536.jpg 1063w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel-1418x2048.jpg 1418w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel-1200x1734.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/8-alif-o-invisivel.jpg 1772w" sizes="auto, (max-width: 554px) 85vw, 554px" /><figcaption id="caption-attachment-24600" class="wp-caption-text">Alif é a primeira letra do alfabeto árabe, representada com um único traço vertical (Foto: Fantástica Rocco)</figcaption></figure>
<p><b> G. Willow Wilson &#8211; Alif, o invisível (349 páginas, Fantástica Rocco)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de ficar conhecida como uma das co-criadoras da </span><a href="https://feededigno.com.br/curiosidades/conheca-kamala-khan-a-ms-marvel/"><span style="font-weight: 400;">primeira heroína muçulmana</span></a><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel Comics</span></i><span style="font-weight: 400;">, G. Willow Wilson já havia se provado uma das autoras de ficção mais indispensáveis da atualidade. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Alif, o invisível</span></i><span style="font-weight: 400;">, seu talento para criar mundos complexos e irresistíveis se faz presente na junção entre o moderno e o místico, na caracterização de uma distopia </span><a href="https://www.infoescola.com/generos-literarios/literatura-cyberpunk/"><i><span style="font-weight: 400;">cyberpunk</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> tão palpável que desafia as distinções entre o real e o imaginário, visível e invisível.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Caçado pelo censor de um </span><a href="https://www.conjur.com.br/2020-mar-29/embargos-culturais-estado-excecao-anormalidade-constitucional"><span style="font-weight: 400;">estado de exceção</span></a><span style="font-weight: 400;"> não-nomeado do </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-55379502"><span style="font-weight: 400;">Oriente Médio</span></a><span style="font-weight: 400;">, o jovem </span><i><span style="font-weight: 400;">hacker</span></i><span style="font-weight: 400;"> Alif guarda consigo as chaves para a criação do aparato de repressão máximo, fruto da mágoa de seu coração partido. Após sua amada, Intisar, revelar que havia sido prometida a outro homem, Alif cria um programa para ocultar sua presença, na esperança de que ela nunca mais possa vê-lo ou contatá-lo pela </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">. Intisar, então, envia um livro misterioso que abre seus olhos para o mundo oculto dos </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/G%C3%AAnio_(mitologia_%C3%A1rabe)"><i><span style="font-weight: 400;">djinn</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, expandindo o escopo da luta de Alif contra sua própria dor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Graças à </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/917985-devemos-ver-o-mundo-com-nossos-olhos-diz-convertida-ao-isla.shtml"><span style="font-weight: 400;">perspectiva única</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Wilson, a ficção do livro se transforma junto com seu protagonista desafortunado, assumindo as muitas facetas de um mundo destinado a não se conhecer até que esteja preparado para entender suas muitas diferenças. Seu mundo é construído como um castelo de areia no meio de um deserto, na abundância de detalhes em meio ao desconhecido e na fragilidade da vida de suas personagens, capazes de serem apagadas com um sopro do destino. </span><i><span style="font-weight: 400;">Alif, o invisível</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma ficção madura e envolvente, e o trabalho de uma escritora no pico de sua criatividade e habilidade. </span><b>&#8211; Gabriel Oliveira F. Arruda</b></p>
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<figure id="attachment_24592" aria-describedby="caption-attachment-24592" style="width: 533px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24592" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/9-mrs-dalloway-533x800.jpg" alt="Capa do livro Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf. Dois terços da imagem são compostos por uma ilustração, que mostra uma mulher sentada numa cama lendo um livro. Ela está inclinada para o lado esquerdo da imagem e apoia os cotovelos na cama para segurar o livro na frente dos seus olhos. A mulher ilustrada é branca, tem cabelos curtos pretos e lisos. Ela usa um vestido preto de bolinhas brancas e o livro em suas mãos é num tom de terracota, com uma flor estampando a capa. Atrás dela, existe uma parede com estampa floral de fundo azul escuro, e os travesseiros atrás das costas da mulher também são estampados, bem como a colcha da cama onde ela está. Na linha inferior da capa, existe uma faixa fina branca, onde está escrito “Penguin Companhia” em preto e caixa alta, e no meio das palavras, existe o desenho de um pinguim laranja. Abaixo, existe uma faixa maior preta, onde, primeiro, está escrito “Clássicos” em branco, e logo abaixo, está escrito o nome da autora numa fonte laranja e o nome do livro em branco. " width="533" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/9-mrs-dalloway-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/9-mrs-dalloway-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/9-mrs-dalloway-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/9-mrs-dalloway.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 533px) 85vw, 533px" /><figcaption id="caption-attachment-24592" class="wp-caption-text">A edição mais popular de Mrs. Dalloway no Brasil é traduzida por Claudio Alves Marcondes (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Virginia Woolf &#8211; Mrs. Dalloway (235 páginas, Penguin Companhia)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Literatura de Clarice Lispector sabe como ninguém apreciar a companhia de Virginia Woolf. Então, farei as honras de aproximá-las na primeira Estante do Persona. A obra escolhida para figurar ao lado da </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/12/10/cultura/1544426497_594113.html"><span style="font-weight: 400;">voz marcante do Modernismo no Brasil</span></a><span style="font-weight: 400;"> é precursora do movimento na Literatura, que ostenta as palavras da autora inglesa como uma das suas maiores e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4vIs9JDPKSk"><span style="font-weight: 400;">mais importantes obras</span></a><span style="font-weight: 400;">. Primeiro grande sucesso de Woolf, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mrs. Dalloway</span></i><span style="font-weight: 400;"> não poderia ficar de fora da seleção guiada pela genialidade de Lispector em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Paixão segundo G.H</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A referência de </span><a href="https://homoliteratus.com/woolf-e-lispector-o-ser-tudo-ou-ser-nada/"><span style="font-weight: 400;">Virginia em Clarice</span></a><span style="font-weight: 400;"> já deve sugerir o que esperar do romance, que, como toda boa obra moderna, não tem medo de seguir seu próprio caminho. Estamos falando de uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4vIs9JDPKSk"><span style="font-weight: 400;">Literatura radical</span></a><span style="font-weight: 400;">, que extrai tudo o que pode das palavras através de técnicas narrativas como o fluxo de consciência, discurso indireto livre e narração onisciente, originando assim precisas </span><a href="https://livroecafe.com/2015/01/21/10-motivos-para-ler-mrs-dalloway/"><span style="font-weight: 400;">análises sociais</span></a><span style="font-weight: 400;">, perfeitos registros históricos e potentes ensaios filosóficos. Para realizar tudo isso, Virgina Woolf precisou de apenas um dia da vida de Clarissa Dalloway na cidade de Londres em 1925. O resto, é história. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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<figure id="attachment_24602" aria-describedby="caption-attachment-24602" style="width: 557px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24602" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul-557x800.jpg" alt="Capa do livro Vermelho, Branco e Sangue Azul. A imagem é retangular vertical. O fundo é na cor rosa bebê. Na parte superior, lê-se em azul: “Um romance entre a Casa Branca e o Palácio de Buckingham”. Abaixo, lê-se “Vermelho, Branco e Sangue Azul”. Na parte inferior, há duas ilustrações dos personagens Alex e Philip. Alex está na esquerda. Ele é um homem jovem, negro de pele clara, e veste uma roupa despojada: camisa polo branca, calça jeans, e sapato vermelho. Philip está na direita. Ele é um homem jovem branco, de cabelos ruivos, e veste uma roupa militar britânica. Entre os dois, há o nome da autora, Casey McQuiston. No canto inferior direito, há o logo da editora, “Seguinte”. " width="557" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul-1425x2048.jpg 1425w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul-1200x1725.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/10-vermelho-branco-e-sangue-azul.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 557px) 85vw, 557px" /><figcaption id="caption-attachment-24602" class="wp-caption-text">Vermelho, Branco e Sangue Azul foi traduzido para o português por Guilherme Miranda (Foto: Seguinte)</figcaption></figure>
<p><b>Casey McQuiston &#8211; </b><b>Vermelho, Branco e Sangue Azul </b><b>(</b><b>392</b><b> páginas, Seguinte)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A vida não deveria ser feita só de leituras sérias, e </span><a href="https://www.editoraseguinte.com.br/titulo/index.php?codigo=55186"><i><span style="font-weight: 400;">Vermelho, Branco e Sangue Azul</span></i> </a><span style="font-weight: 400;">se encaixa perfeitamente nessa categoria. Em suas quase quatrocentas páginas, a narrativa que Casey McQuiston desenvolve é extremamente ágil e dinâmica. A história parte de encontros puramente diplomáticos entre Alex Claremont-Diaz, o filho da presidenta dos Estados Unidos, e Philip, o príncipe britânico, que acabam se transformando em um gato e rato </span><a href="https://meowbookblog.com/2021/03/15/1-cliche-5-livros-enemies-to-lovers/"><i><span style="font-weight: 400;">enemies to lovers</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">de inimigos para amantes</span></i><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A relação entre Alex e Philip é igualmente insuportável e viciante, e &#8211; entre o emaranhado de romance, sexo, drama e a burocracia desse relacionamento &#8211; acompanhamos a campanha de reeleição da mãe de Claremont-Diaz e toda a política envolvida em um movimento dessa magnitude. Ao mesmo tempo, Philip precisa se entender com uma família real extremamente tradicional e conservadora. Apesar de se encaixar como uma leitura </span><a href="https://personaunesp.com.br/enquanto-eu-nao-te-encontro-critica/"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vermelho, Branco e Sangue Azul </span></i><span style="font-weight: 400;">é muito mais que apenas uma história de amor entre a Casa Branca e o Palácio de Buckingham, é uma trama completa e instigante de sentimentos humanos tentando encontrar espaço no cenário diplomático mundial. </span><b>&#8211; Jho Brunhara</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_24603" aria-describedby="caption-attachment-24603" style="width: 553px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-24603" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/alucinadamente-2-553x800.jpg" alt="A imagem é a foto da capa do livro Alucinadamente Feliz. Um Livro Engraçado Sobre Coisas Horríveis, da autora Jenny Lawson. Ao centro, sob um fundo amarelo que remete a feno, há o desenho de um guaxinim em pé, com os braços dianteiros levantados para cima e um sorriso no rosto. Em cima do seu peito, está escrito ALUCINADAMENTE FELIZ, em caixa alta e fonte branca. Logo embaixo, em Times New Roman e fonte branca, está escrito UM LIVRO ENGRAÇADO SOBRE COISAS HORRÍVEIS. Abaixo disso, está o nome da autora, JENNY LAWSON, novamente em caixa alta e fonte branca." width="553" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/alucinadamente-2-553x800.jpg 553w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/alucinadamente-2.jpg 685w" sizes="auto, (max-width: 553px) 85vw, 553px" /><figcaption id="caption-attachment-24603" class="wp-caption-text">Amiga próxima do renomado Neil Gaiman, Jenny Lawson se tornou amplamente conhecida por seus relatos no blog The Bloggess (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Jenny Lawson &#8211; Alucinadamente Feliz: Um Livro Engraçado Sobre Coisas Horríveis (352 páginas, Intrínseca)</b></p>
<p><a href="https://www.amazon.com.br/Alucinadamente-Feliz-Engra%C3%A7ado-Coisas-Horr%C3%ADveis/dp/8580579317"><i><span style="font-weight: 400;">Alucinadamente Feliz: Um Livro Engraçado Sobre Coisas Horríveis</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é o que acontece quando uma pessoa completamente pirada (no melhor sentido da palavra) decide escrever um livro. </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/autor/307/"><span style="font-weight: 400;">Jenny Lawson</span></a><span style="font-weight: 400;">, autora </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">The New York Times</span></i><span style="font-weight: 400;">, teve uma das ideias mais geniais para lidar com seus diversos </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2014/09/26/sociedad/1411730295_336861.html"><span style="font-weight: 400;">distúrbios mentais e desgraças do dia a dia</span></a><span style="font-weight: 400;">: compartilhá-los com o resto do mundo. Pode se esperar que a vida de alguém depressiva altamente funcional com transtorno de ansiedade grave, depressão clínica moderada, distúrbio de automutilação brando, transtorno de personalidade esquiva e um ocasional transtorno de despersonalização, além de tricotilomania (que é a compulsão de arrancar os cabelos), seja um fardo impossível de carregar, mas Jenny consegue como ninguém fazer uso do bom e velho ditado </span><i><span style="font-weight: 400;">rir para não chorar</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado em 2015, e traduzido para o português por Andrea Gottlieb de Castro Neves, o livro traz em cada capítulo uma história diferente sobre o cotidiano da autora. Abordando desde questões pessoais até o seu casamento, trabalho, família, afeição esquisita por animais empalhados ou qualquer outro puro e simples episódio banal da sua vida, todos carregam uma mesma característica: finais trágicos, ou no mínimo vergonhosos. Isso tudo narrado com um tom </span><a href="https://personaunesp.com.br/bo-burnham-inside-critica/"><span style="font-weight: 400;">irônico e autodepreciativo</span></a><span style="font-weight: 400;"> medido em doses exatas, que transformam qualquer acontecimento horrível em um bom entretenimento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O grande prazer de </span><i><span style="font-weight: 400;">Alucinadamente Feliz</span></i><span style="font-weight: 400;"> é lembrar a cada segundo que se tratam de relatos puramente reais. E, por mais específicos que sejam cada um deles, e por mais particular que seja a mente conturbada de Jenny, é quase natural se encontrar com as maluquices que ela descreve em um mundo em que a cada dia estamos mais malucos. Dessa forma, a moral final da história é apenas uma: você não está sozinho. </span><b>&#8211; Vitória Silva </b></p>
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		<title>Phoebe Bridgers e a loucura racional de Punisher</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Jan 2021 16:33:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Laura Ferreira A melhor parte de entrar em contato com gêneros, ritmos e cantores que não estamos acostumados a escutar é ter uma experiência totalmente nova, que se intensifica de acordo com nossa entrega. E nada seria mais intenso do que Punisher, de Phoebe Bridgers. O disco que concorre a Melhor Álbum de Música &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/punisher-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Phoebe Bridgers e a loucura racional de Punisher"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-17781" style="font-weight: bold; background-color: transparent; text-align: inherit; color: #1a1a1a; font-size: 16px;" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/1-3.jpg" alt="Capa do álbum Punisher. Mostra Phoebe Bridgers em pé e olhando para o céu, de perfil, com um macacão preto que imita um esqueleto. Ela está em um lugar cheio de pedras e ao fundo há uma montanha. O céu está estrelado e em azul escuro forte, enquanto o resto do quadro está sendo iluminado por uma luz vermelha. " width="1200" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/1-3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/1-3-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/1-3-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/1-3-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/1-3-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p><b>Ana Laura Ferreira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A melhor parte de entrar em contato com gêneros, ritmos e cantores que não estamos acostumados a escutar é ter uma experiência totalmente nova, que se intensifica de acordo com nossa entrega. E nada seria mais intenso do que </span><i><span style="font-weight: 400;">Punisher</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Phoebe Bridgers. O disco que concorre a Melhor Álbum de Música Alternativa no</span> <a href="https://personaunesp.com.br/tag/grammy-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy 2021</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é uma descoberta transcendental de entrega e história, embalada pela mais perfeita melodia. Novo, fresco e autêntico, ele encanta por elevar a todas as potências sem perder a mão.</span></p>
<p><span id="more-17780"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Bem iniciado com uma construção de atmosfera que vai dar sequência ao fantástico mundo de Bridgers, a coletânea não hesita em formar um caminho narrativo entre suas faixas. Como crônicas literárias que se unem em um grande livro, </span><i><span style="font-weight: 400;">Punisher </span></i><span style="font-weight: 400;">organizou suas músicas em um grande álbum. Talvez seja pretensioso falar, mas a delicadeza e as epifanias empregadas pela cantora em seus “contos” me levam a crer que ela seria uma grande apreciadora das obras de </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/12/10/cultura/1544426497_594113.html"><span style="font-weight: 400;">Clarice Lispector</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como a literata, Phoebe transforma vivências rotineiras em poesias e grandes ensinamentos de vida. O seu próprio </span><a href="https://contobrasileiro.com.br/amor-conto-de-clarice-lispector/"><i><span style="font-weight: 400;">“cego mascando chiclete&#8221;</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> permeia todas as faixas na dicotomia entre o querer e o ser, entre expectativa e realidade. É em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Tw0zYd0eIlk"><i><span style="font-weight: 400;">Kyoto</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que ela canta: </span><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><i><span style="font-weight: 400;">Eu queria ver o mundo/Através dos seus olhos até que isso aconteceu/Então eu mudei de ideia”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Assim como Lispector, os momentos de revelação de Bridgers são celestiais, sem se perderem no fantasioso, e acima de tudo cotidianos. </span></p>
<figure id="attachment_17782" aria-describedby="caption-attachment-17782" style="width: 870px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-17782" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/2-1.jpg" alt="Imagem de Phoebe Bridgers da cintura para cima. Ela usa um macacão preto com desenho de esqueleto e tem os cabelos loiros soltos. Ao fundo há algumas árvores. Uma luz vermelha ilumina o rosto da cantora." width="870" height="580" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/2-1.jpg 870w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/2-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/2-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17782" class="wp-caption-text">No Grammy 2020, Bridgers ainda concorre a Melhor Música de Rock e Melhor Performance de Rock com Kyoto (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse sentimento transcendental de apreciação tem como grande exemplo a trilha </span><i><span style="font-weight: 400;">Punisher</span></i><span style="font-weight: 400;">. Calma e caótica ao mesmo tempo, Phoebe traz uma experiência completa a cada nova música, construída com uma autenticidade que vem faltando na indústria. Conseguimos sentir a voz da cantora em meio às narrativas de maneira tão íntima e sincera que nos coloca dentro das histórias ali contadas. Essa sensação de entrega consegue se manter única, assim como os trabalhos, tão autorais e inovadores quanto, de bandas como </span><a href="https://open.spotify.com/artist/46CitWgnWrvF9t70C2p1Me?si=gcroSMNLQE2hsHov8h3o1w"><span style="font-weight: 400;">Daughter</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, o que mais chama atenção nas melodias de Bridgers é seu modo de cantar. Ela entoa cada faixa com liberdade e singularidade, moldando o tempo das palavras e se permitindo brincar com as sonoridades. Essa forma de harmonia traz uma estética ímpar que pode ou não agradar o público. Mas apesar do gosto pessoal, as fisionomias surrealistas que a voz de Phoebe toma não podem ser consideradas nada menos do que arte em sua forma mais pura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez fosse difícil descrever as milhares de sensações que o disco passa se não como a trilha perfeita para se escutar contemplando o nada e sentindo tudo, seja deitado na cama olhando para o teto ou para uma bela paisagem. Assim, o que realmente prende em </span><i><span style="font-weight: 400;">Punisher </span></i><span style="font-weight: 400;">não só sua infinidade de qualidades técnicas, mas o poder que ele tem sobre nossos sentidos. Quase como uma viagem, podemos desfrutar um pouco da essência de Bridgers em uma experiência de renovação, porque o “eu” que entra em </span><i><span style="font-weight: 400;">DVD Menu</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é o mesmo que sai em </span><i><span style="font-weight: 400;">I Know The End</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_17783" aria-describedby="caption-attachment-17783" style="width: 940px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-17783" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/3-1.jpg" alt="Imagem de Bridgers de perfil com os cabelos platinados soltos. Ela usa uma blusa branca coberta por um blazer preto. Ao fundo há uma rua desfocada." width="940" height="550" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/3-1.jpg 940w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/3-1-300x176.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/3-1-768x449.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17783" class="wp-caption-text">Garden Song fez parte da trilha sonora da primeira temporada de Grand Army, da Netflix, florescendo perfeitamente na cena (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de melancólico, </span><i><span style="font-weight: 400;">Punisher </span></i><span style="font-weight: 400;">encanta pela mistura de influências de diferentes gêneros que unem os sintetizadores de </span><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">dos anos 1970 em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xprOOPOht8I"><i><span style="font-weight: 400;">ICU</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ao violão suave, e quase </span><i><span style="font-weight: 400;">country</span></i><span style="font-weight: 400;">, de </span><i><span style="font-weight: 400;">Graceland Too</span></i><span style="font-weight: 400;">. Essa mistura apazigua o caos das melodias criando um estilo particular pelo qual Bridgers é reconhecida. Porém, apesar de belo, o excesso de elementos às vezes pode incomodar. Por vezes a simplicidade de músicas como </span><i><span style="font-weight: 400;">Moon Song</span></i><span style="font-weight: 400;"> são melhor desenvolvidas do que a abundância de </span><i><span style="font-weight: 400;">Chinese Satellite</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre os pontos mais fortes do álbum está a singularidade entre pessoal e universal. As histórias desenvolvidas em cada faixa funcionam com curtas-metragem de diferentes gêneros como romance, drama e até terror, que vistos de longe ganham outro panorama. As conexões são discretas de forma a não atrapalhar as narrativas e ainda construir um todo. Quando Bridgers canta, ao fim de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gheV7FyJPZ4"><i><span style="font-weight: 400;">Halloween</span></i></a> <i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><i><span style="font-weight: 400;">Eu serei o que você quiser”</span></i><span style="font-weight: 400;"> e inicia a faixa seguinte com </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu tenho andado em círculos/Fingindo ser eu mesma”</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela traz a composição para um nível tão pessoal que é quase como se estivéssemos lendo seu diário.</span></p>
<figure id="attachment_17784" aria-describedby="caption-attachment-17784" style="width: 1800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-17784" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/4-1.jpg" alt="Imagem de Bridgers cantando. Ela está com os cabelos platinados para trás e usa um headphone. Ela está cantando em frente a um microfone e há vários aparelhos ao fundo. A imagem é em branco e preto." width="1800" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/4-1.jpg 1800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/4-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/4-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/4-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/4-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/4-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17784" class="wp-caption-text">A mistura óbvia, mas ainda assim maravilhosa, entre Bridgers e The 1975, fizeram da faixa dos britânicos &#8220;Jesus Christ 2005 God Bless America” o contraste perfeito entre drama e calmaria (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda essa construção de histórias e sonoridades abre espaço para que as melodias estejam no mesmo patamar de importância que a voz de Phoebe nas músicas &#8211; isso se não estiverem até acima?! As particularidades de sons criam uma atmosfera densa e profunda com ruídos tridimensionais e, assim, mais impactantes. Esse mergulho às profundezas sonoras de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2bOigld3D1k"><i><span style="font-weight: 400;">Punisher</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">podem ser sintetizado em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WJ9-xN6dCW4"><i><span style="font-weight: 400;">I Know The End</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A mais longa das onze faixas do álbum é também uma montanha russa de sentimentos e emoções.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Chega a ser difícil descrever a experiência, quase metafísica, de escutar esse disco e ter permissão de entrar na mente de Phoebe Bridgers. Para os fãs de ficção científica, </span><i><span style="font-weight: 400;">Punisher </span></i><span style="font-weight: 400;">seria algo próximo a </span><i><span style="font-weight: 400;">The</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Twilight Zone</span></i><span style="font-weight: 400;"> em questão de elementos, sensações e loucura organizada. Imponente, excitante e atemporal, o álbum é o tipo de obra que escutamos nos sentindo honrados de ter acesso a ela.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Punisher" width="300" height="380" allowtransparency="true" frameborder="0" allow="encrypted-media" src="https://open.spotify.com/embed/album/2xECuqnvvmVktV7UO8Dd3s?si=0gGQUmiaQ--Ep3U3rox0ww"></iframe></p>
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