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	<title>Arquivos Cinema espanhol &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A Pele que Habito abriga um interior sórdido</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Oct 2021 19:05:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gatti A busca incessante pela boa aparência é muito marcante no século XXI. Pessoas buscam procedimentos estéticos para alcançar o padrão de beleza desejado. Mas imagine ser submetido a uma série de cirurgias contra a sua vontade, como uma cobaia. Essa é a premissa do filme A Pele que Habito, dirigido por Pedro Almodóvar, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-pele-que-habito-10-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Pele que Habito abriga um interior sórdido"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23390" aria-describedby="caption-attachment-23390" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-23390" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-1-4.jpg" alt=" Cena do filme A Pele que Habito apresenta uma mulher branca, careca, usando uma máscara branca de recuperação após fazer uma cirurgia plástica e um casaco preto. Suas mãos estão no rosto, o que transmite a sensação dela estar impressionada. Mais à esquerda da foto há um homem branco, de cabelos curtos e grisalhos, vestindo uma camiseta preta. O fundo da imagem exibe uma parede acinzentada com um círculo de vidro." width="1000" height="562" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-1-4.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-1-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-1-4-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23390" class="wp-caption-text">Romance, drama e terror se fundem na mesa de cirurgia de A Pele que Habito, que completa 10 anos dia 6 de outubro (Foto: El Deseo)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Gatti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A busca incessante pela boa aparência é muito marcante no século XXI. Pessoas buscam </span><a href="http://www.revistaferidas.com.br/brasil-e-o-pais-que-mais-realiza-cirurgias-plasticas-no-mundo/"><span style="font-weight: 400;">procedimentos estéticos</span></a><span style="font-weight: 400;"> para alcançar o padrão de beleza desejado. Mas imagine ser submetido a uma série de cirurgias contra a sua vontade, como uma cobaia. Essa é a premissa do filme </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pele que Habito</span></i><span style="font-weight: 400;">, dirigido por Pedro Almodóvar, uma lenda do Cinema Espanhol. O longa, inspirado no livro </span><a href="https://www.threemonkeysonline.com/tarantula-by-thierry-jonquet/"><i><span style="font-weight: 400;">Tarântula</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Thierry Jonquet, se desenvolve como um </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller </span></i><span style="font-weight: 400;">angustiante, cuja peça central da trama é a vingança.</span></p>
<p><span id="more-23385"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como protagonista deste jogo temos Robert Ledgard (</span><span style="font-weight: 400;">Antonio Banderas)</span><span style="font-weight: 400;">, um cirurgião plástico muito talentoso que estuda com afinco o desenvolvimento de uma nova pele resistente à dor ao fundir DNA humano com suíno. E como cobaia desse experimento está Vera (</span><span style="font-weight: 400;">Elena Anaya)</span><span style="font-weight: 400;">, que vive aprisionada pelo médico em um quarto repleto de câmeras, como forma do cientista </span><a href="https://www.otempo.com.br/interessa/voyeurismo-o-prazer-de-olhar-o-outro-e-cada-vez-menos-um-tabu-1.2452080"><span style="font-weight: 400;">assistir o comportamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> da sua paciente/vítima. Outra moradora da casa é Marília (</span><span style="font-weight: 400;">Marisa Paredes)</span><span style="font-weight: 400;">, mãe de Robert, que exerce a função de governanta.</span></p>
<figure id="attachment_23391" aria-describedby="caption-attachment-23391" style="width: 738px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-23391" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-2-5.jpg" alt="Cena do filme A Pele que Habito exibe um homem branco, de cabelos curtos e castanhos, vestindo uma roupa preta, sentado em um divã e olhando para uma TV, que transmite uma imagem de câmera de segurança com uma mulher branca, de cabelos curtos e castanhos, vestindo uma roupa bege, deitada em uma cama, lendo um livro." width="738" height="415" /><figcaption id="caption-attachment-23391" class="wp-caption-text">Robert e Vera vivem um romance ardente, mas frágil como um castelo de cartas (Foto: El Deseo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama se inicia morna, ao passo que a relação entre esses personagens é aparentemente agradável para todos, o médico testa seus experimentos, a paciente não apresenta ímpeto rebelde, chegando a ser submissa, e a governanta cuida da casa sem grandes preocupações. No entanto, no decorrer da convivência em prisão domiciliar, Robert e Vera desenvolvem um relacionamento amoroso. A aproximação de ambos gera um incômodo para Marília, que modifica sua postura amistosa.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Skin I Live In</span></i><span style="font-weight: 400;"> segue seu desenrolar em ordem cronológica até se adentrar pelos sonhos de Robert e Vera. O </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2020/04/23/segredos-do-cinema-plot-twist/"><i><span style="font-weight: 400;">plot twist</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> traz outro rumo para o filme com cenas marcadas por </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;">, que exibem o passado do médico, em que sua esposa e filha (</span><span style="font-weight: 400;">Blanca Suárez</span><span style="font-weight: 400;">) ainda eram vivas, e também apresentam um outro personagem, Vicente (Jan Cornet), revelando uma suposta relação sexual do jovem com a filha do cientista, que este interpretou como estupro. Desse modo, o </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> assume um tom macabro com a vingança nefasta do cirurgião e com mudanças nas atitudes dos protagonistas.</span></p>
<figure id="attachment_23389" aria-describedby="caption-attachment-23389" style="width: 982px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-23389" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-3-3.jpg" alt="Cena do filme A Pele que Habito mostra um homem branco de cabelos curtos e castanhos e uma mulher branca, de cabelos curtos e castanhos, abraçados em uma cama. Ambos estão nus e cobertos com um lençol azul marinho." width="982" height="552" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-3-3.jpg 982w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-3-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-3-3-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23389" class="wp-caption-text">Enquanto não estava na mesa de cirurgia, Robert Ledgard espionava sua cobaia pelas câmeras como passatempo (Foto: El Deseo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa trama escabrosa é marcada, a cada segundo, por um terror psicológico diferente dos outros </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-bruxa-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">filmes do gênero</span></a><span style="font-weight: 400;">. O escritor de literatura policial e política, </span><a href="https://www.reseau-canope.fr/savoirscdi/societe-de-linformation/le-monde-du-livre-et-de-la-presse/auteurs-et-illustrateurs/realite-et-fiction-interview-de-thierry-jonquet.html"><span style="font-weight: 400;">Thierry Jonquet</span></a><span style="font-weight: 400;">, desenvolve sua narrativa em </span><i><span style="font-weight: 400;">Tarântula </span></i><span style="font-weight: 400;">com mais sexo e violência, e o horror muito mais explícito do que na película de Almodóvar. Além disso, há algumas diferenças na história, como, por exemplo, a residência do eminente Richard Lafargue é um castelo e sua relação com sua esposa e cobaia, Eve, é muito mais brutal do que na retratada no longa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As duas produções ainda se encontram com </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-42537245"><i><span style="font-weight: 400;">Frankenstein</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O ponto central do filme é um cientista focado em uma criação mirabolante, tal qual o clássico de </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2018/03/criadora-e-criatura-o-poder-de-mary-shelley-e-seu-frankenstein.html"><span style="font-weight: 400;">Mary Shelley</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nas obras contemporâneas, a encarnação do monstro se deu por meio de uma cobaia humana aprisionada para a realização dos experimentos malucos de Richard Lafargue. Além disso, diferentemente do cientista do clássico da literatura, em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pele que Habito</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Tarântula</span></i><span style="font-weight: 400;">, o médico se apaixona por sua criação, porém esta o abomina. Mas, apesar dessas semelhanças, o longa de Almodóvar reflete a personalidade do diretor em cada tomada de câmera.</span></p>
<figure id="attachment_23388" aria-describedby="caption-attachment-23388" style="width: 978px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23388" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-4-3.jpg" alt="Cena do filme A Pele que Habito em que há um homem branco de cabelos curtos e castanhos de perfil, vestindo um jaleco de cirurgia. Ao fundo está uma porta de sala cirúrgica, em que se pode ver pelo vidro a imagem borrada de alguém deitado na maca." width="978" height="550" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-4-3.jpg 978w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-4-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-4-3-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23388" class="wp-caption-text">Robert Ledgard foi criado com muitas inspirações, mas, no fim, a personalidade de Almodóvar fala mais alto na caracterização do cientista maluco (Foto: El Deseo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O cineasta espanhol construiu sua carreira com um estilo singular em suas produções. </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2020/09/pedro-almodovar-historia-do-cineasta-ilustrada.html"><span style="font-weight: 400;">Pedro Almodóvar</span></a><span style="font-weight: 400;"> costuma construir suas narrativas exaltando a </span><a href="https://www.revistabula.com/36569-a-mulher-segundo-almodovar/"><span style="font-weight: 400;">força feminina</span></a><span style="font-weight: 400;"> com mulheres de personalidade forte como protagonista, o tabu da sexualidade é tratado abertamente e as paixões e os dramas são intensos e profundos. Todas essas marcas do diretor estão explícitas na trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pele que Habito, </span></i><span style="font-weight: 400;">que, no entanto, deixou de lado uma das principais características do diretor: as cores vibrantes. Filmes marcantes, como </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-ata-me/"><i><span style="font-weight: 400;">Ata-me!</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-tudo-sobre-minha-mae/"><i><span style="font-weight: 400;">Tudo sobre Minha Mãe</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-ma-educacao/"><i><span style="font-weight: 400;">Má Educação</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, chamam a atenção para a coloração do cenário que destaca, acima de tudo, o vermelho. Porém, a escolha de um ambiente decorado com tons sóbrios com uma estética futurista foi extremamente assertiva para a criação do clima de um </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> psicológico.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essas características tornam </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pele que Habito</span></i><span style="font-weight: 400;"> um filme perturbador, no bom sentido. Antes mesmo da trama se adentrar pelos </span><a href="https://vounoflash.com.br/2021/01/12/o-que-e-o-flashback/"><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e expor a podridão dos personagens, o terror e a violência já estavam presentes nas pequenas sutilezas, como, por exemplo, o gestual dos atores para pegar uma lâmina. Desse modo, o longa transborda um horror angustiante e inovador para uma premissa que, aparentemente, aborda o clichê de cientista maluco. </span></p>
<figure id="attachment_23387" aria-describedby="caption-attachment-23387" style="width: 1907px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23387" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-5-1.jpg" alt="Cena do filme A Pele que Habito mostra uma mulher branca, careca, usando uma máscara branca de recuperação após fazer uma cirurgia plástica e um casaco preto ao centro de uma sala, com móveis modernistas." width="1907" height="1073" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-5-1.jpg 1907w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-5-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-5-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-5-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-5-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-5-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23387" class="wp-caption-text">Tal qual Kubrick em Laranja Mecânica, Almodóvar utiliza da estética clean para trazer a sensação de incômodo (Foto: El Deseo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Desse modo, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pele que Habito</span></i><span style="font-weight: 400;"> fez com que Almodóvar levasse mais alguns prêmios para sua coleção. O cineasta, que nunca chegou a estudar Cinema, é um dos diretores mais premiados da história, e com seu </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> não foi diferente. O longa participou de diversas premiações e festivais pelo mundo, como o Festival de Cannes, levando o prêmio </span><a href="http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2011/11/estreia-a-pele-que-habito-um-almodovar-com-obsessao-e-ciencia.html"><span style="font-weight: 400;">Palma de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;">; o Globo de Ouro, sendo nomeado como Melhor Filme Estrangeiro; e o Prêmio </span><i><span style="font-weight: 400;">Goya</span></i><span style="font-weight: 400;">, no qual a película foi indicada para diversas categorias e ganhou como Melhor Atriz, Maquiagem, Ator Revelação e Melhor Trilha Sonora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todos os prêmios só reforçam a magnitude do filme de Almodóvar. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pele que Habito </span></i><span style="font-weight: 400;">permeia os gêneros do drama, do romance e do terror, mostrando a versatilidade do diretor para a construção de uma obra complexa. Esse fato faz com que a película desenvolva uma narrativa eletrizante sem a ação presente nos </span><a href="https://incrivel.club/criatividade-arte/20-cliches-mas-trillados-de-las-peliculas-de-hollywood-347660/"><span style="font-weight: 400;">clichês </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodianos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A conclusão da obra, marcada pela incógnita, serve como ponto de exclamação para afirmar que Pedro Almodóvar é um dos maiores diretores da história do Cinema.</span></p>
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		<title>Os 45 anos de Cría Cuervos perpetuam uma narrativa melancólica, psicológica e política</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Aug 2021 19:00:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gatti O corvo é uma ave comumente apresentada como algo negativo. Na Espanha, por exemplo, a frase “cría cuervos y te sacarán los ojos”, utilizada para designar ingratidão, é muito conhecida. Nesse raciocínio, o diretor Carlos Saura faz alusão ao dito popular em Cría Cuervos, que conta a história de três irmãs criadas pela &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cria-cuervos-45-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os 45 anos de Cría Cuervos perpetuam uma narrativa melancólica, psicológica e política"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22323" aria-describedby="caption-attachment-22323" style="width: 630px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22323" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-4.jpg" alt="A imagem apresenta Ana Torrent, uma criança branca, de cabelos castanhos, lisos e curtos, usando um casaco vermelho. Um pouco atrás, mais para a esquerda da foto está Geraldine Chaplin, uma mulher branca, de cabelos castanhos, lisos, na altura dos ombros, que usa uma vestimenta verde. A expressão de ambas é neutra e o fundo exibe uma parede cinza." width="630" height="378" /><figcaption id="caption-attachment-22323" class="wp-caption-text">Carlos Saura mistura o passado e o presente da personagem Ana em Cría Cuervos (Foto: Elías Querejeta Producciones Cinematográficas S.L.)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Gatti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O corvo é uma ave comumente apresentada como algo </span><a href="https://meusanimais.com.br/o-corvo-na-cultura-popular/"><span style="font-weight: 400;">negativo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Na Espanha, por exemplo, a frase “</span><a href="https://www.imer.mx/tropicalisima/cria-cuervos-y-te-sacaran-los-ojos/"><i><span style="font-weight: 400;">cría cuervos y te sacarán los ojos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, utilizada para designar ingratidão, é muito conhecida. Nesse raciocínio, o diretor Carlos Saura faz alusão ao dito popular em </span><i><span style="font-weight: 400;">Cría Cuervos</span></i><span style="font-weight: 400;">, que conta a história de três irmãs criadas pela tia após o falecimento dos pais. O longa, de 1976, foi lançado no período da redemocratização espanhola, após 36 anos sob domínio da Ditadura Franquista. Esse contexto histórico serviu de inspiração para Saura na produção do filme. </span></p>
<p><span id="more-22322"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa, que se constrói de forma não-linear, narra a vida de Irene (Conchita Pérez), Ana (Ana Torrent) e Maite (Mayte Sanchez), que passam a ser criadas pela tia Paulina (Mónica Randall) após o falecimento do pai (Héctor Alterio). A trama se alterna entre o presente com </span><a href="https://vounoflash.com.br/2021/01/12/o-que-e-o-flashback/"><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de quando a mãe (Geraldine Chaplin) ainda estava viva e depoimentos de Ana (Geraldine Chaplin) já adulta refletindo sobre sua infância triste.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ambiente familiar de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cría Cuervos </span></i><span style="font-weight: 400;">também era habitado por outras duas pessoas. A avó (Josefina Diaz), é uma idosa com a saúde debilitada e muda, que passa seus dias contemplando com nostalgia suas fotos, de um passado feliz e próspero. A outra moradora é Rosa (Florinda Chico), empregada da casa, à quem Ana recorre para sanar suas dúvidas sobre a vida de sua mãe.</span></p>
<figure id="attachment_22324" aria-describedby="caption-attachment-22324" style="width: 713px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22324" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-2-4.jpg" alt="Cena do filme Cría Cuervos em que a família está sentada à mesa se alimentando. A tia Paulina, que é uma mulher branca, de cabelos castanhos claros e curtos, aparece usando uma camisa rosa claro, sentada de costas para a imagem. Irene, a irmã mais velha, que é branca, de cabelos castanhos, lisos, na altura dos ombros, aparece comendo no fundo da foto. Rosa, uma mulher branca de cabelos castanhos claros e curtos, que usa um vestido rosa florido e um avental branco, serve água à Maite, a irmã mais nova, que é branca de cabelos castanhos e curtos. No canto bem a direita está Ana, branca, de cabelos castanhos, lisos e curtos. No centro está a mesa, repleta de taças e pratos com comida e no fundo há um abajur, uma cortina e uma lâmpada fixada na parede." width="713" height="428" /><figcaption id="caption-attachment-22324" class="wp-caption-text">A primeira vista, Cría Cuervos se apresenta apenas como uma narrativa psicológica sobre uma família ceifada pela morte dos pais (Foto: Elías Querejeta Producciones Cinematográficas S.L.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas cenas de </span><i><span style="font-weight: 400;">flashback</span></i><span style="font-weight: 400;">, é possível perceber a angústia que a mãe vivia dentro do matrimônio. O pai, por sua vez, é um militar que trai sua esposa até mesmo dentro de casa. O falecimento prematuro da mãe, com quem Ana tinha uma relação estreita, fez com que a criança passasse a desenvolver uma fascinação pela morte. Tudo se complica no momento em que as três irmãs passam para a tutela da tia Paulina, por quem a filha do meio possui grande desconfiança e ingratidão. As ordens da nova tutora transformam o ambiente familiar em uma convivência intragável, pela qual Ana relembra na vida adulta como a </span><a href="https://epocanegocios.globo.com/Vida/noticia/2017/09/estudo-mostra-qual-e-fase-mais-triste-da-vida.html"><span style="font-weight: 400;">fase mais triste</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cría Cuervos</span></i><span style="font-weight: 400;"> se mostra ainda mais complexa no momento em que a narrativa se divide em duas interpretações da obra. A primeira e mais óbvia é a psicológica. O filme se desenvolve com uma história que analisa os efeitos psicológicos da </span><a href="https://bebe.abril.com.br/familia/luto-infantil-como-falar-sobre-morte-com-criancas-pequenas/"><span style="font-weight: 400;">morte</span></a><span style="font-weight: 400;"> na vida de uma criança. A mãe sofre com os rumos do seu casamento, se mostrando sentimental e triste. O pai, por sua vez, é insensível, grosseiro e se importa apenas consigo mesmo. O desenrolar mostra a tentativa de adaptação das irmãs à nova realidade, focando no lado emocional e desmistificando a infância como a fase mais feliz da vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, ao considerar os aspectos políticos e históricos, o longa apresenta sua segunda narrativa, mais profunda e complexa. Desse modo, todos os personagens seriam alegorias representando grupos da história espanhola no crepúsculo da </span><a href="https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/francisco-franco.htm"><span style="font-weight: 400;">Ditadura Franquista</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seguindo esse raciocínio, Ana seria a própria Espanha, que olha para o seu passado triste em que foi submetida ao governo de Francisco Franco. Agora adulta, ela compreende sua trajetória e pode seguir sua vida, porém as cicatrizes de seu passado serão permanentes. A mãe, por sua vez, representa o povo espanhol, o pai, o governo ditatorial, e a tia, a elite interesseira que ameniza os erros cometidos pelo gestor tirano. A avó emudecida é a população madura, que lembra do passado rico e silencia com a opressão do presente.</span></p>
<figure id="attachment_22325" aria-describedby="caption-attachment-22325" style="width: 1793px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22325" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-4.jpg" alt="Cena do filme Cría Cuervos exibe Ana, uma criança branca, de cabelos castanhos, lisos e curtos, empurrando sua avó, uma idosa branca, de cabelos curtos grisalhos, na cadeira de rodas. Elas estão em um jardim repleto de árvores, em que há uma piscina vazia e embolorada." width="1793" height="1076" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-4.jpg 1793w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-4-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-4-1024x615.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-4-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-4-1536x922.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-4-1200x720.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22325" class="wp-caption-text">O silêncio da avó debilitada diz muito (Foto: Elías Querejeta Producciones Cinematográficas S.L.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para desenvolver essa narrativa rica com interpretações dualistas, Saura utiliza diversos recursos audiovisuais. Nos monólogos, em que Ana já adulta discorre sobre seu passado, ocorre a </span><a href="https://www.spescoladeteatro.org.br/noticia/o-que-e-quarta-parede"><span style="font-weight: 400;">quebra da quarta parede</span></a><span style="font-weight: 400;">. Além disso, os </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> presentes em toda a narrativa permitem ao telespectador um vislumbre das memórias da criança, demonstrando que alguns fatos de seu passado estão falhos na sua mente. Esses efeitos de montagem não-linear, realizados brilhantemente por Pablo del Amo, que embaralham a percepção, favorecem a dramaticidade da trama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre essas idas e voltas no tempo, o que chama atenção é a trilha sonora do filme. Em diversos momentos da vida de Ana, a canção </span><a href="https://youtu.be/TjUhXbGdLYo"><i><span style="font-weight: 400;">Porque te vas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://joseluisperales.net/"><span style="font-weight: 400;">José Luis Perales</span></a><span style="font-weight: 400;"> interpretada por </span><a href="https://www.mgtradio.net/artista/jeanette"><span style="font-weight: 400;">Jeanette</span></a><span style="font-weight: 400;">, é repetida incansavelmente. A melodia chiclete servia como um refúgio para a triste infância da criança, que ouvia a música enquanto brincava com suas irmãs.</span></p>
<figure id="attachment_22326" aria-describedby="caption-attachment-22326" style="width: 998px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22326" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-4-3.jpg" alt="Cena do filme Cría Cuervos em que Maite, uma criança branca, de cabelos castanhos, lisos e curtos, se inclina para beijar o cadáver do pai, que é branco e careca. O homem está deitado em um caixão." width="998" height="599" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-4-3.jpg 998w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-4-3-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-4-3-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22326" class="wp-caption-text">De um ímpeto, Ana se recusa a beijar o corpo do pai falecido (Foto: Elías Querejeta Producciones Cinematográficas S.L.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um longa bem elaborado assim, só poderia ser assinado por um diretor experiente, assim como Carlos Saura. O cineasta acumulou admiradores ao longo de sua carreira, como </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/stanley-kubrick-o-cineasta-das-obras-primas/"><span style="font-weight: 400;">Stanley Kubrick</span></a><span style="font-weight: 400;">, grande apreciador dos filmes </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-peppermint-frappe/"><i><span style="font-weight: 400;">Peppermint Frappé</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="http://cms.hojeemdia.com.br/preview/www/2.917/2.918/1.494513"><i><span style="font-weight: 400;">Bodas de Sangue</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Além disso, como veterano na indústria do Cinema, Saura ganhou diversos prêmios, como o </span><a href="https://www.berlinale.de/en/home.html"><span style="font-weight: 400;">Urso de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nOu1MuxC_Pc&amp;t=5s"><span style="font-weight: 400;">Prémio Goya de Melhor Realizador</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas </span><i><span style="font-weight: 400;">Cría Cuervos</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi o grande feito em sua carreira. O filme foi indicado ao </span><a href="https://agora.folha.uol.com.br/sao-paulo/2021/04/conheca-a-historia-do-oscar-de-melhor-filme-estrangeiro.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme Estrangeiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, ao </span><a href="https://www.bfi.org.uk/"><i><span style="font-weight: 400;">London Film Festival</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e ganhou o </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2019/05/25/como-o-juri-do-festival-de-cannes-escolhe-seus-vencedores.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Grande Prêmio do Júri no Festival de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cannes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dentre outros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da direção exitosa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cría Cuervos</span></i><span style="font-weight: 400;"> é formado por um grande elenco. </span><span style="font-weight: 400;">A interpretação de </span><a href="https://www.alohacriticon.com/cine/actores-y-directores/ana-torrent/"><span style="font-weight: 400;">Ana Torrent</span></a><span style="font-weight: 400;"> guia os telespectadores pela mente conturbada da protagonista Ana enquanto criança</span><span style="font-weight: 400;">. A atriz já havia brilhado no longa </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-o-espirito-da-colmeia/"><i><span style="font-weight: 400;">O Espírito da Colmeia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que conta a história de duas irmãs que, após assistirem ao filme </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-frankenstein-1931/"><i><span style="font-weight: 400;">Frankenstein</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ficam obcecadas pelo monstro. Outro destaque de atuação vai para </span><a href="https://cinemaclassico.com/biografias/biografia-de-geraldine-chaplin/"><span style="font-weight: 400;">Geraldine Chaplin</span></a><span style="font-weight: 400;">, filha do renomado </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/relembre-trajetoria-de-charlie-chaplin-maior-ator-do-cinema-mudo/"><span style="font-weight: 400;">Charlie Chaplin</span></a><span style="font-weight: 400;">, que interpretou Ana adulta e a mãe. Sua interpretação reflete a angústia das personagens, principalmente no caso da filha, que depois de crescida  relembra sua infância melancólica.</span></p>
<figure id="attachment_22327" aria-describedby="caption-attachment-22327" style="width: 998px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22327" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-5.jpg" alt="Cena do filme Cría Cuervos que mostra Ana, Maite e Irene ouvindo os conselhos da Tia Paulina. O fundo da imagem é o quarto das meninas." width="998" height="599" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-5.jpg 998w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-5-800x480.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-5-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22327" class="wp-caption-text">Sob punhos de ferro, tia Paulina dá continuidade a educação autoritária das irmãs (Foto: Elías Querejeta Producciones Cinematográficas S.L.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda essa construção permitiu com que Saura, através de uma narrativa pouco convencional, construísse uma metáfora da Ditadura Franquista como uma infância triste. A temática do governo tirano também foi abordada pelo diretor em </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-ana-e-os-lobos/"><i><span style="font-weight: 400;">Ana e os Lobos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-mamae-faz-100-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Mamãe faz Cem Anos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que, juntos com </span><i><span style="font-weight: 400;">Cría Cuervos</span></i><span style="font-weight: 400;">, formam uma trilogia sobre as relações familiares ceifadas pelo autoritarismo de Francisco Franco. Entre analogias e simbolismos, Carlos Saura construiu um filme emblemático e único com uma história contada sob o ponto de vista de uma criança.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/cria-cuervos-45-anos/">Os 45 anos de Cría Cuervos perpetuam uma narrativa melancólica, psicológica e política</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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