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	<title>Arquivos Cheiro de Diesel &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Cheiro de Diesel demonstra que a ordem também produz violênci</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Apr 2026 22:26:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Arthur Caires Cheiro de Diesel parte de um modelo que, à primeira vista, poderia se limitar ao registro: organizar depoimentos, contextualizar a Garantia da Lei e da Ordem (GLO) e reconstituir um período recente da história do Rio de Janeiro. No entanto, o filme rapidamente desloca esse eixo. As operações funcionam como plano de fundo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cheiro-de-diesel-demonstra-que-a-ordem-tambem-produz-violenci/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Cheiro de Diesel demonstra que a ordem também produz violênci"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37194" aria-describedby="caption-attachment-37194" style="width: 748px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-37194" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image1-2.png" alt="Fotografia noturna de uma rua estreita em uma favela, decorada com bandeirolas que cruzam o alto da via. No centro, um jipe militar escuro com soldados armados avança em direção à câmera. À esquerda, moradores, incluindo crianças e adultos, estão sentados em mesas de plástico ou em pé na calçada, observando a passagem do veículo sob uma iluminação amarelada e densa." width="748" height="418" /><figcaption id="caption-attachment-37194" class="wp-caption-text">O contraste entre o cotidiano da favela e a maquinaria de guerra (Descoloniza Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Arthur Caires</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Cheiro de Diesel </span></i><span style="font-weight: 400;">parte de um modelo que, à primeira vista, poderia se limitar ao registro: organizar depoimentos, contextualizar a </span><a href="https://www.gov.br/defesa/pt-br/assuntos/exercicios-e-operacoes/garantia-da-lei-e-da-ordem"><span style="font-weight: 400;">Garantia da Lei e da Ordem</span></a><span style="font-weight: 400;"> (GLO) e reconstituir um período recente da história do Rio de Janeiro. No entanto, o filme rapidamente desloca esse eixo. As operações funcionam como plano de fundo para um objetivo maior: tensionar a própria ideia de ‘ordem’ que as sustenta. Ao devolver a palavra aos moradores, o documentário desmonta a narrativa oficial que legitima a presença militar como solução, revelando-a como parte de uma violência já estrutural.</span></p>
<p><span id="more-37193"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em diferentes momentos, o filme enquadra a presença das </span><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/brasil/glo-no-rio-entenda-quando-as-forcas-armadas-podem-atuar-na-seguranca-publica/"><span style="font-weight: 400;">Forças Armadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> em contraste direto com a rotina das comunidades: tanques ocupando ruas estreitas, soldados armados circulando entre casas, enquanto, ao fundo, crianças seguem brincando e moradores atravessam esses mesmos espaços. Não há construção de clímax nessas cenas – elas se apresentam quase como parte do cotidiano. É nesse convívio forçado que se explicita a extensão de uma lógica que transforma territórios em zonas de controle. O que poderia ser lido como estratégia de segurança se revela, nos relatos, como um estado de vigilância constante. O filme encontra força nesse atrito, sem precisar sublinhá-lo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo diante de relatos mais duros – como o da chamada ‘</span><a href="https://blog.unoeste.br/sala-vermelha-do-hospital/"><span style="font-weight: 400;">sala vermelha</span></a><span style="font-weight: 400;">’ – não há uma tentativa de intensificar o choque por meio da forma. O que se impõe é o oposto: uma condução que segura o excesso e deixa que as falas se sustentem por si. Isso desloca o impacto para outro lugar mais incômodo, porque não oferece ao espectador o alívio de um tratamento dramático evidente. É aí que o filme mais desestabiliza: ao não transformar esses episódios em clímax, ele sugere que o problema não está apenas nos casos extremos, mas na lógica que os torna possíveis – e, sobretudo, repetíveis.</span></p>
<figure id="attachment_37195" aria-describedby="caption-attachment-37195" style="width: 745px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-37195" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image2-3.png" alt="Uma mulher de cabelos cacheados e óculos segura um grande cartaz amarelo em primeiro plano. No cartaz, está escrito em letras garrafais: &quot;GLO GARANTIA DA LEI E DA ORDEM PRA QUEM?&quot;. Ao fundo, em uma área urbana aberta durante a noite, soldados fardados portando fuzis e um veículo blindado (tanque) compõem o cenário de vigilância." width="745" height="421" /><figcaption id="caption-attachment-37195" class="wp-caption-text">O documentário tensiona a narrativa oficial ao dar voz àqueles que são o alvo direto da ocupação (Descoloniza Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na direção, o encontro entre Gizele Martins e Natasha Neri estrutura o filme de forma decisiva. Gizele, nascida e criada na Maré, jornalista comunitária e pesquisadora da militarização das favelas, acompanha esse processo como alguém diretamente atravessada por ele – condição que aparece na forma como conduz os depoimentos e na escolha do que permanece em cena. Já Natasha Neri traz um percurso consolidado no documentário de denúncia, especialmente em </span><a href="https://www.autoderesistencia.com.br/"><span style="font-weight: 400;">Auto de Resistência</span></a><span style="font-weight: 400;">, e uma formação ligada aos direitos humanos e à justiça criminal, o que se reflete na organização do material e na construção do discurso.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Cheiro de Diesel</span></i><span style="font-weight: 400;"> não se apresenta como um registro de algo encerrado no tempo das ocupações. Há um deslocamento constante entre o que foi vivido e </span><a href="https://www.redesdamare.org.br/"><span style="font-weight: 400;">o que ainda permanece</span></a><span style="font-weight: 400;">, como se os relatos recusassem a ideia de passado. Em vez de um recorte fechado, o que se delineia é uma continuidade – práticas que mudam de forma, mas não de lógica. As imagens e as falas são indícios de algo que segue operando, ainda que sob outros nomes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final, não há tentativa de organizar esse material em uma conclusão estável. O filme evita amarrar sentidos ou oferecer algum tipo de resolução, sustentando uma sensação de impasse que atravessa tudo o que foi exposto. Fica menos a ideia de resposta e mais a permanência de um conflito: entre o que se diz institucionalmente e o que é vivido no cotidiano, entre a promessa de proteção e a experiência concreta de violência. É nesse descompasso que o documentário se mantém, sem resolver a tensão, mas também sem permitir que ela seja ignorada.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="CHEIRO DE DIESEL | Trailer Oficial - 02 de abril nos cinemas" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/r8pi_-gqFFg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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