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	<title>Arquivos Charlize Theron &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Doutor Estranho no Multiverso da Loucura se revela um filme de terror que deu errado</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Jul 2022 16:19:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabrielli Natividade da Silva  Depois de Stephen Strange (Benedict Cumberbatch) ter apagado a memória da existência de Peter Parker (Tom Holland), em Homem-Aranha: Sem Volta para Casa, e Wanda Maximoff (Elizabeth Olsen) ter libertado a cidade de Westview de sua manipulação, em WandaVision, ambos se encontraram para uma batalha intensa que atravessou universos. Em maio &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/doutor-estranho-no-multiverso-da-loucura-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Doutor Estranho no Multiverso da Loucura se revela um filme de terror que deu errado"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28145" aria-describedby="caption-attachment-28145" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-28145 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-1.png" alt="Cena de Doutor Estranho no Multiverso da Loucura. No centro da imagem está Doutor Estranho, um homem branco na faixa dos 40 anos, com cabelos castanhos penteados em um topete e um cavanhaque também castanho. Ele está em pé, com a perna esquerda à frente da direita e os braços levantados na altura do peito, com as palmas das mão viradas para cima. Veste seu traje de super herói - botas marrons, calça e blusa com mangas longas azuis e capa vermelha. Ao redor de si estão luzes redondas vermelhas e fumaça preta. Ao fundo são vistas duas janelas, uma redonda atrás do doutor e outra retangular no canto esquerdo da imagem. Também são vistas muitas velas ao redor do personagem. " width="1400" height="788" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-1.png 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-1-1200x675.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28145" class="wp-caption-text">A nova produção faz com que a Marvel mergulhasse de cabeça em sua era das trevas (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><b>Gabrielli Natividade da Silva </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de Stephen Strange (Benedict Cumberbatch) ter apagado a memória da existência de Peter Parker (Tom Holland), em </span><a href="https://personaunesp.com.br/homem-aranha-sem-volta-para-casa-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha: Sem Volta para Casa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e Wanda Maximoff (Elizabeth Olsen) ter libertado a cidade de Westview de sua manipulação, em </span><a href="https://personaunesp.com.br/wandavision-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">WandaVision</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ambos se encontraram para uma batalha intensa que atravessou universos. Em maio de 2022, foi lançado </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/filmes/diretor-revela-morte-horrivel-que-foi-cortada-de-doutor-estranho-2"><i><span style="font-weight: 400;">Doutor Estranho no Multiverso da Loucura</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um filme com muita ação e adrenalina, como é de se esperar de uma produção </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;">. A obra, porém,  deixa a desejar, quebrando as expectativas de fãs que estavam ansiosos por esse momento. </span></p>
<p><span id="more-28144"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por dar continuidade ao filme e à série que dominaram o público no ano passado, o longa carrega muita responsabilidade e, por todo o </span><i><span style="font-weight: 400;">hype</span></i><span style="font-weight: 400;"> criado, não foi difícil arrecadar uma </span><a href="https://ovicio.com.br/doutor-estranho-2-se-aproxima-de-us-950-milhoes-em-bilheteria/"><span style="font-weight: 400;">boa bilheteria</span></a><span style="font-weight: 400;"> até agora. No entanto, a nova produção não acompanha o ritmo de suas antecessoras. Enquanto os diretores Jon Watts e Matt Shakman foram capazes de mesclar muito bem a ação necessária a uma história de super-heróis e o desenvolvimento interno de seus protagonistas, o mesmo não pode ser dito sobre </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/lista/sam-raimi-filmes.html#list-item-7"><span style="font-weight: 400;">Sam Raimi</span></a><span style="font-weight: 400;">. O cineasta escolheu investir tanto em um visual interessante, </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/filmes/terror-ou-aventura-astro-de-doutor-estranho-2-esclarece-o-tom-mais-sombrio-do-filme"><span style="font-weight: 400;">sombrio</span></a><span style="font-weight: 400;"> e impressionante ao espectador, que quase não sobrou espaço para os personagens serem apreciados, e suas mudanças de tom acabaram se apresentando de forma rasa e apressada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Raimi dirigiu a primeira trilogia do </span><a href="https://personaunesp.com.br/homem-aranha-20-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e também ficou conhecido por trabalhar em filmes de terror, como </span><i><span style="font-weight: 400;">O Dom da Premonição</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://youtu.be/Cd8NNcd4Oeo"><i><span style="font-weight: 400;">Arraste-me para o Inferno</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Uma Noite Alucinante</span></i><span style="font-weight: 400;">. Toda a bagagem no horror pode ser percebida nas sequências de </span><i><span style="font-weight: 400;">Doutor Estranho</span></i><span style="font-weight: 400;">, desde a Feiticeira Escarlate se mostrando uma bruxa quase satânica, até Strange ressuscitando uma variante sua dos mortos e lutando com demônios. Esse apoio no gênero ajuda na aplicação de um tom mais macabro, mas não é realmente necessário e se desloca do perfil da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;">, sempre eletrizante e contagiante, sem deixar os momentos sérios de lado. O </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/listas/2019/10/te-enganaram-10-coisas-do-mcu-que-sao-de-cgi-e-voce-nao-sabia"><i><span style="font-weight: 400;">CGI</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (imagens geradas por computador) também deixou a desejar, o que é um tanto incomum para o </span><i><span style="font-weight: 400;">MCU</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; </span><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha: Sem Volta para Casa</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, chegou a ser indicado ao </span><a href="https://www.opovo.com.br/vidaearte/2022/02/08/marvel-no-oscar-veja-filmes-e-artistas-do-mcu-indicados-ao-premio.html"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhores Efeitos Visuais. O longa de 2022 apresentou erros grotescos e amadores, que dificilmente serão esquecidos, com o principal deles sendo o </span><a href="https://legadodamarvel.com.br/doutor-estranho-2-saiba-quais-sao-os-poderes-do-terceiro-olho/"><span style="font-weight: 400;">terceiro olho</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Strange, sem esforço nenhum para parecer real. </span></p>
<figure id="attachment_28146" aria-describedby="caption-attachment-28146" style="width: 1210px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-28146 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-2-1.png" alt="Cena de Doutor Estranho no Multiverso da Loucura. No centro da imagem está Wong, um homem com traços asiáticos, bigode e cabelos castanhos; ele está com uma expressão séria e veste uma túnica em tons de roxo e preto.O fundo da imagem é escuro e desfocado, é possível ver fumaça e algumas luzes amareladas. " width="1210" height="544" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-2-1.png 1210w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-2-1-800x360.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-2-1-1024x460.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-2-1-768x345.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-2-1-1200x540.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28146" class="wp-caption-text">Apesar de ser o Mago Supremo, Wong volta às telas novamente sem o destaque que merece (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez o ponto mais empolgante de todo o roteiro escrito por Michael Waldron seja a inserção da personagem </span><a href="https://www.omelete.com.br/marvel-comics/america-chavez-quem-e"><span style="font-weight: 400;">America Chavez</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Xochitl Gomez) no universo </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;">. Contudo, seu potencial não foi explorado como era esperado. A garota, vinda do Paralelo Utópico, tem o poder de se teletransportar por universos paralelos. Porém, ter sido separada de suas mães causou um trauma tão grande que ela se sente incapaz de controlar seu dom. </span><i><span style="font-weight: 400;">Doutor Estranho no Multiverso da Loucura </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma pequena jornada de descoberta para ela, mas, novamente, o ritmo é tão frenético que America só demonstrou algum controle aos quarenta e cinco do segundo tempo, e sua presença foi ofuscada pelo embate entre a Feiticeira Escarlate e o Doutor Estranho. Só nos resta esperar Chavez retornar em uma </span><a href="https://legadodamarvel.com.br/marvel-confirma-projeto-solo-da-america-chavez-apos-doutor-estranho-2/"><span style="font-weight: 400;">próxima produção</span></a><span style="font-weight: 400;"> e brilhar como merece.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vale lembrar, ainda, que a introdução de America carrega o peso de apresentar uma das primeiras heroínas </span><a href="https://valkirias.com.br/a-invisibilidade-lesbica-no-cinema/"><span style="font-weight: 400;">canonicamente lésbicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Universo Cinematográfico Marvel. Ela fala abertamente sobre suas duas mães e carrega orgulhosamente um broche com a bandeira </span><a href="https://jamesons.com.br/12-personagens-lgbt-da-marvel/"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;"> durante todo o filme, gerando ataques homofóbicos por parte do público conservador. O filme chegou a ser banido em </span><a href="https://br.ign.com/doutor-estranho-2/97916/news/doutor-estranho-no-multiverso-da-loucura-banido-arabia-saudita-personagem-gay"><span style="font-weight: 400;">alguns países</span></a><span style="font-weight: 400;">, após a </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> ter se recusado a retirar as cenas em que America se abre sobre a sexualidade da família. Apesar da negatividade, Xochitl Gomez não se abalou e segue muito feliz por ser o rosto de uma personagem tão importante. </span><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;É muito importante que a America esteja neste filme. É simplesmente enorme. E estou tão feliz que a Marvel se apegou a isso e manteve a cena lá, e é muito louco que eu seja aquela que interpreta a America&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;">, disse a atriz em entrevista para o </span><a href="https://www.asiaone.com/entertainment/doctor-strange-2-multiverse-of-madness-benedict-wong-xochitl-gomez-not-okay-hate-lgbtq-gay-america-chavez"><i><span style="font-weight: 400;">AsiaOne</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_28147" aria-describedby="caption-attachment-28147" style="width: 1245px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-28147 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-3-1-1.jpg" alt="Cena de WandaVision. Dividindo o centro da imagem estão Tommy e Billy, da esquerda para a direita da imagem, ambos brancos e com 10 anos. Tommy tem os cabelos um pouco compridos, tingidos com tinta cinza, veste uma camiseta azul clara com uma ilustração de um raio prateado, e uma blusa de mangas longas azul escura por baixo, está segurando duas barras de chocolate - uma embalagem amarela, e outra marrom. Billy tem os cabelos loiros em um topete, veste uma camisa cinza, uma capa vermelha e uma faixa também cinza na cabeça. Atrás deles, em desfoque, é possível ver uma cidade decorada para o Halloween, com prédios, luzes e abóboras. " width="1245" height="700" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-3-1-1.jpg 1245w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-3-1-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-3-1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-3-1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-3-1-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28147" class="wp-caption-text">Billy e Tommy encantaram o público em WandaVision, mas as suas personalidades divertidas e cativantes desapareceram no novo filme do Doutor Estranho (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar do longa levar o nome de Strange, quem foi responsável por roubar a cena foi Wanda. Depois de perder seu irmão gêmeo, matar o amor de sua vida e sacrificar sua família, a mulher se perdeu em uma depressão profunda que a transformou. Wanda se tornou a </span><a href="https://legadodamarvel.com.br/por-que-a-corrupcao-do-doutor-estranho-e-diferente-da-feiticeira-escarlate/"><span style="font-weight: 400;">Feiticeira Escarlate</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas entrou em conflito interno entre ser uma super-heroína e uma </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/2022/wanda-vila-doutor-estranho-no-multiverso-da-loucura.html"><span style="font-weight: 400;">vilã</span></a><span style="font-weight: 400;"> digna de filme de terror. Ela estava disposta a matar uma variante sua e America, com o auxílio do </span><i><span style="font-weight: 400;">Darkhold</span></i><span style="font-weight: 400;"> (livro de magia obscura), para se reunir com seus filhos em outro universo, uma consequência de tudo que sofreu. </span><i><span style="font-weight: 400;">Multiverso da Loucura</span></i><span style="font-weight: 400;"> seguiu a linha de </span><i><span style="font-weight: 400;">WandaVision</span></i><span style="font-weight: 400;"> e explorou os limites de ética e do maquiavelismo da personagem. Novamente, a Feiticeira abriu mão de suas vontades para fazer o que é certo no último segundo, o que decepcionou quem esperava um desfecho diferente do apresentado na série, mas não deixou de ser interessante de se assistir. O </span><a href="https://legadodamarvel.com.br/feiticeira-escarlate-morreu-em-doutor-estranho-2-roteirista-responde/#:~:text=Mas%2C%20como%20todos%20sabem%2C%20Wanda,roteirista%2C%20Michael%20Waldron%2C%20responde."><span style="font-weight: 400;">destino de Wanda</span></a><span style="font-weight: 400;"> ainda é um mistério e vale a pena aguardar e ver o que essa figura tão polêmica e complexa vai fazer a seguir. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Elizabeth Olsen realmente tomou os holofotes para si, mas suas polêmicas envolvendo </span><a href="https://twitter.com/milywitching/status/1349822698952781827"><span style="font-weight: 400;">racismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> poderiam ter afundado de vez o projeto. Em entrevistas, a atriz se referiu mais de uma vez à sua personagem como uma “</span><i><span style="font-weight: 400;">gypsy</span></i><span style="font-weight: 400;">” (cigana), e o problema está no fato de que o termo racista é utilizado de forma pejorativa para ofender o povo nômade Romani. Vale apontar que Wanda só tem origem Romani nos quadrinhos: o </span><i><span style="font-weight: 400;">MCU </span></i><span style="font-weight: 400;">a apresenta como vinda de Sokovia, país fictício no leste europeu. Portanto, não havia motivos concretos para Olsen ter utilizado o termo. Muitos alegam que a artista simplesmente não sabia o peso da palavra quando a usou, porém </span><a href="https://youtu.be/R3AQUvHjxbk"><span style="font-weight: 400;">não foi a única vez</span></a><span style="font-weight: 400;"> que Elizabeth fez discursos preconceituosos na mídia. Após as acusações polêmicas, a atriz </span><a href="https://www.nerdsite.com.br/elizabeth-olsen-revela-que-nunca-mais-voltara-as-redes-sociais-entenda/"><span style="font-weight: 400;">excluiu suas redes sociais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e declarou que jamais retornaria a usá-las. Com os números de bilheteria do filme, não dá para considerar que o caso foi relevante para boicotar a produção, mas fica o alerta para o tipo de pessoa que a </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;"> mantém em seus projetos.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Infelizmente, a atriz não é o único exemplo desse universo de heróis que apresentou ações problemáticas. Em 2021, </span><a href="https://personaunesp.com.br/gaviao-arqueiro-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Hawkeye</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se tornou um grande sucesso, mas, além dos fãs indignados, poucos realmente se importaram com o protagonista, </span><a href="https://legadodamarvel.com.br/nao-e-novidade-polemicas-que-provam-que-jeremy-renner-e-um-babaca/3/"><span style="font-weight: 400;">Jeremy Renner</span></a><span style="font-weight: 400;">, retornando ao papel após as acusações de </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/artigos/2019/11/vergonha-o-caso-de-agressao-que-pode-acabar-com-a-carreira-de-um-astro-da-marvel"><span style="font-weight: 400;">agressão física</span></a><span style="font-weight: 400;"> contra sua ex-esposa. </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2021/11/05/com-historico-de-cancelamentos-chris-pratt-e-considerado-o-pior-chris.htm"><span style="font-weight: 400;">Chris Pratt</span></a><span style="font-weight: 400;">, estrela de </span><a href="https://personaunesp.com.br/guardioes-da-galaxia-vol-2-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Guardiões da Galáxia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, foi outro que se envolveu em polêmicas, a principal delas sendo seu envolvimento com a igreja anti-LGBTQIA+, </span><i><span style="font-weight: 400;">Hillsong Church</span></i><span style="font-weight: 400;">, chegando a ser criticado pelo ator Elliot Page. Também estão na lista Letitia Wright, com seu discurso anti-vacina, Paul Bettany, que ameaçou a vida de Amber Heard, Sebastian Stan e </span><a href="https://observatoriodeseries.uol.com.br/marvel/astro-da-marvel-e-cancelado-por-publicacao-racista"><span style="font-weight: 400;">seu posicionamento racista</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.purebreak.com.br/noticias/marvel-10-atores-que-ja-foram-cancelados-por-polemicas/101220"><span style="font-weight: 400;">outros</span></a><span style="font-weight: 400;">. O </span><i><span style="font-weight: 400;">MCU</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem um peso absurdo na indústria dos </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbusters</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a maioria (se não todos) os atores introduzidos nas produções se tornam, automaticamente, queridos pelo público. É realmente uma pena que a </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;"> continue compactuando com atitudes como essas. </span></p>
<figure id="attachment_28148" aria-describedby="caption-attachment-28148" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28148 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-4-1.png" alt="Cena de Quarteto Fantástico. No centro está Johnny Storm, um homem branco, loiro, com olhos azuis. Veste um uniforme azul escuro com uma gola preta, com o número 4 dentro de um círculo branco no lado esquerdo de seu peito. Não dá para ver muito do fundo pelo desfoque, mas há tons de amarelo e preto. " width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-4-1.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-4-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-4-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-4-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-4-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem-4-1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28148" class="wp-caption-text">A Marvel realizou o sonho de muitos trazendo John Krasinski como o Senhor Fantástico, mas perdeu a chance de trazer Chris Evans de volta ao seu esquecido papel de Tocha Humana (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O último </span><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha</span></i><span style="font-weight: 400;"> lançado foi épico por trazer o encontro entre Tobey Maguire, Andrew Garfield, Tom Holland e seus vilões. O longa foi um acerto no </span><a href="https://screenrant.com/mcu-fan-service-moments/"><i><span style="font-weight: 400;">fan service</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e, sendo assim, não foi inesperado que o segundo </span><i><span style="font-weight: 400;">Doutor Estranho</span></i><span style="font-weight: 400;"> seguisse a mesma estratégia &#8211; mas os resultados não foram tão positivos. As participações especiais ficaram por conta do </span><a href="https://cineclick.uol.com.br/noticias/quem-sao-os-personagens-iconicos-que-aparecem-em-doutor-estranho-2"><span style="font-weight: 400;">conselho dos </span><i><span style="font-weight: 400;">Illuminati</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, composto por Professor Xavier (Patrick Stewart), Senhor Fantástico (John Krasinski), Capitã Carter (Hayley Atwell), Capitã Marvel (</span><span style="font-weight: 400;">Lashana Lynch)</span><span style="font-weight: 400;">, Raio Negro (Anson Mount) e Mordo (Chiwetel Ejiofor), heróis com reputações de ouro e muito queridos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Infelizmente, a sua presença foi desperdiçada, já que os personagens tiveram pouco tempo de tela antes de serem massacrados a sangue frio pela Feiticeira Escarlate. Foram muitas mortes brutais em sequência e nenhuma delas convence o espectador. É difícil crer que figuras tão emblemáticas cometeriam tantos erros amadores, demonstrando um roteiro preguiçoso e pouco condizente com o que a </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;"> trouxe no passado. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Doutor Estranho no Multiverso da Loucura</span></i><span style="font-weight: 400;"> entra para a coleção de grandes produções </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;">, com um </span><a href="https://thenexus.one/quanto-custa-doutor-estranho-2-e-quanto-custa-o-sucesso-de-bilheteria"><span style="font-weight: 400;">orçamento extravagante</span></a><span style="font-weight: 400;"> e cenas mais ainda. Apesar de não ser tão aclamado como os anteriores, o longa ainda é interessante para ser assistido numa noite de fim de semana &#8211; em junho de 2022, a produção foi adicionada ao catálogo da </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/filmes/que-horas-sai-doutor-estranho-2-no-disney-plus"><i><span style="font-weight: 400;">Disney+</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Com alguns acertos e muitos erros, o filme não entra para a história como deveria, então o que resta para os fãs é aguardar que o </span><i><span style="font-weight: 400;">MCU</span></i><span style="font-weight: 400;"> trabalhe em uma continuação digna e espetacular para realmente levá-los à loucura. </span></p>
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		<title>Uma celebração dos 50 anos de Gillian Flynn e de suas mulheres perturbadoras</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Feb 2021 03:38:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Carol Dalla Vecchia e Layla de Oliveira  “Eu estou falando de mulheres violentas, perversas. Mulheres sinistras. Não me diga que você não conhece algumas”. Com dificuldades de se enturmar por conta de sua timidez, a jovem Gillian Flynn encontrou uma fuga na leitura e na escrita, o que a levou a cursar Jornalismo na Universidade &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/gillian-flynn-50-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Uma celebração dos 50 anos de Gillian Flynn e de suas mulheres perturbadoras"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_18596" aria-describedby="caption-attachment-18596" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18596" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-1-2.jpg" alt="Foto em preto e branco da autora Gillian Flynn. Ela é uma mulher de 50 anos branca com cabelos castanhos na altura do ombro, usando um longo vestido branco sem mangas. Gillian Flynn está sentada em uma poltrona de vime, com as mãos entrelaçadas e algumas plantas no fundo. Olha diretamente para a câmera, e está sorrindo sem mostrar os dentes." width="1600" height="903" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-1-2.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-1-2-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-1-2-1024x578.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-1-2-768x433.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-1-2-1536x867.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-1-2-1200x677.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18596" class="wp-caption-text">&#8220;É uma fascinação minha: assassinato, traição, vingança, engano, loucura — todas as minhas coisas favoritas” (Foto: M. Spencer Green)</figcaption></figure>
<p><b>Carol Dalla Vecchia e Layla de Oliveira </b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Eu estou falando de mulheres violentas, perversas. Mulheres sinistras. Não me diga que você não conhece algumas”. </span></i><span style="font-weight: 400;">Com dificuldades de se enturmar por conta de sua timidez, a jovem </span><a href="https://www.gillian-flynn.com/"><span style="font-weight: 400;">Gillian Flynn</span></a><span style="font-weight: 400;"> encontrou uma fuga na leitura e na escrita, o que a levou a cursar Jornalismo na Universidade do Kansas (KU). Uma vez formada, ela planejava se tornar repórter policial, no entanto, percebeu que era desajeitada para o ramo criminal por querer que toda história tivesse um começo, meio e fim. Assim, começou a trabalhar na </span><a href="https://ew.com/author/gillian-flynn/"><i><span style="font-weight: 400;">Entertainment Weekly</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, escrevendo críticas de cinema e TV por dez anos.</span></p>
<p><span id="more-18595"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dedicar-se à avaliação de obras ficcionais trouxe duas percepções para Flynn. A primeira é que mesmo sendo revigorante trabalhar com histórias novas todas as semanas, isso não supriu sua necessidade de</span><i><span style="font-weight: 400;"> “construir um mundo e viver nele por um tempo&#8221;.</span></i><span style="font-weight: 400;"> A segunda é que ao analisar tantos materiais, ela percebeu que eram </span><a href="https://time.com/5050757/gillian-flynn-on-women-speaking-out-sexual-harassment/"><span style="font-weight: 400;">todas narrativas sobre homens</span></a><span style="font-weight: 400;">, e que uma forma de mudar esse quadro era escrevendo seus próprios romances. Segundo ela, todos retratavam </span><i><span style="font-weight: 400;">“homens brutais, presos em ciclos de agressão. Eu queria escrever sobre a violência de mulheres. Então eu fiz”.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Hoje, 24 de fevereiro, Gillian Flynn está completando 50 anos e duvidamos muito que exista arrependimento em relação às mudanças que fez em sua carreira: seus </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/autor/147/"><span style="font-weight: 400;">livros</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/as-viuvas"><span style="font-weight: 400;">produtos audiovisuais</span></a><span style="font-weight: 400;"> conquistaram milhões de fãs ao redor do mundo. Um feito que merece ser comemorado nesse dia especial, nem que seja com texto para homenagear sua trajetória literária e justificar nossa reverência à autora. </span></p>
<figure id="attachment_18597" aria-describedby="caption-attachment-18597" style="width: 720px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18597" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-2-2.jpg" alt="Foto da autora Gillian Flynn, uma mulher de 50 anos branca com cabelos castanhos na altura do ombro. A autora está com os cabelos cobertos de neve, usando óculos com armação marrom, fones de ouvido brancos, casaco preto e cachecol cinza. Ela está fazendo biquinho, ao lado de uma caveira de brinquedo, também coberta pela neve. Há algumas plantas no fundo." width="720" height="536" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-2-2.jpg 720w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-2-2-300x223.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18597" class="wp-caption-text">Gillian Flynn consegue conciliar seu senso de humor com seu tom crítico e revolucionário (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Observar que apenas a brutalidade masculina era representada na ficção levou Flynn a refletir sobre sua própria formação como mulher. Em 2015, ela escreveu sobre o assunto para o </span><i><span style="font-weight: 400;">blog </span></i><span style="font-weight: 400;">da livraria </span><a href="https://www.powells.com/blog"><i><span style="font-weight: 400;">Powell’s Books</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, contando que desde cedo ela </span><a href="https://medium.com/@Powells/i-was-not-a-nice-little-girl-c2df01e0ae1"><i><span style="font-weight: 400;">“não era uma menininha legal”</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; não porque era uma criança malévola, mas porque ela sempre se comportou de um modo que não é associado à feminilidade. De acordo com a própria autora, a mídia não relaciona às mulheres os discursos de hostilidade, sexualidade ou poder.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seu texto para a </span><i><span style="font-weight: 400;">Powell&#8217;s,</span></i><span style="font-weight: 400;"> Gillian Flynn deixa claro que as falhas na representação de mulheres em âmbitos brutais gera uma divergência entre o que está explícito sobre a feminilidade e o que é subjetivo. </span><i><span style="font-weight: 400;">“A violência feminina é um tipo específico de ferocidade. É invasivo [&#8230;] Uma coisa muito mais temível de assistir do que dois caras se espancando”,</span></i><span style="font-weight: 400;"> reflete a autora, destacando que mulheres aprendem a se conter, e aparentar ternura, mesmo que seu íntimo seja cruel.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Flynn expõe essa maldade. Quando ela pensa nas mulheres de seus livros, ela pensa em uma foto de </span><a href="http://www.fredericksommer.org/"><span style="font-weight: 400;">Frederick Sommer</span></a><span style="font-weight: 400;"> chamada </span><i><span style="font-weight: 400;">Livia</span></i><span style="font-weight: 400;">: é o retrato de uma menina que tem </span><i><span style="font-weight: 400;">“todos os apetrechos da inocência”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mas quando a autora observa o que está intrínseco em seu rosto, ela percebe a travessura, a perversidade. Essa garotinha lembra a Gillian Flynn de que </span><i><span style="font-weight: 400;">“meninas </span></i><i><span style="font-weight: 400;">— </span></i><i><span style="font-weight: 400;">e mulheres </span></i><i><span style="font-weight: 400;">—</span></i><i><span style="font-weight: 400;"> podem ser más”</span></i><span style="font-weight: 400;">. A capacidade de ver além do superficial é o que torna o trabalho de Flynn </span><a href="https://www.cbsnews.com/news/a-talk-with-gone-girl-author-gillian-flynn/"><span style="font-weight: 400;">interessante</span></a><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Mulheres têm muitos problemas com agressão e raiva [&#8230;] elas expressam de maneira diferente dos homens. E eu [Flynn] senti que isso era algo que simplesmente parecia não ser falado”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ela falou, e por isso suas obras se tornaram uma revolução.</span></p>
<figure id="attachment_18598" aria-describedby="caption-attachment-18598" style="width: 1755px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18598" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-3-1.jpg" alt="Foto em preto de branco do fotógrafo Frederick Sommer, intitulada Livia. A imagem apresenta uma menina branca, loira e de olhos claros, e possui no máximo sete anos. Seu cabelo está dividido em duas tranças, ela usa um vestido branco com orlas de renda, as mãos juntas em cima da barriga. Ela está encostada em uma parede de madeira descascada, e olha diretamente para a câmera." width="1755" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-3-1.jpg 1755w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-3-1-300x246.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-3-1-1024x840.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-3-1-768x630.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-3-1-1536x1260.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-3-1-1200x985.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18598" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i>Tranças loiras, vestido com orlas de renda. Mas seus olhos são surpreendentemente inteligentes, seus lábios teimosos, todo o seu rosto malicioso” (Foto: Frederick Sommer)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para tentar representar a verdade da violência feminina, ela se aventurou em seu primeiro romance, </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/livro/461/"><i><span style="font-weight: 400;">Objetos Cortantes</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (Sharp Objects)</span></i><span style="font-weight: 400;">, que foi publicado em 2006. Dentro dessa narrativa, Gillian Flynn explora uma família de mulheres nocivas, que dominam a sociedade de uma pequena cidade interiorana com sua soberania e falta de autocontrole. A criação de um cenário tão sórdido, comandado por figuras femininas, pode causar inquietação em pessoas desacostumadas a esse quadro. Entretanto, a autora explica que o</span><i><span style="font-weight: 400;"> “poder pode ser sangrento, seja um patriarcado ou um matriarcado. Só parece diferente. Mas isso não significa que será mais bonito só porque as mulheres estão no comando”.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama acompanha Camille Preaker, uma jornalista recém saída de uma clínica de </span><a href="https://www.vulture.com/2018/08/sharp-objects-all-the-hidden-words-you-missed.html"><span style="font-weight: 400;">tratamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> psiquiátrico, que volta para sua pequena cidade natal, Wind Gap, a fim de fazer a cobertura de crimes envolvendo duas meninas da região. Ao chegar lá, Camille encontra uma resistência forte da população em divulgar as atrocidades, por conta da brutalidade dos atos: ambas foram estranguladas, tiveram seus dentes arrancados e seus corpos foram abandonados sem nenhum apreço. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A personificação dessa resistência foi encontrada na própria mãe de Camille, Adora Crellin, uma figura muito influente dentro da sociedade local pelo mérito político-econômico de seus antepassados. Por sua posição social, aparência e modos impecáveis que encantam todos os </span><i><span style="font-weight: 400;">windgapianos,</span></i><span style="font-weight: 400;"> suas condutas são apresentadas como um modelo de decência a serem reproduzidos por todos os outros habitantes. Menos por Camille, que nunca se submeteu às exigências e desejos de sua mãe e por isso, sempre foi </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-sharp-objects-objetos-cortantes-de-gillian-flynn/#:~:text=O%20livro%20tem%20um%20forte,da%20m%C3%A3e%2C%20a%20pr%C3%B3pria%20cidade.&amp;text=Diferente%20dos%20comuns%20romances%20policiais,conflituosas%20em%20um%20ambiente%20soturno."><span style="font-weight: 400;">desmerecida</span></a><span style="font-weight: 400;">; ao contrário de sua irmã mais nova, Marian, que foi a preferida de Adora até morrer tragicamente aos 8 anos.</span></p>
<figure id="attachment_18599" aria-describedby="caption-attachment-18599" style="width: 612px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18599" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-4-2.jpg" alt="Imagem do livro de estreia da autora, intitulado Objetos Cortantes. O livro possui uma capa preta, com riscos brancos espaçados simulando cortes, e os nomes tanto do livro quanto da autora estão coloridos em azul. O livro está em cima de uma mesa coberta por páginas, e ao seu lado estão duas facas pretas, três pinhas e duas velas brancas. Existem alguns potes com folhas secas ao redor." width="612" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-4-2.jpg 612w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-4-2-287x300.jpg 287w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18599" class="wp-caption-text">“Quando a família é sua pior parte” (Foto: Leyanne)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de oito anos longe da família, Camille encontra uma situação diferente da que deixou para trás: quando partiu, todos viviam o intenso luto de Marian, agora, a irmã foi substituída por Amma. Essa irmã desconhecida pela protagonista vive uma vida dupla: quando está dentro de casa é uma jovem adolescente que se comporta de acordo com os moldes de Adora, mas longe da visão dos pais vive como uma rebelde malvada e exigente sobre seus caprichos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Camille conhece os dois lados de Amma e elas constroem um laço de </span><a href="https://valkirias.com.br/objetos-cortantes-e-a-forma-peculiar-de-gillian-flynn-contar-historias/"><span style="font-weight: 400;">identificação</span></a><span style="font-weight: 400;"> muito forte. A irmã mais nova se inspira nas convicções fortes da irmã mais velha, enquanto a primogênita vê a representação de sua própria juventude inconsequente na caçula. Mas além de visitar suas memórias, instalar-se por um tempo na casa da família Crellin faz com que Camille descubra segredos macabros envolvendo seu passado, e até mesmo o presente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O propósito de Gillian Flynn de revelar a barbaridade feminina é evidenciado na jornalista, pois ela é a única que consegue enxergar a malignidade de Adora, e uma das únicas pessoas que tem consciência da verdadeira personalidade de Amma enquanto ela está fora de casa. Preaker legitima a capacidade de mulheres fazerem coisas erradas </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2018/06/gillian-flynn-isnt-going-to-write-the-kind-of-women-you-want"><span style="font-weight: 400;">por conta própria</span></a><span style="font-weight: 400;">, sem a influência de fatores externos, o que faz dela uma alegoria das convicções da autora.</span></p>
<figure id="attachment_18600" aria-describedby="caption-attachment-18600" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18600" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-5-1.jpg" alt="Ilustração de Objetos Cortantes. No desenho, estão representadas Amma, branca, loira e de olhos verdes e Camille, branca, ruiva, de olhos azuis e ligeiramente mais alta que Amma. Ambas estão vestindo vestidos brancos e longos, que possuem manchas de sangue na bainha. Elas estão dentro de uma casa de bonecas, com paredes azuis escuras, e duas mãos gigantes se aproximam: as de Adora, que possui metade do rosto coberto pela casa de bonecas. Tudo o que se pode ver dela são as mãos, próximas de Amma e Camille, e um sorriso malicioso tingido de vermelho." width="650" height="910" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-5-1.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-5-1-214x300.jpg 214w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18600" class="wp-caption-text">“Problemas sempre começam muito antes de você realmente, realmente vê-los” (Foto: Tia Gilles)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Pensar que </span><i><span style="font-weight: 400;">Objetos Cortantes</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi o livro de estreia da autora causa muito fascínio pela maestria de sua escrita e de seu desenvolvimento de personagens e enredo. O </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> psicológico é gerado no leitor com capítulos angustiantes e uma reviravolta literalmente nas últimas páginas; torna-se improvável que uma pessoa acabe de ler o livro e não passe um tempo refletindo sobre a história. Ademais, a genialidade dessa trama foi adaptada para outras plataformas, sendo traduzida como uma </span><a href="https://www.hbo.com/sharp-objects"><span style="font-weight: 400;">minissérie</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2018. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Camille Preaker ganhou vida através da talentosa </span><a href="https://personaunesp.com.br/animais-noturnos/"><span style="font-weight: 400;">Amy Adams</span></a><span style="font-weight: 400;">, que conseguiu </span><a href="https://personaunesp.com.br/sharp-objects-critica/"><span style="font-weight: 400;">expressar visualmente</span></a><span style="font-weight: 400;"> tudo aquilo que era íntimo da personagem e conseguiu comover o espectador. Mesmo que Preaker não seja uma “boa menina”, Adams nos leva a sentir empatia por sua alma torturada. Já Adora, o retrato sulista da fragilidade, foi vivida por Patricia Clarkson, enquanto o mérito de manifestar tanto a pureza quanto a indisciplina de Amma é todo de Eliza Scanlen. Ambas as atrizes nos surpreenderam durante o decorrer da série, oscilando entre momentos de mínima simpatia e desprezo total. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Gillian Flynn foi a produtora executiva e roteirista de três episódios do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3C6YVcwtSLY"><span style="font-weight: 400;">seriado</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que garantiu uma admiração ainda maior por parte dos fãs e do público geral pelas suas habilidades de contar histórias. O resultado rendeu indicações a grandes prêmios como o </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/news/patricia-clarkson-wins-golden-globe-best-supporting-actress-sharp-objects-1173793"><i><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, tanto para ela quanto para as atrizes envolvidas no projeto. </span></p>
<figure id="attachment_18601" aria-describedby="caption-attachment-18601" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18601" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-6.jpg" alt="Foto promocional da série da HBO, adaptação de Objetos Cortantes. A foto possui um filtro amarelado quase sujo. Amy Adams, que interpreta Camille, é uma mulher ruiva, de olhos claros, e está usando uma maquiagem escura nos olhos e roupa preta. Está encostada na parede, coberta por um papel verde estampado por flores. À sua frente está Adora, interpretada por Patricia Clarkson, na esquerda, cobrindo o lado correspondente do corpo de Amy. Ela é uma mulher branca e loira, e está vestida de branco, de costas para a câmera, mas olha diretamente para Eliza Scanlen a sua direita, uma jovem branca e com os cabelos loiros presos parcialmente em um laço branco. Eliza interpreta Amma, e está de costas, cabeça baixa na direção de Amy." width="1080" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-6.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-6-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-6-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-6-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-6-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18601" class="wp-caption-text">Foto promocional da série de Objetos Cortantes, com as três protagonistas em foco (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Três anos depois de ter explorado o caos familiar de </span><i><span style="font-weight: 400;">Objetos Cortantes</span></i><span style="font-weight: 400;">, Gillian Flynn decidiu explorar uma mente fragmentada e as brechas que podem ser criadas após um trauma. Assim, em 2009 foi publicado </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/livro/581/"><i><span style="font-weight: 400;">Lugares Escuros</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (Dark Places)</span></i><span style="font-weight: 400;">, um romance que caminha entre os horríveis acontecimentos envolvendo a família Day. Em janeiro de 1985, Patty Day e duas de suas filhas, Michelle e Debby, foram assassinadas durante a noite, dentro de sua casa de fazenda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A caçula da família, Libby, tinha apenas sete anos e conseguiu fugir do massacre. Quando a encontraram na manhã seguinte, ela testemunhou sobre o que tinha ocorrido e seu depoimento apontou seu irmão mais velho, Ben, como o culpado pelo crime. Assim, a mídia foi à loucura com o desenrolar das acusações: os holofotes mostravam Ben como um jovem de quinze anos problemático e adorador de Satanás, e Libby como uma pequena vitoriosa que precisava de ajuda para superar seu trauma. Desse modo, milhares de pessoas se comoveram e enviaram doações em dinheiro para a menina.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro alterna pontos de vista entre capítulos que se passam no dia dos assassinatos e </span><a href="https://www.estantedelivros.com/2014/03/lugares-escuros.html"><span style="font-weight: 400;">vinte e quatro anos depois</span></a><span style="font-weight: 400;">. No tempo presente, Libby é uma adulta emocionalmente instável e esse dinheiro das doações que a sustentou por tantos anos, está acabando. Como não se sente capaz de arranjar um trabalho, ela recorre à proposta de um grupo de fanáticos por soluções de crimes reais. Convencidos de que Ben é </span><a href="http://www.casosacasoselivros.com/2015/08/lugares-escuros-gillian-flynn.html"><span style="font-weight: 400;">inocente</span></a><span style="font-weight: 400;">, eles pagam Libby para que ela vá atrás de pontas soltas dessa história, revivendo suas memórias e contatando os membros ainda vivos de sua família. </span></p>
<figure id="attachment_18602" aria-describedby="caption-attachment-18602" style="width: 620px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18602" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-7.jpg" alt="Foto do e-book de Lugares Escuros. Dentro de um iPad branco, a capa do livro é preta com ramos de trigo brancos, e possui o nome do livro e da autora escritos em verde. Está posicionado em cima de um edredom branco, junto de um óculos de armação preta, uma vela branca e, mais ao canto, um caderno." width="620" height="620" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-7.jpg 620w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-7-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-7-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18602" class="wp-caption-text">“Classifiquei essas lembranças como se fossem um lugar particularmente perigoso: um lugar escuro” (Foto: Carla Paredes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto em </span><i><span style="font-weight: 400;">Objetos Cortantes</span></i><span style="font-weight: 400;"> Flynn tem como temática o uso da delicadeza para amenizar a selvageria, aqui ela é escancarada. O uso do presente misturado com </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Patty e Ben no dia fatídico dos assassinatos exemplifica o grotesco e o desespero da impassibilidade e da raiva. Além dos recursos de tempo, a autora também dá uma aula sobre </span><a href="https://www.domestika.org/pt/blog/3896-o-que-e-escrita-criativa"><span style="font-weight: 400;">escrita criativa</span></a><span style="font-weight: 400;">, colocando em prática o conceito conhecido como </span><a href="https://blog.reedsy.com/show-dont-tell/"><i><span style="font-weight: 400;">show, don’t tell</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (“</span><i><span style="font-weight: 400;">mostre, não fale”</span></i><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao invés de simplesmente contar como são seus personagens, entregando sua personalidade logo de cara, Flynn mostra detalhes sórdidos das cenas. Criando ambientes assustadores, ela descreve ações que nos mostram mais sobre caráter dos envolvidos do que suas falas ou o discurso do narrador. Um claro exemplo dessa dinâmica é a cleptomania de Libby: em nenhum momento a autora relaciona essa palavra à protagonista, mas o leitor reconhece sua compulsão através de seus atos retratados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Lugares Escuros</span></i><span style="font-weight: 400;"> se torna vívido na mente do leitor e todas as características indelicadas e grosseiras, que pareciam suaves no primeiro romance da autora, ganham muita força com episódios que podem ser considerados nojentos por aqueles com estômago mais fraco. Gillian Flynn usa esse poder de impacto para despejar certas críticas principalmente à formação moral do ser humano. Todos os indivíduos mostrados na narrativa viveram circunstâncias de grande perturbação em sua infância que não foram lidadas da maneira correta.</span></p>
<figure id="attachment_18603" aria-describedby="caption-attachment-18603" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18603" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-8.jpg" alt="Foto tirada de cima do livro Lugares Escuros, aberto em duas páginas pretas. Na página da esquerda, está escrito o nome da autora Gillian Flynn, enquanto na folha da direita, está impresso o nome do livro, ambos em letras brancas. O livro está apoiado em uma mesa, estampada por capas de outros livros em preto e branco." width="1600" height="1066" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-8.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-8-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-8-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-8-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-8-1536x1023.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-8-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18603" class="wp-caption-text">&#8220;Eu tenho a maldade dentro de mim, tão real quanto um órgão&#8221; (Foto: Ivi Campos)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A total negligência e o excesso de cuidado são dois opostos muito bem trabalhados. Além de mostrar crianças que estão passando por essas situações delicadas, a autora também apresenta as suas consequências na vida adulta. Ninguém é considerado uma pessoa “equilibrada” nesse livro, e muito se deve à criação que tiveram. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fora as críticas mais explícitas, Flynn deixa dicas sutis de sua opinião sobre assuntos como a </span><a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/tv-em-questao/as-raizes-da-espetacularizacao-da-noticia/"><span style="font-weight: 400;">espetacularização</span></a><span style="font-weight: 400;"> de crimes reais na mídia. A cobertura do massacre dos Day apontou Ben como culpado desde o começo, quando a única relação dele com o crime eram palavras satânicas pintadas nas paredes da casa e seu gosto por </span><i><span style="font-weight: 400;">heavy metal</span></i><span style="font-weight: 400;">. As questões mais minuciosas do caso eram ignoradas em troca de imagens da pequena Libby comemorando seu aniversário mesmo depois de tanta perturbação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa </span><a href="https://personaunesp.com.br/ted-bundy-filme-critica/"><span style="font-weight: 400;">banalização</span></a><span style="font-weight: 400;"> transforma o assassinato em um jogo. Quando Libby é procurada para falar sobre a suposta inocência de Ben, ela conhece vários grupos de pessoas que se reúnem para solucionar </span><a href="https://jovemnerd.com.br/direto-do-bunker/o-que-e-o-true-crime-e-como-ele-tem-aparecido-cada-vez-mais-na-cultura-pop/"><span style="font-weight: 400;">crimes reais</span></a><span style="font-weight: 400;"> como se fossem mais um episódio de </span><a href="https://mixdeseries.com.br/csi-uma-serie-de-investigacao-que-merece-ser-lembrada/"><i><span style="font-weight: 400;">C.S.I.</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e não um caso sério da polícia. Eles se denominam </span><i><span style="font-weight: 400;">Kill Club</span></i><span style="font-weight: 400;">, e alguns associados até fazem </span><i><span style="font-weight: 400;">cosplay</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos assassinos e vítimas. </span></p>
<figure id="attachment_18604" aria-describedby="caption-attachment-18604" style="width: 450px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18604" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-9.jpg" alt="Foto em preto e branco de Lizzie Borden, uma mulher branca com cabelos e olhos claros. Seus cabelos estão presos em um coque, e ela usa uma roupa branca rendada de gola alta. Seus olhos estão fixados em algum ponto fora do campo da foto, de forma incômoda." width="450" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-9.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-9-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 450px) 85vw, 450px" /><figcaption id="caption-attachment-18604" class="wp-caption-text">“Lizzie Borden pegou um machado, e deu quarenta golpes em sua mãe, quando viu o que havia feito, deu quarenta e um em seu pai” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das críticas a esse assunto está muito bem escondida logo no </span><a href="https://www.shmoop.com/study-guides/literature/dark-places/analysis/epigraph"><span style="font-weight: 400;">epígrafe</span></a><span style="font-weight: 400;"> do livro: é uma cantiga de roda fictícia na qual as pessoas cantariam sobre o massacre dos Day como se fosse uma lenda folclórica e não uma verdade. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Os Day eram um clã que poderia viver à beça/Mas Ben Day perdeu a cabeça/O poder de Satanás o garoto queria/E matou a família em meio a uma gritaria./Da pequena Michelle torceu o pescocinho/Depois de Debby fez picadinho/A mãe, Patty, guardou para o final/E, sem piedade, em sua cabeça deu um tiro fatal./A bebê Libby conseguiu viva permanecer/Mas passar por aquilo de modo algum é viver.”</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos Estados Unidos já existem algumas canções assim, como é o caso de </span><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Rj_BIsVQdqs"><i><span style="font-weight: 400;">Lizzie Borden took an axe</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">”</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma cântico tradicional que banalizou uma assassina que foi injustamente inocentada porque a </span><a href="https://www.history.com/this-day-in-history/lizzie-borden-took-an-axe#:~:text=Her%20story%20is%20still%20remembered,gave%20her%20father%20forty%2Done"><span style="font-weight: 400;">mídia</span></a><span style="font-weight: 400;"> retratou que </span><i><span style="font-weight: 400;">“uma jovem cristã de aparência dócil não seria capaz de cometer um crime tão horrendo”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Os jornais da realidade inocentaram Lizzie, e a televisão do universo ficcional de Flynn sentenciou Ben à prisão perpétua.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No ano de 2015, foi feita uma adaptação cinematográfica da obra estrelada por </span><a href="https://abcnews.go.com/GMA/video/charlize-theron-gillian-flynn-dark-places-32944044"><span style="font-weight: 400;">Charlize Theron</span></a><span style="font-weight: 400;"> no papel de Libby, e também contava com nomes como Christina Hendricks, Nicholas Hoult e Chloë Grace Moretz. Apesar do elenco bastante reconhecido e da história envolvente, isso </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/lugares-escuros-critica"><span style="font-weight: 400;">não foi o suficiente</span></a><span style="font-weight: 400;"> para cativar a audiência; talvez seja o pouco envolvimento de Flynn no filme, causando uma pobreza na transferência das plataformas, mas o fato é que o filme de </span><i><span style="font-weight: 400;">Lugares Escuros</span></i><span style="font-weight: 400;">, dirigido por </span><a href="http://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-124392/"><span style="font-weight: 400;">Giles Paquet-Brenner</span></a><span style="font-weight: 400;">, não chega nem próximo do aprofundamento das temáticas apresentadas, deixando apenas um indício do que a narrativa realmente é. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/l6Wy_8Xkp9s?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2012, foi publicado o terceiro romance de Flynn, tornando-se um grande sucesso com a crítica e com o público, e é considerado seu </span><a href="https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/magnum-opus/"><i><span style="font-weight: 400;">Magnum Opus</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/livro/287/"><i><span style="font-weight: 400;">Garota Exemplar</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (Gone Girl) </span></i><span style="font-weight: 400;">possui como plano de fundo o casal Amy e Nick Dunne, que moram às margens do Rio Mississipi, em North Carthage. No dia do aniversário de cinco anos do casamento, ao invés de Nick ser recebido em casa pela esposa, ele encontra uma cena terrível: porta escancarada, móveis virados, indícios de uma briga e nenhum sinal de Amy. Com a consequente ação da polícia, ele acaba se tornando o principal suspeito do crime, e seus comportamentos e falas singulares acabam o desfavorecendo mais ainda. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas será que Nick cometeria um assassinato? Tanto ele quanto a esposa escondem segredos, e isso é um fato incontestável; mas ao salientar o lado primoroso de Amy, e expor a postura de Nick de sempre esconder seus sentimentos negativos para agradar a todos, é difícil não escolher um lado, e o diário de Amy, com todas as suas anotações sobre o relacionamento, parecem justificar perfeitamente a preferência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A investigação para encontrar Amy começa, e a comoção do público por ela é multiplicada pela sua fama: ela é a inspiração para a série de livros </span><i><span style="font-weight: 400;">Amy Exemplar</span></i><span style="font-weight: 400;">, escrita por seus pais para ajudar uma nação de progenitores desesperados em saber como educar seus filhos da melhor maneira possível. De maneira muito similar a </span><i><span style="font-weight: 400;">Lugares Escuros</span></i><span style="font-weight: 400;">, a infância é um ponto crucial da história; tanto Libby quanto Amy foram condicionadas a viver de certa maneira enquanto eram crianças, e usam essas circunstâncias para justificar seu comportamento quando mais velhas.</span></p>
<figure id="attachment_18605" aria-describedby="caption-attachment-18605" style="width: 850px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18605" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-10.jpg" alt="Foto do livro Garota Exemplar. O livro possui capa preta, fios emaranhados brancos, e o nome da autora e do livro estão escritos em rosa. Ele está em cima de um lençol branco." width="850" height="528" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-10.jpg 850w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-10-300x186.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-10-768x477.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18605" class="wp-caption-text">“Há uma responsabilidade injusta que vem do fato de ser filha única — você cresce sabendo que não tem o direito de desapontar, não tem nem o direito de morrer. Não há um substituto por perto; é você” (Foto: Debb Cabral)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, elas divergem em como lidar com a pressão. Enquanto Libby foi profundamente marcada por seus traumas e roubada de uma experiência de vida normal, Amy nunca teve motivações para o descontrole: uma garota linda, rica, inteligente e fácil de se relacionar, possuindo admiradores e simpatizantes por todo lugar que passava. Ela é, inclusive, a mais diversa dentre as protagonistas de Gillian Flynn, pois é a única que apresenta uma história </span><a href="https://www.npr.org/2012/06/05/154288241/the-marriage-is-the-real-mystery-in-gone-girl"><span style="font-weight: 400;">dentro de um relacionamento</span></a><span style="font-weight: 400;">, em oposição às outras, que tinham problemas de conexão física e emocional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas isso não torna o </span><a href="https://www.cbsnews.com/news/gone-girl-author-gillian-flynn-explores-the-dark-side-of-marriage/"><span style="font-weight: 400;">casamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> algo fácil. Apesar dos eventuais altos e baixos da relação, as adversidades encontradas por Nick e Amy são inimagináveis, e o desfecho dessa catástrofe é ainda mais inesperado. A disposição dos acontecimentos é gradual, possibilitando o desenvolvimento de emoções nos leitores, que têm a sensação de estarem descobrindo o enredo junto das personagens, como se fossem, eles mesmos, detetives solucionando o caso. Desse modo, criam-se também diversos </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twists</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao longo da história, causando inconformidade e interesse no público.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além do sucesso literário, em 2014 </span><a href="https://www.indiewire.com/2014/10/david-fincher-reveals-gone-girl-secrets-and-whose-side-hes-really-on-q-a-190680/"><span style="font-weight: 400;">David Fincher</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Gillian Flynn trabalharam juntos no longa-metragem, que levou a história de </span><i><span style="font-weight: 400;">Garota Exemplar </span></i><span style="font-weight: 400;">ao máximo. Nele, </span><a href="https://www.minhavisaodocinema.com.br/2015/02/oscar-2015-garota-exemplar-2014-de.html"><span style="font-weight: 400;">Rosamund Pike</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Ben Affleck interpretam o casal Dunne com tanta propriedade que é fácil acreditar que aquilo não passa de uma documentação do sumiço da bela Amy, enquanto o pobre Nick não sabe como agir diante da notoriedade do caso. O ajuste no </span><a href="https://youtu.be/CF3lFPW4E1o"><span style="font-weight: 400;">roteiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> do filme foi genial, já que Flynn mantém a narrativa cativante do original em um </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Film_noir"><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">moderno premiado, garantindo uma indicação na categoria de Melhor Atriz ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar.</span></i></p>
<figure id="attachment_18606" aria-describedby="caption-attachment-18606" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18606" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/GIF-1-2.gif" alt="Gif de uma cena do filme Garota Exemplar. Nele, Amy é interpretada por Rosamund Pike, uma mulher branca e loira, que está deitada e olha para a câmera, como se alguém a chamasse. Há também uma mão fazendo carinho nos seus cabelos. " width="650" height="274" /><figcaption id="caption-attachment-18606" class="wp-caption-text">“Suponho que estas questões pairam sobre cada casamento: O que você está pensando? Como você se está sentindo? Quem é você? O que fizemos um ao outro? O que vamos fazer?” (GIF: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O mais recente trabalho literário de Flynn é o conto </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/livro/648/"><i><span style="font-weight: 400;">O Adulto</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (The Grownup)</span></i><span style="font-weight: 400;">, lançado em 2014 na antologia </span><a href="http://www.editoraarqueiro.com.br/livros/principe-de-westeros-e-outras-historias-o/"><i><span style="font-weight: 400;">Rogue</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/hbo-roadmarks-george-r-r-martin-game-of-thrones"><span style="font-weight: 400;">George R. R. Martin</span></a><span style="font-weight: 400;">, e publicado independentemente no ano seguinte. Flynn utiliza os gêneros de terror psicológico e </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;">, regulares em seus outros livros, juntamente com um nunca explorado por ela antes: </span><a href="https://www.nytimes.com/2016/05/22/books/review/emma-thompson-reads-the-turn-of-the-screw-by-henry-james.html"><span style="font-weight: 400;">histórias de fantasma.</span></a><span style="font-weight: 400;"> A narrativa acompanha uma jovem que utiliza a mentira para ganhar a vida, trabalhando como vidente e oferecendo serviços de leitura de aura para as suas clientes, geralmente compostas por donas de casa ricas e frustradas com suas vidas monótonas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma delas é Susan Burke, uma mulher recém-chegada na cidade que relata problemas em sua casa principalmente com seu enteado adolescente. A protagonista rapidamente identifica uma chance de aproveitar-se da ingenuidade de Susan, porém ela não esperava que ao visitar a </span><a href="https://valkirias.com.br/a-assombracao-da-casa-da-colina-o-terror-psicologico-de-shirley-jackson/"><span style="font-weight: 400;">mansão</span></a><span style="font-weight: 400;"> da família Burke, encontraria cenas bizarras e acontecimentos misteriosos, típicos das </span><a href="http://leitorcompulsivo.com.br/2019/11/06/resenha-a-volta-do-parafuso-henry-james/#:~:text=Com%20um%20enredo%20e%20narrativa,muito%20subentendido%20e%20nas%20entrelinhas."><span style="font-weight: 400;">histórias de que tanto gosta</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela, então, se sente compelida a entender e desvendar os segredos que envolvem o local e a família, sem imaginar o que pode estar por trás de tantos eventos sinistros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sendo uma obra de leitura rápida, Flynn deixou muitos fãs órfãos e com saudade de sua escrita. Mas isso não significa um desapontamento, até porque esta mulher é fisicamente e mentalmente incapaz de escrever algo mediano. Em menos de 100 páginas, a imersão causada pela história chega a tornar cada momento tenso palpável, a ponto de fazer o leitor questionar a lógica e as temáticas já utilizadas pela autora, que nunca havia trabalhado com o sobrenatural antes em seus escritos. </span></p>
<figure id="attachment_18607" aria-describedby="caption-attachment-18607" style="width: 1650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18607" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-11.jpg" alt="Imagem da capa original em inglês de O Adulto. No centro da imagem há a ilustração de um olho com a íris amarela, e uma pupila preta que possui o formato ambíguo de uma casa ou de uma caveira. No fundo, tem riscos radiais cinza, que parecem sair do centro do olho, em direção às extremidades da imagem. O nome do livro em inglês, The Grownup, está escrito em letras pretas com sombreamento amarelo, e está em cima da ilustração; o nome da autora segue a mesma formatação, porém posicionada em baixo." width="1650" height="1650" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-11.jpg 1650w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-11-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-11-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-11-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-11-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-11-1536x1536.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/Imagem-11-1200x1200.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18607" class="wp-caption-text">“Era uma simples transação comercial: você fazia com que uma pessoa se sentisse bem, e ela lhe dava dinheiro” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Vencedor de um </span><a href="http://www.theedgars.com"><i><span style="font-weight: 400;">Edgar Award</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o conto é a única obra não adaptada da autora, mas possui os direitos comprados pela </span><a href="https://deadline.com/2016/02/gillian-flynn-gone-girl-the-grownup-universal-mike-deluca-1201702017/"><i><span style="font-weight: 400;">Universal</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Aí entra a ambiguidade: querer muito ver essa história nas telas por sermos grandes fãs, ou manter a qualidade da história curta, que seria complicada de ser transformada em um filme. Mas desde que Gillian Flynn esteja envolvida, tudo o que ela faz será considerado uma obra-prima.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Faz quase sete anos que um novo livro não é lançado, e isso considerando a publicação de meras 65 páginas de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Adulto. </span></i><span style="font-weight: 400;">Mas as boas novas </span><a href="https://www.bustle.com/p/gone-girl-author-gillian-flynn-is-writing-a-new-book-heres-what-we-know-so-far-8369910"><span style="font-weight: 400;">estão chegando</span></a><span style="font-weight: 400;">, e de acordo com Gillian, seu novo romance chegará ainda em 2021, tratando-se de uma </span><a href="http://www.revistaestante.fnac.pt/hogarth-shakespeare/"><span style="font-weight: 400;">reescritura do clássico de Shakespeare</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Hamlet</span></i><span style="font-weight: 400;">. O contrato do projeto foi assinado em </span><a href="http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2014/05/autora-de-garota-exemplar-assina-contrato-para-reescrever-hamlet.html"><span style="font-weight: 400;">2014</span></a><span style="font-weight: 400;">, e no ano passado ela resolveu nos dar algumas migalhas, dizendo que Brett, seu marido, leu a primeira página, e </span><i><span style="font-weight: 400;">“é uma primeira página espetacular. Provavelmente a melhor que já escrevi”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto o </span><i><span style="font-weight: 400;">Hamlet </span></i><span style="font-weight: 400;">de Flynn não chega a nós, temos de nos contentar com suas quatro obras publicadas e os </span><a href="https://www.omelete.com.br/amazon-prime-video/criticas/utopia-1a-temporada-critica"><span style="font-weight: 400;">roteiros de séries</span></a><span style="font-weight: 400;"> e filmes. Mas isso não é de todo ruim, pois com um material de tanta qualidade e com temáticas tão inquietantes, a última coisa que você pode sentir com Gillian Flynn é tédio. Nesse caso, deixamos a nossa admiração para a aniversariante que conquistou um espaço no meio literário para que sua voz, e a de muitas outras mulheres que não foram meninas boazinhas, fossem ouvidas. Parabéns, Flynn, pela trajetória inspiradora e por revolucionar os discursos literários. Esperamos que os próximos cinquenta anos tragam ainda mais narrativas perturbadoras. E pare de jogar <em>Ms. Pac-Man</em> no </span><a href="https://www.gillian-flynn.com/aboutgillianflynn"><span style="font-weight: 400;">porão.</span></a></p>
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		<title>Charlize Theron rouba a cena e garante o sucesso de The Old Guard</title>
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		<pubDate>Sun, 02 Aug 2020 22:27:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Lopes Gomez “Não é o que o tempo rouba, é o que ele deixa para trás”. Com um trailer recheado de ação e uma pitada de mistério, e contando com ninguém mais ninguém menos que Charlize Theron como protagonista, a Netflix lançou sua nova empreitada: The Old Guard. Cada vez mais apostando em suas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-old-guard-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Charlize Theron rouba a cena e garante o sucesso de The Old Guard"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_14457" aria-describedby="caption-attachment-14457" style="width: 653px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14457" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/foto-1-3.jpg" alt="" width="653" height="435" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/foto-1-3.jpg 653w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/foto-1-3-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-14457" class="wp-caption-text">Com lugar garantido na lista dos dez mais vistos da Netflix, The Old Guard está perto dos 72 milhões de espectadores (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Lopes Gomez</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Não é o que o tempo rouba, é o que ele deixa para trás”.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Com um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=x4_EAlRLY_E&amp;t=1s"><i><span style="font-weight: 400;">trailer</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">recheado de ação e uma pitada de mistério, e contando com ninguém mais ninguém menos que Charlize Theron como protagonista, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> lançou sua nova empreitada: </span><i><span style="font-weight: 400;">The Old Guard</span></i><span style="font-weight: 400;">. Cada vez mais apostando em suas produções originais, desde romances adolescentes, como </span><a href="http://personaunesp.com.br/barraca-do-beijo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Barraca do Beijo</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">e <em>thrillers</em>, como </span><a href="http://personaunesp.com.br/bird-box-netflix-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bird Box</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">a plataforma arrisca pouco, mas, novamente, garante o entretenimento em seu novo longa de ação.</span></p>
<p><span id="more-14456"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama, após séculos agindo nas sombras, alternando-se entre mercenários e heróis, um grupo de quatro soldados imortais liderados por Andrômeda “Andy” de Cíntia (Charlize Theron) tentam passar despercebidos em um mundo cada vez mais conectado. Até que caem em uma armadilha e têm suas habilidades descobertas, ao mesmo tempo que fogem da CIA e do cientista que quer capturá-los e comercializar seus poderes de cura, eles descobrem uma nova imortal, Nile (Kiki Layne), e se veem no dever de integrá-la ao grupo. Além das duas complicadas façanhas, mas não paralelamente a elas, a gangue tem de lidar com a não tão recente, mas misteriosa possibilidade da perda da imortalidade.</span></p>
<figure id="attachment_14458" aria-describedby="caption-attachment-14458" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14458" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/foto-2-3.jpg" alt="" width="1500" height="2222" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/foto-2-3.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/foto-2-3-203x300.jpg 203w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/foto-2-3-691x1024.jpg 691w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/foto-2-3-768x1138.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/foto-2-3-1037x1536.jpg 1037w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/foto-2-3-1383x2048.jpg 1383w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/foto-2-3-1200x1778.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14458" class="wp-caption-text">Curiosamente, o título do filme não ganhou uma tradução em português (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa é </span><a href="https://feededigno.com.br/quadrinhos/the-old-guard-conheca-o-quadrinho-que-deu-origem-ao-filme/"><span style="font-weight: 400;">baseado nas </span><i><span style="font-weight: 400;">HQs</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de mesmo nome de Greg Rucka e do ilustrador Leandro Fernández. Rucka se arrisca no universo cinematográfico pela primeira vez e fica responsável também pelo roteiro. A direção é de Gina Prince-Bythewood, que se consolida como a </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/cinema,gina-prince-bythewood-e-a-primeira-mulher-negra-a-dirigir-um-filme-de-quadrinhos,70003362918"><span style="font-weight: 400;">primeira diretora negra a comandar uma adaptação de quadrinhos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e já garante seu </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/the-woman-king-viola-davis-diretora-the-old-guard"><span style="font-weight: 400;">próximo</span></a><span style="font-weight: 400;"> – e merecido &#8211; trabalho na plataforma.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro não é dos mais ousados e pode ser superficial, por vezes. Talvez pela inexperiência de Rucka, talvez pelo inevitável holofote em Charlize Theron, alguns dos integrantes da “gangue” imortal acabam sendo esquecidos, enquanto a líder ganha um enfoque maior. O passado de Andy é explorado através de </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas os dois cavaleiros rivais nas Cruzadas, Joe (Marwan Kenzari) e Nick (Luca Marinelli) não são, assim como a origem do soldado napoleônico, Booker (Matthias Schoenaerts), tudo é apenas citado, apesar de terem muito potencial narrativo. Nile, a novata, felizmente, ganha um pouco mais de destaque que os veteranos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É a chegada de Nile que, a princípio, aflige o grupo, já que isso não acontece há séculos, tornando a narrativa mais interessante, ao passo que somos inseridos à vida dos soldados junto com a nova imortal. O contraste dela com os outros guerreiros, seus receios e questionamentos, servem como uma forma de autorreflexão a eles, já tão acostumados com o próprio jeito de fazer as coisas, a ponto de banalizar a vida e a violência. É com Andy o contraste maior, rendendo uma ótima </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tueSuR6hpNI"><span style="font-weight: 400;">cena de luta entre as duas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Apesar do atrito inicial, a mais velha e a mais nova formam uma boa dupla, principalmente na hora do combate.</span></p>
<figure id="attachment_14459" aria-describedby="caption-attachment-14459" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14459" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/foto-3-2.jpg" alt="" width="1024" height="683" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/foto-3-2.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/foto-3-2-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/foto-3-2-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14459" class="wp-caption-text">Da esquerda para direita, Kiki Layne (Nile), a diretora Gina Prince-Bythewood e Charlize Theron (Andy) (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os vilões da trama também entram em contraste. Enquanto Copley, o ex-agente da CIA, acredita que as propriedades de cura dos guerreiros possam ajudar no tratamento de doentes e salvar a humanidade, o cientista Steven Merrick (Harry Melling) quer testar os imortais para seu próprio lucro. O primeiro é muito bem trabalhado: com a contextualização de seu passado, seus dilemas e princípios, as atitudes do ex-agente são plausíveis e até despertam a empatia do telespectador. Enquanto o segundo é o típico vilão de HQs: um cientista à beira da maluquice (só faltou a risada maligna) que não se importa em sacrificar até membros de sua equipe para ter o que quer. Os dois, tão opostos, são necessários à história e deixam o público a refletir quem é o real antagonista na trama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio ao primeiro e terceiro atos frenéticos, é no segundo ato que, com a inserção dos </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks,</span></i><span style="font-weight: 400;"> o relacionamento entre os integrantes é aprofundado e rende diálogos que humanizam os guerreiros, dando um tom mais intimista ao filme. Em uma reviravolta, a possível perda da imortalidade traz à tona lados mais vulneráveis do grupo. Mas é a ação, o carro chefe de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Old Guard</span></i><span style="font-weight: 400;">, o que mais chama a atenção. Momentos calmos são intercalados com cenas de lutas, que apesar de simples, são cuidadosamente </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1cIl3PfsJZI"><span style="font-weight: 400;">coreografadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e dirigidas, inflamando a narrativa e tirando o fôlego do telespectador.</span></p>
<figure id="attachment_14460" aria-describedby="caption-attachment-14460" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14460" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/foto-4-1.jpeg" alt="" width="1024" height="683" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/foto-4-1.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/foto-4-1-300x200.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/foto-4-1-768x512.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14460" class="wp-caption-text">O vilão cientista Steven Merrick e seus capangas (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Charlize Theron não surpreende quando rouba a cena nos três atos. Talvez a principal responsável pelo sucesso do filme, a estrela desempenha muito bem a tarefa de dar vida à Andy: ao mesmo tempo que mantém a postura durona da personagem, que garantiu sua sobrevivência durantes séculos, consegue passar um lado humano e mais emocional, quando necessário. Theron, que aposta em filmes corajosos, como </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt0340855/?ref_=nv_sr_srsg_2"><i><span style="font-weight: 400;">Monster</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (2003)</span></i> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt5610554/?ref_=nv_sr_srsg_0"><i><span style="font-weight: 400;">Tully</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (2018)</span></i><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">e nos últimos tempos se dedica à ação, como o premiado </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt1392190/?ref_=nv_sr_srsg_0"><i><span style="font-weight: 400;">Mad Max</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (2015)</span></i> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt2406566/?ref_=nv_sr_srsg_0"><i><span style="font-weight: 400;">Atômica</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (2017)</span></i><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">estende sua versatilidade às cenas de luta, dispensando dublês e se consagrando no gênero. Toda a expectativa alimentada pela atriz é atendida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Kiki Layne também é uma boa surpresa. Novata no gênero, também faz parte das cenas de ação e entrega uma boa performance, trazendo os anseios e medos de uma jovem que acabou de descobrir seus poderes. Os atores secundários incorporam bem seus personagens, principalmente nas lutas, mas têm pouco tempo para trabalharem suas origens.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As duas protagonistas e a diretora alimentam a esperança de maior representatividade nas produções </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodianas</span></i><span style="font-weight: 400;">. Enquanto as mulheres ainda são a minoria em filmes de ação e super heróis, grandes sucessos como </span><a href="http://personaunesp.com.br/critica-mulher-maravilha/"><i><span style="font-weight: 400;">Mulher Maravilha</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="http://personaunesp.com.br/aves-de-rapina-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Aves de Rapina</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, Atômica </span></i><span style="font-weight: 400;">e, agora, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Old Guard, </span></i><span style="font-weight: 400;">que não colocam a personagem feminina como o mero interesse romântico – e sexualizado &#8211; do galã, nos deixam ansiosos para o futuro das produções do gênero. E a estrela Charlize Theron faz questão de ressaltar, mais de uma vez, a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eIeFaVWme9o"><span style="font-weight: 400;">necessidade de representatividade</span></a><span style="font-weight: 400;"> não só em seus trabalhos, mas em toda Hollywood.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Old Guard | Trailer oficial | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/x4_EAlRLY_E?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">O final de <em>The Old Guard</em> deixa em aberto à situação dos guerreiros e a razão de sua imortalidade e uma cena pós-crédito, com a volta de um importante personagem, aumenta ainda mais a tensão e a curiosidade do telespectador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem prometer muito, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> entrega um bom e divertido filme de ação e deixa o gancho para uma sequência. Charlize Theron anima os fãs do filme: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Todos nós realmente queremos fazer isso (uma sequência), tenho certeza de que, na hora certa, iniciaremos a conversa”.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez na esperada continuação conheceremos mais do passado dos guerreiros imortais e descobriremos o que realmente aconteceu em </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2020/07/18/the-old-guard-todo-mundo-quer-saber-o-que-aconteceu-em-sao-paulo-em-1834.htm"><span style="font-weight: 400;">São Paulo em 1834</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>O Escândalo é o que acontece quando homens contam nossa história</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Feb 2020 20:25:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Laura Ferreira]]></category>
		<category><![CDATA[Bombshell]]></category>
		<category><![CDATA[Charlize Theron]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Jay Roach]]></category>
		<category><![CDATA[O Escândalo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Laura Ferreira Desde a Ilíada, com os épicos poemas escritos por Homero, a história é contada pelos vitorioso e aponta apenas uma versão dos fatos. Até hoje essa estrutura se mantém, fazendo com que os “vitoriosos” da hierarquia social falem por aqueles que foram silenciados. O Escândalo (Bombshell) segue essa mesma linha narrativa ao &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-escandalo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Escândalo é o que acontece quando homens contam nossa história"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_13583" aria-describedby="caption-attachment-13583" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-13583" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/02/001.jpg" alt="" width="1024" height="795" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/02/001.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/02/001-300x233.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/02/001-768x596.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-13583" class="wp-caption-text">(Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Ana Laura Ferreira</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde a </span><i><span style="font-weight: 400;">Ilíada</span></i><span style="font-weight: 400;">, com os épicos poemas escritos por Homero, a história é contada pelos vitorioso e aponta apenas uma versão dos fatos. Até hoje essa estrutura se mantém, fazendo com que os </span><i><span style="font-weight: 400;">“vitoriosos”</span></i><span style="font-weight: 400;"> da hierarquia social falem por aqueles que foram silenciados. </span><i><span style="font-weight: 400;">O Escândalo</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">(Bombshell)</span></i><span style="font-weight: 400;"> segue essa mesma linha narrativa ao pautar o assédio sexual sofrido pelas jornalistas da </span><i><span style="font-weight: 400;">FOX News</span></i><span style="font-weight: 400;"> sob a visão, roteiro e direção de homens, que jamais entenderam a situação das vítimas por completo.</span></p>
<p><span id="more-13581"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao decorrer do filme acompanhamos três importantes jornalistas do veículo, que é o principal canal de notícias dos Estados Unidos, e suas lutas internas e externas para enfrentar o assediador e diretor chefe da empresa, Roger Ailes (</span><span style="font-weight: 400;">John Lithgow</span><span style="font-weight: 400;">). São elas a âncora Megyn Kelly (Charlize Theron), a apresentadora Gretchen Carlson (Nicole Kidman) e a aspirante ao estrelato Kayla Pospisil (Margot Robbie), a única personagem fictícia relevante a trama. Com um primeiro ato longo e detalhista, demoramos a ser introduzidos devidamente no assunto principal do filme. Entretanto, esse extenso </span><i><span style="font-weight: 400;">background</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos ajuda a entender a hierarquia profissional e moral exercida na empresa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Utilizando-se de recursos como a quebra da quarta parede, somos prontamente incluídos naquele cenário caótico. É reservada ao espectador a visão quase que de um estagiário, que está autorizado apenas a observar. O estilo de filmagem documental contribui para criarmos esse sentimento de inclusão, entretanto a câmera exageradamente tremida cansa ao decorrer do filme e traz, também, certa artificialidade. Outro recurso cinematográfico muito usado na trama é o chamado </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=93FAAdkv3bk"><i><span style="font-weight: 400;">Deus Ex-machina</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Ligado, nesse caso, a passagem abrupta do tempo, ela age como um facilitador dentro da história, cortando-a em capítulos fechados.</span></p>
<figure id="attachment_13584" aria-describedby="caption-attachment-13584" style="width: 860px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-13584" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/02/imagem-2.jpg" alt="" width="860" height="559" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/02/imagem-2.jpg 860w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/02/imagem-2-300x195.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/02/imagem-2-768x499.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-13584" class="wp-caption-text">Além dos casos de assédio, o filme também aborda questões políticas e preconceitos enraizados na cultura americana (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de trazer qualidades técnicas pouco avançadas, o grande pesar de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Escândalo</span></i><span style="font-weight: 400;"> é seu olhar </span><a href="https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2018/12/03/machismo-sexismo-e-misoginia-quais-sao-as-diferencas.htm"><span style="font-weight: 400;">machista e misógino</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre o caso. Dirigido por </span><span style="font-weight: 400;">Jay Roach</span><span style="font-weight: 400;"> &#8211; de </span><i><span style="font-weight: 400;">Austin Powers (1997) </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Borat (2006)</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e roteirizado por Charles Randolph &#8211; de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Grande Aposta (2015)</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; o longa coloca suas principais funções nas mãos de homens, os quais nunca conseguiram entender, em sua completude, os medos, traumas e aflições que permeiam o assédio sexual. Essa visão robótica e masculinizada dos fatos torna o filme pouco imersivo nos sofrimentos das vítimas, abrandando a gravidade da situação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A câmera, com planos fechados e detalhes, chega a ser conivente aos abusos feitos por Ailes, ao sexualixar suas personagens de forma a criar justificativas ao ocorrido. Uma cena em especial causa no mínimo indignação ao espectador pela duvidosa escolha de planos. Protagonizada por Margot, a direção prefere filmar suas pernas e sua calcinha durante o momento do assédio à seu rosto que transparece tremenda agonia. Em outra cena a personagem de Robbie contesta Charlize Theron por suas ações, culpabilizando a jornalista pelos atos de Roger em uma construção caricata e machista, que responsabiliza as vítimas e encobre os abusadores.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como um </span><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Oscar_bait"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar Bait</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> moderno, o roteiro se distancia do drama &#8211; que seria o gênero natural para tratar o assunto &#8211; e pende para um lado cômico e satírico que prejudica seu desenvolvimento ao quebrar o estilo narrativo. Essa abordagem prejudica também a expansão das personagens dentro do universo criado. Por ser baseado em fatos reais é aceitável que o filme se contenha para manter a veracidade, porém em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Escândalo</span></i><span style="font-weight: 400;"> o roteirista tinha em Kayla sua </span><i><span style="font-weight: 400;">“carta na manga”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Por se tratar de uma persona ficcional, seu espaço na narrativa poderia ter sido usado para expandir em maior potência o assunto e os assédios, entretanto, ela é reduzida a um personagem genérico e pouco expressivo, dados os traumas sofridos.</span></p>
<figure id="attachment_13585" aria-describedby="caption-attachment-13585" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-13585" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/02/imagem-3.gif" alt="" width="512" height="237" /><figcaption id="caption-attachment-13585" class="wp-caption-text">Mesmo condenado pelos assédios, Roger Ailes recebeu uma indenização maior que as vítimas e se mantém como uma figura respeitada no telejornalismo (Gif: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, o longa também conta com pontos positivos, sendo o principal deles sua </span><a href="https://www.huffpostbrasil.com/entry/charlize-theron-maquiagem_br_5e318c1ec5b680b21f09a2cc?guccounter=1&amp;guce_referrer=aHR0cHM6Ly93d3cuZ29vZ2xlLmNvbS8&amp;guce_referrer_sig=AQAAADTM5aHPSXiYRFmbJnm5JwomUUVA-AXMLSlbDtq9IB0OXgbZz6kMYPnNOK2PifErm7QgzkuCumu0UMpI1YeQ8b-t4ke-QbFPCjPDGpZKZB3Ea-Lj9wB9NHt894jPUpxU7o8orUQFxioX7aa7KzL713kVq5Nm3IynCdwHABXKSnKM"><span style="font-weight: 400;">primorosa maquiagem</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao transformar Charlize em uma cópia exata da real Megyn Kelly, o filme faturou os prêmios </span><i><span style="font-weight: 400;">Critic&#8217;s Choice Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bafta </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">. Concorrendo em outras categorias, Theron foi indicada a Melhor Atriz e Margot Robbie a Melhor Atriz Coadjuvante no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar 2020</span></i><span style="font-weight: 400;">. Outro ponto positivo é atribuído ao roteiro, que aborda as opressões vividas dentro do império </span><i><span style="font-weight: 400;">Fox News</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a imposição sofrida pela equipe para apoiar Roger Ailes e invalidar as vítimas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de abordar um tema que deve ser debatido e trazer uma história que deve ser contada, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Escândalo</span></i><span style="font-weight: 400;"> se restringe a uma visão pouco crítica dos fatos. Diferente da minissérie</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=lAnJJHrq0Ws"><i><span style="font-weight: 400;">The Loudest Voice</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (2019)</span></i><span style="font-weight: 400;">, que aborda o mesmo ocorrido, mas de maneira mais profunda, o filme se perde ao tentar ser politicamente correto e cai em contradições, culpabilizando suas heroínas. Extremamente problemático, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Escândalo</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um filme que deve ser assistido por todos para que possam tomar consciência que certas história devem ser contadas por suas minorias, e para que entendamos que a visão masculina dos fatos é apenas um recorte mal feito e seletivo do que lhes interessa.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Megyn Kelly Presents: A Response to &quot;Bombshell&quot; - Full Discussion" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/MmSz7HqkI9s?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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