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	<title>Arquivos Celine Song &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Celine Song &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Amores Materialistas é fútil e previsível, mas, ainda sim, realista</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Aug 2025 13:00:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: este texto contém spoilers Marcela Jardim Vendido como uma comédia romântica charmosa e leve, Amores Materialistas chega aos cinemas embalado por cartazes luminosos, diálogos espirituosos e a promessa de um romance improvável. No entanto, sob a direção de Celine Song, a obra se revela muito mais próxima de um estudo sociológico do que de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-amores-materialistas/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Amores Materialistas é fútil e previsível, mas, ainda sim, realista"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso: </i></b><i><span style="font-weight: 400;">este texto contém spoilers</span></i></p>
<figure id="attachment_35577" aria-describedby="caption-attachment-35577" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-35577" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-3.png" alt="Cena do filme Amores Materialistas. A cena retrata um casal, Pedro Pascal e Dakota Johnson, em um ambiente urbano, com estilo casual e foco nas expressões e interações sutis entre eles. O homem, mais alto, tem cabelos castanho-escuros, bigode e veste casaco bege com camisa castanho-alaranjada, exibindo expressão neutra. A mulher, de cabelos castanho-escuros em camadas com franja, veste um casaco de couro preto e apresenta semblante levemente sério. O enquadramento é próximo, destacando o casal contra um fundo urbano desfocado, criando profundidade e realce visual. A iluminação natural e difusa indica uma cena ao ar livre durante o dia, com tons neutros e abordagem realista, sem efeitos estilísticos marcantes." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-3.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-3-768x432.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35577" class="wp-caption-text">Os três protagonistas do filme já participaram da Marvel (Foto: Killer Films)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Jardim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vendido como uma comédia romântica charmosa e leve, </span><i><span style="font-weight: 400;">Amores Materialistas</span></i><span style="font-weight: 400;"> chega aos cinemas embalado por cartazes luminosos, diálogos espirituosos e a promessa de um romance improvável. No entanto, sob a direção de Celine Song, a obra se revela muito mais próxima de um estudo sociológico do que de um escapismo açucarado. Ao centro da trama está Lucy (</span><a href="https://personaunesp.com.br/madame-teia-critica/"><span style="font-weight: 400;">Dakota Johnson</span></a><span style="font-weight: 400;">), cuja construção é deliberadamente marcada por uma frieza controlada e uma beleza comum. Ela é a síntese da protagonista superficial: elegante, discreta, previsível e incapaz de se despir da persona que criou para si. A personagem atua como casamenteira em uma agência que trata encontros como transações de mercado — uma espécie de ‘Tinder humano’ em que o amor é reduzido a compatibilidades de status, aparência e renda.</span></p>
<p><span id="more-35575"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A crítica de </span><a href="https://personaunesp.com.br/past-lives-critica/"><span style="font-weight: 400;">Song</span></a><span style="font-weight: 400;"> à futilidade contemporânea é certeira. A produção escancara um modelo de relacionamento em que o parceiro ideal é escolhido como se fosse um produto </span><i><span style="font-weight: 400;">premium</span></i><span style="font-weight: 400;">, avaliado por atributos tangíveis e descartáveis diante de uma opção mais vantajosa. O retrato é cruel justamente por ser reconhecível: há, no filme, uma acuidade incômoda em mostrar o quanto relações afetivas hoje são atravessadas por lógicas de consumo. Lucy, nesse sentido, é menos uma heroína romântica do que um espelho polido — e vazio — de nossa era de afetos calculados.</span></p>
<figure id="attachment_35576" aria-describedby="caption-attachment-35576" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35576" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-3-800x533.png" alt="Cena do filme Amores Materialistas. A cena mostra Pedro Pascal e Dakota Johnson dançando de mãos dadas em um ambiente festivo, casamento. O foco está no casal, com o fundo desfocado, reforçando a intimidade do momento. O homem, de terno escuro, e a mulher, com um vestido azul, exibem expressões gentis e afetuosas. A iluminação suave e o uso da profundidade de campo criam um tom romântico e caloroso, transmitindo a atmosfera alegre e acolhedora do evento." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-3-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-3-1024x682.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-3-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-3-1200x800.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-3.png 1400w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35576" class="wp-caption-text">A cena do casamento precisou ser gravada em 4 locais diferentes pela alta procura (Foto: Killer Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Parte do desconforto causado pelo longa vem da maneira como foi divulgado. O </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dkkdyVd75M8"><i><span style="font-weight: 400;">marketing</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se apoiou em um enquadramento típico de </span><i><span style="font-weight: 400;">romcom</span></i><span style="font-weight: 400;">: luz natural, cores quentes, diálogos rápidos e um triângulo amoroso sugerido. O resultado foi a expectativa de um enredo leve e reconfortante. No entanto, Song subverte essa promessa, entregando uma narrativa fria, com ritmo contido e ausência de grandes momentos catárticos. Não há antagonismos caricatos, nem reviravoltas milagrosas. A aparente previsibilidade, longe de ser um defeito, é incorporada como parte do comentário social: no universo do filme, já sabemos de antemão quem ficará com quem, porque os papéis sociais, os padrões de beleza e as convenções emocionais determinam o desfecho antes mesmo que ele aconteça.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa também é incisivo ao tratar a aparência como valor social absoluto. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Amores Materialistas</span></i><span style="font-weight: 400;">, a beleza não é apenas desejável: ela é determinante de status e poder. Isso se materializa no personagem Harry (</span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-quarteto-fantastico-primeiros-passos/"><span style="font-weight: 400;">Pedro Pascal</span></a><span style="font-weight: 400;">), cuja perfeição física é resultado de intervenções estéticas, e se reflete no ambiente em que os personagens circulam — apartamentos milionários, restaurantes de linhas limpas e paleta neutra, onde tudo é milimetricamente planejado para transmitir bom gosto. É um espaço elegante, mas sem calor humano, como se a vida fosse mais um cenário instagramável.</span></p>
<figure id="attachment_35579" aria-describedby="caption-attachment-35579" style="width: 418px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-35579" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image4.png" alt="Cena do filme Amores Materialistas. A cena mostra um homem de maduro, Pedro Pascal, vestido com smoking preto e gravata borboleta, sentado em uma sala social de evento formal. Ele aparece em plano médio, centralizado no enquadramento, com expressão de concentração ou observação. O cenário sugere uma pausa ou conversa, reforçada pela presença de outros indivíduos ao fundo e à esquerda, incluindo uma mulher de vestido azul-turquesa. A fotografia tem estilo narrativo, com iluminação suave e natural, sem sombras marcantes, destacando o homem como foco principal. O ambiente, de decoração elaborada, indica um espaço formal, possivelmente retratado em filme ou televisão, transmitindo a atmosfera de um encontro social sofisticado." width="418" height="220" /><figcaption id="caption-attachment-35579" class="wp-caption-text">Song enfatiza que a obra é uma crítica ao capitalismo, mostrando como somos levados a nos enxergar e nos relacionar como mercadorias (Foto: Killer Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A crítica aos estereótipos femininos também é evidente, ainda que a obra não escape completamente deles. Lucy encarna a figura da </span><a href="https://drajulianafialho.com.br/glossario/o-que-e-mulher-moderna-entenda-o-conceito/"><span style="font-weight: 400;">mulher moderna</span></a><span style="font-weight: 400;">, independente e bem-sucedida, porém emocionalmente blindada. Ela é sedutora e inacessível, consciente de seu valor e de como capitalizá-lo, mas igualmente presa às expectativas que diz questionar. Paralelamente, enquanto aponta a superficialidade das regras que regem o mercado amoroso, a personagem as reproduz, reforçando padrões rígidos de gênero e classe.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um momento quase lateral, entretanto narrativamente potente, o filme aborda a </span><a href="https://gente.ig.com.br/cultura/2019-03-22/obras-arte-violencia-domestica.html"><span style="font-weight: 400;">violência doméstica</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao recomendar uma cliente para um homem abusivo, Lucy é obrigada a encarar os limites e consequências de um sistema que valoriza atributos superficiais acima de qualquer profundidade moral. A cena, ainda que breve, rompe a leveza controlada do restante da narrativa e insinua uma produção mais densa que Song opta por não explorar integralmente. Essa escolha mantém o tom contido, mas também frustra quem esperava um mergulho mais profundo nas camadas dramáticas da trama.</span></p>
<figure id="attachment_35578" aria-describedby="caption-attachment-35578" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35578" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3-4.png" alt="Cena do filme Amores Materialistas. A cena mostra Chris Evans e Dakota Johnson sentados diante de uma estrutura de madeira, envolvidos em uma conversa tranquila. O homem, à esquerda, veste camisa xadrez e jeans escuros, com expressão contemplativa; a mulher, à direita, usa camisa branca e jeans claros, transmitindo serenidade. Ambos estão voltados um para o outro, em postura relaxada, sugerindo intimidade e naturalidade. O estilo é fotográfico e naturalista, com tons terrosos e iluminação suave, criando uma atmosfera calma e cotidiana, reforçada pelo fundo rústico e discreto da cerca." width="768" height="432" /><figcaption id="caption-attachment-35578" class="wp-caption-text">O filme não é baseado em uma história real, mas é inspirado na experiência de Celine Song como casamenteira (Foto: Killer Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre os dois interesses amorosos que orbitam Lucy, a oposição é menos sobre personalidade e mais sobre o que cada um simboliza. De um lado, Harry encarna o ideal estético absoluto: belo, seguro, socialmente validado, quase uma vitrine de padrões de beleza contemporâneos — um ‘produto final’ pronto para consumo. Do outro, John (</span><a href="https://personaunesp.com.br/entre-facas-e-segredos-critica/"><span style="font-weight: 400;">Chris Evans)</span></a><span style="font-weight: 400;"> surge com um carisma mais sutil, marcado por vulnerabilidade, imperfeições e uma relação menos performática com o mundo. Ainda que a narrativa sugira uma disputa entre opostos, o longa deixa claro que, no universo regido por aparências e capital simbólico, a balança dificilmente pende para o lado menos lapidado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se o final segue a fórmula — Lucy acaba ao lado de quem o público já intuiu desde os primeiros minutos —, é justamente aí que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6v_8Ew0mD5c"><i><span style="font-weight: 400;">Amores Materialistas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> revela seu ponto mais agudo. A previsibilidade não é falha, porém diagnóstica. Ao encenar uma história de amor que parece escrita antes mesmo de começar, Song expõe como as estruturas sociais, os padrões estéticos e as expectativas comportamentais moldam nossas escolhas a ponto de eliminar o acaso. Não se trata de acreditar ou não no amor, mas de aceitar que, neste jogo de performances e aparências, o roteiro raramente muda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O resultado é um filme que combina frieza calculada com estética, emocionalmente estéril e intelectualmente provocador. </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-amores-materialistas/"><i><span style="font-weight: 400;">Amores Materialistas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> talvez não conquiste o coração de quem busca o conforto de uma comédia romântica tradicional, mas certamente inquietará quem está disposto a encarar o espelho que ele oferece. Fútil e previsível? Sim. Mas também realista a ponto de incomodar — e é exatamente o ponto alto do longa, um dos únicos.</span></p>
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		<title>O Desencontrar de Vidas Passadas</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Oct 2023 18:42:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ludmila Henrique  Na cultura sul-coreana, há um conceito conhecido como In-Yun, que pode ser lido como “destino” ou “reencarnação”. Em gênese, In-Yun é o pressentimento que nos arrebata quando entendemos que uma eventualidade estava predestinada em nossos acasos, desenhada em algum no campo cósmico, e que nada e nem ninguém, poderia ser capaz de interferir &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/past-lives-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Desencontrar de Vidas Passadas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31664" aria-describedby="caption-attachment-31664" style="width: 736px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31664" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-3.jpg" alt="" width="736" height="368" /><figcaption id="caption-attachment-31664" class="wp-caption-text">Antes do sucesso nas telas de cinema, o longa-metragem foi aclamado pela crítica especializada no Sundance Film Festival e na 73ª edição do Berlinale (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Ludmila Henrique </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na cultura sul-coreana, há um conceito conhecido como </span><i><span style="font-weight: 400;">In-Yun</span></i><span style="font-weight: 400;">, que pode ser lido como “</span><i><span style="font-weight: 400;">destino</span></i><span style="font-weight: 400;">” ou “</span><i><span style="font-weight: 400;">reencarnação</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Em gênese, </span><i><span style="font-weight: 400;">In-Yun</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o pressentimento que nos arrebata quando entendemos que uma eventualidade estava predestinada em nossos acasos, desenhada em algum no campo cósmico, e que nada e nem ninguém, poderia ser capaz de interferir naquela factualidade. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Past Lives</span></i><span style="font-weight: 400;">, longa de estreia da cineasta Celine Song exibido no Brasil durante a 25ª edição do </span><a href="https://www.festivaldorio.com.br/br/noticias/festival-do-rio-anuncia-primeiros-filmes-internacionais"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio</span></a><span style="font-weight: 400;">, vemos o movimento de tempo entre dois melhores amigos e a maneira que seus destinos estão entrelaçados involuntariamente com suas vidas passadas. </span></p>
<p><span id="more-31662"></span></p>
<p><a href="https://letterboxd.com/journal/missed-connections-celine-song-past-lives/"><i><span style="font-weight: 400;">Past Lives</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> segue a trajetória de Na Young (Seung Ah Moon), jovem sul-coreana, que migrou do leste asiático para o Canadá e posteriormente para os Estados Unidos para vivenciar o tão perseguido sonho americano. Antes de assimilar as decorrências de suas escolhas, Young abandonou seu primeiro amor em seu país de origem, o jovem Hae Sung (Seung Min Yim), que embora distante do seu ponto de vista, permaneceu internalizado em algum vão de sua memória. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O arco dividido em três atos no decorrer de 24 anos regressa no momento em que a protagonista, agora conhecida como Nora (Greta Lee) e oficialmente cidadã norte-americana, reencontra com a figura de Hae Sung (Teo Yoo) nas redes sociais e reiteradamente resgatam as lembranças perdidas por meio de mensagens diárias. Embora os avanços tenham desencadeado uma memória afetiva entre os dois, a diferença entre rotas e a distância impossibilitou que o romance seguisse para um caminho sólido, contribuindo para um novo afastamento. Ambos seguiram suas vidas, conheceram outras pessoas e se apaixonaram por elas, entretanto, nunca conseguiram esquecer de maneira efetiva os acontecimentos do </span><a href="https://letterboxd.com/crew/story/the-cast-of-past-lives-tell-us-about-their/"><span style="font-weight: 400;">passado</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_31663" aria-describedby="caption-attachment-31663" style="width: 735px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-31663 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-3.jpg" alt="Cena do filme Past Lives. Da esquerda para a direita está Hae Sung (Seung Min Yim), jovem sul coreano, de cabelo liso, curto na tonalidade preta. Ele está vestindo uma jaqueta e uma calça em diferentes tonalidades de azul e carregando uma mochila nas costas também na cor azul. Ao seu lado está Na Young (Seung Ah Moon), jovem sul coreana, de cabelos castanhos, amarrados em um rabo de cavalo. Ela está vestindo um macacão azul jeans, uma blusa vermelha de flanela e um tênis branco, ela também está carregando uma mochila vermelha nas costas. Eles estão ao ar livre, nos arredores do bairro onde eles moram. Ao fundo é perceptível algumas casas em diversas tonalidades, plantas dentros de vasos e uma escadaria de concreto. " width="735" height="395" /><figcaption id="caption-attachment-31663" class="wp-caption-text">Past Lives alcançou 97% de aprovação no Rotten Tomatoes, marcando uma classificação média de 9.1/10 (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa-metragem é, além de tudo, um filme sobre </span><a href="https://medium.com/framerated/past-lives-2023-complex-immigrant-romance-full-of-yearning-fd183115145e"><span style="font-weight: 400;">cidades</span></a><span style="font-weight: 400;">, sobre o espaço entre elas, suas semelhanças e dessemelhanças. A fotografia de Shabier Kirchner captura a beleza de dois polos diferentes, Seoul e Nova York. Em primeiro aspecto, por ambientar a infância de Nora e Hae Sung, a capital sul-coreana é retratada essencialmente por cenários arborizados, divagando por paisagens naturais e pátios escolares. Além da ambientação, a climatização dos primeiros minutos de tela são matizados por tonalidades mais vivas e expressivas, representando não apenas a pureza desse período, mas também o florescer da conexão entre os protagonistas.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contrário ao clima vivaz da juventude, Nova York parece um muro de concreto, sólido, firme e acinzentado. A metrópole é palco do turismo estadunidense, retratado como um espaço na qual as pessoas vão para visitar, fotografar seus lugares históricos e adentrar nos restaurantes noturnos. O centro representa o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=v-lxn21Ng9k"><span style="font-weight: 400;">amadurecimento</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Nora, da mulher forte na qual ela se tornou, e que encontrou seu conforto em meio ao caos da rotina agitada na grande cidade. </span></p>
<figure id="attachment_31665" aria-describedby="caption-attachment-31665" style="width: 736px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31665" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-3.jpg" alt="" width="736" height="414" /><figcaption id="caption-attachment-31665" class="wp-caption-text">Em 2023, Greta Lee participou de dois filmes registrados com maior audiência nos cinemas, Past Lives e Homem Aranha: Através do Aranhaverso (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nora é um espelho da própria cineasta, que também migrou da Coreia do Sul para os Estados Unidos. Assim como </span><a href="https://a24films.com/notes/2023/06/a-note-from-celine-song"><span style="font-weight: 400;">Celine Song</span></a><span style="font-weight: 400;">, a personagem mantém essa conexão entre as duas superfícies. Uma metáfora dos dois, ao mesmo tempo que nenhum deles. Ela carrega consigo suas raízes coreanas e a recordação da sua infância, mas igualmente se encontra como uma garota tipicamente estadunidense. Ela é duas metades que se completam e que compartilham desse amor mútuo entre os dois mundos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente disso, parafraseando a fala da protagonista,</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9WJELGFUG-w"><span style="font-weight: 400;"> Hae Sung</span></a><span style="font-weight: 400;"> é em sua completude, um homem sul-coreano. Ele leva em sua essência os pensamentos, ideais e princípios da cultura coreana, compondo uma personalidade tímida e observadora, extremamente respeitosa e questionadora. Hae Sung conduz uma nostalgia acolhedora para Nora, trazendo múltiplas indagações de como suas vidas poderiam ter seguido caminhos diferentes se ela tivesse permanecido na Coreia do Sul, como as coisas poderiam ter se desenhado para um novo rumo. </span></p>
<figure id="attachment_31667" aria-describedby="caption-attachment-31667" style="width: 736px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31667" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-2.jpg" alt="" width="736" height="385" /><figcaption id="caption-attachment-31667" class="wp-caption-text">Past Lives foi indicado na categoria Urso de Ouro, prêmio de maior destaque no Festival de Cinema de Berlim (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama dos personagens é sublinhada pela vasta sensação do</span> <span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">e se…</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Em ritmos descompassados, a sensação de como as coisas poderiam ter sido diferentes na vida de Nora e Hae Sung domina a tela de modo pontual, emergindo nos momentos de pausa, na troca de olhares e na </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/2JwAMKpwk4IolH2KhF6nPn"><span style="font-weight: 400;">sonoridade</span></a><span style="font-weight: 400;"> que anuncia de maneira sucinta o que esses personagens significam um para outro naquele momento. A trilha sonora de Daniel Rossen e Christopher Bear totalizam esse sentimento, com timbres que invadem a cena e atingem o espaço e as emoções dos espectadores, que também seguem na reflexão sobre as escolhas que determinaram o específico momento de suas vidas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somando a ligação em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IAy9WVR5BUg"><i><span style="font-weight: 400;">In-Yun</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o atual parceiro de Nora, Arthur (John Magaro), configura outro aspecto na trajetória da personagem. A inquietude dele em razão da nova aparição de Hae Sung, carrega consigo a apreensão de novas manifestações emocionais entre os antigos melhores amigos de infância. Ainda assim, mesmo que o novo homem alcance os sentimentos de Na Young pela nostalgia, Arthur é uma representação de uma realidade, de um fato. Ele configura a escolha madura de Nora, reflete um verdadeiro encontro de almas, o “</span><i><span style="font-weight: 400;">ficar</span></i><span style="font-weight: 400;">” que estava predestinado, diferente de sua convivência com o seu antigo amor, que é marcado, sobretudo, pelo passado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, a maneira que Celine Song anexa o conceito de destino no interior da cinematografia é mais pertencente ao sinônimo de encontro entre almas, do que de almas gêmeas. Isso fica evidente em meio a própria </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9d4ObkmCJYs"><span style="font-weight: 400;">relação</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Arthur e Hae Sung, que se conectam em razão de outro vínculo comum em suas vidas, o de Nora. O caminho trilhado por ela e sua transição de espaços também precedeu para o encontro dos dois, que talvez, se não fosse por ela, nunca teriam acontecido nessa vida ou poderia ter acontecido de outra maneira. </span></p>
<figure id="attachment_31666" aria-describedby="caption-attachment-31666" style="width: 1869px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31666" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2.jpg" alt="" width="1869" height="1007" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2.jpg 1869w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-800x431.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-1024x552.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-768x414.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-1536x828.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-1200x647.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31666" class="wp-caption-text">“Se você deixa algo para trás, você ganha algo também” (Foto: California Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama nos transporta para uma reflexão interna. Ela consegue, de maneira minuciosa, sensibilizar a audiência delicadamente e impactar a extensão mais profunda dos nossos sentimentos. A sensação que fica é de conciliação com o nosso eu anterior, com os atos que acreditamos ser erros ou acertos, e que na verdade, já estavam alinhados de maneira natural em nossa sina. </span><a href="https://www.berlinale.de/en/2023/programme/202313871.html"><i><span style="font-weight: 400;">Past Lives</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um filme sobre amor, abandono, passado e presente. Sobre as conexões que fazemos quando criança e que moldaram nossas decisões como adultos. </span></p>
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