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	<title>Arquivos Cabine &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Coração de Lutador traz Dwayne Johnson enfrentando o silêncio depois do ringue</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Oct 2025 19:14:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Arthur Caires Da glória nos ringues da World Wrestling Entertainment (WWE) ao domínio em franquias blockbusters milionárias de ação, Dwayne Johnson consolidou-se como um ícone do entretenimento. Mas todo herói carrega, em silêncio, uma fissura. O que falta a alguém que já parece ter conquistado tudo? Coração de Lutador faz dessa pergunta seu eixo narrativo, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/coracao-de-lutador-traz-dwayne-johnson-enfrentando-o-silencio-depois-do-ringue/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Coração de Lutador traz Dwayne Johnson enfrentando o silêncio depois do ringue"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35849" aria-describedby="caption-attachment-35849" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-35849" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-800x450.png" alt="Uma cena do filme Coração de Lutador, vista de dentro de um ringue de luta, focada em quatro personagens em um momento de alta tensão. Da esquerda para a direita: Bas Rutten, como um treinador, é um homem mais velho, careca, vestindo uma camiseta verde-escura. Ele se inclina para a frente com uma expressão de intensa preocupação e seriedade, olhando para o lutador. Atrás do lutador, Ryan Bader o segura firmemente pelos ombros. Ele está vestido de preto e seu rosto também mostra foco e preocupação, como se estivesse tentando conter ou dar apoio. No centro da imagem, sentado em um banco vermelho no corner do ringue, está o lutador Mark Kerr, interpretado por Dwayne Johnson. Ele está sem camisa, exibindo um físico musculoso, e veste shorts de luta brancos com detalhes em vermelho e uma joelheira preta. Sua expressão é de angústia e exaustão; seus olhos estão arregalados e fixos, e sua boca está entreaberta. À direita, do lado de fora das cordas, está Dawn, interpretada por Emily Blunt. Com cabelos longos e escuros e vestindo uma regata branca, ela olha para a cena com uma expressão de profunda tristeza, angústia e preocupação." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35849" class="wp-caption-text">Dwayne Johnson no centro da narrativa de Coração de Lutador, entre força física e fragilidade emocional (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Arthur Caires</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Da glória nos ringues da </span><a href="https://comandogeek.com.br/blog/glossario/o-que-e-wwe-world-wrestling-entertainment/?srsltid=AfmBOoo-1H2uz_K7hpmz4UCbCznitvyan_jRyBLskMxcXI6qw9-wqZoY"><i><span style="font-weight: 400;">World Wrestling Entertainment</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (WWE) ao domínio em franquias </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbusters </span></i><span style="font-weight: 400;">milionárias de ação, Dwayne Johnson consolidou-se como um ícone do entretenimento. Mas todo herói carrega, em silêncio, uma fissura. O que falta a alguém que já parece ter conquistado tudo? </span><i><span style="font-weight: 400;">Coração de Lutador</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz dessa pergunta seu eixo narrativo, atravessando a persona inquebrantável de The Rock para revelar </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/reportagem/mark-kerr-veja-a-historia-do-lutador-que-sera-interpretado-por-the-rock.phtml"><span style="font-weight: 400;">Mark Kerr</span></a><span style="font-weight: 400;">, lutador real que habita a zona de instabilidade entre a vitória pública e a masculinidade frágil.</span></p>
<p><span id="more-35846"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao levar essa história ao </span><a href="https://www.instagram.com/p/DOuFzy6kt9n/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igsh=MzRlODBiNWFlZA=="><i><span style="font-weight: 400;">Festival de Toronto</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a própria presença de Kerr no evento, diante das câmeras, ecoa o gesto de reconhecimento que o filme encena: agora, sua vida ganha o rosto e a voz de uma das figuras mais conhecidas de Hollywood. Nas mãos do diretor Benny Safdie, esse encontro entre biografia e performance não se reduz a mero espetáculo esportivo; ao contrário, se abre para tensões sobre identidade e companheirismo. O resultado é uma obra que olha para além do ícone musculoso, em busca do homem que aprende a lidar com suas dores, dependências e amores – e que, nesse processo, talvez encontre o que realmente significa ser visto.</span></p>
<figure id="attachment_35848" aria-describedby="caption-attachment-35848" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35848" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-800x450.png" alt="Em uma cena do filme Coração de Lutador, o ator Dwayne Johnson, interpretando o lutador Mark Kerr, celebra uma vitória. Ele está em pé, sem camisa, com o corpo musculoso e brilhando de suor. Uma toalha branca está casualmente jogada sobre seu ombro esquerdo. Com a mão direita, ele ergue um grande cinturão de campeão, que tem uma faixa preta e uma placa central dourada com detalhes em relevo. Dwayne Johnson olha para cima e para o lado com um sorriso largo e radiante, expressando pura alegria e triunfo. O fundo é caloroso e festivo, preenchido com luzes douradas e desfocadas que criam um efeito brilhante (bokeh). À esquerda, mãos de pessoas aplaudem, e à direita, o rosto de uma mulher sorrindo é parcialmente visível, completando a atmosfera de comemoração." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35848" class="wp-caption-text">Johnson encontra nos gestos sutis a dimensão humana de seu personagem, revelando vulnerabilidade e autenticidade (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em sua primeira incursão solo, </span><a href="https://www.ingresso.com/noticias/benny-safdie-conquista-leao-de-prata-coracao-de-lutador-the-smashing-machine-festival-veneza-lista-premiados?city=sao-paulo&amp;partnership=needext&amp;ing_source=api&amp;ing_medium=link-filme&amp;ing_campaign=needext&amp;ing_content=deuses-da-peste"><span style="font-weight: 400;">Safdie</span></a><span style="font-weight: 400;"> parece mais interessado em auscultar a respiração de seus personagens do que em celebrar a glória das batalhas. A câmera recusa a perspectiva frontal e prefere se infiltrar pelos cantos, como quem espiona uma intimidade que não deveria ser vista. Há algo de documental, uma aproximação que dissolve a fronteira entre encenação e realidade, transformando a rotina de Mark Kerr em matéria de observação. Não se trata apenas de uma coreografia de socos, mas o registro do corpo cansado, do silêncio entre as falas, da tensão que persiste quando as luzes já se apagaram.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor constrói quase um </span><i><span style="font-weight: 400;">reality</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde a vida se expõe sem filtros: cortes bruscos, planos longos e hesitações que permanecem em quadro. A cena do longa que acompanha Kerr do ringue ao vestiário é exemplar nesse sentido – um fluxo contínuo que revela não apenas o atleta, porém o homem em suspensão, ainda sem saber como reagir à própria derrota. Longe da grandiosidade de lutas ultra coreografadas, </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cx2x8y9e2p8o"><i><span style="font-weight: 400;">Coração de Lutador</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> faz o detalhe ser sua maior força, o instante em que a vulnerabilidade rasga o mito e deixa ver aquilo que o espetáculo tantas vezes encobre: a solidão de existir sob os olhos de todos.</span></p>
<figure id="attachment_35847" aria-describedby="caption-attachment-35847" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35847" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-800x450.png" alt="Um close-up do ator Dwayne Johnson no filme Coração de Lutador, interpretando Mark Kerr em uma cena de conversa. Ele está vestindo uma camisa polo azul-escura, que evidencia seus braços e ombros extremamente musculosos, e usa um boné de beisebol branco. Um par de óculos de sol está pendurado na gola da camisa. Com uma expressão séria e pensativa, ele olha para o lado, como se estivesse ouvindo atentamente ou falando com alguém fora da câmera. A cena se passa em um ambiente interno com iluminação suave, possivelmente um restaurante ou um clube, com um abajur e outras pessoas desfocadas ao fundo, criando uma atmosfera mais casual e íntima." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35847" class="wp-caption-text">A câmera de Benny Safdie observa o cotidiano de Kerr com intimidade e naturalidade, longe do espetáculo (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dwayne Johnson encontra a chance de despir-se de sua persona e se arriscar em territórios de fragilidade. Seu corpo ainda impõe a presença de um ídolo de ação, mas é no vacilo do olhar, no quietude após a queda, que ele se reinventa como ator. Há momentos que parecem terem sido feitos para uma certa </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4gw7vqrwp8o"><span style="font-weight: 400;">premiação</span></a><span style="font-weight: 400;"> que acontece no começo de todo ano, no entanto o que realmente se destaca são as atitudes miúdas: a cumplicidade com o personagem de </span><a href="https://www.espn.com.br/mma/artigo/_/id/13658349/ryan-bader-anuncia-pausa-carreira-lutador-para-atuar-filme-the-rock"><span style="font-weight: 400;">Ryan Bader</span></a><span style="font-weight: 400;">, lutador profissional que se arrisca na atuação, as fraturas miúdas de uma rotina atravessada pelo vício e aqueles gestos mínimos – fugas e hesitações – que, dentro de uma relação, carregam um peso desproporcional. Nesses momentos, Johnson prova que pode ser mais do que um rosto para cartazes, que ele pode ser, de fato, um ator atravessado por uma história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se Johnson oferece a brecha para enxergar Kerr em sua dimensão íntima, </span><a href="https://personaunesp.com.br/oppenheimer-critica/"><span style="font-weight: 400;">Emily Blunt</span></a><span style="font-weight: 400;"> sustenta o eixo emocional que mantém o filme pulsando. Como Dawn, ela encarna a exaustão de uma relação marcada pelo vício e pela dependência. Sua presença é firme até quando o texto a empurra para diálogos banais, transformando pequenas expressões em densidade. Se há ecos de História de um Casamento na dinâmica conjugal em ruína, aqui os personagens soam mais crus, menos complexos, até irritantes – e talvez seja justamente essa dureza que os torna verossímeis. Blunt, que já fez muitas produções farofas, parece finalmente se encaminhar para o reconhecimento merecido: o de uma atriz eclética e carismática.</span></p>
<figure id="attachment_35850" aria-describedby="caption-attachment-35850" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35850" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image4-800x450.png" alt="Uma cena noturna do filme Coração de Lutador que mostra Dwayne Johnson e Emily Blunt caminhando juntos por uma rua movimentada no Japão. O casal está de mãos dadas no centro da imagem, ambos com expressões sérias e focadas. Dwayne Johnson, à direita, veste uma camiseta cinza-escura justa que acentua seu físico extremamente musculoso, combinada com calça jeans. Emily Blunt, à esquerda, usa um vestido branco longo e justo e segura uma jaqueta escura em seu braço. O cenário é o destaque da imagem: a rua está iluminada por dezenas de lanternas de papel redondas, com listras brancas e alaranjadas, penduradas em fios sobre suas cabeças, criando uma iluminação quente e atmosférica. Ao fundo, letreiros verticais com caracteres japoneses e outras luzes urbanas complementam a cena vibrante. A imagem é capturada de uma perspectiva que inclui elementos desfocados em primeiro plano, dando a sensação de que estamos observando o casal de perto." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image4-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image4-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image4-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image4-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image4-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image4.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35850" class="wp-caption-text">Emily Blunt sustenta o eixo emocional do filme, transformando pequenos gestos em densidade dramática (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Coração de Lutador</span></i><span style="font-weight: 400;"> é menos sobre vitórias no ringue do que sobre a impossibilidade de existir sem dor – física, emocional e cotidiana. Nesse percurso, a identidade do herói se constrói na repetição de seu próprio nome, como se a validação dependesse de ser lembrado, nomeado, visto. Entre a dependência dos </span><a href="https://ge.globo.com/combate/noticia/2025/09/10/mike-tyson-revela-uso-de-fentanil-no-auge-era-como-heroina.ghtml"><span style="font-weight: 400;">opioides</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a busca por estabilidade, a história insiste no companheirismo como chave de resistência: não são os cinturões que sustentam Mark Kerr, e sim os vínculos frágeis e insistentes com Dawn, o treinador e com aqueles que permanecem ao seu lado quando o </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">termina.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É tentador enquadrar a produção na categoria ‘cara de </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">’: cinebiografias que apostam em histórias de superação e quedas redentoras. Porém, Benny Safdie parece menos interessado em forjar um épico premiável do que em cultivar uma intimidade desconfortável. A obra escapa do artifício do </span><a href="https://www.omelete.com.br/oscar/o-que-e-oscar-bait"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar-bait</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, como se vê em produções como </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-baleia-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Baleia</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2022), porque não se ancora na glória esportiva nem na catarse fácil; prefere o gesto paciente de uma câmera que observa e que acolhe silêncios.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa encontra sua força justamente onde o espetáculo costuma se desfazer. Não se trata das vitórias que consagram, mas das quedas que revelam nossa humanidade. Dwayne Johnson, que </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/em-cartaz/o-choro-do-durao-the-rock-ao-ser-aplaudido-no-festival-de-veneza/"><span style="font-weight: 400;">chorou</span></a><span style="font-weight: 400;"> após ser aplaudido no </span><a href="https://www.instagram.com/p/DOcAGfuErmj/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igsh=MzRlODBiNWFlZA=="><i><span style="font-weight: 400;">Festival de Veneza</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, entrega aqui a prova de uma maturidade artística que recusa a caricatura. </span><i><span style="font-weight: 400;">Coração de Lutador</span></i><span style="font-weight: 400;"> deixa de ser apenas a crônica de um herói para se tornar a observação de uma experiência humana crua, feita de fragilidade e da busca incessante por ser reconhecido.</span></p>
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		<title>Em Nada, Adriano Guimarães transforma o invisível em presença</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Aug 2025 13:00:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Arthur Caires Com seu olhar intensamente sensorial, o experiente diretor de teatro brasiliense, Adriano Guimarães, estreia na ficção com Nada, um filme que aposta em pausas e silêncios de uma presença quase tátil. Distribuído pela Embaúba Filmes, o longa já passou por diversos festivais internacionais e foi premiado no Festival de Brasília nas categorias de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/em-nada-adriano-guimaraes-transforma-o-invisivel-em-presenca/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Nada, Adriano Guimarães transforma o invisível em presença"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35517" aria-describedby="caption-attachment-35517" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35517" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image4-800x533.jpg" alt="Imagem do filme Nada. A cena é observada do exterior de uma casa, através de uma janela retangular dividida por duas colunas de madeira pintadas de azul vivo. No interior, três mulheres estão reunidas em torno de uma mesa coberta por uma toalha estampada com motivos florais vermelhos e verdes. Uma lâmpada incandescente pendurada no teto ilumina a cena. À esquerda, uma mulher com cabelos curtos e óculos veste um casaco vinho sobre uma blusa clara. Ao centro, de costas para o observador, outra mulher com cabelos castanhos curtos veste um suéter branco texturizado. À direita, uma terceira mulher com cabelos escuros presos veste uma camisa listrada em tons de rosa e branco e parece estar escrevendo ou lendo algo sobre a mesa. Sobre a mesa, notam-se objetos como copos, jarras e um recipiente com alimento." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image4-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image4-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image4-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image4.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35517" class="wp-caption-text">Silêncios, gestos mínimos e atmosferas carregadas constroem a narrativa subjetiva de Nada (Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Arthur Caires</b></p>
<p><b></b><span style="font-weight: 400;">Com seu olhar intensamente sensorial, o experiente diretor de teatro brasiliense, Adriano Guimarães, estreia na ficção com </span><i><span style="font-weight: 400;">Nada</span></i><span style="font-weight: 400;">, um filme que aposta em pausas e silêncios de uma presença quase tátil. Distribuído pela </span><a href="https://www.jwave.com.br/2025/07/nada-de-adriano-guimaraes-ganha-pre-estreia-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Embaúba Filmes</span></a><span style="font-weight: 400;">, o longa já passou por diversos festivais internacionais e foi premiado no Festival de Brasília nas categorias de Melhor Direção, Melhor Direção de Arte e Melhor Edição de Som. </span></p>
<p><span id="more-35513"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Propondo uma experiência contemplativa que rejeita narrativas tradicionais, a obra acompanha o reencontro entre duas irmãs após décadas afastadas, em uma fazenda onde o tempo parece suspenso e o real se dilui sob a presença da misteriosa Antena. Em vez de respostas, </span><a href="https://meioamargo.com/critica-nada-adriano-guimaraes-2024/"><span style="font-weight: 400;">Guimarães</span></a><span style="font-weight: 400;"> oferece sensações, e faz do estranhamento uma chave para acessar memórias, lutos e aquilo que nos escapa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirado em referências literárias como Manoel de Barros e Samuel Beckett,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Nada</span></i><span style="font-weight: 400;"> se distancia da linearidade convencional para se entregar a uma incursão profunda na subjetividade das personagens. Com roteiro de Emanuel Aragão, o filme não busca fechar tramas ou explicar eventos, mas sim explorar as fragilidades emocionais e a poética do silêncio e do invisível. O </span><a href="https://geekpopnews.com.br/critica-nada/"><span style="font-weight: 400;">enredo</span></a><span style="font-weight: 400;"> é menos um caminho com destino certo e mais uma travessia abstrata, onde a percepção e o tempo se dilatam, pedindo que o espectador contemple o que geralmente fica nas entrelinhas.</span></p>
<figure id="attachment_35516" aria-describedby="caption-attachment-35516" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35516" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3-800x450.jpg" alt="Imagem do filme Nada. Uma mulher de meia-idade, com cabelos curtos e grisalhos, veste um vestido claro com pequenas estampas florais e está sentada na beirada de uma cama coberta por um tecido vermelho intenso. Suas mãos estão repousadas no colo e seu olhar é fixo. Ela está no centro de um quarto com paredes pintadas em um tom terroso avermelhado, iluminado por uma única lâmpada pendente no teto, criando sombras suaves. À sua esquerda, sobre uma pequena prateleira fixada na parede, há uma imagem sacra, um pequeno frasco e um objeto não identificável. À direita da cama, uma porta de madeira escura está parcialmente visível. A composição da cena é fortemente simétrica, com a mulher no ponto focal. Um elemento decorativo branco em formato floral adorna a parede acima da cabeceira da cama." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image3.jpg 1344w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35516" class="wp-caption-text">A composição simétrica e os planos estáticos criam uma sensação de paralisia e confinamento (Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção de arte é um dos pilares que sustentam sua atmosfera única. Ambientado em uma fazenda rural de Goiânia, o longa utiliza planos cuidadosamente compostos, muitas vezes simétricos e estáticos, que reforçam a impressão de tempo suspenso e confinamento emocional. A câmera permanece majoritariamente imóvel, funcionando como um observador distante, o que intensifica o </span><a href="https://jornaldebrasilia.com.br/viva/cinema/misterio-e-memoria-se-entrelacam-em-longa-de-adriano-guimaraes/"><span style="font-weight: 400;">sentimento de paralisia</span></a><span style="font-weight: 400;"> e estranhamento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando a câmera se move, geralmente em momentos de tensão ou incerteza, esse movimento causa alerta, rompendo a rigidez visual e mergulhando em um desconforto sutil. Em um plano-sequência memorável, a câmera assume o ponto de vista subjetivo de Ana, que sai à procura de sinal de celular, aproximando-nos ainda mais da história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O design sonoro de Guile Martins é uma peça fundamental na construção do universo de </span><a href="https://www.pretessencias.com.br/cinema/primeiro-longa-metragem-de-adriano-guimaraes-nada-memorias-e-ausencias/"><i><span style="font-weight: 400;">Nada</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A ambientação, rica em sons naturais da fazenda – o vento, os insetos, os passos sobre a terra – cria uma textura que envolve o espectador. O silêncio, por sua vez, não é vazio, mas um elemento ativo da história, capaz de revelar o oculto e carregar um peso emocional. Nesse jogo entre som e quietude, o filme revela seu ritmo próprio, onde cada ruído mínimo ganha significado, transformando-se quase em um personagem essencial para sustentar o clima de suspense e inquietação.</span></p>
<figure id="attachment_35514" aria-describedby="caption-attachment-35514" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35514" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-1-800x450.jpg" alt="Imagem do filme Nada. Duas mulheres estão em um vasto campo arado, com terra de coloração avermelhada e pouca vegetação visível ao fundo. A mulher à esquerda, com cabelos curtos e óculos, veste uma blusa azul clara e uma saia cinza, e está sentada em um pequeno banco de madeira escura, olhando para a mulher à sua frente. A mulher à direita, com cabelos curtos castanhos e vestindo uma camiseta cinza escura, calças jeans azuis e botas marrons, está sentada em outro banco de madeira, posicionada atrás de uma câmera profissional montada em um tripé preto. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1-1.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35514" class="wp-caption-text">Ana e Tereza, duas irmãs separadas pelo tempo, reencontram-se em um espaço carregado de silêncio e passado (Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No centro da narrativa está o reencontro delicado entre as irmãs Ana (</span><a href="https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-806600/biografia/"><span style="font-weight: 400;">Bel Kowarick</span></a><span style="font-weight: 400;">), artista plástica que vive na cidade, e Tereza (</span><a href="https://www.panoramafestival.com/denise-stutz-so/"><span style="font-weight: 400;">Denise Stutz</span></a><span style="font-weight: 400;">), que permanece na fazenda da infância, marcada por uma doença e estados alterados de consciência. Décadas de afastamento moldaram uma relação feita de silêncios, gestos truncados e uma comunicação marcada pela ausência de palavras explícitas. Essa conexão distante, mas profundamente enraizada, é revelada com sutileza, evitando explicações óbvias e nos convidando a sentir as tensões imateriais que permeiam seu vínculo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O contraste entre o que foi vivido e o que permanece não dito cria um espaço para a fragilidade e o mistério que permeiam esse vínculo. A decisão de Ana de documentar os eventos estranhos por meio de entrevistas gravadas adiciona uma camada metalinguística e reflexiva, tensionando as fronteiras entre o real, o ficcional e o subjetivo.</span></p>
<figure id="attachment_35515" aria-describedby="caption-attachment-35515" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35515" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-1-800x450.jpg" alt="Imagem do filme Nada. Em um interior de paredes brancas e rústicas, com vigas de madeira escura aparentes no teto, uma mulher de cabelos curtos e escuros está sentada à mesa. Ela veste uma blusa magenta e parece estar comendo em uma tigela branca. Ao seu lado, à esquerda, um grande cachorro preto está com a cabeça abaixada dentro de outra tigela, também comendo. A luz ambiente é fraca, proveniente de uma lâmpada incandescente pendurada no teto. A mesa, coberta por uma toalha clara com uma estampa discreta, contém outros objetos como um pano branco, um copo e um pote. Ao fundo, parcialmente visível, há uma pintura emoldurada pendurada na parede e uma porta de madeira escura." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-1.jpg 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35515" class="wp-caption-text">O cenário rural reforça o estranhamento e a atmosfera suspensa do filme (Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A presença enigmática da Antena, instalada pelo governo e sem uma explicação clara, é o núcleo simbólico que permeia </span><i><span style="font-weight: 400;">Nada</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ela atua como uma força intangível que distorce a realidade e afeta os moradores da região de formas diferentes e inexplicáveis. A Antena se torna metáfora para o imaterial – algo que não se vê, mas se sente, como diz um personagem morador das redondezas: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Você não vê o vento, mas o vento existe. A gente está falando de energia. Tudo é energia</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Essa reflexão sobre o invisível eleva a produção a uma esfera quase metafísica, onde o mistério e a tensão psicológica se entrelaçam, lembrando o clima de paranoia e desestabilização presente em </span><a href="https://personaunesp.com.br/mae-filme-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Mother!</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2017).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa de Adriano Guimarães é um convite a escutar os silêncios, perceber o desconhecido e aceitar que nem tudo precisa ser explicado para existir. Repleto de pausas, ruídos mínimos e emoções suspensas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nada </span></i><span style="font-weight: 400;">exige entrega e paciência – e oferece como recompensa uma reflexão sobre memória, ausência e o tempo que escapa. É uma obra que transforma o vazio em presença e a ausência em conexão, revelando que, às vezes, aquilo que parece faltar é justamente o que nos une.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Nada | trailer oficial | hoje nos cinemas" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/jcrCwZL-lWY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Antônio Bandeira &#8211; O Poeta das Cores não faz jus ao artista</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Apr 2025 14:31:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2025]]></category>
		<category><![CDATA[Antônio Bandeira]]></category>
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		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Davi Marcelgo]]></category>
		<category><![CDATA[Francisco Bandeira]]></category>
		<category><![CDATA[Joe Pimentel]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo A execução de um filme é guiada, por muitas vezes, pela noção de unidade entre forma e conteúdo, ou seja, de que maneira o diretor e demais artistas transpõem história ou roteiro através da linguagem do Cinema. O documentário Antônio Bandeira &#8211; O Poeta das Cores é um exemplo de insucesso quando pensamos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/antonio-bandeira-o-poeta-das-cores-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Antônio Bandeira &#8211; O Poeta das Cores não faz jus ao artista"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35136" aria-describedby="caption-attachment-35136" style="width: 770px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35136" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/antonio-bandeira-o-poeta-das-cores-meio-amargo-capa-770x513-1.jpg" alt="Cena do filme Antônio Bandeira - O Poeta das CoresNa imagem, o pintor Antônio Bandeiras está pintando um quadro abstrato com o fundo azul claro e linhas pretas da obra. Ele é um homem negro, na faixa dos 40 anos, de cabelos curtos e grisalhos. Usa um cavanhaque e bigode que está brancos. Nas mãos ele segura um pote e um pincel da cor vermelha. Está vestindo uma blusa de manga comprida, que está arregaçada nos cotovelos, da cor vermelha e uma calça marrom. O cenário é um quarto, do lado esquerdo há uma porta com quadros em branco dentro e outros desenhos que estão pendurados em uma parede. No canto direito, há uma mesa com potes e pinceis.
" width="770" height="513" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/antonio-bandeira-o-poeta-das-cores-meio-amargo-capa-770x513-1.jpg 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/antonio-bandeira-o-poeta-das-cores-meio-amargo-capa-770x513-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35136" class="wp-caption-text">O pintor viveu anos na Europa e retornou para o Brasil no final dos anos 1950 (Foto: Sereia Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A execução de um filme é guiada, por muitas vezes, pela noção de unidade entre forma e conteúdo, ou seja, de que maneira o diretor e demais artistas transpõem história ou roteiro através da linguagem do Cinema. O documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">Antônio Bandeira &#8211; O Poeta das Cores</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um exemplo de insucesso quando pensamos nessa ideia. Dirigido por </span><a href="https://mapacultural.secult.ce.gov.br/agente/10074/"><span style="font-weight: 400;">Joe Pimentel</span></a><span style="font-weight: 400;"> e apoiado pelo sobrinho do biografado, o longa não consegue transmitir por suas imagens a grandiosidade de Bandeira &#8211; e às vezes nem pelo conteúdo. </span></p>
<p><span id="more-35135"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O pintor cearense é conhecido mundialmente e, de acordo com pesquisadores, é metódico e singular: um </span><a href="https://www.escritoriodearte.com/artista/antonio-bandeira"><span style="font-weight: 400;">gênio da arte</span></a><span style="font-weight: 400;">. A personalidade disruptiva dele não tem presença no filme: sem estilização, montagem criativa ou qualquer elemento que possa se assemelhar com o brasileiro. O produto final é opaco e frio. Se vários quadros ficam na mente de quem conhece as produções abstratas do desenhista, por aqui as imagens serão perecíveis. Com exceção de uma, que consegue sobreviver no emaranhado de entrevistas realizadas.</span></p>
<figure id="attachment_35138" aria-describedby="caption-attachment-35138" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35138" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/20250403-antonio-bandeira-papo-de-cinema-1-1.png" alt="Cena do filme Antônio Bandeira - O Poeta das CoresNa imagem, Antônio Bandeira olha para cima, sorrindo e posando para a fotografia enquanto pinta um quadro. Ele está fumando um charuto. Antônio é um homem negro, na faixa dos 35 anos, de cabelos pretos e que estão repartidos ao meio. Usa bigode no rosto. A fotografia é em preto e branco, por isso, não dá para observar o quadro que pinta e nem detalhes do cenário, a luz só está no pintor. Ele veste uma camiseta xadrez.
" width="800" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/20250403-antonio-bandeira-papo-de-cinema-1-1.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/20250403-antonio-bandeira-papo-de-cinema-1-1-768x576.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35138" class="wp-caption-text">Antônio Bandeira ilustrou cartazes da Cartaz da IIª Bienal Internacional de São Paulo (Foto: Sereia Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez o único feito que aplique a grandiosidade de Bandeira ao </span><a href="http://personaunesp.com.br/xuxa-o-documentario-critica/"><span style="font-weight: 400;">documentário</span></a><span style="font-weight: 400;">, seja  a quantidade de especialistas entrevistados, alguns que aparecem já próximos do final, como se fosse um aviso de “</span><i><span style="font-weight: 400;">aguarde, tem mais para contar sobre ele</span></i><span style="font-weight: 400;">”. O longa é salvo pela erudição dos depoentes, que, além de serem eloquentes, possuem um rico conhecimento sobre a história da Arte, do Brasil e da Europa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É como se o filme não conseguisse atingir as margens do que de fato é Cinema, partindo de linguagens muito próximas de uma entrevista para o </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/audiencias/com-especial-sobre-evangelicos-fantastico-alcanca-o-maior-publico-de-2025-134619"><i><span style="font-weight: 400;">Fantástico</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; comparação que não menospreza o programa, inclusive que possui ótimas reportagens, porém distingue as diferentes mídias. Há uma edição travada no clássico entrevistas e imagens que ilustram o que está sendo dito, se Antônio Bandeira rompe com o clássico e com o produzido no país, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Poeta das Cores </span></i><span style="font-weight: 400;">sequer tenta algum tipo de expressão expoente. É obrigação? De forma alguma, mas sem dúvidas um exercício formal mais interessante.</span></p>
<figure id="attachment_35139" aria-describedby="caption-attachment-35139" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35139" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Artista-Francisco-Bandeira-scaled-1-800x450.jpg" alt="Cena do filme Antônio Bandeira - O Poeta das CoresNa imagem, Francisco Bandeira, no lado direito, é filmado no ângulo de baixo para cima. Ele veste um cachecol branco e uma blusa escura. Francisco observa o horizonte com um olhar sério. Atrás dele, no canto esquerdo, em desfoque, há uma torre. Francisco é um homem negro, na faixa dos 40 anos, de bigode preto e cavanhaque comprido na cor grisalha. Seus cabelos são curtos e também grisalhos. O cenário é noturno. 
" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Artista-Francisco-Bandeira-scaled-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Artista-Francisco-Bandeira-scaled-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Artista-Francisco-Bandeira-scaled-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Artista-Francisco-Bandeira-scaled-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Artista-Francisco-Bandeira-scaled-1-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Artista-Francisco-Bandeira-scaled-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35139" class="wp-caption-text">O sobrinho Francisco Bandeira também seguiu carreira artística (Foto: Sereia Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro terço narra o começo da vida do </span><a href="https://arteref.com/movimentos/o-que-e-arte-abstrata-tudo-o-que-voce-precisa-saber/"><span style="font-weight: 400;">abstracionista</span></a><span style="font-weight: 400;"> durante seus anos de estudo na Europa. Alguns participantes dão ênfase na vida urbana dele, apontando que frequentava bares e convivia com classes marginalizadas pela sociedade, como profissionais do sexo. No entanto, o filme não rompe o cordão com o clássico e abraça uma abordagem contraditória: tudo é pomposo e distante de uma representação mundana. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao invés de entrar com a câmera nesse mundo noturno, Joe Pimentel prefere filmar o sobrinho do artista, </span><a href="https://www.portalin.com.br/inexpress/francisco-bandeira-faz-releitura-das-obras-dos-pintores-antonio-bandeira-e-aldemir-martins/"><span style="font-weight: 400;">Francisco Bandeira</span></a><span style="font-weight: 400;">, perambulando pela Europa, dando destaque a monumentos e prédios, enquanto uma música que tocaria em um restaurante Francês está ao fundo. Ora, se a história é sobre seguir os passos do tio, deveria então dar mais ênfase a essa questão e assumir que haverá um abandono da humanidade &#8211; e jeito de viver &#8211; do pintor. São raros os momentos em que se cria um elo de proximidade com o artista, o mais próximo é no trecho de sua morte. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta crítica sobre o afastamento da persona humana não surge do nada, o longa começa com uma carga dramática e termina tentando emular sentimentos, porém não preenche a lacuna de uma hora entre o começo e o fim. </span><i><span style="font-weight: 400;">Antônio Bandeira &#8211; O Poeta das Cores </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma experiência rasa e sem a libido necessária para ficar na memória ou suscitar uma admiração pelo artista &#8211; quem ganha destaque são os entrevistados. As cenas finais são gravações em preto e branco de </span><a href="https://especiais.opovo.com.br/acervo/2017/antoniobandeira/index.html"><span style="font-weight: 400;">Bandeira</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela praia: os pigmentos do Poeta das Cores se ausentaram em um documentário que desbota seu personagem. </span></p>
<p><a href="https://youtu.be/8LUnHgG0CXU?si=8icrvtt8BKC_rhqP"><span style="font-weight: 400;" data-rich-links="{&quot;fple-t&quot;:&quot;Antonio Bandeira | O Poeta das Cores l Trailer | 2025&quot;,&quot;fple-u&quot;:&quot;https://youtu.be/8LUnHgG0CXU?si=8icrvtt8BKC_rhqP&quot;,&quot;fple-mt&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;first-party-link&quot;}">Antonio Bandeira | O Poeta das Cores l Trailer | 2025</span></a></p>
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		<title>Desacelere e aproveite A Perfect Love Story (Where Nothing Goes Wrong or Does It…?)</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Dec 2024 15:47:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[A Perfect Love Story (Where Nothing Goes Wrong or Does It…?)]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Cabine]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Davi Marcelgo]]></category>
		<category><![CDATA[Emina Kujundžić]]></category>
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		<category><![CDATA[Road Movie]]></category>
		<category><![CDATA[Victor Bessière]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo Quais as formas existentes para explicar uma personagem? O que pode ser usado para defini-lo? Talvez, dizer que Andy (Anne Hathaway) de O Diabo Veste Prada (2006) é uma assistente e Woody (Tom Hanks) de Toy Story (1995) é um brinquedo. Afinal, em um mundo capitalista, narrativas e identidades são construídas por meio &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-perfect-love-story-where-nothing-goes-wrong-or-does-it-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Desacelere e aproveite A Perfect Love Story (Where Nothing Goes Wrong or Does It…?)"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34622" aria-describedby="caption-attachment-34622" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34622" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem_2024-12-07_133220208-1536x864-1-800x450.png" alt="Cena do filme A Perfect Love Story where nothing goes wrong or does it…?Na imagem, os personagens principais estão abraçados enquanto observam o horizonte. O homem está abraçando a mulher por trás, passando os braços pela barriga dela, onde ambos apertam as mãos. O cenário ao fundo é de morros com vegetação e ao lado direito deles dá para ver o para-brisa de um carro. Ele é um homem adulto, de pele clara e cabelos escuros. Está vestindo uma camiseta branca. Ela é uma mulher adulta, de cabelos longos e escuros. Está vestindo uma regata branca e no rosto usa um óculos de sol em formato de coração na cor rosa. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem_2024-12-07_133220208-1536x864-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem_2024-12-07_133220208-1536x864-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem_2024-12-07_133220208-1536x864-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem_2024-12-07_133220208-1536x864-1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem_2024-12-07_133220208-1536x864-1.png 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34622" class="wp-caption-text">No Brasil, o filme não teve exibição no circuito comercial de cinemas e chega direto para aluguel em plataformas digitais (Foto: Emina Kujundžić)</figcaption></figure>
<p><strong>Davi Marcelgo</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quais as formas existentes para explicar uma personagem? O que pode ser usado para defini-lo? Talvez, dizer que Andy (Anne Hathaway) de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-diabo-veste-prada-15-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">O Diabo Veste Prada</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2006) é uma assistente e Woody (</span><a href="https://personaunesp.com.br/elvis-critica/"><span style="font-weight: 400;">Tom Hanks</span></a><span style="font-weight: 400;">) de </span><i><span style="font-weight: 400;">Toy Story</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1995) é um brinquedo. Afinal, em um mundo capitalista, narrativas e identidades são construídas por meio de profissão e utilidade. Em</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Perfect Love Story (Where Nothing Goes Wrong or Does It…?</span></i><span style="font-weight: 400;">) – (</span><i><span style="font-weight: 400;">Uma História de Amor Perfeita Onde Nada dá Errado ou Dá…?,</span></i><span style="font-weight: 400;"> em tradução livre) –outras características vão definir as personagens desta história. Dirigido, produzido e escrito por Emina Kujundžić, o longa bósnio ganhou vida por meio de financiamento coletivo e doações privadas. </span></p>
<p><span id="more-34621"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No filme, uma roteirista encontra um produtor, que não gosta dos escritos e questiona os papéis das protagonistas. A escritora rebate explicando características da personalidade, mas sem responder o que o homem queria: que raios os humanos desta história fazem da vida? Descobrimos que nada fazem, apenas vivem e são muito diferentes. O casal protagonista não possui nome – nos créditos, são mencionados comoCabine “Ele” (Victor</span><span style="font-weight: 400;"> Bessière) e</span><span style="font-weight: 400;"> “Ela” (Enisa Njemčević) – tampouco profissão, para Kujundžić, basta o que amam e o que pensam. A partir disso, a diretora constrói seu </span><a href="https://personaunesp.com.br/paris-texas-40-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">road movie</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ao passo em que desconstrói algumas ideias sobre Cinema. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É comum se deparar com comentários em redes sociais que dizem ‘</span><a href="https://www.google.com/search?q=cenas+desnecessarias+em+filmes&amp;sca_esv=fdf7728f28b59cda&amp;rlz=1C1GCEA_enBR1139BR1139&amp;sxsrf=ADLYWILLuekEC-dZqXKpegIqvaMY3swksA%3A1733339267220&amp;ei=g6hQZ86MDeT85OUPhsutmQc&amp;ved=0ahUKEwiO2rD6546KAxVkPrkGHYZlK3MQ4dUDCA8&amp;uact=5&amp;oq=cenas+desnecessarias+em+filmes&amp;gs_lp=Egxnd3Mtd2l6LXNlcnAiHmNlbmFzIGRlc25lY2Vzc2FyaWFzIGVtIGZpbG1lczIIECEYoAEYwwRIzCxQtgZYrCpwA3gAkAEAmAGnAaABxA-qAQQwLjE1uAEDyAEA-AEBmAINoAKyCsICCxAAGIAEGLADGKIEwgIGEAAYBxgewgIKECEYoAEYwwQYCpgDAOIDBRIBMSBAiAYBkAYCkgcEMy4xMKAHn0A&amp;sclient=gws-wiz-serp#fpstate=ive&amp;vld=cid:f1484e1c,vid:yhVD-4BDgxg,st:0"><span style="font-weight: 400;">Tal cena é desnecessária</span></a><span style="font-weight: 400;">’, o que não podia estar mais equivocado, porque tudo tem propósito dentro da unidade fílmica; não existem apenas fragmentos aleatórios de Fotografia, trilha sonora e outros elementos técnicos. Inclusive, ‘crítica técnica’ não existe, tudo é narrativa, ao menos que você escreva algo sobre a qualidade da marca de violinos para uma Música. Se a máxima arbitrária de inutilidade fosse aplicada,</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Perfect Love Story</span></i><span style="font-weight: 400;"> seria dispensável. Ora, o amor também não é irrelevante no sentido utilitário de nossas vidas?</span></p>
<figure id="attachment_34623" aria-describedby="caption-attachment-34623" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34623" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/e39322b6171a58e7df225bc141257888-800x471.webp" alt="Cena do filme A Perfect Love Story where nothing goes wrong or does it…?Na imagem, os protagonistas estão com os rostos próximos em uma imagem de plano fechado. Ele, olhando para baixo, é um homem adulto, de pele clara e cabelos escuros. Está vestindo uma roupa quente e usa um capuz na cabeça. Ela é uma mulher adulta, de cabelos longos e escuros " width="800" height="471" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/e39322b6171a58e7df225bc141257888-800x471.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/e39322b6171a58e7df225bc141257888-1024x602.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/e39322b6171a58e7df225bc141257888-768x452.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/e39322b6171a58e7df225bc141257888-1536x903.webp 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/e39322b6171a58e7df225bc141257888-1200x706.webp 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/e39322b6171a58e7df225bc141257888.webp 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34623" class="wp-caption-text">O ator Victor Bessière, intérprete de Ele, morou alguns anos no Brasil (Foto: Emina Kujundžić)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No filme bósnio, há rolos de </span><a href="https://ofolhetimcultural.com.br/do-que-eram-feitos-os-rolos-de-filmes-antigamente/"><span style="font-weight: 400;">emulsão fotográfica</span></a><span style="font-weight: 400;"> dedicados a contemplar a paisagem, ouvir sons ambientes e captar a experiência boêmia de Ele. As cenas, que parecem sem propósito, são sobre os pontos de vistas do casal: contra-lei e em dissonância, um querendo uma vida libertina e outro com responsabilidades familiares. Porém, para de fato conhecê-los, não basta saber nomes ou ocupações, mas sonhos e problemas que só são apresentados depois do espectador dividir um tempo com eles. O longa de estreia de Emina Kujundžić confronta a lógica comercial do mercado cinematográfico e a necessidade de rapidez. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, nas contradições que a vida traz, Ela não pode desfrutar da vida sem responsabilidades e sentidos utilitários, sua família depende dela, momento em que a roteirista aproveita para traçar comentários sobre papéis masculinos e femininos pré-estabelecidos. Há leis que precisam ser seguidas para o sistema funcionar e há regras para um casal estar junto. Embora alguns erros estejam no caminho, a história de amor não é menos perfeita por isso. Portanto, ainda que despedido de planos ambiciosos, </span><a href="https://www.segs.com.br/demais/410224-confira-5-motivos-para-assistir-a-perfect-love-story-where-nothing-goes-wrong-or-does-it"><i><span style="font-weight: 400;">A Perfect Love Story</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não é menor dentro do que quer ser. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Cinema tem suas próprias leis, por muitas vezes, reféns de estúdios e do dinheiro para existir, porém, quando livre, pode ser aquilo que é, sem se justificar ao público. Assim como suas personagens, seria Emina Kujundžić apenas dependente de suas convicções de Arte e os seus quadros precisam ser mais do que apenas devaneios? A resposta pode ser encontrada, ironicamente, no diálogo de um </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster</span></i><span style="font-weight: 400;">: </span><a href="https://personaunesp.com.br/duna-2021-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Duna</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021); quando Paul Atreides (</span><a href="https://personaunesp.com.br/ate-os-ossos-critica/"><span style="font-weight: 400;">Timothée Chalamet</span></a><span style="font-weight: 400;">) diz ao pai, Leto Atreides (Oscar Isaac), que o futuro da Casa Atreides pode não ser seu destino. O pai responde que, caso seja a realidade, “</span><i><span style="font-weight: 400;">ainda será a única coisa que já precisei que fosse. Meu filho</span></i><span style="font-weight: 400;">.” </span><i><span style="font-weight: 400;">A Perfect Love Story (Where Nothing Goes Wrong or Does It…?</span></i><span style="font-weight: 400;">) apenas precisa ser um filme e, quando questionados sobre quem são Ele ou Ela, a resposta será qualquer uma que não suas funções. </span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_iANLpkISso"><span style="font-weight: 400;" data-rich-links="{&quot;fple-t&quot;:&quot;A Perfect Love Story — Trailer Oficial (Brasil)&quot;,&quot;fple-u&quot;:&quot;https://www.youtube.com/watch?v=_iANLpkISso&quot;,&quot;fple-mt&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;first-party-link&quot;}">A Perfect Love Story — Trailer Oficial (Brasil)</span></a></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Zafari: uma metáfora de fuga e desespero</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Nov 2024 20:30:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Borges A produção venezuelana Zafari, presente na seção Perspectiva Internacional da 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, conta a história de uma família em situações precárias vivendo em uma Caracas distópica. Produzido por Mariana Rondón, o longa mostra a cidade dividida entre uma sociedade que está à beira de desmoronar e a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/zafari-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Zafari: uma metáfora de fuga e desespero"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34323" aria-describedby="caption-attachment-34323" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34323" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5.png" alt="Cena do filme Zafari. Na cena vemos Ana, Bruno e Francisco olhando para algo. Ana, mulher branca com cabelos castanhos, veste uma blusa na cor azul. Bruno, adolescente branco de cabelos castanhos, usa uma camiseta de manga longa vermelha e cinza. Francisco, homem branco com cabelos e barba grisalhos, usa uma camiseta de botão listrada branca e amarela. Todos encontram-se na lateral direita da imagem, e, ao fundo, é possível ver árvores e vegetação." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5.png 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34323" class="wp-caption-text">Zafari também foi exibido no Festival de San Sebastián (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Borges</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção venezuelana </span><i><span style="font-weight: 400;">Zafari</span></i><span style="font-weight: 400;">, presente na seção Perspectiva Internacional da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, conta a história de uma família em situações precárias vivendo em uma Caracas distópica. Produzido por Mariana Rondón, o longa mostra a cidade dividida entre uma sociedade que está à beira de desmoronar e a ânsia pela fuga do país – fazendo uma clara comparação com a situação da Venezuela contemporânea.</span></p>
<p><span id="more-34321"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientado em um nobre apartamento que se encontra em estado de decadência, o filme nos apresenta uma família composta por Ana (Daniela Ramirez), Francisco (Francisco Denis) e Bruno (Varek La Rosa), o filho do casal. Acompanhando o dia a dia do trio que mora nas redondezas de um zoológico, nos deparamos com a chegada de um hipopótamo chamado Zafari, que, de maneira bem </span><a href="https://conectageek.com.br/48a-mostra-zoo-venezuelano-de-mariana-rondon-remonta-miseria-do-pais-em-filme/"><span style="font-weight: 400;">irônica</span></a><span style="font-weight: 400;">, é alimentado em um mundo onde falta comida para as pessoas sobreviverem.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Explorando as nuances e as complexidades da decadência de uma sociedade, </span><i><span style="font-weight: 400;">Zafari </span></i><span style="font-weight: 400;">se assemelha muito bem com outra produção de Mariana Rondón, </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/criticas/329817/pelo-malo-2013-um-garoto-contra-as-convencoes-e-o-machismo/"><i><span style="font-weight: 400;">Pelo Malo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2013), que combina o olhar para a barbárie em uma Caracas marcada pela desigualdade social e a crise econômica. E, que aos trancos e barrancos, tenta se recompor para escapar de um país distópico que está fadado à miséria e pobreza.</span></p>
<figure id="attachment_34322" aria-describedby="caption-attachment-34322" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34322" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-5.png" alt="Cena do filme Zafari. Na imagem vemos Bruno olhando através das árvores. Bruno, adolescente branco de cabelos pretos, veste uma regata branca. Ele parece estar olhando para algo atrás de duas árvores. Ao fundo é possível ver que o garoto está no meio de um matagal." width="1600" height="673" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-5.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-5-800x337.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-5-1024x431.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-5-768x323.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-5-1536x646.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-5-1200x505.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34322" class="wp-caption-text">Em suas produções, Mariana Rondón busca sempre mostrar a pobreza na Venezuela (Foto: Vitrine Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa de Mariana Rondón desestabiliza a situação de uma nação inteira, assim, ele erra a mão em querer mostrar esse lado da miséria em um país que passa por acontecimentos muito complexos como a Venezuela. Além disso, à medida que a produção avança entre as cenas, a história se torna mais confusa e incoerente, escapando completamente da </span><a href="https://cineuropa.org/en/newsdetail/467717/"><span style="font-weight: 400;">lógica</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre a fome pela qual os personagens passam.</span></p>
<p><a href="https://thefilmverdict.com/zafari/"><i><span style="font-weight: 400;">Zafari</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é, acima de tudo, uma obra que busca impactar o espectador ao oferecer o retrato de um país em situação de calamidade geral. Ao abordar essa temática de sociedade encurralada entre a necessidade de fuga e o peso da perda de identidade, a produção tenta colocar o público frente a frente com a precariedade vivida pelas pessoas que, ao poucos, estão envolvidas dentro de um espaço sem saída.</span></p>
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		<title>Corisco e Dadá: o Terror à luz do dia revive em alta definição</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Oct 2024 20:35:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos A chegada da versão restaurada em 4K de Corisco e Dadá às salas de cinema é uma oportunidade rara de revisitar uma obra que, 28 anos após seu lançamento, continua brutal e relevante. Dirigido por Rosemberg Cariry e estrelado por Chico Diaz e Dira Paes, o filme oferece mais do que uma simples &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/corisco-e-dada-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Corisco e Dadá: o Terror à luz do dia revive em alta definição"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34196" aria-describedby="caption-attachment-34196" style="width: 1782px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34196" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-5.png" alt="Na imagem, vemos Chico Diaz e Dira Paes interpretando os personagens Corisco e Dadá no filme Corisco e Dadá. Corisco, ao centro, veste um chapéu típico de cangaceiro, adornado com estrelas de metal e enfeites, com olhar melancólico. Ele usa colares e uma faixa cruzada no peito. Atrás dele, à esquerda, está Dadá, com uma expressão intensa e observadora, também usando um chapéu ornamentado com conchas. Ao fundo, vemos um ambiente de pedras, remetendo à aridez do sertão nordestino, cenário onde a narrativa se desenrola, com luz clara e direta." width="1782" height="1069" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-5.png 1782w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-5-800x480.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-5-1024x614.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-5-768x461.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-5-1536x921.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-5-1200x720.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34196" class="wp-caption-text">Após a emboscada que matou Lampião em 1938, Corisco e Dadá assumiram a liderança no cangaço (Foto: Sereia Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A chegada da versão restaurada em </span><i><span style="font-weight: 400;">4K</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Corisco e Dadá</span></i><span style="font-weight: 400;"> às salas de cinema é uma oportunidade rara de revisitar uma obra que, 28 anos após seu lançamento, continua brutal e relevante. Dirigido por </span><a href="https://www.ceara.gov.br/2024/09/18/urca-concede-honoris-causa-a-rosemberg-cariry-e-destaca-relevancia-do-conjunto-de-sua-obra-para-a-regiao/"><span style="font-weight: 400;">Rosemberg Cariry</span></a><span style="font-weight: 400;"> e estrelado por </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-122245/"><span style="font-weight: 400;">Chico Diaz</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Dira Paes, o filme oferece mais do que uma simples narrativa sobre os últimos suspiros do cangaço: ele é uma meditação sobre violência, fé e resistência. A remasterização, meticulosamente conduzida, redescobre a visão original de Cariry, que sempre tratou o sertão não como mero cenário, mas como um personagem repleto de beleza e Terror, iluminado pela luz crua e implacável do cerrado e pelas cicatrizes deixadas pela aridez da terra ressecada.</span></p>
<p><span id="more-34195"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O processo de restauração foi liderado por Petrus Cariry, responsável pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">color grading</span></i><span style="font-weight: 400;">, garantindo fidelidade às nuances visuais captadas por Ronaldo Nunes. A digitalização, realizada com </span><i><span style="font-weight: 400;">scanner 4K</span></i><span style="font-weight: 400;"> operado por Aarão Martins, trouxe de volta as texturas mais sutis do filme. Enquanto isso, a sonoridade original também foi revitalizada por Érico Paiva, que coordenou a restauração e mixagem em som 5.1, recuperando a trilha sonora de </span><a href="https://g1.globo.com/Noticias/Musica/0,,MUL583263-7085,00-MORRE+EM+PERNAMBUCO+TOINHO+ALVES+UM+DOS+FUNDADORES+DO+QUINTETO+VIOLADO.html"><span style="font-weight: 400;">Toinho Alves</span></a><span style="font-weight: 400;">. Cada ruído – seja o vento cortando a paisagem ou o pisar dos personagens – carrega o peso de um diálogo. Já a produção executiva ficou a cargo de Bárbara Cariry, com retoques digitais de Magno Guimarães, colocando cada detalhe no lugar certo como a obra merece.</span></p>
<figure id="attachment_34198" aria-describedby="caption-attachment-34198" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34198" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-4.png" alt="A imagem em preto e branco mostra Dadá e Corisco, figuras icônicas do cangaço. Dadá aparece à esquerda, com expressão séria, usando roupas simples e cabelo preso. Ao seu lado, Corisco veste o tradicional chapéu de cangaceiro adornado com estrelas, além de roupas típicas e munições cruzadas no peito. Com uma postura firme e o braço sobre o ombro de Dadá, a fotografia capta a cumplicidade do casal, que viveu juntos a dureza e a intensidade da vida errante no sertão nordestino. Ao fundo, uma vegetação seca reforça o ambiente árido e desafiador que marcou a trajetória dos dois." width="1600" height="752" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-4.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-4-800x376.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-4-1024x481.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-4-768x361.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-4-1536x722.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-4-1200x564.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34198" class="wp-caption-text">Entre as rainhas do Cangaço existia uma rixa: “Bacana que só ela, só quer ser mais” disse Dadá sobre Maria Bonita em entrevista (Foto: Benjamin Abrahão Botto)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Corisco e Dadá</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um retrato cru dos últimos dias do </span><a href="https://personaunesp.com.br/cangaco-novo-critica/"><span style="font-weight: 400;">cangaço</span></a><span style="font-weight: 400;">. O movimento dos cangaceiros, liderado por figuras lendárias como Lampião e Maria Bonita, surgiu como um ato de resistência no sertão nordestino no final do século XIX e início do XX. Esses bandos eram, ao mesmo tempo, ícones de insurreição contra o sistema opressor e protagonistas de uma violência incessante, que os colocava em confronto com as forças legais e com a população local. Corisco, um dos cangaceiros mais temidos e conhecido como Diabo Louro, era a representação da ambiguidade moral do cangaço: um homem cuja brutalidade era tão notória quanto sua devoção à amada Dadá, com quem compartilhou a vida errante e trágica nas caatingas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa mergulha nas tensões entre a violência e a redenção, explorando como a fé é manipulada e subvertida. A oração invertida, em que Corisco desafia Deus em um ritual de renúncia, é um dos momentos mais poderosos e perturbadores, um verdadeiro colapso espiritual e moral que atravessa a história. Essa </span><a href="https://personaunesp.com.br/deus-e-o-diabo-na-terra-do-sol-critica/"><span style="font-weight: 400;">subversão do cristianismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> não é gratuita, mas um reflexo do papel da fé como ferramenta de controle e resistência. As imagens desses momentos, banhadas pela luz clara do dia, desafiam a tradição do Terror cinematográfico, criando uma atmosfera onde o horror é inescapável, justamente por estar exposto à plena luz do sol.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: left;"><i><span style="font-weight: 400;">“Corisco foi pensado como um semideus em tragédia grega, um homem com um pacto para lavar os pecados do mundo com sangue. Quando perde seu terceiro filho, ele rompe com Deus e reza o pai-nosso ao contrário. Passando a ser apenas um homem, já transformado pelos pequenos afetos despertados por Dadá.” </span></i></p>
<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">&#8211; Rosemberg Cariry em Entrevista ao canal Cine Jardim</span></i></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 25 de Maio de 1940, Corisco foi morto durante uma emboscada policial em Barra do Mendes, Bahia. Atingido por tiros e incapaz de reagir, ele foi executado no local e sua cabeça foi enviada para o </span><a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/o-destino-incerto-dos-acervos-policiais/"><span style="font-weight: 400;">Museu Nina Rodrigues</span></a><span style="font-weight: 400;">, em Salvador, onde ficou exposta publicamente como prova do fim do cangaço. Na mesma emboscada, Dadá foi ferida e precisou amputar uma perna. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após sua captura, a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rlo0A2bMKZU"><span style="font-weight: 400;">ex-cangaceira</span></a><span style="font-weight: 400;"> recebeu anistia do governo e, em 1969, deu início a um processo judicial para conseguir retirar a cabeça de seu marido do museu e enterrá-la. O processo foi longo e burocrático, mas ela obteve sucesso e garantiu um enterro. Dadá viveu até 1994, dois anos antes do lançamento do longa-metragem, mantendo viva a memória dos tempos do cangaço, e faleceu em Salvador, onde passou seus últimos anos.</span></p>
<figure id="attachment_34197" aria-describedby="caption-attachment-34197" style="width: 1785px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34197" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-6.png" alt="Na imagem, vemos uma cena do filme Corisco e Dadá onde ocorre um ritual relacionado ao pedido de batismo do filho do casal. Chico Diaz, como Corisco, observa com seriedade, vestindo trajes de cangaceiro. Ao centro, figuras com vestes litúrgicas conduzem a cerimônia, enquanto um homem de túnica clara ergue um cajado. Ao lado, uma mulher em oração e outra segurando uma espada reforçam a atmosfera solene. O cenário rochoso e árido do sertão contrasta com a espiritualidade do momento." width="1785" height="1022" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-6.png 1785w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-6-800x458.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-6-1024x586.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-6-768x440.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-6-1536x879.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-6-1200x687.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34197" class="wp-caption-text">Na vida real, os filhos do casal de cangaceiros foram entregues a famílias adotivas para que pudessem sobreviver (Foto: Sereia Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A montagem do filme, assinada por </span><a href="https://www2.ufjf.br/cinemaemfoco/edicoes/cinema-em-foco-2013/severino-dada/"><span style="font-weight: 400;">Severino Dadá</span></a><span style="font-weight: 400;">, encontra nova profundidade com a restauração, revelando uma dança entre caos e o lirismo. As transições, muitas vezes abruptas, nos arrancam de um estado e logo nos lançam em outro, como se estivéssemos presos dentro das memórias fragmentadas dos protagonistas, distorcidas pela violência e pela perda. Essa construção serpenteia como as curvas do sertão, onde a calma nunca dura e a tragédia espreita cada instante de silêncio. No mundo deles, nada pode ser antecipado ou controlado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre essas transições, o filme encontra momentos de beleza frustrantes ao deixar a câmera repousar na paisagem do cerrado, como se a natureza fizesse uma pausa breve para testemunhar o que está por vir. A fauna e a flora são filmadas com uma delicadeza que contrasta com a </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-estranho-critica/"><span style="font-weight: 400;">brutalidade humana</span></a><span style="font-weight: 400;">. Pássaros atravessam o céu claro, árvores de galhos secos se enroscam como corpos exaustos e pequenos animais caminham entre a poeira, alheios ao desespero dos personagens. Isso nos lembra, silenciosamente, da indiferença da natureza, que segue seu ciclo enquanto a violência se esvai.</span></p>
<figure id="attachment_34199" aria-describedby="caption-attachment-34199" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34199" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image4-4.png" alt="Na imagem em preto e branco, vemos Corisco e seu grupo de cangaceiros em meio à vegetação seca do sertão. Corisco, à esquerda, está em pé, usando o chapéu típico adornado com estrelas e munido de armas e cartucheiras cruzadas no peito. No centro, Dadá aparece sentada, segurando um bebê nos braços, envolta por outros cangaceiros, todos com expressões firmes e trajes característicos, incluindo chapéus e roupas resistentes ao ambiente árido. A cena reflete a dureza da vida no cangaço, cercada por aridez e hostilidade, mas também sugere um raro momento de cuidado e união em meio à fuga e violência." width="750" height="442" /><figcaption id="caption-attachment-34199" class="wp-caption-text">Alceu Valença quase interpretou Corisco e chegou a fazer um show vestido de cangaceiro após os ensaios (Foto: Sereia Filmes)</figcaption></figure>
<p><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/veja-gente/as-curiosas-diferencas-entre-os-irmaos-enrique-diaz-e-chico-diaz"><span style="font-weight: 400;">Diaz</span></a><span style="font-weight: 400;"> entrega um Corisco à beira do delírio, oscilando entre a ternura e a selvageria, transformando-o em alguém que é, ao mesmo tempo, uma ameaça e um homem quebrado. Nessa performance, recebeu o Kikito de Ouro de Melhor Ator em Gramado. </span><a href="https://personaunesp.com.br/pantanal-critica/"><span style="font-weight: 400;">Paes</span></a><span style="font-weight: 400;">, por sua vez, cria uma Dadá complexa que não se deixa definir apenas como vítima. Ela aprende a se afirmar em meio ao caos, transformando a violência em uma forma de sobrevivência, resistindo a um mundo que insiste em apagá-la. Em Brasília, conquistou o Troféu Candango de Melhor Atriz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde seu lançamento em 1996, o filme também foi além das fronteiras, passando por festivais como o </span><i><span style="font-weight: 400;">Toronto International Film Festival</span></i><span style="font-weight: 400;"> (TIFF) e o Festival de Havana, onde levou o </span><i><span style="font-weight: 400;">Grand Coral</span></i><span style="font-weight: 400;">. Como disse Petrus Cariry, lançar essa versão no </span><a href="https://www.secult.ce.gov.br/2024/03/22/celebracao-dos-100-anos-do-cinema-cearense-tem-inicio-com-homenagem-a-luiz-carlos-barreto-e-lucy-barreto-no-cineteatro-sao-luiz-em-parceria-com-o-mis-e-o-cine-ceara-que-lanca-sua-34a-edicao/"><span style="font-weight: 400;">centenário do Cinema cearense</span></a><span style="font-weight: 400;"> é mais do que uma celebração; é um lembrete da força do Nordeste na Arte e da capacidade do audiovisual brasileiro de continuar relevante. </span><i><span style="font-weight: 400;">Corisco e Dadá</span></i><span style="font-weight: 400;"> não perdeu seu impacto. Ele ainda provoca, incomoda e segue resistindo ao tempo, assim como o sertão, seus personagens  e o próprio Cinema nacional – sempre vivos e à beira da luta.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="CORISCO E DADÁ - TRAILER OFICIAL - 4K" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/JQ1nXIiMn5w?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Você pagaria o preço para ter A Substância?</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Oct 2024 18:10:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Borges Você já imaginou uma versão melhor de si? E se você soubesse que existe um produto que pode te mostrar uma parte mais jovem, bonita e perfeita? A Substância (The Substance, no original) pode te dar isso e um pouco mais. A produção, que promete revirar o estômago, é uma diversão exageradamente nojenta &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-substancia-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Você pagaria o preço para ter A Substância?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34139" aria-describedby="caption-attachment-34139" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34139" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-3.png" alt="Cena do filme A Substância. Na imagem vemos Elizabeth, mulher branca com cabelos pretos, falando ao telefone. Ela veste um vestido na cor preta e usa brincos de prata. Com sua mão direita, segura um telefone vermelho e sua expressão parece preocupada. Ela está sentada em uma cama com lençol rosado. Ao fundo é possível ver uma parede na cor vermelha." width="1200" height="734" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-3.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-3-800x489.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-3-1024x626.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-3-768x470.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34139" class="wp-caption-text">Demi Moore volta às telas do Cinema após 30 anos (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Borges</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Você já imaginou uma versão melhor de si? E se você soubesse que existe um produto que pode te mostrar uma parte mais jovem, bonita e perfeita? </span><i><span style="font-weight: 400;">A Substância</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/the-substance-festival-de-cannes-2024-demi-moore"><i><span style="font-weight: 400;">The Substance</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, no original) pode te dar isso e um pouco mais. A produção, que promete revirar o estômago, é uma diversão exageradamente nojenta e bizarra sobre o espetáculo visual do Cinema e o gênero de horror corporal.</span></p>
<p><span id="more-34137"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aclamado durante o Festival de Cannes, o longa dirigido e roteirizado por Coralie Fargeat conta a história de Elizabeth Sparkle (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tV51izuiR0I"><span style="font-weight: 400;">Demi Moore</span></a><span style="font-weight: 400;">), uma atriz ‘cinquentona’ que está prestes a perder seu ‘prazo de validade’ no mundo do </span><i><span style="font-weight: 400;">showbiz</span></i><span style="font-weight: 400;"> e que, ao se ver nessa situação, resolve usar a substância que promete criar “</span><i><span style="font-weight: 400;">uma versão melhor de si</span></i><span style="font-weight: 400;">”. É, então, que sua nova personalidade, Sue (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WWZtB13vsJI"><span style="font-weight: 400;">Margaret Qualley</span></a><span style="font-weight: 400;">), uma bela jovem com vinte anos de idade que tem o que quer na palma de sua mão, entra em cena. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fadada ao sucesso ao viver a vida de Sue, Elizabeth se vê na obrigação de sobreviver em cima do </span><i><span style="font-weight: 400;">status </span></i><span style="font-weight: 400;">da personagem de Qualley. Como uma espécie de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/webstories/entretenimento/2020/06/o-que-sao-doppelgangers/"><i><span style="font-weight: 400;">doppelganger</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, as personagens dividem uma vida dupla, são sete dias para cada corpo e, caso desrespeite essa regra vital, as coisas começam a desandar e causam circunstâncias brutais. Afinal, elas são apenas uma.</span></p>
<figure id="attachment_34140" aria-describedby="caption-attachment-34140" style="width: 1130px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34140" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-3.png" alt="Cena do filme A Substância. Na imagem vemos as mãos de uma pessoa branca segurando um papel branco com a frase “REMEMBER YOU ARE ONE” escrita em preto. Atrás do papel encontra-se uma caixa de papelão com uma fita transparente escrita “ACTIVATOR” em preto. O carpete do chão está na cor cinza." width="1130" height="590" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-3.png 1130w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-3-800x418.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-3-1024x535.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-3-768x401.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34140" class="wp-caption-text">A produção foi indicada à Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2024 (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A beleza de Margaret Qualley, igualada a perfeição de Moore, elevam o nível de atuação do longa. A eloquência entre as atrizes é, de certa forma, </span><a href="https://variety.com/2024/film/reviews/the-substance-review-margaret-qualley-demi-moore-dennis-quaid-1236009235/"><span style="font-weight: 400;">visionária</span></a><span style="font-weight: 400;">. A talentosa atriz de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Pobres Criaturas</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2023) atua de forma fresca e legítima, já Demi Moore mantém sua relevância cumprindo um papel excepcional. Colocar a veterana para interpretar uma personagem ‘acabada’ e sem rumo, talvez, possa ter sido forçado, mas podemos concordar que esse foi, de longe, um de seus melhores papéis em anos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo que se preocupa em revelar e reciclar imagens de horror, ao estilo </span><a href="https://personaunesp.com.br/carrie-a-estranha-45-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Carrie, a Estranha</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1976), a trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Substância</span></i><span style="font-weight: 400;"> foca em apresentar um horror ácido que faz uma severa crítica à sociedade e à busca desenfreada pela beleza. A posição de Fargeat ao abordar a cultura ocidental hollywoodiana é sutil e perceptível; seu temor por mostrar o apelo pela ‘velhice’ no Cinema acaba se transformando em algo torturante e disfórico. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de parecer bem desenvolvido, o filme necessita de certo cuidado ao abordar o retrato de um sistema tão delicado quanto este. A linguagem do </span><a href="https://contextojornalismo.com/2022/12/20/male-gaze-entenda-o-termo-queridinho-das-redes-sociais-e-como-voce-tambem-e-afetada-por-ele/"><i><span style="font-weight: 400;">male gaze</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, acrescida do viés do olhar perturbador, é evidente durante todo o período do longa. A valorização pelo grotesco é como uma consequência direta da obsessão pela juventude e perfeição.</span></p>
<figure id="attachment_34141" aria-describedby="caption-attachment-34141" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34141" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image4-3.png" alt="Cena do filme A Substância. Na imagem vemos Elizabeth, mulher branca de cabelos pretos, tirando sua maquiagem. Ela usa um vestido na cor vermelha e luvas pretas. Enquanto se olha no espelho, com sua mão direita Elizabeth está tirando o batom vermelho de sua boca. Ao fundo é possível ver as paredes com azulejos brancos." width="800" height="445" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image4-3.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image4-3-768x427.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34141" class="wp-caption-text">Por explorar a obsessão por corpos femininos, A Substância é totalmente diferente dos demais filmes lançados em 2024 (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A necessidade da produção em deixar os diálogos em segundo plano mostra a falta de sagacidade para explorar temas delicados. Ao mesmo tempo, é excitante ver a forma como Coralie Fargeat reproduz ideias escandalosas com linguagens vulgares e, até mesmo, grosseiras em determinados momentos do longa. A grande metáfora da </span><a href="https://www.cinematorio.com.br/2024/05/critica-filme-the-substance-o-contrario-da-critica-cannes-2024/"><span style="font-weight: 400;">substância</span></a><span style="font-weight: 400;">, que se resume a cirurgias plásticas e procedimentos estéticos, é antiquada e desagradável aos olhos femininos, sua crítica se baseia nos mesmos vícios que captam a obsessão pela juventude. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ritmo de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Substância</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode parecer, em alguns momentos, </span><a href="https://www.bbc.com/culture/article/20240519-the-substance-demi-moore-margaret-qualley-cannes-film-festival"><span style="font-weight: 400;">lento e repetitivo</span></a><span style="font-weight: 400;">, porém, é considerável dizer que a trama funciona como uma grande bomba relógio prestes a explodir. O terror bruto é insensível, não oscila e muito menos foge de suas sequências que estão perturbadoramente interligadas. A crise de conflito interno busca despertar uma reação sensorial no espectador a cada singela cena, causando certo interesse nessa produção sangrenta.</span></p>
<figure id="attachment_34138" aria-describedby="caption-attachment-34138" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34138" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-2.png" alt="Cena do filme A Substância. Na imagem vemos Sue, mulher branca com cabelos castanhos escuros, olhando fixamente para a frente. Ela veste um baby doll na cor rosê. Sue encontra-se deitada com seus braços abertos e sua boca e nariz estão sangrando. Ao fundo, o tapete em que está deitada é bege." width="640" height="332" /><figcaption id="caption-attachment-34138" class="wp-caption-text">Margaret Qualley dá show de atuação no longa (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Substância</span></i><span style="font-weight: 400;"> é tudo que se pode esperar de um filme no estilo </span><i><span style="font-weight: 400;">body horror</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com um toque extremamente físico e visceral, o longa promete e cumpre seu papel com uma trama feroz e </span><a href="https://tangerina.uol.com.br/filmes-series/a-substancia-melhor-filme-2024-critica/"><span style="font-weight: 400;">intensa</span></a><span style="font-weight: 400;">. A produção tem tudo para deixar o espectador desconfortável e tirá-lo de sua zona de conforto. Com seu olhar afiado para o bizarro e sede pela monstruosidade, a obra expõe o desejo pela beleza ao limite. Afinal, qual é o preço da substância que o público procura? Você pode pagar para ver.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="A Substância | Trailer Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/AAIUQJrpc2M?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O Exorcismo se perde em várias ideias</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Sep 2024 17:58:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes Em 1973, William Friedkin lançava O Exorcista, uma película de terror que logo se tornaria um clássico e mudaria o modo de se fazer filmes de demônio. No início da década de 2010, longas de terror psicológico começaram a fazer sucesso no Cinema pelas metáforas de medos sociais reais, como o racismo, a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-exorcismo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Exorcismo se perde em várias ideias"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34049" aria-describedby="caption-attachment-34049" style="width: 984px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34049" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-9.png" alt="Anthony, interpretado por Kurt Russell está sozinho no quadro. Ele está com as bochechas cortadas e veste uma roupa toda preta de padre. A tela é iluminada por uma cor esverdeada." width="984" height="621" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-9.png 984w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-9-800x505.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-9-768x485.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34049" class="wp-caption-text">“Este é um drama psicológico envolto na pele de um filme de terror” (Foto: Imagem Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1973, </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/william-friedkin-diretor-de-o-exorcista-morre-aos-87-anos/"><span style="font-weight: 400;">William Friedkin</span></a><span style="font-weight: 400;"> lançava </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9h8x3HdEkOY"><i><span style="font-weight: 400;">O Exorcista</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">uma película de terror que logo se tornaria um clássico e mudaria o modo de se fazer filmes de demônio. No início da década de 2010, longas de </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/Cinema/noticia/2022/06/pos-horror-qual-o-futuro-do-subgenero-que-se-tornou-popular-no-cinema.html"><span style="font-weight: 400;">terror psicológico</span></a><span style="font-weight: 400;"> começaram a fazer sucesso no Cinema pelas metáforas de medos sociais reais, como o racismo, a misoginia e a depressão, os transformando em algo concreto, como um ser místico ou, até mesmo, assassinos. Esse é o caso de filmes como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=FE-u6RznkGQ"><i><span style="font-weight: 400;">A Bruxa</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2015)</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mDGV5UucTu8"><i><span style="font-weight: 400;">Corra!</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2017) e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-mRhup5hLTM"><i><span style="font-weight: 400;">O Babadook</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2014)</span><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Nesse sentido,</span><i><span style="font-weight: 400;"> O Exorcismo, </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/entre-telas/o-impeto-foi-a-eleicao-de-donald-trump-diretor-do-novo-terror-de-russell-crowe-revela-inspiracao-para-tirar-o-filme-do-papel,0f701f71932f22b466b92bf1e7bbc6e4zpjwo50c.html"><span style="font-weight: 400;">Joshua John Miller</span></a><span style="font-weight: 400;">, tenta emplacar uma narrativa sobre depressão, alcoolismo, abuso e paternidade, ao mesmo tempo que faz uma referência ao clássico, porém, a obra acaba se tornando enxuta em seu conteúdo e rasa em sua forma.</span></p>
<p><span id="more-34048"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em princípio, o filme fala sobre as gravações de um longa-metragem de terror, em que o ator que interpreta o padre </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/indica/de-mortes-misteriosas-acidentes-7-curiosidades-macabras-do-filme-o-exorcista.phtml"><span style="font-weight: 400;">morre no </span><i><span style="font-weight: 400;">set</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de filmagens, com isso, o diretor passa a procurar um outro ator para interpretar o personagem. Anthony Miller (</span><a href="https://revistamonet.globo.com/filmes/noticia/2024/08/a-conexao-familiar-entre-o-ultimo-filme-de-russell-crowe-e-o-classico-o-exorcista.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Russell Crowe</span></a><span style="font-weight: 400;">), um pai pouco presente e ‘ex-bebum’, decide fazer um teste para o papel; paralelamente a isso, ele tenta se reaproximar da filha, em uma busca de redenção e de ajustar a sua vida. No entanto, o protagonista acaba sendo possuído pelo demônio que matou o primeiro intérprete e, assim, acaba revivendo seus antigos traumas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra se assume como um </span><a href="https://marciosallem.substack.com/p/o-exorcismo?r=37904w&amp;utm_campaign=post&amp;utm_medium=web&amp;triedRedirect=true"><span style="font-weight: 400;">drama psicológico</span></a><span style="font-weight: 400;"> de maneira </span><a href="https://www.planocritico.com/entenda-melhor-cinema-e-metalinguagem/#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">metalinguística</span></a><span style="font-weight: 400;">, falando sobre o filme dentro do filme e, dessa forma, tenta esconder as suas fragilidades, principalmente quando se trata de trabalhar com o medo e a tensão típicos do gênero de terror. Nesse sentido, falta criatividade para Joshua John Miller. Ele até consegue trabalhar bem com os cenários, como a casa do Anthony sendo muito fechada, escura e claustrofóbica – as escadas conseguem imprimir um estado de alerta no espectador –, mas a montagem das cenas sugere sempre um drama relacionado ao trauma do personagem, e essa tentativa não consegue equilibrar o terror tradicional com o psicológico, tornando os dois rasos.</span></p>
<figure id="attachment_34051" aria-describedby="caption-attachment-34051" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34051" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-6.jpg" alt="No centro está o personagem Anthony de lado para a câmera. Ele está olhando para o lado e com o rosto todo cortado e suas roupas manchadas de sangue." width="1999" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-6.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-6-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-6-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-6-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-6-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-6-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34051" class="wp-caption-text">Russell Crowe já havia feito um filme de terror em 2023 chamado O Exorcismo do Papa (Foto: Imagem Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa exibe traços da obra original de William Friedkin: a trama focada na possessão e na relação pai e filha – em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Exorcista, </span></i><span style="font-weight: 400;">era mãe e filha –; a construção da casa cenográfica; a iluminação esverdeada e azulada nas cenas do exorcismo; a maquiagem sobre o rosto transfigurado naquele que foi possuído. Essas características se tornaram típicas depois do clássico de 1973 e, aqui, são utilizadas como referência e uma tentativa de emular o horror que a personagem da Regan gerava. Porém, não conseguem alçar a mesma potência, pois, enquanto </span><i><span style="font-weight: 400;">O Exorcista</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, também, o </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=HnAK3tA3Czg"><i><span style="font-weight: 400;">O Exorcista &#8211; O Devoto</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, escolhem uma criança para ser a ‘endemoniada’, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Exorcismo </span></i><span style="font-weight: 400;">escolhe o pai problemático, o que causa menos empatia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esses filmes tem uma relação de </span><a href="https://screenrant.com/the-exorcist-crucifix-scene-worse-book-disturbing/"><span style="font-weight: 400;">automutilação e profanação</span></a><span style="font-weight: 400;"> com corpo possuído, pois o demônio não oferece perigo apenas àqueles que estão rondando o personagem, mas também e, principalmente, à pele que ele tomou. É nesse sentido que a escolha por Anthony como “</span><i><span style="font-weight: 400;">casca</span></i><span style="font-weight: 400;">” enfraquece o horror, pois causa menos agonia ver um corpo de um homem adulto, “</span><i><span style="font-weight: 400;">impuro</span></i><span style="font-weight: 400;">”, sendo rondado pela morte. No entanto, aí reside algo de interessante, pois o corpo do protagonista se torna o melhor “</span><i><span style="font-weight: 400;">receptáculo</span></i><span style="font-weight: 400;">” para o monstro, visto que existem traumas e pecados que o tornam fraco perante ele.</span></p>
<figure id="attachment_34050" aria-describedby="caption-attachment-34050" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34050" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-10.png" alt="A personagem Blake Holloway, interpretada por Chloe Bailey, está sozinha no quadro. Ela apresenta alguns cortes no rosto, bem parecido com o rosto de Regan, na obra O exorcista. A tela é iluminada por uma cor esverdeada." width="800" height="445" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-10.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-10-768x427.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34050" class="wp-caption-text">A personagem Blake Holloway é uma atriz que simula uma possessão, muito parecida com Regan, de O Exorcista (Foto: Imagem Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bWyi3ShHxzM"><span style="font-weight: 400;">cena final</span></a><span style="font-weight: 400;">, a iluminação esverdeada e azulada, junto com a maquiagem que apodrece o corpo, elevam a sensação de nojo e horror. Isso acontece na obra original, porém, nesse filme, a impressão que passa é de que todas essas técnicas foram usadas achando que, por si só, já bastassem, sem um uso específico e criativo, tornando a cena do exorcismo muito estéril. Assim como em toda cena que buscava implementar uma tensão, essa também contém cortes a todo momento para relembrar o trauma de abuso que o Anthony sofreu e, nessa última cena, fica mais evidente a fragilidade dessa ideia, pois há um contraste muito grande do cenário frio e esverdeado, do presente, com o quente e vermelho, do passado, causando uma certa estranheza.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Até mesmo as </span><a href="https://filmesefilmes.com/Publicacao.aspx?id=519803"><span style="font-weight: 400;">questões dramáticas</span></a><span style="font-weight: 400;"> do protagonista são mal exploradas, porque </span><i><span style="font-weight: 400;">The Exorcism</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original) é tão atulhado de informações que eles nem sabem o que trabalhar. A fita até instiga o espectador a pensar que tudo é uma consequência, ou seja, os problemas com a filha são resultado da relação problemática com a sua ex-mulher, que são efeito da ‘bebedeira’ e depressão que, por sua vez, são frutos do abuso quando era criança. Todavia, nenhuma dessas problemáticas são realmente aprofundadas, todas são exploradas de maneira intercalada durante o longa, reaparecendo de maneira burocrática, como toda cena com a filha parece lidar  com paternidade, porém sendo esquecido em todos os outros momentos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É de se esperar que, uma película com </span><a href="https://cinepop.com.br/neve-campbell-e-confirmada-em-panico-7-que-tera-direcao-de-kevin-williamson-477573/"><span style="font-weight: 400;">Kevin Williamson</span></a><span style="font-weight: 400;"> na produção e Russell Crowe como protagonista, seja recheada de boas ideias e sonhe alto, mas a execução de tudo isso foi mal feita, seja por falta de criatividade, por ser enxuta demais ou, até mesmo, pela falta de tempo, pois é uma obra curta para os padrões atuais. De maneira geral, é um filme que busca ser interessante e profundo, no entanto, gera o efeito contrário, se tornando, na verdade, raso em sua confecção.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="O Exorcismo 2024 Trailer Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/l1kUZTPhFqM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O Mal Não Existe coloca a natureza como uma presença que pode ser destrutiva para aqueles que a profanam</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Sep 2024 19:59:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2024]]></category>
		<category><![CDATA[Aku Wa Sonzai Shina]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Cabine]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Drive My Car]]></category>
		<category><![CDATA[Evil Does Not Exist]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Moraes]]></category>
		<category><![CDATA[O Mal Não Existe]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Ryusuke Hamaguchi]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: o texto contém spoilers. Guilherme Moraes Depois de lançar duas obras-primas, Roda do Destino (2021) e Drive My Car (2021), Ryusuke Hamaguchi retorna com O Mal Não Existe, ou melhor, Aku Wa Sonzai Shina, no original. O filme conta a história de um vilarejo que vive em harmonia com a natureza até a chegada &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-mal-nao-existe-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Mal Não Existe coloca a natureza como uma presença que pode ser destrutiva para aqueles que a profanam"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso</i></b><i><span style="font-weight: 400;">: o texto contém spoilers.</span></i></p>
<figure id="attachment_34043" aria-describedby="caption-attachment-34043" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34043" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-mal-nao-existe-1-800x444.jpg" alt="Texto alternativo: Ao fundo há um rio congelado. No centro da foto há uma parte descongelada desse rio que reflete a imagem de algumas árvores. Mais próximo da câmera está o personagem Takumi, agachado, de costas para a câmera e olhando o rio." width="800" height="444" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-mal-nao-existe-1-800x444.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-mal-nao-existe-1-1024x568.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-mal-nao-existe-1-768x426.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-mal-nao-existe-1.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34043" class="wp-caption-text">Em 2022, Ryusuke Hamaguchi levou o Oscar de Melhor Filme Internacional por Drive My Car (Foto: NEOPA)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de lançar duas obras-primas, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2OaAJ-OvLkM"><i><span style="font-weight: 400;">Roda do Destino</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2021)</span> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JKcJAOzja8I"><i><span style="font-weight: 400;">Drive My Car</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021), Ryusuke Hamaguchi retorna com </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mal Não Existe</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou melhor, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aku Wa Sonzai Shina</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">no original. O filme conta a história de um vilarejo que vive em harmonia com a natureza até a chegada de uma empresa, que pretende fazer um </span><i><span style="font-weight: 400;">camping</span></i><span style="font-weight: 400;"> em meio a floresta, o que ocasionaria em alguns problemas ambientais e afetaria a vida de todas as pessoas locais.</span></p>
<p><span id="more-34042"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra começa ao melhor estilo </span><a href="https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-741668/"><span style="font-weight: 400;">Hamaguchi</span></a><span style="font-weight: 400;">, com um plano alongado e contemplativo, observando a beleza da natureza e imergindo o espectador com apenas uma cena; ao adentrarmos, não poderemos sair mais até o final da fita e, quando sairmos, não seremos os mesmos. Na cena seguinte, o diretor mantém essa mesma ‘pegada’ mas, agora, coloca o protagonista fazendo atividades simples, como cortar madeira e pegar água no rio, porém, o alongamento dos planos traz uma valorização desses atos, como se ali houvesse equilíbrio entre o homem e a natureza, e ele a respeitasse, pegando apenas o que lhe é oferecido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, essa harmonia é quebrada com a chegada do projeto de </span><a href="https://jalapao.com/voce-sabe-o-que-e-glamping-entenda-aqui/"><i><span style="font-weight: 400;">glamping</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que não visa proteger o meio ambiente e, ainda por cima, irá prejudicar os habitantes do vilarejo. Nesse momento, o filme começa a mostrar suas críticas ao </span><a href="https://revistaogrito.com/o-mal-nao-existe-critica/"><span style="font-weight: 400;">capitalismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> – expondo como há um descaso com as vidas humanas e o meio natural – por meio da justificativa do lucro, porém, os locais não estão realmente interessados em ganhar mais, pois já vivem de maneira estável. Em uma conversa banal, Takumi diz que os cervos não oferecem perigo ao humano, a não ser que ele tenha sido baleado, e é interessante assistir como o meio reage quando o homem tenta tirar à força aquilo que não lhe é dado.</span></p>
<figure id="attachment_34044" aria-describedby="caption-attachment-34044" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34044" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-mal-nao-existe-2-800x404.jpg" alt="À esquerda Mayuzumi está sentada com uma blusa clara e um prato com comida e um copo na sua frente. A direita Takahashi está com uma blusa azul escura e com um prato de comida e um copo na sua frente. Ambos estão de frente para a câmera." width="800" height="404" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-mal-nao-existe-2-800x404.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-mal-nao-existe-2-1024x517.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-mal-nao-existe-2-768x388.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-mal-nao-existe-2-1536x776.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-mal-nao-existe-2-1200x606.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-mal-nao-existe-2.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34044" class="wp-caption-text">Ryuji Kosaka faz a sua estreia como ator nos cinemas com o longa (Foto: NEOPA)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Drive My Car</span></i><span style="font-weight: 400;">, Ryusuke Hamaguchi utilizou a natureza para potencializar a dramaticidade da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=o5Xq4dyjKDs"><span style="font-weight: 400;">catarse final</span></a><span style="font-weight: 400;"> – a neve que traz o vazio e o frio –, aqui, ele faz diferente, tornando o meio ambiente em uma presença que pode ser sentida a todo momento, trazendo consigo uma sensação de hostilidade. A maneira </span><a href="https://www.tiktok.com/@profphilippeleao/video/7143734380047944966"><span style="font-weight: 400;">voyeurística</span></a><span style="font-weight: 400;"> de como a câmera se posiciona, reforça a impressão de impotência perante o que está ocorrendo, seja a debilidade em evitar a chegada da empresa no local ou em se defender da natureza; é como se o filme nos mostrasse que somos pequenos perto dessas forças e que servimos apenas aos seus interesses.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Aku Wa Sonzai Shina</span></i><span style="font-weight: 400;"> enfatiza como Takahashi (Ryûji Kosaka) e Mayuzumi (</span><a href="https://www.instagram.com/ayaka.shibutani/"><span style="font-weight: 400;">Ayaka Shibutani</span></a><span style="font-weight: 400;">), os representantes da empresa, têm ideias próprias que, ao entrar em contato com os moradores do vilarejo, passam a contradizer com os interesses da instituição. No entanto, mesmo com opiniões discordantes, eles ainda precisam daquele emprego para sobreviver nesse mundo, portanto, permanecem no trabalho e, dessa vez, tentando fazer uma intermediação de maneira que respeite os interesses dos locais, mas isso não é o suficiente e, no final da obra, eles pagam o preço pela empresa.</span></p>
<figure id="attachment_34045" aria-describedby="caption-attachment-34045" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34045" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-mal-nao-existe-3-800x450.webp" alt="Ao fundo uma floresta que está desfocada. Ao centro, Hana está de lado para a câmera, olhando para cima, com seu gorro azul na cabeça e a câmera pegando apenas a parte superior do seu corpo." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-mal-nao-existe-3-800x450.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-mal-nao-existe-3-768x432.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/O-mal-nao-existe-3.webp 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34045" class="wp-caption-text">“A maldade existe em quase todos os momentos sociais da vida humana” (Foto: NEOPA)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A cena final bizarra com Takumi (</span><a href="https://www.instagram.com/omika.h/"><span style="font-weight: 400;">Hitoshi Omika</span></a><span style="font-weight: 400;">) matando Takahashi é de uma construção ímpar, de alguém que realmente sabe o que está fazendo. O ‘faz-tudo’ da cidade olha para o cervo baleado que o olha de volta; o animal representa a natureza e a bala a destruição. O cervo pune ele, atacando sua filha Hana (Ryô Nishikawa), por permitir que o homem urbano se aproximasse demais e não afastasse as empresas daquele lugar. Por fim, ele mata Takahashi, como forma de proteção ao meio, se tornando uma extensão da própria natureza, personificando-a.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os últimos minutos ainda deixam uma dúvida quanto a sobrevivência de Hana, que é levada para fora da floresta no colo do seu pai, com os olhos fechados e ferida. Será que ela realmente morreu como punição? Ou será que aquilo foi apenas um lembrete para que Takumi fizesse o que precisava ser feito? Hamaguchi deixa essas questões para nós mesmos interpretarmos. Nos primeiros planos, o diretor filma olhando de baixo para cima a floresta esbranquiçada de neve, clara e bela. Em paralelo a esse começo, o final fecha com esse mesmo plano, só que a partir da perspectiva de Takahashi, agora, o ambiente é escuro e ameaçador, com os galhos se fechando como se fossem uma teia, tornando o ambiente claustrofóbico, muito parecido com a </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/entre-telas/a-bruxa-de-blair-25-anos-depois-um-marco-de-terror-e-polemica,fd533f4c62a7b46bd461dd2d0888adadm8wzcjqr.html"><i><span style="font-weight: 400;">Bruxa de Blair</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de 1999.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">O mal não existe</span></i><span style="font-weight: 400;">, Ryusuke Hamaguchi traça a relação do humano com o </span><a href="https://conectageek.com.br/critica-o-mal-nao-existe-ha-algo-desagradavel-nas-florestas-do-japao/"><span style="font-weight: 400;">mundo natural</span></a><span style="font-weight: 400;">; apesar do final violento, o próprio diretor disse para o </span><a href="https://www.dn.pt/3520596667/ryusuke-hamaguchi-a-maldade-existe-em-quase-todos-os-momentos-sociais-da-vida-humana/"><i><span style="font-weight: 400;">Diário de Notícias</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">que o nome </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mal Não Existe </span></i><span style="font-weight: 400;">se dá por causa da natureza, pois ele não vê maldade nela. O que se pode entender de tudo isso é que, apesar do encerramento trágico, o meio estava apenas se protegendo, assim como os desastres naturais são apenas consequências da destruição humana. É através dessas figuras e representações que o japonês mostra desprezo ao sistema capitalista e faz uma ode à natureza que é harmoniosa, bela e, se precisar, violenta.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="O Mal Não Existe | Trailer Oficial [HD] | Imovision" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/0pKQdKqXnQA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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