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	<title>Arquivos Bruxelas &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Here olha para o que ninguém vê</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Oct 2023 20:37:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Para Bas Devos, fazer filmes é uma desculpa para ser curioso. Here, seu quarto longa-metragem, usa essa curiosidade para observar a relação de dois estranhos consigo mesmos, um com o outro e com o país que habitam, estrangeiro tanto quanto eles mesmos ali. A produção desembarcou no Brasil no 25° Festival do Rio &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/here-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Here olha para o que ninguém vê"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31715" aria-describedby="caption-attachment-31715" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-31715" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4.png" alt="Cena do filme Here. A cena se passa em uma floresta, com o solo verde coberto por musgos e troncos de árvores ao fundo. Em um primeiro plano, os dois personagem estão mal iluminados e é possível ver, à esquerda, uma mulher adulta com cabelo preso em um coque, ajoelhada no chão, segurando uma planta na mão. À sua frente, à direita, é possível ver um homem curvado sobre uma pedra, encarando o que ela tem em mãos." width="1536" height="1012" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4-800x527.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4-1024x675.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4-768x506.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4-1200x791.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31715" class="wp-caption-text">Here venceu os prêmios de Encounters e FIPRESCI do Festival de Berlim e participou do Festival do Rio 2023 na seção Expectativa (Foto: Rediance Films)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Bas Devos, </span><a href="http://www.sensesofcinema.com/2023/interviews/here-an-interview-with-bas-devos/"><span style="font-weight: 400;">fazer filmes</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma desculpa para ser curioso. </span><i><span style="font-weight: 400;">Here</span></i><span style="font-weight: 400;">, seu quarto longa-metragem, usa essa curiosidade para observar a relação de dois estranhos consigo mesmos, um com o outro e com o país que habitam, estrangeiro tanto quanto eles mesmos ali. A produção desembarcou no Brasil no 25° </span><a href="https://www.festivaldorio.com.br/br/filmes/here"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio</span></a><span style="font-weight: 400;"> depois de conquistar dois troféus no </span><a href="https://www.berlinale.de/en/2023/programme/202314178.html"><span style="font-weight: 400;">Festival de Berlim</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, olhando para o ordinário, torna até o comum fantástico. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra, o diretor belga segue Stefan (Stefan Gota), um trabalhador romeno da </span><a href="https://personaunesp.com.br/distopia-critica/"><span style="font-weight: 400;">construção civil</span></a><span style="font-weight: 400;"> morando em Bruxelas, na Bélgica. Quando a temporada de obra acaba e ele e seus colegas &#8211; igualmente estrangeiros &#8211; poderão aproveitar as férias em seus países de origem, o protagonista encontra uma mulher que o fará pensar duas vezes se deve ou não voltar. O grande porém é que ela sequer sabe o nome dele.</span></p>
<p><span id="more-31712"></span></p>
<figure id="attachment_31714" aria-describedby="caption-attachment-31714" style="width: 1380px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31714" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5.jpg" alt="Cena do filme Here. A cena se passa durante a noite em um restaurante, onde é possível ver mesas e cadeiras vazias. Ao fundo, através de uma janela, é possível ver fachadas de outros restaurantes com as luzes acesas. No primeiro plano, à esquerda, vemos uma mulher branca, aparentando cerca de 40 anos, com cabelos castanhos na altura do ombro, sentada à mesa do restaurante com uma xícara de café a sua frente. Ela segura a mão do homem que está a sua frente, sentado na mesa à direita do quadro. Ele é branco, com cabelos curtos, aparenta ter cerca de 30 anos, tem uma xícara de café a sua frente e um casaco pendurado na cadeira." width="1380" height="921" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5.jpg 1380w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5-1200x801.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31714" class="wp-caption-text">Como em longas anteriores, Bas Devos aborda sutilmente a imigração, dessa vez de trabalhadores romenos para a Bélgica, algo que ele observou como um fenômeno no país (Foto: Rediance Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O encanto de </span><i><span style="font-weight: 400;">Here </span></i><span style="font-weight: 400;">se faz na </span><a href="https://personaunesp.com.br/carvao-critica/"><span style="font-weight: 400;">simplicidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Stefan não pode ir para casa &#8211; neste caso, seu país de origem, não a residência onde mora &#8211; porque seu carro quebrou e ficará pronto em alguns dias. Nesse meio tempo, a preocupação do rapaz é cozinhar uma sopa com tudo que há na geladeira para que nada estrague. A segunda tarefa é distribuir o alimento para conhecidos, já que nem ele conseguirá consumi-lo antes de voltar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É nessa normalidade que o roteiro &#8211; também confeccionado por Devos &#8211; se desenvolve: a relação do protagonista com a cidade e com as pessoas à sua volta é um exercício de enxergar a </span><a href="https://personaunesp.com.br/paloma-critica/"><span style="font-weight: 400;">humanidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Filmados poeticamente por Grimm Vandekerckhove, os altos prédios de Bruxelas, as linhas de trem e a movimentação dos transportes criam uma sensação de solitude e barulho em meio ao concreto, ressoando a condição de distanciamento, como se ali ele fosse um estrangeiro em todos os sentidos. Stefan repete a si mesmo que ali é sua casa, mas nem ele parece acreditar na afirmação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal cenário é o contrário da </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-som-do-rugido-da-onca-critica/"><span style="font-weight: 400;">natureza</span></a><span style="font-weight: 400;">. O personagem principal, assim como o diretor, é um grande curioso e, com os dias livres enquanto espera seu carro, explora os arredores da cidade. Movido por sementes que encontrou no bolso, ele visita uma horta comunitária, um bosque perto do mecânico e uma pequena floresta local. Ao contrário dos momentos no âmbito urbano, nos quais as conversas são breves e o silêncio interno prevalece, em todos os encontros cercados por natureza ele se depara com pessoas e trava diálogos tão mundanos quanto as situações ali propostas. São nesses ambientes, a princípio quietos, que a </span><a href="https://personaunesp.com.br/past-lives-critica/"><span style="font-weight: 400;">conexão humana</span></a><span style="font-weight: 400;"> acontece, a grandiosidade é preenchida com vida e a sensação de pertencimento e completude impera.</span></p>
<figure id="attachment_31713" aria-describedby="caption-attachment-31713" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31713" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3.jpg" alt="Cena do filme Here. A cena se passa durante o dia em uma floresta, em que é possível ver o solo marrom, coberto por musgos verdes em alguns trechos, troncos e árvores ao fundo. Em um primeiro plano, à esquerda, vemos uma homem branco, de aparentemente 30 anos, loiro de cabelo e barba curtos, vestindo uma jaqueta azul escura, um shorts roxo e uma bota preta ajoelhado no chão, observando uma planta em suas mãos. A sua frente, há um caderno aberto apoiado no chão. A direita do quadro, observando o que há nas mãos do homem, vemos uma mulher chinesa, aparentando cerca de 30 anos, com cabelos pretos presos em um coque, vestindo uma jaqueta com estampa militar, calã jeans e bota preta, sentada no chão." width="1536" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-1200x800.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31713" class="wp-caption-text">Here é projetado em uma janela 4:3, menor do que o tradicional nos cinemas; para Devos, além de fugir ao que o espectador está acostumado, esse formato é o mais próximo de como ele vê a realidade (Foto: Rediance Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo muda quando Stefan conhece Shuxiu (Liyo Gong) em um restaurante chinês na cidade. Se por lá as relações são rápidas e corriqueiras, o reencontro acidental dos dois na floresta acende uma conexão instantânea enquanto observam musgos e líquens. Ela, uma professora de microbiologia e botânica descendente de chineses, parece se sentir tão alheia a um cotidiano apático e desconexo quanto ele. Em mandarim, a personagem revela ter tido um sonho, em que de uma hora para outra esquece palavras, mostrando como se sente uma forasteira ali, como ele. Ambos parecem apenas esperar por uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/her-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">conexão humana</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e a encontram entre seres microscópicos no solo da mata.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por lá, os diálogos não são necessários para explicitar a ligação que passa a se desenvolver: os atores dão conta de expressar a diferença entre o </span><a href="https://personaunesp.com.br/sobre-a-terra-somos-belos-por-um-instante/"><span style="font-weight: 400;">estranhamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> inicial e a familiaridade que se estabelece aos poucos, se não com a cidade, um com o outro. Assim, partindo da grandiosidade da paisagem de Bruxelas e dos altos prédios em construção, a câmera se volta ao solo, ao micro dos organismos na base de tudo.</span></p>
<figure id="attachment_31716" aria-describedby="caption-attachment-31716" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31716" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5.jpg" alt="Cena do filme Here. Na imagem, vemos um zoom ou close-up de dois dedos de uma pessoa branca segurando um pequeno pedaço de planta verde." width="1536" height="1121" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5-800x584.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5-1024x747.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5-768x561.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5-1200x876.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31716" class="wp-caption-text">Passe um café e encare os musgos de olhos bem abertos (Foto: Rediance Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A mudança do panorama macro para o micro, da vastidão para seres microscópicos, acontece de forma lenta, quase imperceptível. Porém, por mais encantador que seja, para explorar esse comum </span><a href="https://c7nema.net/entrevistas/item/119433-bas-devos-o-maior-privilegio-da-minha-vida-e-que-posso-fazer-filmes.html"><span style="font-weight: 400;">Devos</span></a><span style="font-weight: 400;"> propõem um verdadeiro exercício de paciência: se a geração atual não vive sem estímulos audiovisuais, vencer um ato completo de musgos, líquens e paisagens verdes sem nenhuma &#8211; ou pouca &#8211; troca de palavras é uma verdadeira batalha. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=c-6qcdbs6os&amp;source_ve_path=MjM4NTE&amp;feature=emb_title"><i><span style="font-weight: 400;">Here</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o ordinário de Bas Devos, ampliado pela fotografia de Vandekerckhove e pela montagem mansa de Dieter Diependaele, se torna completo, mas, para isso, passa por uma calmaria beirando o entediante. Ao final, Stefan e Shuxiu parecem mais conectados após uma tarde quieta na floresta do que no diálogo completo que tiveram na cidade. Ela sequer sabe o nome dele e, quem comprar o desafio de não se render à inquietude e se entregar à tranquilidade, pode encontrar o fantástico no habitual e a beleza em um encontro mais do que comum.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Here" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/c-6qcdbs6os?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Os batimentos da mudança movem Corações Gentis</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Oct 2022 17:14:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enzo Caramori É possível que um sentimento de surpresa arrebate um espectador desavisado ao descobrir que Corações Gentis (2022), representante belga na Perspectiva Internacional da 46ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, é um documentário. Essa surpresa, no entanto, está longe de afastar o gênero do longa-metragem dirigido pela dupla de cineastas Olivia Rochette &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/coracoes-gentis-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os batimentos da mudança movem Corações Gentis"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29026" aria-describedby="caption-attachment-29026" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29026" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00001.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00001.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00001-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00001-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00001-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00001-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00001-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29026" class="wp-caption-text">Vencedor na seção Generation 14plus do Festival Internacional de Cinema de Berlim, Corações Gentis encanta as telas brasileiras na Perspectiva Internacional da 46ª Mostra (Foto: Accattone Films)</figcaption></figure>
<p><b>Enzo Caramori</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É possível que um sentimento de surpresa arrebate um espectador desavisado ao descobrir que </span><a href="https://46.mostra.org/filmes/coracoes-gentis"><i><span style="font-weight: 400;">Corações Gentis</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2022)</span><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> representante belga na Perspectiva Internacional da 46ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema de São Paulo, é um documentário. Essa surpresa, no entanto, está longe de afastar o gênero do longa-metragem dirigido pela dupla de cineastas Olivia Rochette e Gerard-Jan Claes. Nesse híbrido de sensibilidades ficcionais e documentais, o casal de jovens adultos Billie Meeussen e Lucas Roefmans são retratados à beira de transformações em suas aspirações pessoais, com uma emoção vertiginosa e delicada — um típico frio na barriga adolescente — acerca das expectativas sobre o futuro e suas incertezas.</span></p>
<p><span id="more-29018"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Filmado na cidade de Bruxelas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Kind Hearts </span></i><span style="font-weight: 400;">—</span> <span style="font-weight: 400;">título original da produção europeia —  se inicia com uma câmera que passeia pelas pessoas em uma montanha russa de um parque de diversões. Em um olhar inicial, é como se todos ali tivessem a possibilidade de serem retratados, e que a própria prática cinematográfica participasse do jogo da sorte que é a vida. Até que o aparelho, imperceptível e engrandecedor da </span><a href="http://ubiquarian.net/2022/02/olivia-rochette-gerard-jan-claes-documentaries-form-fiction/"><span style="font-weight: 400;">máscara ficcional</span></a><span style="font-weight: 400;"> do documentário, </span><span style="font-weight: 400;"> se </span><span style="font-weight: 400;">fixa no casal que, logo em outra cena, se depara com questões típicas de romances em formação. A iminência do amadurecimento é uma faca de dois gumes para os dois: ao mesmo tempo que são receosos acerca do que pode mudar, levam em conta abrir mão do que possa se tornar corriqueiro — como seu namoro —, em prol de novas emoções capazes de florescer.</span></p>
<figure id="attachment_29028" aria-describedby="caption-attachment-29028" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29028" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00002.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00002.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00002-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00002-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00002-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00002-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00002-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29028" class="wp-caption-text">A produção representa uma transição do tema do primeiro amor, tão representado em séries de TV e nos filmes, para o terreno documental (Foto: Accattone Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além da representação documental, Billie e Lucas são também intérpretes de si mesmos, uma vez que reencenam momentos próprios de sua intimidade. Nisso, o ‘docudrama’ desvia de uma tendência de </span><i><span style="font-weight: 400;">voyeurismo </span></i><span style="font-weight: 400;">da relação para uma perspectiva honesta que se volta à concretude desse namoro; tanto que o que movimenta o encadeamento das cenas são os </span><a href="https://sabzian.be/text/love-speaks#:~:text=You%20often%20make,is%20very%20visible."><span style="font-weight: 400;">sinceros encontros</span></a><span style="font-weight: 400;"> desses pré-adultos com seus amigos e familiares. O que acaba por se montar, nesse terreno ambíguo entre </span><i><span style="font-weight: 400;">ser </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">encenar</span></i><span style="font-weight: 400;">, é a noção do afeto e da narrativa enquanto uma </span><a href="https://avilafilm.be/en/distribution/film/kind-hearts"><span style="font-weight: 400;">construção mútua</span></a><span style="font-weight: 400;">; em que, no momento em que não há cuidado e vontade, não há amor. Assim como não há filme.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa postura contemplativa compõe um virtuoso desenvolvimento em que as reflexões de cada personagem dão lugar a um retrato fiel dos fatos oriundos e sublimes do primeiro amor.  É como se Lucas, compondo suas batidas descritas como </span><i><span style="font-weight: 400;">emotional summer tunes</span></i><span style="font-weight: 400;">, e Billie, com suas pretensões dentro da universidade, se revelassem muito mais pelos laços que nutrem uns com os outros do que por reflexões de si mesmos perante as lentes de Rochette e Claes. De certa maneira, esse tom quase que pessoal demais de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Kind Hearts </span></i><span style="font-weight: 400;">retira dos acontecimentos cotidianos uma beleza singela que remonta à destreza dos diálogos dos verões de </span><a href="https://estadodaarte.estadao.com.br/rodrigo-lemos-pala-walsh-rohmer-coloquios/"><span style="font-weight: 400;">Eric Rohmer</span></a><span style="font-weight: 400;"> e dos encontros em cafés do Cinema de </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-mulher-que-fugiu-critica/"><span style="font-weight: 400;">Hong Sang-Soo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Contudo, a ternura aqui está na realidade dessa paixão, em não conseguir colocar em palavras exatas o que se sente e o que se quer. Assim, quem assiste se insere nessa postura de </span><a href="https://www.screendaily.com/reviews/kind-hearts-berlin-review/5167936.article"><span style="font-weight: 400;">mera testemunha do sentimento.</span></a></p>
<figure id="attachment_29030" aria-describedby="caption-attachment-29030" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29030" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00006.jpg" alt="" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00006.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00006-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00006-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00006-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00006-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Kind-Hearts-00006-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29030" class="wp-caption-text">Disponibilizado na plataforma online do Sesc, Corações Gentis retrata até mesmo o isolamento pela pandemia da Covid-19 na Bélgica (Foto: Accattone Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um dos momentos de mais drástico contato entre realidade e ficção, o casal e alguns amigos assistem a um filme em que namorados tiram suas roupas para dar um mergulho. São emblemáticos seus olhares: conseguem propor uma intimidade e uma sensualidade tão sutil que nem faz necessidade de ser abarcada novamente na narrativa. No entanto, acima de tudo, a cena é premonitória do que essencialmente enfrentam nessa trajetória que, por  puro acaso, é filmada e colocada dentro do Cinema. Em uma </span><a href="https://businessdoceurope.com/berlinale-review-kind-hearts-by-olivia-rochette-gerard-jan-claes/"><span style="font-weight: 400;">conversa sensível</span></a><span style="font-weight: 400;"> com seu próprio tempo — com direito a mensagens de texto, videochamadas e redes sociais — </span><a href="https://www.berlinale.de/en/archive-selection/archive-2022/programme/detail/202203024.html"><i><span style="font-weight: 400;">Corações Gentis</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">sabe trazer os gestos luminosos da afetividade em um documentário que desloca a temática da evolução, do amor e da efervescência da paixão para o mergulho nas águas frias, porém cheias de descobertas, da vida adulta. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Kind Hearts (Olivia Rochette &amp; Gerard-Jan Claes, 2022)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/zhXZ4Kg5BGM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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