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	<title>Arquivos Bruna Linzmeyer &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Persona Entrevista: Cíntia Domit Bittar</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Nov 2025 14:08:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em conversa com o Persona, a diretora fala sobre o processo de criação de Virtuosas, filme premiado na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo Stephanie Cardoso Virtuosas (2025) apresenta um retrato inquietante do conservadorismo contemporâneo, conforme evidenciado em sua exibição na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, na seção Mostra Brasil. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/entrevista-cintia-domit-bittar/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Persona Entrevista: Cíntia Domit Bittar"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span id="docs-internal-guid-d6e903b1-7fff-f5ef-f267-cfe59e93393d"><span style="font-size: 11pt; font-family: Arial, sans-serif; color: #000000; background-color: transparent; font-style: italic; font-variant-numeric: normal; font-variant-east-asian: normal; font-variant-alternates: normal; font-variant-position: normal; font-variant-emoji: normal; vertical-align: baseline; white-space-collapse: preserve;">Em conversa com o Persona, a diretora fala sobre o processo de criação de Virtuosas, filme premiado na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></span></p>
<figure id="attachment_36502" aria-describedby="caption-attachment-36502" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36502" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Persona-Entrevista-Mostra-2025-1-1-800x450.jpg" alt="Arte de Abertura. Na imagem há o texto &quot;Persona Entrevista: Cíntia Domit Bittar&quot;. Ao lado direito há uma foto da diretora, uma mulher branca de cabelos castanhos ondulados curtos e olhos castanhos. Ela está de perfil com uma feição séria. O fundo da arte é preto com detalhes em verde. Há ainda o logo do Persona e da 49ª Mostra de Cinema em São Paulo. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Persona-Entrevista-Mostra-2025-1-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Persona-Entrevista-Mostra-2025-1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Persona-Entrevista-Mostra-2025-1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Persona-Entrevista-Mostra-2025-1-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Persona-Entrevista-Mostra-2025-1-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Persona-Entrevista-Mostra-2025-1-1.jpg 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36502" class="wp-caption-text">O filme Virtuosas nos faz enxergar uma realidade que cada vez mais se torna presente na sociedade – mesmo que não percebamos (Arte: Arthur Caires)</figcaption></figure>
<p><b>Stephanie Cardoso</b></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/virtuosas-nos-mostra-uma-realidade-escondida-porem-em-ascensao/"><i><span style="font-weight: 400;">Virtuosas</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2025) apresenta um retrato inquietante do conservadorismo contemporâneo, conforme evidenciado em sua exibição na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, na seção Mostra Brasil. Dirigido por Cíntia Domit Bittar, o título conquistou o Prêmio Netflix, confirmando o reconhecimento de sua força narrativa. A obra mergulha no contexto dos grupos de ‘Mulheres Virtuosas’ no país. O longa acompanha Virginia (</span><a href="https://youtu.be/SSbNkMH0ob0?si=6GYG2Af6N_ODROz2"><span style="font-weight: 400;">Bruna Linzmeyer</span></a><span style="font-weight: 400;">), uma influenciadora que defende a submissão feminina e o cuidado exclusivo com a família, usando a retórica da moralidade para exercer controle. Por trás da aparente devoção, a personagem manipula, engana e silencia em nome de princípios ideológicos. </span></p>
<p><span id="more-36465"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A narrativa se desenrola em uma residência isolada, que, com conexão limitada e atividades que simulam espiritualidade, funciona como um microcosmo de poder. A tensão crescente entre as participantes, onde regras de perfeição se transformam em prisões psicológicas, serve como pano de fundo para a crítica comunitária. Esse ambiente se torna o palco de uma escalada de violência e superstições que reflete o quanto a coletividade opta por controlar figuras femininas em vez de questionar as estruturas que as restringem. Em entrevista, a diretora detalha a pesquisa que deu origem ao projeto, a ousada escolha do gênero </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/slasher-gore-trash-e-mais-conheca-os-principais-subgeneros-do-terror/"><span style="font-weight: 400;">Terror</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a construção das figuras que habitam este cenário de histeria e violência.</span></p>
<figure id="attachment_36501" aria-describedby="caption-attachment-36501" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36501" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-800x335.jpg" alt="Cena do filme Virtuosas. Cinco mulheres estão alinhadas em um palco com um painel de madeira ao fundo. Da esquerda para a direita: uma mulher loira de blusa de seda e saia longa marrom; uma mulher segurando um bebê, vestindo um vestido plissado rosa; uma mulher negra com blusa branca e saia longa bege; uma mulher de blusa estampada, saia verde e tiara branca, segurando um microfone; e uma mulher de túnica longa rosa e calça larga. Há decorações com plantas secas nas extremidades do palco." width="800" height="335" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-1536x643.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-1200x503.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed.jpg 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36501" class="wp-caption-text">Virtuosas teve três sessões de exibição durante a 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Fotos: Novelo Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>De onde surgiu a ideia de fazer o filme </b><b><i>Virtuosas</i></b><b> e o que te levou a querer retratar o conservadorismo por esse olhar feminino?</b></p>
<p><b>Cíntia Domit Bittar</b><span style="font-weight: 400;">: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu já tinha um estudo bastante amplo sobre todo o panorama do conservadorismo. Por volta de 2016, o termo Trad Wife começou a ganhar visibilidade nos Estados Unidos e na Europa. Paralelamente, eu não encontrava algo relacionado exatamente a esse movimento no nosso país, com força. A pista surgiu quando Michele Bolsonaro, na época das joias, fez um post no Instagram com o início do Provérbios 31. Notei várias mulheres recitando essa passagem. Decidi investigar a expressão ‘mulher virtuosa’ e fiz uma conexão que é fortíssima: existe uma relação direta entre esses grupos brasileiros e o movimento Trad Wife Estrangeiro. É praticamente a mesma coisa, com a diferença de que, aqui, é um termo que ainda não ganhou notoriedade na imprensa. É surpreendente, pois são milhares e muito organizadas, com encontros e palestras”.</span></i></p>
<p><b>Na sua opinião, o movimento Virtuosas se esconde por trás do </b><b><i>Trad Wife</i></b><b>, já que não é muito conhecido aqui no Brasil?</b></p>
<p><b>Cíntia Domit Bittar:</b> <i><span style="font-weight: 400;">“Não acredito que seja uma questão de se esconder. O movimento Trad Wife demorou a se popularizar no nosso país, e, ao mesmo tempo, grupos de Mulheres Virtuosas já existiam. Isso está ligado ao ascenso do ultraconservadorismo no Ocidente de forma geral. Eles se manifestam de maneiras diversas, mas sempre unidos pela noção de submissão feminina, de ser dedicada ao lar, e de que o feminismo é visto como algo ‘quase satânico’. O alicerce é o cristianismo, seja ele católico ou neopentecostal”.</span></i></p>
<figure id="attachment_36500" aria-describedby="caption-attachment-36500" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36500" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-1-800x335.jpg" alt="Cena do filme Virtuosas. Close-up de uma mulher loira com o rosto coberto de sangue, chorando e com os olhos fechados. Ela usa um colar de pérolas e uma blusa branca com detalhes em pérolas, também manchada de sangue. Há uma luz suave iluminando seu rosto contra um fundo escuro." width="800" height="335" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-1-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-1-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-1-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-1-1536x643.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-1-1200x503.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-1.jpg 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36500" class="wp-caption-text">A atriz Lorena Lourenção é uma das grandes estrelas de Virtuosas (Foto: Novelo Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Como você chegou à decisão de usar o terror como gênero em seu filme?</b></p>
<p><b>Cíntia Domit Bittar:</b> <i><span style="font-weight: 400;">“Eu adoro o horror, é o meu gênero preferido. Eu acho que ele é um gênero excelente para fazer comentários sociais. Não considero que Virtuosas seja panfletário. A intenção é que o espectador reflita sobre o assunto através das imagens e das situações que criamos. No âmbito do horror feminista, acho instigante quando ele se propõe a trabalhar mulheres em papéis de vilania ou com ambiguidade moral. O longa se insere em um contexto de horror baseado no real que, acredito, expande para fora da tela. É um terror que faz rir, mas que carrega um desfecho trágico. A narrativa, inclusive, oscila entre ironia e terror psicológico, em alguns momentos aproximando-se do caricato. Esse tom exagerado intensifica o desconforto, tornando a linha entre absurdo e realidade quase indistinta”.</span></i></p>
<p><b>A Virgínia, personagem da Bruna Linzmeyer, é uma </b><b><i>coach</i></b><b> de mulheres conservadoras, e muita coisa que ela fala ali parece caricata, mas ao mesmo tempo é real. Como foi fazer a construção desta personagem?</b></p>
<p><b>Cíntia Domit Bittar:</b> <i><span style="font-weight: 400;">“Tanto a Virgínia quanto as demais figuras partiram de uma pesquisa muito forte. Há diálogos que são quase transcrições de eventos que assistimos. Falas que podem soar como exagero para quem não está dentro desse universo, mas ao mesmo tempo é real. Elas utilizam artifícios como a lógica de que ‘todo mundo é submisso a alguma coisa, por que não ser submisso à família então?’. Isso convence muitas pessoas. Usamos muito dessas frases prontas, de coach, que simplificam a complexidade delas. A Virgínia, por exemplo, é elegantíssima, quebrando o estereótipo de que essas mulheres são bregas ou se vestem mal. A interpretação de Linzmeyer cria uma figura sedutora e ameaçadora, cujo desejo de poder se disfarça de devoção”.</span></i></p>
<figure id="attachment_36499" aria-describedby="caption-attachment-36499" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36499" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-2-800x335.jpg" alt="Cena do filme Virtuosas. Uma mulher com cabelo castanho escuro e liso, vestindo um colete bege sobre uma blusa de gola alta da mesma cor e calça bege, está de frente para a câmera com a boca aberta e os braços levemente erguidos, com os punhos cerrados. Ela está ao ar livre, em meio a palmeiras, e outras duas mulheres de costas para a câmera aparecem nas laterais da imagem." width="800" height="335" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-2-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-2-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-2-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-2-1536x643.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-2-1200x503.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-2.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36499" class="wp-caption-text">Virgínia acaba demonstrando não ser nada do que aparenta e muito menos tendo a vida perfeita que mostra (Foto: Novelo Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro (</span><span style="font-weight: 400;">Cíntia Domit Bittar e Fernanda de Capua</span><span style="font-weight: 400;">), estruturado com tensão crescente e forte simbolismo, é notavelmente elevado por atuações brilhantes. Enquanto Bruna Linzmeyer sustenta a personagem da manipuladora, o elenco de apoio revela as múltiplas faces da opressão. </span></p>
<p><b>As outras personagens – a Lorena, a Bárbara e a Germina – representam diferentes formas de inspirar virtude ou sucesso. Quais foram as escolhas que você fez na construção dessas personagens para que cada uma revelasse aspectos distintos da pressão social nas mulheres?</b></p>
<p><b>Cíntia Domit Bittar</b><span style="font-weight: 400;">: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Nossa maior atenção foi para que as personalidades se destacassem individualmente. A caracterização ajudou imensamente. A Lorena lida com a pressão do cuidado constante do bebê. A Bárbara emula essa pessoa que é ‘cronicamente online’, sentindo-se não pertencente a esses espaços, mas querendo fazer parte a todo custo. Já a Gorete foi concebida para explorar a culpa católica e a repressão dos seus desejos; a atriz (Brisa Marques) a construiu como alguém que tem mais medo de si mesma do que da Virgínia”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><b>A Bárbara representa muito uma parte da população que fica tão focada em uma pessoa das redes sociais que querem se tornar iguais, quase como uma cópia. Qual é a sua visão sobre essa personagem?</b></p>
<p><b>Cíntia Domit Bittar:</b> <i><span style="font-weight: 400;">“Sim, a Bárbara emula essa pessoa que é, como dizem, ‘cronicamente online’. Ela quer ser a Virgínia, acredita nesse ideal. No fundo, ela ainda é uma mulher negra, sentindo-se não pertencente a esses espaços. Mas ela quer fazer parte a todo custo. O filme mostra que ela estava com uma expectativa muito grande, mas percebe no retiro que a atenção da Virgínia não era para todas, era só para a Lorena”.</span></i></p>
<figure id="attachment_36498" aria-describedby="caption-attachment-36498" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36498" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-2-800x534.png" alt=" Cena de premiação na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Em um palco escuro, uma tela grande exibe o título &quot;VIRTUOSAS&quot; e a imagem de uma mulher com os braços erguidos. Em frente à tela, pessoas estão no palco, algumas aplaudindo e outras aguardando, enquanto recebem um prêmio em um púlpito iluminado." width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-2-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-2-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/unnamed-2.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36498" class="wp-caption-text">O filme foi um dos premiados durante a cerimônia de encerramento da 49º Mostra de Cinema Internacional em São Paulo (Foto: Mario Miranda)</figcaption></figure>
<p><b>O filme foi reconhecido, esteve no </b><b><i>Marché du Film</i></b><b>, em </b><b><i>Cannes</i></b><b>, e ganhou o prêmio </b><b><i>Netflix</i></b><b>. O que essa conquista representa para você?</b></p>
<p><b>Cíntia Domit Bittar:</b> <i><span style="font-weight: 400;">“A maior realização foi ter conseguido filmar com o orçamento baixíssimo que tínhamos. O reconhecimento em festivais, no entanto, é de suma importância. O nosso projeto, ainda em finalização, foi selecionado pelo Festival do Rio para o programa Goes to Cannes no Marché do Filme, e ganhamos um prêmio lá entre 25 títulos de cinco países. O projeto venceu pela intensidade emocional que gerou. O prêmio Netflix, conquistado na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, é um licenciamento global, garantindo que o longa-metragem seja exibido em mais de 190 países. Fico tranquila sabendo que a criação terá uma ótima janela de visibilidade”.</span></i></p>
<p><b>Depois de tudo isso que você está vivenciando com o filme, o que você espera que o público sinta quando assistir </b><b><i>Virtuosas</i></b><b>?</b></p>
<p><b>Cíntia Domit Bittar</b><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Penso que Virtuosas é um filme que dificilmente provocará uma reação morna. Eu acho que ele vai encontrar pessoas que vão gostar muito, ou por apreciarem o gênero, ou por reconhecerem a veracidade das situações que descreve. E quem não gostar, terá seus motivos, mas é uma obra que deve gerar uma discussão intensa. O filme desmonta o mito da mulher virtuosa com o fio afiado do terror psicológico. Ficarei muito satisfeita se a produção motivar a sociedade a falar mais sobre as Mulheres Virtuosas, mais sobre esse movimento, expondo os limites da submissão feminina e o custo de viver sob dogmas”.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O desfecho dramático, aliás, evidencia o impacto de regras arbitrárias sobre mulheres e a perversidade de uma cultura que prefere punir inocentes a confrontar falhas estruturais. O trabalho funciona como um alerta: ao satirizar o ideal da esposa perfeita, desmantela o teatro moral e revela a hipocrisia de quem utiliza a fé como instrumento de dominação. </span><a href="https://youtu.be/kUPxVD9mIXA?si=uP2CjnzoZcR87Rfp"><span style="font-weight: 400;">Cíntia</span></a><span style="font-weight: 400;"> reitera o propósito da obra: “</span><i><span style="font-weight: 400;">O horror é um ótimo gênero para a gente falar do nosso tempo, e é por isso que ele amplia a capacidade de diálogo dele</span></i><span style="font-weight: 400;">”. O desconforto que o longa provoca não surge do distanciamento, mas da proximidade com uma verdade social que muitos escolhem ignorar, garantindo que a força narrativa do medo seja um catalisador para o debate.</span></p>
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		<title>Virtuosas nos mostra uma realidade escondida, porém em ascensão </title>
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		<pubDate>Wed, 12 Nov 2025 14:24:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Stephanie Cardoso Exibido na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, na seção Mostra Brasil, Virtuosas apresenta um retrato inquietante do conservadorismo contemporâneo. Dirigido por Cíntia Domit Bittar, a produção acompanha Virginia (Bruna Linzmeyer), uma influenciadora que defende a submissão feminina e o cuidado exclusivo com a família como forma de moralidade. Por trás &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/virtuosas-nos-mostra-uma-realidade-escondida-porem-em-ascensao/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Virtuosas nos mostra uma realidade escondida, porém em ascensão "</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36283" aria-describedby="caption-attachment-36283" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36283" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-7.png" alt="Cena do filme Virtuosas (2025). Na imagem, uma mulher está em um ambiente interno, iluminado por uma luz suave. Ela tem o cabelo curto, de um tom loiro meio escuro e veste uma blusa branca de gola alta. Seu olhar está atento e suas mãos estão erguidas" width="800" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-7.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-7-768x576.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36283" class="wp-caption-text">No filme nos é apresentado o movimento Virtuosas, que vem crescendo dentro do conservadorismo feminino (Foto: Novelo Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Stephanie Cardoso</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Exibido na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, na seção Mostra Brasil, </span><i><span style="font-weight: 400;">Virtuosas</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresenta um retrato inquietante do conservadorismo contemporâneo. Dirigido por </span><a href="https://youtu.be/EqalzSUSpjg?si=DgPkcsj7Q4an6E5S"><span style="font-weight: 400;">Cíntia Domit Bittar</span></a><span style="font-weight: 400;">, a produção acompanha Virginia (</span><a href="https://youtu.be/377isCuMPpc?si=-R3q_4-3k8Fel_-b"><span style="font-weight: 400;">Bruna Linzmeyer</span></a><span style="font-weight: 400;">), uma influenciadora que defende a submissão feminina e o cuidado exclusivo com a família como forma de moralidade. Por trás da aparente devoção, a personagem busca controle absoluto: manipula, engana e silencia em nome de princípios ideológicos. Ao reunir três participantes em um retiro voltado para o aperfeiçoamento pessoal, surge um ambiente de tensão crescente, histeria e violência, onde regras de perfeição transformam-se em prisões psicológicas.</span></p>
<p><span id="more-36282"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A residência isolada, com conexão limitada e atividades que simulam espiritualidade, funciona como microcosmo de poder. </span><a href="https://youtu.be/SzawXSTxx7s?si=Hs8US4A9fOewDttC"><span style="font-weight: 400;">Lorena</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Juliana Lourenção), esposa de político, lida com a pressão do cuidado constante do bebê e tenta se adaptar às normas do retiro. Germina (Maria Galant), jornalista infiltrada, mantém ceticismo absoluto e apenas finge conformidade para coletar informações. Bárbara (Sarah Motta), dona de casa e aspirante a celebridade, idolatra a influenciadora e se esforça para seguir cada instrução. Nesse cenário, a suposta devoção torna-se máscara para comportamentos opressivos, revelando uma sociedade que prefere controlar mulheres a questionar estruturas que as restringem.</span></p>
<figure id="attachment_36285" aria-describedby="caption-attachment-36285" style="width: 574px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36285" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-6.jpg" alt="Cena do filme Virtuosas. Uma jovem mulher de cabelos castanhos escuros e lisos usa uma faixa clara na cabeça e uma blusa bege de mangas bufantes. Ela sorri levemente, com os braços erguidos e as mãos abertas, em um ambiente interno com iluminação suave" width="574" height="241" /><figcaption id="caption-attachment-36285" class="wp-caption-text">Germina vai fazer de tudo pela sua matéria, até se infiltrar em um retiro nada convencional – mesmo que isso a deixe em perigo (Foto: Novelo Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa se conecta diretamente ao movimento </span><a href="https://coletivobereia.com.br/o-movimento-antifeminista-cristao-no-brasil-o-que-e-quem-integra-e-como-opera-parte-1/"><span style="font-weight: 400;">Mulher Virtuosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, que ganhou relevância em redes sociais e grupos conservadores no Brasil. A ideologia prega que o ideal feminino é a docilidade, a subserviência e a dedicação exclusiva ao lar. A produção transforma essas crenças em sátiras sombrias, revelando que essas práticas ainda são celebradas em determinados círculos da sociedade. Ao mesmo tempo, evidencia o quanto toleramos passivamente a imposição de padrões antiquados e como escolhemos ignorar suas consequências na vida real.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A narrativa oscila entre ironia e </span><a href="https://cinepop.com.br/12-grandes-filmes-aterrorizantes-de-terror-psicologico-314632/"><span style="font-weight: 400;">terror psicológico</span></a><span style="font-weight: 400;">, em alguns momentos aproximando-se do caricato. O feito nos faz lembrar dos vídeos motivacionais das redes digitais – exatamente o tipo de conteúdo que Virginia poderia produzir. Esse tom exagerado intensifica o desconforto, tornando a linha entre absurdo e realidade quase indistinta. Mesmo nas sequências mais extremas, a obra reflete a maneira como discursos moralistas moldam condutas cotidianas, transformando obediência em obrigação moral.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro, estruturado com tensão crescente e simbolismo, é elevado por interpretações brilhantes. </span><a href="https://youtu.be/e0ZOUmkav04?si=C8jgA37r1JVqUlFB"><span style="font-weight: 400;">Linzmeyer</span></a><span style="font-weight: 400;">, cria uma figura sedutora e ameaçadora, cujo desejo de poder se disfarça de devoção. Juliana Lourenção, no papel de Lorena, retrata o colapso de quem tenta alcançar a perfeição a qualquer custo. </span><a href="https://youtu.be/idjWzLTuVJU?si=mtw8I-QmYBpiXQsQ"><span style="font-weight: 400;">Maria Galant</span></a><span style="font-weight: 400;">, como Germina, equilibra sagacidade, ceticismo e vulnerabilidade, mostrando a perspectiva de quem observa a manipulação de dentro do sistema. As performances alternam entre o trágico e o absurdo com naturalidade impressionante, sustentando a tensão narrativa.</span></p>
<figure id="attachment_36284" aria-describedby="caption-attachment-36284" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36284" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-7-800x335.png" alt="Cena dos bastidores do filme Virtuosas (2025). Três mulheres estão posicionadas lado a lado, enquanto uma claquete é segurada à frente delas. A mulher à esquerda veste um cardigã rosa e um colar de pérolas; a do centro, uma blusa branca de gola alta; e a da direita, um vestido rosa claro com uma tiara. Elas olham concentradas para alguém fora do quadro, em um ambiente elegante e bem iluminado, sugerindo um momento de preparação para a gravação" width="800" height="335" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-7-800x335.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-7-1024x429.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-7-768x322.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-7-1536x643.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-7-1200x503.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-7.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36284" class="wp-caption-text">O filme desmonta o mito da mulher virtuosa com o fio afiado do horror psicológico (Foto: Novelo Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A escalada da </span><a href="https://unicamp.br/unicamp/noticias/2023/03/08/aumento-da-violencia-contra-mulheres-tem-relacao-com-avanco-do-conservadorismo/"><span style="font-weight: 400;">violência</span></a><span style="font-weight: 400;">, das superstições à paranoia coletiva, transforma a produção em um verdadeiro conto de horror moral. Cada elemento simbólico reforça a irracionalidade necessária para justificar comportamentos abusivos. Não há redenção nem catarse: apenas a constatação de que a busca pela virtude, quando imposta de maneira autoritária, conduz à destruição emocional. O desfecho dramático evidencia o impacto de regras arbitrárias sobre mulheres e a perversidade de uma cultura que prefere punir inocentes a confrontar falhas estruturais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Premiado com o Prêmio </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, e detentor do </span><a href="https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2025/05/21/filme-virtuosas-bruna-linzmeyer-florianopolis-cannes.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Goes to Cannes Award</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o filme confirma o reconhecimento internacional de sua força narrativa e da direção precisa. </span><a href="https://youtu.be/kUPxVD9mIXA?si=LmOOVDJEgj0sCuaw"><i><span style="font-weight: 400;">Virtuosas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> funciona como alerta: ao satirizar o ideal da mulher perfeita, desmonta o teatro moral e revela a hipocrisia de quem utiliza a fé como instrumento de dominação. O desconforto que provoca não surge do distanciamento, mas da proximidade com uma realidade que escolhemos ignorar, expondo limites da submissão feminina e o custo de viver sob dogmas que poucos ousam questionar.<br />
</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="VIRTUOSAS | teaser oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/AULzApCYXO0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Os filhos dos nossos filhos também verão Pantanal</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Apr 2023 18:40:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner A história contada por Pantanal é atemporal e se confunde com uma moda sertaneja que há décadas emociona peões: “ele tinha um cavalo preto por nome de Ventania e um laço de doze braças do couro de uma novilha”. Desde a primeira exibição da novela, em 1990, até o remake em 2022, a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pantanal-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os filhos dos nossos filhos também verão Pantanal"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30704" aria-describedby="caption-attachment-30704" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30704" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-1.jpeg" alt="Cena da novela Pantanal. Da esquerda para a direita na imagem, as personagens Juma e Jove se posicionam frente a frente. Juma, uma mulher branca de cabelos e olhos castanhos, está de olhos fechados enquanto Jove, um homem branco de cabelos castanhos e olhos claros, a observa. A câmera captura ambos apenas a partir dos ombros. O cenário ao fundo é uma parede branca iluminada pelos raios de sol." width="1200" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-1.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-1-800x400.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-1-1024x512.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-1-768x384.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30704" class="wp-caption-text">Juma e Jove retornaram às televisões brasileiras 32 anos depois da primeira exibição da novela Pantanal (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história contada por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I9caf45izB0"><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é atemporal e se confunde com uma moda sertaneja que há décadas emociona peões: “</span><i><span style="font-weight: 400;">ele tinha um </span></i><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2022/06/22/com-pantanal-cavalo-preto-cresce-quase-1000percent-em-plays-e-vira-hit-75-anos-apos-lancamento.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">cavalo preto</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> por nome de Ventania e um laço de doze braças do couro de uma novilha</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Desde a primeira exibição da novela, em 1990, até o </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2022, a trama pouco mudou, ainda que o Brasil, acumulador de uma </span><a href="https://www.canalrural.com.br/noticias/pecuaria/brasil-tem-mais-boi-e-vaca-do-que-gente/"><span style="font-weight: 400;">quantidade exorbitante</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YwqoeKlaJQs"><span style="font-weight: 400;">gado</span></a><span style="font-weight: 400;">, tenha sofrido grandes transformações. Ao som da mesma canção, o ‘Véio’ Joventino cavalgou país afora até um dia sumir e deixar seu filho José Leôncio para trás. Ele, bicho do mato, se meteu com uma moça da cidade e da união nasceu Jove, o primeiro herdeiro sem padrão de boiadeiro que chegou para “</span><i><span style="font-weight: 400;">cutucar a onça com vara curta</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Da luta entre humano e felino, a novela reviveu o seu destino. </span></p>
<p><span id="more-30703"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Originalmente, a música responsável pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hfth1z2rHB8"><span style="font-weight: 400;">abertura icônica</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi entoada por Marcus Viana e sua voz pulsante. Dessa vez, no entanto, Maria Bethânia e Almir Sater adicionaram frescor e serenidade ao instrumental, atribuindo, assim, um sentimento de pertencimento em um futuro que constantemente clama pela nostalgia do enredo; se os nossos pais assistiram o folhetim há 32 anos e nós no ano passado, “</span><i><span style="font-weight: 400;">os</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">filhos dos filhos…dos nossos filhos</span></i><span style="font-weight: 400;">” certamente também verão </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mantendo o sentido da árvore genealógica, a nova roupagem foi adaptada por </span><a href="https://gshow.globo.com/novelas/pantanal/noticia/bruno-luperi-autor-do-remake-de-pantanal-comenta-cenas-da-novela.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Bruno Luperi</span></a><span style="font-weight: 400;">, neto de </span><a href="https://personaunesp.com.br/velho-chico-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Benedito Ruy Barbosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, o escritor da versão que virou um clássico e se mantém atual graças a ambientação, feita em um bioma que traduz tão bem a resiliência e diversidade da nação através de sua fauna e flora.</span></p>
<figure id="attachment_30705" aria-describedby="caption-attachment-30705" style="width: 990px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30705" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-2.jpeg" alt=" Cena da novela Pantanal. Na imagem, a personagem Maria Marruá caminha com um semblante de desmotivação. Ela é uma mulher de cabelos e olhos escuros. A câmera captura Marruá a partir do busto. Ela segura uma bolsa nos ombros com uma das mãos. O cenário ao fundo é um ambiente florestado com diversos tons de verde e marrom." width="990" height="619" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-2.jpeg 990w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-2-800x500.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-2-768x480.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30705" class="wp-caption-text">A mãe-onça Maria Marruá conduziu o embate entre humano e felino com maestria (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferentemente do contexto de consolidação das telenovelas na época em que o texto estreou &#8211; quando a extinta </span><a href="https://www.zappeando.com.br/televisao/8-novelas-da-tv-manchete-que-deixaram-muita-saudade-qual-voce-gostava-mais"><i><span style="font-weight: 400;">Rede Manchete</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> emplacava clássicos como </span><i><span style="font-weight: 400;">Dona Beija</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Kananga no Japão</span></i><span style="font-weight: 400;"> -, a refilmagem da </span><i><span style="font-weight: 400;">TV Globo</span></i><span style="font-weight: 400;"> herdou o fracasso de Lícia Manzo com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=myARx4ufX9E"><i><span style="font-weight: 400;">Um Lugar ao Sol</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, drama inédito em dois anos e o primeiro a ir ao ar totalmente gravado após uma sequência de repetições causada pela pandemia de coronavírus. E, por isso, assumiu a árdua tarefa de reerguer a audiência e chamar o </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/historia-hoje/remake-de-pantanal-atrai-o-publico-jovem-para-televisao-aberta.phtml"><span style="font-weight: 400;">público jovem</span></a><span style="font-weight: 400;"> para sentar no sofá e assistir à Televisão &#8211; um desafio para os dias atuais. A tentativa não foi falha: a direção composta pelos nomes </span><span style="font-weight: 400;">Davi Lacerda, Noa Bressane, Roberta Richard, Walter Carvalho e Cristiano Marques soube desde a claquete inicial como atingir em cheio o seu público-alvo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um ato que soou como o cantar de um passarinho recém-nascido, que fez sentir a brisa fresca que sopra à beira-mar, o núcleo central da faixa nobre foi finalmente deslocado do ciclo vicioso fundado no uso de cenários divididos apenas entre as grandes capitais da economia e do entretenimento brasileiro, São Paulo e Rio de Janeiro. Com audição e tato apurados, a direção artística de </span><span style="font-weight: 400;">Rogério Gomes e Gustavo Fernandez capturou em cena as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_Qqkt4-Cues"><span style="font-weight: 400;">cores vívidas</span></a><span style="font-weight: 400;"> ainda não totalmente descobertas </span><span style="font-weight: 400;">pelo espectador e, desse modo, os prédios cinzentos da Avenida Paulista e as enormes mansões do Leblon foram deixados para trás em meio ao </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JPRpxH33wIM"><span style="font-weight: 400;">resgate de um passado</span></a><span style="font-weight: 400;"> mais simples e condizente com a realidade sociocultural do país.</span></p>
<figure id="attachment_30706" aria-describedby="caption-attachment-30706" style="width: 976px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30706" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-3-1.jpg" alt="Cena da novela Pantanal. Da esquerda para a direita na imagem, as personagens Madeleine e Filó se encontram na primeira fase da novela, quando jovens. A câmera captura ambas a partir do joelho. Madeleine é uma mulher branca de cabelos e olhos claros que veste uma calça jeans preta, uma camiseta de estampa colorida e uma mochila marrom nas costas. Filó é uma mulher branca de cabelos e olhos escuros que veste um shorts jeans claro e uma regata vermelha. Ao fundo, o cenário é o casarão de madeira da família Leôncio." width="976" height="550" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-3-1.jpg 976w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-3-1-800x451.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-3-1-768x433.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30706" class="wp-caption-text">O talento do elenco da primeira fase surpreendeu e fidelizou o público em poucas semanas (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como toda novela de respeito, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi dividida em </span><a href="https://gshow.globo.com/novelas/pantanal/vem-por-ai/noticia/pantanal-veja-as-transformacoes-de-5-personagens-da-primeira-para-a-segunda-fase.ghtml"><span style="font-weight: 400;">duas fases</span></a><span style="font-weight: 400;"> não somente com a intenção de demonstrar a passagem de tempo, mas também de desenvolver o conflito principal da trama e transformar as suas personagens. Acontece que a atuação excepcional do elenco jovem conseguiu surpreender e fidelizar o público em poucas semanas de exibição, sendo extremamente difícil se desapegar das faces que se tornaram tão familiares. Renato Góes e Bruna Linzmeyer nos corpos de José Leôncio e Madeleine construíram uma tensão cortante digna de protagonistas imponentes. Já Letícia Salles, estreando como atriz, roubou os holofotes e entregou uma Filó forte para Dira Paes. Por outro lado, Malu Rodrigues e Gabriel Stauffer carregaram a melhor versão dos antagonistas Irma e Gustavo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, se a região pantaneira ainda não havia sido habitada por camaleões, tudo mudou com a chegada de </span><span style="font-weight: 400;">Irandhir Santos, a quem</span><span style="font-weight: 400;"> se deve a maior aclamação artística. Na pele do ‘Véio’ </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SeqvU-9ppOc"><span style="font-weight: 400;">Joventino</span></a><span style="font-weight: 400;">, o ator externou as marcas de uma trajetória vivida no lombo de cavalos com um berrante em mãos e, em uma escalação tão peculiar quanto a linhagem da série </span><a href="https://personaunesp.com.br/dark-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Dark</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ele voltou para a segunda fase do enredo como o neto bastardo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mI9PHXo2bPE"><span style="font-weight: 400;">José Lucas de Nada</span></a><span style="font-weight: 400;">, dono de uma personalidade completamente distinta e, não por isso, mal interpretada.</span><span style="font-weight: 400;"> Mesmo que apegados aos atores, </span><span style="font-weight: 400;">a brilhante transição não deixou a animosidade dos noveleiros cair. Marcos Palmeira, Karine Teles, Camila Morgado e Caco Ciocler conduziram o texto até o seu clímax.</span></p>
<figure id="attachment_30707" aria-describedby="caption-attachment-30707" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30707" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-4.jpg" alt="Cena da novela Pantanal. Na imagem, o personagem ‘Véio’ Joventino se posiciona no lombo de seu cavalo enquanto leva o berrante à boca. Joventino é um homem branco de cabelos e olhos escuros, ele veste uma camiseta de manga longa na cor laranja, uma calça jeans clara e botas em tom barroso. A câmera captura todo o seu corpo e metade de seu cavalo. Ao fundo, o cenário é composto das águas e do mato verde do pantanal." width="1024" height="683" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-4.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-4-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-4-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30707" class="wp-caption-text">Como esperado, a paisagem deslumbrante do pantanal encantou (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;"> do clássico trouxe de volta os clichês intrínsecos ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/novo-mundo-novela/"><span style="font-weight: 400;">gênero</span></a><span style="font-weight: 400;"> e que, há tempos, estavam sumidos. Isso porque as produções sofreram uma mudança brusca de tom e passaram a adaptar a estrutura para o drama ‘pé no chão’ das séries, modelo repercutido pelo avanço dos </span><i><span style="font-weight: 400;">streamings</span></i><span style="font-weight: 400;">, incluindo a própria </span><i><span style="font-weight: 400;">Globoplay</span></i><span style="font-weight: 400;">. Exibida em 2019, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=H-znj_njIu4"><i><span style="font-weight: 400;">A Dona do Pedaço</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Walcyr Carrasco, foi a última obra antes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;"> que teve direito a coincidências improváveis e uma dose de humor cavalar. Para a surpresa de quem subverteu o formato novela, o carisma um tanto quanto utópico da mulher que vira onça, do homem que é possuído por uma entidade muito boa de viola e do senhor de idade que se transforma em sucuri foram suficientes para eternizar os personagens em memes nas redes sociais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde a irritação de José Leôncio com “</span><i><span style="font-weight: 400;">larga a mão, Filó</span></i><span style="font-weight: 400;">”, passando por Ari na comunicação com a fazenda em “</span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal, na escuta? Câmbio</span></i><span style="font-weight: 400;">”, e a vontade de fugir de Juma com “</span><i><span style="font-weight: 400;">querimbóra</span></i><span style="font-weight: 400;">”, os jargões ganharam espaço no cotidiano. Foi graças às expressões marcantes dos protagonistas e a adesão da juventude, agente controlador da popularização pelos meios, que a novela se tornou um fenômeno multimídia. O retorno das cenas dos próximos capítulos nos minutos finais também ajudou no resgate do gênero de folhetim. O aspecto foi </span><a href="https://observatoriodatv.uol.com.br/colunas/andre-santana/de-volta-cenas-do-proximo-capitulo-foram-abolidas-no-passado-por-causa-de-pantanal"><span style="font-weight: 400;">extinto</span></a><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">TV Globo</span></i><span style="font-weight: 400;"> justamente pela exibição de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;"> na </span><i><span style="font-weight: 400;">Rede Manchete</span></i><span style="font-weight: 400;">. A sua volta diminuiu a pressão para encaixar um gancho e aumentou o desejo de continuar assistindo com apenas alguns relances, mantendo uma ordem natural dos acontecimentos.</span></p>
<figure id="attachment_30708" aria-describedby="caption-attachment-30708" style="width: 984px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30708" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-5.jpeg" alt="Cena da novela Pantanal. Na imagem, as personagens Juma e Muda observam com desconfiança o peão Tibério. A câmera captura ambas a partir do tornozelo, enquanto a figura do peão está desfocada por ele estar de costas. Juma é uma mulher branca de cabelos e olhos claros. Muda é uma mulher negra de cabelos e olhos escuros. Tibério é um homem branco de cabelos e olhos escuros. Juma veste uma regata de estampa amarela e verde, uma saia de estampa branca e carrega em suas mãos uma arma de fogo que aponta na direção de Tibério. Muda veste uma regata branca e um shorts legging azul. Tibério veste uma camiseta de mangas longas branca com listras pretas e uma calça jeans. Ao fundo, o cenário é a tapera de Juma." width="984" height="656" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-5.jpeg 984w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-5-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-5-768x512.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30708" class="wp-caption-text">Alanis Guillen e Bella Campos foram uma dupla imbatível como Juma e Muda (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor geral Walter Carvalho também assinou a </span><a href="https://buzzfeed.com.br/post/fotografia-pantanal"><span style="font-weight: 400;">Fotografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;">. Vívida, esplendorosa e natural, a ilustração da região manteve uma característica autoral por todos os cenários, tenham sido eles a grande fazenda dos Leôncios ou a simples tapera dos Marruá. Ainda que rodeado de beleza, Carvalho não deixou de demonstrar o drama da violência no campo, tópico recorrente do enredo, com a mesma sensibilidade. Por meio de tons frios, o ciclo de destruição causado pela especulação latifundiária, que se alastrou pela trajetória de Gil </span><span style="font-weight: 400;">(Enrique Diaz) </span><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ODIW-zC2LTA"><span style="font-weight: 400;">Maria Marruá</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Juliana Paes), colocou em debate a luta pela terra. É tal composição visual que une as duas famílias principais da novela, quando os agricultores se apropriam de um canto abandonado pelos peões.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Juma (Alanis Guillen) chegou ao mundo tida como uma maldição pela mãe, desorientada depois da perda de três filhos para os senhores da agropecuária brasileira. Porém, o destino em forma de sucuri despertou a onça que defendeu a sua cria até a sua segunda morte, quando já encantada no corpo do felino pintado. Em busca de vingança pelo pai, dono de um pedaço de terra vendido ilegalmente, Muda entrou na trama para confundir os sentimentos da filha de Marruá, criada para se defender de tudo, menos do amor. Assustada pelo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lQnJugdmqsQ"><span style="font-weight: 400;">instinto animal</span></a><span style="font-weight: 400;"> que farejava as suas mentiras, incluindo a farsa acerca da falta de voz, a personagem falou através do olhar intenso da intérprete Bella Campos e, em sincronia com Guillen, consagraram-se em uma dupla imbatível: “</span><i><span style="font-weight: 400;">não fala nada, Muda</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<figure id="attachment_30709" aria-describedby="caption-attachment-30709" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30709" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-6.jpeg" alt="Cena da novela Pantanal. Na imagem, a personagem Maria Bruaca acaricia um cavalo. A câmera captura Maria a partir do busto e somente parte da cabeça do animal. Maria Bruaca é uma mulher branca de cabelos castanhos e olhos claros. Ela veste uma camisa na cor roxa e um colar, O cavalo é marrom e está equipado. Ao fundo, o cenário é composto pelo céu azul e pelas árvores verdes do pantanal." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-6.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-6-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-6-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-6-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-6-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30709" class="wp-caption-text">Carinhosamente apelidada pelo público como Mary Bru, a personagem protagonizou cenas importantes (Foto: TV Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra forma de violência que pautou o roteiro foi a agressão física e psicológica enfrentada por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YKl0byt3QSI"><span style="font-weight: 400;">Maria Bruaca</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Isabel Teixeira) nas mãos do seu esposo e grande vilão de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ji-Q75q9aBs"><span style="font-weight: 400;">Tenório</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Murilo Benício). Ao contrário da ficção, em que o apelido pejorativo marcou as falas das personagens, no ‘dia a dia’, os noveleiros se simpatizaram com a representação brutal e adotaram um apelido carinhoso, ‘Mary Bru’. Ela, inicialmente tida como uma personagem secundária, ganhou espaço de protagonista graças à interpretação fascinante de Teixeira ao lado de Benício, ambos incoerentemente unidos no mesmo tom em cena. Galã de muitas gerações, ele se desfez da face icônica de ‘mocinho’ e se transformou em um ser humano cruel. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, se os pais causaram uma mistura de sentimentos, os filhos do casal e da outra família do antagonista foram insuportáveis, não havendo a mínima chance do público nutrir algo por eles para além do desprezo, com destaque para a chatice apoteótica de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lJAx29O635Q"><span style="font-weight: 400;">Guta ‘regatinha’</span></a><span style="font-weight: 400;">. Bruno Luperi, na tentativa de modernizar a narrativa, errou a mão na construção da personalidade da jovem e deu uma bomba para a atriz Julia Dalavia segurar. Ainda nessa questão, o autor conseguiu </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/novelas/zaquieu-dessa-versao-e-mais-empoderado-diz-ator-do-remake-de-pantanal-84237"><span style="font-weight: 400;">reescrever</span></a><span style="font-weight: 400;"> a trajetória de </span><a href="https://observatoriodatv.uol.com.br/colunas/clara-ribeiro/doenca-grave-o-levou-quem-era-o-zaqueu-na-primeira-versao-de-pantanal"><span style="font-weight: 400;">Zaquieu</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Silvero Pereira), mordomo que se apaixona pelo peão Alcides (Juliano Cazarré). Mas a assombração da </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/pantanal-peao-gay-heteronormatividade"><span style="font-weight: 400;">heteronormatividade</span></a><span style="font-weight: 400;"> permaneceu no discurso, no qual ele e Jove (Jesuíta Barbosa) foram frequentemente enquadrados como ‘frozô’ e o repúdio de José Leôncio ao ato dos boiadeiros não colou.</span></p>
<figure id="attachment_30710" aria-describedby="caption-attachment-30710" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30710" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-7.jpg" alt="Cena da novela Pantanal. Na imagem, Trindade observa Irma. A câmera captura Trindade a partir da cintura e Irma a partir do busto. Ele, um homem branco de cabelos escuros e olhos claros, veste uma camiseta de botões e mangas longas cinza e uma calça bege com um cinto de couro marrom repleto de adereços prateados. Trindade também carrega uma viola coberta por uma capa e um chapéu de peão. Irma veste uma regata vermelha enquanto contempla o rio do pantanal. Ao fundo, o cenário é a limpidez do rio e o verde da paisagem de mata recheada de árvores." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-7.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-7-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-7-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-7-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-7-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-7-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30710" class="wp-caption-text">Os romances de Pantanal tiveram seus altos e baixos (Foto: TV Globo)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HXvzBASDivE"><span style="font-weight: 400;">Assustadoramente encantador</span></a><span style="font-weight: 400;"> e possuído por um ‘cramulhão’ que fez magia com as cordas da viola, o peão Trindade (Gabriel Sater) parou o coração do público e de Irma (Camila Morgado). O casal, no entanto, foi injustiçado por um fim desanimador motivado pelo interesse da ruiva em José Lucas de Nada. O ator, filho de Almir Sater, repetiu o papel que na versão original era do pai e dividiu a cena uma última vez com ele em </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;">; dessa vez, na pele do chalaneiro Eugênio, em uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gYKymNXoRhI"><span style="font-weight: 400;">batalha de Música fervorosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> que arrancou lágrimas e arrepios. Em meio a simplicidade deslumbrante da natureza, momentos como este jogaram de um precipício as passagens tenebrosas no urbano do Rio de Janeiro, felizmente deixadas de lado ao longo dos meses.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mergulhando nos altos e baixos dos romances de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;">, é perceptível o quanto o </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;"> se esforçou para provar que “</span><i><span style="font-weight: 400;">a maior força da natureza é o amor</span></i><span style="font-weight: 400;">”. José Leôncio e Filó provaram que o tempo realmente cura tudo. Já Muda e Tibério se encontraram em um cenário nada esperançoso e trouxeram para as telas a doçura de um enlace verdadeiro. Por outro lado, Tadeu (José Loreto) e Zefa (Paula Barbosa) superaram as diferenças de valores que os separavam para ficarem juntos. Entretanto, nenhum casal expressou com tanta fidelidade o </span><i><span style="font-weight: 400;">slogan</span></i><span style="font-weight: 400;"> apaixonado quanto Maria Bruaca e Alcides em busca da liberdade que somente o bioma fértil pode proporcionar, após a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9So0xzZJz-Y"><span style="font-weight: 400;">violência covarde</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Tenório contra o peão que protagonizou o momento mais chocante da trama. </span></p>
<figure id="attachment_30711" aria-describedby="caption-attachment-30711" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30711" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-8.jpg" alt="Cena da novela Pantanal. Na imagem, Filó e Jove observam um confronto entre Tadeu e José Leôncio. A câmera captura todo o corpo de Filó e Jove, posicionados ao fundo de Tadeu e Leôncio, capturados a partir do joelho. Filó é uma mulher de cabelos e olhos escuros que veste uma regata amarela em conjunto com uma saia longa florida e sandálias de salto pequeno. Jove é um homem branco de cabelos escuros e olhos claros que veste uma camiseta de mangas longas branca, calça jeans, botas de couro e um chapéu de peão branco. Tadeu é um homem brano de cabelos escuros e olhos claros que veste uma camiseta de mangas longas em xadrez vermelho, calça jeans com cinto de couro, um chapéu de peão e duas malas. José Leôncio é um homem de cabelos e olhos escuros que veste uma camiseta de mangas longas azul e uma calça jeans com cinto de couro. Ao fundo, o cenário é o casarão de madeira dos Leôncios." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-8.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-8-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-8-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-8-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30711" class="wp-caption-text">Os Leôncios facilmente poderiam participar do programa Casos de Família do SBT (Foto: TV Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na pele de Tadeu, José Loreto surpreendeu com uma atuação que fez parecer que o personagem foi escrito especialmente para ele. Ao lado de Dira Paes, o ator concretizou o feito extremamente difícil de não ser engolido pela aura de uma das veteranas mais experientes da dramaturgia. Confrontados com diálogos duros e secos, Loreto e Paes afloraram o lado sentimental de quem assistiu diariamente a relação genuína entre mãe e filho. De filho bastardo a sucessor natural do legado de boiadeiro do avô Velho Juventino, Tadeu muitas vezes </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=i2XYEAh0sws"><span style="font-weight: 400;">brigou sozinho</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela atenção do pai até o seu </span><a href="https://gshow.globo.com/novelas/pantanal/noticia/ultimo-capitulo-de-pantanal-encontro-de-tadeu-e-velho-do-rio-emociona-espectadores.ghtml"><span style="font-weight: 400;">encontro</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o ‘Véio do Rio’ no último cápitulo: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Você não ganharia a minha sela de prata se não fosse um Leôncio. [&#8230;] Diz pra ele que eu disse que ocê é o meu neto de amor</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Responsáveis por manter o coração de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;"> batendo forte, Juma e Jove foram, mais do que nunca, os grandes protagonistas da novela. Em 2022, assistir o encontro do casal foi como presenciar o embate entre </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=605ywPGYiec"><span style="font-weight: 400;">felino e humano</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela, nascida livre como um ser selvagem na imensidão da natureza, e ele, criado na redoma de vidro de uma mansão luxuosa, mas sem vida. Embalados pela música-tema </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=j-Z9IJAgvxs"><i><span style="font-weight: 400;">Amor de índio</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> na voz de Gabriel Sater, a união desses dois opostos fez o amor se consagrar como sagrado. Em harmonia com o verde do bioma e o vermelho da paixão, a dupla Alanis Guillen e Jesuíta Barbosa trouxe o frescor da descoberta de algo novo: uma química delirante, estrondosa e arrebatadora digna de reportagem do </span><a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2022/05/26/juma-e-jove-fantastico-prepara-reportagem-para-todos-que-estao-na-torcida-pelo-casal-de-pantanal.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Fantástico</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_30712" aria-describedby="caption-attachment-30712" style="width: 1224px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30712" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-9.jpg" alt="Cena da novela Pantanal. Na imagem, o ‘Véio do Rio’ aparece contemplando o horizonte. Ele é um homem branco de cabelos brancos e olhos claros. ‘Véio’ veste uma manta marrom, um chapéu de palha e carrega em uma de suas mãos um cajado feito da madeira de um galho de árvore. Ao fundo, o cenário é a mata verde do Pantanal." width="1224" height="816" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-9.jpg 1224w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-9-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-9-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-9-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-9-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30712" class="wp-caption-text">Osmar Prado fez da sabedoria do ‘Véio do Rio’ a maior força de sua atuação (Foto: TV Globo)</figcaption></figure>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">“O homem é o único animal que cospe na água que bebe. O homem é o único animal que mata para não comer. O homem é o único animal que corta a árvore que lhe dá sombra e frutos. Por isso, está se condenando à morte…” &#8211; Benedito Ruy Barbosa</span></i></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A entidade </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cN1NlihUaw0"><span style="font-weight: 400;">‘Véio do Rio’</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi a personificação do </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;">. O ator Osmar Prado trouxe para a composição a força da sabedoria de quem conhece o bioma, fala com os animais e espalha o amor. Único capaz de laçar um marruá, espécie de boi feroz, ele também foi o fator responsável por arrematar as histórias das famílias Leôncio e Marruá em uma só trajetória. Entre as paisagens belas e o desmatamento impiedoso, a novela de Bruno Luperi reergueu a audiência do gênero, fez jus a versão original de seu avô e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SecT4r0-BqE"><span style="font-weight: 400;">reviveu o destino</span></a><span style="font-weight: 400;">. Atemporal, é um dever que </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;"> seja adaptada novamente no futuro, assim, repetindo um ciclo fundamental: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Redescobrindo as Américas quinhentos anos depois/Lutar com unhas e dentes pra termos direito ao depois/Fim do milênio, resgate da vida, do sonho, do bem</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Mfqv7V4q03M?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></div>
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		<title>Medusa, meretriz, monstro, mulher</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Oct 2021 22:04:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caroline Campos Por Poseidon, Medusa foi violentada. Por Atena, foi castigada, seus cabelos viraram cobras e seu olhar se tornou mortal. Por Perseu, a já criatura foi decapitada e transformada em arma de guerra. Pela História e pela Arte, foi vilanizada, perseguida e satirizada. Mas, no Brasil de 2021, Medusa foi a escolhida por Anita &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/medusa-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Medusa, meretriz, monstro, mulher"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24238" aria-describedby="caption-attachment-24238" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24238 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-2.png" alt="Cena do filme Medusa. A atriz Mari Oliveira está no centro. Ela é uma mulher negra, de cabelos escuros e presos e usa uma blusa rosa. Seu rosto está com uma espécia de argila verde e ela espalha com as duas mãos. Ao fundo, vemos a cabeceira da cama e uma parede com fotos." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-2.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-2-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-2-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24238" class="wp-caption-text">Medusa agraciou a seção Mostra Brasil da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, mas apenas em sessões presenciais (Foto: Bananeira Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Caroline Campos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por Poseidon, </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/verdadeira-historia-da-medusa-grecia.phtml"><span style="font-weight: 400;">Medusa</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi violentada. Por Atena, foi castigada, seus cabelos viraram cobras e seu olhar se tornou mortal. Por Perseu, a já criatura foi decapitada e transformada em arma de guerra. Pela História e pela Arte, foi vilanizada, perseguida e satirizada. Mas, no Brasil de 2021, Medusa foi a escolhida por </span><a href="https://www.exibidor.com.br/noticias/mercado/12057-cineasta-anita-rocha-da-silveira-volta-a-cannes-com-longa-sobre-violencia-nas-relacoes-entre-mulheres"><span style="font-weight: 400;">Anita Rocha da Silveira</span></a><span style="font-weight: 400;"> para intitular seu segundo longa-metragem, que, presente na 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, honra, com moldes trágicos e atuais, a trajetória da bela sacerdotisa amaldiçoada.</span></p>
<p><span id="more-24237"></span></p>
<p><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/07/medusa-unico-brasileiro-a-competir-em-cannes-afronta-o-extremismo-evangelico.shtml"><span style="font-weight: 400;">No filme</span></a><span style="font-weight: 400;">, a violência também não se esconde pelos cantos. Misturando mito e realidade, a diretora insere os traços do conto grego em uma pequena cidade sem nome, onde um grupo de mulheres puras e devotas saem todas as noites com máscaras brancas para espancar pecadoras que se desvirtuam dos princípios da moralidade. Quando o dia nasce, as máscaras são substituídas e a quadrilha cristã sobe ao palco da Igreja para cantar sobre as virtudes de ser uma mulher submissa a Jesus.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Medusa</span></i><span style="font-weight: 400;">, Silveira nos põe lado a lado com Mariana, uma das jovens justiceiras que passa a repensar seu papel no clã de Michele e as Preciosas depois que tem seu rosto desfigurado pela mulher a quem estava agredindo. Interpretada pela xará incomparável </span><a href="https://revistaquem.globo.com/Entrevista/noticia/2021/07/mari-oliveira-estreia-em-cannes-mostra-que-da-para-sonhar.html"><span style="font-weight: 400;">Mari Oliveira</span></a><span style="font-weight: 400;">, Mariana vai gradualmente se descolando da narrativa reproduzida incessantemente por aquela pequena comunidade conservadora, que reprime os prazeres carnais femininos e vigia a ferro e fogo o comportamento das mulheres ditas puras.</span></p>
<figure id="attachment_24264" aria-describedby="caption-attachment-24264" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24264" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-9-1.png" alt="Cena do filme Medusa. 8 mulheres estão em cima de um palco rosa neon com vestidos brancos. A da frente, loira, está cantando no microfone. As outras coreografam ao fundo." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-9-1.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-9-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-9-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-9-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-9-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-9-1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24264" class="wp-caption-text">Belas, recatadas e do lar, Michele e as Preciosas têm sede do sangue das infiéis (Foto: Bananeira Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Decidido, o filme da carioca não mede caracteres no roteiro para afrontar, com ares fantásticos, a hipocrisia religiosa e o discurso machista que trancafia mulheres em torres de vigilância, ensinadas a manter sempre o olho umas nas outras. Com pinceladas de verde </span><i><span style="font-weight: 400;">neon </span></i><span style="font-weight: 400;">conduzidas por João Atala</span><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.bol.uol.com.br/noticias/2021/10/17/brasileiras-sao-premiadas-no-mais-importante-festival-internacional-de-cinema-fantastico.htm"><span style="font-weight: 400;">Anita Rocha da Silveira</span></a><span style="font-weight: 400;"> desenha o caminho de sua protagonista rumo à liberdade, transitando entre gêneros e cutucando, a todo momento, a própria veia cômica diante da bizarrice evangélica que cria.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, entre mulheres e meretrizes, é Melissa quem norteia a narrativa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Medusa</span></i><span style="font-weight: 400;"> e como Medusa. A jovem atriz –  uma pequena e potente participação de </span><a href="https://veja.abril.com.br/blog/veja-gente/o-protesto-de-bruna-linzmeyer-no-festival-de-cannes/"><span style="font-weight: 400;">Bruna Linzmeyer</span></a><span style="font-weight: 400;"> – que, há anos, havia sido atacada por uma mascarada misteriosa, flutua de mãos dadas com Mariana ao longo dos 127 minutos de produção. É na personagem que a diretora insere sua dose mais generosa de horror, a tratando como uma criatura culpada que precisa ser buscada e exibida em toda a sua monstruosidade – </span><i><span style="font-weight: 400;">“é isso o que acontece com vagabundas, doce Melissa”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na busca pelo fantasma da desaparecida, Mariana encontra os clamores da tentação, mas também se depara com a necessidade de sair do coma cultural a que foi submetida. A parceria com Michele, vivida vorazmente por Lara Tremouroux, é o ponto final que a trama precisa para subverter as várias faces da opressão patriarcal e, finalmente, gritar. Pois saia para lá com seu exército de dominadores. </span><a href="https://www.acritica.net/editorias/entretenimento/medusa-traz-um-grito-feminista/537651/"><span style="font-weight: 400;">Estamos putas da vida</span></a><span style="font-weight: 400;"> e nem Jesus Cristo em pessoa vai nos impedir.</span></p>
<figure id="attachment_24262" aria-describedby="caption-attachment-24262" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-24262 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-7.png" alt="Cena do filme Medusa. A imagem mostra um grupo de mulheres correndo e gritando na rua, a noite." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-7.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-7-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-7-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-7-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-7-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-7-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24262" class="wp-caption-text">No fim das contas, Maria Madalena caminhou ao lado de Jesus (Foto: Bananeira Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tendo em mente a</span><i><span style="font-weight: 400;"> Pátria Amada, Brasil</span></i><span style="font-weight: 400;">, é perigoso classificar </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/cinema/filme-medusa-fala-sobre-a-pressao-da-beleza-e-do-comportamento-das-mulheres,a8715e5d15319972c66b7c5fd2a8e2e6di5fzt0p.html#:~:text=Longa%20de%20Anita%20Rocha%20da,Realizadores%2C%20%C3%A9%20um%20grito%20feminista&amp;text=As%20m%C3%A1scaras%20est%C3%A3o%20presentes%20em,paralela%20ao%20Festival%20de%20Cannes."><i><span style="font-weight: 400;">Medusa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> como uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-handmaids-tale-4a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">distopia</span></a><span style="font-weight: 400;">, pois o termo, em sua raiz, sugere um “lugar hipotético”, “fora da realidade&#8221;. Exageros e alusões à parte, o filme de Anita Rocha da Silveira pode dialogar muito bem com o </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/explicado/2020/04/19/A-ascens%C3%A3o-e-influ%C3%AAncia-das-igrejas-neopentecostais-no-Brasil"><span style="font-weight: 400;">cenário político-religioso</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a jovem e frágil democracia brasileira se enfiou nos últimos anos. Com o assentamento de um neopentecostalismo nocivo e preconceituoso na cadeira do Executivo, há muitos Pastores Guilherme com mais controle do que o mito do Estado Laico permitiria.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vindo de uma </span><a href="https://variety.com/2021/film/global/cannes-medusa-anita-rocha-da-silveira-interview-1235016959/"><span style="font-weight: 400;">estreia mundial</span></a><span style="font-weight: 400;"> na Quinzena dos Realizadores no </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/filmes-brasileiros-selecionados-para-festival-de-cannes-2021-lista/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cannes</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Medusa</span></i><span style="font-weight: 400;"> aterrissa na Mostra de SP para consagrar Silveira como uma potência criativa e ousada do Cinema nacional. Sem mais saco para as falácias conservadoras e caretas, o longa é uma coreografia macabra e excessiva que serpenteia em cima das amarras do patriarcado e do seu autoritarismo brega e petrificado. Ora, que dancemos sem máscaras e de mãos dadas pela noite das florestas, afinal, o M de Medusa é também o M de Mulher.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Medusa (2021) | First International Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/3yW1VUtYXN0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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