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	<title>Arquivos Bong Joon-ho &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Mickey 17 ilustra descartabilidade da classe trabalhadora, mas não alcança a profundidade que acredita ter</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Mar 2025 20:21:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes Devido à greve dos atores e roteiristas, e da tentativa do estúdio de levar para o IMAX, Mickey 17 mudou a data de estreia várias vezes, inicialmente planejado para Janeiro, depois mudando para Abril e sendo lançado, antecipadamente, em Março. O longa finalmente chegou às telonas como o primeiro filme de Bong Joon-Ho &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/mickey-17-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Mickey 17 ilustra descartabilidade da classe trabalhadora, mas não alcança a profundidade que acredita ter"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/mickey-17-critica/">Mickey 17 ilustra descartabilidade da classe trabalhadora, mas não alcança a profundidade que acredita ter</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34956" aria-describedby="caption-attachment-34956" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-34956" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-1-800x450.jpg" alt="Na imagem estão dois personagens de lado para câmera, ambos interpretados por Robert Pattinson. Ambos usam uma camisa com uma cor cinzenta e se encaram estupefatos. O cenário é de um quarto." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-1.jpg 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34956" class="wp-caption-text">Mickey 17 é o primeiro filme de Bong Joon-Ho depois de vencer o Oscar (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Devido à greve dos atores e roteiristas, e da tentativa do estúdio de levar para o </span><i><span style="font-weight: 400;">IMAX</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mickey 17</span></i><span style="font-weight: 400;"> mudou a </span><a href="https://www.instagram.com/dalenogarew/reel/DG6iDo6vk8r/"><span style="font-weight: 400;">data de estreia</span></a><span style="font-weight: 400;"> várias vezes, inicialmente planejado para Janeiro, depois mudando para Abril e sendo lançado, antecipadamente, em Março. O longa finalmente chegou às telonas como o primeiro filme de Bong Joon-Ho após a histórica vitória de </span><a href="https://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Parasita</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2020. Assim como seu antecessor, o coreano manteve sua veia política, mas, desta vez, focado na eleição norte-americana entre Donald Trump e Kamala Harris. Contudo, em oposição à sua obra mais celebrada, este não consegue criticar o capitalismo de maneira produtiva, além de não sustentar a diversidade de temas, principalmente pela sua abordagem.</span></p>
<p><span id="more-34954"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mickey (</span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/em-cartaz/robert-pattinson-exorciza-de-vez-a-saga-crepusculo-no-ousado-mickey-17"><span style="font-weight: 400;">Robert Pattinson</span></a><span style="font-weight: 400;">) é um ‘descartável’, ou seja, uma pessoa que pode morrer, pois será reimpresso no dia seguinte com todas as suas lembranças de outras vidas. Nesse sentido, a companhia para a qual ele trabalha o utiliza para experimentos e atividades perigosas que podem culminar em morte, o que normalmente acontece pela natureza da relação de Mickey com a empresa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O personagem de Robert Pattinson ilustra a relação do empregado com o empregador, uma representação do sistema capitalista com a classe trabalhadora. Todo o conceito de descartabilidade funciona muito bem, são críticas bem diretas e bem pontuadas. Inicialmente, o diretor lida muito bem com o tempo e a estrutura da narrativa para fortificar seus pontos, partindo para uma </span><a href="https://www.raissaferreira.com/post/cr%C3%ADtica-mickey-17-2025"><span style="font-weight: 400;">humanização</span></a><span style="font-weight: 400;"> de um personagem excêntrico, desde os seus sentimentos em relação às pessoas e o mundo, até os conflitos que ele tem na Terra, como dívidas com agiotas. Aliás, foram os débitos que levaram Mickey a virar um ‘descartável’. Bong Joon-Ho é muito certeiro ao colocar a violência das cidades urbanas como motivação para se submeter a um processo que a torna um objeto, uma ‘não pessoa’. O protagonista se vê encurralado diante do mundo contemporâneo.</span></p>
<figure id="attachment_34959" aria-describedby="caption-attachment-34959" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34959" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-2-800x433.jpeg" alt="Na imagem estão os Mickeys 17 e 18. Ambos estão de frente para a câmera e vestem uma roupa de proteção com identificação. O Mickey 18 tem o número 18 estampado no centro do uniforme. O Mickey 17 tem o número 17 estampado no centro do uniforme. Ambos na parte amarelada. Eles usam um capacete de proteção e óculos, que estão junto ao capacete. O cenário é de um ambiente aberto, gelado, com muita neve e alienígenas ao fundo. Os alienígenas são terrestres, escuros e no lugar do rosto está, apenas, a boca." width="800" height="433" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-2-800x433.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-2-768x416.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-2.jpeg 924w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34959" class="wp-caption-text">Robert Pattinson está buscando trabalhos com grandes diretores em sua carreira (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Todavia, o longa funciona até o momento em que o Mickey 17 se encontra com o seu ‘sucessor’. A partir daí vira uma bagunça e se perde ao abraçar diversas temáticas e tomar diferentes </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4QRIzkFs_bg&amp;t=9s"><span style="font-weight: 400;">direções narrativas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que nunca se desenvolvem, de fato. Ascensão da extrema direita, questões ambientais, abuso nas relações e a vida dentro do ambiente de trabalho; são muitas proposições que, apesar de cercarem o mesmo objeto – capitalismo –, dificilmente encontram um caminho em comum para a história. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Mickey 17 </span></i><span style="font-weight: 400;">não é só enxuto, mas também não confia em seu espectador, ao ponto em que, por vezes, precisa jogar na cara o que está tentando propor. Em dado momento, no jantar entre Mickey, Kenneth (Mark Ruffalo) e Ylfa (Toni Collette), Bong Joon-Ho e Darius Khondji (diretor de Fotografia) dão um </span><i><span style="font-weight: 400;">close </span></i><span style="font-weight: 400;">em uma insígnia que remete a uma suástica. Ou seja, não existe crença de que o público irá entender de que se trata de uma paródia à extrema direita, mesmo que os personagens sejam </span><a href="https://cinemacao.com/2025/03/12/critica-2-mickey-17/"><span style="font-weight: 400;">óbvios</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É preciso destrinchar ao máximo sobre a profusão de temas, visto que, ela em si não é o problema, porém, gera consequências que atrapalham a experiência fílmica. </span><a href="https://personaunesp.com.br/jurado-no2-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Shrouds</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2024), por exemplo, tem assuntos em abundância. Entretanto, a abordagem mais desafetada e, definitivamente, cínica e irônica, dão sentido a essa ‘pegada’ </span><i><span style="font-weight: 400;">nonsense</span></i><span style="font-weight: 400;">. David Cronenberg se apresenta mais seguro sobre o que quer e como fazer. O caso do sul-coreano é diferente. Ao mesmo tempo que o filme fica ‘dando a pinta’ de ser mais inteligente do que realmente é – de forma parecida com </span><a href="https://personaunesp.com.br/nao-olhe-para-cima-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Não Olhe para Cima</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021) –, ele também aparenta estar menos certo sobre os caminhos que toma, ficando entre a caricatura, a seriedade e a comicidade, o que até dá uma dinâmica, mas nunca consegue se definir.</span></p>
<figure id="attachment_34961" aria-describedby="caption-attachment-34961" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34961" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-gh-800x450.jpg" alt="Na imagem está Mark Ruffalo e Toni Collette. Ele usa um uniforme de soldado azul. Ele tem um corte na bochecha esquerda e o cabelo grisalho está penteado para trás. Toni Collette usa uma camisa amarela. Ambos estão de frente para a câmera. Ao fundo, desfocado, estão um cientista de jaleco branco e um segurança com um uniforme escuro." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-gh-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-gh-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-gh-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-gh.jpg 1100w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34961" class="wp-caption-text">O longa teve diversos atrasos para estrear (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O lado mais burlesco fica por conta do Mark Ruffalo, muito parecido com o papel dele em </span><a href="https://personaunesp.com.br/pobres-criaturas-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pobres Criaturas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2023), em uma tentativa de emular </span><a href="https://locadorafiore.substack.com/p/mickey-17-e-satira-politica-superficial"><span style="font-weight: 400;">Donald Trump</span></a><span style="font-weight: 400;">. A mera presença do antagonista em cena já a torna menos interessante, por ser óbvio, feio e raso em suas intenções e críticas. Toni Collette acompanha o ritmo de Ruffalo, sendo o total o oposto de seu papel em </span><a href="https://personaunesp.com.br/jurado-no2-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Jurado N°2</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2024). Esse lado da obra não casa com as construções visuais mais desgastadas, sérias e frias dos ambientes que Mickey frequenta. É como se fossem dois filmes distintos que, por vezes, se chocam e destes embates surgem comentários ‘mastigados’ para o público entender.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ademais, existem complicações em relação a estrutura. Devido aos diversos assuntos presentes, o roteiro opta por uma série de acontecimentos, com o intuito de abranger a todos. Contudo, eles não se sucedem de maneira orgânica, soa muito conveniente como certas cenas vão sendo resolvidas, além de parecer uma acomodação para deixar a narrativa fluída. Como resultado, muitas tramas são jogadas de lado, como a relação entre Mickey 17, Mickey 18, Nasha (</span><a href="https://elle.com.br/cultura/naomi-ackie-mickey-17"><span style="font-weight: 400;">Naomi Ackie</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Kai (Anamaria Vartolomei), ou a questão de Timo e o personagem principal com o agiota.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O lado positivo fica por conta de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=S4iUSOPqXks"><span style="font-weight: 400;">Robert Pattinson</span></a><span style="font-weight: 400;"> que, mais uma vez, entrega uma atuação muito boa desempenhando diversos papéis em um só personagem. No entanto, o foco fica entre os Mickeys 17 e 18, que apresentam duas personalidades completamente diferentes. O morcego consegue lidar com as diferentes maneiras com que o medo se externaliza em ambos. O décimo oitavo, a partir da raiva, revolta e audácia. Enquanto o protagonista se encolhe, um tipo de personagem que ‘não esbarra em ninguém’, pede perdão, não incomoda, aceita as figuras expansivas e encontra seu lugar no canto, onde ninguém o vê. O ator enxerga o potencial do discurso em si, nos conflitos consigo mesmo – sejam eles internos ou externos –, sobre a situação exploratória e deprimente em que ele se encontra. </span></p>
<figure id="attachment_34955" aria-describedby="caption-attachment-34955" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34955" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-3-800x450.webp" alt="Na imagem, Mickey usa uma blusa amarela desbotada e cobre a cabeça com o gorro da blusa. Ele está de frente para a câmera e apresenta um sorriso bobo." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-3-800x450.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-3-768x432.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Mickey-17-3.webp 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34955" class="wp-caption-text">“Toda vez que você morre, aprendemos uma coisa nova e a humanidade avança” (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A resolução final se dá a partir do amor, pode soar bonito, mas, na realidade, se torna condescendente com um discurso divulgado pelo cinema norte-americano a décadas. Não que isso seja um problema em si, porém, se torna contraditório, visto a intenção da fita. Se olharmos para as comédias românticas estadunidenses, normalmente todos os problemas do mundo se resolvem com amor. O ponto aqui é que, nestes universos, esta decisão é possível, é acatada, levando em conta o objetivo da obra. </span><i><span style="font-weight: 400;">Parasita </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/ruptura-severance-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ruptura</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, obras críticas ao capitalismo, assim como este, também buscam o amor – não necessariamente o romântico –, contudo, eles aceitam a impossibilidade de grandes mudanças sistemáticas a partir dele e o tornam um ato de rebeldia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existe uma relação muito ímpar entre </span><i><span style="font-weight: 400;">Mickey 17 </span></i><span style="font-weight: 400;">e a segunda temporada de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mt8VyXFR_Xw"><i><span style="font-weight: 400;">Ruptura</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Além de serem lançadas, quase, paralelamente, as duas discutem sobre o ambiente de trabalho e a exploração. Entretanto, elas também parecem conscientes sobre a vida que é criada a partir destes lugares, ou seja, se por um lado, dentro do sistema capitalista é um local exploratório, por outro, também permite pessoas se conhecerem, formarem uma família para além do sangue e se apaixonarem. É o que acontece entre Mickey e Nasha, em contrapartida ao mundo externo cruel, sujo e solitário.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de ser um diretor de grandes obras, que vão além de </span><i><span style="font-weight: 400;">Parasita</span></i><span style="font-weight: 400;">, como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ux6VHo5jQVw"><i><span style="font-weight: 400;">Memórias de Um Assassino</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2003) e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xrLY0wO06l4"><i><span style="font-weight: 400;">O Hospedeiro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2006), Bong Joon-Ho decepciona em sua primeira fita após fazer história no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2020. Apesar dos ótimos atores presentes e de estar recheado de ideias interessantes, o longa se mostra frágil estruturalmente e problemático em sua concepção. Boas intenções não fazem, necessariamente, bons filmes.</span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GQUAxORWmqc"><span style="font-weight: 400;" data-rich-links="{&quot;fple-t&quot;:&quot;Mickey 17 - Trailer Legendado&quot;,&quot;fple-u&quot;:&quot;https://www.youtube.com/watch?v=GQUAxORWmqc&quot;,&quot;fple-mt&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;first-party-link&quot;}">Mickey 17 &#8211; Trailer Legendado</span></a></p>
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		<title>É melhor assistir o congelamento da Terra do que a segunda temporada de Expresso do Amanhã</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Apr 2021 15:27:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Isabella Siqueira Seguir com a qualidade após uma ótima temporada é difícil, saciar as expectativas do público sem perder a essência era a intenção da segunda temporada de Expresso do Amanhã (tradução do original Snowpiercer). Mas, apesar das tentativas, o novo ciclo da obra de ficção científica conseguiu apenas ficar estagnado no tédio. Infelizmente, a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/expresso-do-amanha-2a-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "É melhor assistir o congelamento da Terra do que a segunda temporada de Expresso do Amanhã"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_19639" aria-describedby="caption-attachment-19639" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19639" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/snowpiercer_5.jpg" alt="Cena da série Expresso do Amanhã. Nela, estão as personagens Alex, vivida por Rowan Blanchard, e Melanie, interpretada por Jennifer Connelly. Alex é uma mulher branca de cabelos curtos e castanhos, ela veste um macacão cinza e está posicionada em pé com as mãos nos bolsos. Melanie está a sua frente sentada de perfil, ela é uma mulher branca de cabelos pretos presos em um coque. As duas estão separadas por uma cela amarela, onde Melanie se encontra presa. O cenário também possui coloração azul fluorescente, com uma luz branca forte no canto superior direito da imagem. " width="1024" height="683" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/snowpiercer_5.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/snowpiercer_5-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/snowpiercer_5-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19639" class="wp-caption-text">A relação conturbada de Alex (Rowan Blanchard) e Melanie é um dos pontos altos da produção (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Isabella Siqueira</b></p>
<p>Seguir com a qualidade após uma ótima temporada é difícil, saciar as expectativas do público sem perder a essência era a intenção da segunda temporada de <a href="http://personaunesp.com.br/expresso-do-amanha-serie-critica/"><i>Expresso do Amanhã</i></a> (tradução do original <i>Snowpiercer</i>). Mas, apesar das tentativas, o <a href="https://www.omelete.com.br/netflix/criticas/snowpiercer-2a-temporada-critica">novo ciclo</a> da obra de ficção científica conseguiu apenas ficar estagnado no tédio. Infelizmente, a produção da <i>TNT</i>, que foi lançada semanalmente pela <i>Netflix</i> e terminou no final de março, não faz jus ao final incrível de sua última revolução.</p>
<p><span id="more-19638"></span></p>
<p>A segunda temporada da série optou por uma linha diferente da original da <i>HQ</i> francesa chamada <a href="https://ultimatodobacon.com/conheca-a-hq-o-perfuraneve-de-jacques-lob/"><i>O Perfuraneve</i></a>, e do <a href="https://cinematologia.com.br/cine/a-critica-social-contida-em-o-expresso-do-amanha/">filme de 2013</a>, dirigido pelo incrível <a href="http://personaunesp.com.br/parasita-critica/">Bong Joon-Ho</a>. Agora, a recente descoberta do descongelamento da Terra, um clichê óbvio, mas compreensível, e o aparecimento de um novo vilão são as notícias mais recentes do trem de 1.001 vagões.</p>
<p>Após a conturbada <a href="https://www.cineset.com.br/critica-expresso-do-amanha-1x08-netflix/">revolta</a> elaborada em conjunto por diferentes classes, e que terminou com a vitória da democracia, liderada pelo idealista Andre Layton, (Daveed Diggs), uma nova era chegou para o <i>Snowpiercer</i>. Mas, o que ninguém esperava era a volta do misterioso Sr. Wilford, vivido pelo experiente <a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/209907-expresso-do-amanha-sean-bean-personagem-2-temporada.htm">Sean Bean</a>, que traz uma nova onda de problemas para os revolucionários de plantão. Esses são obrigados a encarar uma convivência problemática com o trem de recursos <i>Big Alice</i>, e a pausar indefinidamente as eleições prometidas.</p>
<figure id="attachment_19640" aria-describedby="caption-attachment-19640" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19640" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/snowpiercer_7.jpg" alt="Cena da série Expresso do Amanhã. Nela estão os personagens Melanie e Sr. Wilford, vivido por Sean Bean. Wilford é um homem branco de cabelos loiros curtos, ele está sorrindo e vestindo um casaco de paetês. Ele está também posicionado de perfil com uma mão numa mesa. Melanie é interpretada por Jennifer Connelly, ela é uma mulher branca de cabelos pretos presos num coque, e veste um macacão cinza. O cenário é uma cabine de locomotiva de trem, com balcões com botões e móveis brancos, também na mesa estão bebidas, um copo e uma garrafa. " width="1200" height="801" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/snowpiercer_7.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/snowpiercer_7-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/snowpiercer_7-1024x684.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/snowpiercer_7-768x513.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19640" class="wp-caption-text">Embora seja distribuída mundialmente pela Netflix e tenha seu selo de produção original, Expresso do Amanhã é produzida e paga pela TNT (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>Apesar da ideia ousada e bem clichê, claramente a escolha foi a melhor para a história, já que era impossível seguir eternamente no conflito Fundistas <i>versus</i> Primeira Classe. Contudo, o problema está na forma com que essa temporada se desenvolveu, já que ela perde o ritmo e entrega apenas tramas paralelas sem sal. Além disso, a característica mágica do trem do futuro é deixado de lado pela produção, que não se importou mais em mostrar as <a href="https://screenrant.com/snowpiercer-world-froze-history-train-reason-explained/">inovações tecnológicas</a> que garantem a subsistência dos poucos <a href="https://www.omelete.com.br/netflix/expresso-do-amanha-serie-netflix-personagens">sobreviventes do congelamento</a>.</p>
<p>Mas, o verdadeiro erro da produção foi ter dispensado seu maior trunfo, que é interpretado pela sensacional Jennifer Connelly. A <a href="https://decider.com/2021/03/29/snowpiercer-season-2-finale-jennifer-connelly-leaving-dead/">saída</a> de Melanie Cavill, a verdadeira protagonista, terminou de enterrar a série, sendo difícil aturar os episódios sem a presença da maquinista principal. Por ser Melanie a única capaz de estudar o descongelamento do planeta, a nova rivalidade política acontece entre Wilford e Layton, que nem de longe possuem a esperteza da dona (e construtora) do <a href="http://www.scienceandfilm.org/articles/2480/reel-science-snowpiercers-perpetual-motion-machine"><i>Snowpiercer</i></a>.</p>
<p>Diferente das séries originais da <i>Netflix</i>, cujas temporadas são lançadas na íntegra, a disponibilização semanal era um dos pontos positivos de <a href="https://www.agazeta.com.br/colunas/rafael-braz/expresso-do-amanha-da-netflix-segue-sem-rumo-na-2-temporada-0121"><i>Expresso do Amanhã</i></a><i>,</i> já que se assemelhava a uma faísca de esperança, mas, diferente da primeira temporada, que mesmo com um começo lento conseguiu engatar um ritmo contagiante com o auge da revolução fundista, a produção não agrada nem na dose dupla de episódios liberados pelo <em>streaming</em>.</p>
<figure id="attachment_19793" aria-describedby="caption-attachment-19793" style="width: 960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19793" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/26125154760156.jpg" alt="Cena da série Expresso do Amanhã. Nela está o personagem Sr. Wilford, vivido por Sean Bean, é um homem branco de cabelos loiros. Na cena, Wilford sorri enquanto está sentado em uma cadeira de veludo vermelho e bordas douradas num estilo clássico." width="960" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/26125154760156.jpg 960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/26125154760156-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/26125154760156-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19793" class="wp-caption-text">A inserção do personagem de Sean Bean, Sr. Wilford, ajudou a contextualizar a partida do trem anos antes dos acontecimentos da revolução (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>Apesar das falhas, a mudança nos personagens é algo a se notar na série. Uma das transformações mais críveis está em <a href="https://www.whattowatch.com/reviews/snowpiercer-207-review-our-answer-for-everything">Ruth</a>, interpretada por Alison Wright, que realizava atos cruéis para manter a ordem no trem, enquanto idolatrava cegamente o Sr. Wilford como um grande salvador. Mas, ao se deparar com as consequências e vítimas de suas ações passadas, começa a questionar o real custo da paz construída por Melanie e Wilford. Ao mesmo tempo, Roche, Chefe dos Operadores vivido por Mike O’Malley, abandona a postura neutra e começa a valorizar a figura de bom líder, refletindo sobre os anos de tirania anteriores à revolução.</p>
<p>Outra boa adição ao leque de personagens é a filha da Melanie. Rowan Blanchard, a eterna Riley de <a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/garota-conhece-o-mundo-e-cancelado-pela-disney-depois-de-tres-temporadas"><i>Girl Meets World</i></a>, dá vida a jovem maquinista Alex, que foi resgatada por Wilford após a traição de sua principal aliada. A garota entra como uma das principais figuras do trem de recursos <i>Big Alice</i>, e apesar do tratamento frio que ela reserva para a mãe, aos poucos o relacionamento das duas revela um lado sensível da antiga vilã.</p>
<p>Contudo, mesmo que a série desenvolva muito bem os novos e antigos personagens, outros são completamente deixados de lado pela produção ou colocados em tramas injustas e sem sentido. <a href="https://screenrant.com/snowpiercer-season-2-mickey-sumner-interview/">Bess Till (Mickey Sumner)</a> e Jinju Seong (Susan Park), um dos casais mais promissores formados no começo, terminam sem nenhuma explicação decente. Enquanto <a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/series-e-tv/2021/02/expresso-do-amanha-entenda-consequencia-da-volta-de-spoiler-na-netflix">Josie (Katie McGuinness)</a>, uma das mártires da luta fundista, do nada é encontrada viva e prestes a se tornar a nova mulher de gelo.</p>
<figure id="attachment_19643" aria-describedby="caption-attachment-19643" style="width: 620px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19643" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Expresso.jpg" alt="Cena da série Expresso do Amanhã. Nela, estão os personagens Melanie e Layton, interpretado por Daveed Diggs. A esquerda, Layton é um homem negro alto com cabelos escuros em dreads compridos, e olhos castanhos, ele veste um casaco azul escuro e uma camiseta verde militar. Melanie está em pé à direita, ela é uma mulher branca, mais baixa que Layton. A personagem veste um macacão cinza com um cinto na cintura, ela possui cabelos pretos presos num coque, e carrega uma bolsa preta no ombro esquerdo. Ao lado deles, estão ainda outros dois personagens, uma mulher negra e um homem branco. " width="620" height="422" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Expresso.jpg 620w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/Expresso-300x204.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-19643" class="wp-caption-text">A terceira temporada da série já foi confirmada pela TNT (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>Sem a mesma agitação dos momentos finais da temporada anterior, com cenas de guerra bem trabalhadas e reviravoltas chocantes, a <a href="https://deadline.com/2021/03/snowpiercer-season-2-finale-becky-clements-interview-tnt-recap-1234721779/"><i>season finale</i></a> do novo ciclo foi mais sóbria. Não foram batalhas sangrentas que resolveram quem detinha o poder afinal, mas sim quem tinha mais conhecimento sobre cada peça que constituía a locomotiva eterna. Para os mocinhos do <i>Snowpiercer</i>, essa era a maior desvantagem, visto que Layton possuía zero conhecimento sobre o trem, e Melanie estava fora de cena.</p>
<p>Entre muita desestabilidade e problemas de logística que envolveram o pós-revolução, não foi uma surpresa quando a maioria dos passageiros se manifestaram em preferência ao tirano Wilford, apesar da memória recente quanto aos anos de agressão idealizadas por ele, mas aplicadas por Melanie. Por fim, fica claro que apesar da personalidade ética, moral e idealizadora de Layton, era impossível que ele conseguisse levar a tão sonhada paz ao trem. Faltava não apenas o conhecimento sobre o funcionamento da locomotiva, mas sim uma dose de sagacidade para fazer pensar sempre dois movimentos à frente de seu adversário.</p>
<p>Mesmo que filmadas ao mesmo tempo para gerar no público uma sensação de continuidade, a diferença entre o sucesso da primeira temporada e o fiasco dos novos episódios se dá pelo ritmo lento da produção. O sentimento de agressividade e exasperação que inflaram o trem foram perdidos, dando lugar a tramas mal encaixadas e resoluções estilo <a href="https://www.spescoladeteatro.org.br/noticia/ponto-afinal-o-que-e-o-deus-ex-machina"><i>Deus ex-machina</i></a>. E, ainda que tenha uma história sólida cheia de possibilidades sobre o futuro do planeta Terra, a segunda temporada de <a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/expresso-do-amanha-terceira-temporada"><i>Expresso do Amanhã</i></a> permanece uma ficção científica superficial.</p>
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		<title>Expresso do Amanhã: série retorna com distopia moderna e conserta furos do passado </title>
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		<pubDate>Thu, 13 Aug 2020 22:19:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Séries]]></category>
		<category><![CDATA[Bong Joon-ho]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Letícia Machado Adaptado da graphic novel de 1982, Le Transperceneige de Jacques Lob, Benjamin Legrand e Jean-Marc Rochette, não é a primeira vez que O Expresso do Amanhã, ou Snowpiercer, ganha uma adaptação audiovisual.  Baseado no filme de mesmo nome, com direção de Bong Joon-ho (Parasita) &#8211; vencedor do Oscar de Melhor Diretor e Melhor &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/expresso-do-amanha-serie-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Expresso do Amanhã: série retorna com distopia moderna e conserta furos do passado "</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_14587" aria-describedby="caption-attachment-14587" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14587" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM1.jpg" alt="" width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM1.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14587" class="wp-caption-text">Em uma discussão sobre direitos básicos, a série apresenta diversos momentos de tensão (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Letícia Machado</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Adaptado da </span><i><span style="font-weight: 400;">graphic novel </span></i><span style="font-weight: 400;">de 1982, </span><i><span style="font-weight: 400;">Le Transperceneige</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Jacques Lob, Benjamin Legrand e Jean-Marc Rochette, não é a primeira vez que O Expresso do Amanhã, ou </span><i><span style="font-weight: 400;">Snowpiercer</span></i><span style="font-weight: 400;">, ganha uma adaptação audiovisual</span><i><span style="font-weight: 400;">.  </span></i><span style="font-weight: 400;">Baseado no filme de mesmo nome, com direção de Bong Joon-ho (<a href="http://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><i>Parasita</i></a><i>) &#8211; </i>vencedor do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Diretor e Melhor Filme &#8211;</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">a história se passa em um mundo pós-apocalíptico, onde após um experimento falhar na tentativa de conter o aquecimento global, a humanidade é praticamente extinta em um congelamento massivo do globo terrestre. </span></p>
<p><span id="more-14585"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesta realidade, algumas pessoas são salvas graças à uma espécie de trem-arca, desenvolvido para rodar o planeta eternamente. Mas nem tudo lá dentro é um conto de fadas pois a população mais rica vive no luxo da primeira classe, enquanto os pobres são realocados nos vagões traseiros e quanto mais ao fundo, menos direitos eles possuem.</span></p>
<figure id="attachment_14598" aria-describedby="caption-attachment-14598" style="width: 819px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-14598 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM2.gif" alt="" width="819" height="461" /><figcaption id="caption-attachment-14598" class="wp-caption-text">O Snowpiercer, trem projetado pelo Sr. Wilford com 1001 vagões, carrega os últimos humanos do planeta Terra (Gif: Reprodução Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se você já assistiu o filme de 2013 que se tornou um </span><i><span style="font-weight: 400;">cult</span></i><span style="font-weight: 400;"> contemporâneo, não se engane pelo enredo que ele traz. Estrelado por grandes nomes como Chris Evans (</span><i><span style="font-weight: 400;">Capitão América</span></i><span style="font-weight: 400;">), Song Kang-ho (</span><i><span style="font-weight: 400;">Parasita</span></i><span style="font-weight: 400;">), Tilda Swinton (</span><i><span style="font-weight: 400;">Suspiria</span></i><span style="font-weight: 400;">) e John Hurt (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem Elefante</span></i><span style="font-weight: 400;">), o filme aclamado pela crítica aborda questões semelhantes, mas nada idênticas com a série produzida pela TNT e distribuída pela </span><span style="font-weight: 400;">Netflix</span><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das grandes diferenças da produção é a de que, desta vez, não existe o conflito de interesses entre Bong Joon-ho e Harvey Weinstein, ex-produtor de filmes e criminoso sexual, que na época produziu o filme e planejou eliminar mais de </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/expresso-do-amanha-briga-bong-joon-ho-harvey-weinstein"><span style="font-weight: 400;">25 minutos do longa</span></a><span style="font-weight: 400;">. Agora Joon-ho é produtor-executivo e o canadense Graeme Manson (</span><i><span style="font-weight: 400;">Orphan Black),</span></i><span style="font-weight: 400;"> o </span><i><span style="font-weight: 400;">showrunner</span></i><span style="font-weight: 400;">. Se aproximando pouco da </span><i><span style="font-weight: 400;">graphic novel</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 1987, a série introduz um trem mais subdividido, com uma estética minimalista e moderna, que adapta cada classe com o estilo de seus moradores.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A primeira ostenta espaço e o luxo dos mais ricos, a segunda possui características neutras com os militares, cientistas e agricultores. A terceira é tumultuada e abriga os operários, e o fundo é escuro, sem espaço e sujo com os invasores. Estes dois últimos vagões representam 70% da população do trem. Essa realidade não parece tão utópica quando paramos para pensar que na vida real apenas 1% da população global detêm o mesmo valor que os outros 99%, ou então que 52 milhões de brasileiros ainda vivem abaixo da linha da </span><a href="https://valor.globo.com/brasil/noticia/2019/11/06/numero-de-brasileiros-abaixo-da-linha-da-pobreza-para-de-crescer-mas-ainda-soma-52-milhoes.ghtml"><span style="font-weight: 400;">pobreza.</span></a></p>
<figure id="attachment_14599" aria-describedby="caption-attachment-14599" style="width: 915px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14599" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM3.jpg" alt="" width="915" height="377" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM3.jpg 915w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM3-300x124.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM3-768x316.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14599" class="wp-caption-text">Graeme Manson e Bong Joon-ho trabalham juntos na produção (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta vez, vemos o ex-detetive Andre Layton interpretado por Daveed Diggs (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_NFQvo4YQuM"><i><span style="font-weight: 400;">Blindspotting</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) como um “fundista” (morador do fundo do trem), que lidera e cria estratégias para uma revolução. Quando um assassinato ocorre na terceira classe, a secretária Melanie Cavill (Jennifer Connelly) decide trazer Layton para solucionar o caso, e é a partir daí que a série se desenrola.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A inserção de um crime deixou a história mais coerente, pois enquanto no filme os fundistas presos há 17 anos nos vagões traseiros elaboram uma revolução às cegas, na série Andre Layton usa seu passaporte para a frente como uma forma de reconhecer o território e formar aliados. O filme carece de explicações básicas, por exemplo, como os fundistas foram parar ali, como funcionava transporte entre os 1001 vagões, e qual seria o destino dos passageiros após a revolução. A série não apenas responde, mas também complementa com novos ganchos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra modificação interessante foi a diversidade, que desta vez embarcou na produção com um elenco etnicamente variado, que fez mais sentido por se tratar de toda a população mundial. A primeira versão era composta por personagens majoritariamente brancos e padrões, com duas ou três exceções. Além disso, a série deu espaço para explicações durante diálogos e </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks </span></i><span style="font-weight: 400;">da vida na terra antiga que possibilitaram a construção da personalidade das personagens. </span></p>
<figure id="attachment_14600" aria-describedby="caption-attachment-14600" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14600" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM4.jpg" alt="" width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM4.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM4-300x158.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM4-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/08/IMAGEM4-768x403.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14600" class="wp-caption-text">O protagonista da série, Andre Layton, possui uma personalidade diferente de Curtis, protagonista do filme, que funciona bem com o novo estilo da narrativa (Foto: Divulgação TNT)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem se interessou pelo filme </span><a href="http://www.adorocinema.com/filmes/filme-258016/"><i><span style="font-weight: 400;">O Poço</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2020) pode encontrar na série, metáforas semelhantes, só que desta vez, no sentido horizontal. A história é atual, aborda luta de classes, sistema prisional e golpes de estado, sem apresentar muita subjetividade, entregando de graça ao espectador que só precisa ligar 1 + 1 para associar com situações da vida real. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente de outras distopias como </span><i><span style="font-weight: 400;">Jogos Vorazes (2012), </span></i><span style="font-weight: 400;">que desenvolve aos poucos alegorias da realidade, as chances do público se sentir representado por um fundista revolucionário é grande, visto que revoluções regadas à destituição de tronos, cortes de cabeça e </span><i><span style="font-weight: 400;">impeachments</span></i><span style="font-weight: 400;"> também já aconteceram na vida real. Outras questões importantes também se aproximam de quem assiste, como as consequências de problemas ambientais e a presença de figuras de autoridade que cegamente obedecem a imagem fabricada de um líder.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De graça, mesmo que não proposital, a série ainda une tudo em uma condição de pessoas que precisam ficar isoladas do mundo exterior para perpetuarem sua sobrevivência. O último episódio da primeira temporada, que foi ao ar em 12 de julho de 2020, deixou questionamentos sobre o possível destino da Locomotiva Eterna. O retorno ainda não tem previsão exata, mas o </span><i><span style="font-weight: 400;">trailer</span></i><span style="font-weight: 400;"> da 2ª temporada deixou o gostinho do que está por vir.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Snowpiercer Season 2 Official Teaser | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/7xEFQpBc3Nc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
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		<title>Parasita e os monstros que alimentamos</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Aug 2019 16:43:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista  O Cinema sul-coreano fez barulho ao ganhar o prêmio máximo de Cannes alguns meses atrás. Parasita, obra prima do diretor Bong Joon-Ho, quebra a barreira da língua e orquestra um espetáculo de tirar o fôlego. As nuances violentas de uma família pobre e sua simbiose à classe rica são idealizadas num longa que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/parasita-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Parasita e os monstros que alimentamos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_12682" aria-describedby="caption-attachment-12682" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-12682" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/imagem-um.jpeg" alt="" width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/imagem-um.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/imagem-um-300x169.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/imagem-um-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/imagem-um-1024x576.jpeg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12682" class="wp-caption-text"><em>A Coreia do Sul escolheu Parasita como seu representante ao Oscar 2020 (Foto: Neon)</em></figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista </strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://www.filmedinether.com/features/interview-bong-joon-ho-talks-parasite-and-his-brand-of-genre-filmmaking/"><span style="font-weight: 400;">Cinema sul-coreano</span></a><span style="font-weight: 400;"> fez barulho ao ganhar o prêmio máximo de </span><a href="http://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-148349/"><i><span style="font-weight: 400;">Cannes</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> alguns meses atrás. <em>Parasita</em>, obra prima do diretor Bong Joon-Ho, quebra a barreira da língua e orquestra um espetáculo de tirar o fôlego. As nuances violentas de uma família pobre e sua simbiose à classe rica são idealizadas num longa que não se cansa de passar a perna em seu espectador.</span></p>
<p><span id="more-12681"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Bong Joon-Ho sempre foi proeminente no mercado asiático de Cinema. Porém, chegou forte ao Ocidente quando dirigiu <em>Expresso do Amanhã</em> (2013) e <em>Okja</em> (2017), este segundo para a </span><em><a href="https://www.screendaily.com/features/bong-joon-ho-talks-parasite-it-deals-with-polarisation/5139556.article"><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></a></em><span style="font-weight: 400;">. Passado o </span><i><span style="font-weight: 400;">buzz hollywoodiano</span></i><span style="font-weight: 400;"> e munido das trocas culturais e artísticas de lá, Joon-Ho retorna a sua língua-mãe para replicar um exercício cinematográfico de segurar o fôlego.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><em>Parasita</em> nunca se acomoda num só gênero. Como seu diretor e roteirista bem </span><a href="https://www.highonfilms.com/cannes-interview-bong-joon-ho-on-parasite/"><span style="font-weight: 400;">definiu</span></a><span style="font-weight: 400;">, o filme é um ‘drama humano’. Mas, humilde, ele omite toda a megalomania que imprime na criação de sua história. O filme vencedor da </span><i><span style="font-weight: 400;">Palma de Ouro</span></i><span style="font-weight: 400;"> passa pela comédia e pelo horror, há momentos de melodrama e de dor, até. Tudo isso sem quaisquer equívocos, o filme respira tranquilo, consciente de onde quer chegar e como alcançar esse objetivo.</span></p>
<figure id="attachment_12683" aria-describedby="caption-attachment-12683" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-12683" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cannes.jpg" alt="" width="700" height="523" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cannes.jpg 700w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cannes-300x224.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-12683" class="wp-caption-text"><em>Bong Joon-Ho, feliz, com sua Palma de Ouro (Foto: Festival de Cannes)</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto menos se souber sobre a trama de <em>Parasita</em>, melhor. A surpresa é carro-chefe nas mais de duas horas do longa. A premissa é simples, duas famílias (uma pobre e outra rica) se envolvem, existem conflitos sociais e ideológicos. O diretor não é sútil ao construir as partes e contrapartes de suas personagens. Entretanto, isso não levanta problema algum. As interações são gratificantes ao fugir do óbvio moldado no Cinema do Ocidente (principalmente norte-americano).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Bong Joon-Ho não tem receio de caminhar rápido com seu roteiro ágil e cheio de tiradas cômicas. O texto, junto a isso, constrói uma crescente de tensão. Sensação essa que demora a se concretizar por completo, visto o empenho do filme em ser mais do que as convenções ditam. </span><span style="font-weight: 400;"><em>Parasita</em> é um filme sobre famílias, laços de sangue e sobre o dia-a-dia. Nossa rotina é repleta de pequenos fragmentos de emoção, viradas repentinas. E o filme respeita isso em toda sua cor e forma. A escolha de focar suas lentes dentro de uma enorme e luxuosa casa cria um universo próprio aos olhos de quem assiste e de quem vive os dramas dentro do longa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor, ao mesmo tempo que diminui sua escala narrativa, abre o leque de possibilidades para retratar as facetas da psique humana. E a realização dessa tarefa é o que eleva tanto o grau de qualidade de <em>Parasita</em>. É muito raro encontrar produções que se preocupem tanto com momentos íntimos, com rimas visuais e com um subtexto que carregue pensamentos e constatações extra filme.</span></p>
<figure id="attachment_12684" aria-describedby="caption-attachment-12684" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-12684" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/olhos.jpg" alt="" width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/olhos.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/olhos-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/olhos-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/olhos-1024x576.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12684" class="wp-caption-text"><em>Parasita foi idealizado como uma peça de teatro, mas o diretor percebeu que só o Cinema conseguiria construir sua mensagem (Foto: Neon)</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O elenco é primordial no exercício de crença que a produção cria. A família pobre é encabeçada pelo patriarca Ki-taek (o poderoso Song Kang-Ho). O personagem cria um cinismo brilhante, que varia entre a raiva e um sentimento de rancor. A mãe Chong-sook (Hyae Jin Chang) carrega a frustração e o medo. E os filhos são um retrato traiçoeiro e ácido do ponto inicial de Parasita.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em contra aspecto, os Park, a família rica, são rimas da iluminação. O pai (Lee Sun Gyun), multimilionário, mal passa tempo com os filhos. Mas, quando os encontros acontecem, o filme enche a tela da luz do sol que invade a sala com portas de vidro. A mãe é ingênua, doce, e a performance de Cho Yeo Jeong sustenta tudo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor ainda investe em criar dinâmicas individuais entre seus personagens. Essa escolhe enriquece o miolo de <em>Parasita</em> e ainda auxilia na construção da personalidade de cada um deles. Também é fator importante no terceiro ato, onde o filme brinca com a expectativa de quem assiste, deixando todos os elementos do filme à beira de uma longa escadaria.</span></p>
<figure id="attachment_12685" aria-describedby="caption-attachment-12685" style="width: 2732px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-12685" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/capitalismo.jpg" alt="" width="2732" height="1821" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/capitalismo.jpg 2732w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/capitalismo-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/capitalismo-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/capitalismo-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/capitalismo-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12685" class="wp-caption-text"><em>Para o diretor, a mensagem de Parasita é simples: ‘não há escapatória para o capitalismo’ (Foto: Neon)</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No resumo da ópera, <em>Parasita</em> engana. Bong Joon-Ho já dirigiu </span><i><span style="font-weight: 400;">The Host</span></i><span style="font-weight: 400;">, em 2006, um filme de criaturas, sobrenatural e de terror. Agora, em 2019, mais maduro, o diretor desvenda a nós os monstros que criamos, aqueles domesticados. Esse parasita é inteligente e astuto ao construir isso sem nunca verbalizar. Sempre nas entrelinhas; os paralelos sociais, as longas descidas nos degraus. Os comentários silenciosos. Todos alimentam a criatura. </span><span style="font-weight: 400;">E não há nada a se fazer quando ela </span><a href="https://www.noted.co.nz/culture/culture-movies/parasite-director-bong-joon-ho-on-the-success-of-his-subversive-tragicomedy"><span style="font-weight: 400;">acorda</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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