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	<title>Arquivos Boca dos Beats &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A importância do Rímel de Azzy para a representatividade feminina no rap nacional</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Nov 2021 18:30:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Livia de Figueredo Dona de um talento singular e autêntico, a rapper Azzy lança um novo EP chamado Rímel. Contando com 5 faixas que destrincham toda sua versatilidade e potencial como artista, o trabalho aborda desde músicas com temática romântica até letras que retratam a realidade feminina dentro das periferias.  Uma das principais faixas de Rímel &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/azzy-rimel-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A importância do Rímel de Azzy para a representatividade feminina no rap nacional"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24827" aria-describedby="caption-attachment-24827" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-24827 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/rimel-azzy-e1637794251495.jpg" alt="Capa do EP Rímel, de Azzy. A imagem mostra uma fotografia da artista de ponta cabeça, ao lado de um espelho que mostra seu rosto. A imagem é estilizada em tons de vermelho, laranja e amarelo. Azzy é uma jovem negra de pele clara, tem cabelos alisados escuros e olha para o lado esquerdo da imagem, de perfil, com expressão séria. No canto superior esquerdo, está o nome do EP em amarelo numa fonte de letra de forma, e num tamanho menor, em cima e colorido de branco, está o nome da artista. " width="600" height="600" /><figcaption id="caption-attachment-24827" class="wp-caption-text">“De São Gonçalo para o mundo, você não queria, mas eu vinguei”: na música São Gonçalo, Azzy fala sobre a sua trajetória dentro do rap nacional (Foto: Azzy)</figcaption></figure>
<p><b>Livia de Figueredo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dona de um talento singular e autêntico, a </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> Azzy lança um novo </span><i><span style="font-weight: 400;">EP</span></i><span style="font-weight: 400;"> chamado </span><a href="https://open.spotify.com/album/2cqZQOpwquo3lu1aZXRkTQ?autoplay=true"><i><span style="font-weight: 400;">Rímel</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Contando com 5 faixas que destrincham toda sua versatilidade e potencial como artista, o</span> <span style="font-weight: 400;">trabalho aborda desde músicas com temática romântica até letras que retratam a realidade feminina dentro das periferias.</span><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span id="more-24826"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das principais faixas de <em>Rímel</em> é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CjcVQ16qigY"><i><span style="font-weight: 400;">São Gonçalo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que explana grande parte da sua trajetória. A vida da artista foi marcada por um amadurecimento compulsório, visto que, aos 12 anos de idade, Isabela Oliveira foi violentada sexualmente por um parente. Sem saídas e sem o apoio familiar, ela saiu de casa para não ser mais submetida a tamanha </span><a href="https://personaunesp.com.br/never-rarely-sometimes-always-critica/"><span style="font-weight: 400;">violência</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desamparada, sozinha e na ausência de um apoio psicológico e financeiro, o tráfico de drogas foi a solução que a Azzy encontrou para sua própria sobrevivência. No </span><i><span style="font-weight: 400;">podcast </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=b75bN7NHod0"><i><span style="font-weight: 400;">Podpah</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> relata como foi ter que traficar até conseguir uma mínima condição de vida, para assim sair do crime e poder se dedicar à Música, que sempre foi sua paixão.</span></p>
<figure id="attachment_24828" aria-describedby="caption-attachment-24828" style="width: 1242px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-24828 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-2-1-2.jpg" alt="Imagem de Azzy em entrevista ao podcast Podpah. Ao centro, existe uma mesa de madeira, onde Azzy está do lado esquerdo, usando uma blusa de moletom rosa e calça jeans azul. Do outro lado, estão dois entrevistadores. Todos tem microfones à sua frente e atrás da mesa existe uma TV que mostra o logo do podcast. A TV está presa numa parede cinza clara. " width="1242" height="1077" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-2-1-2.jpg 1242w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-2-1-2-800x694.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-2-1-2-1024x888.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-2-1-2-768x666.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-2-1-2-1200x1041.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24828" class="wp-caption-text">&#8220;A gente fala e ninguém ouve. A gente grita e ninguém ouve. A gente pede socorro e ninguém escuta&#8221;: frase de Azzy no podcast Podpah (Foto: Gabriel Carvalho)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A história de Azzy é semelhante a vivência de milhares de meninas que são violentadas sexualmente, e por consequência de uma sociedade que possui em sua conjuntura raízes discriminatórias e sexistas são invisibilizadas, e ainda tem todos os seus direitos negligenciados pela família e pelo Estado. Nesse cenário de </span><a href="https://personaunesp.com.br/never-rarely-sometimes-always-critica/"><span style="font-weight: 400;">extrema violência</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma válvula de escape que surge como um grito de resistência é se expressar através da Arte. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inicialmente, a</span><i><span style="font-weight: 400;"> rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> participava de batalhas de rimas no estado do Rio de Janeiro. Todavia, nem dentro do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde pessoas negras e periféricas conseguem ganhar voz para escancarar uma realidade de estigma que sofrem, a</span> <span style="font-weight: 400;">mulher encontra seu espaço. Esse foi o preconceito que Azzy vivenciou na própria pele, quando o seu trabalho era desmerecido por conta do seu gênero, e em suas letras, ela denuncia o machismo dentro do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> nacional: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CjcVQ16qigY"><i><span style="font-weight: 400;">“Até entendo vocês odiarem uma mina rimar melhor do que vocês”</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse quadro persistente de preconceito e pouca</span> <a href="https://rapforte.com/7582/"><span style="font-weight: 400;">representatividade</span></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">Azzy, com apenas 20 anos, teve seu rosto estampado em um telão da</span><i><span style="font-weight: 400;"> Times Square, </span></i><span style="font-weight: 400;">um dos lugares mais conhecidos no mundo. A</span><i><span style="font-weight: 400;"> rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma das brasileiras que compõem o quadro de artistas do projeto </span><a href="https://open.spotify.com/genre/equal-page"><i><span style="font-weight: 400;">EQUAL</span></i><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">Spotify</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que tem como objetivo promover a equidade de gêneros. O destaque foi para a música </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eJupDZRIWq4"><i><span style="font-weight: 400;">Robocop</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que deixa explícita a mensagem sobre a liberdade feminina em <em>Rímel</em>. Outros artistas, como Anitta, Luan Santana, Iza e </span><a href="https://personaunesp.com.br/mc-dricka-acompanha-critica/"><span style="font-weight: 400;">MC Dricka</span></a><span style="font-weight: 400;"> colaboram com o </span><i><span style="font-weight: 400;">EQUAL</span></i><span style="font-weight: 400;">, entretanto, é inegável que a presença de Azzy é essencial para a diversidade cultural, visto que ainda há entraves para a figura feminina dentro do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_24829" aria-describedby="caption-attachment-24829" style="width: 831px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-24829 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-1-1-831x1024.jpg" alt="Imagem de um painel na Times Square, em Nova Iorque, que mostra Azzy como o rosto da campanha EQUAL do Spotify. A imagem é vertical e mostra vários prédios espelhados ao fundo. Ao centro, está o painel que estampa uma fotografia de Azzy." width="831" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-1-1-831x1024.jpg 831w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-1-1-649x800.jpg 649w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-1-1-768x946.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-1-1-1200x1478.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/imagem-3-1-1.jpg 1242w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-24829" class="wp-caption-text">“Posso dizer, como Isabela e como Azzy, o quão grandioso é estar representando tantas mulheres. Estar na Times não é só sobre mim, é sobre todas nós que sonhamos com o pódio.” (Foto: Afonso Caravaggio)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse reconhecimento internacional fez a</span><i><span style="font-weight: 400;"> rapper </span></i><span style="font-weight: 400;">se transformar numa inspiração para milhões de meninas e mulheres, que hoje podem ver o </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> como uma oportunidade de se expressar.</span> <span style="font-weight: 400;">Nesse sentido, o </span><i><span style="font-weight: 400;">EP</span></i><span style="font-weight: 400;"> <em>Rímel </em>conta com uma participação de uma artista emblemática do gênero musical: </span><a href="https://www.google.com.br/amp/s/escutaqueebom.com/cynthialuz/amp/"><span style="font-weight: 400;">Cynthia Luz</span></a><span style="font-weight: 400;"> em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BNrOqTGK2HA"><i><span style="font-weight: 400;">Luzes de Neon</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Na música, a dupla  deixa claro o recado de que as minas são livres para serem, fazerem e ocuparem tudo o que desejam. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Atualmente, Azzy coleciona na sua carreira participações nacionalmente reconhecidas, como no </span><a href="https://www.youtube.com/results?search_query=poesia+ac%C3%BAstica"><i><span style="font-weight: 400;">Poesia Acústica</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, onde ela colaborou em três edições que tiveram mais de 650 milhões de acessos. Além disso, os dois milhões de seguidores que a </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> conquistou em sua conta pessoal do </span><a href="https://www.instagram.com/azzyoriginxl/?hl=pt-br"><i><span style="font-weight: 400;">Instagram</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> confirmam o inquestionável: Azzy é um fenômeno, contribuindo para a representatividade do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> nacional e feminino, que infelizmente ainda hoje encontram obstáculos como a falta de investimento e o machismo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, com a figura de mulheres como Azzy, a passos pequenos outras meninas e mulheres periféricas são inspiradas a procurar uma realidade diferente da que é oferecida pela sociedade, como os abusos, violências e negligência dos mais diversos setores sociais. E finalmente, podemos nos ver como merecedoras de ocupar todos os espaços, inclusive como dignas a  atingir o pódio através de uma música que surge como um grito das </span><a href="https://www.politize.com.br/o-que-sao-minorias/"><span style="font-weight: 400;">minorias</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Rímel" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/2cqZQOpwquo3lu1aZXRkTQ?si=sfFJK-bsSwyfZLlfAU8yJw&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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