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	<title>Arquivos Black Sabbath &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Sob escombros do pós-guerra, nasceram os escultores do heavy metal: o quarteto desajustado que se tornou o sinistro Black Sabbath</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Oct 2021 15:30:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>João Pedro Piza A Segunda Guerra Mundial, em muitos aspectos, mudou os rumos da humanidade. As atrocidades presentes no front, o medo constante da vigilância proveniente dos membros dos Estados totalitários e o horror disseminado pelas mais modernas técnicas de batalha forjaram no inconsciente dos cidadãos europeus um grande sentimento de desesperança. A Inglaterra, uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/black-sabbath-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Sob escombros do pós-guerra, nasceram os escultores do heavy metal: o quarteto desajustado que se tornou o sinistro Black Sabbath"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23980" aria-describedby="caption-attachment-23980" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-23980" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-1-7.jpg" alt="Capa do primeiro disco do Black Sabbath, o qual recebe o mesmo nome da banda. Fotografia quadrada com o nome do grupo na parte superior central. A região parece ser rural. O clima é nublado e as folhas, secas. Em segundo plano, há uma casa e, pela textura da imagem — meio desfocada e não tão nítida — dá a sensação de ser mal-assombrada. No primeiro plano, ao centro, uma mulher muito pálida e vestindo capa preta olha diretamente para o espectador, instaurando um ambiente misterioso." width="700" height="466" /><figcaption id="caption-attachment-23980" class="wp-caption-text">A capa do primeiro disco do Black Sabbath serviria muito bem para um filme de terror: a figura central pode tanto ser uma bruxa como a figura misteriosa vestindo preto, mencionada na faixa inicial; fato é: era uma amiga da banda e nunca recebeu direitos pela foto (Foto: Black Sabbath)</figcaption></figure>
<p><b>João Pedro Piza</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Segunda Guerra Mundial, em muitos aspectos, mudou os rumos da humanidade. As atrocidades presentes no </span><i><span style="font-weight: 400;">front,</span></i><span style="font-weight: 400;"> o medo constante da vigilância proveniente dos membros dos Estados totalitários e o horror disseminado pelas mais modernas técnicas de batalha forjaram no inconsciente dos cidadãos europeus um grande sentimento de desesperança. A Inglaterra, uma das potências mundiais da época e, por isso, grande alvo de Hitler na parte ocidental do continente, foi bombardeada pelos aviões alemães da </span><a href="https://www.infopedia.pt/$luftwaffe"><i><span style="font-weight: 400;">Luftwaffe</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">em 1940. Sob escombros e com pelo menos 450 mil mortos, os ingleses buscavam reestruturar o país a partir dos anos 1950, após a vitória dos aliados e dos efeitos do </span><a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/plano-marshall.htm"><span style="font-weight: 400;">Plano </span><i><span style="font-weight: 400;">Marshall</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Mas não era nada fácil.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse contexto, seria pouco coerente as manifestações artísticas do cenário cultural de </span><a href="https://www.visitbritain.com/br/pt-br/media/story-ideas/redescubra-birmingham-segunda-maior-cidade-da-inglaterra"><span style="font-weight: 400;">Birmingham</span></a><span style="font-weight: 400;">, cidade industrial e protagonista da metalurgia na Inglaterra, rodeada pela miséria, desemprego e crises, apresentarem o mesmo tom de paz, amor e esperança dos </span><a href="https://www.infoescola.com/cultura/hippies/"><i><span style="font-weight: 400;">hippies</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> — especialmente poetas e músicos norte-americanos. Dessa forma, Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward possuíam uma ótica pessimista e distópica no que tange a maneira de encarar a sociedade e ver o futuro. Naturalmente, trocaram as roupas coloridas e as flores por jaquetas de couro e crucifixos. </span></p>
<p><span id="more-23976"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Influenciados também pelo Cinema de Horror, os quatro passaram a tentar transmitir a mesma sensação de pânico e melancolia ao assistir a um filme às primeiras composições da nova banda que formaram — já que o nome previamente escolhido pertencia a outro conjunto. Como ensaiavam perto de um cinema, viam de perto as multidões que se aglomeravam para sentir medo — como se a realidade do pós-guerra não bastasse. Entre os principais longas presentes nas sessões, estavam os do diretor </span><a href="https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-3952/"><span style="font-weight: 400;">Mario Bava</span></a><span style="font-weight: 400;">. Inspirados por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JO8LJjLjncc"><span style="font-weight: 400;">um de seus preferidos</span></a><span style="font-weight: 400;">, decidiram que o nome da banda seria Black Sabbath — com Ozzy assumindo os vocais; Tony Iommi, a guitarra; Geezer Butler, o contrabaixo; e Bill Ward, a bateria.</span></p>
<figure id="attachment_23981" aria-describedby="caption-attachment-23981" style="width: 927px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-23981" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-2-3-2.jpg" alt="Fotografia em preto e branco dos membros do Black Sabbath na porta do que parece ser uma caverna. Todos estão com feições sérias e possuem cabelos compridos. Da esquerda para a direita estão Geezer Butler, Tony Iommi, Bill Ward e Ozzy Osbourne. Os três primeiros vestem roupas de couro, possuem bigodes posicionam as mãos na cintura. Ozzy, por sua vez, usa uma camisa preta sob um casaco de pelo e é o único sem barba." width="927" height="648" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-2-3-2.jpg 927w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-2-3-2-800x559.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-2-3-2-768x537.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23981" class="wp-caption-text">Obscuros, sombrios e maus (Foto: Roadie Crew)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Curiosa e ironicamente, o som característico do quarteto é proveniente de um </span><a href="https://guitarload.com.br/2020/11/27/tony-iommi-dedos/"><span style="font-weight: 400;">grave acidente envolvendo o guitarrista</span></a><span style="font-weight: 400;">. Enquanto trabalhava em uma fábrica, no seu último dia de trabalho, Iommi prendeu sua mão em uma máquina que cortava placas de ferro e teve as pontas de seus dedos anelar e médio da mão direita — a que fica no braço do instrumento — decepadas. Para continuar tocando, precisou utilizar cordas mais finas, acordes simples — utilizando escalas </span><a href="https://www.musicdot.com.br/artigos/o-que-e-escala-pentatonica"><span style="font-weight: 400;">pentatônicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://blog.guitarpedia.com.br/o-que-sao-power-chords-e-como-usa-los-na-guitarra/"><i><span style="font-weight: 400;">power chords</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">— e afinação baixa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dessa forma, com certo grau de coincidência, o novo timbre desenvolvido é bastante soturno e obscuro. O baixo e a bateria seguiam uma linha parecida. Butler aprimorou a maneira de conduzir as levadas, abusando de </span><a href="https://cursos.musicdot.com.br/forum/topico-encontrando-tonicas-quintas-e-oitavas-8186"><span style="font-weight: 400;">quebras das tônicas</span></a><span style="font-weight: 400;">, buscando notas um pouco mais agudas, como as oitavas. Bill Ward, por sua vez, adaptou viradas e ritmos do</span> <a href="https://brasilescola.uol.com.br/artes/blues.htm"><i><span style="font-weight: 400;">blues</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e do </span><a href="https://www.todamateria.com.br/jazz/"><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">a uma batida sólida e muito pesada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para o som denso vindo da guitarra, as letras não poderiam destoar. Desse modo, temas inspirados na </span><a href="https://whiplash.net/materias/news_758/297709-aleistercrowley.html"><span style="font-weight: 400;">literatura ocultista</span></a><span style="font-weight: 400;">, em filmes de terror e em manchetes que abordavam acontecimentos caóticos figuravam o repertório em formação. Diferentemente de outras bandas da época, o Black Sabbath soube usar doses de fantasia unindo-as à situação pela qual viam o mundo, para, enfim, formular uma crítica aos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PrZFscfJxXc"><span style="font-weight: 400;">valores bélicos</span></a><span style="font-weight: 400;">, à </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZyEUk1ZJLn4"><span style="font-weight: 400;">corrida armamentista</span></a><span style="font-weight: 400;"> e à ordem capitalista entrando em vigor aos poucos ao longo da Guerra Fria.</span></p>
<figure id="attachment_23983" aria-describedby="caption-attachment-23983" style="width: 1780px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-23983" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-9.jpg" alt="Fotografia em preto e branco tirada pela plateia. No primeiro plano, há a silhueta das mãos do público curtindo o espetáculo. Vale destacar o espectador que levanta uma cruz no lado direito da imagem. Em segundo plano, os músicos comandam o show. Iommi e Geezer tocam seus instrumentos, enquanto Ozzy, ao centro, vestindo camisa bege com franjas, faz o símbolo da paz com as duas mãos levantas." width="1780" height="1265" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-9.jpg 1780w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-9-800x569.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-9-1024x728.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-9-768x546.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-9-1536x1092.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-9-1200x853.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23983" class="wp-caption-text">A estética dos quatro influenciou diretamente na mensagem que desejavam passar (Foto: Black Sabbath)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o conceito e som definidos, rapidamente trabalharam nas primeiras canções, que foram lançadas no ano de 1970 em um álbum de mesmo nome que a banda — gravado e </span><i><span style="font-weight: 400;">mixado </span></i><span style="font-weight: 400;">em incríveis 18 horas. A começar pela capa assustadora, mostrando uma figura vestindo uma capa preta em frente ao que parece ser uma casa mal-assombrada, a faixa inicial </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=b_EcPEuHvag&amp;list=OLAK5uy_muplPXbMkOr93trvTit2KY_9yzM-IXeh8&amp;index=1"><i><span style="font-weight: 400;">Black Sabbath</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é de tirar o fôlego — e o sono. Iniciada por sons de sinos, chuvas e trovões, a guitarra de Iommi entra de maneira cortante com um</span> <a href="https://www.terra.com.br/diversao/musica/guitarra-para-iniciantes-quais-as-diferencas-entre-solo-lick-e-riff,2649747fcd508c3b3471336e07e3df36jusq9yzj.html"><i><span style="font-weight: 400;">riff</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">memorável. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após a primeira nota, a banda o acompanha, gerando um clima de tensão e pânico. Logo Ozzy começa a contar experiências de uma perseguição misteriosa. Aos poucos, nos questionamos o que é aquela figura ou sua mensagem — o apocalipse? A morte? — à medida que somos conduzidos a um ambiente eufórico. Para finalizar, há um dos muitos solos espetaculares do guitarrista.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Black Sabbath - Black Sabbath (The End)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/8EoCHTK7xPw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seguida, outro clássico: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ftKNGzh7t94&amp;list=OLAK5uy_muplPXbMkOr93trvTit2KY_9yzM-IXeh8&amp;index=2"><i><span style="font-weight: 400;">The Wizard</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Com Ozzy tocando gaita, uma das poucas na carreira da banda, Bill Ward e Geezer Butler a conduzem como um </span><i><span style="font-weight: 400;">blues</span></i><span style="font-weight: 400;">. Tony Iommi repete os sons do instrumento de Ozzy na guitarra, gerando uma combinação interessante e ao mesmo tempo curiosa, porém sem perder suas características. Na letra, composta pelo baixista — assim como todas do álbum —, fala-se sobre a presença de um mágico na Terra, que expulsou diabos e </span><i><span style="font-weight: 400;">“transformou lágrimas em felicidades”. </span></i><span style="font-weight: 400;">Se a faixa anterior possuía uma mensagem de certa positividade, a seguinte é bem diferente. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=D5Du4BhqE14&amp;list=OLAK5uy_muplPXbMkOr93trvTit2KY_9yzM-IXeh8&amp;index=3"><i><span style="font-weight: 400;">Behind The Wall of Sleep</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">fala sobre angústia, morte e reflexões existencialistas, sendo inspirada em um conto de </span><a href="https://www.infoescola.com/biografias/h-p-lovecraft/"><span style="font-weight: 400;">H. P. Lovecraft</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A última faixa do lado A é um clássico absoluto e uma das mais tocadas nos </span><i><span style="font-weight: 400;">shows</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nJYdDmUvgok&amp;list=OLAK5uy_muplPXbMkOr93trvTit2KY_9yzM-IXeh8&amp;index=4"><i><span style="font-weight: 400;">N.I.B</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">mostra a genialidade de Geezer Butler em um solo inicial que se tornou o sonho de todo baixista em reproduzir, especialmente por apresentar o som de </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Wah-wah"><i><span style="font-weight: 400;">wah-wah</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e outras distorções. Com um </span><i><span style="font-weight: 400;">riff</span></i><span style="font-weight: 400;"> bastante conhecido, quem conduz essa faixa é o contrabaixo e não a guitarra — como de costume na discografia da banda. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na letra, ironicamente, há uma história e declaração de amor. Todavia, como se trata do Black Sabbath, ela acontece entre Lúcifer e uma mortal. Na época de seu lançamento, muito se questionou sobre o significado do nome da música. Muitos diziam que seria </span><i><span style="font-weight: 400;">Nativity in Black</span></i><span style="font-weight: 400;">; porém, era uma brincadeira interna em relação à barba de Bill Ward, que, segundo os membros, lembrava a </span><a href="https://br.freepik.com/fotos-gratis/caneta-nib_914885.htm"><span style="font-weight: 400;">ponta das canetas </span><i><span style="font-weight: 400;">nibs</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Black Sabbath - N.I.B. (Gathered in Their Masses)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/OEQc8or8SdY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Abrindo o lado B, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1A5a_GlYo0g&amp;list=OLAK5uy_muplPXbMkOr93trvTit2KY_9yzM-IXeh8&amp;index=5"><i><span style="font-weight: 400;">Evil Woman</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é o primeiro </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=U7k5QotUznQ"><i><span style="font-weight: 400;">cover</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">do álbum e foi uma sugestão do produtor Rodger Bain a fim de projetar o quarteto ao mercado norte-americano. É a canção mais radiofônica, de fato. Inclusive, foi o primeiro </span><a href="https://somosmusica.cdbaby.com/o-que-e-um-single/"><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Diametralmente oposta, em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Za4YaV1x_dw&amp;list=OLAK5uy_muplPXbMkOr93trvTit2KY_9yzM-IXeh8&amp;index=6"><i><span style="font-weight: 400;">Sleeping Village</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> retorna o peso característico. Bastante arrastada, Geezer e Ward abrem o caminho para Iommi mostrar sua genialidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Usando violões — que imprimem um clima até bucólico — e estruturas de </span><i><span style="font-weight: 400;">blues</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele quebra tudo. A temática obscura volta a estar presente; dessa vez, questionam o quão próximo estamos do apocalipse. E se realmente estivermos, torcem para que estejamos dormindo no momento final.</span></p>
<figure id="attachment_23979" aria-describedby="caption-attachment-23979" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23979" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-4-1.jpg" alt="Fotografia em preto e branco dos músicos no palco. Parece ter sido tirada da plateia e na diagonal em relação ao palco. No primeiro plano está Geezer Butler, com um contrabaixo branco, vestindo roupas pretas e cabelo cobrindo o rosto. Ao fundo, atrás das ferragens da bateria está Tony Iommi tocando guitarra e a sua frente Ozzy bate palmas, vestindo um casaco bege com franjas no braço." width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-4-1.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-4-1-768x513.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-23979" class="wp-caption-text">No palco, a energia dos músicos contagiava plateias ao redor do mundo; no ano de 1971, chegaram a realizar duas turnês nos Estados Unidos (Foto: Black Sabbath)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na sequência, vem a mais longa do disco. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kkGQBKZpjHA&amp;list=OLAK5uy_muplPXbMkOr93trvTit2KY_9yzM-IXeh8&amp;index=7"><i><span style="font-weight: 400;">Warning</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> passa dos dez minutos e, mais uma vez, a guitarra rouba a cena. Em mais um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=s2tE1sRr_kg"><i><span style="font-weight: 400;">cover</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a influência do </span><i><span style="font-weight: 400;">blues </span></i><span style="font-weight: 400;">é presente, porém com uma roupagem um tanto psicodélica — característica essa perceptível pelos três solos de guitarras bastante distorcidas, distanciando-se das linhas da bateria e do contrabaixo. Nos mais de sete minutos instrumentais, a inspiração ao saudoso e genial </span><a href="https://personaunesp.com.br/jimi-hendrix-are-you-experienced-50-anos/"><span style="font-weight: 400;">Jimi Hendrix</span></a><span style="font-weight: 400;"> é perceptível. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para terminar a obra, não haveria escolha melhor que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jQxZEtQJI2c&amp;list=OLAK5uy_muplPXbMkOr93trvTit2KY_9yzM-IXeh8&amp;index=8"><i><span style="font-weight: 400;">Wicked World</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Iniciada por um </span><i><span style="font-weight: 400;">riff </span></i><span style="font-weight: 400;">simples e marcante, Geezer conduz a densidade da música por meio de uma força descomunal ao imprimir o ritmo das galopadas do instrumento. A reflexão da vez é sobre algumas relações de trabalho e como elas constroem um certo simbolismo hipócrita na sociedade.</span></p>
<figure id="attachment_23978" aria-describedby="caption-attachment-23978" style="width: 1170px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23978" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-1-1.png" alt="Fotografia dos membros da banda em preto e branco, olhando diretamente para o espectador. Todos vestem roupas pretas e ocupam a faixam central da imagem. Bill Ward, Ozzy Osbourne e Geezer Butler, respectivamente, estão sentados. Bill Ward, dessa vez, apresenta uma barba cheia. Geezer usa o tradicional bigode. Acima deles, Tony Iommi é o único em pé. Vale destacar o crucifixo em seu peito e o posicionamento de suas mãos: sobre os ombros de Bill Ward e Geezer." width="1170" height="658" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-1-1.png 1170w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-1-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-1-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-1-1-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23978" class="wp-caption-text">Apesar da sonoridade revolucionária, as vendas do primeiro álbum não foram um sucesso; por sofrerem um certo preconceito, eram vistos como malditos pelo senso comum (Foto: Black Sabbath)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na estrada, o Black Sabbath </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AyH5erKimmc"><span style="font-weight: 400;">chocou</span></a><span style="font-weight: 400;"> cada espectador que teve o prazer de vê-los na sua origem. Aos poucos, passou a figurar a tríade sagrada do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos anos 70 ao lado de outros dois gigantes: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RlNhD0oS5pk"><span style="font-weight: 400;">Led Zeppelin</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ikGyZh0VbPQ"><span style="font-weight: 400;">Deep Purple</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Entretanto, eles possuíam algo diferente dos dois e das demais bandas anteriores. Eles eram maus, pois tratavam de temas provocativos à época com elevados graus de obscurantismo e descrença nos seres humanos — com um pé até no </span><a href="https://www.todamateria.com.br/niilismo/"><span style="font-weight: 400;">niilismo</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por esse tom, encabeçaram o que conhecemos hoje como </span><a href="https://super.abril.com.br/cultura/de-onde-vem-o-termo-heavy-metal/"><i><span style="font-weight: 400;">heavy metal</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Aliás, a discussão sobre quem inventou o gênero de fato ou compôs a primeira música nesse estilo abrange alguns critérios amplos e até cansativos — alguns até dizem que os Beatles foram os pioneiros com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vWW2SzoAXMo"><i><span style="font-weight: 400;">Helter Skelter</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_23982" aria-describedby="caption-attachment-23982" style="width: 1140px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23982" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-10.jpg" alt="Fotografia em preto e branco dos membros do Black Sabbath. Tirada na horizontal, foca no rosto deles. Da esquerda para a direita, estão Bill Ward, Ozzy Osbourne, Geezer Butler e Tony Iommi. Os três primeiros vestem camisas claras, enquanto o guitarrista uma camiseta preta. Os quatro apresentam cabelos longos; Bill Ward uma barba cheia ao passo que Geezer e Iommi os tradicionais bigodes." width="1140" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-10.jpg 1140w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-10-800x351.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-10-1024x449.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-10-768x337.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23982" class="wp-caption-text">Essa formação, considerada clássica, durou até 1978, quando Ozzy deixou a banda por motivos até hoje não muito claros; lançaram juntos oito álbuns e realizaram uma turnê de despedida em 2013, dessa vez, sem Bill Ward (Foto: Black Sabbath)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Fato é: o quarteto de Birmingham foi o primeiro a definir uma estética compacta e um conceito sólido em seu primeiro álbum, influenciando uma série de outras bandas que vieram em seguida. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=X4bgXH3sJ2Q"><span style="font-weight: 400;">Iron Maiden</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=L397TWLwrUU"><span style="font-weight: 400;">Judas Priest</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Wm58sGEdgAw"><span style="font-weight: 400;">Metallica</span></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, não existiriam sem o Sabbath. Pelo menos, não da maneira que conhecemos hoje. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em mais de 50 anos de carreira e inúmeros álbuns memoráveis, portanto, os hoje idosos sabáticos são exaltados como revolucionários no mundo da Música e responsáveis por servirem como porta de entrada às novas gerações roqueiras. Mesmo tirando nosso sono em alguns momentos ou causando certas provocações inquietantes, conquistaram um lugar na história e outro especial na memória de uma legião de adoradores.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Black Sabbath (2009 Remastered Version)" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/2T6jeELx5BqH4GMLObBy10?si=VEtvel1WStadiMTuOVAxyQ&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Black Sabbath em São Paulo: o funeral elétrico</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Dec 2016 21:21:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Leite Ferreira Horas antes do último show do Black Sabbath em terras brasileiras, o céu nublado já denunciava a chuva iminente. Era São Paulo, a terra da garoa, saudando os pais do heavy metal em sua turnê derradeira. A The End Tour teve início no dia 20 de janeiro de 2016, em Omaha, nos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/black-sabbath-em-sao-paulo-o-funeral-eletrico/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Black Sabbath em São Paulo: o funeral elétrico"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_6810" aria-describedby="caption-attachment-6810" style="width: 630px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-6810 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/Foto-1-5.jpg" alt="Ozzy Osbourne, Tony Iommi e Geezer Butler: pais de tudo o que é pesado" width="630" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/Foto-1-5.jpg 630w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/Foto-1-5-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-6810" class="wp-caption-text">Tony Iommi, Ozzy Osbourne e Geezer Butler: pais de tudo o que é pesado</figcaption></figure>
<p><strong>Gabriel Leite Ferreira</strong></p>
<p>Horas antes do último show do Black Sabbath em terras brasileiras, o céu nublado já denunciava a chuva iminente. Era São Paulo, a terra da garoa, saudando os pais do <i>heavy metal</i> em sua turnê derradeira. A <i>The End Tour</i> teve início no dia 20 de janeiro de 2016, em Omaha, nos Estados Unidos, e acaba no dia 4 de fevereiro de 2017, em Birmingham, na Inglaterra, a terra natal de Ozzy Osbourne, Tony Iommi e Geezer Butler. Foi lá que o trio mais o ex-baterista Bill Ward, afastado da excursão por questões contratuais, deu forma ao gênero mais controverso da história da música moderna na década de 70. Não por acaso, a noite foi tipicamente setentista – para o bem e para o mal.</p>
<p><span id="more-6809"></span></p>
<p>Bandas de abertura tem como função esquentar o público para o show principal. No entanto, a Doctor Pheabes só fez aumentar a ansiedade de quem estava presente no estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi. A banda paulistana é um caso curioso de como visibilidade independe de qualidade no <i>show business</i>: o arremedo do que há de mais genérico no <i>hard rock</i> já abriu shows do Guns N’Roses e do Rolling Stones no Brasil, além de ter se apresentado no Monsters of Rock em 2013 e no Lollapalooza em 2015. Nem mesmo o trio de backing vocals performáticas salvou a apresentação, tão competente quanto a de uma banda cover de garagem.</p>
<p>Os norte-americanos do Rival Sons ficaram encarregados da segunda parte da abertura. Nome estabilizado na indústria com cinco discos no currículo, o grupo, se passa longe de ser original, ao menos homenageia sua referência maior com competência. Não é preciso mais que uma audição atenta para identificar que a matriz do som do quarteto vem de outro gigante do rock, o Led Zeppelin. Os andamentos suingados, os riffs blueseiros e pesados e os vocais potentes, tudo cheira a Jimmy Page e companhia, mas sem a ambição descomunal destes. Para a ocasião, altamente nostálgica, foi suficiente.</p>
<figure id="attachment_6811" aria-describedby="caption-attachment-6811" style="width: 788px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-6811" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/Foto-2-1-788x1024.jpg" alt="O começo do fim: subjetividade inevitável" width="788" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/Foto-2-1-788x1024.jpg 788w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/Foto-2-1-231x300.jpg 231w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/Foto-2-1-768x998.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/Foto-2-1-1200x1560.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/Foto-2-1.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-6811" class="wp-caption-text">O começo do fim: subjetividade inevitável</figcaption></figure>
<p>Nostalgia, aliás, foi a palavra de ordem no recinto. Pois é impossível, apesar de tentador, encarar a última turnê de um nome do porte do Black Sabbath com objetividade e rigor crítico. As variáveis não deixam: a representatividade monstruosa dos ingleses para a história da música, a dedicação inabalável do guitarrista Tony Iommi ao longo de mais de quarenta anos e o câncer que o acometeu em 2012, além de, é claro, o fato de ser a última passagem pelo Brasil fazem prevalecer o fator emocional.</p>
<p>Indubitavelmente, o Sabbath está no time de “vacas sagradas” do rock clássico, junto dos conterrâneos Beatles, Led Zeppelin e Rolling Stones – e foi o nome mais maldito deles. Os três eram vistos com maus olhos pelos conservadores por conta do famigerado “sexo, drogas e rock’n’roll”, mas na prática não apresentavam uma ofensa contundente aos valores da “família tradicional”. O quarteto capitaneado por Iommi, por outro lado, investiu em uma estética sombria influenciada pelo lado oculto da força e rompeu de vez com o otimismo lisérgico dos anos 1960 – do Verão do Amor à Guerra do Vietnã.</p>
<p>O debut homônimo de 1970, primeiro disco de <i>heavy metal</i> propriamente dito, aterrorizou público e crítica: o primeiro por conta da capa sinistra e o segundo pela sonoridade alienígena, espécie de blues barulhento e arrastado. Os discos que se sucederam até 1972 não economizaram na atmosfera apocalíptica dos riffs de Iommi e das letras de Butler, cujos temas preferidos incluíam guerra, bruxaria, filmes de terror e drogas. A partir de 1973, com <i>Sabbath Bloody Sabbath</i>, os ingleses começaram a refinar seu som e só então a crítica deu o braço a torcer.</p>
<figure id="attachment_6812" aria-describedby="caption-attachment-6812" style="width: 840px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-6812" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/Foto-3-1-1024x1011.jpg" alt="A capa da estreia de 1970: do mal" width="840" height="829" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/Foto-3-1-1024x1011.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/Foto-3-1-300x296.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/Foto-3-1-768x758.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/Foto-3-1.jpg 1143w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-6812" class="wp-caption-text">A capa da estreia de 1970: do mal</figcaption></figure>
<p>A formação clássica gravou oito discos em pouco mais de dez anos até sucumbir às crises e às drogas. E foi o suficiente. Mesmo com as sucessivas reformulações a partir dos anos 1980, o grupo não desvaneceu na memória dos fãs, muito pelo contrário. O culto sobreviveu e ultrapassou gerações – as quase 70 mil pessoas presentes no Morumbi que o digam. Adolescentes, adultos, idosos, todos se reuniram para testemunhar pela última vez os ídolos maiores do <i>heavy metal</i>.</p>
<p>O clima úmido e sombrio da capital paulistana ajudou nesse sentido. Enquanto uma animação apocalíptica passava nos telões, a chuva, até então um chuvisco tímido, engrossou. A risada maléfica de Ozzy, que completara 68 anos no dia anterior, marcou o início do espetáculo. O marco zero da carreira dos anciãos foi também o marco zero do show. “Black Sabbath”, a música, teve sua atmosfera sufocante incrementada pela noite chuvosa e deu o tom do resto do curto setlist, concentrado nos três primeiros clássicos da banda – <i>Black Sabbath </i>(1970), <i>Paranoid </i>(1970) e <i>Master of Reality </i>(1971) – e com uma canção do seminal <i>Vol. 4 </i>(1972) e uma do pouco destacável <i>Technical Ecstasy</i> (1976). O repertório formado por treze faixas não é imune a críticas. A ausência de clássicos pós-1972 foi sentida pelos mais aficionados, assim como a insistência de se manter a fraca “Dirty Women” e deixar de fora “Under The Sun” e “Hand of Doom”, duas pérolas que marcaram presença em setlists passados. No entanto, há que se levar em conta a idade avançada do trio, em especial a de Ozzy Osbourne, cuja voz é uma sombra do que foi.</p>
<p>O eterno Madman compensou as limitações vocais com seu carisma indefectível. “Quero ver todo mundo pulando!” e “vocês estão se divertindo?” eram frases ouvidas a todo momento. Houve até mesmo um “estou cantando na chuva”, referência cômica ao clássico “Singin’ in the Rain”, de Gene Kelly. Ou seja, a performance desajeitada e quase infantil de sempre. O elogio pode ser estendido a Geezer Butler e Tony Iommi, irrepreensíveis em suas respectivas funções. O baterista Tommy Clufetos e o tecladista Alan Wakeman, membros da banda solo de Ozzy, completaram o time com propriedade. Vê-los em ação foi como presenciar uma retrospectiva histórica, um caleidoscópio lisérgico e nostálgico.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-6813 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/Foto-4-1024x682.jpg" alt="black sabbath brasil" width="840" height="559" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/Foto-4-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/Foto-4-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/Foto-4-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/Foto-4-1200x799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/12/Foto-4.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p>A instrumental “Rat Salad” foi sucedida por um solo de bateria que ultrapassou os dez minutos – descanso para os veteranos. Ao fundo, enquanto Clufetos esmigalhava seu kit de bateria, uma série de imagens da fase clássica do Sabbath, com direito a um close do Bill Ward dos primórdios. De volta ao palco, o trio encerrou o desfile de clássicos com “Iron Man”, “Dirty Women” e “Children of the Grave”, voltando rapidamente para o bis com “Paranoid”, entoada com paixão pelos quase 70 mil pagantes. “Deus os abençoe”, disse Ozzy depois de se ajoelhar em agradecimento. Contradição nenhuma, visto que eles sempre se assumiram cristãos.</p>
<p>A noite acabou cedo, mas segue ecoando na mente deste que vos escreve. Faltam palavras para dar conta do que representaram as pouco mais de duas horas sorrindo, chorando, pulando e quebrando o pescoço no bate-cabeça junto de amigos, conhecidos e desconhecidos. Foi um encerramento digno de Black Sabbath. Tal qual a injustiçada canção de <i>Paranoid</i>, outra ausência sentida no repertório, um verdadeiro funeral elétrico.</p>
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