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	<title>Arquivos Bianca Costa &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Bianca Costa &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>A Cabeça do Santo: quando o sagrado perde a cabeça</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Mar 2026 13:00:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Bianca Costa  Uma mãe em seu leito de morte faz um último pedido ao filho: que encontre o pai e a avó que nunca conheceu. É a partir desse pedido que se desenrola A Cabeça do Santo, de Socorro Acioli, um romance onde o sagrado e o profano se entrelaçam por suas páginas e pela &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-cabeca-do-santo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Cabeça do Santo: quando o sagrado perde a cabeça"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37001" aria-describedby="caption-attachment-37001" style="width: 517px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-37001" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/download-11-517x800.jpeg" alt="" width="517" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/download-11-517x800.jpeg 517w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/download-11.jpeg 564w" sizes="(max-width: 517px) 85vw, 517px" /><figcaption id="caption-attachment-37001" class="wp-caption-text">O romance acontece entre o sagrado e o profano, com uma boa dose de brasilidade e um realismo mágico que tem tudo a ver com Gabriel García Márquez (Foto: Companhia Das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Bianca Costa </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma mãe em seu leito de morte faz um último pedido ao filho: que encontre o pai e a avó que nunca conheceu. É a partir desse pedido que se desenrola </span><i><span style="font-weight: 400;">A Cabeça do Santo</span></i><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/colaborador/03573/socorro-acioli?srsltid=AfmBOopg0c0_l00zg6rxNR8Ckafa6dkBFmG0oa8LrBFdDWseqotMwmGr"><span style="font-weight: 400;">Socorro Acioli</span></a><span style="font-weight: 400;">, um romance onde o sagrado e o profano se entrelaçam por suas páginas e pela cidade de Candeia. Essa contemporânea obra brasileira – exemplo de </span><a href="https://www.ufmg.br/espacodoconhecimento/a-solidao-latino-americana-e-o-realismo-magico-na-literatura/"><span style="font-weight: 400;">realismo mágico</span></a><span style="font-weight: 400;"> – entrega tudo aquilo que um verdadeiro clássico da literatura tem direito: uma conexão verdadeira com o leitor, capaz de transcender o tempo.  </span></p>
<p><span id="more-37000"></span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Foi a morte que me ensinou. O tempo de sonhar é em cima da terra” – </span><span style="font-weight: 400;">A Cabeça do Santo</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a angústia causada pela dor da perda de sua mãe, Samuel decide cumprir sua promessa. Assim, deixa Juazeiro do Norte para trás e percorre a pé um sofrido trajeto de dezoito quilômetros, acompanhado apenas pela secura impiedosa do sertão cearense. Alcançando, enfim, o destino traçado por sua mãe – o município de Candeia. Era uma cidade comum, até Samuel precisar se abrigar em uma gruta, refúgio que à luz da manhã revela ser, na verdade, uma cabeça imensa de </span><a href="https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2024-06/dia-de-santo-antonio-renan-dantas-12-junho-2024.html"><span style="font-weight: 400;">Santo Antônio</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas as estranhezas não param aí: Samuel começa a escutar uma confusão de vozes femininas apenas quando está dentro da cabeça. Assustado, se dá conta de que aquilo são orações de </span><a href="https://www.metro1.com.br/noticias/radio-metropole/151452,dia-dos-namorados-historiador-explica-por-que-santo-antonio-e-conhecido-como-casamenteiro"><span style="font-weight: 400;">mulheres que pedem amor ao santo</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><span style="font-weight: 400;">O romance tempera fé, cotidiano e tradição nordestina com uma escrita simples e envolvente, carregada de simbolismos culturais e políticos. </span></p>
<figure id="attachment_37002" aria-describedby="caption-attachment-37002" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37002" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/imagem-2-800x532.jpg" alt="" width="800" height="532" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/imagem-2-800x532.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/imagem-2-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/imagem-2.jpg 995w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37002" class="wp-caption-text">Em Caridade, a cabeça da estátua de Santo Antônio foi montada no chão e nunca unida novamente ao corpo (Foto: Fantástico/Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado em 2014 pela </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535923698/a-cabeca-do-santo?srsltid=AfmBOopHWnUR__jXc2ksctnIKnD04rmHKVyE_qBGji8U0iXuMAwwZuq1"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">A cabeça do Santo</span></i><span style="font-weight: 400;"> conquista críticos e leitores há onze anos por sua originalidade e pela forma como resgata elementos do folclore, montando uma verdadeira dança das cadeiras entre o sagrado e o profano, premissas opostas e mistura ousada que abraça contrastes tão inerentes na cultura popular brasileira.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“[&#8230;] porque às vezes nem Deus livra o homem de enlouquecer. O demônio é artista”</span><span style="font-weight: 400;"> – </span><span style="font-weight: 400;">A Cabeça do Santo</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O toque de realismo mágico que perdura por cada página, clássico de </span><a href="https://mobile.publishnews.com.br/materias/2024/04/16/conheca-seis-obras-essenciais-de-gabriel-garcia-marquez"><span style="font-weight: 400;">Gabriel García Márquez</span></a><span style="font-weight: 400;">, não é por acaso. </span><span style="font-weight: 400;">Em 2006, </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/album/2014/04/18/escritora-brasileira-participou-de-workshop-com-gabriel-garcia-marquez-em-cuba.htm?foto=1"><span style="font-weight: 400;">Socorro Acioli</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi a única mulher e brasileira selecionada para a oficina de </span><i><span style="font-weight: 400;">Como contar um conto</span></i><span style="font-weight: 400;">, que seria mais tarde a última </span><a href="https://g1.globo.com/ceara/noticia/2014/04/apos-oficina-escritora-cearense-fala-de-convivencia-com-garcia-marquez.html"><span style="font-weight: 400;">oficina</span></a><span style="font-weight: 400;"> de escrita ministrada por Márquez. A proposta que apresentou foi baseada em um caso real, uma estátua de </span><a href="https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2015/03/11/estatua-sem-cabeca-leva-culpa-por-divorcios-em-cidade-do-ce.htm?foto=1"><span style="font-weight: 400;">Santo Antônio</span></a><span style="font-weight: 400;"> inacabada, erguida no município de Caridade, também no interior do Ceará, onde a cabeça permanece abandonada há quase quarenta anos. </span></p>
<figure id="attachment_37003" aria-describedby="caption-attachment-37003" style="width: 599px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-37003" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/img-3.png" alt="" width="599" height="336" /><figcaption id="caption-attachment-37003" class="wp-caption-text">A autora Socorro Acioli e Gabriel García Márquez dando luz ao realismo mágico (Foto: Arquivo pessoal de Socorro)</figcaption></figure>
<p><a href="https://g1.globo.com/google/amp/ce/ceara/noticia/2021/11/29/estatua-de-santo-antonio-espera-cabeca-ha-35-anos-no-alto-de-um-monte-em-caridade-no-ceara.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Essa curiosa história</span></a><span style="font-weight: 400;"> que deu origem ao livro, começou em 1984, quando o prefeito da cidade contratou um escultor para erguer uma imensa estátua de Santo Antônio. A obra começou como foco de grande expectativa, mas logo foi interrompida, e a cabeça, já pronta, jamais chegou a ser erguida junto ao corpo. Pesada demais e sem recursos para ser transportada, acabou esquecida no chão, entre ruas e casas, virando parte da paisagem local. Logo, tornou-se alvo de lendas e superstições que associavam a ‘degola’ do santo aos problemas da cidade. Essa imagem poderosa – a cabeça abandonada de um santo, separada do corpo – impressionou Acioli e fez os olhos de García Márquez brilharem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://g1.globo.com/ceara/noticia/2013/10/vencedora-do-jabuti-socorro-acioli-comemora-e-fala-da-proxima-obra.html"><span style="font-weight: 400;">premiada</span></a><span style="font-weight: 400;"> escrita de Acioli é simples, marcada pelo ritmo envolvente, parecendo uma conversa, do jeitinho brasileiro. Mas esse estilo direto não diminui a densidade da obra, pelo contrário, permite que os símbolos e personagens ganhem força sem excessos. Samuel, o protagonista, encontra dentro da cabeça do santo tanto prisão quanto abrigo, uma metáfora para sua busca de identidade e pertencimento. Já as vozes femininas que ele escuta simbolizam a presença coletiva e invisível dessas mulheres, silenciadas na vida pública, porém, persistentes em suas preces. A cidade, por sua vez, é quase um personagem, marcada pela dependência dos milagres e pelo abandono material.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A consciência da solidão doía mais que qualquer outra dor.”</span><span style="font-weight: 400;"> – A Cabeça do Santo</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Os </span><a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/termos/80212-simbolismo-na-literatura"><span style="font-weight: 400;">simbolismos</span></a><span style="font-weight: 400;"> são a chave do romance. A cabeça de Santo Antônio inacabada revela como o divino convive com o ordinário. O sertão, sempre presente, é metáfora da falta material, mas também da resistência. O silêncio de Samuel, contraposto às vozes femininas, mostra como a escuta pode ser mais poderosa do que a palavra. É nessa brincadeira entre o místico e o real que a narrativa encontra sua singularidade. </span></p>
<p><figure id="attachment_37004" aria-describedby="caption-attachment-37004" style="width: 367px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37004" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/imagem-4.png" alt="" width="367" height="486" /><figcaption id="caption-attachment-37004" class="wp-caption-text">Socorro Acioli dentro da verdadeira “cabeça do santo” [Foto: Reprodução Instagram da autora (@socorroacioli)]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">O livro de Acioli, além de contar uma história sobre destino e milagres, também expõe como a fé é usada como instrumento de poder, como o sertão é abandonado pelo Estado e como as mulheres resistem pelo silêncio de suas preces. Com personagens de um realismo que ultrapassa o papel, o cenário reflete a aridez e a esperança do sertão nordestino. </span><span style="font-weight: 400;">Além de se revelar como uma das obras mais marcantes da literatura brasileira contemporânea, A Cabeça do Santo teve seus direitos comprados e vai virar um </span><a href="https://g1.globo.com/google/amp/ce/ceara/noticia/2023/09/17/cabeca-gigante-de-santo-antonio-vai-virar-filme-brasileiro-conheca-a-historia.ghtml"><span style="font-weight: 400;">filme</span></a><span style="font-weight: 400;">, ainda que sem data de estreia</span><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com doze anos desde sua publicação, o romance de Socorro Acioli marcou presença na </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/confira-a-lista-dos-10-livros-mais-vendidos-de-2025/#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">lista</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos livros de ficção mais vendidos no Brasil em 2025, revelando o potencial da literatura nacional, capaz de reinventar tradições, dar voz ao silêncio e transformar uma história local em um ‘suco de brasilidades’, onde até Santo Antônio perde a cabeça.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Há 50 anos, Fleetwood Mac renascia das cinzas sob o sol da Califórnia</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Mar 2026 13:00:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
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		<category><![CDATA[Fleetwood Mac]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Bianca Costa O ano era 1975, momento em que Fleetwood Mac estava à beira do desaparecimento. Assim, nasceu o décimo álbum da banda, o autointitulado Fleetwood Mac. Não era exagero, depois de quase dez anos mergulhados no blues britânico, trocando integrantes como quem tenta remendar uma embarcação furada, o grupo parecia ter perdido o próprio &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ha-50-anos-fleetwood-mac-renascia-das-cinzas-sob-o-sol-da-california/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 50 anos, Fleetwood Mac renascia das cinzas sob o sol da Califórnia"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36981" aria-describedby="caption-attachment-36981" style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36981" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image5.png" alt="Descrição: Capa do álbum Fleetwood Mac (1975). A imagem é em preto-e-branco e mostra duas pessoas em pé dentro de um arco de porta. À esquerda, uma figura alta, vestindo terno escuro e segurando uma bengala, olha para cima enquanto parece soprar ou segurar uma pequena esfera. À direita, outra pessoa, mais baixa, de barba e cabelos médios, está apoiada contra a parede com uma mão levantada. Acima deles, o nome ‘Fleetwood Mac’ aparece em letras grandes e estilizadas." width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image5.png 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image5-150x150.png 150w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /><figcaption id="caption-attachment-36981" class="wp-caption-text">Capa do álbum Fleetwood Mac, lançado em 1975, o primeiro grande sucesso da banda (Foto: Herbert Worthington)</figcaption></figure>
<p><b>Bianca Costa</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ano era 1975, momento em que Fleetwood Mac estava à beira do desaparecimento. Assim, nasceu o décimo álbum da banda, o autointitulado </span><a href="https://m.youtube.com/watch?v=tpgmlk7OVg4"><i><span style="font-weight: 400;">Fleetwood Mac</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Não era exagero, depois de quase dez anos mergulhados no </span><i><span style="font-weight: 400;">blues </span></i><span style="font-weight: 400;">britânico, trocando integrantes como quem tenta remendar uma embarcação furada, o grupo parecia ter perdido o próprio pulso. Formada em 1967 por Peter Green, Mick Fleetwood, John McVie e Jeremy Spencer, o grupo nasceu como um projeto sólido de </span><i><span style="font-weight: 400;">blues</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas a </span><a href="https://www-elle-com.translate.goog/culture/music/a42977664/fleetwood-mac-timeline/?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=tc&amp;_x_tr_hist=true"><span style="font-weight: 400;">instabilidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> criativa, marcada por saídas, crises e problemas pessoais, fez eles se perderem no próprio labirinto sonoro.</span></p>
<p><span id="more-36976"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi então que o acaso entrou em cena. Em 1974, enquanto buscavam um novo guitarrista, o produtor Keith Olsen ouviu uma demo de Lindsey Buckingham, jovem californiano que ao lado de Stevie Nicks, formava a dupla </span><i><span style="font-weight: 400;">Folk</span></i> <a href="https://rollingstone.com.br/musica/a-historia-de-origem-de-stevie-nicks-e-lindsey-buckingham/"><i><span style="font-weight: 400;">Buckingham Nicks</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1973). A gravação trazia algo raro: frescor, energia e uma luz que não existia há anos no universo da banda. Encantado, o produtor lançou a proposta da banda para Lindsey, que aceitou com uma condição: Stevie viria junto.</span></p>
<figure id="attachment_36980" aria-describedby="caption-attachment-36980" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36980" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4-800x800.jpg" alt="Capa de um álbum em fotografia preto-e-branco. Dois jovens adultos aparecem dos ombros para cima, posando lado a lado e sem camisa. A pessoa à esquerda tem cabelos longos e escuros, olhar direto para a câmera e um colar com penas. A pessoa à direita tem cabelos cacheados e bigode, também olhando para a câmera. Acima deles, o título do álbum aparece em letras grandes e amarelas." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4.jpg 984w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36980" class="wp-caption-text">Capa do disco Buckingham Nicks (1973), primeiro álbum da dupla e sua porta de entrada para a Fleetwood Mac (Foto: Jimmy Wachtel)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A chegada dos dois mudou tudo. Com Buckingham e Nicks, Fleetwood Mac deixou para trás a rigidez do </span><i><span style="font-weight: 400;">Blues </span></i><span style="font-weight: 400;">britânico e renasceu sob o sol da Califórnia, incorporando harmonias vocais luminosas, melodias arredondadas, letras mais íntimas e uma química que parecia finalmente completar o quebra-cabeça. A nova formação – Mick Fleetwood, John McVie, Christine McVie, Lindsey Buckingham e Stevie Nicks – forma a base do que se tornaria uma das </span><a href="https://www.radiorock.com.br/noticias/a-historia-complicada-de-fleetwood-mac-amores-e-conflitos"><span style="font-weight: 400;">bandas mais marcantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> da história do </span><i><span style="font-weight: 400;">Rock</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse encontro decisivo resultou em </span><a href="https://rollingstone.com.br/musica/5-curiosidades-sobre-disco-homonimo-de-fleetwood-mac-lista/"><i><span style="font-weight: 400;">Fleetwood Mac</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Batizado com o nome da banda e lançado em 11 de julho de 1975, o disco simboliza esse renascimento. É o primeiro registro da formação clássica, ainda recém-descoberta, e reflete a habilidade da banda em capturar a essência do momento e transformá-la em algo atemporal. Há nele uma leveza inesperada, como se cada integrante tivesse encontrado, finalmente, um lugar seguro dentro da própria música.</span></p>
<figure id="attachment_36979" aria-describedby="caption-attachment-36979" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36979" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-800x800.jpg" alt="Fotografia em preto-e-branco de cinco pessoas em um estúdio de gravação. À esquerda, uma mulher está sentada em uma cadeira, pernas cruzadas, usando botas de cano alto e uma saia longa. À direita, um homem está sentado no chão, reclinado, com expressão séria. Atrás deles, três pessoas estão de pé: uma mulher ao centro, ligeiramente sorrindo, e dois homens, um com barba e camisa aberta e outro com colete e camiseta branca. Cabos e equipamentos de estúdio aparecem no chão e no fundo." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-768x767.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-1200x1198.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36979" class="wp-caption-text">O começo do recomeço (Foto: Warner Records)</figcaption></figure>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;"> “I’ve been afraid of changin” </span><i><span style="font-weight: 400;">(Eu tenho medo de mudanças)</span></i><span style="font-weight: 400;"> – </span><i><span style="font-weight: 400;">Landslide </span></i></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Musicalmente, o disco traduz essa travessia entre sombra e luz, passado e futuro. Lindsey Buckingham busca energia </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">com arranjos precisos e guitarras elétricas; Christine McVie oferece o romantismo melancólico do piano; </span><a href="https://stevienicks-info.translate.goog/music/fleetwood-mac-1975/?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=tc"><span style="font-weight: 400;">Stevie Nicks</span></a><span style="font-weight: 400;"> envolve tudo em mistério, com uma poesia que parece vir de outro plano. O resultado é uma combinação que passeia do </span><i><span style="font-weight: 400;">Folk</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Rock</span></i><span style="font-weight: 400;">, do </span><i><span style="font-weight: 400;">Pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> à introspecção, sempre ancorada numa sensibilidade confessional, que se tornaria mais tarde, característica marcante da banda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A abertura do disco parte de </span><a href="https://www.letras.mus.br/fleetwood-mac/14978/"><i><span style="font-weight: 400;">Monday Morning</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, composição de Buckingham. A letra fala sobre relacionamentos instáveis e o desejo de seguir em frente, metáfora perfeita para o momento. As faixas deslizam com uma naturalidade mágica entre estilos e emoções, sempre guiado por uma honestidade quase palpável. Não importa o ritmo ou a instrumentação: tudo no álbum parece sussurrar alguma verdade íntima sobre transição, perda e descoberta.</span></p>
<figure id="attachment_36977" aria-describedby="caption-attachment-36977" style="width: 551px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36977" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1.jpg" alt="Descrição: Capa com fundo amarelo. O nome da banda e o título “Rhiannon” aparecem em destaque. À direita, há uma foto em preto e branco dos cinco integrantes sentados de forma descontraída, com visual típico dos anos 1970. À esquerda, uma imagem menor do álbum e informações técnicas do disco." width="551" height="557" /><figcaption id="caption-attachment-36977" class="wp-caption-text">Poster sobre a gravação em vídeo de Rhiannon, música presente no álbum (Foto: Warner Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Algumas faixas cristalizam isso: </span><i><span style="font-weight: 400;">Rhiannon</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, é o feitiço que define a persona de Stevie Nicks, uma mulher livre em movimento, quase sobrenatural. </span><i><span style="font-weight: 400;">Over My Head</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Say You Love Me</span></i><span style="font-weight: 400;"> revelam a delicadeza pop de Christine McVie, sempre navegando entre o romance e a vulnerabilidade. </span><a href="https://performingsongwriter-com.translate.goog/stevie-nicks-landslide/?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt&amp;_x_tr_pto=tc"><i><span style="font-weight: 400;">Landslide</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é o centro emocional do disco: Nicks, diante da dúvida, criando uma das meditações mais suaves e profundas sobre mudança e amadurecimento dos anos 1970.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em complemento disso, Buckingham surge com guitarras luminosas que fazem o álbum vibrar. Sua intensidade aparece tanto no pop convidativo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Monday Morning</span></i><span style="font-weight: 400;"> quanto na escuridão de </span><a href="https://musicaboasemrotulos.blog/2025/06/12/fleetwood-mac-im-so-afraid/"><i><span style="font-weight: 400;">I’m So Afraid</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que fecha o disco como quem encara um espelho sem nem piscar. No conjunto, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fleetwood Mac</span></i><span style="font-weight: 400;"> consolida um encontro improvável entre mundos distintos. Cada faixa carrega fragmentos de identidades e feridas. E é justamente esse mosaico emocional que torna essas canções em algo tão duradouro e único: um retrato da banda prestes a se reinventar, ainda marcada pelo passado, mas já visando um vislumbre do futuro glorioso. </span></p>
<figure id="attachment_36978" aria-describedby="caption-attachment-36978" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36978" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-800x540.jpg" alt="Descrição: Fotografia em preto-e-branco de cinco pessoas posando lado a lado, sorrindo. Todos estão próximos e com os braços entrelaçados, transmitindo camaradagem. À esquerda, duas pessoas com barba e cabelo curto; ao centro, uma mulher loira com vestido escuro; à direita, outra mulher loira apoiando o braço no homem ao lado, que tem cabelo volumoso e barba. Todos estão usando roupas elegantes, típicas da década de 1970." width="800" height="540" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-800x540.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-1024x691.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-768x518.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-1536x1037.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-1200x810.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2.jpg 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36978" class="wp-caption-text">“Dreams unwind, love&#8217;s a state of mind” (sonhos se desenrolam, amor é um estado de espiríto) — Rhiannon (Foto: Warner Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao fim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fleetwood Mac</span></i><span style="font-weight: 400;"> é sobre recomeçar. Abriu caminho para uma nova identidade sonora, marcou a união definitiva desses cinco músicos e trouxe à tona aquilo que a banda tinha de mais humano: o amor, o medo, a coragem, a crise e o desejo de reconstruir. Cada integrante escreve a partir de si, mas o resultado é coletivo. O público sentiu isso, e após mais de um ano de turnê, o álbum alcançou o primeiro lugar na </span><a href="https://www.billboard.com/charts/billboard-200/1975-12-13/"><span style="font-weight: 400;">Billboard 200</span></a><span style="font-weight: 400;"> e vendeu milhões de cópias, inaugurando a fase mais brilhante do grupo e pavimentando o caminho para o lendário </span><a href="https://www.omelete.com.br/amp/musica/wikimetal-fleetwood-mac-rumours"><i><span style="font-weight: 400;">Rumours</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1977).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com esse disco, o </span><a href="https://open.spotify.com/artist/08GQAI4eElDnROBrJRGE0X?si=lx4F2qsqSVize6_OP_uM6A"><span style="font-weight: 400;">Fleetwood Mac </span></a><span style="font-weight: 400;">deixou de ser uma banda britânica desconhecida e se transformou em um símbolo do </span><i><span style="font-weight: 400;">Pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> sofisticado dos anos 1970, equilibrando emoção, técnica, drama e doçura. Foi o início de uma era dourada, e também das tempestades emocionais que viriam depois. Porém, pelo menos por um breve instante tudo parecia novo, possível e cheio de luz.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Fleetwood Mac (Deluxe Edition)" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/0OQxaj2MqTb9nEtoTPfN4P?si=-syXtvhKTS2HX5ekWoNv_A&amp;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Há 5 anos, Era Uma Vez em&#8230; Hollywood nos envolvia em um sonho californiano</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Sep 2024 17:00:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bianca Costa Era Uma Vez em… Hollywood, a nona e mais recente obra de Quentin Tarantino, está completando cinco anos de estreia. Com dez indicações ao Oscar 2020, o longa ganhou as estatuetas douradas de Melhor Direção de Arte, assinada por Barbara Ling, e de Melhor Ator Coadjuvante para Brad Pitt. O filme é uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/era-uma-vez-em-hollywood-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 5 anos, Era Uma Vez em&#8230; Hollywood nos envolvia em um sonho californiano"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34034" aria-describedby="caption-attachment-34034" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34034" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-1-800x524.jpg" alt="Cena de Era Uma Vez em… Hollywood. Brad Pitt segue Leonardo DiCaprio por sua garagem com dois carros ao fundo enquanto o personagem de DiCaprio gesticula com os braços abertos." width="800" height="524" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-1-800x524.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-1-1024x671.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-1-768x503.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-1.jpg 1070w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34034" class="wp-caption-text">Segundo <a href="https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/brad-pitt-leonardo-dicaprio-falam-de-seus-papeis-em-era-uma-vez-em-hollywood-23687480?versao=amp">Brad Pitt</a>, Tarantino é &#8220;tão purista que não há imagens computadorizadas em suas obras” (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><strong>Bianca Costa</strong></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Era Uma Vez em… Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;">, a nona e mais recente obra de Quentin Tarantino, está completando cinco anos de estreia. Com dez indicações ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2020, o longa ganhou as estatuetas douradas de Melhor Direção de Arte, assinada por Barbara Ling, e de Melhor Ator Coadjuvante para Brad Pitt. O filme é uma envolvente viagem no tempo para uma idealizada e ensolarada Califórnia na década de 1960, onde o diretor utiliza calmamente o cotidiano para expressar seu amor pela Sétima Arte, retratando um cenário que respira Cinema.</span></p>
<p><span id="more-34033"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A narrativa passeia pelos pacatos dias do ator em declínio, Rick Dalton, e de seu dublê, Cliff Booth, vividos, respectivamente, pelos grandes nomes da atuação: Leonardo DiCaprio e Brad Pitt. A dupla quebra essa imagem de uma Hollywood que existia mais no imaginário do que na realidade ao viver diretamente os dramas da indústria, acompanhando os personagens por cenas soltas e desritmadas. O diretor brinca com a expectativa do público ao retratar os trágicos eventos do verão de 1969. Os </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/amp/noticias/almanaque/o-crime-que-abalou-hollywood-5-fatos-sobre-o-brutal-assassinato-de-sharon-tate.phtml"><span style="font-weight: 400;">assassinatos</span></a><span style="font-weight: 400;"> brutais executados pela família Manson não só abalaram a cultura norte-americana como extinguiu, também, a atmosfera ensolarada e esperançosa de Los Angeles, marcada pelos ideais </span><i><span style="font-weight: 400;">hippies</span></i><span style="font-weight: 400;"> da época.</span></p>
<figure id="attachment_34035" aria-describedby="caption-attachment-34035" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34035" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-2.jpg" alt="Cena de Era Uma Vez em… Hollywood. O personagem de Brad Pitt, homem branco e loiro que veste uma calça jeans, camiseta branca com detalhes vermelhos e uma camisa aberta amarela com detalhes florais e uma bota marrom, anda ao lado de um Cadillac creme, carro de 1966, com árvores ao fundo." width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-34035" class="wp-caption-text">Cliff Booth dirige um Karmann Ghia azul, mesmo veículo que Beatrix Kiddo em Kill Bill (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A dualidade retratada cria uma dança das cadeiras que Tarantino adora trazer em suas obras, alternando entre ficção e realidade, e utilizando a Arte para reescrever a história daqueles que foram injustiçados. Essa característica do diretor aparece também em </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/bastardos-inglorios"><i><span style="font-weight: 400;">Bastardos Inglórios</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2009), que reconta a história dos judeus no contexto da Segunda Guerra Mundial, e</span> <span style="font-weight: 400;">em</span> <a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/django-livre-critica"><i><span style="font-weight: 400;">Django Livre</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2012), onde a escravidão também tem direito a uma ‘revanche histórica’. Ambos contam com cenas regadas a muito sangue e apresentam uma violência exacerbada que beira o cômico – uma vingança </span><i><span style="font-weight: 400;">à la </span></i><span style="font-weight: 400;">Quentin Tarantino. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa pede por um contexto prévio sobre a noite do dia 9 de agosto de 1969 e o culto liderado por </span><a href="https://g1.globo.com/google/amp/mundo/noticia/2023/07/12/quem-foram-charles-manson-e-sua-familia-e-como-foi-a-serie-de-crimes-brutais-cometidos-por-eles.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Charles Manson</span></a><span style="font-weight: 400;">, responsável por assassinar a sangue frio Sharon Tate, grávida do diretor Roman Polanski, além de outros quatro amigos da atriz dentro de sua casa em Los Angeles. A seita da família Manson é retratada aos poucos em </span><i><span style="font-weight: 400;">Era Uma Vez em… Hollywood, </span></i><span style="font-weight: 400;">perseguindo lentamente a trama até cruzar as narrativas de Cliff com Pussycat</span> <span style="font-weight: 400;">(Margaret Qualley), que leva o coadjuvante até o </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/amp/noticias/almanaque/o-que-aconteceu-com-o-polemico-rancho-spahn.phtml"><span style="font-weight: 400;">Rancho Spahn</span></a><span style="font-weight: 400;">, onde a família vivia no período. A longa e descompassada cena do rancho chega às telas de forma despretensiosa até alcançar uma tensão inesperada, angustiante e quase palpável pelo público.</span></p>
<figure id="attachment_34036" aria-describedby="caption-attachment-34036" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34036" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-3-1-800x538.jpg" alt="Cena de Era Uma Vez em… Hollywood. A atriz Margot Robbie, mulher branca e loira dança sorridente com os braços para cima, centralizada ao centro de uma pista de dança iluminada e rodeada de outras pessoas, vestindo um conjunto amarelo e botas pretas." width="800" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-3-1-800x538.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-3-1-1024x689.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-3-1-768x517.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-3-1.jpg 1070w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34036" class="wp-caption-text">&#8220;Queria que vocês vissem muito de Sharon vivendo sua vida e não apenas seguindo uma história, queria ver ela vivendo, sendo quem é&#8221;, diz <a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/streaming/explicamos-o-controverso-papel-de-margot-robbie-em-era-uma-vez-em-hollywood/amp/">Tarantino</a> em entrevista (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Margot Robbie reviveu lindamente </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/amp/noticias/reportagem/historia-quem-foi-sharon-tate-vida-morte.phtml"><span style="font-weight: 400;">Sharon Tate</span></a><span style="font-weight: 400;">, com uma pureza e inocência que transcende a tela e envolve o espectador pelas possibilidades que contornavam o futuro da artista em ascensão. A atriz soube como homenagear a estrela e seu bebê de forma melancólica e otimista ao mesmo tempo, comovendo o público com cenas sensíveis que contrastam com o cinismo e pessimismo de Dalton e Cliff. Tarantino, por sua vez, ensina novamente o verdadeiro poder da ficção ao reescrever a narrativa daqueles que jamais escaparam de um desfecho cruel, utilizando o Cinema para fugir de uma realidade injusta e brutal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem acompanha as produções do diretor sabe muito bem que as </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2021/08/09/de-briga-com-a-mae-a-ameaca-de-morte-tarantino-acumula-polemicas-e-tretas.amp.htm"><span style="font-weight: 400;">polêmicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> sempre cercam suas obras, e em </span><i><span style="font-weight: 400;">Era Uma Vez em… Hollywood </span></i><span style="font-weight: 400;">não seria diferente. O diretor e roteirista foi criticado por uma cena em que o ator Mike Moh interpreta </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/era-uma-vez-em-hollywood-polemica-tarantino-bruce-lee-entenda#:~:text=Quentin%20Tarantino%20respondeu%20%C3%A0%20pol%C3%AAmica,ele%20falar%20coisas%20como%20essas."><span style="font-weight: 400;">Bruce Lee</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma forma estereotipada e escrachada, que ridiculariza a imagem do lutador e todos os seus feitos. Apesar da repercussão, o diretor não admite seu erro. Além disso, outra ‘bola fora’ foi não citar e problematizar em nenhum momento as inúmeras acusações contra Roman Polanski, marido de Sharon Tate, por abuso sexual.</span></p>
<figure id="attachment_34037" aria-describedby="caption-attachment-34037" style="width: 715px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34037" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/imagem-4.jpg" alt="Cena de Era Uma Vez em… Hollywood. Bruce Lee (interpretado por Jason Scott Lee), homem de traços orientais vestindo uma regata branca e uma calça preta, faz movimentos de artes marciais enfrentando o personagem de Brad Pitt, homem branco que veste uma camisa branca de botões com uma calça preta e um colete preto." width="715" height="429" /><figcaption id="caption-attachment-34037" class="wp-caption-text">A China proibiu o lançamento do filme na data planejada em boicote à cena em que Bruce Lee luta com o personagem de Brad Pitt (Foto: Sony Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O conjunto de referências, a fotografia de Robert Richardson e a escolha da </span><a href="https://www.itapemafm.com.br/trilha-sonora-de-era-uma-vez-em-hollywood-e-uma-viagem-aos-anos-1960"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;">, feita pelo diretor do filme, contribuem para a experiência de um sonho hollywoodiano embriagado, vivenciado nos anos dourados. Uma época onde o corriqueiro ganha estrelato até que aconteça o hiperbólico desfecho do longa, fugindo da triste realidade do crime e fazendo com que os assassinos da família Manson tivessem um </span><a href="https://cinebuzz.com.br/amp/noticias/cinema/relembre-as-10-cenas-mais-sangrentas-de-quentin-tarantino.phtml"><span style="font-weight: 400;">sangrento fim</span></a><span style="font-weight: 400;">. O acontecimento guia o público até a doce ilusão de que o dia 15 de agosto de 1969 se manteve como um dia ordinário em Los Angeles, cidade onde os sonhos ainda se tornam realidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quentin Tarantino, que promete se </span><a href="https://rollingstone.com.br/amp/noticia/quentin-tarantino-confirma-aposentadoria-apos-seu-decimo-filme/"><span style="font-weight: 400;">aposentar</span></a><span style="font-weight: 400;"> após produzir a décima obra de sua carreira, entrega uma verdadeira declaração de amor ao Cinema em seu nono filme. Seguindo uma linha mais madura e, ao mesmo tempo, divertida, são 160 minutos de muita paixão pela Sétima Arte, mostrando seu poder de transportar o espectador para um século e uma realidade idealizada aos mínimos detalhes. </span><i><span style="font-weight: 400;">Once Upon a Time… in Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original) se mantém relevante por ser uma experiência completa guiada pelo excepcional diretor. Com um elenco de grande peso, composto por nomes que souberam trabalhar os personagens perfeitamente, Tarantino mostra, mais uma vez, que o Cinema é uma ferramenta para segundas chances.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Era Uma Vez Em Hollywood | Trailer Final Dublado | 15 de agosto nos cinemas" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Bbk_ZSh5BWQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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