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	<title>Arquivos Bananeira Filmes &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Medusa, meretriz, monstro, mulher</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Oct 2021 22:04:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caroline Campos Por Poseidon, Medusa foi violentada. Por Atena, foi castigada, seus cabelos viraram cobras e seu olhar se tornou mortal. Por Perseu, a já criatura foi decapitada e transformada em arma de guerra. Pela História e pela Arte, foi vilanizada, perseguida e satirizada. Mas, no Brasil de 2021, Medusa foi a escolhida por Anita &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/medusa-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Medusa, meretriz, monstro, mulher"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24238" aria-describedby="caption-attachment-24238" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-24238 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-2.png" alt="Cena do filme Medusa. A atriz Mari Oliveira está no centro. Ela é uma mulher negra, de cabelos escuros e presos e usa uma blusa rosa. Seu rosto está com uma espécia de argila verde e ela espalha com as duas mãos. Ao fundo, vemos a cabeceira da cama e uma parede com fotos." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-2.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-2-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-2-1200x675.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24238" class="wp-caption-text">Medusa agraciou a seção Mostra Brasil da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, mas apenas em sessões presenciais (Foto: Bananeira Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Caroline Campos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por Poseidon, </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/verdadeira-historia-da-medusa-grecia.phtml"><span style="font-weight: 400;">Medusa</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi violentada. Por Atena, foi castigada, seus cabelos viraram cobras e seu olhar se tornou mortal. Por Perseu, a já criatura foi decapitada e transformada em arma de guerra. Pela História e pela Arte, foi vilanizada, perseguida e satirizada. Mas, no Brasil de 2021, Medusa foi a escolhida por </span><a href="https://www.exibidor.com.br/noticias/mercado/12057-cineasta-anita-rocha-da-silveira-volta-a-cannes-com-longa-sobre-violencia-nas-relacoes-entre-mulheres"><span style="font-weight: 400;">Anita Rocha da Silveira</span></a><span style="font-weight: 400;"> para intitular seu segundo longa-metragem, que, presente na 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, honra, com moldes trágicos e atuais, a trajetória da bela sacerdotisa amaldiçoada.</span></p>
<p><span id="more-24237"></span></p>
<p><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/07/medusa-unico-brasileiro-a-competir-em-cannes-afronta-o-extremismo-evangelico.shtml"><span style="font-weight: 400;">No filme</span></a><span style="font-weight: 400;">, a violência também não se esconde pelos cantos. Misturando mito e realidade, a diretora insere os traços do conto grego em uma pequena cidade sem nome, onde um grupo de mulheres puras e devotas saem todas as noites com máscaras brancas para espancar pecadoras que se desvirtuam dos princípios da moralidade. Quando o dia nasce, as máscaras são substituídas e a quadrilha cristã sobe ao palco da Igreja para cantar sobre as virtudes de ser uma mulher submissa a Jesus.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Medusa</span></i><span style="font-weight: 400;">, Silveira nos põe lado a lado com Mariana, uma das jovens justiceiras que passa a repensar seu papel no clã de Michele e as Preciosas depois que tem seu rosto desfigurado pela mulher a quem estava agredindo. Interpretada pela xará incomparável </span><a href="https://revistaquem.globo.com/Entrevista/noticia/2021/07/mari-oliveira-estreia-em-cannes-mostra-que-da-para-sonhar.html"><span style="font-weight: 400;">Mari Oliveira</span></a><span style="font-weight: 400;">, Mariana vai gradualmente se descolando da narrativa reproduzida incessantemente por aquela pequena comunidade conservadora, que reprime os prazeres carnais femininos e vigia a ferro e fogo o comportamento das mulheres ditas puras.</span></p>
<figure id="attachment_24264" aria-describedby="caption-attachment-24264" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-24264" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-9-1.png" alt="Cena do filme Medusa. 8 mulheres estão em cima de um palco rosa neon com vestidos brancos. A da frente, loira, está cantando no microfone. As outras coreografam ao fundo." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-9-1.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-9-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-9-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-9-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-9-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-9-1-1200x675.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24264" class="wp-caption-text">Belas, recatadas e do lar, Michele e as Preciosas têm sede do sangue das infiéis (Foto: Bananeira Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Decidido, o filme da carioca não mede caracteres no roteiro para afrontar, com ares fantásticos, a hipocrisia religiosa e o discurso machista que trancafia mulheres em torres de vigilância, ensinadas a manter sempre o olho umas nas outras. Com pinceladas de verde </span><i><span style="font-weight: 400;">neon </span></i><span style="font-weight: 400;">conduzidas por João Atala</span><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.bol.uol.com.br/noticias/2021/10/17/brasileiras-sao-premiadas-no-mais-importante-festival-internacional-de-cinema-fantastico.htm"><span style="font-weight: 400;">Anita Rocha da Silveira</span></a><span style="font-weight: 400;"> desenha o caminho de sua protagonista rumo à liberdade, transitando entre gêneros e cutucando, a todo momento, a própria veia cômica diante da bizarrice evangélica que cria.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, entre mulheres e meretrizes, é Melissa quem norteia a narrativa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Medusa</span></i><span style="font-weight: 400;"> e como Medusa. A jovem atriz –  uma pequena e potente participação de </span><a href="https://veja.abril.com.br/blog/veja-gente/o-protesto-de-bruna-linzmeyer-no-festival-de-cannes/"><span style="font-weight: 400;">Bruna Linzmeyer</span></a><span style="font-weight: 400;"> – que, há anos, havia sido atacada por uma mascarada misteriosa, flutua de mãos dadas com Mariana ao longo dos 127 minutos de produção. É na personagem que a diretora insere sua dose mais generosa de horror, a tratando como uma criatura culpada que precisa ser buscada e exibida em toda a sua monstruosidade – </span><i><span style="font-weight: 400;">“é isso o que acontece com vagabundas, doce Melissa”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na busca pelo fantasma da desaparecida, Mariana encontra os clamores da tentação, mas também se depara com a necessidade de sair do coma cultural a que foi submetida. A parceria com Michele, vivida vorazmente por Lara Tremouroux, é o ponto final que a trama precisa para subverter as várias faces da opressão patriarcal e, finalmente, gritar. Pois saia para lá com seu exército de dominadores. </span><a href="https://www.acritica.net/editorias/entretenimento/medusa-traz-um-grito-feminista/537651/"><span style="font-weight: 400;">Estamos putas da vida</span></a><span style="font-weight: 400;"> e nem Jesus Cristo em pessoa vai nos impedir.</span></p>
<figure id="attachment_24262" aria-describedby="caption-attachment-24262" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-24262 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-7.png" alt="Cena do filme Medusa. A imagem mostra um grupo de mulheres correndo e gritando na rua, a noite." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-7.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-7-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-7-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-7-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-7-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Design-sem-nome-7-1200x675.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24262" class="wp-caption-text">No fim das contas, Maria Madalena caminhou ao lado de Jesus (Foto: Bananeira Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tendo em mente a</span><i><span style="font-weight: 400;"> Pátria Amada, Brasil</span></i><span style="font-weight: 400;">, é perigoso classificar </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/cinema/filme-medusa-fala-sobre-a-pressao-da-beleza-e-do-comportamento-das-mulheres,a8715e5d15319972c66b7c5fd2a8e2e6di5fzt0p.html#:~:text=Longa%20de%20Anita%20Rocha%20da,Realizadores%2C%20%C3%A9%20um%20grito%20feminista&amp;text=As%20m%C3%A1scaras%20est%C3%A3o%20presentes%20em,paralela%20ao%20Festival%20de%20Cannes."><i><span style="font-weight: 400;">Medusa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> como uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-handmaids-tale-4a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">distopia</span></a><span style="font-weight: 400;">, pois o termo, em sua raiz, sugere um “lugar hipotético”, “fora da realidade&#8221;. Exageros e alusões à parte, o filme de Anita Rocha da Silveira pode dialogar muito bem com o </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/explicado/2020/04/19/A-ascens%C3%A3o-e-influ%C3%AAncia-das-igrejas-neopentecostais-no-Brasil"><span style="font-weight: 400;">cenário político-religioso</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a jovem e frágil democracia brasileira se enfiou nos últimos anos. Com o assentamento de um neopentecostalismo nocivo e preconceituoso na cadeira do Executivo, há muitos Pastores Guilherme com mais controle do que o mito do Estado Laico permitiria.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vindo de uma </span><a href="https://variety.com/2021/film/global/cannes-medusa-anita-rocha-da-silveira-interview-1235016959/"><span style="font-weight: 400;">estreia mundial</span></a><span style="font-weight: 400;"> na Quinzena dos Realizadores no </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/filmes-brasileiros-selecionados-para-festival-de-cannes-2021-lista/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cannes</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Medusa</span></i><span style="font-weight: 400;"> aterrissa na Mostra de SP para consagrar Silveira como uma potência criativa e ousada do Cinema nacional. Sem mais saco para as falácias conservadoras e caretas, o longa é uma coreografia macabra e excessiva que serpenteia em cima das amarras do patriarcado e do seu autoritarismo brega e petrificado. Ora, que dancemos sem máscaras e de mãos dadas pela noite das florestas, afinal, o M de Medusa é também o M de Mulher.</span></p>
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