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	<title>Arquivos BaianaSystem &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Em Planeta Fome, Elza Soares serve um banquete</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Nov 2020 17:36:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra A primeira vez que Elza Soares cantou em público foi em 1953. Na época, com apenas 23 anos, a artista já enfrentava a dureza da vida e viúva de um casamento que aconteceu quando ela tinha apenas 11 anos, lutava pela sua sobrevivência e a de seus filhos. Movida pelo desespero de ver &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/planeta-fome-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Planeta Fome, Elza Soares serve um banquete"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_16709" aria-describedby="caption-attachment-16709" style="width: 924px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-16709 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/elzasoares-pedrodimitrow.jpg" alt="Foto de Elza Soares. Ela está ao centro da imagem, seus cabelos são cacheados e loiros. Elza veste uma roupa preta brilhante e suas mãos estão entrelaçadas, apoiando o seu queixo." width="924" height="693" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/elzasoares-pedrodimitrow.jpg 924w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/elzasoares-pedrodimitrow-300x225.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/elzasoares-pedrodimitrow-768x576.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16709" class="wp-caption-text">Todos os últimos trabalhos de Elza foram reconhecidos no Grammy Latino e este ano não é diferente: a artista é indicada a Melhor Álbum de Música Popular Brasileira com seu disco mais recente, lançado em setembro de 2019 (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Raquel Dutra</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A primeira vez que Elza Soares cantou em público foi em 1953</span><span style="font-weight: 400;">. Na época, com apenas 23 anos, a artista já enfrentava a dureza da vida e viúva de um casamento que aconteceu quando ela tinha apenas 11 anos, lutava pela sua sobrevivência e a de <a href="https://revistaquem.globo.com/Entrevista/noticia/2016/04/elza-soares-ainda-me-machuca-perda-dos-meus-quatro-filhos.html">seus filhos</a>. Movida pelo desespero de ver um deles doente e sem dinheiro para o tratamento, ela decidiu participar de um programa de calouros da Rádio Tupi, apresentado por Ary Barroso. Naquele dia, com suas vestimentas humildes, Elza encarou os risos da plateia quando foi se apresentar e foi questionada em tom de chacota pelo apresentador: “</span><i><span style="font-weight: 400;">De que planeta você vem, minha filha?</span></i><span style="font-weight: 400;">”. O público gargalhou e logo foi cortado e constrangido pela resposta de direta de Elza, que mesmo ainda revestida de humildade, não deixou-se intimidar e disparou: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Do mesmo planeta que você, seu Ary.</span></i> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=IQ3-GGojvYI"><i><span style="font-weight: 400;">Do planeta fome</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span id="more-16708"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O silêncio constrangedor imperou e Elza foi autorizada para soltar a sua voz, surpreendendo a todos mais uma vez. A letra forte de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mmM3TsJS3Ys"><i><span style="font-weight: 400;">Lama</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> combinada à interpretação rouca e vivaz da jovem criou uma atmosfera no estúdio do programa e Ary Barroso a interrompeu afirmando que, naquele momento, “</span><i><span style="font-weight: 400;">nascia uma estrela</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Foi ali que parte do Brasil conheceu a força da mulher que viria a ser uma das artistas mais relevantes e de maior impacto cultural do país.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E no ano passado, chegando aos <a href="http://centrocultural.sp.gov.br/2020/06/23/90-anos-de-elza-soares/">90 anos de idade</a> e 60 de carreira, Elza relembrou esse dia emblemático para sua história e para a história da música e da cultura brasileira n</span><span style="font-weight: 400;">um álbum que carrega os elementos mais intrínsecos de sua identidade enquanto artista. </span><i><span style="font-weight: 400;">Planeta Fome</span></i><span style="font-weight: 400;"> é construído com revolta e celebração por uma artista sempre revolucionária e inovadora, que desta vez se reveste de futurismo para ousar ser esperançosa e imaginar dias melhores para nosso país, sempre encarando sem rodeios nossas duras realidades.</span></p>
<figure id="attachment_16710" aria-describedby="caption-attachment-16710" style="width: 984px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-16710 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/capa-1.jpg" alt="Capa do álbum &quot;Planeta Fome&quot;, de Elza Soares. A imagem tem uma faixa preta no topo, onde está escrito &quot;Elza Soares&quot; em caixa alta e numa fonte tridimensional num tom de azul acinzentado. Existe também outra faixa preta no lado inferior, onde está escrito, também em caixa alta num desenho tridimensional &quot;Planeta Fome&quot;, nas mesmas cores da frase anterior. Um desenho preenche todo o centro da imagem, ilustrando um planeta caótico." width="984" height="984" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/capa-1.jpg 984w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/capa-1-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/capa-1-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/capa-1-768x768.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16710" class="wp-caption-text">A capa do álbum é <a href="https://glamurama.uol.com.br/laerte-assina-a-capa-de-planeta-fome-novo-cd-de-elza-soares-e-afirma-minha-intencao-era-produzir-uma-sensacao-de-caos/">assinada</a> por ninguém mais ninguém menos que Laerte (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O furacão Elza Soares já se manifesta na abertura do disco com o evento que é </span><i><span style="font-weight: 400;">Libertação</span></i><span style="font-weight: 400;">. A parceria da artista com a grandiosidade musical do </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2017/12/05/interna_diversao_arte,645412/saiba-o-porque-baiana-system-e-uma-das-bandas-mais-celebradas-do-pais.shtml"><span style="font-weight: 400;">BaianaSystem</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; também <a href="https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2019/11/14/baiana-system-e-premiada-como-melhor-album-na-20a-edicao-do-grammy-latino.ghtml">conhecidos no <em>Grammy Latino</em></a> &#8211; se enlaça numa música que soa de forma quase profética. Ao abrir poderosamente a canção cantando </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu não vou sucumbir” </span></i><span style="font-weight: 400;">junto das guitarras e arranjos do grupo, Elza marca o futurismo que estabeleceu seus últimos trabalhos e anuncia todo o tom do disco, composto por memória crítica e esperança, com pés muito bem fincados no chão, olhos atentos avistando possibilidades para o nosso futuro e uma mente que incessantemente imagina e cria novos cenários a partir da arte. Não a toa, a faixa é uma das melhores do disco e indicada a <em>Melhor Canção em Língua Portuguesa</em> no <a href="https://personaunesp.com.br/tag/grammy-latino/"><em>Grammy Latino 2020</em></a>.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se tem futuro, também tem passado. Inclusive, misturados. É o que Elza faz no interlúdio </span><i><span style="font-weight: 400;">Menino</span></i><span style="font-weight: 400;">. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Venha cá menino, não faça isso não. Eu sei como é triste, não ter casa não ter pão. Não te leva a nada destruir o seu irmão. Você representa o futuro da nação</span></i><span style="font-weight: 400;">” canta a sabedoria da artista em ritmo de samba suave digno de um <em>aquece</em> da bateria da </span><a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2020/02/23/elza-soares-e-homenageada-no-carnaval-do-rio-e-no-palco-do-fantastico.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Mocidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, que não deixa de ressaltar a importância da juventude para que nosso país tenha rumos melhores e que também nunca esquece suas raízes.</span></p>
<figure id="attachment_16711" aria-describedby="caption-attachment-16711" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-16711 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/elza-sores-live-devassa.jpg" alt="Foto de Elza Soares. A artista está de perfil e muito próxima da câmera, usando um turbante dourado, batom cintilante e um brinco vermelho. Sua expressão é séria e ela olha para a frente." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/elza-sores-live-devassa.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/elza-sores-live-devassa-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/elza-sores-live-devassa-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/elza-sores-live-devassa-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/elza-sores-live-devassa-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16711" class="wp-caption-text">“Tenho 21 anos, fui mãe de 6 filhos, encarei muita fábrica de sabão e cantava no clubinho do bairro por 200 pratas a sessão. Se eu não fosse alegre, o que seria de mim?” diz Elza no encarte de Se Acaso Você Chegasse (1960), seu primeiro disco (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Desigualdade social é um dos principais temas do <em>Planeta Fome</em>, que é abordado enquanto a artista mescla sua tradição do <em>samba </em>com os solos de </span><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">em <em>Brasis</em></span><span style="font-weight: 400;">. A canção é um exemplo perfeito da mudança de estilo muito bem sucedida que Elza vem apresentando nos últimos anos, migrando do samba para misturas de estilos com algo mais experimental. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta que, como toda boa experimentação, nem sempre apresenta um resultado completamente satisfatório, vide </span><i><span style="font-weight: 400;">Blá Blá Blá</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><span style="font-weight: 400;">A faixa mantém a base de </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> como a identidade contemporânea de Elza e não casa com o </span><i><span style="font-weight: 400;">sample </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><i><span style="font-weight: 400;">Me Dê Motivos</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Tim Maia. Alocada num estilo muito diferente do de Elza na canção, a produção de Rafael Ramos não deu conta de amarrar o refrão apaixonado do rei com a canção de revolta da rainha, dueto que adoraríamos ouvir e que não precisaria de muita moda para ser incrível, mas que em meio a tantos elementos é a única mistura do disco que não funciona em sua totalidade.</span></p>
<blockquote><p>Tem um Brasil que é próspero<br />
Outro não muda<br />
Um Brasil que investe<br />
Outro que suga (&#8230;)</p>
<p>Tem o Brasil que cheira<br />
Outro que fede<br />
O Brasil que dá<br />
É igualzinho ao que pede</p>
<div class="ujudUb xpdxpnd" data-mh="86" data-mhc="1">Pede paz e saúde<br />
Trabalho e dinheiro<br />
Pede pelas crianças<br />
Do país inteiro</div>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;"><em>Planeta Fome</em> também é terra de valorização da arte brasileira como um todo. Revisitando o artista que levantou sua voz contra a tirania do governo militar brasileiro entre os anos de 1970 e 1980, Elza empresta sua voz à </span><i><span style="font-weight: 400;">Pequena Memória para um Tempo Sem Memória</span></i><span style="font-weight: 400;">, originalmente cantada por Gonzaguinha em 1972. Em seu lirismo característico, Elza canta pela “</span><i><span style="font-weight: 400;">legião que se entregou por um novo dia</span></i><span style="font-weight: 400;">”, reverenciando na batida do seu </span><i><span style="font-weight: 400;">samba </span></i><span style="font-weight: 400;">todos aqueles que perderam suas vidas lutando pelos seus direitos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais uma canção do artista ganha uma versão de Elza, que canta </span><i><span style="font-weight: 400;">Comportamento Geral </span></i><span style="font-weight: 400;">acompanhada de um </span><i><span style="font-weight: 400;">reggae</span></i><span style="font-weight: 400;"> suave, limpando o paladar do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> experimental enquanto critica a passividade do brasileiro frente às injustiças. Num </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> de arquitetura sonora, é adicionada à faixa doses de música clássica que gradativamente transformam a atmosfera da canção, se iniciando num balanço tranquilo e terminando com um incômodo importante de ser sentido. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Você merece. Você merece. Você merece.”</span></i><span style="font-weight: 400;"> repete Elza seguida de sussurros de seus vocais que permanecem nos versos mesmo quando todo o instrumental se esvai, nos lembrando da responsabilidade que temos com a nossa realidade.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Elza Soares - Comportamento Geral (Videoclipe Oficial)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Ttn6V_r3D9Y?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Criticidade é o que não falta em Elza Soares. Assim, nem tudo do passado do <em>Planeta Fome</em> é exaltação. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Tradição</span></i><span style="font-weight: 400;"> a sabedoria de nossa rainha dá um outro recado: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Desparafuse a construção. Descontinue a tradição. Desaproprie esse galpão. (&#8230;) Se jogue em meio a confusão.</span></i><span style="font-weight: 400;">” Recomendando o que a própria vem fazendo nos últimos anos, ela canta ainda em meio as cordas clássicas num ritmo nostálgico: “</span><i><span style="font-weight: 400;">No colorido da avenida, se jogue nesse turbilhão.</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É claro que ela sabe o que conservar, e relembrando a fé que ela tem em si mesma também sua própria história é que Elza canta </span><i><span style="font-weight: 400;">Virei o Jogo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Reforçando mais uma vez seu compromisso com a luta pelo fim da <a href="https://www.youtube.com/watch?v=y6V8lL8xn7g">violência contra a mulher</a>, ela cria um louvor à resistência num hino dessa vez é quase universal, se opondo a uma série de injustiças e desumanidades com o refrão “</span><i><span style="font-weight: 400;">Não descarrega sua arma em mim, a sua raiva não vai me abater. Você é não, eu sou um milhão de sins. Tenho meu povo pra me proteger.”</span></i></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Elza Soares - Lírio Rosa (Videoclipe Oficial)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/-TZKJHJqjME?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">O quê de <em>MPB</em> que por tanto tempo fez sucesso na arte de Elza aparece no romantismo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Lírio Rosa</span></i><span style="font-weight: 400;">, fazendo com que o <em>Planeta Fome</em> não seja só composto por denúncia e revolta. Em dedilhados de violão aconchegantes, a faixa tem um caráter acústico e minimalista atenciosamente arquitetado que em nada destoa do restante do álbum. Suavizando a força de sua voz, Elza se descobre apaixonada numa canção que engloba o amor muito além do romântico.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessa </span><i><span style="font-weight: 400;">vibe</span></i><span style="font-weight: 400;"> mais suave é que aparece mais visivelmente a esperança que a artista nutre pelo futuro. Tudo o que a rainha deseja para o nosso país é cantado em </span><i><span style="font-weight: 400;">País do Sonho</span></i><span style="font-weight: 400;">. A utopia de Elza é repleta de sua guitarra característica, que aqui cria algo entre o </span><i><span style="font-weight: 400;">samba</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o </span><i><span style="font-weight: 400;">funk</span></i><span style="font-weight: 400;">. À essa mistura, ela ainda manteve a sutileza de seus instrumentos clássicos, mais uma vez, numa mistura única que só poderia surgir de Elza Soares.</span></p>
<figure id="attachment_16713" aria-describedby="caption-attachment-16713" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-16713 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/elza.jpeg" alt="Foto de Elza Soares. A artista está ao centro da imagem, segurando um microfone de olhos fechados e atrás dela existe um fundo preto, usando uma maquiagem roxa nos olhos e batom vermelho." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/elza.jpeg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/elza-300x169.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/elza-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/elza-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/elza-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/elza-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16713" class="wp-caption-text">No Grammy Latino de 2016, Elza Soares levou o prêmio de Melhor Álbum de Música Popular Brasileira com o trabalho majestoso que fez em Mulher do Fim do Mundo (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de memorar de uma maneira muito forte o início de sua carreira, </span><i><span style="font-weight: 400;">Planeta Fome</span></i><span style="font-weight: 400;"> conserva todos os elementos da identidade de Elza, já figurados em sua vasta discografia. Entretanto, dentre todos eles, um se destaca: o que fez a artista se atualizar no cenário da música popular brasileira em 2015, com o icônico, poderoso, inovador e aclamado </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-a-mulher-do-fim-do-mundo-elza-soares/"><i><span style="font-weight: 400;">Mulher do Fim do Mundo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O disco inaugurou uma era mais moderna e experimental da artista, continuada com a ousadia de </span><i><span style="font-weight: 400;">Deus é Mulher</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2018), também indicado ao <em>Grammy Latino.</em></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já não precisamos mais explicar a potência que é Elza Soares. Mesmo depois de décadas e décadas de carreira e com a saúde debilitada a artista consegue se reinventar, atrair novos públicos, permanecer nos ouvidos dos mais velhos e se instaurar no imaginário dos mais jovens. Estar presente na história do Brasil pra sempre, revelando realidades mascaradas, representando e acalentando corações marginalizados e ajudando a imaginar futuros melhores é tudo o que a </span><i><span style="font-weight: 400;">Mulher do Fim do Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;"> quer, e realiza como ninguém. “</span><i><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6SWIwW9mg8s">Me deixem cantar até o fim</a>”</span></i><span style="font-weight: 400;"> ela suplica na faixa-título de <a href="https://jornaldebrasilia.com.br/brasil/a-mulher-do-fim-do-mundo-e-um-dos-melhores-albuns-internacionais-do-ano/#:~:text=O%20%C3%A1lbum%20%E2%80%9CA%20Mulher%20do,os%20destaques%20internacionais%20de%202016.&amp;text=O%20%C3%A1lbum%20produzido%20por%20Guilherme,rock%2C%20jazz%20e%20m%C3%BAsica%20eletr%C3%B4nica.">um dos melhores</a> álbuns de sua carreira e da música brasileira dos últimos anos, lançado há 5 anos. Como se precisasse pedir. Tudo o que nós queremos é ouvir e celebrar a rainha do </span><i><span style="font-weight: 400;">Planeta Fome</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; que pasme: em muito se assemelha ao nosso Brasil &#8211; até depois do fim. </span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Planeta Fome" width="300" height="380" allowtransparency="true" frameborder="0" allow="encrypted-media" src="https://open.spotify.com/embed/album/4uKOU3TjYLjqMEInDdHNmI?si=WlYFv18oQCaO16FbcqHJkw"></iframe></p>
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