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	<title>Arquivos As Hostilidades &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>As Hostilidades: na América que ninguém vê, a opressão dissolve almas</title>
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		<pubDate>Fri, 26 May 2023 16:31:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  Quanto terreno fértil a criminalidade pode encontrar nas partes do mundo ignoradas pela preocupação social? Em temos reais e muito pessoais, As Hostilidades documenta isso em lentes trêmulas. Dirigido por M. Sebastian Molina, o filme mostra as mudanças da cidade de Santa Lúcia, no México, após a violência se tornar protagonista em um &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/as-hostilidades-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "As Hostilidades: na América que ninguém vê, a opressão dissolve almas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30977" aria-describedby="caption-attachment-30977" style="width: 752px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-30977" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-4.jpg" alt="Cena do filme As Hostilidades. Na imagem há um homem de capuz. O homem e o chão em que ele pisa estão escondidos pelo escuro, ao fundo, o céu do entardecer tem cores rosa e laranja com poucas nuvens aparentes." width="752" height="432" /><figcaption id="caption-attachment-30977" class="wp-caption-text">Produção mexicana, As Hostilidades fez parte da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo na categoria Competição Novos Diretores (Foto: Centro De Capacitación Cinematográfica A.C.)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto terreno fértil a criminalidade pode encontrar nas partes do mundo ignoradas pela preocupação social? Em temos reais e muito pessoais, </span><i><span style="font-weight: 400;">As Hostilidades</span></i><span style="font-weight: 400;"> documenta isso em lentes trêmulas. Dirigido por </span><a href="https://mubi.com/pt/films/amok-2022"><span style="font-weight: 400;">M. Sebastian Molina</span></a><span style="font-weight: 400;">, o filme mostra as mudanças da cidade de Santa Lúcia, no México, após a violência se tornar protagonista em um espaço aparentemente vazio, mas cheio de memórias e feridas. </span></p>
<p><span id="more-30976"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os 70 minutos da obra são quase informais, filmados de uma maneira que mescla o relato e a paisagem, a sensação é de invadir o diário secreto de alguém. Assim, o tom intimista quebra o gelo presente no cerne de produções em formato de </span><a href="https://personaunesp.com.br/racionais-mcs-documentario-critica/"><span style="font-weight: 400;">documentário</span></a><span style="font-weight: 400;">, e caminha por um horizonte em que a narrativa é subjetiva. O efeito é enfatizado pela falta de um tripé ou equipamentos técnicos, aqui, as mãos que seguram a câmera – que são do próprio Molina – têm a terra de Santa Lúcia na ponta dos dedos. </span></p>
<figure id="attachment_30978" aria-describedby="caption-attachment-30978" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-30978" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-1-800x450.jpg" alt="Cena do filme As Hostilidades. Na imagem há o tronco de um homem com algumas tatuagens na cor preta. Entre elas está o nome Alícia." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-1.jpg 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30978" class="wp-caption-text">“Trata-se dos lugares do meio, onde nada acontece e tudo é esquecido” (Foto: Centro De Capacitación Cinematográfica A.C.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com cenas tomadas por uma zona de lentidão – que pode ser atribuída à pouca movimentação do lugar – o desenrolar da produção é menos fluido que o ideal, mas, ainda assim, é impossível estabelecer qualquer </span><i><span style="font-weight: 400;">frame</span></i><span style="font-weight: 400;"> como irrelevante. Cada pedaço do chão arenoso guarda uma história melancólica e dolorosa de como a risada das crianças se tornou o silêncio promovido pelo medo, enquanto os jovens adultos, que sonharam com futuros cristalinos, perdem toda a ingenuidade para o </span><a href="https://personaunesp.com.br/narcos-mexico-3a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">narcotráfico</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na voz desses homens sem perspectiva, as transformações ganham forma física por trás da pouca iluminação. Em suas vozes, que perambulam por notas de vergonha e revolta, o lugar pouco relevante para o resto do mundo se afirma em milhares de significados. Aquele “lugar do meio”, como descreve o diretor, foi casa de laços sinceros, desejos esperançosos e sorrisos ingênuos de pessoas que agora convivem com a sensação de não sentir </span><a href="https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2022/09/tentaculos-dos-carteis-mexicanos-se-estendem-na-america-latina-e-atingem-o-brasil.ghtml"><span style="font-weight: 400;">segurança</span></a><span style="font-weight: 400;"> em seus próprios lares. </span></p>
<figure id="attachment_30979" aria-describedby="caption-attachment-30979" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-30979" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-3-800x534.jpg" alt="Cena do filme As Hostilidades. Na imagem há um garoto brincando com palha de aço pegando fogo. O menino gira o brinquedo improvisado fazendo um tipo de fogos. É noite e é possível ver a silhueta de árvores e o céu em um tom de azul quase sem nuvens." width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-3-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-3-1024x684.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-3-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-3.jpg 1068w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30979" class="wp-caption-text">Em 2022, As Hostilidades apareceu na 29ª edição do Festival de Cinema Independente de Barcelona (Foto: Centro De Capacitación Cinematográfica A.C.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é como se fosse exatamente o tipo de filme fácil de vislumbrar, pois as camadas de </span><i><span style="font-weight: 400;">As Hostilidades</span></i><span style="font-weight: 400;"> são tão pessoais que o observador pode não ser capaz de entender a mensagem por completo. Em alguns momentos, as crianças correm envoltas por sons de leveza e diversão, e é um desafio entender se aquilo faz parte dos resquícios de pureza que recobrem a geração mais jovem ou são retratos de uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/amuleto-critica/"><span style="font-weight: 400;">lembrança</span></a><span style="font-weight: 400;"> presa ao passado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, a experiência do telespectador é muitas vezes monótona e misteriosa, mas isso é perdoado pela força do grito de socorro ecoado por </span><a href="https://www.opendemocracy.net/pt/drama-violencia-inseguranca-mexico/"><span style="font-weight: 400;">Santa Lúcia</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao fim, a sensação é de impotência por saber que, assim como essa, muitas outras cidades sofrem com um contexto político que troca a humanidade pelos lucros e finge se esquecer das consequências para os que lidam com os problemas sistêmicos restantes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em vidas resumidas ao impasse da falta de possibilidades, o ato de suportar é tão rotineiro quanto a involuntariedade da respiração. </span><a href="https://www.facebook.com/Sala-Juli%C3%A1n-Carrillo-528896850507344/videos/entrevista-a-sebasti%C3%A1n-molina-director-de-las-hostilidades-cinta-documental-que-/944706122894782/"><i><span style="font-weight: 400;">As Hostilidades</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não é o primeiro nem o último relato de dores inundadas pela invisibilidade, mas sua singularidade retoma o fato de que é colocar tudo em uma só caixinha que normaliza realidades cruéis. Embaixo das cores vibrantes do mundo desenvolvido, o mundo real se colore em um cinza hostil. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
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