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	<title>Arquivos Antonio Campos &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>O Diabo de Cada Dia falha em se destacar da obra original</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Oct 2020 16:30:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Fonseca O Diabo de Cada Dia (The Devil All The Time) é um filme que tenta corresponder à experiência literária da obra original e, com isso, perde a sua essência. Esta adaptação do primeiro romance de Donald Ray Pollock, traduzido como O Mal Nosso de Cada Dia, gerou grandes expectativas no público, e o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-diabo-de-cada-dia-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Diabo de Cada Dia falha em se destacar da obra original"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_15766" aria-describedby="caption-attachment-15766" style="width: 3585px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-15766" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-1.png" alt="" width="3585" height="1788" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-1.png 3585w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-1-300x150.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-1-1024x511.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-1-768x383.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-1-1536x766.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-1-2048x1021.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-1-1200x598.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15766" class="wp-caption-text">Arving Russel (Tom Holland) é o eixo principal deste drama policial (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Fonseca</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Diabo de Cada Dia </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">The Devil All The Time</span></i><span style="font-weight: 400;">) é um filme que tenta corresponder à experiência literária da obra original e, com isso, perde a sua essência. Esta adaptação do primeiro romance de Donald Ray Pollock, traduzido como</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TSPWCV9YO5Q"><i><span style="font-weight: 400;"> O Mal Nosso de Cada Dia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, gerou grandes expectativas no público, e o fez acreditar no investimento de sua produção, que escolheu nomes em alta para compor o elenco.</span></p>
<p><span id="more-15765"></span></p>
<p><em><span style="font-weight: 400;">Estamos falando de Tom Holland, o intérprete mais recente do</span><a href="http://personaunesp.com.br/longe-de-casa-critica/"> <span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha</span></a><span style="font-weight: 400;">, Robert Pattinson, que fará o papel do homem morcego em</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MVLtgZP5ZXA"> <span style="font-weight: 400;">The</span> <span style="font-weight: 400;">Batman</span></a><span style="font-weight: 400;">, e Bill Skarsgard, que deu vida ao horripilante</span><a href="http://personaunesp.com.br/it-capitulo-dois-critica/"> <span style="font-weight: 400;">Pennywise</span><span style="font-weight: 400;">, de </span><span style="font-weight: 400;">It – A Coisa</span></a><span style="font-weight: 400;">, entre outros nomes. A direção e o roteiro ficaram sob os cuidados de Antonio Campos, diretor e roteirista de </span><span style="font-weight: 400;">Depois da Escola </span><span style="font-weight: 400;">(2008) e </span><span style="font-weight: 400;">Simon Killer </span><span style="font-weight: 400;">(2012), além de outros longas e episódios de séries policiais, como</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HFEz4EVZiVc"> <span style="font-weight: 400;">The Sinner</span></a><span style="font-weight: 400;">, que lançou a sua terceira temporada em fevereiro deste ano.</span></em></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história se passa nas cidades de Knockemstiff, em Ohio, e Coal Creek, em West Virginia, podendo ser dividida em três períodos diferentes. Primeiro, acompanhamos a união dos casais Russel, Laferty e Henderson, em 1947. Depois, as tragédias das duas primeiras famílias, que deixam Arving Russel (Tom Holland) e Lenora Laferty (Eliza Scanlen) órfãos, sob os cuidados de Emma Russel (Kristin Griffith), a avó do garoto, entre 1948 e 1957. Por último, em 1965, vemos os dois jovens crescerem como irmãos em Coal Creek, onde vivem uma espécie de reprodução dos males passados, como a violência plantada na essência do rapaz desde a sua infância e a devoção submissa da garota, característica herdada dos pais e que lhes custou a própria vida.</span></p>
<figure id="attachment_15767" aria-describedby="caption-attachment-15767" style="width: 3825px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-15767" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2-2.png" alt="" width="3825" height="1776" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2-2.png 3825w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2-2-300x139.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2-2-1024x475.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2-2-768x357.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2-2-1536x713.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2-2-2048x951.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2-2-1200x557.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15767" class="wp-caption-text">A casa da família Russel, em um trecho isolado de Knockemstiff, Ohio (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O contexto é de extrema importância para as ações. A síntese de duas cidades do interior de Ohio e West Virginia, pós-Segunda Guerra, é o que define o modo de pensar e agir dos personagens em muitos momentos. Cada localidade possui a sua característica, e vemos as figuras existirem dentro de sua limitação cultural: os ideais de fé, masculinidade, condição financeira, entre outras coisas. O espectador é levado a um universo real, com casas de campo, a pequena igreja, os automóveis e o sotaque incorporado pelos atores.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A maneira de contar esta narrativa é o que enfraquece o longa. O encadeamento dos acontecimentos deixa de seguir a lógica cronológica para aproveitar um recurso de estilo literário: a transitoriedade entre diferentes tempos, que parece uma boa escolha a princípio, mas é comprometida por outro recurso, que é a narração. Do começo ao fim de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Diabo de Cada Dia</span></i><span style="font-weight: 400;">, temos uma voz extradiegética que explicita o que os personagens estão pensando e explica algumas cenas. Esta narração é usada em momentos desnecessários, como se a direção não confiasse no espectador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O narrador convém quando a sua função é gerar expectativas. Como no início da história, em que saltamos para a casa dos Russel em Knockemstiff, 1957, depois voltamos à Meade, 1947, quando o casal se conhece em uma lanchonete. Ou na cena em que Emma Russel pressente que coisas ruins podem acontecer ao descumprir sua promessa a Deus, de casar o filho Willard (Bill Skarsgård) com Helen (Mia Wasikowska). Willard já estava apaixonado por Charlotte (Haley Bennett) quando sua mãe o apresentou à outra moça, e é a voz em terceira pessoa que nos avisa sobre o medo da senhora em quebrar o acordo divino.</span></p>
<figure id="attachment_15768" aria-describedby="caption-attachment-15768" style="width: 682px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-15768 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-3-11-682x1024.jpg" alt="" width="682" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-3-11-682x1024.jpg 682w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-3-11-200x300.jpg 200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-3-11-768x1154.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-3-11.jpg 975w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-15768" class="wp-caption-text">Donald Ray Pollock, autor do romance The Devil All The Time, é também o narrador de sua adaptação (Foto: Patricia Franchino)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As expectativas geradas ao desenrolar da história funcionam, já que a sua função é prender a atenção, mas não são as únicas responsáveis por manter o interesse do público. O elenco carrega este grande mérito, ao criar tensão e conflito. Antonio Campos aproveita os planos fechados para captar as emoções que aparecem progressivamente, como se pudéssemos vê-las crescendo nos personagens. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=W29nQNnGgG4"><span style="font-weight: 400;">Tom Holland consegue balancear entre o irmão protetor e o jovem apavorado</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas a quantidade de personagens em destaque tira o seu crédito como protagonista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre os coadjuvantes, Harry Melling é quem surpreende. Sua aparição como Roy Laferty é curta, mas revela tanta convicção, que o faz parecer um alucinado. Uma das passagens mais chocantes é o sermão que ele chama de <em>&#8220;testar a fé”</em>, no qual </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=y14o9dm73uU"><span style="font-weight: 400;">Roy</span> <span style="font-weight: 400;">despeja um pote de aranhas sobre o próprio rosto</span></a><span style="font-weight: 400;"> para provar que Deus é capaz de remover os maiores medos do homem.</span></p>
<figure id="attachment_15769" aria-describedby="caption-attachment-15769" style="width: 3478px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15769" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-4.png" alt="" width="3478" height="1776" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-4.png 3478w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-4-300x153.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-4-1024x523.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-4-768x392.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-4-1536x784.png 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15769" class="wp-caption-text">Melling começou cedo no cinema, sob o papel de Dudley Dursley na franquia Harry Potter (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de seu enredo rico em personagens e a contextualização geográfica e histórica convincente, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Diabo de Cada Dia </span></i><span style="font-weight: 400;">não aproveita a liberdade que tem como adaptação para se tornar uma obra única. Escolher um narrador para explicar a história parece mais um capricho do que um recurso funcional, que limita o potencial da direção. Também não há uma unidade que amarre esta narrativa. Logo no começo, sentimos que uma crítica ao charlatanismo religioso está sendo construída, mas ela fica em segundo plano e tem um papel mais prático do que filosófico.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A transitoriedade entre os diferentes tempos da trama não é bem explorada. Campos não precisava fazer um longa ao estilo de</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pSVrigvxnIQ"> <i><span style="font-weight: 400;">Amnésia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Christopher Nolan, mas deveria se arriscar mais com esta escolha, já que se propõe a construir sua história como um romance literário o faria. A escolha também se torna um enfeite, que não acrescenta valor algum à experiência de quem assiste, além de antecipar alguns acontecimentos. </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/o-diabo-de-cada-dia-critica/">O Diabo de Cada Dia falha em se destacar da obra original</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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