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	<title>Arquivos André Novais Oliveira &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Nada de neve nem pijamas combinando: O Natal dos Silva mostra como o brasileiro realmente celebra o espírito natalino</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Dec 2025 19:31:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Arthur Caires Em todo 24 de dezembro, existe uma coreografia que se repete na maioria dos lares brasileiros: pratos empilhados na mesa; cadeiras puxadas às pressas e pessoas que não se veem há meses comprimidas numa mesma foto anual. É um ritual feito de afeto e atrito, tão nosso quanto a farofa que nunca falta &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/nada-de-neve-nem-pijamas-combinando-em-o-natal-dos-silva-gabriel-martins-mostra-como-o-brasileiro-realmente-celebra-o-espirito-natalino/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Nada de neve nem pijamas combinando: O Natal dos Silva mostra como o brasileiro realmente celebra o espírito natalino"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36528" aria-describedby="caption-attachment-36528" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36528" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-2-800x534.png" alt="Uma mulher negra mais velha, usando um vestido vermelho, segura e exibe um quadro com uma fotografia antiga em preto e branco de duas meninas. Ela sorri enquanto outra mulher ao seu lado olha para a foto. Ao fundo, um homem idoso de camisa polo cinza está sentado, observando a cena. O ambiente é um pátio iluminado por luzes de Natal." width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-2-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-2-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-2.png 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36528" class="wp-caption-text">Bel, o eixo emocional que tenta manter a família unida, segura um retrato que evoca a presença da matriarca ausente (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<p><b>Arthur Caires</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em todo 24 de dezembro, existe uma coreografia que se repete na maioria dos lares brasileiros: pratos empilhados na mesa; cadeiras puxadas às pressas e pessoas que não se veem há meses comprimidas numa mesma foto anual. É um ritual feito de afeto e atrito, tão nosso quanto a farofa que nunca falta ou o parente inconveniente que sempre chega atrasado. Curiosamente, essa experiência coletiva quase nunca encontra espaço no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-bem-no-natal-que-vem-critica/"><span style="font-weight: 400;">audiovisual nacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> – e, quando encontra, raramente tem a cor, o sotaque e a geografia do país que de fato celebra essa data. </span></p>
<p><span id="more-36525"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Natal dos Silva</span></i><span style="font-weight: 400;"> vem para ocupar justamente essa lacuna. Se</span><i><span style="font-weight: 400;"> Marte Um </span></i><span style="font-weight: 400;">(2022) já havia confirmado Gabriel Martins como uma das vozes proeminentes do cinema brasileiro atual, sua nova produção expande esse gesto para a TV – a primeira investida da </span><a href="https://www.filmesdeplastico.com.br/"><span style="font-weight: 400;">Filmes de Plástico</span></a><span style="font-weight: 400;"> no formato. Exibida no Canal Brasil e no Globoplay Premium, a minissérie nasce de um esforço coletivo – Martins assina o primeiro e o último episódios, enquanto Maurílio Martins e André Novais Oliveira conduzem o miolo da história.</span></p>
<figure id="attachment_36529" aria-describedby="caption-attachment-36529" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36529" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-1-800x534.png" alt="Um plano aberto mostrando um grande grupo de cerca de dez adultos reunidos em um quintal ou laje à noite. Alguns estão sentados ao redor de uma mesa redonda com garrafas de cerveja, enquanto outros estão de pé conversando. O local é decorado com varais de luzes coloridas e enfeites natalinos simples." width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-1-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-1-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-1-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-1-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-1-1200x800.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-1.png 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36529" class="wp-caption-text">Com um elenco numeroso onde cada presença é necessária, a produção abraça o caos natalino brasileiro (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Natal dos Silva</span></i><span style="font-weight: 400;">, a morte recente da matriarca dona Zelina paira como um motor que nunca aparece em cena, mas move tudo ao redor – um luto que reverbera nos gestos e nas brigas pequenas demais para serem só brigas. Bel, filha de Zelina e vivida com entrega absoluta por </span><a href="https://oglobo.globo.com/play/noticia/2025/11/25/rejane-faria-a-chica-de-tres-gracas-estrelara-serie-de-natal-do-canal-brasil.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Rejane Faria</span></a><span style="font-weight: 400;">, é o eixo emocional que tenta costurar as pontas soltas da família – ainda que o faça com mãos trêmulas e um humor azedo que nasce mais da dor do que de convicção. Dividida entre a tradição que herdou e a perda que ainda não sabe nomear, ela encarna a figura da mãe brasileira que tenta manter a casa de pé enquanto tudo ao redor ameaça ruir. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se Bel representa o fio tenso da tradição, Lin – interpretada com delicadeza por </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/cinema/atrizes-criam-ponte-entre-teatro-e-cinema-com-filme-sobre-amizade"><span style="font-weight: 400;">Aisha Brunno</span></a><span style="font-weight: 400;"> – chega como a rachadura que faz a estrutura inteira tremer e revelar o que sempre foi mantido em silêncio. Sua presença escancara a naturalização do preconceito como uma perturbação diária, que se manifesta em olhares tortos, comentários ditos ‘no privado’ e uma hospitalidade que nunca é plena. A dinâmica com Luciano (Robert Frank), filho de Bel, mistura afeto, vergonha e tentativa de mediação, enquanto a série se recusa a transformar a transfobia em espetáculo: ela existe, porém não define Lin. </span></p>
<figure id="attachment_36526" aria-describedby="caption-attachment-36526" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36526" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-2-800x480.png" alt="Quatro adultos negros estão de pé em uma área externa à noite, sob luzes pisca-pisca azuis e brancas desfocadas. Uma mulher de vestido vermelho no centro está de braços cruzados e expressão séria, olhando para a esquerda, assim como os dois homens ao seu lado. A tensão é visível em seus rostos." width="800" height="480" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-2-800x480.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-2-1024x615.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-2-768x461.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-2-1536x922.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-2-1200x720.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-2.png 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36526" class="wp-caption-text">Sob a sombra do luto recente pela matriarca Dona Zelina, a dinâmica familiar dos Silva oscila constantemente (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto ao tom narrativo, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Natal dos Silva</span></i><span style="font-weight: 400;"> abraça o caos natalino, oscilando entre humor e drama com a mesma naturalidade com que uma família alterna piadas internas e discussões amargas em questão de minutos. É aí que a série mais acerta e, às vezes, tropeça: o humor, suave e de cantos arredondados, conversando com tensões profundas que nem sempre encontram o melhor equilíbrio. Ainda assim, a direção aposta numa estética do detalhe e constrói cenas em camadas, onde o segundo plano revela tanto quanto o diálogo em destaque. O episódio 2, inteiramente em </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-adolescencia/"><span style="font-weight: 400;">plano-sequência</span></a><span style="font-weight: 400;">, cristaliza essa proposta: a câmera passeia pela casa como se estivesse se esgueirando por uma reunião de família real, ouvindo conversas picotadas e testemunhando afeto e descontrole no mesmo fôlego. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E, se a casa nunca para, é porque a série nunca deixa de ser atravessada por gente – </span><a href="https://personaunesp.com.br/oppenheimer-critica/"><span style="font-weight: 400;">muita gente</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com um elenco que ultrapassa vinte atores, a produção faz com que cada presença pareça necessária. Não há sensação de figuração perdida no fundo; todos estão construindo o mesmo cenário. Esse dinamismo constante reforça a percepção de que estamos diante não apenas de uma minissérie, mas de uma reunião familiar que transborda para fora da tela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção de arte, feita por </span><a href="https://www.instagram.com/p/DRcpMQ3AYTV/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igsh=MzRlODBiNWFlZA=="><span style="font-weight: 400;">Rimenna Procópio</span></a><span style="font-weight: 400;">, de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Natal dos Silva</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um dos primeiros convites para entrar na casa, e talvez o mais caloroso. A abertura, cheia de textura, ritmo e inventividade, já anuncia que este é um Natal brasileiro: a toalha de mesa que já viveu outras festas, o pisca-pisca que insiste em falhar e os enfeites que parecem saídos de uma lembrança infantil. Nada aqui é estetizado como um cartão-postal importado. </span></p>
<figure id="attachment_36527" aria-describedby="caption-attachment-36527" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36527" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-2.png" alt="Uma família negra brasileira, composta por um homem sentado, uma mulher de pé e duas crianças, está reunida ao redor de uma mesa de jantar modesta. Sobre a toalha estampada vermelha, há pratos de comida e uma pequena árvore de Natal decorativa vermelha no centro. A mulher de pé olha para a criança sentada à direita." width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-36527" class="wp-caption-text">A direção de arte da série aposta em uma estética realista, longe dos clichês importados (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como estreia no formato seriado, a produção acerta muito mais do que erra, e seus méritos são visíveis desde os primeiros minutos: há originalidade na forma de filmar o </span><a href="https://personaunesp.com.br/happiest-season-critica/"><span style="font-weight: 400;">Natal</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas, também há limitações – um desequilíbrio ocasional de tom, momentos em que o humor mina a tensão ou em que o drama pesa além do necessário. No entanto, nada disso diminui a força do conjunto. Ao final da ceia – e da série – voltamos à imagem inicial do Natal como união: essa reunião anual em que as diferenças se tornam mais nítidas, porém onde, por alguma razão, insistimos em permanecer. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Natal dos Silva</span></i><span style="font-weight: 400;"> funciona como registro íntimo de uma família ficcional que, por metonímia, ecoa tantas outras famílias brasileiras, especialmente aquelas que enfrentam um país que nem sempre lhes oferece espaço. Filmá-lo hoje é, de certo modo, desafiar o </span><a href="https://personaunesp.com.br/roussil-a-liberdade-da-imaginacao-prova-que-o-cinema-e-uma-das-principais-armas-contra-o-esquecimento/"><span style="font-weight: 400;">apagamento</span></a><span style="font-weight: 400;">: é dizer que essas histórias importam, que esses corpos e esses afetos também merecem estar na tela. E, ao fechar a porta da casa dos Silva, fica a pergunta que carregamos para a próxima ceia: que memórias e sentimentos vão permanecer quando o caos baixar?</span></p>
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<p>&nbsp;</p>
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