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	<title>Arquivos Ana de Armas &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Bailarina (2025) dança bem, mas não escolhe sua própria coreografia</title>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: O texto contém alguns spoilers Marcos Henrique O Cinema de ação hollywoodiano jamais foi o mesmo após a estreia de John Wick &#8211; De Volta ao Jogo (2014). O longa chamou atenção não apenas pelo ícone que o personagem interpretado por Keanu Reeves se tornou, mas também pelo seu esmero técnico, que trouxe novas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-bailarina-do-universo-john-wick/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Bailarina (2025) dança bem, mas não escolhe sua própria coreografia"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso: </i></b><i><span style="font-weight: 400;">O texto contém alguns spoilers</span></i></p>
<figure id="attachment_35353" aria-describedby="caption-attachment-35353" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-35353" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image4-800x450.jpg" alt="Cena do filme BailarinaNa imagem, a personagem Eve Macarro, interpretada por Ana de Armas, está centralizada em um plano médio com enquadramento frontal. Ela se encontra em um corredor iluminado por luzes de néon rosa e roxa, que formam linhas paralelas ao fundo. Há pessoas ao redor, criando um efeito visual que remete a uma festa em uma boate. Eve é uma mulher branca, magra, de cabelos pretos, e está vestindo um casaco com gola de pelos e uma roupa brilhante em tons de vermelho." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image4-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image4.jpg 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35353" class="wp-caption-text">Eve Macarro não é a versão feminina de John Wick (Foto: Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><b>Marcos Henrique</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Cinema de ação </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodiano</span></i><span style="font-weight: 400;"> jamais foi o mesmo após a estreia de </span><a href="https://clubdofilme.com.br/john-wick-franquia-redefiniu-acao/"><i><span style="font-weight: 400;">John Wick &#8211; De Volta ao Jogo</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2014)</span></a><span style="font-weight: 400;">. O longa chamou atenção não apenas pelo ícone que o personagem interpretado por Keanu Reeves se tornou, mas também pelo seu esmero técnico, que trouxe novas formas de filmar ação e dirigir coreografias de lutas hipnotizantes. Mérito de Chad Stahelski e David Leitch, dois ex-dublês que sabiam exatamente o que estavam fazendo ao escolherem dirigir a obra. Assim surgiu o vasto — e rico — universo de </span><i><span style="font-weight: 400;">John Wick</span></i><span style="font-weight: 400;">, que rendeu alguns </span><i><span style="font-weight: 400;">spin-offs</span></i><span style="font-weight: 400;">, como a minissérie </span><i><span style="font-weight: 400;">The Continental</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2023) e o mais recente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bailarina</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2025), o primeiro filme derivado da franquia.</span></p>
<p><span id="more-35349"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a direção de Len Wiseman (</span><a href="https://cinemaemcena.com.br/critica/filme/6801/anjos-da-noite-underworld"><i><span style="font-weight: 400;">Anjos da Noite</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e escrita de Shay Hatten (</span><a href="https://personaunesp.com.br/army-of-the-dead-invasao-em-las-vegas-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Army of the Dead</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), acompanhamos a jornada de vingança de Eve Macarro, interpretada por Ana de Armas. Quando criança, a garota presenciou o violento assassinato de seu pai, organizado por uma seita misteriosa de assassinos habilidosos. Após ser acolhida e treinada por anos pela Ruska Roma — uma organização criminosa que integra a Alta Cúpula —, Eve decide confrontar seu passado e resolver assuntos pendentes. A trama se passa entre </span><i><span style="font-weight: 400;">John Wick 3: Parabellum</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2019) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/john-wick-4-baba-yaga-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">John Wick 4: Baba Yaga</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2023)</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_35350" aria-describedby="caption-attachment-35350" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35350" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-4-800x450.png" alt="Cena do filme BailarinaNa imagem, Eve está em um banheiro de boate. Há manchas de sangue espalhadas na parede ao lado junto ao corpo de um homem morto, sugerindo que ela deixou um rastro de caos. Diante do espelho, ela se encara intensamente, como se buscasse recuperar as forças antes de seguir com a matança. A personagem veste uma regata preta, calça da mesma cor e um coldre, compondo um visual tático." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-4-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-4-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-4-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-4-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-4-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-4.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35350" class="wp-caption-text">O treinamento de Ana de Armas foi intenso, com 4 meses de preparação, incluindo dieta e treinos específicos com armas, dublês e Keanu Reeves (Foto: Paris Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A escolha de Len Wiseman na direção é curiosa. A franquia nunca se destacou pela profundidade de seus personagens ou pela capacidade de inovar o Cinema com grandes histórias. Na verdade, sua força sempre esteve na apreciação da </span><a href="https://rollingstone.com.br/noticia/ranking-de-john-wick-3-cenas-de-acao-mais-epicas-e-sangrentas-da-franquia-lista/"><span style="font-weight: 400;">técnica</span></a><span style="font-weight: 400;">, nas ótimas cenas de ação e na maneira como elas influenciaram o gênero. Ainda assim, o diretor, que nunca se destacou por essas qualidades, consegue manter a excelência dos filmes anteriores e dirigir bons momentos. A interação com o cenário, as sequências sem cortes e a fluidez, tratada como prioridade, são características marcantes da ação em </span><i><span style="font-weight: 400;">Bailarina</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existem rumores de que Chad Stahelski refilmou boa parte da obra devido à péssima recepção do público nas </span><a href="https://estacaonerd.com/bailarina-exibicao-teste-de-derivado-de-john-wick-foi-catastrofica-e-filme-passara-por-refilmagens-confira/"><span style="font-weight: 400;">exibições-teste</span></a><span style="font-weight: 400;"> realizadas em 2024. A </span><i><span style="font-weight: 400;">Lionsgate</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda não se pronunciou sobre o assunto e, talvez, esteja esperando a reação do público após a estreia para então revelar essa curiosidade dos bastidores. Dito isso, não seria surpresa se os boatos forem confirmados. Stahelski deixou bem clara sua marca na franquia ao longo de quatro filmes, e qualquer apreciador de seu trabalho pode reconhecer sua influência neste também.</span></p>
<figure id="attachment_35352" aria-describedby="caption-attachment-35352" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35352" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-1-800x533.jpg" alt="Cena do filme BailarinaNa imagem, Eve Macarro luta intensamente contra um homem loiro em um ambiente industrial em chamas. Os dois disputam com um lança-chamas, ambos em funcionamento, lançando fogo para o alto. Eve veste um casaco escuro e seu rosto está ferido. O fundo está tomado por fogo e sombras, criando uma atmosfera tensa e caótica." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-1-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-1.jpg 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35352" class="wp-caption-text">Ana de Armas revela que chorou após enfrentar o desafio de usar um lança‑chamas pela primeira vez (Foto: Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, se por um lado o longa mantém o ótimo nível técnico na direção da ação, por outro, se desprende do vazio narrativo enraizado desde o primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">John Wick</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao nos apresentar uma </span><a href="https://ageleia.com.br/artigo/bailarina-filme-universo-john-wick-assistir-2025/#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">protagonista</span></a><span style="font-weight: 400;"> muito mais cativante. Eve Macarro, embora compartilhe a jornada vingativa com Wick, age de forma contrária ao personagem. Enquanto ele busca deixar a vida de assassino, ela tenta desesperadamente fazer parte dela, uma pupila em ascensão, buscando a vingança, o pecado, criando uma clara analogia com Eva, que renegou o paraíso ao escolher desobedecer o seu criador. Porém, a expulsão do Jardim do Éden não é punição aqui, longe disso, a negação do divino e a aceitação do perverso é o que a torna atrativa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ana de Armas é perspicaz ao valorizar a intensidade corporal como parte essencial de sua performance. A dedicação da atriz, que </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/entre-telas/4-meses-de-treinamento-e-dieta-maluca-foi-assim-a-preparacao-de-ana-de-armas-para-bailarina-spin-off-de-john-wick-entrevista,4b22eff36afbd8024ed46f71cdc38aa737nbvse9.html#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">treinou severamente</span></a><span style="font-weight: 400;"> por quatro meses, é notável e muito bem aproveitada. Não se faz necessário uma carga dramática, afinal, o longa nunca se propôs a isso. O que realmente importa é a brutalidade, o improviso e o dinamismo da personagem entregue durante as cenas de ação. Além disso, é reaproveitado, de forma positiva, um único conceito de seu antecessor. Se em </span><i><span style="font-weight: 400;">John Wick</span></i><span style="font-weight: 400;"> temos o </span><a href="https://www.bbc.com/culture/article/20221118-baba-yaga-the-greatest-wicked-witch-of-all"><span style="font-weight: 400;">Baba Yaga</span></a><span style="font-weight: 400;">, em Eve conhecemos a </span><a href="https://mythus.fandom.com/wiki/Kikimora"><span style="font-weight: 400;">Kikimora</span></a><span style="font-weight: 400;">, mais uma figura do folclore eslavo, um espírito feminino conhecido por assombrar lares em crise.</span></p>
<figure id="attachment_35351" aria-describedby="caption-attachment-35351" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35351" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-1-800x533.jpg" alt="Cena dos bastidores de BailarinaAo lado esquerdo da imagem, vemos Ana de Armas caracterizada como Eve, segurando uma submetralhadora apoiada em seu ombro direito e apontando-a para frente. À direita, o diretor Len Wiseman observa atentamente a cena, vestindo um gorro e um casaco escuros, como se orientasse ou acompanhasse a ação. Len é um homem branco, com cabelos levemente grisalhos." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-1-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-1-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-1.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35351" class="wp-caption-text">A direção é um deleite visual com lutas extremamente inventivas (Foto: Lionsgate)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma Hollywood ideal, os criadores teriam investido fortemente no desenvolvimento solo da </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2025/06/04/nao-me-sinto-substituindo-ninguem-diz-ana-de-armas-sobre-protagonista-de-bailarina-novo-filme-do-universo-de-john-wick.ghtml"><span style="font-weight: 400;">nova estrela</span></a><span style="font-weight: 400;">, deixando de lado as conexões entre filmes e o endeusamento do antigo protagonista. Mas ainda não chegamos lá, e as decisões comerciais tomadas em </span><i><span style="font-weight: 400;">Bailarina </span></i><span style="font-weight: 400;">acabaram se tornando grandes obstáculos. Desde seu anúncio, a produção já procurava se ancorar no personagem de Keanu Reeves, intenção evidente nos trailers, pôsteres e até no título oficial: </span><i><span style="font-weight: 400;">Bailarina &#8211; Do Universo de John Wick</span></i><span style="font-weight: 400;">. Do ponto de vista mercadológico, a decisão faz sentido e deve gerar o </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/em-cartaz/bailarina-honra-john-wick-com-lancamento-estrondoso-nos-eua/"><span style="font-weight: 400;">efeito comercial</span></a><span style="font-weight: 400;"> esperado. Ainda assim, até que ponto escolhas voltadas ao lucro podem comprometer a liberdade criativa de um projeto? A verdade é que não deveriam. O excesso de John Wick impacta negativamente o crescimento da nova protagonista, criando momentos que, muitas vezes, soam como a voz do estúdio dizendo: “Espere um pouco, este filme também é sobre ele”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Bailarina</span></i><span style="font-weight: 400;">, John Wick não era necessário, sua presença foi fruto do medo dos produtores de apostar no novo, no diferente, e de, a partir disso, visar algo maior do que uma boa bilheteria. Ainda assim, o filme abre portas para </span><a href="https://atarde.com.br/cineinsite/bailarina-2-confirmado-filme-deve-expandir-universo-john-wick-com-novos-inimigos-1330099"><span style="font-weight: 400;">novas histórias</span></a><span style="font-weight: 400;"> com Eve Macarro e, mais uma vez, para um possível crossover entre Ana de Armas e Keanu Reeves. Fato é que este não era o momento para isso e, por consequência, a oportunidade de enriquecer os personagens deste universo, acaba se limitando ao apego ao original e à falta de confiança em trazer novos ares para a franquia.</span></p>
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		<title>O visual deslumbrante e vazio não salva Blonde do sadismo de Andrew Dominik</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Mar 2023 18:33:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Alerta de gatilho: abuso, violência doméstica, estupro, aborto, suicídio.  Giovanna Freisinger Blonde, produção que reimagina a história de Marilyn Monroe, proporcionou a Ana de Armas sua primeira indicação ao Oscar. Concorrendo pelo título de Melhor Atriz por sua interpretação da personagem, ela desponta como forte candidata ao prêmio. Apesar da citação não vir como uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/blonde-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O visual deslumbrante e vazio não salva Blonde do sadismo de Andrew Dominik"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em><span style="font-weight: 400;">Alerta de gatilho: abuso, violência doméstica, estupro, aborto, suicídio. </span></em></p>
<figure id="attachment_30096" aria-describedby="caption-attachment-30096" style="width: 967px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30096" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-1.jpg" alt="Cena do filme Blonde. A imagem mostra as costas da personagem Marilyn Monroe com a parte de baixo de seu vestido levantada, em uma interpretação de sua icônica cena no filme O Pecado Mora ao Lado. Imagem em preto e branco. " width="967" height="544" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-1.jpg 967w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30096" class="wp-caption-text">Em Blonde, a primeira cena sugere qual será a abordagem de Marilyn Monroe, que o levou ao Oscar (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Giovanna Freisinger</b></p>
<p><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/blonde-ana-de-armas-trailer-netflix-marilyn"><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, produção que reimagina a história de Marilyn Monroe, proporcionou a Ana de Armas sua primeira indicação ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Concorrendo pelo título de Melhor Atriz por sua interpretação da personagem, ela desponta como forte candidata ao prêmio. Apesar da citação não vir como uma surpresa, após indicações em outras premiações importantes, como o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/globo-de-ouro/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/indicados-sag-awards-2023-lista-completa"><i><span style="font-weight: 400;">SAG Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e o </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/bafta-2023-indicados"><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, as respostas do público à essa nomeação foram divididas. Isso não em relação ao merecimento da atriz por sua performance, mas à inclusão do filme na premiação em primeiro lugar, cedendo visibilidade e prestígio à obra, que, para muitos, faria melhor ao mundo sendo esquecida.</span></p>
<p><span id="more-30092"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">60 anos após sua morte, o nome e a imagem de Marilyn Monroe ainda são distorcidos a fim de se encaixarem na fantasia de terceiros. Há uma noção sobre a qual essas pessoas se apoiam, de que elas têm esse direito, como se, por ter sido uma figura muito pública, a identidade de Marilyn estivesse disponível para quem quiser projetar seus desejos e crenças sobre ela. </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/andrew-dominik"><span style="font-weight: 400;">Andrew Dominik</span></a><span style="font-weight: 400;">, diretor e roteirista de </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;">, se provou uma dessas pessoas, demonstrando que, mesmo após pesquisar extensivamente sobre a vida da atriz, não nutre respeito algum pela sua história e identidade, ao fazer um filme de péssimo gosto, emprestando sua relevância cultural.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Blonde </span></i><span style="font-weight: 400;">não é mais um filme biográfico. É uma história de ficção, baseada no </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/sem-categoria/blonde-conheca-os-livros-que-inspiraram-o-filme-sobre-marilyn-monroe.phtml"><span style="font-weight: 400;">livro de mesmo nome</span></a><span style="font-weight: 400;">, escrito por </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/05/joyce-carol-oates-triunfa-ao-narrar-destruicao-de-lacos-familiares.shtml"><span style="font-weight: 400;">Joyce Carol Oates</span></a><span style="font-weight: 400;"> e publicado em 2000. A história aproveita aspectos da vida real de Monroe e a visão do público sobre ela para discutir questões psicológicas e sociais mais abrangentes. Sob esse pretexto, Dominik direciona a narrativa para servir suas intenções questionáveis. A familiarização prévia da audiência com a personagem o permite explorar apenas os aspectos mais sombrios da biografia (como uma compilação de seus piores momentos), sem oferecer contexto ou contraste com as demais partes da vida dela. O livro original tem 738 páginas, das quais muitos aspectos, reais e fictícios, foram descartados na seleção do autor do que achava relevante contar em sua obra.</span></p>
<figure id="attachment_30097" aria-describedby="caption-attachment-30097" style="width: 967px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30097" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-2.jpg" alt="Cena do filme Blonde. Marilyn de costas, do tronco para cima, olhando para trás por cima do ombro e sorrindo. Em seu vestido branco para O Pecado Mora ao Lado. Foto em preto e branco" width="967" height="725" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-2.jpg 967w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-2-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-2-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30097" class="wp-caption-text">Ana de Armas entrega a performance de sua carreira a uma personagem dramática, mas sem dimensões (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O problema de </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;"> não está na ficção, mas em nenhum dos trechos inventados servir para elevar a personagem ou a narrativa além de uma representação extremamente redutora de uma mulher icônica. As cenas são resumidas à sexualização e à </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cwaCDRwHp8k"><span style="font-weight: 400;">tortura</span></a><span style="font-weight: 400;"> da protagonista, muitas vezes com essas se sobrepondo, deixando a audiência desconfortável durante toda a duração do filme, sem entregar compensação nenhuma alheia ao valor de choque. Durante todo o longa, o esforço aplicado transparece para que o espectador sinta algo. Esforço esse que não encontra resultados satisfatórios perante à abordagem rasa tomada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com menos de 20 minutos, temos a primeira cena de abuso sexual. Ao realizar um teste de elenco, Monroe é estuprada por Sr. Z (</span><span style="font-weight: 400;">David Warshofsky)</span><span style="font-weight: 400;">,</span><span style="font-weight: 400;"> personagem que faz referência implícita a </span><a href="https://deadline.com/2017/10/will-academy-weinstein-meeting-be-haunted-by-zanuck-ghost-1202188246/"><span style="font-weight: 400;">Darryl F. Zanuck</span></a><span style="font-weight: 400;">, então chefe da </span><i><span style="font-weight: 400;">Fox</span></i><span style="font-weight: 400;">, emissora em que conseguiu seu primeiro emprego. </span><span style="font-weight: 400;">Zanuck é, hoje, conhecidamente um agressor sexual, que violou muitas atrizes que trabalhavam para sua companhia. No entanto, não há qualquer registro de que esse tenha sido o caso de Marilyn &#8211; nem com ele, nem com qualquer outro produtor. O que há, na verdade, são diversos registros da atriz prestando um papel essencial na luta contra o </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/famosos/2018/08/marilyn-monroe-lutou-contra-o-teste-do-sofa-em-hollywood"><span style="font-weight: 400;">teste do sofá</span></a><span style="font-weight: 400;">, prática, infelizmente, típica para a década de 50.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir daí, a narrativa se modela com base nos relacionamentos da protagonista. O </span><a href="https://epipoca.com.br/blonde-chaplin-jr-e-eddy-tiveram-mesmo-um-caso-com-marilyn-monroe/"><span style="font-weight: 400;">trisal</span></a><span style="font-weight: 400;"> formado com Charlie Chaplin Jr. (Xavier Samuel) e Edward G. Robinson Jr. (Evan Williams), apesar de completamente fictício, parece apresentar um escape para a personagem, como uma forma de atribuir mais controle a ela sobre o que quer. A relação é apresentada a partir da ideia de que eles são os únicos que a veem por quem ela é, a Norma Jeane por trás do mito da Marilyn Monroe e, em retorno, ela os vê apesar do estigma de seus pais famosos. Essa talvez seja a concepção mais interessante do roteiro, mas promete algo que não entrega. O breve tempo do relacionamento na tela não é expandido para muito além das </span><a href="https://www.metroworldnews.com.br/entretenimento/2022/09/15/cenas-de-sexo-explicito-em-blonde-deixam-ate-a-critica-em-choque/"><span style="font-weight: 400;">cenas de sexo</span></a><span style="font-weight: 400;">, privando a audiência dessas facetas além da fama.</span></p>
<figure id="attachment_30098" aria-describedby="caption-attachment-30098" style="width: 967px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30098" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8.jpg" alt="Cena do filme Blonde. Da esquerda para a direita: Edward G. Robinson Jr, Marilyn Monroe e Charlie Chaplin Jr. Edward segura o rosto de Marilyn a sua frente enquanto eles se olham e Charlie está por trás dela seu rosto encostado no cabelo dela" width="967" height="725" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8.jpg 967w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30098" class="wp-caption-text">Dominik mostra, de maneira vergonhosa, o quão preso está ao corpo de Marilyn, capaz de ignorar por completo sua mente, mesmo declarando ser esse o foco de sua produção (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A violência doméstica mostrada em seu casamento com o jogador de beisebol </span><a href="https://www.mercurynews.com/2022/09/30/joe-dimaggio-is-lovestruck-controlling-and-abusive-in-new-marilyn-monroe-biopic/"><span style="font-weight: 400;">Joe DiMaggio</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Bobby Cannavale) realmente corresponde aos acontecimentos da vida real, mas, ainda assim, é impossível ignorar a fetichização da mulher fragilizada nessas cenas, o que torna essa abordagem do tema difícil de engolir. Mais adiante, sua famosa relação com o então presidente John F. Kennedy (Caspar Phillipson) é abordada brevemente, representada de forma fria e violenta, enquanto, fora da ficção, não há qualquer relato de o </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/o-que-e-verdade-sobre-o-relacionamento-entre-marilyn-monroe-e-john-f-kennedy.phtml"><span style="font-weight: 400;">contato</span></a><span style="font-weight: 400;"> tenha sido abusivo ou não consensual, e esse nem é um rumor comum, o que faz a interpretação parecer, mais uma vez, as mãos de Dominik sobre ela. Ver o filme culpá-la por seu destino e retirar suas escolhas, ao mesmo tempo, é no mínimo estranho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da violência de seus relacionamentos e os contrapontos da fama, uma das principais questões que permeiam </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a maternidade e, como se pode imaginar, a abordagem soa terrível vindo do roteiro de um homem. A personagem passa por três abortos, todos acompanhados de sequências aterrorizantes. Os dois não espontâneos foram forçados a ela por terceiros, a colocando perante a violação das suas vontades e do seu corpo. O espontâneo é antecipado por uma simulação do feto em CGI, com um diálogo telepático bizarro que a coloca em uma espiral de culpa, diante de uma propaganda, não tão bem velada, </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2022/10/blonde-contributes-to-anti-abortion-propaganda-says-planned-parenthood"><span style="font-weight: 400;">anti-aborto</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30095" aria-describedby="caption-attachment-30095" style="width: 1438px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30095" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10.jpg" alt="Cena do filme Blonde. Representação virtual de um feto dentro da barriga. Tronco, mãos e rosto do feto no plano." width="1438" height="1079" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10.jpg 1438w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30095" class="wp-caption-text">Durante sua vida, Marilyn sofreu pelo menos dois abortos espontaneos e uma gravidez ectópica, possivelmente por conta de sua batalha contra a endometriose; não há qualquer registro de aborto voluntário (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A frequência e a intensidade das cenas com o teor apelativo e violento tornam o filme, supostamente sobre os danos experienciados por um </span><a href="https://firstcuriosity.com/news/how-did-marilyn-monroe-become-the-ultimate-sex-symbol-did-she-like-the-title/#:~:text=She%20was%20an%20American%20actress,of%20the%20era's%20sexual%20revolution."><i><span style="font-weight: 400;">sex symbol</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em Hollywood e a psique humana, no condescendente rebaixamento de uma mulher notória, sob uma visão moralista de que sua queda é decorrência de sua promiscuidade, que arruina sua vida e seus relacionamentos. Somos, enquanto audiência, convidados a assisti-la sofrer e a alimentar essa fantasia de punição. Para um projeto que conversa com o modo como a indústria tratou a protagonista, falta autoconsciência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante dessas circunstâncias, perdemos qualquer aspecto de quem foi Marilyn Monroe além de seu rosto, seu corpo e seus traumas. Ela foi a mulher mais importante de Hollywood da sua época, </span><a href="https://www.opovo.com.br/vidaearte/2022/09/24/entenda-como-marilyn-monroe-se-tornou-um-icone-da-cultura.html"><span style="font-weight: 400;">senão de todos os tempos</span></a><span style="font-weight: 400;">, e não graças a seu rosto bonito (como sempre existiram milhares), mas ao seu talento transcendente, que captava o público.</span> <span style="font-weight: 400;">Marilyn sempre soube o que estava fazendo diante das câmeras. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, é tão </span><span style="font-weight: 400;">desconcertante acompanhar</span><span style="font-weight: 400;"> um filme que empresta sua imagem, se baseia em sua história e despreza o que a levou ao sucesso. Talvez, </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;">, como um todo, fique menos confuso diante do que o autor tem a dizer. </span><a href="https://www.estadao.com.br/emais/tv/diretor-de-blonde-e-criticado-por-fala-machista-sobre-classico-estrelado-por-marilyn-monroe/"><span style="font-weight: 400;">Em entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> à jornalista Christina Newland, para a revista do Instituto de Cinema Britânico, Dominik afirma que Monroe se tornou um ícone cultural estrelando em vários filmes que “</span><i><span style="font-weight: 400;">ninguém realmente assiste</span></i><span style="font-weight: 400;">” e se referiu a </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Homens Preferem as Loiras</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; obra estimada quase que de forma unânime entre críticos de Cinema, como uma das melhores comédias já feitas &#8211; como um filme sobre “</span><i><span style="font-weight: 400;">vadias bem vestidas</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<figure id="attachment_30094" aria-describedby="caption-attachment-30094" style="width: 967px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30094" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-4.jpg" alt="Cena do filme Blonde. A imagem mostra uma sala de cinema, escura, com a tela em posição central e para frente e a plateia de costas. A plateia está lotada. Na tela, Marilyn a frente de um fundo vermelho, com um vestido rosa, luvas rosas, uma pulseira, um colar e um brinco de diamantes e batom vermelho" width="967" height="725" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-4.jpg 967w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-4-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-4-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30094" class="wp-caption-text">Lançado em 1953, Os Homens Preferem as Loiras foi bem-recebido pela crítica e pelo público, se tornando um dos filmes com maior bilheteria do ano (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Grande parte do apelo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;">, junto à atuação incontestável da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LPp-Oo2t_Wo"><span style="font-weight: 400;">Ana de Armas</span></a><span style="font-weight: 400;"> na pele da protagonista, é seu visual, com imagens lindas e escolhas estilísticas ousadas de direção de câmera, responsabilidade do diretor de fotografia Chayse Irvin, e arte, graças ao diretor de arte Peter Andrus, junto a toda a equipe de efeitos visuais. Porém, não há nada para sustentá-las. Além dos jogos de câmera, luz e efeitos especiais, pode-se reparar que a proporção de tela não é estável e as cenas alternam entre coloridas e preto e branco. Quando questionado por Newland sobre o propósito dessas escolhas, o diretor explicou que não há razão para a narrativa, o que ele queria era apenas reproduzir fotografias famosas. Assim, seguiu seus formatos, como uma forma de conhecer a vida da personagem, visualmente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, houve um empenho para adequar Ana de Armas ao papel, desde as </span><a href="https://twitter.com/netflix/status/1575878135064641541?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1575878135064641541%7Ctwgr%5E71a8f7f47f8046db67b076918358ff66c813e805%7Ctwcon%5Es1_&amp;ref_url=https%3A%2F%2Fportalpopline.com.br%2Fblonde-video-transformacao-ana-de-armas-marilyn-monroe%2F"><span style="font-weight: 400;">mudanças físicas</span></a><span style="font-weight: 400;">, com o cabelo e a maquiagem, nos departamento comandados por </span><span style="font-weight: 400;">Jaime Leigh McIntosh</span><span style="font-weight: 400;"> e </span><span style="font-weight: 400;">Tina Roesler Kerwin,</span><span style="font-weight: 400;"> até o treinamento de sua </span><a href="https://www.metropoles.com/colunas/claudia-meireles/veja-os-segredos-para-transformar-ana-de-armas-em-marilyn-monroe"><span style="font-weight: 400;">voz, sotaque e maneirismos</span></a><span style="font-weight: 400;">. O esforço de </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde </span></i><span style="font-weight: 400;">para se assemelhar à realidade não é incomum em histórias biográficas &#8211; mas, novamente, não se trata de uma história biográfica. </span><span style="font-weight: 400;">Se dedicar a alcançar a memória coletiva, para então alterá-la, pintando sobre ela tragédias e misturando os </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/e-tudo-historia/blonde-o-que-e-fato-e-o-que-e-ficcao-no-filme-sobre-marilyn-monroe/"><span style="font-weight: 400;">limites entre verdade e ficção</span></a><span style="font-weight: 400;">, não parece a forma mais ética de abordar uma história baseada em uma vida real, mesmo que dentro de sua liberdade criativa.</span></p>
<figure id="attachment_30099" aria-describedby="caption-attachment-30099" style="width: 728px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30099" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-5.webp" alt="À direita: cena do filme Blonde. À esquerda: fotografia real da Marilyn Monroe. Comparação lado a lado entre a releitura e a foto. Em ambas, uma mulher de cabelo curto, óculos e blusa listrada, por trás de Marilyn, ajusta a roupa da atriz. Um macacão branco curto, sem mangas e colado ao corpo. Marilyn se inclina para frente, com as mãos na cintura e olhando para o lado. Foto em preto e branco" width="728" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-30099" class="wp-caption-text">Dominik explica que a ideia visual do filme é referenciar a memória coletiva, como um “déjà vu estranho”, mas com outro sentido às imagens (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>O descaso com a representação de problemas psicológicos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Andrew Dominik, </span><a href="https://www.bfi.org.uk/sight-and-sound/interviews/im-not-interested-reality-im-interested-images-andrew-dominik-blonde"><span style="font-weight: 400;">em sua entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> com Newland, contou que, inicialmente, queria contar uma história sobre como os dramas da infância moldam a percepção de um adulto sobre o mundo e que viu em </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde </span></i><span style="font-weight: 400;">essa história. Porém, ele peca no desempenho dessa ideia ao centralizar toda a narrativa nos traumas vividos pela personagem. Isso resulta em um roteiro ineficiente, já que, sem a contemplação dos contrastes e nuances, o trauma e os conflitos apresentados ficam, além de rasos, irrealistas, como uma experiência que só poderia ter sido fabricada para propósitos dramáticos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir dessa representação, o diretor cria também uma relação desonesta de dicotomia, sob a qual uma pessoa levada ao </span><a href="https://igormiranda.com.br/2022/08/marilyn-monroe-morte-ultimos-dias/"><span style="font-weight: 400;">suícidio</span></a><span style="font-weight: 400;"> não poderia ser nada além de trágica. Com isso, ele reduz a humanidade da personagem a seus problemas e a mantém refém do papel de vítima em seu roteiro, tomando dela o controle sobre sua vida. </span></p>
<figure id="attachment_30093" aria-describedby="caption-attachment-30093" style="width: 1436px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30093" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8.png" alt="Cena do filme Blonde. Marilyn, já sem vida, deitada em sua cama, sem roupa, enrolada no lençol branco e com um travesseiro sobre seu braço direito. De seu lado esquerdo, um telefone desconectado, debaixo da sua mão" width="1436" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8.png 1436w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-800x602.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-1024x770.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-768x578.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-1200x903.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30093" class="wp-caption-text">O pai é a última visão de Marilyn antes de morrer, atribuindo sua morte ao que a obra atribuiu à sua vida: um homem, ou a falta de um (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na conversa com Newland, ele também defende sua abordagem redutora com afirmações como “</span><i><span style="font-weight: 400;">qualquer pessoa que se mata não é uma figura de empoderamento feminino</span></i><span style="font-weight: 400;">”, demonstrando as limitações de seu ponto de vista. Marilyn foi uma </span><a href="https://www.smh.com.au/entertainment/movies/marilyn-monroe-the-unlikely-feminist-20180628-p4zo89.html"><span style="font-weight: 400;">figura de empoderamento feminino</span></a><span style="font-weight: 400;">, ao mesmo tempo que foi uma história de alerta às mulheres sobre os efeitos de uma sociedade patriarcal. Ela foi e ainda é ambos, justamente porque não era um arquétipo de personagem, mas uma pessoa real.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para um artista que se propõe desde o princípio a produzir uma obra sobre questões psicológicas, suas origens e seus efeitos na vida adulta, a representação de Dominik é fraca e caricata, ao reduzir pessoas deprimidas a indivíduos unidimensionais. A menção do longa entre os reconhecidos pelo </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2023</span></a><span style="font-weight: 400;"> é, realmente, impressionante quando além de ser insincero, é extremamente entediante assistir uma personagem rasa como Marilyn é em </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>007 &#8211; Sem Tempo Para Morrer entrega uma missão impossível para próximo James Bond</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Mar 2022 13:26:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Sem tempo para morrer, e com menos tempo ainda para estrear. Inicialmente planejado para vir ao mundo no longínquo último ano normal da terra, 2019, pelas mãos de Danny Boyle (Trainspotting, Quem Quer Ser um Milionário?), o último capítulo da era Craig sofreu de inúmeros adiamentos. Primeiro, Boyle abandonou o projeto por diferenças &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/007-sem-tempo-para-morrer-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "007 &#8211; Sem Tempo Para Morrer entrega uma missão impossível para próximo James Bond"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26805" aria-describedby="caption-attachment-26805" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26805" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-1.jpg" alt="Cena do filme 007 - Sem Tempo para Morrer. Nela, James Bond, personagem de Daniel Craig, aparece em um baile de gala. Centralizado na imagem e aparecendo do tronco para cima, Bond, um homem loiro, olhos claros e meia idade, veste um smoking preto, uma camisa branca e uma gravata borboleta preta. Atrás de Bond, seis pessoas o rodeiam, quatro homens e duas mulheres, todos também vestidos para um evento de gala. Na cena, um holofote está voltado para Bond, onde seu lado direito está iluminado e o lado esquerdo não, de forma a criar um contraste." width="1400" height="700" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-1.jpg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-1-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-1-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-1-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-1-1200x600.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26805" class="wp-caption-text">Com quase 60 anos de franquia e depois de 25 filmes, o Bond de Craig é o único que tem uma despedida oficial, com direito a cerimônia de despedida graças as suas indicações ao Oscar 2022 (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><strong>Guilherme Veiga</strong></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Sem tempo para morrer</span></i><span style="font-weight: 400;">, e com menos tempo ainda para estrear. Inicialmente planejado para vir ao mundo no longínquo último ano normal da terra, 2019, pelas mãos de Danny Boyle (</span><i><span style="font-weight: 400;">Trainspotting</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/critica-quem-quer-ser-um-milionario"><i><span style="font-weight: 400;">Quem Quer Ser um Milionário?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), o último capítulo da era Craig sofreu de inúmeros adiamentos. Primeiro, Boyle abandonou o projeto por diferenças criativas e Cary Joji Fukunaga (</span><i><span style="font-weight: 400;">Beasts of No Nation</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <a href="https://cinepop.com.br/critica-true-detectives-1-crime-e-misticismo-na-policia-de-louisiana-214998/"><i><span style="font-weight: 400;">True Detective</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) assumiu o longa, fazendo com que ele fosse jogado para 2020, e azaradamente fosse o primeiro a puxar a fila de adiamentos por conta da pandemia de covid-19. Isso fez com que o filme só conhecesse as salas de cinema em setembro de 2021, 6 anos depois do capítulo anterior, maior intervalo de tempo entre filmes do agente desde </span><i><span style="font-weight: 400;">007 contra GoldenEye</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-26804"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Naturalmente em Hollywood, muitos adiamentos são um sinal de mal presságio, um exemplo recente é o terror (literalmente) que a </span><i><span style="font-weight: 400;">Fox </span></i><span style="font-weight: 400;">—</span><span style="font-weight: 400;"> em seu último projeto pré-venda </span><span style="font-weight: 400;">—</span><span style="font-weight: 400;"> fez com </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-novos-mutantes-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os Novos Mutantes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Sem Tempo Para Morrer </span></i><span style="font-weight: 400;">felizmente não sofre dessa maldição, e isso se dá pela própria natureza da franquia Bond ao longo das décadas. Sinônimo de realeza, os filmes são recheados de pragmatismo e distinção, sem pressas ou sem correr riscos, assim como a corte britânica. E isso, com perdão do trocadilho, garantiu um comportamento espectral entre as obras, e nos longas de Daniel Craig isso fica bem mais nítido, onde os altos e baixos são visíveis e intercalados. E seguindo a ordem natural dessa curva, após o excelente </span><i><span style="font-weight: 400;">007 &#8211; Operação Skyfall </span></i><span style="font-weight: 400;">e o nem tão excelente </span><i><span style="font-weight: 400;">007 &#8211; Contra Spectre</span></i><span style="font-weight: 400;">, nada mais justo que se despedir de Daniel Craig em alta.</span></p>
<figure id="attachment_26806" aria-describedby="caption-attachment-26806" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26806" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-2.jpg" alt="Cena de 007 - Sem Tempo para Morrer. Nela, James Bond aparece dirigindo seu clássico Aston Martin. A imagem é como se a câmera estivesse dentro do carro e filma Bond do tronco para cima. Ele veste um terno bege e uma camisa azul. Seu rosto está coberto de poeira e com alguns machucados e o carro está com alguns sinais de bala que provocaram trincas no vidro. Ele faz um movimento de quem estaria realizando um drift com o carro." width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-2-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-2-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-2-768x403.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26806" class="wp-caption-text">O filme é o mais caro da franquia, custando US$ 250 milhões de dólares (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se provando a Meryl Streep da categoria </span><span style="font-weight: 400;">— </span><span style="font-weight: 400;">além das já esperadas indicações ao</span><i><span style="font-weight: 400;"> BAFTA</span></i> <span style="font-weight: 400;">— </span><i><span style="font-weight: 400;">Sem Tempo Para Morrer</span></i><span style="font-weight: 400;"> conseguiu sua cadeira cativa no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">mais uma vez com a indicação em Melhor Canção Original por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7hSzcYndaYw"><i><span style="font-weight: 400;">No Time to Die</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">performada por outra queridinha das premiações, Billie Eilish (e composta, como sempre, em parceria com o irmão Finneas O’Connell).</span> <span style="font-weight: 400;">A faixa talvez seja uma das melhores dessa safra, perdendo somente para </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_4gdhsVKTcs"><i><span style="font-weight: 400;">Skyfall</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> na voz de Adele, e, se seguir o mesmo caminho dos títulos anteriores, certamente levará o careca dourado para casa. O longa também foi indicado na categoria Melhor Som e na de Melhores Efeitos Visuais, na qual o páreo é um pouco mais duro, e, se a tão pedida </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/cultura/2020/02/16/interna_cultura,1121920/apos-vitoria-de-pitt-dubles-pressionam-para-ter-categoria-no-oscar.shtml"><span style="font-weight: 400;">categoria de dublês</span></a><span style="font-weight: 400;"> saísse do papel, certamente seria o franco favorito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os 163 minutos de duração podem assustar no começo, porém, o longa entrega uma típica aventura episódica de James Bond e as mais de 2 horas e quarenta passam despercebidas em um filme que te prende do começo ao fim com sequências impecáveis de ação. A obra é uma ode ao legado tanto de Bond quanto de Craig, lotado de piadas internas para fãs e referências, como por exemplo, Bond se aposentar e ir para a </span><a href="https://glamurama.uol.com.br/instagram/desbrave-a-jamaica-pelo-olhar-de-ian-fleming-autor-da-serie-james-bond/"><span style="font-weight: 400;">Jamaica</span></a><span style="font-weight: 400;">, local onde Ian Fleming escreveu os primeiros contos do agente. Porém, filmes de longa duração naturalmente evocam a reclamação de que se poderia tirar “uns 30 minutos” sem comprometer a obra, e nesse caso, tal protesto é válido. Fica nítido as barrigadas que o roteiro dá para preencher a obra e adiar a despedida.</span></p>
<figure id="attachment_26807" aria-describedby="caption-attachment-26807" style="width: 1248px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26807" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-3.jpg" alt="Cena de 007 - Sem Tempo para Morrer. Nela o personagem Lyutsifer Safin, interpretado por Rami Malek, aparece centralizado. Safin usa um casaco marfim onde a touca é coberta com pelos. Em seu ombro direito, aparece uma alça preta que está segurando sua arma, que não aparece em questão. Ele usa uma máscara branca com uma estética semelhante às máscaras japonesas. Ela está ensanguentada e quebrada, de forma que sua boca e o lado esquerdo apareçam, evidenciando sua cicatriz por todo o rosto. Ele está em um cenário com neve e com uma casa ao fundo, de janelas e portas transparentes e fachada provavelmente em madeira e na cor amarela." width="1248" height="520" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-3.jpg 1248w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-3-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-3-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-3-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-3-1200x500.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26807" class="wp-caption-text">O vilão Safin e sua icônica máscara tem uma introdução à lá Bastardos Inglórios (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Aliás, a despedida e a quase certa renovação da franquia se mostram necessárias aqui, pois é onde o desgaste da marca em seu processo de produção começa a ficar mais evidente. Os roteiristas, à frente das histórias desde 1999, mostram que não têm o mesmo tato para conduzir a narrativa, razão pela qual Phoebe Waller-Bridge (</span><a href="https://personaunesp.com.br/fleabag-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) foi escalada, pelo próprio Craig, para revisar o texto. Sem conseguir arrumar a bagunça que eles mesmos fizeram em </span><i><span style="font-weight: 400;">Spectre</span></i><span style="font-weight: 400;">, a escrita se perde ao explicar a organização e suas consequências nesse filme, uma prova é o descaso que o texto tem com Blofeld (Christopher Waltz), praticamente jogando o personagem no lixo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro exemplo é o vilão principal Safin, vendido como um dos mais inteligentes do universo Bond, e até tem uma construção interessante com a cena inicial de tirar o fôlego, mas no fim, é só um lunático que parece ser fã do </span><a href="https://www.jamesbondbrasil.com/2020/10/curiosidades-sobre-dr-no/"><span style="font-weight: 400;">Dr. No</span></a><span style="font-weight: 400;">, ficando muito abaixo do excelente Silva de Javier Bardem em </span><i><span style="font-weight: 400;">Skyfall</span></i><span style="font-weight: 400;"> e até mesmo de Blofeld, que também tinha sido maltratado pelo roteiro. A única coisa boa que esse vilão traz é a prova de que a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fSDDCvQ3e-8"><span style="font-weight: 400;">estatueta</span></a><span style="font-weight: 400;"> para Rami Malek (</span><i><span style="font-weight: 400;">Mr. Robot</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/bohemian-rhapsody-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bohemian Rhapsody</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) em 2019 foi um dos maiores devaneios recentes da Academia. Aqui, entre suas forçadas de sotaque, ele constrói um antagonista extremamente caricato que não combina com esse Bond. Mais uma que deixa a desejar é a Madeleine Swann de Léa Seydoux, que desenvolve uma performance muito sem sal. Para efeito de comparação, em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Crônica Francesa</span></i><span style="font-weight: 400;">, lançado no mesmo ano, ela se entrega muito mais, mesmo tendo menos espaço e fala, porém apoiada pela força do texto e da direção. Curiosamente, os dois piores personagens são os que mais o roteiro explora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, a escrita tem seus méritos e eles precisam ser lembrados. Alguns personagens são bem inseridos e funcionam bem na história, começando pelo próprio Bond. Aqui, o texto enfoca o lado humano do agente e o constrói através de bastante sentimentalismo, fazendo com que nesse filme ele esteja menos Bond e mais Craig, decepcionando alguns e conquistando outros. A nova 007, </span><a href="https://www.instagram.com/lashanalynch/"><span style="font-weight: 400;">Lashana Lynch</span></a><span style="font-weight: 400;"> (que venceu a categoria popular de Estrela em Ascenção no </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;">), mostrou lidar bem com o papel e desenvolveu uma ótima química com Bond, preenchendo em alguns momentos </span><span style="font-weight: 400;">—</span><span style="font-weight: 400;"> e de forma diferente da convencional </span><span style="font-weight: 400;">— </span><span style="font-weight: 400;">a lacuna de uma </span><i><span style="font-weight: 400;">bond girl</span></i><span style="font-weight: 400;"> não estabelecida na obra. Se não fosse pela pressão injusta que sofreu, Lashana seria uma 007 muito promissora. Por último e não menos importante, é válido o destaque para Ana de Armas, que aqui repete o trabalho ao lado de Daniel Craig depois de </span><a href="https://personaunesp.com.br/entre-facas-e-segredos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Entre Facas e Segredos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Mesmo com pouco tempo de tela comparado com a duração (um verdadeiro pecado) sua personagem Paloma rouba a cena.</span></p>
<p><figure id="attachment_26808" aria-describedby="caption-attachment-26808" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26808" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-4.jpg" alt="Cena de 007 - Sem Tempo para Morrer. Nela, vemos Paloma, interpretada por Ana de Armas. Ela é uma mulher latina, estatura média e de cabelos pretos longos. Ela veste um vestido preto de gala com uma fenda na perna esquerda que mostra uma meia ⅞ também preta, além de algumas jóias como um par de brincos e uma pulseira na mão direita. Ela segura duas armas: na mão direita, uma pistola e na mão esquerda uma submetralhadora e as aponta para seu lado direito. Ao fundo temos também uma escada luxuosa e circular." width="1200" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-4.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-4-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-4-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-4-768x384.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26808" class="wp-caption-text">Ana de (e com) Armas [Foto: Universal Pictures]</figcaption></figure><i><span style="font-weight: 400;">Sem Tempo Para Morrer </span></i><span style="font-weight: 400;">mostra que essa nova fase da franquia se provou e amadureceu junto com Craig. Foram muito felizes ao reconhecerem e se inserirem no cenário de filmes de ação, e nesse, mostram tudo que aprenderam com si próprio e com outras novas vertentes desse gênero voltado para espionagem como a franquia </span><i><span style="font-weight: 400;">Bourne</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">John Wick</span></i><span style="font-weight: 400;">, sua compatriota </span><i><span style="font-weight: 400;">Atômica </span></i><span style="font-weight: 400;">(do qual inclusive tem um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ySuyJrLeVWk"><span style="font-weight: 400;">plano-sequência</span></a><span style="font-weight: 400;"> na escada que foi claramente </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XarGS1AeEcE"><span style="font-weight: 400;">inspirado</span></a><span style="font-weight: 400;">) e até mesmo seu concorrente </span><i><span style="font-weight: 400;">Missão Impossível</span></i><span style="font-weight: 400;">. Só que nesse caso, o espião londrino não é nada discreto e sabe que seu lugar é de destaque, e esse último longa da era Craig, é uma ótima constatação disso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E Daniel Craig é a personificação dessa mudança de ares. “Controverso”, “rústico”, “covarde”, “insosso”, “baixinho” e até mesmo “loiro”; esses foram os adjetivos usados para </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/cultura/story/2006/02/060222_bondmb"><span style="font-weight: 400;">desqualificar a escalação</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Craig em 2006. O próprio ator tinha desconfiança quanto ao papel, muito por não achar que a personalidade de Sean Connery e companhia poderiam ser replicadas atualmente, muito menos por ele. Para sorte de Craig, era intenção da dupla de roteiristas Neal Purvis e Robert Wade renovar a história antes mesmo do anúncio da mudança de ator. E essa decisão conjunta foi muito significativa pois atribuía a Bond agora um </span><i><span style="font-weight: 400;">status </span></i><span style="font-weight: 400;">de personagem do imaginário, e não mais um modelo de masculinidade ultrapassado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muito além de um </span><i><span style="font-weight: 400;">smoking</span></i><span style="font-weight: 400;"> sob medida, um martíni, um </span><i><span style="font-weight: 400;">sex appeal </span></i><span style="font-weight: 400;">de falastrão e uma licença para matar, o Bond da era Craig consegue ser mais do que isso. A redoma de vidro que separava personagem do público foi quebrada e os cacos criaram feridas no agente secreto como questões com o luto, traumas de família, problemas com álcool e até mesmo frustrações amorosas, até então inimaginadas para a máquina de sedução criada por Fleming e representada pelos cinco atores anteriores. Mesmo estando mais realista do que nunca, outra renovação da franquia é iminente, e se, tanto esse último filme como todos os outros vão ficar à sombra de </span><i><span style="font-weight: 400;">Skyfall</span></i><span style="font-weight: 400;">, o </span><a href="https://www.ingresso.com/noticias/o-novo-007-lista-de-nomes-atores-cotados-para-o-papel-de-james-bond?city=sao-paulo&amp;partnership=home#:~:text=RICHARD%20MADDEN,Reid%2C%20empres%C3%A1rio%20de%20Elton%20John."><span style="font-weight: 400;">próximo ator</span></a><span style="font-weight: 400;"> a vestir o manto vai permanecer na sombra do maior James Bond da história.</span></p>
<figure id="attachment_26809" aria-describedby="caption-attachment-26809" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26809" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-5.jpg" alt="Cena de 007 - Sem Tempo para Morrer. Nela, James Bond está em uma espécie de subsolo dispostos como se fosse um esgoto: um labirinto onde as paredes formam um círculo, porém com algumas luzes quadradas localizadas no lado direito da imagem. Bond veste uma calça preta social, camisa branca social, sapato preto e um suspensório também na cor preta. Ele está em uma curva desse labirinto, bem ao fundo e aponta uma pistola que está na mão esquerda em direção a câmera, de forma a recriar a pose clássica do James Bond." width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-5.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-5-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-5-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/No-Time-to-Die-Imagem-5-768x403.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26809" class="wp-caption-text">Craig, Daniel Craig (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
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