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	<title>Arquivos Allison Janney &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Há 5 anos, Margot Robbie fez tudo ser sobre ela em Eu, Tonya</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Dec 2022 16:56:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner Em 1991, Tonya Harding entrou para a história da patinação no gelo ao se tornar a primeira mulher estadunidense a cravar o salto triple axel em competição. Porém, o brilho dos troféus e o estouro dos confetes logo foram apagados e silenciados. No imaginário popular, ela não está marcada pelo momento de maior &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/eu-tonya-5-anos-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 5 anos, Margot Robbie fez tudo ser sobre ela em Eu, Tonya"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29427" aria-describedby="caption-attachment-29427" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-29427" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-1.jpeg" alt="Cena do filme Eu, Tonya. Na imagem, a atriz Margot Robbie olha diretamente para o gelo sob os seus pés. Ela é uma mulher branca de olhos e cabelos claros. A câmera capta a protagonista de baixo para cima, com apenas os seus ombros e face aparecendo. Robbie veste um figurino de patinação no gelo preto com listras e outros detalhes em dourado. Ao fundo, o cenário é o teto de um rinque de patinação escuro." width="1280" height="536" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-1.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-1-800x335.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-1-1024x429.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-1-768x322.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-1-1200x503.jpeg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29427" class="wp-caption-text">No ano de 2022, o longa I, Tonya celebra o seu quinto aniversário (Foto: Neon)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1991, Tonya Harding entrou para a história da patinação no gelo ao se tornar a primeira mulher estadunidense a cravar o salto </span><i><span style="font-weight: 400;">triple axel</span></i><span style="font-weight: 400;"> em competição. Porém, o brilho dos troféus e o estouro dos confetes logo foram apagados e silenciados. No imaginário popular, ela não está marcada pelo momento de maior glória de sua carreira, mas pelo ato hediondo cometido contra a sua principal rival dentro do rinque, Nancy Kerrigan. Há 5 anos, o diretor </span><a href="https://personaunesp.com.br/cruella-critica/"><span style="font-weight: 400;">Craig Gillespie</span></a> <span style="font-weight: 400;">enxergou em Harding uma jornada de anti-herói digna de filme e, em </span><a href="https://revistamonet.globo.com/filmes/noticia/2022/12/margot-robbie-revela-que-nao-achava-que-era-boa-atriz-mas-papel-a-fez-mudar-de-ideia.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Margot Robbie</span></a><span style="font-weight: 400;">, a atriz perfeita para eternizá-la. Assim, (re)</span><span style="font-weight: 400;">nasceu </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_YSP-ADogMA"><i><span style="font-weight: 400;">Eu, Tonya</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Afiada como as lâminas dos seus patins, Tonya Harding sempre foi tida como o Patinho Feio do universo de movimentos graciosos. A sua força e músculos somente deixaram de ser um problema quando a congelaram no ar durante três rotações e meia, pela primeira vez derretendo os corações dos jurados e de sua nação, ambos extremamente contaminados pelo tradicionalismo. De certa forma, a responsável por interpretá-la mostrou ter o mesmo olhar cortante; Robbie nunca tentou </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EjJRPlY8dUY&amp;t=25s"><span style="font-weight: 400;">quebrar a perna</span></a><span style="font-weight: 400;"> de outra atriz para além do desejo de </span><a href="https://teatroemescala.com/2019/10/18/a-origem-da-frase-parte-uma-perna-no-teatro/"><span style="font-weight: 400;">boa sorte</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas em cena, carregou consigo um bastão invisível que fez tudo ser sobre ela.</span></p>
<p><span id="more-29426"></span></p>
<figure id="attachment_29428" aria-describedby="caption-attachment-29428" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-29428" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-2.jpeg" alt="Cena do filme Eu, Tonya. Na imagem, a atriz Margot Robbie aparece sentada nos bastidores de uma competição de patinação no gelo. Ela é uma mulher branca de olhos e cabelos claros que veste um collant e meia-calça rosas. Na pela de Tonya, ela se posiciona com as pernas abertas e uma postura desajeitada. Os patins brancos estão ao seu lado no chão. A câmera captura todo o seu corpo e o cenário, composto por uma longa parede branca." width="1280" height="536" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-2.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-2-800x335.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-2-1024x429.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-2-768x322.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-2-1200x503.jpeg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29428" class="wp-caption-text">Margot Robbie <a href="https://www.magazine-hd.com/apps/wp/eu-tonya-margot-robbie-transformacao/">treinou</a> por três meses para viver a patinadora nas telas do Cinema (Foto: Neon)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante 117 minutos, </span><a href="https://variety.com/2018/film/features/neon-margot-robbie-i-tonya-1202706572/"><i><span style="font-weight: 400;">Eu, Tonya</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> comparou as figuras opostas da protagonista e de Nancy Kerrigan a partir do histórico de violência vivido por Harding, um ambiente nem um pouco favorável à jovem inserida em um esporte elitizado; para os Estados Unidos, amar Kerrigan e o ideal retrógrado que ela representava foi bem mais fácil, e para “</span><i><span style="font-weight: 400;">a</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">América, você sabe &#8211; ela quer alguém para amar, mas ela quer alguém para odiar.</span></i><span style="font-weight: 400;">” O roteiro assinado por </span><a href="https://floodmagazine.com/49584/in-conversation-steven-rogers-chose-the-indie-route-for-i-tonya/"><span style="font-weight: 400;">Steven Rogers</span></a><span style="font-weight: 400;"> trouxe a infame patinadora em uma posição diferente da deixada pela mídia, afinal, ainda que haja a inclusão dos diferentes pontos de vista, a presença da versão dela foi um feito inédito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já o baixo orçamento do longa da</span> <a href="https://personaunesp.com.br/maid-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">LuckyChap Entertainment</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, produtora fundada por Margot Robbie e focada em narrativas comandadas por mulheres, acarretou em filmagens rápidas e poucos recursos para os <a href="https://www.metro.us/lets-talk-about-i-tonyas-appalling-cgi/">efeitos visuais</a> </span><span style="font-weight: 400;">utilizados nas rotinas de saltos no gelo, assim, o resultado doloroso eliminou a imersão do público nas cenas. Em contrapartida, outros elementos técnicos retomam a primazia da obra, são eles: ordem quase não cronológica, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8TnUW8tEsHA"><span style="font-weight: 400;">incrível similaridade</span></a><span style="font-weight: 400;"> com gravações reais, quebra da quarta parede, caracterização fiel da equipe de maquiagem, a trilha sonora envolvente de Peter Nashel e a </span><a href="https://www.kodak.com/en/motion/blog-post/i-tonya"><span style="font-weight: 400;">fotografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> precisa de Nicolas Karakatsanis.</span></p>
<figure id="attachment_29429" aria-describedby="caption-attachment-29429" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-29429" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-3.jpeg" alt="Cena do filme Eu, Tonya. Na imagem, a atriz Allison Janney interpreta a mãe de Tonya Harding. Ela, uma mulher branca de olhos claros e cabelos escuros, fuma um cigarro em pleno rinque de gelo. Em sua face, Janney usa um óculos de grau com armação vermelha. A câmera captura apenas os seus ombros e face. O cenário é composto pelo branco da aula de patinação de gelo que a coadjuvante invadiu." width="1280" height="536" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-3.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-3-800x335.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-3-1024x429.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-3-768x322.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-3-1200x503.jpeg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29429" class="wp-caption-text">Allison Janney venceu o Oscar 2018 de Melhor Atriz Coadjuvante pelo seu papel no longa (Foto: Neon)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se </span><span style="font-weight: 400;">Craig Gillespie assumiu o compromisso de ressuscitar Tonya Harding através de suas </span><a href="https://personaunesp.com.br/pam-tommy-critica/"><span style="font-weight: 400;">lentes</span></a><span style="font-weight: 400;">, a pungente Allison Janney deu novamente à luz na pele de </span><span style="font-weight: 400;">LaVona Golden, mãe da atleta. Mais do que florescer uma personagem, o filme conduziu a polinização de algo devastado e, até então, perdido: a origem da anti-heroína, uma vez trajada de vilã. Por meio de </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/e-tudo-historia/a-confusa-verdade-do-filme-eu-tonya/"><span style="font-weight: 400;">ironias e contradições</span></a><span style="font-weight: 400;">, Gillespie não idealizou o indefensável, apenas pôs em xeque os argumentos de quem acreditou na maldade de Harding como inata e espontânea, quando, de fato, houveram uma série de fatores. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Brutal e sem escrúpulos, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9Bd5ot9Yzx0"><span style="font-weight: 400;">Golden</span></a><span style="font-weight: 400;"> se classificou como a</span><a href="https://personaunesp.com.br/keeping-up-with-the-kardashians-15-anos/"> <i><span style="font-weight: 400;">momager</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (em tradução livre: mãe-agente) de uma época em que o termo ainda não havia sido popularizado. No rol dos pais que </span><a href="https://personaunesp.com.br/king-richard-critica/"><span style="font-weight: 400;">sacrificaram</span></a><span style="font-weight: 400;"> tudo pelo sucesso dos filhos, inclusive a saúde mental dos herdeiros, ela gabaritou quase todos os requisitos que caracterizam uma infância traumática e, por isso, nada mais justo do que ter sido a responsável pela fala de abertura de </span><i><span style="font-weight: 400;">I, Tonya </span></i><span style="font-weight: 400;">(título original da produção). Em 2018, o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante foi para a intérprete Allison Janney que, ao lado de </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/por-que-sebastian-stan-ficou-envergonhado-ao-representar-pessoa-real-em-eu-tonya/"><span style="font-weight: 400;">Sebastian Stan</span></a><span style="font-weight: 400;"> na mente do ex-marido </span><span style="font-weight: 400;">Jeff Gillooly, dividiu a dosagem de violência física e verbal. </span></p>
<figure id="attachment_29430" aria-describedby="caption-attachment-29430" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29430" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-4.jpeg" alt="Cena do filme Eu, Tonya. Na imagem, Sebastian Stan e Paul Walter Hauser estão interpretando os seus personagens. Ambos são homens brancos de olhos e cabelos escuros. A câmera captura em primeiro plano Stan inclinado em uma poltrona e, em segundo plano, Walter falando ao pé do ouvido do amigo. O cenário é a casa de uma família tradicional estadunidense dos anos 90 com artefatos em cores barrosas, variando entre os tons de marrom." width="1280" height="536" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-4.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-4-800x335.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-4-1024x429.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-4-768x322.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-4-1200x503.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29430" class="wp-caption-text">O roteirista Steven Rogers <a href="https://ew.com/movies/2018/01/04/tonya-harding-i-tonya-margot-robbie/">consultou</a> Tonya Harding, que acabou aceitando a cinebiografia (Foto: Neon)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">triple axel</span></i><span style="font-weight: 400;"> não somente foi um divisor de águas na carreira e vida pessoal de Tonya Harding, como também serviu de estopim para o desenvolvimento da trama biográfica e o crescimento de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iY2NLPKpK1Q"><span style="font-weight: 400;">Margot Robbie</span></a><span style="font-weight: 400;"> frente às câmeras. Habituada à </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rCswIz5cSm8"><span style="font-weight: 400;">hostilidade da agressão</span></a><span style="font-weight: 400;">, a personagem se moveu pela vontade de provar errado quem duvidou de sua capacidade. E, a cada linha desenhada no gelo, Robbie reuniu em sua expressão o caos interno de Harding, liderando a narrativa de um outro ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu’</span></i><span style="font-weight: 400;"> com maestria. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Nancy apanha uma vez&#8230;e o mundo inteiro entra em colapso. Para mim, é o que acontece o tempo todo</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">‘Incidente’ é o termo dito pelas personagens ao descreverem o evento que marcou drasticamente o esporte. Com o avanço do enredo, a participação da protagonista de </span><i><span style="font-weight: 400;">Eu, Tonya</span></i><span style="font-weight: 400;">, na tentativa de lesionar sua rival, se dissolveu e deu espaço para outros dois elementos: o seu ex-marido Jeff Gillooly e seu guarda-costas Shawn Eckardt (</span><a href="https://www.usatoday.com/story/life/movies/2018/03/07/paul-walter-hauser-great-tonya/397549002/"><span style="font-weight: 400;">Paul Walter Hauser</span></a><span style="font-weight: 400;">)</span><span style="font-weight: 400;">. Obsessivo, Gillooly jurou vingança após Harding receber ameaças. Já Eckardt, mentiroso compulsivo, enxergou a oportunidade exata para ser o mandante de um crime de enorme repercussão. A dinâmica vital entre os atores provaram que todo dia, um bobo e um esperto saem de casa.</span></p>
<figure id="attachment_29431" aria-describedby="caption-attachment-29431" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29431" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-5.jpeg" alt="Cena do filme Eu, Tonya. Na imagem, Margot Robbie dá vida a uma Tonya Harding angustiada com os laços de seus patins. Ela, uma mulher branca de olhos e cabelos claros, veste um figurino de patinação no gelo preto com listras e outros detalhes em dourado. A câmera captura Robbie de lado, sentada em uma cadeira e inclinada até os seus patins. O cenário é o camarim de uma competição, composto por cadeiras roxas, paredes brancas e chão azul." width="1280" height="536" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-5.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-5-800x335.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-5-1024x429.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-5-768x322.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/12/Imagem-5-1200x503.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29431" class="wp-caption-text">Robbie, atriz e produtora de I, Tonya, <a href="https://margotrobbie.com.br/margot-robbie-revela-como-se-machucou-no-set-de-i-tonya/">enfrentou</a> uma hérnia de disco durante as gravações (Foto: Neon)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Satiricamente, ao contrário da fantasia nuclear estadunidense, a família e valores quebrados de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=d_y1SI3caMU"><span style="font-weight: 400;">Tonya Harding</span></a><span style="font-weight: 400;"> a configuraram como o maior símbolo dessa nação condenada à hipocrisia. Sentados à frente da televisão, o público agiu como jurado e condenou a atleta ao escárnio eterno das piadas de mal-gosto. Já no tribunal, a punição também relacionou medidas não equilibradas: enquanto </span><a href="https://thenexus.one/margot-robbie-nao-reconheceu-sebastian-stan/"><span style="font-weight: 400;">Jeff Gillooly</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Shawn Eckardt cumpriram suas penas e voltaram para as suas vidas, Harding foi banida permanentemente de competições e, desse modo, arrancaram dela a única coisa que algum dia soube fazer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em 2017, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZGmmiuiVEnU"><i><span style="font-weight: 400;">Eu, Tonya</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> assopra as velas do seu quinto aniversário. Entre os seus méritos, a quantidade avassaladora de indicações e vitórias nas principais premiações do Cinema se consagrou como um mero detalhe, pois o primor do longa residiu no (re)nascimento de um ícone da patinação no gelo. A direção de </span><span style="font-weight: 400;">Gillespie atravessou a história de origem de anti-herói e acertou em cheio no seguinte despertar: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Não existe verdade…todos têm a sua própria verdade e a vida apenas faz o que bem entender</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Margot Robbie, por sua vez, andou divinamente sobre as águas congeladas, saltou para longe e fez tudo ser sobre ela.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/c_weoC3HT6Q?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></div>
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		<title>Mom acabou :’(</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Aug 2021 18:43:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista A era das grandes comédias da Televisão aberta está chegando ao fim. Enquanto os anos 2000 geraram longas produções, que facilmente alcançaram a lendária marca dos cem capítulos, as décadas de dez e vinte cumpriram a solene tarefa de findar essas jornadas. Quando o assunto é sitcom estadunidense, pode ter certeza que Chuck &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/mom-8a-temporada-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Mom acabou :’("</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22713" aria-describedby="caption-attachment-22713" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22713" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/1-3.jpg" alt="Cena da série Mom que mostra um grupo de mulheres brancas adultas se abraçando. " width="1000" height="727" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/1-3.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/1-3-800x582.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/1-3-768x558.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22713" class="wp-caption-text">Sutilmente se despedindo da TV, Mom recebeu 3 indicações ao Emmy 2021 (Foto: CBS)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A era das </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2016/10/25/interna_diversao_arte,554518/sitcom-formato-classico-do-humor-perdura-ate-os-dias-de-hoje-na-teve.shtml"><span style="font-weight: 400;">grandes comédias da Televisão</span></a><span style="font-weight: 400;"> aberta está chegando ao fim. Enquanto os anos 2000 geraram longas produções, que facilmente alcançaram a lendária marca dos cem capítulos, as décadas de dez e vinte cumpriram a solene tarefa de </span><a href="https://personaunesp.com.br/modern-family-final-critica/"><span style="font-weight: 400;">findar essas jornadas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Quando o assunto é </span><i><span style="font-weight: 400;">sitcom </span></i><span style="font-weight: 400;">estadunidense, pode ter certeza que </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/chuck-lorre-imperio-de-comedias"><span style="font-weight: 400;">Chuck Lorre está no meio</span></a><span style="font-weight: 400;">, e com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tSKzFgS07dI"><i><span style="font-weight: 400;">Mom </span></i><span style="font-weight: 400;">a história não é diferente</span></a><span style="font-weight: 400;">. Dando adeus após 8 temporadas, a série guiada pelo encanto de Allison Janney enfim acabou.</span></p>
<p><span id="more-22712"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Parte fundamental de se manter por tanto tempo na grade americana repousa na capacidade metamórfica dessas comédias de 21 minutos semanais. Além da arquitetura de enredos compridos e que ligam seus anos, são necessárias tramas menores, </span><a href="https://www.domestika.org/pt/blog/5692-10-grandes-episodios-de-garrafa-da-televisao#:~:text=%22Epis%C3%B3dio%20de%20garrafa%22%20%C3%A9%20o,todos%20os%20elementos%20da%20s%C3%A9rie."><span style="font-weight: 400;">episódios-garrafa</span></a><span style="font-weight: 400;"> e uma construção de empatia entre público e conteúdo. Afinal, não há maior combustível para a renovação do que o amor de quem investe tempo na história, se considerando parte das pessoas que assistem religiosamente.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Mom </span></i><span style="font-weight: 400;">começou em 2013, no </span><a href="https://mixdeseries.com.br/two-and-a-half-men-o-motivo-que-fez-charlie-sheen-ser-demitido/"><span style="font-weight: 400;">crepúsculo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Two and a Half Men</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e no </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/entretenimento/por-que-the-big-bang-theory-se-tornou-tao-popular/"><span style="font-weight: 400;">eclipse de</span><i><span style="font-weight: 400;"> The Big Bang Theory</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, os dois maiores sucessos de Lorre. Dessa vez, com mulheres no centro da narrativa, Lorre criou, ao lado de Eddie Gorodetsky e Gemma Baker, um veículo para o talento de duas atrizes opostas. Anna Faris, à época acostumada com o pastelão cômico de </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/20-anos-de-todo-mundo-em-panico-anna-faris-estava-falida-quando-conseguiu-o-papel-principal-do-filme-conheca-historia/"><i><span style="font-weight: 400;">Todo Mundo em Pânico</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">A Casa das Coelhinhas</span></i><span style="font-weight: 400;">, e </span><a href="https://tvline.com/2020/11/03/mom-season-8-anna-faris-leaving-allison-janney-interview/"><span style="font-weight: 400;">Allison Janney</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma artista camaleônica, que triunfa em qualquer jaula de jacarés em que é jogada. </span></p>
<figure id="attachment_22714" aria-describedby="caption-attachment-22714" style="width: 1486px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22714" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/2-1.jpg" alt="Cena da série Mom que mostra um homem e uma mulher sentados um de frente para o outro." width="1486" height="836" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/2-1.jpg 1486w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/2-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/2-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/2-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/2-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22714" class="wp-caption-text">Rainn Wilson, o Dwight de The Office, retorna como o sensacional psicólogo de Bonnie, e ganha tramas maiores neste ano final de Mom (Foto: CBS)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A narrativa mostra, é claro, uma mãe (Farris) em conflito com seus filhos. O clima geracional era ambientado com o retorno da mãe dessa mãe (Janney), uma mulher inconsequente e que muito traumatizou a filha, por conta do alcoolismo e do vício em drogas, herdados em uma poesia triste e que </span><a href="https://minhavisaodocinema.com.br/2019/10/13/critica-mom-1-temporada-atualmente-2013/"><span style="font-weight: 400;">movimenta o ínicio da primeira temporada</span></a><span style="font-weight: 400;">. Christy Plunkett é mãe de dois adolescentes, tem uma relação conturbada com o ex-marido inconsequente e agora precisa lidar com Bonnie, que reaparece anos depois de cortar laços.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aos </span><a href="https://centroterapeuticoadonai.com.br/cinco-filmes-sobre-alcoolismo/"><span style="font-weight: 400;">trancos e barrancos</span></a><span style="font-weight: 400;">, mãe e filha frequentam reuniões do Alcoólicos Anônimos, criam uma poderosa rede de apoio e rumam em direção a uma vida ainda caótica, mas sem as bebidas e as drogas. Sóbrias, as garotas Plunkett foram despejadas, arrumaram novos empregos, novos amores e brigaram um bocado, mas o fizeram juntas e unidas, reconstruindo uma vida inteira de erros e descasos. As temporadas, que contam com uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KqXKppvCiwU"><span style="font-weight: 400;">média de 22 episódios</span></a><span style="font-weight: 400;">, se encarregam de mostrar na prática o quão mutável e irreversível é a imprevisibilidade da vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao lado de um grupo de amigas que acaba </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GTDRg5G77x4"><span style="font-weight: 400;">virando uma família escolhida</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mom </span></i><span style="font-weight: 400;">ficcionaliza o melhor cenário possível: aquele onde as pessoas aprendem com seus erros e crescem. Sem pesar a mão no </span><a href="https://personaunesp.com.br/ted-lasso-critica/"><span style="font-weight: 400;">otimismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ronda as produções da era do </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">, Chuck Lorre manipula situações verdadeiramente arrasadoras, mas que são combatidas com a resiliência de um sexteto de mulheres que se apoiam e se amam incondicionalmente.</span></p>
<figure id="attachment_22715" aria-describedby="caption-attachment-22715" style="width: 1544px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22715" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/3-1.png" alt="Cena da abertura de Mom, que mostra uma fotografia emoldurada e uma caneca branca, com o nome da série escrito com fonte preta." width="1544" height="870" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/3-1.png 1544w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/3-1-800x451.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/3-1-1024x577.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/3-1-768x433.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/3-1-1536x865.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/3-1-1200x676.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22715" class="wp-caption-text">Com 4 episódios a menos que o costumeiro, a oitava temporada de Mom acabou no décimo oitavo capítulo, totalizando 170 ao longo de todos esses anos (Foto: CBS)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por conta desse clima tão amigável, foi </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/tv/tv-news/mom-show-anna-faris-exit-series-finale-interview-1234969133/"><span style="font-weight: 400;">estranha a notícia</span></a><span style="font-weight: 400;"> de que Anna Faris, protagonista da série, sairia do elenco na oitava temporada. Pouco tempo depois, foi anunciado que este ano oito seria, obviamente, o </span><a href="https://deadline.com/2021/02/mom-canceled-end-season-8-cbs-series-finale-1234695849/"><span style="font-weight: 400;">conclusivo para o </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Sem os fracassos de Christy despejando cenas de choro e frustração no roteiro da </span><i><span style="font-weight: 400;">CBS</span></i><span style="font-weight: 400;">, a série precisou realinhar seu foco e colocar Bonnie, de uma vez por todas, no centro da pintura. Para isso, o grupo de amigas ganhou posto de co-protagonista, enriquecido pela lacuna narrativa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Marjorie, papel da calma porém durona </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rrLJ2OSY8oY"><span style="font-weight: 400;">Mimi Kennedy</span></a><span style="font-weight: 400;">, é a bússola moral das amigas. A idosa dona de uma dezena de gatos foi presa, perdeu o contato e o respeito do filho, mas mantém uma porção de afilhadas no A.A., e é a responsável por servir o chá de bom senso ao resto do grupo. No ano final, Marjorie lida com a morte do esposo Victor, e Mimi Kennedy é uma atriz que transborda a simpatia necessária para esse tipo de interpretação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jill é a pilha de nervos do grupo, e o olhar ligado no duzentos e vinte de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=22YAl_L9g2M"><span style="font-weight: 400;">Jamie Pressly</span></a><span style="font-weight: 400;"> transmite com facilidade a energia da personagem, uma ricaça com problemas no antigo casamento e que tenta, ao longo de toda a série, engravidar e construir uma família. O iô-iô que Jill joga para lá e para cá no namoro com o policial Andy (Will Sasso) rende alguns dos melhores capítulos do ano oito, e os atores dominam o </span><i><span style="font-weight: 400;">timing </span></i><span style="font-weight: 400;">cômico ideal para qualquer um dos enredos que </span><i><span style="font-weight: 400;">Mom </span></i><span style="font-weight: 400;">os serve.</span></p>
<figure id="attachment_22716" aria-describedby="caption-attachment-22716" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22716" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/4-3.jpg" alt="Cena da série Mom que mostra 5 mulheres em pé, usando pijamas e escrevendo em cadernos." width="1500" height="844" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/4-3.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/4-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/4-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/4-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/4-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22716" class="wp-caption-text">Para o inferno com o Saturday Night Live, as coadjuvantes de Mom mereciam muito mais aquelas indicações ao Emmy 2021 (Foto: CBS)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Wendy (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jMnfjBBe9nI"><span style="font-weight: 400;">Beth Hall</span></a><span style="font-weight: 400;">) ainda serve como o fim mais fácil e preguiçoso da porção de patadas da série, mas a personagem ganha o suspiro de um arco próprio nesta reta derradeira. A grande surpresa da nova era de </span><i><span style="font-weight: 400;">Mom </span></i><span style="font-weight: 400;">é Tammy (uma inspirada e deliciosa de se assistir </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YSlxwu4s1YM"><span style="font-weight: 400;">Kristen Johnson</span></a><span style="font-weight: 400;">). Irmã postiça de Bonnie na infância, a loura apareceu brevemente no fim da quinta temporada, como uma detenta raivosa e disposta a se vingar da mulher que a apresentou ao mundo das drogas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Integrando o elenco regular a partir do ano seguinte, Tammy sofreu uma bem-vinda metamorfose, e todo seu senso de raiva adormecida se transformou na benevolência juvenil de uma mulher à beira de um ataque de nervos. A química entre Johnson e Janney possui o </span><i><span style="font-weight: 400;">tchan </span></i><span style="font-weight: 400;">extra e transforma as cenas de Tammy e Bonnie num </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">à parte, que não hesita em dar uma chance às segundas chances. Mais que uma série sobre vícios e a reconstrução depois das drogas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mom </span></i><span style="font-weight: 400;">desata a nos mostrar o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9bdLTPNrlEg"><span style="font-weight: 400;">crescimento natural</span></a><span style="font-weight: 400;"> de mulheres quebradas, mas não destruídas. </span></p>
<figure id="attachment_22717" aria-describedby="caption-attachment-22717" style="width: 2028px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22717" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/5-3.jpg" alt="Cena da série Mom que mostra 3 mulheres sentadas e se olhando." width="2028" height="1141" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/5-3.jpg 2028w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/5-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/5-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/5-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/5-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/5-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22717" class="wp-caption-text">“Oi, meu nome é Bonnie e eu sou alcóolatra” “Oi, Bonnie” (Foto: CBS)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além do agora quinteto, quem movimenta e muito o núcleo familiar adorável de </span><i><span style="font-weight: 400;">Mom </span></i><span style="font-weight: 400;">é Adam, o marido de Bonnie, interpretado com um afago devasso por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OcdMfEVhunE"><span style="font-weight: 400;">William Fichtner</span></a><span style="font-weight: 400;">. O personagem foge do arquétipo exaustivo da pessoa que usa cadeira de rodas depressiva e coitadinha, mas a escalação de Fichtner no lugar de um </span><a href="https://talentoincluir.com.br/turismo/a-representatividade-das-pessoas-com-deficiencia-nas-midias/"><span style="font-weight: 400;">ator PcD</span></a><span style="font-weight: 400;"> levanta a </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2017/08/24/interna_diversao_arte,620237/representatividade-de-deficientes-fisicos-na-tv.shtml"><span style="font-weight: 400;">questão da representatividade</span></a><span style="font-weight: 400;"> na TV. E </span><i><span style="font-weight: 400;">Mom </span></i><span style="font-weight: 400;">não desvia dessa bala, considerando que todo seu elenco principal é formado por pessoas brancas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As duas personagens negras que aparecem com destaque na história (vividas por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4bLsuJdqofI"><span style="font-weight: 400;">Octavia Spencer</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6SzvT_Pdfbg"><span style="font-weight: 400;">Yvette Nicole Brown</span></a><span style="font-weight: 400;">) servem de apoio aos dramas das mães protagonistas e nunca ganham sustância ou importância para além de serem auxiliares e facilitadoras narrativas. Questões relacionadas à </span><a href="https://ponte.org/artigo-a-estrutura-faz-com-que-a-bifobia-seja-algo-cotidiano/"><span style="font-weight: 400;">sexualidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, como a atração que Bonnie e Christy sentem por mulheres, são vistas como motivo de piada e fetiche, provando que o machismo impregnado na </span><a href="http://nodeoito.com/machismo-ironico/"><span style="font-weight: 400;">mansão de Malibu</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Charlie Harper e no </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/media/stories/5-momentos-muito-machistas-de-big-bang-theory/"><span style="font-weight: 400;">apartamento </span><i><span style="font-weight: 400;">geek</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de Leonard e Sheldon também se alastrou para os </span><i><span style="font-weight: 400;">sets </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><i><span style="font-weight: 400;">Mom</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_22718" aria-describedby="caption-attachment-22718" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22718" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/6-1.jpg" alt="Cena da série Mom, que mostra 3 pessoas brancas sentada à uma mesa chique, usando roupas de gala e olhando para um palco." width="1000" height="667" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/6-1.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/6-1-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/6-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22718" class="wp-caption-text">Anna Faris não retorna nos últimos episódios, reiterando a máxima de Mom: a vida não tem roteiro de série, imprevistos são rotina e não devemos repousar nossa felicidade em ninguém além de nós mesmos (Foto: CBS)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo de oito anos, Mom somou 13 nomeações ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;">, ganhando 2 vezes na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante em Série de Comédia com Allison Janney, em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ebj7zrhVTMA"><span style="font-weight: 400;">2014</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dlJ62iF8Mj4"><span style="font-weight: 400;">2015</span></a><span style="font-weight: 400;">. A veterana da Academia, vencedora de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EbvmFU4qD5E"><span style="font-weight: 400;">7 dos 15 prêmios</span></a><span style="font-weight: 400;"> que concorreu, ainda conseguiu mais uma menção em Coadjuvante antes de se submeter como protagonista, indicada em 2017, 18 e agora em 21. É óbvio que suas chances de gritar tri são quase nulas. Competir com a ferocidade fresca de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QpE4893PxqE"><span style="font-weight: 400;">Jean Smart</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-flight-attendant-critica/"><span style="font-weight: 400;">Kaley Cuoco</span></a><span style="font-weight: 400;"> não é tarefa fácil, mesmo para alguém com o invejável </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LdHi9awgnus"><span style="font-weight: 400;">prestígio de vencedora do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">por </span><i><span style="font-weight: 400;">Eu, Tônia</span></i><span style="font-weight: 400;">. Na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2021/"><span style="font-weight: 400;">73ª edição do </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mom </span></i><span style="font-weight: 400;">escolheu momentos decisivos para se enfiar na briga.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como já virou costume com grandes comédias se despedindo (vide </span><i><span style="font-weight: 400;">Modern Family </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">The Big Bang Theory</span></i><span style="font-weight: 400;">), </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ud95rb2hUvA"><span style="font-weight: 400;">Melhor Direção</span></a><span style="font-weight: 400;"> guardou uma vaga para </span><a href="https://mom-cbs.fandom.com/wiki/James_Widdoes"><span style="font-weight: 400;">James Widdoes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e seu </span><i><span style="font-weight: 400;">Scooby-Doo Checks and Salisbury Steak</span></i><span style="font-weight: 400;">, décimo sexto episódio do ano, e extremamente focado em conclusões para a porção de personagens da </span><i><span style="font-weight: 400;">sitcom</span></i><span style="font-weight: 400;">. Na categoria de Montagem em Série de Comédia com Múltiplas Câmeras, Joe Bella concorre pelo mesmo </span><i><span style="font-weight: 400;">Scooby-Doo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Allison Janney, por sua vez, </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1431027274955075587"><span style="font-weight: 400;">apelou e submeteu a </span><i><span style="font-weight: 400;">series finale</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Mom</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">como sua fita na disputa de Melhor Atriz em Série de Comédia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No capítulo em questão, o emotivo </span><i><span style="font-weight: 400;">My Kinda People and the Big To-Do</span></i><span style="font-weight: 400;">, Bonnie percebe que já sofreu tudo que tinha para sofrer e pode, depois de uma vida de percalços e punições, aproveitar a mediocridade da felicidade definitiva. Por isso, o roteiro teima em atirar-lhe pepinos escorregadios e encurralá-la em cantos pontiagudos nas diversas discussões que partilha com o marido e as amigas. Na tentativa de exaurir qualquer núcleo de </span><a href="https://www.tvinsider.com/998503/mom-series-finale-recap-bonnie-ending-allison-janney/"><span style="font-weight: 400;">teimosia e intriga</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mom </span></i><span style="font-weight: 400;">se despede da TV equiparando felicidade e conclusão.</span></p>
<figure id="attachment_22719" aria-describedby="caption-attachment-22719" style="width: 1350px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22719" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/7.jpg" alt="Foto do elenco regular da 8a temporada de Mom" width="1350" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/7.jpg 1350w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/7-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/7-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/7-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/7-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22719" class="wp-caption-text">Como boa série tristonha, Mom sabe como vitaminar sua temporada final com enredos simples, mas eficientes, e que nos certificam que há esperança no futuro daquelas mulheres (Foto: CBS)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Mom </span></i><span style="font-weight: 400;">acabou, que pena. Parte da jornada é o fim, mas o tchau choroso a uma série tão rica, tão inteligente e tão subestimada é mais dolorido do que deveria. O final não é triste, </span><a href="https://tvline.com/2016/02/18/mom-jodi-dies-drug-overdose-emily-osment-season-3/"><i><span style="font-weight: 400;">Mom </span></i><span style="font-weight: 400;">como um todo é</span></a><span style="font-weight: 400;">. O final tampouco é aguado, apressado ou mesmo “conclusivo”. Na última reunião dos Alcoólicos Anônimos que temos o prazer de participar, uma nova dinâmica de mãe e filha nasce aos moldes daquela de 2013. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se formos </span><a href="https://personaunesp.com.br/normal-people-critica/"><span style="font-weight: 400;">viver em ciclos</span></a><span style="font-weight: 400;">, que sejam, ao menos, bons ciclos. Deslizes não nos definem, erros não nos definem. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mom </span></i><span style="font-weight: 400;">anota seu ponto final com a leveza de quem contou </span><a href="https://www.vox.com/2014/11/6/7170297/mom-cbs-good-review"><span style="font-weight: 400;">histórias humanas</span></a><span style="font-weight: 400;"> sem a necessidade de julgamento ou aversão, da maneira exata que uma série de comédia, que ia ao ar às quintas da CBS com o gostinho de TV aberta e aspereza clássica de uma titã chamada Allison Janney, deveria contar. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mom </span></i><span style="font-weight: 400;">acabou, mas </span><a href="https://edition.cnn.com/2021/05/13/entertainment/mom-series-finale/index.html"><span style="font-weight: 400;">viveu o suficiente</span></a><span style="font-weight: 400;"> para se tornar celebrada. </span></p>
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