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	<title>Arquivos Alisha Boe &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Alisha Boe &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>The Buccaneers entrega vestidos lindos, romances arrastados e menos alma feminina em sua 2º temporada</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Mar 2026 13:00:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Stephanie Cardoso A segunda temporada de The Buccaneers, série original da Apple TV+, chega tentando manter o charme, mas tropeça justamente onde era mais potente: a amizade entre mulheres. O que na estreia parecia um manifesto delicado sobre juventude feminina, pertencimento e afeto – aquele calor de girlhood, para usar o termo consagrado nos círculos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/thebuccaneers-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "The Buccaneers entrega vestidos lindos, romances arrastados e menos alma feminina em sua 2º temporada"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36934" aria-describedby="caption-attachment-36934" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-36934" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Buccaneers1.png" alt=" Imagem promocional da série The Buccaneers. Cinco mulheres estão deitadas de costas em um campo verde cheio de pequenas flores brancas. Elas usam vestidos de cores suaves e românticas, com flores presas no cabelo. Elas estão dispostas em círculo com as cabeças próximas e olhando para cima" width="512" height="384" /><figcaption id="caption-attachment-36934" class="wp-caption-text">A amizade e irmandade feminina – que era pra ser o foco da série – acabou sendo deixado para segundo plano na nova temporada (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><b>Stephanie Cardoso</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A segunda temporada de </span><a href="https://bravo.abril.com.br/cinema-tv/the-buccaneers-o-que-e-diferente-do-livro-original-de-edith-wharton/"><i><span style="font-weight: 400;">The Buccaneers</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, série original da </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple TV+</span></i><span style="font-weight: 400;">, chega tentando manter o charme, mas tropeça justamente onde era mais potente: a amizade entre mulheres. O que na estreia parecia um manifesto delicado sobre juventude feminina, pertencimento e afeto – aquele calor de </span><a href="https://blog.paraisofeminino.com.br/girlhood-a-tendencia-ultra-feminina-que-veio-para-ficar/"><i><span style="font-weight: 400;">girlhood</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, para usar o termo consagrado nos círculos culturais – agora vira pano de fundo para intrigas românticas e melodramas em câmera lenta. Visualmente, continua um deslumbre, porém, narrativamente é como trocar um diário íntimo por uma coluna social de revista de época.</span></p>
<p><span id="more-36932"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirada no romance inacabado de Edith Wharton – publicado postumamente em 1938 – </span><i><span style="font-weight: 400;">The Buccaneers</span></i><span style="font-weight: 400;"> tinha tudo para ser uma adaptação literária com fôlego crítico e emoção à flor da pele. A escritora, conhecida por obras como </span><a href="https://youtu.be/0uPg36iMlGU?feature=shared"><i><span style="font-weight: 400;">A Época da Inocência</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1993) – que foi adaptada por Martin Scorsese – e </span><i><span style="font-weight: 400;">A Casa da Alegria </span></i><span style="font-weight: 400;">(1995), já explorava as tensões entre </span><a href="https://youtu.be/eCa459WluZg?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">mulheres e sociedade</span></a><span style="font-weight: 400;"> com rara sofisticação. A primeira temporada honra esse legado – garotas americanas ricas invadindo a aristocracia britânica com vestidos ousados, atitudes mais ainda, e uma solidariedade de fazer inveja a muitos clubes de cavalheiros. Havia ternura, tensão, pequenas revoluções cotidianas e falava de </span><i><span style="font-weight: 400;">girlhood</span></i><span style="font-weight: 400;"> – essa experiência densa, confusa, brilhante e, por vezes, sombria de ser jovem mulher num mundo que te julga antes mesmo de você se descobrir.</span></p>
<figure id="attachment_36935" aria-describedby="caption-attachment-36935" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-36935" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Buccanners2.jpg" alt="Cena da série The Buccaneers. Vemos na imagem Nan, uma mulher branca, de cabelo preso para trás, usando um vestido vermelho elegante e tomara que caia. Ela está de perfil para a direita e tem um batom vermelho. Ao fundo, há um grupo de pessoas vestidas formalmente em trajes de época, em um jardim com vegetação verde " width="512" height="222" /><figcaption id="caption-attachment-36935" class="wp-caption-text">A produção foi a segunda adaptação da obra literária, sendo a primeira uma série em 1995 (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A nova temporada parece desconfortável com o próprio silêncio. Tudo precisa ser resolvido com escândalo, cartas escondidas ou paixões proibidas. O núcleo da </span><a href="https://youtu.be/FaDFty5ipEg?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">amizade</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre Nan (Kristine Froseth), Conchita (Alisha Boe), Jinny (Imogen Waterhouse), Lizzy (Aubri Ibrag) e Mabel (Josie Totah) – o coração da história – praticamente evapora. Em seu lugar, surgem rivalidades forçadas, decisões passionais e um clima de ‘vale tudo pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twist</span></i><span style="font-weight: 400;">’. A sensibilidade dá lugar ao choque, e o olhar delicado sobre o feminino vira vitrine para dilemas de novela das cinco com produção de </span><a href="https://personaunesp.com.br/ainda-estou-aqui-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><a href="https://youtu.be/rdSajlISTRM?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Kristine Froseth</span></a><span style="font-weight: 400;"> perde parte da força que a tornava tão magnética, a personagem que antes parecia movida por princípios, agora age com hipocrisia e uma certa arrogância disfarçada de empoderamento. Ela cobra dos outros uma honestidade emocional que a própria não pratica. Diz lutar por liberdade e autonomia, mas manipula os sentimentos de Guy (Matthew Broome) e Theo (Guy Remmers) com uma ambiguidade moral desconcertante. Ao esconder verdades importantes e seguir tomando decisões impulsivas – algumas que afetam diretamente a vida das pessoas ao redor – se torna menos uma heroína feminista e mais uma anti-heroína mimada. A série parece não perceber essa virada de tom e continua tratando suas atitudes como grandes gestos de coragem, quando na verdade são, muitas vezes, apenas egoísmo disfarçado de protagonismo.</span></p>
<figure id="attachment_36936" aria-describedby="caption-attachment-36936" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-36936" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Buccaneers3.jpg" alt="Cena da série The Buccaneers. Vemos Nell (Leighton Meester), uma mulher branca com cabelo ruivo, preso em cachos e enrolado ao redor da cabeça. Ela usa um chapéu azul decorado com flores e um vestido azul claro com detalhes em renda preta, gola alta com babados brancos. O fundo está desfocado e escuro" width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-36936" class="wp-caption-text">Uma das surpresas da temporada foi ver Leighton Meester interpretar a mãe biológica de Nan – e tentar não lembrar da Blair de Gossip Girl enquanto assistia os episódios (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse descompasso fica ainda mais evidente em seu arco com a sua mãe biológica, </span><a href="https://youtube.com/shorts/_cBtAvwsNqw?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Nell</span></a><span style="font-weight: 400;"> (vivida por Leighton Meester, a Blair de </span><a href="https://personaunesp.com.br/gossip-girl-15-anos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Gossip Girl</span></i></a><span style="font-weight: 400;">). O reencontro entre elas tinha tudo para ser emocionalmente devastador, um mergulho nas origens e nas contradições sociais que cercam a trajetória de Nan. Contudo a produção passa por isso com pressa, sem dar tempo para a dor, o confronto, a reconciliação ou mesmo para o conflito real. O que poderia ser um dos momentos mais ricos da temporada se dilui em cenas rápidas, quase esquecíveis, que tratam com superficialidade um tema que merecia muito mais densidade. A impressão é de que até esse pedaço da história foi sacrificado para abrir espaço para mais um drama romântico qualquer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez por isso, quem vem roubando os holofotes nesta temporada é a personagem vivida por </span><a href="https://youtu.be/b-uRjOwewpU?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Aubri Ibrag</span></a><span style="font-weight: 400;">. Lizzy, que antes orbitava discretamente a história principal, ganhou corpo, carisma e uma profundidade emocional mais convincente que a da própria protagonista. Nas redes sociais, o culto a personagem cresceu a cada episódio: vídeos, </span><i><span style="font-weight: 400;">fan edits</span></i><span style="font-weight: 400;"> e discussões exaltam sua sensatez, sua trajetória silenciosa e sua autenticidade – tudo o que parece ter evaporado do arco de Nan. É como se o público tivesse encontrado nela aquilo que a série prometeu com a protagonista, entretanto, não entregou: uma mulher jovem, complexa, ética e que amadurece sem precisar passar por cima dos outros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além das presenças femininas da obra, a figura do </span><a href="https://youtu.be/-6BvnK7slWM?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Theo</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma das poucas surpresas agradáveis. Durante a temporada, seu arco entrega um dos raros momentos de sinceridade emocional ao passar dos episódios. Já Guy, o antigo amor de Nan, vira quase um mártir passivo, preso numa </span><a href="https://youtu.be/d2Q5uh35up4?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">dinâmica</span></a><span style="font-weight: 400;"> injusta onde o afeto nunca é retribuído com a mesma integridade. A série parece querer que o público torça por sua ex-parceira a qualquer custo, contudo ignora o quanto ela se afasta da empatia e da ética em nome de sua própria narrativa.</span></p>
<figure id="attachment_36933" aria-describedby="caption-attachment-36933" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36933" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Buccaneers4.png" alt="Cena da série The Buccaneers. Cinco mulheres estão em pé, lado a lado, segurando suas saias ou mãos, olhando para a direita. Elas vestem roupas de época em tons pastel e terrosos, com detalhes bordados ou rendados. O jardim atrás delas tem plantas verdes e uma casa antiga parcialmente visível " width="512" height="341" /><figcaption id="caption-attachment-36933" class="wp-caption-text">O que era pra ser uma série sobre amizade e empatia feminina se tornou tudo menos isso (Foto: Angus Pigott/Apple TV+/The Forge Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, não dá para dizer que </span><a href="https://youtu.be/4wzf9W-utdc?feature=shared"><i><span style="font-weight: 400;">The Buccaneers</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> virou um desastre, a obra ainda é belíssima, tem um elenco com química e apresenta momentos isolados de potência – como as tramas centradas em </span><a href="https://youtu.be/GTQzCDp5qI8?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Jinny</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://youtu.be/nALMKoHEHl8?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Mabel</span></a><span style="font-weight: 400;">, que falam de temas como abuso e sexualidade com alguma coragem. Mas tudo isso parece surgir em meio ao caos, como relances de um seriado que já foi mais consciente de si mesma. Há menos escuta entre as personagens, afeto genuíno e espaço para as pequenas revoluções que antes costuravam cada episódio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez o problema seja justamente o tom, a série parece querer crescer junto com suas personagens, entretanto confunde o amadurecimento com o abandono de suas raízes. O foco deslocado da amizade para o drama romântico esvazia o que havia de mais revolucionário: mulheres que se escolhem, se defendem e se reconhecem. Sem isso, sobra só o que vemos em outras dezenas de </span><a href="https://personaunesp.com.br/bridgerton-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">dramas de época</span></a><span style="font-weight: 400;">: bailes, vestidos, beijos proibidos. Bonito? Sempre. Original? Nem tanto.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Buccaneers </span></i><span style="font-weight: 400;">seguiu os passos da primeira temporada</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">ou</span> <span style="font-weight: 400;">seja</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">continuou sendo um deleite visual. Porém, para uma produção que começou com promessas de romper padrões e recontar o feminino com nuance e afeto, essa </span><a href="https://youtu.be/ebLFnnSEpkE?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">segunda temporada</span></a><span style="font-weight: 400;"> parece ter trocado a alma pelo verniz – e uma protagonista complexa por uma figura contraditória que se recusa a lidar com suas próprias falhas. Ainda há tempo para voltar a navegar com propósito, mas, por enquanto, o navio parece à deriva – lindo, caro, porém sem bússola.</span></p>
<p><a href="https://youtu.be/3p6ZMqvw3XY?si=Iengf-qpQzj9GMbz"><span style="font-weight: 400;">The Buccaneers &#8211; trailer 2° temporada</span></a></p>
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		<title>A desmistificação da verdade em 13 Reasons Why</title>
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		<pubDate>Fri, 25 May 2018 22:43:54 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_10240" aria-describedby="caption-attachment-10240" style="width: 816px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-10240" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/imagem-1-300x169.jpg" alt="" width="816" height="460" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/imagem-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/imagem-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/imagem-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/imagem-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/imagem-1.jpg 2025w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-10240" class="wp-caption-text">Segunda temporada da série original Netflix explora ainda mais os traumas dos adolescentes protagonistas (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p>Calcada em polêmicas e no retrato problemático de transtornos e distúrbios psicológicos: foi assim que<em> 13 Reasons Why</em> veio à tona. Após uma estreia provocativa e um final aparentemente fechado, o seriado retorna para um segundo ano na esperança de contar a versão de cada um dos “porquês” que levaram ao suicídio de Hannah Baker (Katherine Langford).<br />
<span id="more-10237"></span></p>
<p>Mesmo com os <em>trigger-warnings</em> (avisos de “gatilho”, cenas que chocam) prévios aos acontecimentos mais pesados, o público reagiu mal às cenas de abuso sexual e suicídio, que desencadeou na gravação e propagação das sete fitas no <a href="http://personaunesp.com.br/13-reasons-why/">primeiro ano</a>. O seriado retorna com os momentos impactantes ainda que, desta vez, o tom aqui remeta a elementos que constroem uma narrativa coesa, e não apenas o choque pelo choque.</p>
<p>O abuso é o tema central da segunda temporada, provavelmente em vista do cenário político-social que permeia Hollywood — as denúncias do <em>Time’s Up</em> e o movimento <a href="http://pt.euronews.com/2018/05/13/-metoo-no-tapete-vermelho-de-cannes">#<em>MeToo</em></a>. O tratamento do tema era lógico neste cenário. Aqui, destaque para a cena de abertura do último episódio: uma colagem de depoimentos de todas as mulheres do <em>show</em>, em que elas relatam experiências de abuso. A série consegue, em uma só cena, mostrar a que veio.</p>
<figure id="attachment_10243" aria-describedby="caption-attachment-10243" style="width: 672px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-10243" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/IMAGEM-2-1-300x200.jpg" alt="" width="672" height="448" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/IMAGEM-2-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/IMAGEM-2-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/IMAGEM-2-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/IMAGEM-2-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-10243" class="wp-caption-text"><em>A sequência inicial do episódio 13, focada em abuso, é reflexo direto dos movimentos feministas que tomaram conta dos EUA nos últimos meses (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p>É interessante o fato de que Hannah deixou de ser a protagonista para dar espaço aos demais, que ainda sentem as consequências de suas fitas, mesmo meses após seu suicídio. A personagem ainda está em cena, mas sua versão dos fatos já não é mais a única apresentada nos treze episódios.</p>
<p>Construída em cima dos depoimentos dos acusados no julgamento que os Baker abriram contra a escola Liberty High, a temporada mescla o presente (sombrio, pintado em tons frios, quase sempre com personagens com hematomas) com <em>flashbacks</em> da época em que Hannah ainda vivia. Revisitando momentos da temporada passada, agora pelo ponto de vista dos companheiros da garota, Hannah é desconstruída, desmistificada. Cada colega revela confissões e segredos de suas relações com a jovem, desmanchando a figura que o público e Clay (Dylan Minnette) conhecia até então.</p>
<figure id="attachment_10245" aria-describedby="caption-attachment-10245" style="width: 667px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-10245" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/IMAGEM-3-1-300x200.jpg" alt="" width="667" height="444" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/IMAGEM-3-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/IMAGEM-3-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/IMAGEM-3-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/IMAGEM-3-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-10245" class="wp-caption-text"><em>O segundo ano da produção bebe de produções como Clube dos Cinco, Skins UK e As Vantagens de Ser Invisível (Foto: Netflix)</em></figcaption></figure>
<p>Clay continua como ponto central da trama, enquanto Hannah aparece para ele numa dinâmica semelhante a de Patrick Swayze no filme <a href="https://www.youtube.com/watch?v=jlZ4OJ6XRSQ"><em>Ghost – Do Outro Lado da Vida</em></a> (1990). A garota aparece para tentar sanar as dúvidas e questionamentos que ele faz a cada depoimento, dando mais e mais camadas à sua personalidade. Clay não aceita ver a idealização quase religiosa e intocável que ele criou de Hannah se desfazer no tribunal. Apesar de ele ganhar boa parcela do tempo de tela, quem realmente rouba a cena e têm jornadas magníficas de evolução são Jessica Davis (Alisha Boe) e Olivia Baker (Kate Walsh).</p>
<p>Ambas mulheres abaladas pela violência e pela impotência em frente a um mundo comandado por Bryce Walkers. Jessica lida com os fantasmas do estupro sofrido por Bryce (Justin Prentice) no ano um, na performance angustiante de Alisha Boe. A adolescente reluta em testemunhar contra o estuprador, com medo de tornar tudo aquilo real novamente. Enquanto isso, Olivia lida com o divórcio, a sede por justiça e a depressão de uma mãe em luto. Uma mãe que se sente culpada pelo suicídio da filha. A atuação de Kate Walsh continua sendo o ponto mais alto da produção de Selena Gomez.</p>
<p>Justin Foley (Brandon Flynn) tem uma trama de redenção bacana, mas aparentemente em vão; Tony (Christian Navarro) protagoniza um dos arcos mais interessantes e satisfatórios da temporada; Alex (Miles Heizer) é o personagem mais afetado e se sustenta na persona de Zach (Ross Butler), este que figura o melhor momento da temporada, ao lado de Hannah.</p>
<figure id="attachment_10247" aria-describedby="caption-attachment-10247" style="width: 723px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-10247" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/imagem-4-1-300x200.jpg" alt="" width="723" height="482" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/imagem-4-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/imagem-4-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/imagem-4-1-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/imagem-4-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-10247" class="wp-caption-text"><em>A trilha sonora afiadíssima figura nomes pop como Troye Sivan, a banda britânica The 1975 e Selena Gomez (Foto: Netflix)</em></figcaption></figure>
<p>Courtney (Michele Selene) aparece pouco e merecia mais; já Ryan (Tommy Dorfman) aparece o suficiente. E Bryce continua tão desprezível e repugnante quanto antes. É Tyler (Devin Druid) quem mais sofre com o roteiro desordenado. Embora <em>13RW</em> saiba criar ótimos momentos envolvendo grupos de personagens e a catártica porradaria, é nas dinâmicas em duplas e trios que a série triunfa: Tony e o instrutor de boxe, Zach e Alex, Jessica e Nina, Olivia e Clay, Tyler e Cyrus, todas ótimas e fluídas dentro da narrativa principal.</p>
<p>Aliás, a dinâmica entre os dois últimos, <em>a la</em> <a href="https://mundoestranho.abril.com.br/crimes/como-foi-o-massacre-de-columbine/">massacre de Columbine</a> entoada (mentalmente) pelo hit <a href="https://www.youtube.com/watch?v=SDTZ7iX4vTQ"><em>Pumped Up Kicks</em></a>, começa muito bem mas se perde em meio a construção abrupta de um momento específico do personagem de Tyler. Germinado na <em>finale</em> do primeiro ano e na pressa do ‘choque pelo choque’, da gratuidade de uma cena, o episódio final da segunda temporada perde o fôlego, numa construção falha e que não se sustenta. Faltou maturidade.</p>
<figure id="attachment_10249" aria-describedby="caption-attachment-10249" style="width: 721px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-10249" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/IMAGEM-5-300x200.jpg" alt="" width="721" height="480" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/IMAGEM-5-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/IMAGEM-5-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/IMAGEM-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2018/05/IMAGEM-5-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-10249" class="wp-caption-text"><em>O portal 13reasonswhy.info foi criado no intuito de auxiliar indivíduos em situação de abuso, em qualquer lugar do mundo (Foto: Netflix)</em></figcaption></figure>
<p>Impressionam a cinematografia, que aposta no contraste de calor e frio entre os tons, e a câmera ágil e bem colocada para captar ângulos incomuns (mas que enriquecem o roteiro e a edição complicada do seriado). Destaque para a câmera rodeando os protagonistas na cena do baile.</p>
<p><em>13 Reasons Why</em> contextualiza melhor certos momentos e adiciona camadas a todos os envolvidos no drama do ano um, nunca livrando-os da culpa ou relativizando acontecimentos e ações. A série é clara e direta em sua posição de defesa, o que tem-se agora são momentos de reflexão, revelando mãos mais cuidadosas no tratamento de assuntos delicados e que realmente demandam devida atenção.</p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/13-reasons-why-segunda-temporada/">A desmistificação da verdade em 13 Reasons Why</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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