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	<title>Arquivos Alfred Hitchcock &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Alfred Hitchcock &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Brian De Palma encontra o que há de mais depravado em Hitchcock nos 45 anos de Vestida Para Matar</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Feb 2026 13:00:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes No final da década de 1970, até o início dos anos 1990, uma tendência começou a tomar conta do Cinema (em especial, no norte-americano e europeu), alguns jovens cineastas da época iniciaram suas carreiras retomando obras de seus ícones, ao pensar nos clássicos e trazer sua própria versão deles. Não eram as mesmas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-vestida-para-matar/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Brian De Palma encontra o que há de mais depravado em Hitchcock nos 45 anos de Vestida Para Matar"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36757" aria-describedby="caption-attachment-36757" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36757" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-2-800x450.png" alt="Cena de Vestida para Matar. Retrato em close-up de Liz, uma mulher loira com cabelos volumosos e cacheados, adornados com uma presilha brilhante. Ela veste um casaco de textura felpuda na cor roxa vibrante. A iluminação é dramática, destacando seus olhos claros e lábios pintados, com luzes de cidade desfocadas ao fundo." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-2.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36757" class="wp-caption-text">Nancy Allen e Brian De Palma já foram casados (Foto: Filmways Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No final da década de 1970, até o início dos anos 1990, uma tendência começou a tomar conta do Cinema (em especial, no norte-americano e europeu), alguns jovens cineastas da época iniciaram suas carreiras retomando obras de seus ícones, ao pensar nos clássicos e trazer sua própria versão deles. Não eram as mesmas histórias exatamente, mas os diretores partiam de um filme já concebido e o deformavam. Nesse sentido, um dos artistas que mais chamou a atenção foi Brian De Palma, grande fã de </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-rebecca-a-mulher-inesquecivel/"><span style="font-weight: 400;">Alfred Hitchcock</span></a><span style="font-weight: 400;">. Se </span><i><span style="font-weight: 400;">Trágica Obsessão </span></i><span style="font-weight: 400;">(1976) foi a sua versão de </span><i><span style="font-weight: 400;">Vertigo </span></i><span style="font-weight: 400;">(1958), então </span><i><span style="font-weight: 400;">Vestida para Matar </span></i><span style="font-weight: 400;">(1980) é seu próprio </span><i><span style="font-weight: 400;">Psicose </span></i><span style="font-weight: 400;">(1960).</span></p>
<p><span id="more-36756"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">65 anos atrás, Marion Crane (Janet Leigh) roubou 40 mil dólares do seu patrão e fugiu para encontrar com seu namorado. No meio de sua jornada ela se arrepende e decide voltar e devolver o dinheiro, porém, antes que conseguisse retornar, ela é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0WtDmbr9xyY"><span style="font-weight: 400;">assassinada</span></a><span style="font-weight: 400;">, marcando para sempre a história do Cinema. 20 anos depois, Kate Miller (Angie Dickinson) é morta no elevador de um prédio, de maneira similar a Marion: Mulher estranha com um objeto cortante colocando a vítima contra a parede. As duas tragédias modificam por completo o enredo, mudando o protagonismo para outros personagens. No clássico de 1960, a trama aparentava ser um jogo de gato e rato pelo dinheiro, enquanto o ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;">’ estava focado na libido de Kate Miller. Contudo, ambas as obras enganaram o espectador, pois o desenrolar da história se volta para a questão mais básica do suspense: quem é o assassino?</span></p>
<p><figure id="attachment_36758" aria-describedby="caption-attachment-36758" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36758" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-3-800x533.png" alt="Cena de Vestida para Matar. Kate Miller é uma mulher loira, ela está usando um casaco branco e olha horrorizada para sua própria mão, que apresenta um corte sangrento. À direita, em primeiro plano, uma mão usando luva de couro preta segura uma navalha ensanguentada, sugerindo um ataque recente." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-3-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-3-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-3-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-3.png 1170w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36758" class="wp-caption-text">Além de Vestida para Matar, Angie Dickinson trabalhou em outros projetos históricos de Hollywood, como Onde Começa o Inferno (1959) [Foto: Filmways Pictures]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Antes de falar sobre o grande mistério de ambos os longas, é preciso investigar sobre a </span><i><span style="font-weight: 400;">misé-en-scène</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://rollingstone.com.br/cinema/o-diretor-que-evoluiu-a-forma-do-cinema-segundo-brian-de-palma/"><span style="font-weight: 400;">Brian De Palma</span></a><span style="font-weight: 400;"> não se limita a recontar a história, mas deixa evidente que é uma refilmagem e que está se aprofundando no original. O diretor encontra uma natureza depravada nos personagens de Hitchcock, todavia, em nenhum momento ele julga as pulsões destes, muito pelo contrário.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na realidade, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vestida para Matar </span></i><span style="font-weight: 400;">está mais preocupada em como a sociedade pune o desejo. Aqueles que têm uma relação complexa com ele – Kate Miller e Dr. Elliot (</span><a href="https://personaunesp.com.br/tenet-critica/"><span style="font-weight: 400;">Michael Caine</span></a><span style="font-weight: 400;">) – irão expurgá-lo de maneira devassa ou violenta, por outro lado, a prostituta – Liz (</span><a href="https://personaunesp.com.br/carrie-a-estranha-45-anos/"><span style="font-weight: 400;">Nancy Allen</span></a><span style="font-weight: 400;">) –, que lida melhor com sua sexualidade, sobrevive. Provavelmente em um </span><a href="https://personaunesp.com.br/eu-sei-o-que-voces-fizeram-no-verao-passado-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Liz Allen teria sido a primeira a morrer, porém, o diretor a transforma em uma heroína. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como de costume do cineasta, a introdução já consegue trazer o tema central. O maneirista abre o filme com Kate Miller se masturbando no chuveiro, passando a mão sobre seu corpo e olhando para seu marido sem camisa se barbeando no chuveiro. Entretanto, em determinado momento um homem vem ao fundo e a violenta. Logo em seguida, somos jogados a uma cena de sexo entre a personagem de </span><a href="https://letterboxd.com/contracampo100/film/dressed-to-kill-1980/"><span style="font-weight: 400;">Angie Dickinson</span></a><span style="font-weight: 400;"> com seu cônjuge, porém, diferentemente da cena do chuveiro – note a relação com </span><i><span style="font-weight: 400;">Psicose </span></i><span style="font-weight: 400;">–, essa não tem tesão algum, é burocrática. Esse corte é essencial para entendermos que a abertura era apenas um sonho de Kate, e que ela via aquele desejo como errado. A excitação feminina era – e ainda é – tabu.</span></p>
<figure id="attachment_36759" aria-describedby="caption-attachment-36759" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36759" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Vestida-para-matar-1-800x364.png" alt="Cena de Vestida para Matar. Liz posa deitada de forma provocante. Ela usa lingerie preta e meias transparentes. O cenário é interno e mal iluminado, com uma luz azulada vinda da lateral que destaca sua pele e o brilho de seus brincos de cristal." width="800" height="364" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Vestida-para-matar-1-800x364.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Vestida-para-matar-1-1024x465.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Vestida-para-matar-1-768x349.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Vestida-para-matar-1.png 1100w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36759" class="wp-caption-text">Nancy Allen também esteve no elenco de Carrie, a Estranha (1976), dirigido pelo próprio Brian De Palma (Foto: Filmways Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A questão sexual do vilão merece um parágrafo à parte para se ater aos erros de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=S9a50nMofPA"><span style="font-weight: 400;">Brian De Palma</span></a><span style="font-weight: 400;">, e específicamente nesse caso, vale falar sobre defeito na obra de uma posição ‘superior’, afinal ele mostrou ignorância sobre os conceitos de desejo e sexualidade, de forma que possa soar até ofensivo. Mas antes de entrar nesse tópico, é bom olhar como o diretor colocou como protagonistas uma prostituta e um adolescente nerd (cujo o audiovisual sempre tratou como uma figura patética e com problemas sexuais). Apesar de suas figuras estarem sempre ligadas à vulgaridade, as suas interações não poderiam ser mais puras, não há faísca entre eles, é apenas uma amizade se formando. É claro que a fita evidência como o desejo faz parte da experiência humana, no entanto, essa ligação entre os dois também deixa claro que existe mais do que isso.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Vestida para Matar</span></i><span style="font-weight: 400;"> – assim como </span><i><span style="font-weight: 400;">Psicose</span></i><span style="font-weight: 400;"> – mostra como um </span><i><span style="font-weight: 400;">Whodunnit </span></i><span style="font-weight: 400;">deve ser feito, pois, a revelação final não tenta ser grandiosa e megalomaníaca, não é sobre grandes </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twists </span></i><span style="font-weight: 400;">– ainda que sejam por natureza –, mas sim sobre concatenar uma ideia fílmica. Não é atoa que </span><a href="https://personaunesp.com.br/janela-indiscreta-70-anos/"><span style="font-weight: 400;">Hitchcock</span></a><span style="font-weight: 400;"> é considerado o mestre do suspense, a conclusão do clássico expõe Norman Bates como assassino, porém, o diretor estava mais interessado na exploração da relação entre ele e sua mãe. Brian De Palma, por sua vez, refilma essa história a partir da depravação dos personagens.</span></p>
<figure id="attachment_36760" aria-describedby="caption-attachment-36760" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36760" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Vestida-para-matar-2.png" alt="Cena de Vestida para Matar. No primeiro plano, à direita, Liz olha para o lado com expressão de apreensão ou surpresa. Ao fundo, à esquerda, uma figura misteriosa com óculos escuros e casaco brilhante a observa das sombras em um ambiente mal iluminado com luzes desfocadas." width="800" height="337" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Vestida-para-matar-2.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Vestida-para-matar-2-768x324.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36760" class="wp-caption-text">Brian De Palma gosta de filmar personagens em planos diferentes, de forma que esses planos se tornem quase uma barreira (Foto: Filmways Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O grande algoz de Liz e Peter Miller (Keith Gordon) é revelado nos minutos finais como o personagem de Michael Caine. A motivação por trás dos assassinatos está em sua dupla personalidade – novamente remetendo à </span><i><span style="font-weight: 400;">Psicose. </span></i><span style="font-weight: 400;">O Dr. Elliot estava em processo de mudança de gênero e foi assim que sua mente se fragmentou em duas personas: Elliot e Bobbi. No longa, quando o psicólogo se sente atraído por alguma mulher, sua versão feminina assume e mata aquela mulher, como forma de ‘eliminar’ a heterossexualidade. Contudo, já na época essa relação entre sexo (no sentido fisiológico mesmo) e desejo já se mostrava equivocada. Identidade de gênero não é a mesma coisa que orientação sexual. Todavia, o que se pode dizer em sua defesa – sem ir em direção aquelas defesa simplórias de “</span><i><span style="font-weight: 400;">Era algo daquela época</span></i><span style="font-weight: 400;">” – é que De Palma está interessado mesmo em falar sobre Hitchcock. Era um filme sobre outro filme e que pouco lida com questões de gênero. Muito mais importante do que ‘</span><a href="https://cinemafilia.substack.com/p/cansei-do-eco-da-minha-propria-voz?utm_campaign=reaction&amp;utm_medium=email&amp;utm_source=substack&amp;utm_content=post"><span style="font-weight: 400;">cancelar</span></a><span style="font-weight: 400;">’ ou ‘passar pano’ é pensá-lo criticamente, entendendo seu contexto de produção e intenção, para entender o resultado.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Vestida para Matar </span></i><span style="font-weight: 400;">é um olhar para o que há de mais depravado no Cinema de Hitchcock, o que se torna uma marca de Brian De Palma. Se em </span><a href="http://www.contracampo.com.br/47/obsession.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Trágica Obsessão</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">o diretor trabalha com uma relação incestuosa ao fazer a releitura de </span><i><span style="font-weight: 400;">Vertigo</span></i><span style="font-weight: 400;">, neste, ele encontra a promiscuidade em lugares inesperados e, ironicamente, onde a sociedade veria vulgaridade, há apenas amizade.</span></p>
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		<title>Em seu aniversário de 85 anos, o tempo prova que Rebecca é mesmo uma mulher inesquecível</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Dec 2025 13:00:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes Em Rebecca, A Mulher Inesquecível, uma jovem – cujo o primeiro nome nunca é revelado – e o viúvo, Maxim de Winter (Laurence Olivier), se conhecem, apaixonam e, rapidamente, se casam. Após o noivado, esta garota começa a ser conhecida por Segunda Sra. de Winter (Joan Fontaine), e é assombrada pela memória muito &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-rebecca-a-mulher-inesquecivel/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em seu aniversário de 85 anos, o tempo prova que Rebecca é mesmo uma mulher inesquecível"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36455" aria-describedby="caption-attachment-36455" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36455" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-22-800x450.png" alt="Cena de Rebecca, Uma Mulher Inesquecível. Esta é uma foto em preto e branco em close-up de duas mulheres. A mulher em primeiro plano, mais jovem, olha para a esquerda (fora da câmera) com uma expressão de apreensão ou incerteza. Ela tem cabelos cacheados e presos, e usa um vestido com ombros à mostra. Atrás dela, uma mulher mais velha, vestida com roupas escuras e gola alta de renda, olha intensamente na mesma direção, com uma expressão severa e quase ameaçadora. A iluminação destaca o rosto da mulher mais jovem, enquanto a outra permanece parcialmente nas sombras." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-22-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-22-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-22-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-22-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-22.png 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36455" class="wp-caption-text">Rebecca, A Mulher Inesquecível foi o primeiro filme hollywoodiano de Alfred Hitchcock (Foto: Selznick International Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I0ibGgldi5Y"><i><span style="font-weight: 400;">Rebecca, A Mulher Inesquecível</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma jovem – cujo o primeiro nome nunca é revelado – e o viúvo, Maxim de Winter (Laurence Olivier), se conhecem, apaixonam e, rapidamente, se casam. Após o noivado, esta garota começa a ser conhecida por Segunda Sra. de Winter (Joan Fontaine), e é assombrada pela memória muito viva da primeira Sra. de Winter: Rebecca. A figura da mulher morta não é novidade no Cinema de Alfred Hitchcock, a maioria sempre irá se lembrar de </span><i><span style="font-weight: 400;">Vertigo</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1958) como o filme mais marcante nesse sentido. Entretanto, já em 1940, sob outro contexto cinematográfico, sem o peso da própria história, o maior nome do suspense do Cinema já lidava com esse mesmo tropo.</span></p>
<p><span id="more-36453"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se no texto de </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-laura/"><i><span style="font-weight: 400;">Laura</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1944) há a comparação entre a obra de Otto Preminger com o clássico de 1958, concebendo a ideia de que Hitchcock poderia ser de fato um maneirista – um cineasta que sente o peso da história do Cinema e busca ‘refilmar’ as grandes obras a sua </span><i><span style="font-weight: 400;">maniera</span></i><span style="font-weight: 400;"> –, este vai por um lado diferente. Observar sobre o ponto de vista do maneirismo, requer olhar de frente para trás – pensar como uma imagem tem outra, antecessora, por baixo –, porém, agora a linha de pensamento é de trás para frente, ou seja, como esse tema parece ser ‘aperfeiçoado’ na Sétima Arte.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Rebecca, A Mulher Inesquecível</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1940), </span><i><span style="font-weight: 400;">Laura </span></i><span style="font-weight: 400;">(1944) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Vertigo </span></i><span style="font-weight: 400;">(1958) lidam com a figura da mulher morta, cada um de uma forma diferente. Rebecca é quase um fantasma que possui os corpos de Mrs. Danvers (Judith Anderson) e Jack Favell (George Sanders); a memória de Laura (Gene Tierney) atormenta todos os homens do filme e Madeleine (Kim Novak) é revelada como uma personagem, ou seja, nunca viveu de fato. Nesse sentido, é quase um ‘aperfeiçoamento’ desse tropo narrativo, até chegar ao auge em </span><i><span style="font-weight: 400;">Vertigo</span></i><span style="font-weight: 400;">. A conclusão de que a obra protagonizada por Kim Novak é o ápice se dá pelos longas subsequentes, como </span><a href="http://www.contracampo.com.br/94/pgobsession.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Trágica Obsessão</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1976), </span><i><span style="font-weight: 400;">Vestida para Matar </span></i><span style="font-weight: 400;">(1985) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Instinto Selvagem </span></i><span style="font-weight: 400;">(1992), três obras que bebem claramente de </span><i><span style="font-weight: 400;">Um Corpo que Caí</span></i><span style="font-weight: 400;"> (em tradução livre), escavando e deformando essas imagens.</span></p>
<figure id="attachment_36454" aria-describedby="caption-attachment-36454" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36454" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-23-800x608.png" alt="Cena de Rebecca, A Mulher Inesquecível. Esta é uma foto em preto e branco em close-up de um casal. Um homem, usando chapéu e um sobretudo pesado, abraça uma mulher por trás. Ambos olham para a direita (fora da câmera) com expressões sérias e preocupadas. O olhar do homem é intenso e sombrio, enquanto o da mulher parece assustado ou ansioso. Ao fundo, desfocados, é possível ver os rostos de outras pessoas, sugerindo que eles estão no meio de uma multidão." width="800" height="608" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-23-800x608.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-23-768x584.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-23.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36454" class="wp-caption-text">Rebecca baseia-se em um best-seller da escritora inglesa Daphne Du Maurier (Foto: Selznick International Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, é muito simplório encontrar valor em </span><a href="https://www.focorevistadecinema.com.br/FOCO1/benard-rebecca.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Rebecca, A Mulher Inesquecível</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">apenas a partir de seu peso histórico. Como na maior parte da filmografia de Hitchcock, a encenação e a condução da trama são o que a tornam tão genial. O engano e a distração são ferramentas muito utilizadas pelo cineasta, geralmente de forma magistral. A cena inicial, em que o casal principal se conhece, suscita no público a ideia de que Max amava sua falecida esposa Rebecca, e, ao longo do enredo, a tese é reforçada a partir do ponto de vista de vários outros personagens. Nesse sentido, o Mestre do Suspense resguarda o ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">POV</span></i><span style="font-weight: 400;">’ do viúvo, para que na meia hora final solte um </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twist </span></i><span style="font-weight: 400;">que irá ressignificar toda a narrativa e tensionar as cenas subsequentes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A não aparição – nem sequer em um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nMi7aHh2ytg"><i><span style="font-weight: 400;">flashback</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">– de Rebecca a transforma em uma figura indecifrável, cada menção ao seu nome causa uma sensação diferente: temor, respeito, admiração e leveza. O diretor permite que o público vá criando mentalmente sua própria versão dela, porém, esse fluxo narrativo é parte da sua ideia, pois, irá dar maior peso para a grande revelação – uma de suas marcas registradas –, e, a partir dela, já não será mais possível enxergá-la sob outras perspectivas diferentes da do Sr. de Winter.</span></p>
<figure id="attachment_36456" aria-describedby="caption-attachment-36456" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36456" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-17.png" alt="Cena de Rebecca, A Mulher Inesquecível. Nesta imagem em preto e branco, duas mulheres estão de costas e de lado, em um grande salão ou galeria. Elas olham para cima, admirando um retrato a óleo muito grande, de corpo inteiro, de uma mulher em um vestido de gala e chapéu, emoldurado de forma ornamentada. A mulher à esquerda na imagem usa um traje escuro e formal, com o cabelo preso. A mulher à direita usa roupas mais claras, com o cabelo solto até os ombros. A cena é capturada de um ângulo médio, destacando a imponência do retrato em relação às duas espectadoras." width="600" height="437" /><figcaption id="caption-attachment-36456" class="wp-caption-text">O final do livro e do filme são diferentes por causa do Código Hayes (Foto: Selznick International Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É muito significativo como a personagem principal não tem seu nome revelado, enquanto </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-rebecca-a-mulher-inesquecivel/"><span style="font-weight: 400;">Rebecca</span></a><span style="font-weight: 400;">, não apenas dá nome ao filme, como também é sempre mencionada. Ela vira a figura central, mesmo sem aparecer um minuto sequer. Dessa forma, Hitchcock transforma a própria protagonista em uma intrusa, e o fantasma de sua antecessora se torna mais vivo do que ela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O jogo de luz e sombras, os planos de </span><a href="https://letterboxd.com/cinematography/george-barnes-1/"><span style="font-weight: 400;">George Barnes</span></a><span style="font-weight: 400;">, a construção cênica (Lyle Wheeler) e toda a </span><i><span style="font-weight: 400;">mise-en-scène </span></i><span style="font-weight: 400;">são pensados para dar vida a uma pessoa morta, ou, de maneira mais macabra, dar um aspecto fúnebre àquilo que está vivo. A residência Manderley se torna quase um personagem, mudando o tom da obra quando aparece. A mansão é quase que um castelo assombrado, sempre imponente, escuro e com capacidade de isolar seus personagens, mesmo estando sempre lotado. Nessa mesma pegada, Rebecca converte-se em um fantasma que vaga pelo castelo, possuindo o corpo de Mrs. Danvers, principalmente pela forma como Hitchcock e Barnes captam a empregada: pouco iluminada, de forma que não dê para ver o seu rosto, apenas o contorno do seu corpo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que a tríade </span><a href="https://www.focorevistadecinema.com.br/FOCO6-7/brisseaupsychohitch.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Psicose</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1960), </span><i><span style="font-weight: 400;">Janela Indiscreta </span></i><span style="font-weight: 400;">(1954) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Vertigo </span></i><span style="font-weight: 400;">sejam as mais celebradas do diretor, </span><i><span style="font-weight: 400;">Rebecca, A Mulher Inesquecível</span></i><span style="font-weight: 400;"> vem logo atrás junto com tantas de suas obras. Como já dito anteriormente, talvez seja possível inferir que o longa foi uma espécie de busca, do Cinema, pela narrativa perfeita sobre a figura da mulher morta. Entretanto, com o passar dos anos, é perceptível que, na realidade, Rebecca também é e sempre foi, perfeita.</span></p>
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		<title>No aniversário de 80 anos, Laura, de Otto Preminger, mostra o poder da imagem</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Oct 2025 13:10:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes O assassinato de uma moça acontece; um detetive escava a vida dela, a fim de descobrir quem é o culpado. Nessa investigação, o policial acaba por perceber que a maioria dos homens na vida dela a amava. Sem se dar conta, ele se apaixona também, apenas pelos resquícios da existência de Laura Hunt &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-laura/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "No aniversário de 80 anos, Laura, de Otto Preminger, mostra o poder da imagem"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35925" aria-describedby="caption-attachment-35925" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35925" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image4-2-800x450.png" alt="Cena de Laura. O filme é em preto e branco. O cenário é o interior de uma casa. À direita está o detetive McPherson, ele usa um sobretudo claro e um chapéu escuro. Ele está olhando para o quadro na esquerda da tela, pendurado na parede, com o rosto impassível. O quadro é uma pintura da personagem Laura. Ela está usando um vestido preto até a altura do peito, deixando seus ombros e braços expostos. Sua cabeça está um pouco inclinada para o ombro esquerdo. O fundo da imagem é um degradê preto e branco, com o preto ao fundo e o branco contornando Laura, dando um aspecto dramático." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image4-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image4-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image4-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image4-2-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image4-2.png 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35925" class="wp-caption-text">Laura foi lançado em 1944, porém chegou ao Brasil em Janeiro de 1945 (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O assassinato de uma moça acontece; um detetive escava a vida dela, a fim de descobrir quem é o culpado. Nessa investigação, o policial acaba por perceber que a maioria dos homens na vida dela a amava. Sem se dar conta, ele se apaixona também, apenas pelos resquícios da existência de Laura Hunt (Gene Tierney). </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-laura-1944/"><i><span style="font-weight: 400;">Laura</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1944),</span> <span style="font-weight: 400;">de Otto Preminger, é mais um dos grandes filmes da história que, apesar de ser inevitavelmente uma representação de seu tempo, se torna mais atual a cada revisão.</span></p>
<p><span id="more-35921"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A relação entre o protagonista e a imagem idealizada da personagem permite diversos olhares. Pensando no próprio Cinema, é possível estabelecer paralelos com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_ykyccq69ns"><i><span style="font-weight: 400;">Vertigo</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1958) de Alfred Hitchcock, na forma como ambos lidam com o tropo da mulher morta. Nesse sentido, o longa de Otto Preminger questiona se o ‘Mestre do Suspense’ é um cineasta clássico ou um maneirista. Contudo, há uma outra forma de enxergar, a partir do advento da internet, das redes sociais e, mais recentemente, das IAs.</span></p>
<figure id="attachment_35922" aria-describedby="caption-attachment-35922" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35922" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-6-800x450.png" alt="Cena de Laura. O filme é em preto e branco. O cenário é o interior de uma casa. À direita está o detetive McPherson em primeiro plano, ele está com uma camiseta branca com gravata. Seu olhar está vago e seu rosto demonstra certa perturbação, ele segura em sua mão direita um copo com alguma bebida. Em segundo plano está o quadro de Laura, que aparenta olhar diretamente para McPherson, que está de costas para a pintura." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-6-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-6-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-6.png 960w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35922" class="wp-caption-text">No filme, a pintura é um personagem, que morre no momento em que Laura aparece (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em termos gerais, o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cvbT0nUJscE"><span style="font-weight: 400;">maneirismo no Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma tendência dos cineastas que vieram, principalmente, após o fim do Cinema Moderno. Estes artistas entendiam que haviam chegado ‘tarde demais’ e perderam a época dos grandes filmes. Assim, eles passaram a buscar sua identidade e marca, a partir das obras clássicas e modernas. Dentro desse contexto, um dos maiores nomes do Cinema Maneirista foi Brian De Palma, que buscava dissecar e, de certa forma, deturpar os clássicos de Hitchcock, encontrando certos aspectos relacionados ao desejo e à violência que, a priori, não eram vistos, formando um traço próprio em sua filmografia. Ou seja, De Palma encontrava sua própria assinatura a partir de outra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com isso posto, voltemos a </span><a href="https://www.cinealerta.com.br/basico-do-cinema/o-basico-do-cinema-conhecendo-um-classico-laura/"><i><span style="font-weight: 400;">Laura</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e a </span><i><span style="font-weight: 400;">Vertigo</span></i><span style="font-weight: 400;">. É muito complicado taxar Hitchcock como maneirista, principalmente por esses argumentos, afinal, ambos os diretores eram contemporâneos e o próprio já havia trabalhado com essa figura ‘necrófila’ em </span><i><span style="font-weight: 400;">Rebecca </span></i><span style="font-weight: 400;">(1940). A preexistência de um filme sobre o mesmo tema já poderia apontar uma falha nesse raciocínio, contudo, a chave para entender essa questão está relacionada à cena do ‘ressurgimento’ de Laura, que pode se conectar com o momento em que Madeleine (Kim Novak) reaparece sobre a personalidade de Judy Barton (também interpretada por Kim Novak).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para compreender a natureza dessa relação, é preciso contextualizar a ideia geral das duas obras. No longa de Otto Preminger, o detetive McPherson (Dana Andrews) se apaixona pela figura de Laura, uma mulher morta, cuja presença ainda é sentida. Enquanto em </span><a href="https://letterboxd.com/cahierspt_br/film/vertigo/"><i><span style="font-weight: 400;">Um Corpo que Cai</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(em português), John Ferguson (James Stewart), Madeleine e Judy Barton formam um triângulo amoroso macabro. No primeiro, o protagonista se encanta pela ideia que constrói, a partir de resquícios da existência de Laura – uma pintura de sua imagem, seu perfume, suas roupas e os relatos de outras pessoas –, no de 1958, o personagem de James Stewart conhece, de fato, Madeleine, e ama aquela pessoa que conheceu. No entanto, mais tarde é descoberto que a mulher nunca existiu, era apenas um papel interpretado por Judy Barton.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Vertigo (10/11) Movie CLIP - Judy Becomes Madeleine (1958) HD" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/tesqTwX7cpc?list=PL30BAE1E1D714C205" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Em ambos os casos, essas </span><a href="https://www.britannica.com/topic/femme-fatale"><i><span style="font-weight: 400;">femmes fatales</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">parecem sofrer uma ‘ressurreição forçada’. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Laura</span></i><span style="font-weight: 400;">, os personagens evocam a sua memória e estabelecem relações com sua imagem mesmo após sua ‘morte’. O momento em que ela retorna é quase a materialização de um sonho de McPherson, o que só é reforçado pela maneira como Preminger dispõe os atores em cena: a chegada de Laura enquanto o detetive dorme e a iluminação no rosto quase desfocada, trazendo um aspecto onírico. Entretanto, este retorno causa uma perturbação no protagonista, que se vê confrontado pela ideia que criou de Laura, com a verdadeira que ‘revive’ na sua frente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto isso, em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mHvAoOi_Hio"><i><span style="font-weight: 400;">Vertigo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não há muito segredo quanto a essa ‘ressurreição forçada’. Afinal, John tenta a todo custo transformar Judy Barton na mulher que ele amava, resultando na clássica cena de Judy saindo do banheiro idêntica a sua alter-ego. A iluminação esverdeada e esfumaçada torna a sua volta algo fantasmagórico. A diferença entre a obsessão e o sonho; entre o que é falso e o que é verdadeiro, sugere um dessecamento, ou anamorfose da imagem original; além disso, na obra, há a tentativa de imputar a existência de algo prévio (Madeleine) no que é ‘novo’ (Judy Barton). Esses dois pontos podem colocar em questão se, de fato, Hitchcock foi um cineasta maneirista, e nesse caso, ele seria quase que um maneirista antecipado, pois ainda não havia terminado o Cinema Moderno – e em alguns países nem sequer havia chegado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27161/tde-29062015-123125/pt-br.php"><i><span style="font-weight: 400;">Vertigo, a teoria artística de Hitchcock</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2015) –</span> <span style="font-weight: 400;">tese de Doutorado feita pelo crítico de Cinema Luiz Carlos de Oliveira Jr. –, essa mesma relação entre Madeleine e o maneirismo é citada e analisada de forma que coloca Hitchcock entre um dos possíveis maneiristas. No capítulo ‘Uma teoria maneirista da arte?’, o autor questiona a posição histórica e o estilo do diretor para reforçar o seu ponto. Afinal, historicamente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vertigo </span></i><span style="font-weight: 400;">se situa ao final do estilo hollywoodiano clássico e, nesse sentido, o cineasta busca encontrar a sua forma limite. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Tal atitude o leva a uma série de procedimentos maneiristas: a construção de espaços irreais (&#8230;), a hipertrofia dos signos plásticos (o trabalho intenso com as luzes, os filtros, os reflexos, as sombras, os efeitos de enquadramento), a anamorfose (os planos da vertigem de Scottie)</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></p>
<figure id="attachment_35923" aria-describedby="caption-attachment-35923" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35923" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-6-800x616.png" alt="Cena de Laura. O filme é em preto e branco. O cenário é o interior de uma casa. À direita está o detetive McPherson, usando uma camisa branca com gravata. Ele está sentado em uma poltrona florida de lado para a câmera. Ele olha para a verdadeira Laura que está à esquerda da imagem. Ela usa um sobretudo claro e um chapéu da mesma cor. Seu rosto demonstra irritação e olha diretamente para McPherson. A iluminação a deixa em evidência. Ao centro, entre os dois, está a pintura, que ganha aspectos ainda mais dramáticos por causa da cena." width="800" height="616" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-6-800x616.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-6-768x591.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-6.png 998w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35923" class="wp-caption-text">A produção começou sob direção de Rouben Mamoulian que não agradou o produtor Darryl Zanuck, com isso o filme passou para as mão de Otto Preminger (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Todavia, é claro que o longa de Otto Preminger tem valores além de sua relação com Hitchcock. O sentimento ‘necrófilo’ que o detetive começa a nutrir surge a partir dos vestígios da vida de Laura, principalmente pela pintura em sua sala. Essas peças soltas que vão se conectando, quase como um quebra-cabeça mental, formam uma imagem romantizada. Assim, o olhar – normalmente investigativo, mas muitas vezes </span><i><span style="font-weight: 400;">voyeurístico</span></i><span style="font-weight: 400;"> – que, geralmente, pertence ao detetive em filmes </span><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i><span style="font-weight: 400;"> e que utiliza essa percepção para encurralar outros personagens – vide a própria cena no </span><i><span style="font-weight: 400;">whisky </span></i><span style="font-weight: 400;">no longa –, passa a tornar-se uma armadilha contra si próprio. É interessante como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iVk34sJpULE"><i><span style="font-weight: 400;">Garota Exemplar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2014) opera na mesma lógica de </span><i><span style="font-weight: 400;">Laura</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas com algumas inversões. O olhar parece disperso, fazendo com que o público seja ignorante sobre a persona Amy (Rosamund Pike) e, após a aparição dela, começa a desconstruir essa figura criada na primeira metade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sobre essa perspectiva, é possível compreender o poder da imagem na construção de uma ideia e como isso se relaciona com o mundo contemporâneo em que somos constantemente sufocados por tais imagens e temos um acervo de informações muito grande na palma da mão. Com as redes sociais, a existência no imaginário coletivo passa a ser associada à divulgação de seus </span><a href="https://www.instagram.com/reel/DOrcMyrgClr/?igsh=aHMxZXp3cmhzdG1m"><span style="font-weight: 400;">dados</span></a><span style="font-weight: 400;"> e à exposição de sua vida. Com tanto conteúdo pessoal disposto na internet à mercê de todos, é criado um duplo digital. Essa persona é quem se relaciona com os outros, afinal, estamos cronicamente </span><i><span style="font-weight: 400;">online</span></i><span style="font-weight: 400;"> e entramos mais em contato com outras pessoas virtualmente do que pessoalmente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma imagem do outro é formada em nosso imaginário a partir do que nos é apresentado via redes sociais. Lemos uma resposta e imaginamos o som e o tom da voz; ouvimos um áudio e pensamos na expressão; vemos um </span><i><span style="font-weight: 400;">post </span></i><span style="font-weight: 400;">ou um </span><i><span style="font-weight: 400;">stories </span></i><span style="font-weight: 400;">e damos vazão a nossa imaginação para criar contexto. No final, existem três versões de uma pessoa: o </span><a href="https://www.instagram.com/reel/DLipiWGA6fO/?igsh=MWtobGx2OWZ0OHZqag=="><span style="font-weight: 400;">duplo virtual</span></a><span style="font-weight: 400;">, a idealizada na mente dos outros e a real. É nesse aspecto que entra Laura</span> <span style="font-weight: 400;">e suas variantes. A criada a partir da pintura, do perfume, do vestido e das memórias – a que surgiu na mente de McPherson e a de carne e osso.</span></p>
<figure id="attachment_35924" aria-describedby="caption-attachment-35924" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35924" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-5-800x450.png" alt=" Cena de Laura. O filme é em preto e branco. O cenário é do interior de uma delegacia, em uma sala de interrogatório. A câmera está próxima dos personagens, enquadrando McPherson e Laura acima dos ombros. À esquerda está McPherson, ele está de costas para a câmera com seu chapéu e casaco, olhando para Laura. Ela olha diretamente para McPherson, com uma expressão um pouco dúbia, que é reforçada pela iluminação, que ilumina metade do rosto dela. Laura está abaixo de McPherson na cena. À direita está uma lâmpada que ilumina o rosto de Laura." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-5-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-5-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-5-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-5.png 1140w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35924" class="wp-caption-text">Laura se enquadra no gênero noir, com a personagem de nome homônimo sendo uma possível Femme Fatale (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As </span><a href="https://feitoporelas.com.br/laura-1944/"><span style="font-weight: 400;">imagens</span></a><span style="font-weight: 400;"> dispostas neste texto não foram selecionadas aleatoriamente, e sim para reforçar, por meio de exemplos claros, essa ideia. Na primeira, o detetive olha para a pintura, dando início ao processo de construção dessa pessoa. Na segunda, é ela quem olha para ele, que parece mais exposto sem o sobretudo e o chapéu. Nesse momento, Laura já está na imaginação do detetive. Na terceira, McPherson é confrontado pela verdadeira Laura. Joseph LaShelle, o diretor de fotografia, faz questão de enquadrar o quadro com a atriz, evidenciando a diferença entre o real, semblante irritado e postura cansada, contra o ideal, aparência meiga e imutável. Por fim, na quarta, ele finalmente a observa verdadeiramente, e nesse momento a perturbação que sentia desde que se apaixonara por sua imagem some.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Voltando um pouco às questões tecnológicas, lógica da pessoa morta e da ‘ressurreição forçada’, com o advento das </span><a href="https://www.instagram.com/reel/DNZB3FWhYUx/?igsh=anp2azNnYmN1ajR2"><span style="font-weight: 400;">Inteligências Artificiais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e dos </span><i><span style="font-weight: 400;">remakes </span></i><span style="font-weight: 400;">em Hollywood, pessoas mortas, de certa forma, voltam à vida de maneira compulsória. A moda atual é utilizar o </span><i><span style="font-weight: 400;">Chat GPT </span></i><span style="font-weight: 400;">ou outras IAs para abraçar virtualmente pessoas, dentre elas artistas e parentes ou amigos mortos. Laura foi evocada pela obsessão de Waldo (Clifton Webb) e McPherson; mas, em Hollywood, Peter Cushing (1913-1994) é recriado digitalmente em </span><a href="https://personaunesp.com.br/rogue-one-uma-historia-star-wars-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Rogue One:</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Uma História Star Wars</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2016) por causa da necessidade incessante de lucro do capitalismo. Familiares, amigos e artistas retornam a partir de uma sociedade que já não reconhece os limites, ou pelo menos busca romper, entre a </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-senhor-dos-mortos-critica/"><span style="font-weight: 400;">vida e a morte</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É razoável pensar que sua influência e relevância sejam eclipsadas por causa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Vertigo</span></i><span style="font-weight: 400;"> – talvez o filme mais refeito na história –, porém, com 80 anos desde que foi lançado no Brasil, </span><a href="http://www.contracampo.com.br/79/dvdlaura.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Laura</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">continua</span> <span style="font-weight: 400;">envelhecendo como vinho, permitindo o surgimento de novas interpretações a cada revisitada. O período histórico e a relação com </span><i><span style="font-weight: 400;">Vertigo</span></i><span style="font-weight: 400;">, podem ter ajudado a se converter em um clássico do Cinema. Contudo, é mais admirável como as mudanças sociais e tecnológicas não o tornaram obsoleto, pelo contrário, fortaleceram suas qualidades.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Laura | #TBT Trailer | 20th Century FOX" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/nzrm_vgoDX0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Há 70 anos, Hitchcock mostrava a beleza e a violência da vida alheia através de uma Janela Indiscreta</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Dec 2024 21:21:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[Alfred Hitchcock]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nathan Sampaio Quem não gosta de uma boa fofoca? Daquelas que descobrimos podres, segredos e detalhes da vida alheia. Alguns poucos – talvez por vergonha de admitir – podem afirmar que não gostam desse ato, enquanto a maioria responderá, com empolgação, que o faz todos os dias. A realidade é que fofocar faz parte do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/janela-indiscreta-70-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 70 anos, Hitchcock mostrava a beleza e a violência da vida alheia através de uma Janela Indiscreta"</span></a></p>
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<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="620" class="wp-image-34649" src="https://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-1567860259212617515-1024x620.jpg" alt="Cena do filme Janela Indiscreta. Tem duas pessoas na imagem. Na esquerda, aparecendo da cintura para cima está Lisa, uma mulher jovem branca, cabelo na altura dos ombros loiro e olhos azuis. Ela usa um vestido preto de manga curta e um colar de pérolas. Na direita, aparecendo só o busto, está Jefferies, um homem de meia idade branco, ele tem cabelo curto grisalho e olho azul. Ele está sentado em uma cadeira de rodas, veste um pijama de botão azul e está olhando por um binóculos. No fundo tem uma prateleira branca com livros e outros objetos desfocados." srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-1567860259212617515-1024x620.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-1567860259212617515-800x484.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-1567860259212617515-768x465.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-1567860259212617515-1536x929.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-1567860259212617515-1200x726.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-1567860259212617515.jpg 1785w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" />
<figcaption class="wp-element-caption">O clássico suspense de Hitchcock completa 70 anos em 2024 (Fonte: Paramount Pictures)</figcaption>
</figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Nathan Sampaio</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Quem não gosta de uma boa fofoca? Daquelas que descobrimos podres, segredos e detalhes da vida alheia. Alguns poucos – talvez por vergonha de admitir – podem afirmar que não gostam desse ato, enquanto a maioria responderá, com empolgação, que o faz todos os dias. A realidade é que fofocar faz parte do nosso cotidiano, e segundo <a href="https://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/1948550619837000?journalCode=sppa&amp;">estudos</a>, podemos passar até 52 minutos do nosso dia praticando a arte do mexerico. Em um ambiente urbanizado, o simples ato de se debruçar sobre a janela e olhar o prédio ao lado já é uma forma de futricar o dia a dia da vizinhança. Porém, o que você faria se, ao buscar se entreter com a rotina de outros, acidentalmente descobrisse que seu vizinho cometeu um crime? Há 70 anos, <a href="https://cinemacomrapadura.com.br/colunas/413407/especial-hitchcock-conheca-a-vida-e-obra-do-mestre-do-suspense/">Alfred Hitchcock</a> fazia essa mesma pergunta.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_NwFxGr7zp0"><em>Janela Indiscreta</em></a>, lançado em 1954, surge com a proposta de unir esse interesse pela vida alheia com um intenso suspense criminal. No longa, acompanhamos L.B. Jefferies (<a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/jimmy-stewart-participacao-em-guerras-e-o-auge-nos-classicos-de-hollywood.phtml">James Stewart</a>), um fotógrafo renomado, que está com a perna quebrada e por isso é obrigado a passar todos os seus dias dentro de casa. Como forma de vencer a monotonia e o tédio do cotidiano, ele passa a observar a rotina de seus vizinhos. Até que, certo dia, o protagonista enxerga uma movimentação suspeita de um dos moradores do prédio ao lado: Lars Thorwald (Raymond Burr) aparenta ter assassinado sua esposa. O personagem central decide se unir com sua namorada – Lisa Carol Fremont (<a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/historia-quem-foi-grace-kelly-atriz.phtml">Grace Kelly</a>) –, sua enfermeira – Stella (Thelma Ritter) – e o Tenente Thomas J. Doyle (Wendell Corey) para tentar solucionar o caso.</p>



<p><span id="more-34655"></span></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" class="wp-image-34650" src="https://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-26478109052714806487-1024x683.jpg" alt="Cena do filme Janela Indiscreta. Tem uma pessoa na imagem. No centro aparecendo o torso, está Jefferies. Ele está sentado na cadeira de rodas, veste um pijama de botão azul e segura uma câmera fotográfica com uma lente teleobjetiva nas mãos. No fundo tem uma prateleira branca com objetos desfocados." srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-26478109052714806487-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-26478109052714806487-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-26478109052714806487-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-26478109052714806487.jpg 1170w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" />
<figcaption class="wp-element-caption">James Stewart trabalhou com Hitchcock em Festim diabólico (1948), O homem que sabia demais (1956) e Um corpo que cai (1958) [Fonte: Paramount Pictures]</figcaption>
</figure>



<p class="wp-block-paragraph">A <a href="https://www.youtube.com/watch?v=6gpY4r_MG1A">direção</a> de Hitchcock coloca o espectador na mesma posição do protagonista, de forma que a trama surge e se desenrola por meio da perspectiva de Jefferies. Seguimos seus olhares e ouvimos suas conclusões sobre a vida dos seus vizinhos, bem como ficamos curiosos e titubeantes diante de comportamentos tão estranhos do suposto assassino. A <a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ugpo4amGyAs">experiência</a> de observar e incapacidade de agir diante dos acontecimentos é o que torna o filme genial e angustiante ao mesmo tempo: o protagonista e o espectador estão do mesmo lado, e são passivos e dependentes da ação de outros personagens para avançar suas hipóteses do que ocorreu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O longa-metragem – baseado no conto <a href="https://www.sjsu.edu/people/edwin.sams/courses/c5/s0/woolrich.pdf"><em>It Had To Be Murder</em></a>, escrito por Cornell Woolrich em 1942 – é uma quebra, muito bem executada, da estrutura padrão de uma história de investigação e suspense. Ao invés do detetive conversar com várias pessoas e circular por locais de interesse, o protagonista é forçado a tirar suas conclusões apenas observando o comportamento do suspeito pela janela de casa. Essa linha narrativa escolhida apresenta limitações, como o espaço em que os atores observados aparecem e a falta de diálogos, – que foram muito bem contornados pela direção.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="800" height="484" class="wp-image-34651" src="https://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-3446040196448876531-800x484.jpg" alt="Cena do filme Janela Indiscreta. A imagem mostra três prédios de tijolos à vista. Na esquerda tem a lateral de um prédio de tijolos marrons, é possível ver uma escada de incêndio nele. No centro tem um prédio bege, nele tem dois apartamentos, um em cima e outro embaixo, o de cima está com as janelas e porta abertas. Na direita tem um prédio de três andares marrom, cada andar tem um apartamento e todos estão com as janelas abertas." srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-3446040196448876531-800x484.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-3446040196448876531-768x464.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-3446040196448876531.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" />
<figcaption class="wp-element-caption">O cenário foi inteiramente construído: foram erguidos 31 apartamentos, sendo que 12 foram totalmente mobiliados (Fonte: Paramount Pictures)</figcaption>
</figure>



<p class="wp-block-paragraph">O <a href="https://www.youtube.com/watch?v=wuy8HD5gVUk">cenário</a> do prédio foi construído com janelas grandes, que permitem que os investigadores tenham bastante visibilidade do espaço e do que os vizinhos – principalmente o suspeito –, estão fazendo dentro de seus apartamentos. O <a href="https://pnc.gov.pt/glossary/m">posicionamento dos atores</a> nas casas e uso de linguagem corporal de cada um deles são magníficos. Sem esse tipo de trabalho, seria difícil para o espectador tirar suas próprias conclusões dos acontecimentos, tornando-o eternamente dependente de explicações dos protagonistas, o que raramente acontece. A trama é feita para que o público crie suas hipóteses e ouça os pontos de vista dos personagens, de forma que é possível confiar ou desacreditar totalmente do crime, que supostamente ocorreu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora o mistério seja a parte mais envolvente do longa, há ainda <a href="https://youtu.be/DKCGcHQSvHw?si=WCUbswCNJPkMA8Gn">subtramas</a> em cada apartamento que são tão cativantes quanto a narrativa principal. Esses personagens não têm um nome, mas um apelido que está ligado ao seu drama particular ou a uma característica definidora. Srta. Torso (Georgine Darcy), por exemplo, é uma bailarina que vive cercada de homens, mas não parece amar nenhum deles;  já a Srta. Coração Solitário (Judith Evelyn) é uma mulher de meia-idade que sente falta de um companheiro para si. Essas mini-histórias fazem com que o ambiente pareça vivo e natural, e são tão bem contadas que podemos nos apegar a vizinhos que mal sabemos o som da sua voz.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="548" class="wp-image-34652" src="https://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-44587911369043616634-1024x548.jpg" alt="Cena do filme Janela Indiscreta. A imagem mostra um prédio com duas janelas abertas, em cada uma tem uma pessoa, mas elas estão no mesmo apartamento. Na esquerda aparece Thorwald, um homem de meia idade branco, ele tem cabelo curto grisalho e olho azul. Ele veste uma camisa branca e uma calça azul. Ele olha as horas no relógio e segura seu óculos com a mão direita. Na direita tem Anna Thorwald, uma mulher de meia idade branca, ela tem cabelo nos ombros loiro, não é possível ver a cor dos seus olhos. Ela veste uma camisola branca e está deitada na cama. O prédio é de tijolo a vista marrom." srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-44587911369043616634-1024x548.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-44587911369043616634-800x428.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-44587911369043616634-768x411.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-44587911369043616634-1200x642.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-44587911369043616634.jpg 1386w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" />
<figcaption class="wp-element-caption">Hitchcock ficava em um dos apartamentos dirigindo os atores, que recebiam instruções através de fones de ouvido (Fonte: Paramount Pictures)</figcaption>
</figure>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspecto marcante do longa, que o destaca na filmografia de Hitchcock, é o uso constante de <a href="https://institutodecinema.com.br/mais/conteudo/o-som-do-cinema-trilhas-diegeticas-e-extra-diegeticas">som diegético</a>, ou seja, efeitos e trilha sonora são ouvidos tanto pelo espectador quanto pelos personagens em cena. Esse recurso foi empregado para aumentar a <a href="https://www.youtube.com/watch?v=mY-rxqSGFJ4&amp;ab_channel=EntrePlanos">imersão</a>, pois dessa forma, podemos enxergar e ouvir o mesmo que Jefferies ouve. Ainda que a sonorização seja composta de ruídos urbanos e músicas instrumentais, é possível obter pistas sobre o caso, pois toda vez que Thorwald está em cena pode-se ouvir sirenes, buzinas e outros barulhos de alerta, indicando que algo está fora do comum naquele apartamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://youtu.be/zEGSrc2BIao?si=qymQH9tQalVr-VDF">James Stewart</a> faz uma interpretação que beira a paranoia e obsessão. Sua busca incessante pela verdade do que aconteceu com a vizinha é algo que pode até ser irritante para os espectadores, ainda mais que essa compulsão faz com que ele se afaste de Lisa, que mesmo assim permanece irredutível em buscá-lo. A relação entre os dois é o ponto mais baixo do filme, pois em muitos momentos é difícil simpatizar com o protagonista, que julga o modo de vida de sua namorada, dizendo que jamais combinaria com o seu modo aventureiro de viver.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="619" class="wp-image-34653" src="https://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-52514965485871148191-1024x619.jpg" alt="Cena do filme Janela Indiscreta. Tem uma pessoa na imagem. No centro, da cintura para cima, aparece Lisa. Ela usa um vestido de manga cavada branco com estampa de flores em dourado. Ela segura uma bolsa marrom nas mãos e olha na direção da câmera. No fundo tem uma cama com malas." srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-52514965485871148191-1024x619.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-52514965485871148191-800x483.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-52514965485871148191-768x464.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-52514965485871148191.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" />
<figcaption class="wp-element-caption">O figurino de Grace Kelly foi feito pela estilista Edith Head, que, ao longo de sua vida, ganhou 8 estatuetas do Oscar por seu trabalho (Fonte: Paramount Pictures)</figcaption>
</figure>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, o arco de Lisa é construído para rebater completamente os argumentos de Jefferies. <a href="https://epoca.globo.com/vida/noticia/2014/03/bgrace-kellyb-nascida-para-reinar.html">Grace Kelly</a> rouba a cena, e, até mesmo, o protagonismo em alguns momentos, ao interpretar uma personagem sagaz, inteligente e corajosa, isto porque, assim que se envolve no mistério, ela já cria suas próprias hipóteses e faz apontamentos que irão se provar certeiros. Além disso, a designer de moda tem um papel importantíssimo no final, sendo a responsável por reunir evidências essenciais para o caso. O fato dela atuar de forma direta na investigação e por colocar sua própria vida em risco em muitos momentos sem perder nenhum traço das suas características, é impecável e desafia tudo o que seu parceiro dizia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na época, o longa foi indicado em quatro categorias do <a href="https://www.oscars.org/oscars/ceremonies/1955"><em>Oscar</em></a>: Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia e Melhor Mixagem de Som; mas infelizmente não venceu nenhuma delas. Embora não tenha sido indicada na maior premiação do cinema, Grace Kelly chegou a receber outros prêmios de Melhor Atriz, como o <a href="https://nationalboardofreview.org/"><em>National Board of Review Awards</em></a> e o <a href="https://www.nyfcc.com/awards/"><em>New York Film Critics Circle Awards</em></a>.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="619" class="wp-image-34654" src="https://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-64424316323471329348-1024x619.jpg" alt="Cena do filme Janela Indiscreta. Tem duas pessoas na imagem. Na esquerda, sentado na cadeira de rodas está Jeffereis, ele veste um pijama de botão azul e segura um copo nas mãos. Ele está olhando para Lisa. Na direita está Lisa, aparecendo do joelho para cima. Ela veste uma camiseta branca de manga curta, uma saia branca com estampa de flores em preto, uma pulseira grossa de joias brilhantes e um colar de pérolas. Ela também segura um copo com as mãos. No fundo tem um conjunto de prédios desfocados." srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-64424316323471329348-1024x619.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-64424316323471329348-800x483.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-64424316323471329348-768x464.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-64424316323471329348-1200x725.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/imagem-64424316323471329348.jpg 1341w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" />
<figcaption class="wp-element-caption">A relação dos protagonistas foi baseado no relacionamento do fotógrafo Robert Capa e da atriz Ingrid Bergman (Fonte: Paramount Pictures)</figcaption>
</figure>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Rare Window</em> (no original) permanece atual e relevante até hoje, por ter fundado um subgênero do suspense: observar um crime pela janela e, a partir disso, começar uma investigação. A reutilização deste <a href="https://www.projetoescritacriativa.com/2022/08/o-que-sao-tropos-narrativos.html">tropo narrativo</a> muito se deve à atualidade da obra original, afinal, com o passar dos anos e a criação da internet e redes sociais, a população mundial se torna cada vez mais interessada pela vida alheia. Os filmes <a href="https://www.youtube.com/watch?v=fg65NRH9w3U"><em>Paranóia</em></a> (2007), <a href="https://www.youtube.com/watch?v=K9OjUWn3LrE"><em>A Mulher na Janela</em></a> (2021) e <a href="https://www.youtube.com/watch?v=R0FJnvHGbYw"><em>Observador</em></a> (2022) são alguns exemplos de obras similares, que bebem muito do suspense feito por Hitchcock.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Escrito, produzido e filmado há 70 anos, <em>Janela Indiscreta</em> ainda é um suspense muito charmoso, que consegue proporcionar uma experiência bem cativante e divertida. Depois de assistir esse clássico do cinema é impossível olhar pela janela de casa da mesma forma, afinal poderemos nos deparar com os dramas do cotidiano ou com segredos obscuros, que os nossos vizinhos buscam esconder ao máximo.</p>



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<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/janela-indiscreta-70-anos/">Há 70 anos, Hitchcock mostrava a beleza e a violência da vida alheia através de uma Janela Indiscreta</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Bates Motel é bem mais que uma série sobre as consequências de transtornos psiquiátricos</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Oct 2021 17:00:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Sabrina G. Ferreira Quem nunca ouviu falar sobre uma história de um filho que tem uma relação complexa, quase incensuosa (ou melhor dizendo, de “estranha proximidade”), com a mãe, que ao perdê-la de forma repentina e trágica, passa a cometer assassinatos ao incorporar a personalidade da mulher? Este é o ponto de partida de Bates &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/bates-motel-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Bates Motel é bem mais que uma série sobre as consequências de transtornos psiquiátricos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_23801" aria-describedby="caption-attachment-23801" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23801 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1-1.jpg" alt="Cena da série Bates Motel. Na imagem, vemos o Motel Bates, pequeno e simples, com paredes feitas com ripas de madeira, uma janela na lateral, com algumas plantas embaixo, e um pouco mais à direita, uma placa escrita “office”, mostrando a direção do escritório dos administradores do local. Há também um pequeno poste de luz próximo à janela, que no momento, está aceso. Do lado esquerdo, há uma escada que sobe para uma pequeno barranco, e direciona para a casa da família Bates, também antiga e simples, toda feita em madeira. Logo mais à frente, há uma placa com os dizeres iluminados em neon na cor azul “Bates Motel”, e abaixo, em laranja está escrito “No Vacancy” (ou, “Sem Vagas”). A imagem é toda em preto e branco, com exceção da placa. O ambiente é ao ar livre, e está de noite." width="1000" height="667" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1-1.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1-1-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23801" class="wp-caption-text">Vista frontal do “Motel Bates” e ao fundo, a casa da família Bates (Foto: A&amp;E)</figcaption></figure></p>
<p><b>Sabrina G. Ferreira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem nunca ouviu falar sobre uma história de um filho que tem uma relação complexa, quase incensuosa (ou melhor dizendo, de “estranha proximidade”), com a mãe, que ao perdê-la de forma repentina e trágica, passa a cometer assassinatos ao incorporar a personalidade da mulher? Este é o ponto de partida de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bates Motel</span></i><span style="font-weight: 400;">, que chama a atenção dos amantes de Terror, principalmente pelo seu nome, que tem como referência uma história contada já a algumas décadas atrás, no clássico filme </span><a href="https://www.dw.com/pt-br/1960-estreia-o-filme-psicose/a-2387031"><i><span style="font-weight: 400;">Psicose</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1960), do aclamado diretor </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/9-filmes-essenciais-para-entender-alfred-hitchcock-o-mestre-do-suspense-lista/"><span style="font-weight: 400;">Alfred Hitchcock</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-23800"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Criada pelo roteirista </span><a href="https://moviefit.me/pt/persons/58890-anthony-cipriano"><span style="font-weight: 400;">Anthony Cipriano</span></a><span style="font-weight: 400;"> (da série </span><a href="https://www.themoviedb.org/tv/10439-the-jersey"><i><span style="font-weight: 400;">The Jersey</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), e produzida por </span><a href="https://variety.com/exec/carlton-cuse/"><span style="font-weight: 400;">Carlton Cuse</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://www.f5news.com.br/blogs-e-colunas/levando-a-serie/porque-vale-a-pena-ver-ou-rever-uma-dos-maiores-sucessos-de-todos-os-tempos-lost.html"><i><span style="font-weight: 400;">Lost</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), e </span><a href="https://www.goldderby.com/article/2020/kerry-ehrin-the-morning-show-apple-tv-video-interview-transcript/"><span style="font-weight: 400;">Kerry Ehrin</span></a><span style="font-weight: 400;"> (de </span><a href="https://collider.com/when-is-friday-night-lights-streaming-on-netflix/"><i><span style="font-weight: 400;">Friday Night Lights</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), a série conta, em cinco temporadas, a história de uma mãe, Norma Bates (interpretada de forma impecável por </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2013/aug/01/vera-farmiga-conjuring-bates-motel-interview"><span style="font-weight: 400;">Vera Farmiga</span></a><span style="font-weight: 400;">), que após a misteriosa morte do marido, muda-se para a pequena cidade de White Pine Bay, em Oregon, levando consigo seu filho adolescente de dezessete anos, Norman Bates (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ryv0jr8_WC0"><span style="font-weight: 400;">Freddie Highmore</span></a><span style="font-weight: 400;">). Com o propósito de conseguir uma forma de sustento, ela adquire um velho e abandonado motel e o casarão ao lado (também antigo, claro!). Outro detalhe é a localização destes imóveis, que ficam em uma estrada remota, de difícil acesso aos motoristas, tornando o motel um local de pouca procura para hospedagem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo no primeiro episódio, somos introduzidos ao protagonista: o jovem Norman Bates; e nos damos conta dos </span><a href="https://institutoexito.net.br/artigo/as-multiplas-personalidades-em-norman-bates"><span style="font-weight: 400;">distúrbios mentais</span></a><span style="font-weight: 400;"> que o personagem enfrenta. Norman sofre de um transtorno de bipolaridade, que algumas vezes o fazia pensar ser a própria mãe, a tal ponto de se vestir e falar como ela. Nesses momentos de “apagões”, ele podia fazer coisas abomináveis com as pessoas que estivessem próximas a ele, e logo depois, quando voltava a si, não se lembrava de nada que havia acontecido, e ainda culpava a mãe por seus atos maldosos.</span></p>
<p><figure id="attachment_23802" aria-describedby="caption-attachment-23802" style="width: 615px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23802" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-1.jpg" alt="Cena da série Bates Motel. Na imagem, vemos Norman Bates, vestindo um roupão de cor verde água estampado. Ele tem cabelos castanhos, repartidos de lado, pele clara e olhos azuis. Está em pé, parado em frente a uma porta de madeira aberta, e está com os braços cruzados em frente ao corpo. Atrás dele, no seu lado esquerdo, há uma cortina de cor bege, e ele está conversando com uma mulher de cabelos longos, que está virada de costas para a câmera, impossibilitando de visualizá-la com mais detalhes. O ambiente é interno, e está de dia." width="615" height="335" /><figcaption id="caption-attachment-23802" class="wp-caption-text">Norman Bates incorporando a personalidade de sua mãe, Norma Bates (Foto: A&amp;E)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A mãe de Norman, Norma Bates, também sofre de evidentes distúrbios de bipolaridade, com seu humor alternando entre explosões de raiva e momentos de extrema delicadeza. Em alguns episódios, ela se mostra como uma mãe controladora do filho, mas em outros, ela se torna uma espécie de vítima, cujas ações nada mais são do que reflexos de tudo o que ela já passou. Estes elementos se manifestam na personagem de forma a construir uma mulher visivelmente angustiada, que guarda um segredo “a sete chaves”; ou até mesmo como alguém que vive perturbada por seus próprios demônios, pois consciente do </span><a href="https://segredosdomundo.r7.com/norman-bates/"><span style="font-weight: 400;">comportamento psicopata</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu próprio filho, Norma tenta de todas as formas mantê-lo longe das pessoas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, alguns dos principais distúrbios comportamentais presentes nos genes de Noman também são visíveis em sua mãe. Filha de pai abusivo, quando jovem, Norma desenvolveu uma relação semelhante, porém, com seu irmão mais velho, Caleb (</span><a href="https://www.cbs.com/shows/swat/cast/215708/"><span style="font-weight: 400;">Kenny Johnson</span></a><span style="font-weight: 400;">), e isso a atormentou por anos, pois ela teve que conviver com a constante culpa por ter, na época, amado seu irmão de volta. Este relacionamento violento e com abusos psicológicos de Caleb com Norma pode ser interpretado como uma </span><a href="https://segredosdomundo.r7.com/sindrome-de-estocolmo/"><span style="font-weight: 400;">Síndrome de Estocolmo</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Analisando a dependência de Norman com sua mãe, podemos supor que, por não possuir uma figura paterna, o filho cria uma grande conexão com a materna, e da mesma maneira &#8211; como Freud explica -, acaba vinculando a sua libido a ela. Há até mesmo uma suposição de que Norman, quando criança, possa ter sido </span><a href="https://citedatthecrossroads.net/chst332/2014/03/23/what-is-wrong-with-norman-bates/"><span style="font-weight: 400;">abusado pela sua mãe</span></a><span style="font-weight: 400;">, e como consequência, passou a ter sentimentos conflitantes por ela, pois a confusão de sentimentos e a culpa são muito frequentes em crianças e adolescentes que sofrem este tipo de trauma. </span></p>
<p><figure id="attachment_23803" aria-describedby="caption-attachment-23803" style="width: 1224px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23803" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3-1.jpg" alt="Cena da série Bates Motel. Na imagem, vemos Norman Bates deitado em uma cama, com uma coberta e um travesseiro, ambos de cor bege. Ele tem pele clara, olhos azuis, cabelos castanhos e está vestindo uma camisa azul marinho, com listras azuis claras. Apoiada sobre ele, está a sua mãe, Norma Bates. Ela é loira, com cabelos loiros e enrolados, de comprimento até os ombros. Ela está vestindo uma camisa florida, e está com as suas mãos apoiadas sobre o filho. Atrás deles, há uma parede verde clara, uma luminária acesa, e uma prateleira pequena em madeira, com um dinossauro de brinquedo em cima. O ambiente é interno, e está de noite." width="1224" height="760" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3-1.jpg 1224w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3-1-800x497.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3-1-1024x636.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3-1-768x477.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3-1-1200x745.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23803" class="wp-caption-text">Norma Bates consolando seu filho, Norman (Foto: A&amp;E)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ademais, é válido salientar que além de se tratar de uma série de horror, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bates Motel</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz também uma conscientização quanto aos distúrbios mentais em pessoas de uma mesma família, e os possíveis traumas que podem ser ocasionados em indivíduos, ainda em fase de desenvolvimento, vítimas de abusos, físicos e mentais, por exemplo. Na maioria das vezes, </span><a href="https://emais.estadao.com.br/noticias/comportamento,assedio-sexual-pode-influenciar-vitima-a-se-tornar-abusador-entenda,70003184922"><span style="font-weight: 400;">o abusador também já foi um dia abusado</span></a><span style="font-weight: 400;">, igual Norma, que além disso, também não aprendeu, ainda na infância, sobre os limites de intimidade que precisam ser impostos entre familiares, e tem algumas atitudes equivocadas, como dormir na mesma cama do filho de dezoito anos de idade. </span><span style="font-weight: 400;">No caso de Norman, há </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=D5qZKLg_2UU"><span style="font-weight: 400;">uma releitura moderna de Édipo</span></a><span style="font-weight: 400;">, com momentos que alternam entre raiva e uma enorme dependência emocional pela mãe, assim, quando ela inicia um relacionamento amoroso com outro homem, </span><a href="https://cartermatt.com/54208/bates-motel-a-deeper-look-into-norman-bates-and-normas-relationship/"><span style="font-weight: 400;">Norman se sente ameaçado</span></a><span style="font-weight: 400;"> e manifesta medo em perdê-la. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No decorrer das temporadas, vão surgindo outros personagens na trama, como a misteriosa Emma Decody (</span><a href="https://www.independent.co.uk/arts-entertainment/films/features/olivia-cooke-interview-house-of-the-dragon-b1822467.html"><span style="font-weight: 400;">Olivia Cooke</span></a><span style="font-weight: 400;">), que, possivelmente, é aquela em que o espectador mais poderá se identificar. No início, Emma era uma amiga próxima de Norman, e  pensamos até mesmo haver uma possível paixão entre os dois. Porém, após ela conhecer o meio-irmão (e primo) de Norman, Dylan (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=l1K6ycSr-U4"><span style="font-weight: 400;">Max Thieriot</span></a><span style="font-weight: 400;">), acaba se apaixonando por ele, e no decorrer das temporadas, acabam tendo </span><a href="https://ew.com/recap/bates-motel-season-5-episode-9/"><span style="font-weight: 400;">uma relação estável</span></a><span style="font-weight: 400;">, formando uma família juntos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sendo assim, a cada episódio, as “nuances” dos personagens se acentuam ainda mais, principalmente na terceira temporada, que é quando Norman se torna cada vez mais </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1TO12MVSPng"><span style="font-weight: 400;">parecido com a sua versão no filme </span><i><span style="font-weight: 400;">Psicose</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma vez que a personalidade de sua mãe passa a aparecer com mais frequência para ele. Desta forma, ele passa a ter a postura de enfrentá-la, ou assumir seus atos, que já não passam mais tão despercebidos para ele, e as máscaras começam a cair para Norman e Norma Bates.</span></p>
<p><figure id="attachment_23804" aria-describedby="caption-attachment-23804" style="width: 620px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23804" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4-1.jpg" alt="Cena da série Bates Motel. Na imagem, vemos Norman Bates parado de frente para a câmera. Ele tem pele clara, olhos azuis, cabelos castanhos e está vestindo um paletó de cor grafite, com uma blusa, e ainda por baixo, uma camisa branca. Ele tem uma expressão assustada, com a boca levemente aberta, e em seu rosto, possui ferimentos com sangue. Atrás dele, é possível ver algumas árvores e uma estrada, porém, está fora de foco. O ambiente é externo, e está de noite." width="620" height="413" /><figcaption id="caption-attachment-23804" class="wp-caption-text">Norman Bates em cena trágica da 5ª temporada (Foto: A&amp;E)</figcaption></figure></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enfim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bates Motel </span></i><span style="font-weight: 400;">é</span> <span style="font-weight: 400;">uma série obscura, que não começa com um assassinato de uma jovem de cabelos loiros em um banheiro de motel, como no filme dos anos sessenta. A nível de comparação, só temos um vislumbre da personagem principal do longa, </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/com-rihanna-bates-motel-muda-cena-do-chuveiro-de-psicose/"><span style="font-weight: 400;">Marion Crane</span></a><span style="font-weight: 400;"> (desta vez, interpretada por </span><a href="https://www.vulture.com/2017/03/bates-motel-casting-rihanna-marion-crane.html"><span style="font-weight: 400;">Rihanna</span></a><span style="font-weight: 400;">), em dois episódios da última temporada, e até mesmo o desfecho desta personagem na série, felizmente, é outro. Essa é uma história sobre a família Bates, ou seja, Norman e Norma, e nada mais. O que espanta, no entanto, é que ao contrário do que acontece no filme, aqui, criamos uma relação de </span><a href="https://www.salon.com/2013/03/19/we_need_to_talk_about_norman/"><span style="font-weight: 400;">empatia pelo psicopata</span></a><span style="font-weight: 400;">, sentindo muitas vezes compaixão por ele, e passamos a vê-lo como alguém de “bom coração”, mas que sofre de uma doença mental que </span><a href="https://analise-comportamental.webnode.com/news/norman-bates-o-dono-do-bates-motel-analise-psicologica-/"><span style="font-weight: 400;">toma conta dele</span></a><span style="font-weight: 400;"> de forma involuntária. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A série, assim como muitas, não é isenta de erros, como por exemplo, quando dá soluções rápidas e fáceis aos problemas que surgem nos episódios, quando poderia trabalhar na construção dos personagens e das situações aos poucos, a longo prazo. Mas de forma geral, no final temos um enredo muito bem construído, com um final surpreendente, e até mesmo aceitável, para a maioria dos personagens. </span><i><span style="font-weight: 400;">Bates Motel</span></i><span style="font-weight: 400;"> explica de forma espetacular a doença de Norman e constrói uma rede em torno dele, </span><a href="https://www.cbr.com/bates-motel-more-disturbing-psycho/"><span style="font-weight: 400;">dando um ressignificado para algo</span></a><span style="font-weight: 400;"> que foi a muito tempo contado, mas agora, com o jeito crível e detalhado de contar história, com capacidade para conscientizar o espectador, próprio da nossa geração.</span></p>
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