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		<title>Mussum, o Filmis: o samba e o humor brasileiro agradecem</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Nov 2023 19:44:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Mussum, o Filmis chegou às telas em uma safra fértil para as personalidades brasileiras: alguns meses depois de Nosso Sonho, junto do documentário Elis e Tom, Só Tinha de Ser com Você e Meu Nome é Gal, e pouco antes de Meu Sangue Ferve por Você. Haja cultura e diversidade em um ano &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/mussum-o-filmis-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Mussum, o Filmis: o samba e o humor brasileiro agradecem"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31839" aria-describedby="caption-attachment-31839" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-31839" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586.jpg" alt="" width="1280" height="531" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586-800x332.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586-1024x425.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586-768x319.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/mussum-e1699901741586-1200x498.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31839" class="wp-caption-text">Maior estreia nacional em 2023, Mussum, o Filmis integrou a programação da 47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Downtown Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegou às telas em uma safra fértil para as personalidades brasileiras: alguns meses depois de </span><a href="https://personaunesp.com.br/nosso-sonho-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nosso Sonho</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, junto do documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">Elis e Tom, Só Tinha de Ser com Você </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eV1cJ560K2E"><i><span style="font-weight: 400;">Meu Nome é Gal</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e pouco antes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Meu Sangue Ferve por Você</span></i><span style="font-weight: 400;">. Haja cultura e diversidade em um ano em que, independentemente dos desempenhos individuais de cada obra, o Cinema nacional mostrou a potência que é &#8211; e que poderia ser ainda maior com </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/08/as-cotas-de-tela-sao-positivas-para-o-cinema-brasileiro-e-precisam-ser-retomadas.shtml"><span style="font-weight: 400;">políticas públicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que verdadeiramente valorizassem esse potencial. Para melhorar, a envolvente cinebiografia do sambista, ator e comediante Mussum, eternamente conhecido pelo seu papel como um dOs Trapalhões, arranca risadas fáceis e, não por menos, estreou com seis Kikitos do Festival da Gramado na bagagem, além de passagens pelo Festival do Rio 2023 e pela 47ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, na seção Mostra Brasil.</span></p>
<p><span id="more-31833"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">veio com um desafio: adaptar para as telas, em pouco menos de duas horas, a vida de uma personalidade polivalente, que se destacou na Música, na TV e no Cinema. Logo aqui, o roteiro de Paulo Cursino toma uma decisão importante de focar menos no extenso currículo pelo qual o profissional é conhecido e mais em Antônio Carlos Bernardes Gomes, nome real de </span><a href="https://gshow.globo.com/tudo-mais/tv-e-famosos/noticia/ailton-graca-explica-origem-do-apelido-mussum-e-um-peixe.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Mussum</span></a><span style="font-weight: 400;">. É por esse título (ou melhor, Carlinhos) que ele era conhecido em sua faceta artística preferida, a de sambista, e o apelido da Televisão vira coadjuvante em uma história que mostra os bastidores pessoais do Trapalhão.</span></p>
<figure id="attachment_31834" aria-describedby="caption-attachment-31834" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31834" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-2.jpg" alt="" width="750" height="421" /><figcaption id="caption-attachment-31834" class="wp-caption-text">Estreando na direção de longas-metragem em Mussum, Silvio Guindane é mais conhecido por seu trabalho como ator, tendo participado Bom Dia, Verônica e É Fada (Foto: Downtown Filmes)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">é pau para toda obra: entre comédia e drama, a obra entrega excelência, risadas e emoções. Além de transitar entre os dois gêneros, o longa-metragem &#8211; o primeiro de Silvio Guindane na direção -, passeia entre a </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/noticia/2023/10/22/ailton-graca-mussum-e-um-personagem-tao-grande-que-precisa-de-tres-atores-para-dar-vida.ghtml"><span style="font-weight: 400;">vida pessoal de Carlinhos</span></a><span style="font-weight: 400;"> desde a infância até o auge da carreira na Rede Globo, esquivando até de alguns clichês. Por exemplo, a origem humilde do menino, que cresceu com uma mãe solo diarista e sem pai por perto no Rio de Janeiro, ganha tons de comédia com uma mãe mestre em arrancar sorrisos. Interpretada por Cacau Protásio em um primeiro momento, Malvina ensina o filho que estudar é o mais importante na vida e que, como jogador de futebol ou sambista, ele não vai dar certo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O erro é claro. O doce Carlinhos, até aqui vivido por um carismático Thawan Lucas Bandeira, vai para um colégio interno e vira militar. Pelo menos, isso é o que a versão jovem adulta de </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/entrevistas/mussum-o-filmis-todo-mundo-brinca-que-foi-uma-parada-espiritual-que-o-mussum-baixou-em-mim-naquele-momento-revela-yuri-marcal/"><span style="font-weight: 400;">Yuri Marçal</span></a><span style="font-weight: 400;"> conta. Cheio de caras e bocas, o protagonista é apresentado como um sambista de primeira e, mesmo que minta para mãe sobre seu paradeiro, ganha a vida tocando junto de Elza Soares e fazendo mais dinheiro do que ele poderia imaginar, o que o faz largar o Exército e investir de vez na carreira. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">é econômico em como ele chegou até ali, mas, mais para frente, mostra que a economia na verdade era sucintez.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fato é: a formação que tocou com a rainha da Música brasileira era </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rvuNLJX1Pt8&amp;pp=ygUZb3JpZ2luYWlzIGRvIHNhbWJhIHRlcmV6YQ%3D%3D"><span style="font-weight: 400;">Os Originais do Samba</span></a><span style="font-weight: 400;">, grupo de Antônio Carlos que se tornou notório no gênero musical. No entanto, por mais que Carlinhos estivesse satisfeito com o título de musicista dividindo uma roda de samba com Cartola, a sorte (ou o acaso) o chamou. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mussum</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostra como, em uma apresentação na Rede Globo, o artista foi notado pelo diretor e, de um segundo para o outro, estava dividindo o palco com Grande Otelo e ganhando o apelido que o acompanharia pelo resto de seus dias.</span></p>
<figure id="attachment_31835" aria-describedby="caption-attachment-31835" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31835" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-4.jpg" alt="" width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-31835" class="wp-caption-text">O longa-metragem foi sucesso de bilheteria e, logo no dia da estreia, arrecadou R$ 640 mil, se tornando a maior estreia nacional do ano (Foto: Downtown Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse momento, Carlinhos já é </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/ailton-graca-sobre-mussum-o-racismo-cria-estereotipos-para-homem-preto"><span style="font-weight: 400;">Ailton Graça</span></a><span style="font-weight: 400;">. As transições cheias de estilo, que combinam com o tom descontraído que o longa propõe, engolem alguns eventos importantes da vida de Mussum, sem um controle certo do tempo. Porém, o roteiro admite (e acerta) que não tenta abraçar o mundo com as mãos. Passagens como o primeiro e o segundo casamento do artista, sua relação com os filhos e até o início da colaboração com a </span><a href="https://oglobo.globo.com/blogs/ancelmo-gois/post/2023/10/mussum-o-filmis-sera-exibido-na-quadra-da-mangueira-grande-paixao-do-humorista.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Estação Primeira de Mangueira</span></a><span style="font-weight: 400;"> passam batido, mas compensam o espectador com outros momentos igualmente emocionantes. É impossível não se emocionar com o pequeno ensinando a mãe a escrever o nome ou sentir que está vendo a história se desenrolando ao testemunhar o comediante e a cantora Alcione (</span><span style="font-weight: 400;">Clarice Paixão</span><span style="font-weight: 400;">) no mesmo quadro, ou Chico Anysio (Vanderlei Bernardino) criando o dialeto que deixou o personagem caricato na Escolinha do professor Raimundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem carrega toda essa emoção é Graça. O veterano da TV e do Cinema fecha o trio de ouro com a versão mais velha de Mussum, vivendo sua ascensão na frente das câmeras e na Música, desde a descoberta até a crise no grupo de samba e a entradas n</span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/televisao/em-1983-lucro-exorbitante-de-renato-aragao-provocou-rebeliao-em-os-trapalhoes-39202"><span style="font-weight: 400;">Os Trapalhões</span></a><span style="font-weight: 400;">. O filme deixa claro como o carisma e o bom humor de Antônio Carlos &#8211; e não Mussum &#8211; o alçou ao estrelato, chamando atenção inclusive de Anysio e Renato Aragão (Gero Camilo), que posteriormente o convidaria para integrar o quarteto mais famoso do domingo. Nisso, o ator igualmente carismático usa da sua maestria para preencher todos os espaços em que adentra, seja pela extravagância de sua risada, seu jeito cômico e magnético de falar ou por sua personalidade real, que o levaria a conflitos pessoais.</span></p>
<p><figure id="attachment_31837" aria-describedby="caption-attachment-31837" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31837" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-2.jpg" alt="" width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-31837" class="wp-caption-text">No Festival de Gramado, as atuações de Mussum, o Filmis renderam ao longa os troféus de Melhor Ator (Ailton Graça), Melhor Atriz Coadjuvante (Neusa Borges) e Melhor Ator Coadjuvante (Yuri Marçal) [Foto: Downtown Filmes]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Tais conflitos, inclusive, ganham mais ou menos importância dentro das quase duas horas. A trama elege o que prioriza, deixando um quê de dúvida sobre o que ficou de fora e o que foi </span><a href="https://gshow.globo.com/tudo-mais/tv-e-famosos/noticia/silvio-guindane-diz-que-fora-das-telas-mussum-nao-bebia-como-personagem-nao-era-a-parada-dele-nunca-foi.ghtml"><span style="font-weight: 400;">romantizado</span></a><span style="font-weight: 400;"> na vida de Mussum para as telas. A crise no primeiro casamento e a paternidade do artista, por exemplo, recebem menos atenção do que as brigas dentro do grupo musical ou entre Trapalhões em ascensão. Já o </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/entrevistas/mussum-o-filmis-quem-filma-o-preto-como-sofredor-e-o-branco-a-gente-nao-se-acha-coitado-por-isso-queria-falar-desse-amor-de-mae-e-filho-revela-o-diretor-silvio-guindane/"><span style="font-weight: 400;">racismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> aparece de forma sutil, mas a comédia não esquece do tom social: Carlinhos tem um letramento racial desde a infância, graças à mãe, e já mais velho pontua situações incômodas às quais é submetido dentro do programa de TV no domingo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa se balanceia e se redime em outros pontos. Recriando as cenas do programa na TV e das performances dOs Originais do Samba, trazendo figurinos da época e incluindo grandes nomes da cultura popular brasileira, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">acerta na nostalgia, na identificação da cultura nacional e na dinamicidade, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=d2qyEAzpBso"><span style="font-weight: 400;">deixando a própria história se contar</span></a><span style="font-weight: 400;">. Afinal, até os mais novos sabem quem é Didi, Boni ou Alcione. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já um dos pontos altos da sucintez do roteiro é o foco especial entre o conflito de interesses de Antônio Carlos e a relação com a mãe. </span><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">faz jus à carreira de sambista do comediante e mostra como ele optou continuar na TV, mas sempre sonhando em retornar ao samba. Já na relação com a matriarca, a transição da juventude para a idade adulta traz Neusa Borges como a versão mais velha de Malvina. O retrato do afeto entre mãe e filho, com </span><a href="https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2023/08/20/mussum-o-filmis-e-o-grande-vencedor-do-51o-festival-de-cinema-de-gramado.ghtml"><span style="font-weight: 400;">cenas comoventes</span></a><span style="font-weight: 400;"> toda vez que Graça e Borges contracenam, mostram que o </span><i><span style="font-weight: 400;">Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">realmente não é sobre a carreira de Mussum, mas quem sempre esteve por trás dela.</span></p>
<p><figure id="attachment_31836" aria-describedby="caption-attachment-31836" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31836" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-3.jpg" alt="" width="750" height="421" /><figcaption id="caption-attachment-31836" class="wp-caption-text">Mussum, o Filmis foi o grande vencedor de Gramado e, além dos prêmios de atuação, levou Melhor Filme, Melhor Trilha Musical (Max de Castro) e Melhor Filme do júri popular [Foto: Downtown Filmes]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Alguns clichês são inevitáveis em todos os gêneros e, em cinebiografias, a tentativa de conectar a vida do artista retratado com o público pode enforcar a obra, criando momentos de emoção que simplesmente não vão para frente. Talvez por se tratar de uma história nacional e tão próxima de casa (ou melhor, da TV da sala), </span><i><span style="font-weight: 400;">Mussum, o Filmis </span></i><span style="font-weight: 400;">tem tudo para encantar qualquer audiência &#8211; ela só tem que ser corajosa o suficiente para deixar a </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;"> de lado e </span><a href="https://almapreta.com.br/sessao/cultura/mussum-o-filmis-tem-a-maior-estreia-no-cinema-nacional-em-2023/"><span style="font-weight: 400;">valorizar o Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;"> e as personalidades brasileiras. </span></p>
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		<title>A intimidade libertina de Luana Muniz &#8211; Filha da Lua</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Aug 2021 19:47:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caroline Campos e Vitor Evangelista Luana Muniz viveu uma vida coletiva. Isso não é apenas dito, mas também mostrado pelo filme que carrega, além de seu nome, uma alcunha muito singular: Filha da Lua. Travesti, ativista, atriz, prostituta e Rainha da Lapa. Bocuda, intensa, carismática e protetora. Sob as lentes de Rian Córdova e Leonardo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/luana-muniz-filha-da-lua-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A intimidade libertina de Luana Muniz &#8211; Filha da Lua"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22310" aria-describedby="caption-attachment-22310" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22310" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/1-1-scaled.jpg" alt="Cena do filme Luana Muniz - Filha da Lua. A foto mostra Luana sentada em seu camarim, maquiada, de vestido prateado e unhas vermelhas, olhando diretamente para a câmera. Ela tem a mão esquerda apoiando o rosto. Ao seu redor, vemos outras pessoas se preparando para o show. " width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/1-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/1-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/1-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/1-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/1-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/1-1-2048x1365.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/1-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22310" class="wp-caption-text">Em pouco mais de uma hora, o sentimental, mas não melancólico, Luana Muniz &#8211; Filha da Lua nos convida ao enevoado camarim da Rainha da Lapa (Foto: Guilherme Correa/Guaraná Conteúdo)</figcaption></figure>
<p><b>Caroline Campos e Vitor Evangelista</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Luana Muniz viveu uma vida coletiva. Isso não é apenas dito, mas também mostrado pelo filme que carrega, além de seu nome, uma alcunha muito singular: Filha da Lua. Travesti, ativista, atriz, prostituta e Rainha da Lapa. Bocuda, intensa, carismática e protetora. Sob as lentes de Rian Córdova e Leonardo Menezes, o mundo conhece e se despede daquela que já deveria estar marcada na memória de um país ensinado a </span><a href="https://personaunesp.com.br/manhas-de-setembro-critica/"><span style="font-weight: 400;">odiar minorias</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No mês em que é celebrado o </span><a href="https://www.instagram.com/p/CSSlAR6rKGT/"><span style="font-weight: 400;">Dia do Documentário Brasileiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Luana Muniz &#8211; Filha da Lua</span></i><span style="font-weight: 400;"> busca o sóbrio no lugar do </span><a href="https://personaunesp.com.br/professor-polvo-critica/"><span style="font-weight: 400;">quimérico</span></a><span style="font-weight: 400;">. Unidos na direção, os cineastas revisitam momentos da vida da artista, partindo do hoje para retomar as cicatrizes que formaram a armadura dessa guardiã da comunidade LGBTQIA+. Mas se engana quem pensa que os 78 minutos de rodagem pintam Luana como uma santa padroeira.</span></p>
<p><span id="more-22309"></span></p>
<figure id="attachment_22311" aria-describedby="caption-attachment-22311" style="width: 888px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22311" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/2.jpg" alt="Cena do filme Luana Muniz - Filha da Lua. A foto mostra Luana de perfil. Ela usa peruca preta, bem curta, e solta fumaça do cigarro pela boca. Ela usa batom vermelho, cílios postiços e brincos enormes, cheios de strass." width="888" height="592" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/2.jpg 888w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/2-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22311" class="wp-caption-text">Luana se definia como uma “puta atriz” e conciliava as duas profissões (Foto: Ana Carolina Fernandes/Guaraná Conteúdo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Longe do lugar comum em que aterrissam os filmes póstumos, o longa abraça todas as facetas da impressionante mulher, que ficou famosa uma década atrás quando desceu a porrada em um cliente e bradou a frase que </span><a href="https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/apos-materia-no-profissao-reporter-travesti-vira-famosa-e-da-autografos/"><span style="font-weight: 400;">ganhou as manchetes da </span><i><span style="font-weight: 400;">Globo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: </span><i><span style="font-weight: 400;">“travesti não é bagunça!”</span></i><span style="font-weight: 400;">. O texto de Córdova mantém a </span><a href="https://personaunesp.com.br/democracia-em-vertigem-critica/"><span style="font-weight: 400;">objetividade acima do floreio</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao escrever a figura de Luana em um trabalho quase jornalístico, buscando fontes e guiando-as em entrevistas precisas e complementares entre si. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O material começou a ser angariado quando a dupla de diretores filmava </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Y1AzIZIijVA"><i><span style="font-weight: 400;">Lorna Washington: Sobrevivendo a Supostas Perdas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, documentário de 2016 que estrela aquela que foi a maior parceira de palco de Luana Muniz. A partir daí, os órfãos de coração da icônica Rainha da Lapa tentam colocar em palavras quem, de fato, foi a mulher que acolheu, guiou e, quando necessário, meteu o cacete em quem cruzava seu caminho. Apesar do leque rico de entrevistados, é Luana quem conta sua própria história. </span><a href="https://www.geledes.org.br/morre-travesti-luana-muniz-simbolo-da-lapa/"><span style="font-weight: 400;">Antes de falecer</span></a><span style="font-weight: 400;">, em 2017, a artista eternizou nas câmeras de Rian Córdova e Leonardo Menezes um pouco do caminho inóspito, agressivo e desafiador que precisou enfrentar. </span></p>
<figure id="attachment_22312" aria-describedby="caption-attachment-22312" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22312" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/3.png" alt="Cena do filme Luana Muniz - Filha da Lua. A foto mostra Luana em um close dos olhos. Vemos sua testa, e as sobrancelhas desenhadas, além dos olhos olhando para uma direção diferente da câmera. Ela usa rímel e cílios postiços." width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/3.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/3-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22312" class="wp-caption-text">Luana Muniz &#8211; Filha da Lua arrebatou prêmios em festivais no Rio, Goiás e fez seu caminho até a Califórnia (Foto: Guaraná Conteúdo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de ter sido a “travesti que </span><a href="https://extra.globo.com/famosos/padre-fabio-de-melo-fala-de-amizade-com-travesti-luana-muniz-em-documentario-21667317.html"><span style="font-weight: 400;">posou ao lado do Padre Fábio de Melo</span></a><span style="font-weight: 400;">”, Luana Muniz foi presidente da Associação dos Profissionais do Sexo do Gênero Travesti, Transexuais e Transformistas do Rio de Janeiro, fundadora do </span><a href="https://www.cieds.org.br/noticias/detalhe/1009,projeto-damas-identidade-e-cidadania"><span style="font-weight: 400;">Projeto Damas</span></a><span style="font-weight: 400;">, que capacita pessoas trans para o mercado de trabalho, e dona do Casarão rosa localizado na Av. Mém de Sá, nº 100. Foi em seu palácio da Lapa que a mulher se tornou uma mãe para a população vulnerável que o habitava. Prostitutas, pessoas soropositivas, membros da comunidade LGBTQIA+, pessoas em situação de rua – </span><a href="http://hshjovem.abiaids.org.br/luana-muniz-recebe-homenagem-em-museu-da-alemanha/8532"><span style="font-weight: 400;">resgatar a memória</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Luana é resgatar a memória de cada um.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que</span><i><span style="font-weight: 400;"> Luana Muniz &#8211; Filha da Lua</span></i><span style="font-weight: 400;"> economiza em técnicas cinematográficas, esbanja na construção imagética e textual de sua protagonista. A vida e o legado de Luana são objetos de estudo dos diretores, que hierarquizam seus personagens, dando ao espectador lampejos históricos. Muniz, obviamente, é </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/cultura/2021/08/12/interna_cultura,1294984/conheca-luana-muniz-a-travesti-que-fez-historia-na-lapa-carioca.shtml"><span style="font-weight: 400;">a estrela do </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Filmada sempre paquerando a câmera, ela se vê acompanhada de suas grandes amigas, Claudette Colbert e Lorna Washington.</span></p>
<figure id="attachment_22313" aria-describedby="caption-attachment-22313" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22313" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/4-1-scaled.jpg" alt="Cena do filme Luana Muniz - Filha da Lua. A foto mostra uma mulher colocando maquiagem nos olhos de Luana. As duas pessoas são brancas, e usam batom vermelho. Luana está em foco, olhando para frente, enquanto a outra mulher está concentrada no olho esquerdo da artista." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/4-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/4-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/4-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/4-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/4-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/4-1-2048x1365.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/4-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22313" class="wp-caption-text">Os muitos temas do documentário são enlaçados pelo forte senso de companheirismo, afeto e pela personalidade singular de Luana (Foto: Guilherme Correa/Guaraná Conteúdo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com as três nunca aparecendo juntas, o documentário costura suas falas e percepções a partir de um vínculo emocional poderosíssimo. Claudette, </span><a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/qual-a-diferenca-entre-drag-queen-travesti-e-transgenero/"><span style="font-weight: 400;">transformista</span></a><span style="font-weight: 400;"> que aparece desmontada como Cláudio, desempenha a função de apresentar-nos uma Luana antes da Lapa, enquanto Lorna percorre o lado artístico que comandava números musicais, peças de teatro e filmes globais. A dança temática, que vai de uma adolescência difícil nas calçadas da ditadura até o início da vida de Luana como uma artista completa, enche o escopo do filme para que o roteiro encontre deixas pontuais para a inserção de novas figuras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.instagram.com/p/BTwzKF7B2nH/"><span style="font-weight: 400;">cantora Alcione</span></a><span style="font-weight: 400;">, madrinha e apoiadora do projeto mantido no Casarão, é o grande elo do público para com essa narrativa. A presença da Marrom é um atestado de fé de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Filha da Lua</span></i><span style="font-weight: 400;">, e os breves depoimentos da cantora apenas reforçam o que já estava claro: Luana Muniz viverá para sempre na memória de todas as pessoas que tocou. Uma delas, por sinal, é o </span><a href="https://www.instagram.com/p/BTxMGkQABEf/?hl=pt"><span style="font-weight: 400;">ator Luis Lobianco</span></a><span style="font-weight: 400;">, que relembra, arrependido, das noites na Lapa em que a observava de longe, com um receio respeitoso de se aproximar. Depois do falecimento da artista, Lobianco dedicou toda a temporada de sua peça </span><i><span style="font-weight: 400;">Gisberta </span></i><span style="font-weight: 400;">a ela.</span></p>
<figure id="attachment_22314" aria-describedby="caption-attachment-22314" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22314" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/5-1.jpg" alt="Cena do filme Luana Muniz - Filha da Lua. A foto mostra Luana dentro do camarim, rindo. Vemos sua boca aberta, feliz, e uma tatuagem no braço direito. Ao seu lado, alguém está cortado da imagem. " width="750" height="498" /><figcaption id="caption-attachment-22314" class="wp-caption-text">“Parei de mandar as pessoas pro inferno, porque um amigo meu me disse ontem que eu vou pro inferno também. Então eu fico mandando os outros ir pro inferno antes de mim e, quando eu chegar lá, eles já vão estar lá, mas eles não sabem do que eu sou capaz quando eu chegar no inferno, eles não sabem. Bolsonaro que me aguarde!” (Foto: Guaraná Conteúdo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Pontuais, alguns dos outros relatos ilustram os momentos em que a mídia estampou Luana por todos os lados: o repórter Felipe Suhre comenta o burburinho do </span><i><span style="font-weight: 400;">Profissão Repórter</span></i><span style="font-weight: 400;">; o Padre Fábio de Melo compartilha os bastidores da infame foto. Mas, dentre todos, é o daquele quarteto de mulheres confidenciando a vida no Casarão o mais expressivo e cheio de significado. Juntas, Vanessa Muniz Brasil, Aretha Rayalla, Luiza Muniz e Eva Macpherson atam nós sentimentais, revivem episódios e sorriem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E é na companhia delas, e apenas delas, que Rian Córdova e Leonardo Menezes visitam, por fim, o túmulo da Guardiã da Lapa. Sem chororô nem ganchos melosos, afinal, quem disse que Luana Muniz morreu? Seja na </span><a href="https://moovitapp.com/index/pt-br/transporte_p%C3%BAblico-Pra%C3%A7a_Luana_Muniz-Rio_de_Janeiro-site_14849466-322"><span style="font-weight: 400;">praça que carrega seu nome</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou nos grafites que estampam seu bordão, seja no relato de suas garotas ou em um documentário que traz o melhor e o pior de uma vida de batalhas, a presença da Filha da Lua ronda o centro carioca e, se apurar bem os ouvidos, ainda é possível ouvir um sonoro <em>“vai pro inferno!”</em> ecoando nas esquinas da Cidade Maravilhosa.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Luana Muniz, Filha da Lua – Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/QbdlqtRI2IA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/luana-muniz-filha-da-lua-critica/">A intimidade libertina de Luana Muniz &#8211; Filha da Lua</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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