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	<title>Arquivos Alan Moore &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Estante do Persona – Outubro de 2025</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Oct 2025 14:08:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O que é o terror? É apenas o susto que faz o coração acelerar, ou algo mais profundo, que nos obriga a encarar aquilo que escondemos de nós mesmos? O horror literário fascina porque nos faz perguntar: até onde iríamos para sentir medo? Que monstros moram no mundo e quais habitam dentro de nós? É &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2025/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Outubro de 2025"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36090" aria-describedby="caption-attachment-36090" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36090" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Arte-site-800x450.png" alt="Na ilustração, em um fundo roxo com teias de aranha, há uma prateleira branca com 5 livros em tons de laranja. Da esquerda para a direita, há um livro na vertical, em pé, com um olho vermelho, com um play dentro da íris, estampado. O livro está entreaberto. No topo da imagem, no centro, há o mesmo olho. Na direita, há 4 livros, três deitados e um em pé, apoiado nos que estão na horizontal. De baix para cima, está escrito na lombada do primeiro &quot;outubro de 2025&quot;, do segundo &quot;persona&quot; com um troféu do símbolo do olho em dourado no canto esquerdo e no último &quot;estante do&quot;. O livro na vertical possui capa laranja e nada escrito na capa." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Arte-site-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Arte-site-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Arte-site-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Arte-site-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Arte-site-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Arte-site.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36090" class="wp-caption-text">Entre passagens de tirar o fôlego e clássicos da literatura de Terror, o Estante de outubro garante aos leitores um Halloween inesquecível (Arte: Maria Fernanda Beneton/Texto de abertura: Bianca Costa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O que é o </span><a href="https://blog.jamboeditora.com.br/terror-genero-favorito/"><span style="font-weight: 400;">terror</span></a><span style="font-weight: 400;">? É apenas o susto que faz o coração acelerar, ou algo mais profundo, que nos obriga a encarar aquilo que escondemos de nós mesmos? O </span><a href="https://www.infoescola.com/generos-literarios/horror/"><span style="font-weight: 400;">horror literário</span></a><span style="font-weight: 400;"> fascina porque nos faz perguntar: até onde iríamos para sentir medo? Que monstros moram no mundo e quais habitam dentro de nós? É possível que a história de uma página seja mais assustadora que a realidade que nos cerca?</span></p>
<p><span id="more-36085"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2024/"><span style="font-weight: 400;">Estante</span></a><span style="font-weight: 400;"> está de volta para te fazer roer as unhas. Com o mês do horror terminando, o Persona te convida a entrar no clima de </span><i><span style="font-weight: 400;">Halloween </span></i><span style="font-weight: 400;">e se perder em um suspense horripilante, daqueles que prende o fôlego. A literatura de </span><a href="https://www.editorawish.com.br/blogs/novidades/horror-x-terror-qual-a-diferenca?srsltid=AfmBOopwFqgZ-jUrC-fP3JVXD_12jnSGSW4Qyh_20WyuDetJOYOLV6de"><span style="font-weight: 400;">terror e horror</span></a><span style="font-weight: 400;"> sempre foi mais do que um simples susto: é devorar um livro com o coração acelerado, virar a página sem perceber a hora e o desespero para chegar ao final. Desde as primeiras histórias contadas, o medo habita a imaginação humana, mudando de forma a cada século. Já foi castigo, já foi delírio, já foi profecia. Hoje, é o espelho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://baquaraneurotico.wordpress.com/2018/10/30/uma-breve-historia-da-literatura-de-horror/"><span style="font-weight: 400;">gênero</span></a><span style="font-weight: 400;"> nasceu junto do impulso de narrar. O horror literário sempre refletiu aquilo que o ser humano mais teme enxergar: a si mesmo. O que antes se escondia em florestas e castelos agora vive entre becos úmidos, escritórios silenciosos e janelas que jamais se abrem. O terror moderno dispensa trovões, mas basta o som repetido de um relógio, o arranhar de unhas na madeira, o eco de passos no corredor para acender o pavor. O medo se tornou íntimo, cotidiano, palpável. O monstro, agora, veste a nossa pele.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas páginas, o horror observa o banal e o devolve distorcido. Uma sombra alongada demais, um reflexo que se move depois de você. Ele revela o que apodrece por baixo da normalidade e lembra que o real é sempre mais estranho do que parece. Há quem diga que o inferno é uma invenção distante, porém Alan Moore e Eddie Campbell o desenharam com bisturis e delírios em </span><a href="https://www.veneta.com.br/shop/do-inferno-305"><i><span style="font-weight: 400;">Do Inferno</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; Ana Paula Maia o construiu com carne, suor e trabalho em </span><a href="https://www.record.com.br/produto/assim-na-terra-como-embaixo-da-terra/"><i><span style="font-weight: 400;">Assim na Terra como Embaixo da Terra</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; e Stephen King o fez explodir de dentro de uma garota que só queria ser aceita em </span><a href="https://n.companhiadasletras.com.br/livro/9788581050362/carrie-a-estranha"><i><span style="font-weight: 400;">Carrie, a estranha</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Poe, por sua vez, nos ensinou que às vezes basta um gato, ou uma culpa, para enlouquecer em</span> <a href="https://www.martinclaret.com.br/produtos/o-gato-preto-em-quadrinhos/"><i><span style="font-weight: 400;">O Gato Preto</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i><span style="font-weight: 400;"> E, em algum beco de Londres, Jack ainda caminha, invisível, entre as vozes e a névoa em</span><a href="https://www.darksidebooks.com.br/rastro-de-sangue-jack-o-estripador/p"> <i><span style="font-weight: 400;">Rastro de Sangue: Jack, O Estripador.</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do castigo divino ao crime urbano, o terror se reinventa, mas nunca desaparece. Ele muda de máscara, muda de época, muda de tom, e ainda assim continua a mesma coisa: o retrato fiel daquilo que tentamos esconder. É uma lente que amplia o desconforto e um espelho que devolve o rosto deformado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enfim, o Estante de outubro adentra esse espaço entre o real e o delírio: o medo ganha textura, cheiro e voz com as indicações dos nossos redatores. Os próximos parágrafos não prometem consolo, mas garantem companhia e uma leitura atenta, na qual até tirar os olhos das páginas é arriscado demais. Só um aviso antes de começar: se ouvir algum barulho vindo de trás, não olhe. Provavelmente é só o vento. Provavelmente.</span></p>
<hr />
<p><b style="color: #1a1a1a; font-size: 16px;">Alan Moore e Eddie Campbell – Do Inferno (592 páginas, Editora Veneta)</b></p>
<figure id="attachment_36093" aria-describedby="caption-attachment-36093" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-36093" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/capa_do_inferno_1410-1.jpg" alt="A capa da história em quadrinhos &quot;Do Inferno&quot; possui um desenho em tons de cinza de uma caixa torácica humana rasgada horizontalmente por quatro faixas de papel vermelho vivo. O título, DO INFERNO, está em letras pretas grandes na primeira faixa vermelha, e os nomes dos autores, ALAN MOORE &amp; EDDIE CAMPBELL, aparecem logo abaixo em letras pretas menores na segunda faixa." width="600" height="800" /><figcaption id="caption-attachment-36093" class="wp-caption-text">Do Inferno é vencedora de 5 prêmios Eisner e garantiu a seu autor, Alan Moore, 3 anos consecutivos o prêmio de melhor roteirista entre 1995-1997 (Foto: Editora Veneta)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">“<i>Do Inferno</i>” ocupa os primeiros lugares nas listas dos leitores de Alan Moore, junto a <i>Watchmen</i>, <i>V de Vingança</i>, <i>Monstro do Pântano</i> e tantos outros. Mesmo assim, ao ler a sinopse, é fácil pensar: “O que tem de tão especial em outra versão de Jack, o Estripador?” Talvez o mais interessante esteja no mundo em que a história se passa. E não, não é a ambientação neogótica da Inglaterra vitoriana, com noites soturnas e um preto marcante que persegue o leitor em cada página; ao recuar, a escuridão prepara-se para encarnar figuras igualmente macabras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, o que há de tão interessante para uma leitura de quase 600 páginas? A resposta está na pergunta que reside na penumbra da obra: “O que é o mal?” Alan Moore apresenta um mal macabro, soturno e encarnado, que também reside nos corações dos que o enxergam e, em certa medida, anseiam encontrá-lo. No deslizar das páginas pretas e brancas, o leitor se pega a todo momento ansioso, desejoso e esperançoso para contemplar as diversas faces daquilo que deveria permanecer sigiloso a todos: nossos desejos mais perversos, escondidos em entranhas escuras, e as diferentes formas de ver um mal radicalmente humano – tão visceral que o ocultamos, dizendo ser próprio apenas do Inferno.</span><b> – Pedro Domênico</b></p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<p><b>Ana Paula Maia – </b><b>Assim na Terra como embaixo da Terra (144 páginas, Editora Record)</b></p>
<figure id="attachment_36094" aria-describedby="caption-attachment-36094" style="width: 517px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36094" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/91UrbtIoL._UF10001000_QL80_-517x800.jpg" alt="A capa do livro Assim na Terra como embaixo da Terra é branca possui a ilustração de um javali em preto, que parte do canto superior direito e ocupa grande parte do retângulo. O título da obra aparece em letras espremidas, ocupando o canto inferior esquerdo ao lado do nome da autora, Ana Paula Maia, no canto inferior direito. Ambos também escritos em preto." width="517" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/91UrbtIoL._UF10001000_QL80_-517x800.jpg 517w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/91UrbtIoL._UF10001000_QL80_.jpg 646w" sizes="(max-width: 517px) 85vw, 517px" /><figcaption id="caption-attachment-36094" class="wp-caption-text">Em 2018 a escritora venceu o prêmio São Paulo de Literatura com a obra Assim na Terra como embaixo dela (Foto: Editora Record)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ana Paula Maia é uma escritora brasileira que ganhou destaque na literatura nacional por suas histórias sempre aterrorizantes envolvendo violências e questionamentos, principalmente sobre pautas de negligência social. E nessa narrativa, por meio de uma escrita fluída e cativante, a autora convida o leitor a conhecer o ambiente claustrofóbico de uma colônia penal decadente prestes a ser desativada, e que abriga os criminosos que o Estado buscou esquecer. Lá dentro, os personagens estão sob o comando de um oficial que perdeu a sanidade por conta do isolamento, e o perigo e a aflição os rondam constantemente, além da fuga parecer impossível. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Através de sua escrita,  a autora cria uma experiência na qual a tensão e o desconforto só se agravam com o passar das páginas, e cada descoberta sobre o real intuito da instituição contribui  para prender a atenção do público do início ao fim. Além disso, o texto não dá sossego um segundo sequer, já que a ameaça não cessa e é perceptível que, naquele lugar onde os corpos são privados de sua humanidade, não há salvação ou esperança nem através da suposta liberdade.</span><b> – Luana Corrêa</b></p>
<hr />
<p><b>Stephen King – Carrie, a estranha (208 páginas, Editora Suma)</b></p>
<figure id="attachment_36102" aria-describedby="caption-attachment-36102" style="width: 549px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36102" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-9-549x800.jpg" alt="A capa do livro Carrie, de Stephen King, tem um fundo rosa-escuro com manchas e gotas de sangue escorrendo. No centro, aparece o rosto de uma garota com olhar sério e traços de sangue no rosto, criando um clima assustador. O nome do autor está escrito em letras grandes e brancas na parte de cima, e o título Carrie aparece em branco na parte de baixo. A imagem passa uma sensação de mistério e terror, combinando com a história do livro." width="549" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-9-549x800.jpg 549w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-9-703x1024.jpg 703w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-9-768x1119.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-9-1055x1536.jpg 1055w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-9.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 549px) 85vw, 549px" /><figcaption id="caption-attachment-36102" class="wp-caption-text">A obra de estreia do mestre do terror representa um marco inovador, sendo um dos romances mais impactantes de todos os tempos (Foto: Editora Suma)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Narrado de forma fragmentada e com tom quase documental, </span><i><span style="font-weight: 400;">Carrie</span></i><span style="font-weight: 400;">, primeiro livro de Stephen King, publicado em 1974, combina trechos de jornais e entrevistas para reconstruir a trágica história de Carrie White. Tímida e introvertida, a adolescente é alvo constante de humilhações por parte dos colegas e vive sob a opressão da mãe, Margaret, uma fanática religiosa. Tudo muda, porém, após um episódio traumático na escola (quando a protagonista tem sua primeira menstruação e é cruelmente ridicularizada pelas outras meninas): ela descobre possuir poderes de telecinesia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conforme o bullying e a opressão aumentam, esses poderes crescem junto com a raiva e o desespero dela, culminando em um baile de formatura trágico e inesquecível, que se tornou um dos momentos mais icônicos da literatura e do cinema de terror. O impacto da obra foi tão grande que abriu caminho para uma série de outras adaptações baseadas nas obras de King, como </span><i><span style="font-weight: 400;">O Iluminado</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">It: A Coisa</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">À Espera de um Milagre</span></i><span style="font-weight: 400;">, que continuaram a explorar, cada uma à sua maneira, os medos, traumas e conflitos que assombram a condição humana. </span><b>– Nathalia Helen</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_36086" aria-describedby="caption-attachment-36086" style="width: 471px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36086" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Jack-o-estripador-Kerri-Maniscalco.png" alt="Imagem da capa do livro Jack, o Estripador de Kerri Maniscalco. Há um fundo escuro em tons de preto e cinza com nuvens. No centro, há uma mulher branca com vestido vitoriano verde escuro e luvas rendadas pretas, segurando uma adaga prateada. Ela usa um colar com pedra vermelha, tem cabelos castanhos e lábios pintados de vermelho. Na parte inferior, intrínseco ao vestido, aparecem prédios antigos de Londres envoltos em névoa. O título, o nome da série “Rastro de Sangue”, da editora e da autora ocupam a metade inferior da imagem." width="471" height="708" /><figcaption id="caption-attachment-36086" class="wp-caption-text">Em sua estreia, Kerri Maniscalco explora um dos mistérios mais sombrios do Século XIX e apresenta uma heroína que desafia o impossível (Foto: DarkSide Books)</figcaption></figure>
<p><b>Kerri Maniscalco &#8211; Jack, o Estripador (354 páginas, DarkSide Books)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientado em Londres na </span><a href="https://personaunesp.com.br/autoras-horror-era-vitoriana-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Era Vitoriana</span></a><span style="font-weight: 400;">, a série </span><i><span style="font-weight: 400;">Rastro de Sangue</span></i><span style="font-weight: 400;"> acompanha Audrey Rose Wadsworth, uma jovem investigadora dedicada à medicina forense. Desafiando a vontade de seu pai e as expectativas da sociedade sobre como uma mulher deveria se portar, ela realiza autópsias no laboratório do tio e, de repente, se envolve em um dos crimes mais brutais que assombram a cidade. Na companhia de Thomas Cresswell, aprendiz de seu tio, Audrey Rose embarca na perigosa investigação na esperança de resolver o caso antes que novas vítimas sejam feitas. Entre ciência forense, suspense psicológico e a constante sensação de perigo, o mistério está cada vez mais perto de ser revelado.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Jack, o Estripador</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o primeiro livro da série e estabelece a construção psicológica e narrativa que se mantém constante ao longo das obras. Com uma ambientação sombria e um </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/historia-hoje/130-anos-depois-identidade-de-jack-o-estripador-pode-ter-sido-desevendada.phtml"><span style="font-weight: 400;">crime</span></a><span style="font-weight: 400;"> impossível de ser resolvido, o livro explora relações familiares e sociais complexas, motivações sinistras e tragédias arrebatadoras. Ao longo da história, Audrey Rose e Thomas se aventuram em diferentes lugares e cruzam caminho com outras figuras históricas do período, como Príncipe Drácula, Harry Houdini e H. H. Holmes. Além disso, abre espaço para pitadas de um romance fadado pelo destino. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra mantém um equilíbrio perfeito entre elegância e crueldade. Entre </span><i><span style="font-weight: 400;">corsets</span></i><span style="font-weight: 400;">, festas do chá e um jogo de gato e rato, a narrativa entrelaça o suspense com o cotidiano da época. Embora foque na parte forense, com análises detalhadas de cada procedimento técnico, o livro oferece uma visão única do infame caso </span><a href="https://revistaesquinas.casperlibero.edu.br/arte-e-cultura/true-crime-a-ascensao-do-genero-na-literatura-e-nos-streamings/"><span style="font-weight: 400;">não resolvido</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ilustrações </span><i><span style="font-weight: 400;">vintages</span></i><span style="font-weight: 400;"> e macabras mergulham o leitor na narrativa, enquanto a atmosfera gótica e os personagens astutos tornam tudo envolvente. Analisar as pistas enquanto tenta adivinhar o assassino antes dos detetives torna a leitura surpreendentemente agradável e cativante. <b>– </b></span><b>Vitória Mendes</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_36087" aria-describedby="caption-attachment-36087" style="width: 539px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36087" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/817AX1fb0L._AC_UF10001000_QL80_-539x800.jpg" alt="Foto da capa do livro O Gato Preto e Outros Contos Extraordinários, de Edgar Allan Poe. O fundo é escuro, com tons de cinza e preto, além de possuir a face de um gato desenhado. No canto superior esquerdo, há a silhueta de um gato preto sentado, e na letra “A” de “Edgar”, do título, surgem traços que imitam bigodes. O nome do autor, “Edgar Allan Poe”, aparece em letras grandes e amarelas no centro da imagem. Abaixo, em letras brancas ornamentadas, lê-se “O Gato Preto e Outros Contos Extraordinários”. No rodapé, está o logotipo da editora Camelot." width="539" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/817AX1fb0L._AC_UF10001000_QL80_-539x800.jpg 539w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/817AX1fb0L._AC_UF10001000_QL80_.jpg 674w" sizes="auto, (max-width: 539px) 85vw, 539px" /><figcaption id="caption-attachment-36087" class="wp-caption-text">O Gato Preto foi publicado em 1843 (Foto: Camelot Editora)</figcaption></figure>
<p><b>Edgar Allan Poe &#8211; O Gato Preto e Outros Contos Extraordinários (160 páginas, Camelot Editora)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Gato Preto</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um dos contos mais conhecidos de </span><a href="https://www.purepeople.com.br/noticia/serie-a-queda-da-casa-de-usher-para-maratonar-na-netflix-com-poucos-episodios-de-edgar-allan-poe_a410614/1"><span style="font-weight: 400;">Edgar Allan Poe</span></a><span style="font-weight: 400;"> e talvez o que melhor define o horror psicológico do autor. A história acompanha um homem comum que, afundado no álcool, começa a maltratar os animais que antes amava, até que sua fúria o leva a um ato irreversível. O que se segue é o peso da culpa e a paranoia de que algo, ou alguém, ainda o observa. Poe não precisa de fantasmas nem de castigos divinos para causar medo, basta a mente humana em colapso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O conto é uma leitura curta e de ritmo acelerado. Cada ação do narrador tem uma consequência imediata, e o terror surge da frieza com que ele descreve suas próprias atrocidades. </span><a href="https://personaunesp.com.br/um-dia-um-gato-60-anos/"><span style="font-weight: 400;">O gato</span></a><span style="font-weight: 400;">, símbolo de tudo o que ele tenta esquecer, retorna como a lembrança assombrosa de que a culpa sempre encontra um jeito de ser ouvida. É justamente o fato de haver algo inevitável no percurso do personagem que torna o desfecho tão perturbador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indicado para quem busca um clássico acessível e envolvente, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Gato Preto</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma porta de entrada perfeita para as obras de Poe e para o </span><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/cultura/2025/10/um-ano-sem-verao-como-uma-catastrofe-climatica-ajudou-a-dar-origem-a-frankenstein"><span style="font-weight: 400;">horror literário</span></a><span style="font-weight: 400;"> do século XIX. O cerne está na ideia de que o verdadeiro terror nasce dentro de casa, quando o instinto grita mais alto que a razão e a consciência já não consegue silenciar seus próprios erros. <b>– </b></span><b>Eduardo Dragoneti Ferreira</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_36088" aria-describedby="caption-attachment-36088" style="width: 540px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-36088 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/rebecca-540x800.png" alt="Foto da capa do livro “Rebecca”, de Daphne du Maurier. O fundo é preto com moldura decorativa fina em linhas brancas. O nome da autora aparece na parte superior, em letras grandes, brancas, com estilo tipográfico ornamentado. Logo abaixo, o título “Rebeca” está escrito em letras grandes e sinuosas, na cor rosa forte. À esquerda, acima do título, há a silhueta de uma mulher de perfil, também em rosa, com cabelos presos em coque. Galhos de árvores secos, em cinza claro, se espalham pelo fundo. Na parte inferior direita, há a ilustração de uma mansão antiga com janelas pequenas e detalhes arquitetônicos góticos, desenhada em cinza. Na base da capa, centralizado, aparece o nome da editora “DarkSide” em letras pequenas brancas." width="540" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/rebecca-540x800.png 540w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/rebecca.png 589w" sizes="auto, (max-width: 540px) 85vw, 540px" /><figcaption id="caption-attachment-36088" class="wp-caption-text">Um clássico que prova que fantasmas podem ser apenas memórias que não aceitam morrer (Foto: Darkside)</figcaption></figure>
<p><b>Daphne du Maurier &#8211; Rebecca (448 páginas, Darkside)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A autora britânica </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/daphne-du-maurier-a-autora-de-rebecca-que-foi-de-hitchcock-a-netflix/"><span style="font-weight: 400;">Daphne du Maurier</span></a><span style="font-weight: 400;"> definitivamente sabe prender a atenção de seus leitores em suas obras. No romance </span><i><span style="font-weight: 400;">Rebecca</span></i><span style="font-weight: 400;">, a escritora cria uma atmosfera tão imersiva que torna difícil se afastar da história. O livro narra a jornada de uma jovem mulher que, após se casar com o misterioso viúvo Maxim de Winter, muda-se para a imponente mansão Manderley. A protagonista se vê rapidamente envolvida pelo fantasma da antiga esposa de Maxim, a lendária Rebecca, cuja presença continua a dominar todos os espaços e silêncios da casa. Nada é dito abertamente, mas tudo parece sussurrar o nome dela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Du Maurier constrói uma narrativa onde insegurança, amor e memória se misturam como sombras que se alongam ao entardecer. Há algo de cruel e fascinante em observar a protagonista tentando descobrir quem ela é em meio a tantos vestígios de alguém perfeito demais para existir. O suspense cresce devagar, quase como um desconforto íntimo, e quando percebemos já estamos tão enredados quanto ela. </span><a href="https://quatrocincoum.com.br/resenhas/literatura/quem-foi-rebecca/"><span style="font-weight: 400;">Manderley</span></a><span style="font-weight: 400;"> nunca se revela por completo, e talvez seja exatamente essa névoa que torna a experiência tão inesquecível. <b>– </b></span><b> Débora Munhoz</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_36089" aria-describedby="caption-attachment-36089" style="width: 533px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36089" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/61nyhOxM-yL._AC_UF10001000_QL80_-533x800.jpg" alt="Foto da capa do livro “Ilha do Medo”, de Dennis Lehane. A imagem mostra o rosto de um homem branco em close, com expressão séria e olhar fixo, parcialmente iluminado pela chama de um fósforo que ele segura diante do rosto. Na parte inferior da capa, vê-se uma ilha isolada cercada pelo mar revolto, onde se destaca um grande prédio sombrio, o hospital psiquiátrico que ambienta a história. O título “ILHA DO MEDO” aparece em letras maiúsculas e alaranjadas, com textura metálica e um leve brilho, logo abaixo da imagem da ilha. Acima, em letras pequenas e vermelhas, está a frase “O medo é contagioso.” Na parte inferior, à direita, o logotipo da editora Companhia das Letras é acompanhado da informação “Originalmente publicado como Paciente 67”" width="533" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/61nyhOxM-yL._AC_UF10001000_QL80_-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/61nyhOxM-yL._AC_UF10001000_QL80_.jpg 666w" sizes="auto, (max-width: 533px) 85vw, 533px" /><figcaption id="caption-attachment-36089" class="wp-caption-text">Um suspense sombrio onde a chama da verdade é tão perigosa quanto a escuridão que a cerca (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Dennis Lehane &#8211; </b><b><i>Ilha do Medo</i></b><b> (352 páginas, Editora Record)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ler </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/ilha-do-medo-20342247"><i><span style="font-weight: 400;">Ilha do Medo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é como embarcar em uma viagem sem retorno à mente humana e ao que ela é capaz de esconder. Dennis Lehane constrói um suspense psicológico de tirar o fôlego, daqueles que fazem a gente duvidar até das próprias certezas. Tudo começa quando o agente federal Teddy Daniels e seu parceiro Chuck Aule são enviados a </span><i><span style="font-weight: 400;">Shutter Island</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma ilha isolada onde funciona um hospital psiquiátrico para criminosos. A missão, de começo, parece simples: investigar o desaparecimento de uma paciente. Mas, à medida que a investigação avança, fica claro que nada ali é o que parece.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A atmosfera criada por </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-1000136084/"><span style="font-weight: 400;">Lehane</span></a><span style="font-weight: 400;"> é sufocante. A cada página, a tensão cresce, e nós, leitores, somos arrastados para o mesmo estado de confusão e paranoia que consome o protagonista. Os detalhes, as falas e os silêncios carregam significados ocultos que só fazem sentido quando tudo se revela. É o tipo de leitura que te faz virar páginas compulsivamente, e ao final, te obriga a repensar tudo o que achava saber. <b>– </b> </span><b>Ryan Rodrigues</b></p>
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		<title>Watchmen é um testemunho atemporal</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Sep 2020 14:59:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Gomes Watchmen é a série de quadrinhos definitiva. Criada por Alan Moore e Dave Gibbons, a HQ se baseia na problematização da realidade, em que cidadãos vestem máscaras e combatem o crime por conta própria. Temas como a salvação da humanidade, as fraquezas dos homens e a existência de um deus entre nós são &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/watchmen-hbo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Watchmen é um testemunho atemporal"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_15413" aria-describedby="caption-attachment-15413" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15413" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-3.jpeg" alt="" width="1280" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-3.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-3-300x150.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-3-1024x512.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-3-768x384.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-3-1200x600.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15413" class="wp-caption-text">O tempo passa e, cada vez mais, Watchmen se mostra uma obra do agora, independente de quando e quem assistir (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Henrique Gomes</strong></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Watchmen</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a série de quadrinhos definitiva. Criada por </span><a href="http://personaunesp.com.br/alan-moore-suspense-sofisticado-monstro-do-pantano/"><span style="font-weight: 400;">Alan Moore</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Dave Gibbons, a </span><i><span style="font-weight: 400;">HQ</span></i><span style="font-weight: 400;"> se baseia na problematização da realidade, em que cidadãos vestem máscaras e combatem o crime por conta própria. Temas como a salvação da humanidade, as fraquezas dos homens e a existência de um deus entre nós são abordados. Cada detalhe e cada referência na construção desse mundo é um reflexo da nossa sociedade como um todo. Os quadrinhos já faziam com maestria essa discussão política e social, e a minissérie de 2019 resgata e revigora isso.</span></p>
<p><span id="more-15412"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicada entre 1986 e 1987, a história</span> <span style="font-weight: 400;">se passa numa realidade paralela de um século XX </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2016/11/como-reconhecer-uma-distopia.html"><span style="font-weight: 400;">distópico</span></a><span style="font-weight: 400;">, em um mundo onde os vigilantes mascarados foram popularizados, tendo em foco o grupo dos </span><i><span style="font-weight: 400;">Crimebusters</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ele é constituído por Rorschach, Coruja, Silk Spectre, Comediante, Ozymandias e Dr. Manhattan, sendo esse último o único a ter poderes de fato &#8211; dentre eles, a onipotência, onisciência e onipresença &#8211; devido a um acidente nuclear. Estes seriam os representantes da segunda leva de vigilantes, em que a primeira foi nos anos 50, com os </span><i><span style="font-weight: 400;">Minutemen</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_15414" aria-describedby="caption-attachment-15414" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15414" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2-1.jpeg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2-1.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2-1-300x169.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2-1-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2-1-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2-1-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15414" class="wp-caption-text">São inúmeras as <a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/watchmen-referencias-easter-eggs-serie-hbo#101">referências</a> aos personagens originais da HQ durante a série, seja em quadros, balões, propagandas, símbolos e detalhes, tudo mostra como se tornaram um marco cultural naquele universo (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Considerando a ausência de poderes sobre-humanos de todos os outros, os questionamentos em voga são sobre a índole de tais heróis, sobre o quão egoístas são seus atos, e o quão genuíno é o sacrifício para a salvação. A humanidade deles é o fardo que leva à proibição da presença de mascarados. Isso não impede que eles ajam pelas sombras, mas não por bondade, afinal, são humanos. E sim, por desgosto, como Rorschach, ou pela cegueira do ego, como Ozymandias.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com tudo isso em vista, o bilionário e herói aposentado Adrian Veidt, vulgo Ozymandias, passa anos conspirando contra heróis e planejando um falso ataque alienígena, para que o mundo se unifique para combatê-lo em solidariedade e evitar o holocausto nuclear. Tal evento resulta em uma sociedade, de fato unificada, porém com milhões de inocentes mortos. Essa atitude insana gera a repulsa de seus antigos companheiros vigilantes, principalmente de Rorschach, que passa anos destrinchando tal conspiração e planejando  contá-la para o mundo, colocando secretamente seu diário para ser publicado num jornal, pouco antes de ser vaporizado por Dr. Manhattan. Este, que abandona a Terra avisando Veidt de que o seu plano não deu certo no futuro, pois</span><i><span style="font-weight: 400;"> “nada nunca acaba”</span></i><span style="font-weight: 400;">. É assim que a trama de <em>Watchmen</em> se encerra, até então.</span></p>
<figure id="attachment_15415" aria-describedby="caption-attachment-15415" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15415" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-3-1.jpeg" alt="" width="1200" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-3-1.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-3-1-300x150.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-3-1-1024x512.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-3-1-768x384.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15415" class="wp-caption-text">Cena do diálogo final entre Ozymandias e Dr. Manhattan na HQ (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A ideia de levar esse universo para as telas &#8211; depois do péssimo filme de 2009, dirigido por Zack Snyder &#8211; soou perigosa para os fãs, principalmente com o anúncio de que seria uma continuação. Considerando a grandeza dos quadrinhos e a profundidade que permeia toda a história, a continuidade dessa mitologia visa seguir a lógica das consequências, assim como na realidade de fato. E é aí que o roteiro acerta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Produzida pela </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;">, a minissérie traduz completamente a linguagem da </span><a href="https://www.dw.com/pt-br/graphic-novel-algo-mais-do-que-hist%C3%B3ria-em-quadrinhos/a-15364273"><i><span style="font-weight: 400;">graphic novel</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> para o audiovisual, pegando cada ponta do que torna aquele universo tão real. Ao invés de retratar uma caricatura dos anos 80, com os traumas e conflitos daquela época, ela retrata uma caricatura do mundo em 2019 e as consequências da </span><i><span style="font-weight: 400;">HQ</span></i><span style="font-weight: 400;"> dentro disso. Se antes o tema fazia referência à Guerra Fria, hoje, ele faz à discussão racial dos dias atuais. O roteiro ainda é assinado por Damon Lindelof, mente por trás de </span><i><span style="font-weight: 400;">Lost </span></i><span style="font-weight: 400;">e</span><i><span style="font-weight: 400;"> The Leftovers</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com o discurso de ódio, o racismo e o fascismo se tornando tendências políticas, nunca uma história se fez tão urgente para ser recapitulada. </span><i><span style="font-weight: 400;">Watchmen</span></i><span style="font-weight: 400;"> fala do agora, tanto da ficção, quanto da realidade.</span></p>
<figure id="attachment_15416" aria-describedby="caption-attachment-15416" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15416" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-4-3.jpeg" alt="" width="1280" height="719" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-4-3.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-4-3-300x169.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-4-3-1024x575.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-4-3-768x431.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-4-3-1200x674.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15416" class="wp-caption-text">O roteirista recusou duas vezes o convite para escrever a série pois o medo de estragar a obra de Alan Moore e Dave Gibbons era imenso, afinal, é um grande fã (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">34 anos após os eventos da </span><i><span style="font-weight: 400;">HQ</span></i><span style="font-weight: 400;">, a trama se discorre em Tulsa, Oklahoma. Um grupo de supremacistas brancos ascende e trava uma guerra contra as minorias e a política dos EUA de reparação histórica dos danos causados pela discriminação racial. Ele ficou conhecido como A Sétima Cavalaria, e baseia seus discursos nos escritos deixados por Rorschach antes de morrer, usando da imagem do vigilante para a identidade das máscaras que vestem. Do outro lado do fronte, estão os policiais, que usam máscaras e agem anonimamente &#8211; feito vigilantes &#8211;  em nome das forças do governo. Dentre os agentes, temos o chefe de polícia misterioso, Judd Crawford (Don Johnson), e a detetive Angela Abar, que age sob o codinome de Sister Night, sendo ela o foco da trama como um todo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Angela é interpretada magistralmente por Regina King, principalmente por sintetizar tudo que </span><i><span style="font-weight: 400;">Watchmen</span></i><span style="font-weight: 400;"> representa. Uma mulher negra, desconcertada com sua história, tão ciente quanto manipulada, tão frágil quanto forte. A todo momento ela desconstrói o arquétipo de herói, que, desde a origem, nos quadrinhos, é problematizado. Nos diversos clímax que permeiam a série, Regina te pega desprevenido, agindo de forma egoísta quando pensa que deve ser heroica, conformada quando pensa estar chocada, ela é o principal pilar da narrativa por definição. O exemplo mais claro está nas cenas que retratam sua relação com o marido Cal (Yahya Abdul-Mateen II), e seu relacionamento com Dr. Manhattan.</span></p>
<figure id="attachment_15417" aria-describedby="caption-attachment-15417" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15417" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-5.jpeg" alt="" width="1280" height="852" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-5.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-5-300x200.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-5-1024x682.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-5-768x511.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-5-1200x799.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15417" class="wp-caption-text">Regina King disse que só participaria de uma eventual <a href="https://variety.com/2020/tv/news/watchmen-season-2-regina-king-hbo-1234645694/">segunda temporada</a> se ela fosse escrita por Damon Lindelof novamente (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da grande protagonista, a trama tem múltiplos núcleos de personagens, e em momento algum o roteiro falha ao apresentá-los. Como com Looking Glass (Tim Blake Nelson), um dos vigilantes que possui sua motivação em decorrência do ataque da lula gigante em 85, uma representação viva do trauma que o “heroísmo” de Ozymandias gerou. E também com Laurie Blake (Jean Smart), que retorna à narrativa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Watchmen</span></i><span style="font-weight: 400;"> sem o nome de Silk Spectre, e sim como uma agente do</span><i><span style="font-weight: 400;"> FBI</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, ironicamente, membro da força-tarefa anti-vigilantes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dos arcos paralelos de personagens que mais intrigam e acrescentam na série, o maior deles é o de Adrian Veidt, interpretado perfeitamente por Jeremy Irons. Após os eventos da </span><i><span style="font-weight: 400;">HQ</span></i><span style="font-weight: 400;">, o herói aposentado enlouquece com o fato de que ele salvou o mundo do holocausto nuclear, e ninguém sabe. Enquanto o homem existir, por mais que seja um herói, o seu ego vai torná-lo contra qualquer princípio ético e moral. À vista disso, ele se isola no que parece ser um castelo na Europa, porém enlouquece mais ainda com tamanha monotonia da paz eterna. E seu arco se desenrola na sua fuga do que seria o </span><i><span style="font-weight: 400;">“Jardim do Éden”</span></i><span style="font-weight: 400;">, e na grande falha daquele que é conhecido como o homem mais inteligente do mundo: a humanidade.</span></p>
<figure id="attachment_15418" aria-describedby="caption-attachment-15418" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15418" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-6-1.jpeg" alt="" width="1280" height="733" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-6-1.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-6-1-300x172.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-6-1-1024x586.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-6-1-768x440.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-6-1-1200x687.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15418" class="wp-caption-text">Jeremy Irons escolheu fazer o personagem <a href="https://gq.globo.com/Cultura/noticia/2019/12/jeremy-irons-conta-como-se-preparou-para-serie-watchmen.html">instintivamente</a>; sem pensar muito, fez Ozymandias renascer em sua interpretação (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A presença do Dr. Manhattan traz pontos culminantes e complexos, mas bem executados, não só pela edição, como também pelo roteiro e atuação de Yahya Abdul-Mateen II. Alguns questionamentos filosóficos se encontram na busca dos personagens pelo controle dos poderes quase que divinos dele, no fato de ser um grande prisioneiro do destino que ele prevê, mas agir de forma um tanto questionável para um semi-deus. Ele acaba como mais uma das personalidades com a moral envenenada pelo mesmo mal que cerca todos os outros componentes: um pingo de humanidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além das interpretações impecáveis do elenco, a série acerta em manter e ressignificar o conceito do que é </span><i><span style="font-weight: 400;">Watchmen</span></i><span style="font-weight: 400;">. Cria-se uma imersão em cada detalhe da atmosfera tão realista e absurda desse universo, como nas cenas em que os poderes do Dr. Manhattan são retratados como ponto-chave da trama. E também no episódio </span><i><span style="font-weight: 400;">This Extraordinary Being</span></i><span style="font-weight: 400;">, que conta a origem do Hooded Justice, um personagem quase que irrelevante na história original, mas que casa perfeitamente com a proposta ousada de relacionar as discussões raciais do mundo atual com a narrativa criada há 34 anos. Os roteiristas foram tão ousados quanto Alan Moore e Dave Gibbons em 1986, sem medo de destrinchar completamente a história e, por isso, manter a obra com sua originalidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O resultado disso tudo se mostra no fato de que a produção é uma das grandes apostas ao</span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/emmy-2020/"> <i><span style="font-weight: 400;">Emmy 2020</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, liderando a lista de indicados. Das </span><a href="https://www.omelete.com.br/emmy/watchmen-emmy-2020-lidera-indicacoes"><span style="font-weight: 400;">26 indicações</span></a><span style="font-weight: 400;"> que recebeu, se encontra nas principais categorias, como a de Melhor Minissérie, Ator e Atriz para Jeremy Irons e Regina King, Atriz Coadjuvante para Jean Smart, e três nomeações por Melhor Ator Coadjuvante para Yahya Abdul-Mateen II, Jovan Adepo e Louis Gossett Jr. O já citado episódio </span><i><span style="font-weight: 400;">This Extraordinary Being</span></i><span style="font-weight: 400;"> concorre como Melhor Roteiro e Direção, sendo o mais marcante de toda a trama, tanto pela proeza técnica, quanto pelo simbolismo que carrega. Nada além do merecido.</span></p>
<figure id="attachment_15419" aria-describedby="caption-attachment-15419" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15419" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-7.jpeg" alt="" width="1280" height="853" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-7.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-7-300x200.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-7-1024x682.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-7-768x512.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-7-1200x800.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15419" class="wp-caption-text">Lindelof afirmou que faria uma segunda temporada contando uma outra história do universo de Watchmen, por o arco de Angela Abar já ter sido encerrado (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em cenas como a que a frase </span><i><span style="font-weight: 400;">“é difícil ser um homem branco nos Estados Unidos” </span></i><span style="font-weight: 400;">é ressoada, a caricatura escancarada de uma realidade tão absurda em que vivemos faz dessa série um marco da televisão americana. Trazendo absolutamente tudo que há de mais urgente na nossa sociedade como um debate global, em rede aberta. Mais uma vez, </span><i><span style="font-weight: 400;">Watchmen</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é sobre heróis, é sobre o agora. É sobre os meros mortais do agora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O final apressado visou uma conclusão generalizada para a história como um todo, sem se aprofundar muito no destino dos personagens que foram tão desenvolvidos e marcantes desde o início. Mas, ainda assim, a série fecha seu arco com a mesma qualidade de como começou. Uma continuação direta não seria a melhor opção, considerando que existem muitas outras tramas dentro desse universo, talvez um novo caminho seja mais empolgante. Afinal, os ovos precisam ser quebrados.</span></p>
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		<title>Alan Moore e seu &#8220;suspense sofisticado&#8221; de Monstro do Pântano</title>
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		<pubDate>Sat, 29 Oct 2016 21:27:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O britânico Alan Moore entrou no mercado norte-americano em 1983, em um título deixado de escanteio pela DC Comics, para desestabilizar de vez a indústria dos quadrinhos. Lucas Marques A chamada “Sophisticated Suspense” (Suspense Sofisticado) presente na maioria das capas de A Saga do Monstro do Pântano não traduz nas histórias o que os editores &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/alan-moore-suspense-sofisticado-monstro-do-pantano/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Alan Moore e seu &#8220;suspense sofisticado&#8221; de Monstro do Pântano"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O britânico Alan Moore entrou no mercado norte-americano em 1983, em um título deixado de escanteio pela DC Comics, para desestabilizar de vez a indústria dos quadrinhos.</em></p>
<figure id="attachment_5839" aria-describedby="caption-attachment-5839" style="width: 748px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-5839" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/10/monstro-do-pc3a2ntano.jpg" alt="monstro-do-pantano" width="748" height="571" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/monstro-do-pc3a2ntano.jpg 748w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/monstro-do-pc3a2ntano-300x229.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-5839" class="wp-caption-text">Além do escritor Alan Moore, muito da concepção da personagem se deve aos artistas Stephen Bissette e John Totleben/ DC Comics</figcaption></figure>
<p><strong>Lucas Marques</strong></p>
<p>A chamada “Sophisticated Suspense” (Suspense Sofisticado) presente na maioria das capas de<em> A Saga do Monstro do Pântano</em> não traduz nas histórias o que os editores da DC Comics queriam indicar por ela: algo nos moldes da literatura de H. P. Lovecraft ou mesmo de Stephen King, que nesses meados dos anos 80 vinha de <a href="https://criticapersona.wordpress.com/2016/10/26/o-cemiterio-de-stephen-king-enterra-os-receios-do-autor-e-ressuscita-uma-historia-sobria-intensa-e-muito-assustadora/">sucesso após sucesso</a>. Mas essa sofisticação é verdadeira, não se engane, concretizada em uma miscelânea inédita nos quadrinhos. Ao longo de mais de 40 edições, Alan Moore reuniu em um mesmo espaço religião e filmes trash, Freud e Aleister Crowley, biologia e erotismo, movimentos sociais e cinema pastelão, o racional e o irracional.<span id="more-5837"></span></p>
<p>O Monstro do Pântano foi criado pelo escritor Len Wein e o desenhista Bernie Wrighton para uma edição da antologia de quadrinhos de terror House of Secrets, em 1971. A história, um surpreendente sucesso, tomava como inspiração as obras da era vitoriana – até mesmo na ambientação do século XX -, em especial <em>O Médico e O Monstro</em>, no que toca a desconfiança na ciência e a impossibilidade do amor. Em 1972, a dupla foi encarregada de atualizar o Monstro do Pântano e produzir um título próprio: a criatura se torna Alec Holland, um cientista trabalhando nos pântanos de Louisiana, junto a sua amante Abigail Arcane, em sua fórmula que permitiria florescer ambientes desérticos. A pacífica missão do casal é abortada por um misterioso bombardeiro e Holland, misturado ao fogo, a lama e a fórmula, transforma-se no monstro.</p>
<p>O mote – bem convencional, mas movido pela arte premiada de Bernie Wrighton – foi o bastante para 20 edições, entre trancos e barrancos, até a série ser interrompida. Os editores da DC Comics só encontraram motivos para reviver a série pela proximidade da adaptação cinematográfica, dirigida pelo ainda desconhecido <a href="https://criticapersona.wordpress.com/2016/10/28/ironico-e-autoconsciente-como-panico-mudou-para-sempre-o-genero-do-terror/">Wes Craven</a>, em 1982. Recém-chegado no mercado norte-americano, o britânico Alan Moore recebeu um dos títulos mais desconhecidos da editora, porém a ele a liberdade criativa era o bastante.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/kzbqK4nw3R8?feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></div>
<p style="text-align: center;"><em>Além de dois filmes &#8220;B maiúsculo&#8221; , a personagem recebeu uma série televisiva e um cartoon nos anos 90.</em></p>
<p>A reimaginação de velhas histórias sempre foi uma constante na carreira de Moore, e talvez seu maior trunfo, desde a publicação de <em>Marvelman</em> pela editora britânica Warrior, em 1982 – ano, aliás, também marcado pelo clássico <em>V de Vingança</em>. O grande choque estético de <em>Marvelman</em> não se deu, como muitos erroneamente propagam, pela fixação dos arquétipos dos quadrinhos de super-heróis em um mundo realista, mas ao colocar ativamente Friedrich Nietzsche em um meio majoritariamente juvenil. A proposta do super homem nietzschiano deixou de ser uma leve menção – apesar de servir de inspiração na criação dos primeiros super-heróis dos gibis – para tomar o primeiro plano da narrativa.</p>
<p>Não tão radical foi Moore ao conceber o seu Monstro do Pântano um ano depois, uma vez que ele é moldado aos poucos. Todavia, já na segunda história, <em>Lição de Anatomia</em>, temos uma grata novidade: descobre-se que o Monstro não é Alec Holland em forma de planta, mas uma planta “que pensa ser Alec Holland”. Uma premissa com alto grau de cafonice, sim, mas que permite tirar o monstro do território do romantismo e adentrar de cara no pós-modernismo: a história de um vegetal com questões existenciais em um mundo em que a civilização e o sobrenatural provinciano estão em constante embate.</p>
<figure id="attachment_5843" aria-describedby="caption-attachment-5843" style="width: 900px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-5843" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/10/alan-moore.jpg" alt="alan-moore" width="900" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/alan-moore.jpg 900w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/alan-moore-225x300.jpg 225w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/10/alan-moore-768x1024.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-5843" class="wp-caption-text">Excêntrico, Moore sempre se destacou ao mesclar o que é tido como alta e baixa cultura. O autor hoje é brigado com as grandes editoras norte-americanas e evita falar nas obras do período.</figcaption></figure>
<p>A Saga do Monstro do Pântano então, com o auxílio da narrativa gráfica inteligente e detalhada de Stephen Bissette e John Tottleben, torna-se lugar de experimentação em terror, em grande parte pela apropriação tanto da literatura – de Caim e Abel à Pata de Macaco, de W. W. Jacobs – quanto da ciência biológica. Em certo momento, o próprio terror deixa o primeiro plano para dar lugar a temáticas como drogas, movimentos sociais, erotismo, psicanálise, algumas flertando com o humor, outras mais dramáticas. Como o fio condutor e agente de mudança desse caos está o monstro que, mesmo resolvendo muitos problemas, sempre é frustrado em sua busca por respostas.</p>
<p>Um dos pontos mais marcantes não só da saga, mas dos quadrinhos populares como um todo, é o conto Rito da Primavera, ainda no segundo volume. Nele Abigail e o Monstro compartilham do desejo sexual. A criatura então retira um tubérculo de seu corpo e entrega à Abigail, que o morde fazendo escorrer seiva. A visão da mulher se turva, toma novos formatos e cores, ao mesmo tempo que o próprio quadrinho assume uma nova perspectiva, em formato paisagem. Moore não apenas tocou em dois tabus nos quadrinhos, o sexo e as drogas lisérgicas, como também executou um de seus primeiros experimentos formais.</p>
<figure id="attachment_5846" aria-describedby="caption-attachment-5846" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-5846" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/10/monstro-do-pc3a2ntano-rito-de-primavera.jpg" alt="monstro-do-pantano-rito-de-primavera" width="1600" height="1164" /><figcaption id="caption-attachment-5846" class="wp-caption-text">O momento da mudança de perspectiva em Rito de Primavera</figcaption></figure>
<p>Entretanto o ponto mais alto da série é o arco narrativo <em>Gótico Americano</em>, entre os volumes 3 e 4. Moore insere a personagem John Constantine, que viria a se tornar uma das mais conhecidas da editora, como guia do monstro. Ambos viajam os EUA deparando-se com diversos fenômenos sobrenaturais, todos inspirados por lendas ou acontecimentos reais. A sacana do autor foi atribuir sutis comentários sociais a cada uma delas. Moore, em histórias de lobisomem, vampiro, casas mal-assombradas, escreve sobre a repressão à mulher, o racismo, a marginalização, a cultura bélica e o genocídio indígena.</p>
<p><em>A Saga do Monstro do Pântano</em> passa longe de ser perfeita, em algumas edições tem-se a clara sensação de estar lendo uma encheção de linguiça. Também pudera: Moore alternava os estritos prazos mensais com a criação de outras histórias curtas para DC e a concepção de sua obra mais celebrada, <em>Watchmen</em>. Mas o autor não poderia ter uma estreia melhor nos quadrinhos de massa; O Monstro do Pântano é uma obra guiada pelas leituras extremamente variadas de Moore, utilizadas para extrapolar o terror e permitir pequenas inovações nos quadrinhos.</p>
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