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	<title>Arquivos Aguyjevete Avaxi’i &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Aguyjevete Avaxi’i &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Os curtas brasileiros do 29º Festival É Tudo Verdade</title>
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		<pubDate>Tue, 07 May 2024 20:59:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A 29ª edição do Festival É Tudo Verdade ocorreu entre os dias 03 e 14 de Abril de 2024, com programações que perduraram até dia 30. Entre mostras online e presenciais, o maior evento de reconhecimento às produções documentais exibiu 77 obras de diferentes países e diretores. Além das tradicionais categorias diversas que envolvem o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-curtas-brasileiros-do-29o-festival-e-tudo-verdade/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os curtas brasileiros do 29º Festival É Tudo Verdade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33369" aria-describedby="caption-attachment-33369" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-33369" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/capawordpress.jpg" alt="" width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/capawordpress.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/capawordpress-768x403.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33369" class="wp-caption-text">Os curtas brasileiros ficaram disponíveis gratuitamente na plataforma de streaming Itaú Cultural Play (Arte: Aryadne Xavier)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A 29ª edição do <a href="https://www.etudoverdade.com.br/">Festival É Tudo Verdade</a> ocorreu entre os dias 03 e 14 de Abril de 2024, com programações que perduraram até dia 30. Entre mostras online e presenciais, o maior evento de reconhecimento às produções documentais exibiu 77 obras de diferentes países e diretores. Além das tradicionais categorias diversas que envolvem o cronograma do festival, este ano, ainda foram celebrados o centenário do brasileiro</span> <span style="font-weight: 400;">Thomaz Farkas e as obras do britânico Mark Cousins. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mergulhado em uma multiplicidade de temáticas, o evento alimentou o <a href="https://personaunesp.com.br/category/cinema/">Cinema</a> com uma curadoria recheada de nomes prontos para a ascensão. Imagens delicadas, relatos sensíveis, terras distantes e até mesmo pontos crus demais para o habitual palatável marcaram presença em salas de cinema de São Paulo e do Rio de Janeiro.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Considerado um dos maiores festivais culturais da América Latina, o </span><i><span style="font-weight: 400;">It&#8217;s All True</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; nome dado para repercussão internacional &#8211; acontece desde 1996 e foi criado pelo crítico de cinema </span><span style="font-weight: 400;"> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=JnjmtxcEWyA">Amir Labaki</a>. Desde então, sua potência reconhece obras com um júri especializado que as premia em categorias específicas, além de tecer comentários sobre seu impacto social e estético. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das categorias é a Competição Brasileira de Curtas-Metragens. Em sua composição, filmes de até 30 minutos dirigidos por cineastas brasileiros fazem parte da mostra competitiva. Este ano, racialidade, identidade sertaneja, ancestralidade indígena e outras pautas ganharam protagonismo, com <a href="https://etudoverdade.com.br/br/filme/52684-As-placas-sao-invisiveis"><em>As Placas são Invisíveis</em></a> levando o título. Com olhar apurado, a editoria do </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> explora as minutagens dos participantes e suas reflexões. </span></p>
<p><span id="more-33356"></span></p>
<h2>Curtas-metragens</h2>
<figure id="attachment_33357" aria-describedby="caption-attachment-33357" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33357" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed.png" alt="Foto do filme Aguyjevete Avaxi’i . Na imagem há três pratos de um prato de palha natural com três tipos de milho diferentes sobre ele um tem cor mais escura, o outro média e o terceiro mais claro. Em cima do milho, há uma mão com uma pulseira artesanal no pulso. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-768x432.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33357" class="wp-caption-text">O cultivo do sagrado milho indígena carrega técnicas geracionais em cada passo do processo (Foto: Instituto Catitu)</figcaption></figure>
<p><b>Aguyjevete Avaxi’i</b><strong> (Kerexu Martim, 21&#8242;, 2023)</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A diretora <a href="https://katahirine.org.br/ela/kerexu-cidinha/">Kerexu Martim</a> registra a retomada do plantio das variedades do milho tradicional do povo Guarani M’bya &#8211; ou &#8220;<em>milho verdadeiro&#8221;,</em> como eles chamam &#8211; na aldeia Kalipety. O cultivo havia se perdido com a degradação da área, consequente de décadas de monocultura de eucalipto. O alimento é considerado uma comida sagrada, deixada por seus ancestrais, por isso, a retomada e preservação da prática é tida como muito importante para manter a memória viva para a geração atual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para a cultura do povo <a href="https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Guarani_Mbya">Guarani M’bya</a>, o milho indígena é respeitado pelo o que oferece: fortalece os corpos, leva felicidade para o espírito e alegra as crianças. O curta mostra como a aldeia se reúne, desde o plantio até a colheita, com rituais, bênçãos e comemorações em que eles pedem força e coragem para manter o cultivo e sabedoria para não deixar a tradição sumir. &#8211; </span><b>Giovanna Freisinger</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_33358" aria-describedby="caption-attachment-33358" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33358" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/noite-das-garrafadas.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/noite-das-garrafadas.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/noite-das-garrafadas-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33358" class="wp-caption-text">A Noite das Garrafadas traz o recorte de um episódio histórico do século XIX e o compara ao século XXI utilizando a vida carioca no centro da cidade como fio-condutor da narrativa (Foto: ClubSoda Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>A Noite das Garrafadas (Elder Gomes Barbosa, 25&#8242;, 2023)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Historicamente, a </span><a href="https://www.todamateria.com.br/noite-das-garrafadas/"><span style="font-weight: 400;">Noite das Garrafadas </span></a><span style="font-weight: 400;"> foi fundamental para a abdicação do trono de Dom Pedro I. Troca de ministérios, repressão aos opositores do governo e revolta por parte da população são alguns dos motivos que levaram ao estopim que expulsou o monarca do Brasil. O ato obteve participação de escravos e ex-escravos, mostrando os principais indícios de rebelião entre o povo brasileiro acerca do colonialismo português. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No curta-metragem</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Noite das Garrafadas</span></i><span style="font-weight: 400;">, dirigido por </span><a href="https://www.rfi.fr/br/podcasts/rfi-convida/20240321-a-noite-das-garrafadas-%C3%A9-tema-de-curta-em-competi%C3%A7%C3%A3o-no-festival-de-toulouse"><span style="font-weight: 400;">Elder Gomes Barbosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, há um paralelo entre a revolta do século XIX e a vida dos trabalhadores autônomos presentes na Rua da Quitanda, no Rio de Janeiro. Com o uso de projeções, sons e narrações, o cineasta compara a opressão vivida no Brasil Imperial às mazelas do sistema capitalista. Utilizando a sociedade carioca como personagem do curta, Gomes Barbosa evidencia problemas históricos do país que são repetidos e vistos através dos séculos.  <strong>&#8211; Guilherme Machado Leal</strong></span></p>
<hr />
<figure id="attachment_33359" aria-describedby="caption-attachment-33359" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33359" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-1.png" alt="Cena do curta documental Sertão, América. Nela vemos um close em uma mão masculina que está segurando um cacto. A imagem está em preto e branco e ao fundo podemos ver ramificações desse pé de cacto e o céu" width="800" height="577" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-1.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-1-768x554.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33359" class="wp-caption-text">Obra comprova a máxima de Euclides da Cunha de que o sertanejo, antes de tudo, é um forte(Foto: Pique-Bandeira Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Sertão, América</b> <b>(Marcela Ilha Bordin, 18’, 2023)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde a época da escola nos é ensinado que o Brasil começa a partir da chegada de Pedro Álvares Cabral, assim como a América se inicia com Colombo ou os outros tantos navegadores que pisaram nesse <a href="https://multirio.rio.rj.gov.br/index.php/historia-do-brasil/america-portuguesa/8711-do-sert%C3%A3o-%C3%A0s-regi%C3%B5es-coloniais">continente</a>. Recentemente há um movimento que vai contra esse conceito e denominação, mas é com </span><i><span style="font-weight: 400;">Sertão, América</span></i><span style="font-weight: 400;"> que ele é trabalhado de forma mais singela e próxima de nós residentes desses pedaços de terra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra gira em torno da criação do Parque Nacional da Serra da Capivara, no coração do Piauí. A diretora </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rq26DqGoQbM&amp;ab_channel=CurtaKinoforum"><span style="font-weight: 400;">Marcela Bordin</span></a><span style="font-weight: 400;"> opta por trabalhar a temática através de quem vive nos entornos da área de preservação e qual o entendimento dessas pessoas sobre sua ancestralidade. A fotografia analógica dá traços de Portinari para a obra e, aliada à narração extremamente bem escrita e pensada, evidencia que, antes de americano, aquele povo foi – e sempre será – sertanejo. </span><b>&#8211; Guilherme Veiga</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_33360" aria-describedby="caption-attachment-33360" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33360" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-2-800x450.png" alt="Cena do documentário Utopia Muda. Na imagem, um homem branco de cabelos escuros observa a instalação da rádio. Ele é fotografado pela câmera a partir dos ombros e veste uma camiseta cinza. Ao fundo, é possível ver uma parte do campus da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-2-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-2-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-2.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33360" class="wp-caption-text"><i><span style="font-weight: 400;">A Rádio Muda fica localizada dentro de uma caixa d’água na Unicamp (Julio Matos)</span></i></figcaption></figure>
<p><b>Utopia Muda (Julio Matos, 20’, 2023)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Narrativas sobre democratização já foram contadas várias vezes por diversas lentes e perspectivas diferentes. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Utopia Muda</span></i><span style="font-weight: 400;">, no entanto, o registro da história da Rádio Muda – <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/cultura/audio/2022-08/cem-anos-do-radio-no-brasil-radios-livres">meio de comunicação livre</a> operado no interior de uma caixa d’água na Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp –, traz um frescor graças ao fato de ilustrar a coletivização de uma forma tão palpável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o auxílio do acervo pessoal do diretor Julio Matos, três décadas de funcionamento sem o <a href="https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2014/02/sem-autorizacao-da-anatel-pf-fecha-radio-muda-no-campus-da-unicamp.html">reconhecimento do Estado</a> são expostas como uma ferramenta de atuação eficaz pela defesa da liberdade de expressão. Diante de suposições sobre a criação da rádio, entre elas, até mesmo a possibilidade de ameaça ao tráfego aéreo, o documentário resgata e evidencia a atemporalidade de um instrumento democrático desenvolvido dentro do espaço público acadêmico. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_33361" aria-describedby="caption-attachment-33361" style="width: 770px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33361" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-3.png" alt=" Cena do curta-metragem A Edição do Nordeste. Preto e branco. Três homens, virados de frente para a câmera, vestem trajes característicos do cangaço, inclusive chapéus, cintas de couro no peito e lenços de seda no pescoço" width="770" height="434" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-3.png 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-3-768x433.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33361" class="wp-caption-text">A imagem cultural do Nordeste e do povo nordestino que o resto do país reconhece saiu das telas de cinema (Foto: Casa da praia filmes)</figcaption></figure>
<p><b>A Edição do Nordeste (Pedro Fiuza, 20&#8242;, 2023)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inspirado no livro e peça</span><a href="https://e.correiodobrasil.com.br/a/espetaculo-premiado-a-invencao-nordeste-desembarca-rio"><i><span style="font-weight: 400;"> A Invenção do Nordeste</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o diretor Pedro Fiuza reedita cenas de 28 longas e curtas brasileiros, de 1938 a 1980, de grandes cineastas como Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos e Leon Hirszman. Essa lista é composta por obras que retratam o Nordeste sob diferentes aspectos e que foram essenciais para a fundação do imaginário da região e do seu povo. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Para inventar uma região, é preciso inventar uma cultura – de preferência com ajuda do cinema”</span></i><span style="font-weight: 400;">, diz parte da sinopse do curta. Através de recortes de filmes, Fiuza reflete sobre e critica o papel que o cinema cumpriu, e ainda cumpre, no processo de construção da identidade nordestina. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Edição do Nordeste </span></i><span style="font-weight: 400;">destaca como a opressão vem também através da generalização, no caso, perpetuando <a href="https://www.matinaljornalismo.com.br/rogerlerina/teatro/a-invencao-do-nordeste-grupo-carmin/">arquétipos sociais</a> que restringem um povo diverso a estereótipos, através de imagens como a do sertanejo, do cangaceiro e do cabra-macho. &#8211; </span><b>Giovanna Freisinger</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_33362" aria-describedby="caption-attachment-33362" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33362" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/ate-onde-o-mundo-alcanc.jpeg" alt="Cena do curta documental Até Onde o Mundo Alcança. Nela vemos um homem branco de barba e cabelos brancos. A câmera está próxima de seu rosto, que está de perfil. Ele olha para cima e em sua cabeça há um fone estilo headset com fio na cor preta, da marca Sony, visível em seu tampo. Ao fundo, árvores secas e um céu nublado." width="750" height="421" /><figcaption id="caption-attachment-33362" class="wp-caption-text">Até Onde o Mundo Alcança fez sua estreia no Festival de Clermont (Foto: Jan Van Eyck Academie)</figcaption></figure>
<p><b>Até Onde o Mundo Alcança (Daniel Frota de Abreu, 27’, 2024)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história do Brasil é um telefone sem fio. Nosso processo de criação não nos foi assimilado, mas, sim, imputado a partir de forças maiores, mais autoritárias e sanguinárias. Gravado principalmente na Holanda, </span><a href="https://vimeo.com/836516677"><i><span style="font-weight: 400;">Até Onde o Mundo Alcança</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> passa o pente fino no processo de colonização brasileira, em especial da região de Pernambuco, e se transforma em uma metáfora que documenta o modo de documentar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção acompanha um ornitólogo que busca por canto de pássaros em uma região devastada por uma mineradora e um grupo de etnobotânicos que estudam a fauna pernambucana durante a invasão holandesa de </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/biografia/mauricio-de-nassau.htm"><span style="font-weight: 400;">Maurício de Nassau</span></a><span style="font-weight: 400;"> e os efeitos do colonialismo na história brasileira e na forma como ela foi representada. Misturando o estilo documental com o ficcional, o diretor cria uma atmosfera única e poética que evoca o questionamento se realmente sabemos quem somos e de onde viemos. </span><b>&#8211; Guilherme Veiga</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_33363" aria-describedby="caption-attachment-33363" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33363" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-4-800x450.png" alt=" Cena do documentário Serão. Na imagem, um homem de cabelos escuros está sentado de lado para a câmera que, por sua vez, também captura a costa de uma mulher. Ao fundo, é possível ver uma parte de uma residência bem simples" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-4-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-4-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-4-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-4-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-4.png 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33363" class="wp-caption-text">A extração manual de cal é uma atividade considerada insalubre em grau médio para o trabalhador (Foto: Caio Bernardo)</figcaption></figure>
<p><b>Serão (Caio Bernardo, 15’, 2023)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Serão</span></i><span style="font-weight: 400;">, curta-metragem dirigido por <a href="https://www.youtube.com/watch?v=QZ8ush3CBLc">Caio Bernardo</a>, consegue refletir uma realidade, infelizmente ainda inata a grande parte dos brasileiros, através da perspectiva de uma família localizada no Cariri paraibano. Realizar esse feito é difícil – ainda mais em poucos minutos – porém, Bernardo tira de letra ao se aprofundar em um cotidiano marcado por trabalho árduo e a esperança de dias melhores. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ambiente que o documentário escolhe como registro acaba funcionando como um microcosmo da sociedade em que vivemos. Alternando entre a prática secular e perigosa da extração manual de cal, e as investidas da indústria têxtil, </span><i><span style="font-weight: 400;">Serão</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz o telespectador refletir sobre o quanto as promessas de trabalho realmente proporcionam novas perspectivas, ou apenas ajudam a nos acorrentar em um ciclo vicioso de tentativas de subverter a máquina cruel que move o <a href="https://outraspalavras.net/desigualdades-mundo/a-conta-oculta-da-superexploracao-no-brasil/">mundo capitalista</a>. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_33364" aria-describedby="caption-attachment-33364" style="width: 506px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-33364" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/placas-invisiveis.jpg" alt="" width="506" height="283" /><figcaption id="caption-attachment-33364" class="wp-caption-text">Para invisibilizar alguém não é preciso que as linhas sejam palpáveis (Foto: Gabrielle Ferreira)</figcaption></figure>
<p><b>As Placas são Invisíveis (Gabrielle Ferreira, 24&#8242;, 2024)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pertencente a competição brasileira de curtas-metragens da 29ª edição do Festival É Tudo Verdade, </span><i><span style="font-weight: 400;">As Placas são Invisíveis</span></i><span style="font-weight: 400;"> explora uma exclusão social secular: a falta de estudantes negros na universidade pública. A produção nacional dirigida por <a href="https://mostratiradentes.com.br/filme/as-placas-sao-invisiveis/">Gabrielle Ferreira</a> traz como protagonistas cinco jovens mulheres negras e seu embate por permanência em uma das instituições mais prestigiadas e embranquecidas do Brasil, a Universidade de São Paulo (USP) </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme foi gravado em 2015 e carrega muito da luta acerca das cotas raciais em seu contexto, já que a visível integração de pessoas negras na universidade vinha incomodando a confortável posição elitizada e era pauta recorrente na luta do movimento estudantil. Além disso, as meninas ouvidas são parte desse incômodo por estarem lá através da política aprovada dois anos antes, a <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2018-05/cotas-foram-revolucao-silenciosa-no-brasil-afirma-especialista">Lei de cotas</a>. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Apesar de urgente e bem afirmada, não é só na temática que vive a glória da produção. A escolha de imagens que intercalam as personagens expondo suas vivências e elementos estruturais do espaço, criando a alusão com placas físicas e metafísicas, completa a narrativa quando se trata de composição. Sob a ótica singular e o relato sensível de quem segue tendo que lutar o dobro ou o triplo por uma formação, </span><a href="https://etudoverdade.com.br/br/pag/premiacao2024#:~:text=O%20j%C3%BAri%20da%2029%C2%AA%20edi%C3%A7%C3%A3o%20do%20%C3%89%20Tudo%20Verdade%20tem,%2C%20como%20Melhor%20Curta%2DMetragem."><i><span style="font-weight: 400;">As Placas são Invisíveis </span></i></a><span style="font-weight: 400;">mostra que a segregação racial no âmbito acadêmico é enraizada como uma tradição. <strong>&#8211; Jamily Rigonatto</strong></span></p>
<hr />
<figure id="attachment_33365" aria-describedby="caption-attachment-33365" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33365" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-5-800x517.png" alt="" width="800" height="517" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-5-800x517.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-5-1024x662.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-5-768x496.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/unnamed-5.png 1114w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33365" class="wp-caption-text">A lástima encontra a beleza num campo de papoulas onde a natureza encontra a luta sob a bandeira palestina (Foto: Carlos Adriano)</figcaption></figure>
<p><b>Nem Todas as Flores da Falta (Carlos Adriano, 22&#8242;, 2024)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesclando poesia ao horror de uma guerra incessante, </span><a href="https://mubi.com/pt/br/films/untitled-9-nor-all-flowers-of-foul"><span style="font-weight: 400;">Nem Todas as Flores da Falta</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma produção poética-política-experimental em que Carlos Adriano explora os detalhes escondidos em meio à destruição. Dor, morte e sofrimento são entremeados por intervenções artísticas, floridas e ilusórias. O diretor nos deixa entre Gaza e Israel, no caminho onde a poesia transforma tristeza em beleza, sem esquecer do horror. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É um filme atual, contextualizado, mas que se torna indigesto. Ao levar flores ao </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/ceq71wv10ezo"><span style="font-weight: 400;">desespero de Gaza</span></a><span style="font-weight: 400;">, Adriano bombardeia o espectador com horror e repentinos atos de suavidade. Embora apresente uma perspectiva que referencia grandes nomes da sétima arte, colocar flores como testemunhas da fúria israelense também altera seus perfumes, envenenando-as com o cheiro do horror. Afinal de contas, o curta explora o inóspito, fragmentando-se a cada passo num cenário de Guerra. <strong>&#8211; Ágata Bueno </strong></span></p>
<p>&nbsp;</p>
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