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	<title>Arquivos Adriana Barraza &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Adriana Barraza &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Após 15 anos de Arraste-Me para o Inferno, ser levado para os confins da Terra talvez não seja má ideia</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Dec 2024 19:08:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo Desde Sally (Marilyn Burns) de O Massacre da Serra Elétrica (1974) até Grace (Samara Weaving) de Casamento Sangrento (2019), a final girl é praxe no Terror, principalmente no slasher. É ela quem vence o assassino, sobrevive e, de quebra, aparece nas continuações. Mas para Christine Brown (Alison Lohman), do grotesco Arraste-Me para o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/arraste-me-para-o-inferno-15-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Após 15 anos de Arraste-Me para o Inferno, ser levado para os confins da Terra talvez não seja má ideia"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34500" aria-describedby="caption-attachment-34500" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-34500" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image1.jpg" alt="Cena do filme Arraste-Me para o Inferno Na imagem, a personagem Christine Brown está sendo atacada pelos braços de uma pessoa. Ela está com lama cobrindo todo o cabelo e sujando o rosto, em sua volta tem mais lama. Christine está com expressão de dor. Ela é uma mulher na faixa dos 30 anos, de pele clara e cabelos loiros. 
" width="600" height="399" /><figcaption id="caption-attachment-34500" class="wp-caption-text">Em 2022, o filme entrou no top 10 dos mais assistidos na Netflix no Brasil (Foto: Ghost House Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde Sally (Marilyn Burns) de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-massacre-da-serra-eletrica-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Massacre da Serra Elétrica</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1974) até Grace (Samara Weaving) de </span><a href="https://personaunesp.com.br/casamento-sangrento-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Casamento Sangrento</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019), a </span><i><span style="font-weight: 400;">final girl</span></i><span style="font-weight: 400;"> é praxe no Terror, principalmente no </span><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i><span style="font-weight: 400;">. É ela quem vence o assassino, sobrevive e, de quebra, aparece nas continuações. Mas para Christine Brown (Alison Lohman), do grotesco </span><i><span style="font-weight: 400;">Arraste-Me para o Inferno</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2009), já faz 15 anos que ela está perpetuada nos confins da Terra. O aniversariante que não é um filme de </span><a href="http://personaunesp.com.br/panico-6-critica/"><span style="font-weight: 400;">mascarados</span></a><span style="font-weight: 400;"> empunhando facas, sem dúvidas garante uma curiosa discussão sobre mulheres no gênero. </span></p>
<p><span id="more-34499"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O recorte de classe também é uma temática já perpassada pelo horror e, neste longa, também é comentado. </span><i><span style="font-weight: 400;">Morto Não Fala</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2018) e </span><a href="https://medium.com/@davimarcelgo10/aquilo-que-j%C3%A1-foi-especial-alien-1979-de-ridley-scott-e816e657d218"><i><span style="font-weight: 400;">Alien, o Oitavo Passageiro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1979) são ótimos exemplos de como o mal age em corpos marcados por alguma razão de exclusão – no caso do filme de Ridley Scott, gênero e cor também fazem parte das discussões que o diretor propõe. Nele, os dois últimos personagens a morrer são um homem negro e uma mulher branca, ambos operários. A </span><i><span style="font-weight: 400;">final girl</span></i><span style="font-weight: 400;">, logicamente, é uma mulher. Ripley, sobrevivente, segue protocolos, normas e diretrizes de segurança durante toda história; o irônico é que, para sobreviver na realidade, mulheres e outras minorias também precisam seguir ‘regras’. </span></p>
<figure id="attachment_34501" aria-describedby="caption-attachment-34501" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34501" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image2.png" alt="Cena do filme Arraste-Me para o Inferno Na imagem, o rosto da personagem Sylvia Ganush está bem próximo. Em detalhe, estão o nariz e os olhos dela. O olho direito é cego, possuindo uma coloração esverdeada e branca.O olho esquerdo é castanho. Sylvia Ganush é uma mulher de pele clara, na faixa dos 60 anos. 
" width="640" height="360" /><figcaption id="caption-attachment-34501" class="wp-caption-text">O filme mantém a marca autoral de Raimi; a estética combina nojeira com o cartunesco (Foto: Ghost House Pictures)</figcaption></figure>
<p><a href="http://personaunesp.com.br/doutor-estranho-no-multiverso-da-loucura-critica/"><span style="font-weight: 400;">Sam Raimi</span></a><span style="font-weight: 400;">, escritor e diretor, já tinha subvertido expectativas com o inaugural </span><a href="https://sanguetipob.blogspot.com/2023/03/retro-review-uma-noite-alucinante-a-morte-do-demonio-the-evil-dead-1981.html"><i><span style="font-weight: 400;">Evil Dead</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1981), finalizando-o sem as esperanças de um amanhecer que traz tranquilidade após uma noite alucinante. Considerando os finais de filmes anteriores  dirigidos por Raimi ao terror de 2009, era de se esperar conclusões impactantes, afinal, </span><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">3</span></i><span style="font-weight: 400;"> encerram com sentimento agridoce. Com a história de Chris Brown não foi diferente: após o roteiro enganar os cinéfilos com uma falsa libertação da personagem contra seus demônios, ela é arrastada para o inferno. Na trama, Brown precisa conseguir uma promoção em seu emprego de bancária, para isso, ela recusa o aumento dos prazos para o pagamento das prestações da casa de uma senhora. Revoltada, a cliente a amaldiçoa com poucos dias de vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os personagens já escritos e dirigidos pelo cineasta possuem semelhanças, por exemplo, assim como o trio de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq27089912.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Um Plano Simples</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1998), Peter Parker e Brown estão ligados pela falta de dinheiro. A </span><i><span style="font-weight: 400;">only girl</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Arraste-Me para o Inferno </span></i><span style="font-weight: 400;">não só convive com a grana curta, mas também é oprimida pela família de seu namorado, Clay (</span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-filmes-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">Justin Long</span></a><span style="font-weight: 400;">), que tem uma excelente condição financeira. Opressão condicionada inclusive no ambiente de trabalho, ao competir com um colega por um novo cargo, com a garantia de mais renda e </span><i><span style="font-weight: 400;">status </span></i><span style="font-weight: 400;">do ponto de vista da sogra. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O terror vivido por Chris Brown ultrapassa qualquer espírito ‘zombeteiro’ que arremessa panelas em sua cozinha. Começando antes mesmo da praga ser lançada sobre ela, estando presente no </span><a href="https://www.institutomana.com/single-post/2018/01/11/recorte-social-o-lugar-de-fala-dentro-do-lugar-de-fala"><span style="font-weight: 400;">recorte social</span></a><span style="font-weight: 400;">: mulher e pobre. Brown é incentivada a competir com alguém da mesma classe, uma lógica do capitalismo, além de ser incentivada a não ajudar uma senhora também pobre, quando podia fazer isso, sendo castigada pelas suas atitudes. Em uma sociedade patriarcal, ser mulher é estar nessa posição de ganhar menos que o namorado e ter que provar sua capacidade para homens em situações de poder, que vão a legitimar ou não. Vítima do sistema, a protagonista é penalizada sem qualquer análise das motivações durante a vida. </span></p>
<figure id="attachment_34503" aria-describedby="caption-attachment-34503" style="width: 1223px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34503" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image4.png" alt="Cena do filme Arraste-Me para o InfernoNa cena, a personagem Shaun San Dena, interpretada por Adriana Barraza, está com o braço esticado para frente e a mão aberta, pronto para agarrar a personagem Chris Brown, que está de frente para Shaun, desfocada pela câmera no canto direito. Shaun está possuída, por isso seus olhos estão dilatados e os dentes afiados. Ela está com a expressão no rosto de raiva. Shaun veste roupas largas de cor marrom, possui cabelos longos na cor castanha. 
" width="1223" height="702" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image4.png 1223w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image4-800x459.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image4-1024x588.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image4-768x441.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image4-1200x689.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34503" class="wp-caption-text">A atriz Adriana Barraza interpreta a exorcista que tenta tirar o demônio de Brown (Foto: Ghost House Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em paralelo, no final da terceira temporada de </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-good-place-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">The Good Place</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2016-2020) é descoberto que, há mais de 500 anos, ninguém entra no bom lugar (céu), porque realizar uma ação intrinsecamente boa é uma tarefa difícil na contemporaneidade. De repente, comprar uma simples peça de roupa financia indiretamente tráfico humano ou adquirir uma fruta implica no apoio de indústrias alimentícias que expulsam famílias de suas terras. No caso de Chris Brown, ela não realizou uma ação boa, foi apenas para seu próprio benefício, mas assim como a humanidade da série citada, ela é vítima. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste caso, não é tão certo que Sam Raimi e seu irmão Ivan Raimi, que assinam o roteiro, estejam fazendo alguma crítica quanto ao capitalismo ou religiões punitivas, talvez, eles só estejam reproduzindo elementos do Terror sem nenhum tipo de recorte. Porém, na trilogia do aracnídeo, diferente do que muitos autointitulados ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">nerds</span></i><span style="font-weight: 400;">’ pensam, a personagem Mary Jane (Kirsten Dunst) está longe de ser interesseira e infiel. O diretor sempre pensa em texto e </span><a href="https://pnc.gov.pt/glossary/m#:~:text=Trata%2Dse%20de%20uma%20defini%C3%A7%C3%A3o,%C3%A0%20encena%C3%A7%C3%A3o%20do%20espa%C3%A7o%20c%C3%A9nico."><span style="font-weight: 400;">encenação</span></a><span style="font-weight: 400;"> com muita delicadeza, exemplo é a cena de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Homem-Aranha 3</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2007) em que ela se sente mais uma em meio a multidão. Raimi também sempre deixou com transparência o relacionamento abusivo com o pai, que leva a ruiva a ter certos comportamentos. Por isso, é possível estender a análise para uma crítica consciente ao capitalismo e seus operários. </span></p>
<p><figure id="attachment_34502" aria-describedby="caption-attachment-34502" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34502" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image3.png" alt="Cena do filme Arraste-Me para o Inferno Na imagem, os personagens Clay e Chris Brown estão em um quarto, sentados na cama, de frente para o outro. Ela está à direita, é uma mulher na faixa dos 30 anos, de pele clara e cabelos loiros. Veste uma roupa de mangas curtas em cores de tom terroso. Ele está à esquerda, é um homem na faixa dos 30 anos, de pele clara, cabelos escuros e lisos. Ele veste camisa social na cor azul e gravata. Ao lado de Chris Brown tem um abajur verde com estampa de folhagens.
" width="600" height="400" /><figcaption id="caption-attachment-34502" class="wp-caption-text">Justin Jacob Long tem experiência no gênero, já atuou em Olhos Famintos (2001), Tusk (2014) e Noites Brutais (2022) [Foto: Ghost House Pictures]</figcaption></figure><a href="https://www.cracked.com/article_18967_6-famous-movies-with-mind-blowing-hidden-meanings.html"><i><span style="font-weight: 400;">Sites</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e espectadores via </span><a href="https://www.reddit.com/r/horror/comments/2acy0w/in_drag_me_to_hell_why_does_everything_literally/?tl=pt-br"><i><span style="font-weight: 400;">Reddit</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> já comentaram que o filme faz uma alegoria a transtorno alimentar. Realmente, Chris Brown vomita e é alvo de vômitos sobre seu corpo ao longo do filme, passa por vitrine de doces e outras cenas que envolvem comida. Ademais, há uma citação sobre ela ter perdido peso e uma fotografia dela, alguns anos antes, posando ao lado de um porco. Dessa forma, outra camada de opressão é adicionada à história: adequação aos padrões estéticos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seja porque supostamente pecam contra a </span><a href="https://valkirias.com.br/it-follows-sexo-futuro/"><span style="font-weight: 400;">castidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, bebem ou aproveitam a juventude, é válido questionar o que já foi e é indagado no gênero e no Cinema: por que mulheres são </span><a href="https://www.fvcomunica.com.br/blog/detalhes/o-arquetipo-da-mulher-na-geladeira"><span style="font-weight: 400;">mortas</span></a><span style="font-weight: 400;"> com tanta violência? Mas não pensando em como a Arte é um mal que deseja a morte de pessoas e, sim, como de fato é um espelho do contexto social em que estamos inseridos. Para sobreviver, Brown tem de se adaptar às regras das corporações, à etiqueta da família do namorado e também aos padrões de corpo. O verdadeiro terror, este não cartunizado como os outros do filme, é a injustiça de um sistema e de crenças justapostas contra um corpo feminino e pobre. </span></p>
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