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	<title>Arquivos A Visita &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Do film fashion aos curtas e longas-metragem, Mathews Silva procura sempre manter a reflexão social presente</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Dec 2025 16:48:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Livia Queiroz  Formado em publicidade e propaganda, a paixão pelo audiovisual sempre palpitou mais no coração de Mathews Silva, ansiando pelo momento além de campanhas, aquele que o colocaria no Cinema, do qual  tinha plena consciência de que era possível e capaz de realizá-lo. Sua carreira é carregada de sucesso, tanto nas produções quanto nos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/persona-entrevista-mathews-silva/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Do film fashion aos curtas e longas-metragem, Mathews Silva procura sempre manter a reflexão social presente"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36557" aria-describedby="caption-attachment-36557" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36557" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/mathews-silva-1-800x450.png" alt="Na foto de fundo preto, um homem branco, de cabelo, barba e bigode pretos e olhos castanhos âmbar, se apresenta à câmera com um olhar sereno. Em plano de fundo, os tons de vermelho claro e escuro se encontram com o preto em um movimento degradê sem formas definidas. É também apresentado a logo do projeto Persona, um olho com pupila em formato de ‘play’ em uma íris vermelha, junto do título do quadro e o nome do entrevistado. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/mathews-silva-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/mathews-silva-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/mathews-silva-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/mathews-silva-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/mathews-silva-1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/mathews-silva-1.png 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36557" class="wp-caption-text">Em toda obra que Mathews Silva produz, é possível visualizar aspectos psicossociais da crise humana (Arte: Arthur Caires /Foto: Skybridge Films)</figcaption></figure>
<p><b>Livia Queiroz </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Formado em publicidade e propaganda, a paixão pelo audiovisual sempre palpitou mais no coração de </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/colunas/amaury-jr/2025/03/21/mathews-silva-lanca-seu-primeiro-longa-metragem-como-diretor-jasmine.htm"><span style="font-weight: 400;">Mathews Silva</span></a><span style="font-weight: 400;">, ansiando pelo momento além de campanhas, aquele que o colocaria no Cinema, do qual  tinha plena consciência de que era possível e capaz de realizá-lo. Sua carreira é carregada de sucesso, tanto nas produções quanto nos personagens que passam por elas. O diretor iniciou seus projetos dentro do universo cinematográfico, como assistente de direção nas criações de ficções para curtas-metragens e séries por cinco anos. Em seguida, continuou ampliando seu mercado até chegar nos </span><a href="https://lafashionfestival.com/what-is-a-fashion-film"><i><span style="font-weight: 400;">fashion films</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, como assistentes de publicidade, e seguiu nessa estante por um tempo. </span></p>
<p><span id="more-36556"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de um acúmulo de experiências, deixou o papel secundário para tornar-se diretor de Cinema, de fato, e conquistar suas próprias obras. Desde a publicação de seu primeiro curta-metragem em 2022, Mathews abrangeu seu repositório com diversos curtas e segue com a agenda cheia, programando para 2026 a estreia de mais dois filmes de suspense psicológico, </span><i><span style="font-weight: 400;">Jasmine </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Vazio</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<blockquote><p><b>&#8220;Eu tento, em todas as minhas obras, trazer um pouco dos relatos de pessoas que eu tive o grande prazer de conviver e que, repetidamente, têm suas histórias esquecidas.&#8221;</b></p></blockquote>
<figure id="attachment_36560" aria-describedby="caption-attachment-36560" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36560" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-3-800x450.jpg" alt="Na fotografia, duas pessoas posam lado a lado. A mulher à direita sorri com expressão leve, usando um vestido rosa com mangas bufantes e penteado elaborado e preso, enquanto o homem, branco de cabelo, barba e bigode negros, à esquerda mantém um olhar mais sereno, vestindo jaqueta jeans escura e blusa preta por baixo. Como cenário, tem-se uma iluminação rosa e arroxeada refletidas nas paredes." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-3-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-3.jpg 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36560" class="wp-caption-text">Uma das obras coringa nas quais Mathews se inspira para a fotografia de suas produções é Blade Runner, sempre explorando as cores como identidade (Foto: Skybridge Films)</figcaption></figure>
<h3><b>O ínicio da autoria </b></h3>
<p><b>Como foi a transição de diretor de propagandas para o cinema independente? </b></p>
<p><b>Mathews Silva: </b><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu amo fazer publicidade – e continuo fazendo até hoje –, mas eu precisava de um momento para contar minhas histórias. Eu já estava me sentindo pronto, tinha sido assistente de direção de projetos de curtas-metragens e séries para ficções antes [&#8230;] e estava sentindo falta de fazer cinema. Então tomei a decisão de fazer Passos</span></i><span style="font-weight: 400;">” </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em Passos (2022), Mathews realizou sua </span><a href="https://caras.com.br/cinema/mathews-silva-mergulha-no-suspense-com-novo-longa-nacional-territorio-pouco-explorado.phtml"><span style="font-weight: 400;">primeira produção autoral</span></a><span style="font-weight: 400;"> de curta-metragem. A obra, estrelada por </span><a href="https://siterg.uol.com.br/cultura/2023/03/03/diretor-mathews-silva-assina-tres-filmes-com-gabi-lopes/"><span style="font-weight: 400;">Gabi Lopes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Kayky Brito, foi um grande sucesso e, para o diretor, um de seus trabalhos mais marcantes. Com uma gama de prêmios entre Melhor Roteiro e Melhor Filme no Festival de Cinema de São Paulo, </span><span style="font-weight: 400;">Brazil New Visions e Gabi como Melhor Atriz no Madras Independent Film Festival, além de indicações em grandes reconhecimentos internacionais como LABRFF (</span><span style="font-weight: 400;">Los Angeles Brazilian Film Festival), o filme mistura fantasia com crítica social real de forma que o público em meio ao desenvolvimento.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://jerichowriters.com/what-is-a-psychological-thriller/"><span style="font-weight: 400;">suspense psicológico</span></a><span style="font-weight: 400;"> – gênero que viria a ser uma tradição de Mathews – encara a história de um sequestro infantil,  quando uma mulher acredita ser mãe de uma garota e a mantém em cativeiro enquanto seus verdadeiros pais seguem seus ‘passos’ para tentar encontrá-la. Diante de um histórico caracterizado por visualizar perspectivas invisibilizadas na sociedade e, dentro da publicidade e moda, a criação de narrativas de beleza amplas, seria evidente que sua carreira como diretor de Cinema seguiria o mesmo caminho em outras produções.</span></p>
<figure id="attachment_36569" aria-describedby="caption-attachment-36569" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36569" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image5-2-1-800x422.png" alt="Em um recorte do filme, uma mulher loira de olhos claros de vestido azul caminha à frente com expressão apreensiva olhando à sua frente, enquanto uma menina morena com presilhas no cabelo ao seu lado segura um urso de pelúcia bege, olhando para baixo. Ao fundo, uma passagem urbana sob um viaduto. " width="800" height="422" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image5-2-1-800x422.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image5-2-1-1024x540.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image5-2-1-768x405.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image5-2-1-1200x633.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image5-2-1.png 1499w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36569" class="wp-caption-text">O Mathewsverse é o nome dado pelo diretor para a antologia filmográfica (Foto: Skybridge Films)</figcaption></figure>
<h3><b>O passado</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois do sucesso de sua primeira produção, Mathews seguiu no caminho ainda dos curtas-metragens. Em 2023, foram quatro filmes, entre eles, </span><a href="https://vimeo.com/929189764"><i><span style="font-weight: 400;">Em Órbita</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que trouxe novamente Gabi Lopes como uma das estrelas ao lado de Victor Salomão; </span><a href="https://www.completemagazine.com.br/post/a-visita-um-filme-sobre-caminhos-inesperados-a-beleza-da-jornada-humana"><i><span style="font-weight: 400;">A Visita</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ganhador de Melhor Cinematografia no Diversity Film Festival, e </span><a href="https://vimeo.com/957450562"><i><span style="font-weight: 400;">Bom Comportamento</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um história sobre homofobia que venceu diversas premiações como Melhor Direção no LGBT+ Los Angeles Film Festival, Melhor Curta de Terror no Brazil New Visions International Film Festival e Melhor Reviravolta no Diversity Film Festival. No ano seguinte, o diretor mergulhou em mais quatro curtas – </span><i><span style="font-weight: 400;">Astoria</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Requiem</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Replicante</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Canto</span></i><span style="font-weight: 400;"> –, para em seguida iniciar as gravações de seu primeiro longa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Jasmine</span></i><span style="font-weight: 400;">. O cineasta apresenta, sem dúvidas, obras que devem ser reconhecidas, não só pelo aspecto vencedor, como também pelo reflexivo, no quesito social. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todos esses curtas têm uma conexão estrutural, formulando uma </span><a href="https://gshow.globo.com/podcast/cena-aberta/noticia/voce-sabe-o-que-sao-antologias-descubra-os-melhores-filmes-e-series-desse-formato.ghtml"><span style="font-weight: 400;">antologia</span></a><span style="font-weight: 400;">. Além de terem como principal afinidade os mesmos atores de outras produções, os filmes se juntam para evidenciar os tabus de uma sociedade cada vez mais doente e ignorante. </span><i><span style="font-weight: 400;">Em Órbita</span></i><span style="font-weight: 400;"> grita pela prevenção ao suícido; </span><i><span style="font-weight: 400;">A Visita</span></i><span style="font-weight: 400;">, abre portas para o entendimento da evolução humana e a perspectiva de conexão e humanidade, personificada por Cris Bonna e Ágata Boni, e </span><a href="https://vimeo.com/956841541"><i><span style="font-weight: 400;">Astoria</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que celebra e posiciona todas as suas obras em uma só direção: a vida humana em sua essência psico fantasiosa.  </span></p>
<blockquote><p><b>&#8220;Os nove curtas tem uma conexão indiretamente à Astoria, unindo todos esses personagens. Eu tenho o </b><a href="https://personaunesp.com.br/vidro-5-anos/"><b><i>Vidro</i></b></a> <b>(2019) de (</b><b>M. Night) Shyamalan como referência, reunindo os seus personagens ‘quebrados’. E os meus personagens são, também, psicologicamente quebrados, se unem, de alguma maneira, em Astoria. [&#8230;]. São nove curtas que conversam sozinhos, mas quando chegam em Astoria eles se culminam. Porém, eu produzi de forma que mesmo se alguém queira assistir uma história isoladamente, será possível – ao mesmo tempo que conversa com outras obras – conversar entre e sobre si mesma.&#8221;</b></p></blockquote>
<figure id="attachment_36561" aria-describedby="caption-attachment-36561" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36561" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-3-800x450.jpg" alt="A foto apresenta um estúdio de gravação cinematográfica iluminado por luzes quentes e preenchido por técnicos e equipamentos que cercam uma mesa onde uma mulher morena sentada consulta algo. Próximo a ela, um homem de coque e jaqueta de couro observa a cena enquanto uma menina também morena, ao fundo, permanece em pé com expressão curiosa. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-3-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-3.jpg 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36561" class="wp-caption-text">O primeiro curta-metragem de Mathews, Passos (2022), venceu prêmios no Festival de Cinema de São Paulo, Brazil New Visions e Madras Independent Film Festival (Foto: Skybridge Films)</figcaption></figure>
<h3>O Futuro</h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Jasmine é um nome de origem persa que significa graça, sensualidade e beleza. </span><a href="https://www.lagoanerd.com.br/post/mathews-silva-e-gabrielle-gambine-gravam-cenas-de-jasmine-na-casa-de-marias"><i><span style="font-weight: 400;">Jasmine</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2026), promete exalar a sensação de encanto, assim como a flor, especialmente com sua fotografia, que explora o </span><i><span style="font-weight: 400;">neon </span></i><span style="font-weight: 400;">e o vermelho como tons que moldam a transformação e sentimento. O filme, protagonizado pela modelo e atriz trans Gabrielle Gambine, é um alerta para o exorbitante número de </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/brasil-e-o-pais-que-mais-mata-pessoas-trans-e-travestis-aponta-dossie/"><span style="font-weight: 400;">mortes de pessoas transgênero</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Brasil, uma estatística que torna-se cada vez mais espantosa, porém, serve como um espelho da camada enorme de </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/politica/ipsos-ipec-conservadorismo-predomina-em-comportamento-e-seguranca/"><span style="font-weight: 400;">conservadorismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> no país. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste</span> <a href="https://www.masterclass.com/articles/writing-101-what-is-the-thriller-genre-definitions-and-examples-of-thriller-in-literature"><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, previsto para lançamento no primeiro semestre de 2026, a protagonista Jasmine, uma artista renomada e famosa internacionalmente, é morta em meio a um show. A partir desse mistério, um complexo processo de investigação é instalado, enquanto o espectador presencia cada um dos suspeitos e seus possíveis motivos para o crime. Sua estrutura define a filmografia de Mathews, um suspense que instiga o telespectador a pensar e concluir suas suspeitas junto dos personagens. </span></p>
<figure id="attachment_36562" aria-describedby="caption-attachment-36562" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36562" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-2-800x533.jpg" alt="Na fotografia, uma mulher de vestido vermelho encara a câmera com expressão séria e contemplativa enquanto seus cabelos ondulados caem sobre os ombros e cobrem parcialmente os brincos longos usados por ela. Em segundo plano, é possível observar uma câmera preta em desfoque e um estúdio iluminado de forma suave." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-2-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-2.jpg 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36562" class="wp-caption-text">Mathews, produziu campanhas publicitárias e fashions films para Puma, Calvin Klein, Vogue, Bazaar, Ford Models e muitas outras agências (Foto: Skybridge Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além dele, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vazio </span></i><span style="font-weight: 400;">também estreia como nova direção de Mathews Silva em 2026. Nessa jornada, protagonizada por </span><a href="https://www.instagram.com/reel/DR42C7RDkBn/"><span style="font-weight: 400;">Thais Mussin</span></a><span style="font-weight: 400;"> – também integrante do elenco de Astoria –, o suspense psicológico insere a ideia de cativeiro, tanto fisicamente como mentalmente. Nesse sentido, Carolina além de acordar como vítima de sequestro também se vê no papel de questionar-se internamente por respostas em meio à vozes, memórias e personas desconhecidas. </span></p>
<p><b>Quais os sentimentos que você procura provocar no telespectador com Vazio? </b></p>
<p><b>Mathews Silva:</b><span style="font-weight: 400;"> “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu quero mostrar um sentimento de claustrofobia, no qual a personagem está presa, de diversos aspectos, ao longo do filme. E de angústia, afinal, a obra evidencia um suspense no qual Carolina está em dúvida o tempo todo, e eu quero que quem assista também passe por essas etapas junto dela</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="JASMINE (FIRST TEASER) WITH SUBTITLES - Director and Producer" src="https://player.vimeo.com/video/957395268?dnt=1&amp;app_id=122963" width="840" height="473" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write; encrypted-media; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin"></iframe></div>
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		<title>Masters in Short: os curtas da Mostra de São Paulo passeiam entre o onírico e o real</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Nov 2020 19:01:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>João Batista Signorelli Um cineasta chinês lidando com a solidão durante a quarentena, uma sucessão surreal de imagens vindas do inconsciente, uma visita à ópera de Paris na década de 50, e por fim uma garota curda proibida de cantar em público podem não ter muito em comum, mas todos estão presentes em Masters in &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/masters-in-short-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Masters in Short: os curtas da Mostra de São Paulo passeiam entre o onírico e o real"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_16370" aria-describedby="caption-attachment-16370" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16370" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-1.jpg" alt="" width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-1.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16370" class="wp-caption-text">A projeção solitária de um filme em A Visita é um espelho da própria situação do público em isolamento (Foto: Divulgação Imprensa)</figcaption></figure>
<p><strong>João Batista Signorelli</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um cineasta chinês lidando com a solidão durante a quarentena, uma sucessão surreal de imagens vindas do inconsciente, uma visita à ópera de Paris na década de 50, e por fim uma garota curda proibida de cantar em público podem não ter muito em comum, mas todos estão presentes em <em>Masters in Short</em>, a seleção de curtas da 44ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional </span></a><span style="font-weight: 400;">de Cinema em São Paulo, exibidos como Apresentação Especial. Os 5 curtas escolhidos podem de início aparentarem não ter nada de comum, mas ao comparar o modo como cada um retrata a sua realidade diegética, relações interessantes começam a despontar.</span></p>
<p><span id="more-16369"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os curtas podem ser organizados de modo a formar uma escala gradativa que vai do completo surrealismo até a mais concreta realidade. Temos a partir de um dos extremos do espectro os dois curtas de Guy Maddin com os irmãos Evan e Galen Johnson em uma total fuga da realidade; uma singela situação encenada no curta de Jia Zhangke imaginada a partir da realidade de isolamento vivida hoje; uma viagem por imagens de arquivo reais montadas de maneira orquestrada no minidocumentário de Sergei Loznitsa; e por fim a mais honesta e crua realidade sem filtros de Jafar Panahi. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É curioso observar algumas semelhanças estéticas e temáticas entre as obras. Três deles são predominantemente em preto e branco, mas em todos há alguma incursão de cores, dando vida de maneira inesperada a universos monocromáticos, além de um quarto filme colorido que não se esquece de incluir o P&amp;B em sua narrativa. Além disso, em todos a ideia de Arte ou de performance se manifesta de alguma maneira, seja em uma projeção solitária de um filme clássico, nas apresentações de um adivinhador em uma feira, na Arte que se mistura às vivências de um sonho, ou ainda em um canto proibido escondido atrás de cortinas. </span></p>
<figure id="attachment_16371" aria-describedby="caption-attachment-16371" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16371" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-2.jpg" alt="" width="2048" height="1156" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-2.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-2-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-2-1024x578.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-2-768x434.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-2-1536x867.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-2-1200x677.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16371" class="wp-caption-text">Jia Zhangke brinca com nossos novos hábitos e receios em seu “curta de quarentena” (Foto: Divulgação Imprensa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://44.mostra.org/filmes/a-visita"><i><span style="font-weight: 400;">A Visita</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Jia Zhangke, que também marca presença na Mostra com seu longa documental </span><a href="https://44.mostra.org/filmes/nadando-ate-o-mar-se-tornar-azul"><i><span style="font-weight: 400;">Nadando até o Mar se Tornar Azul</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, interpreta a ele mesmo neste singelo retrato do novo cotidiano do seu isolamento social na China. Tratando com leveza e humor os novos hábitos sociais, ele busca pelo cômico das situações únicas ao momento que estamos vivendo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seja associando o efeito sonoro do gatilho de uma arma ao medidor de temperatura apontado para a cabeça, ou brincando com o desconforto de encostar em uma tela potencialmente contaminada, Jia conduz esse senso de humor para um desfecho agridoce. Nele, uma multidão, algo tão impensável para o momento presente é vista,  mas apenas dentro da projeção de um filme assistido por dois personagens.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> Estes contemplam aquelas imagens talvez com melancolia, ou talvez simplesmente com a admiração, e o desejo de escapismo de quem assiste a uma obra ficcional que retrata coisas impossíveis para a </span><a href="https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2020/02/27/coronavirus-veja-perguntas-e-respostas.ghtml"><span style="font-weight: 400;">realidade que vivemos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mesmo que essa realidade seja apenas temporária.</span></p>
<figure id="attachment_16372" aria-describedby="caption-attachment-16372" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16372" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-3-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1920" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-3-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-3-300x225.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-3-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-3-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-3-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-3-2048x1536.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-3-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16372" class="wp-caption-text">O Adivinhador imita perfeitamente o estilo visual do cinema mudo, ao mesmo tempo que experimenta com essa linguagem (Foto: Divulgação Imprensa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme reproduzido em seguida, </span><a href="https://44.mostra.org/filmes/o-adivinhador"><i><span style="font-weight: 400;">O Adivinhador</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">parece querer levar ao pé da letra esse desejo de fugir da realidade. Contando a história de um homem que vive de apresentações em uma feira onde surpreende sua audiência com seus atos impressionantes de adivinhação. Ele tem a vida e carreira arruinados após ter seu espetáculo sabotado e, ainda por cima, se apaixonar por uma mulher que descobre ser sua irmã. A partir daí, ao invés de tentar recuperar o seu prestígio, ele passa a buscar um modo de provar a não-consanguinidade de sua irmã.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a trama soa absurda, ela não poderia se adequar melhor ao estilo visual único de Guy Maddin, conhecido por evocar em seus filmes a linguagem do cinema mudo, mas sem abandonar sua originalidade para isso. Se em outros filmes como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YB9Oq0hn5KY"><i><span style="font-weight: 400;">O Artista (2011)</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">a relação com essa linguagem clássica se limita a uma simples reprodução de estilo, Guy Maddin experimenta as inúmeras possibilidades que esse formato pode proporcionar, como se estivesse dando continuidade às vanguardas do </span><a href="https://www.aicinema.com.br/expressionismo-alemao-movimentos-cinematograficos/"><span style="font-weight: 400;">Expressionismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e do </span><a href="https://www.cantodosclassicos.com/surrealismo-no-cinema/"><span style="font-weight: 400;">Surrealismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> que perderam espaço após a chegada do cinema falado. Cheio de estripulias visuais e ideias mirabolantes, o curta mergulha no universo surreal e caótico de um homem que antes era capaz de saber em quais dos disparos de uma arma haviam balas, e agora sequer tem o controle de sua própria vida. </span></p>
<figure id="attachment_16373" aria-describedby="caption-attachment-16373" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16373" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-4-scaled.jpg" alt="" width="2560" height="1350" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-4-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-4-300x158.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-4-1024x540.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-4-768x405.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-4-1536x810.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-4-2048x1080.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-4-1200x633.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16373" class="wp-caption-text">Os Caçadores de Coelhos homenageia o cineasta Federico Fellini, ao mesmo tempo que imagina as projeções de seu inconsciente (Foto: Divulgação Imprensa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se cada curta da exibição carrega um grau de realidade específico, é curiosa a escolha de trazer dois filmes frutos da parceria de Guy Maddin com Evan e Galen Johnson, como se essa opção por duas obras mais oníricas causasse um desequilíbrio no conjunto dos curtas para essa tendência mais surrealista. Mas essa escolha torna-se facilmente justificável ao se imaginar diante da difícil escolha de selecionar apenas um destes dois projetos. E se </span><i><span style="font-weight: 400;">O Adivinhador </span></i><span style="font-weight: 400;">ainda trazia consigo um arco dramático e uma estrutura narrativa em meio às experimentações, </span><a href="https://44.mostra.org/filmes/os-cacadores-de-coelhos"><i><span style="font-weight: 400;">Os Caçadores de Coelhos</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é um sonho em sua natureza mais distante de qualquer fórmula ou forma. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Produzido em homenagem ao centenário do cineasta Federico Fellini, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Rabbit Hunters </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma viagem pelos sonhos estrelada por Isabella Rossellini. Filha de outro importante diretor italiano, Roberto Rossellini, ela interpreta o que parece ser uma versão do próprio Fellini em uma projeção do inconsciente. O filme não apenas evoca sequências clássicas do diretor, como a icônica</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6TsElhgMeXE"><span style="font-weight: 400;"> sequência de abertura</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua obra-prima </span><i><span style="font-weight: 400;">8½</span></i><span style="font-weight: 400;">, como também ganha vida própria ao criar uma atmosfera de sonho cuja fidelidade ao modo como os sonhos operam (pelo menos os meus) é tanta, que deixaria David Lynch com inveja. Entrecruzando-se por camadas de sonho desconexas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Caçadores de Coelhos </span></i><span style="font-weight: 400;">constrói um mundo onde uma projeção de um filme se torna a nova realidade, os cenários se diluem uns nos outros, e o questionamento em relação a “o que é real?” se torna irrelevante.</span></p>
<figure id="attachment_16374" aria-describedby="caption-attachment-16374" style="width: 2128px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16374" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-5.jpg" alt="" width="2128" height="1616" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-5.jpg 2128w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-5-300x228.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-5-1024x778.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-5-768x583.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-5-1536x1166.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-5-2048x1555.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-5-1200x911.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16374" class="wp-caption-text">Uma Noite na Ópera trabalha com imagens de arquivo para homenagear as noites de gala francesas (Foto: Divulgação Imprensa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Saindo dos sonhos e saltando para a realidade, </span><a href="https://44.mostra.org/filmes/uma-noite-na-opera"><i><span style="font-weight: 400;">Uma Noite na Ópera</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é compilação de imagens de arquivos, organizadas pelo ucraniano Sergei Loznitsa da ópera de Paris nas décadas de 50 e 60. Ao som de uma trilha sonora majestosa, o curta apresenta a alta sociedade parisiense da época, com direito a aparições de celebridades como Brigitte Bardot e até mesmo a realeza britânica. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O maior mérito do documentário é sua montagem que, ao unir cenas gravadas em anos diferentes e organizá-las de acordo com o espaço e o tempo, produz a sensação de estarmos realmente acompanhando uma única noite na ópera, desde a chegada dos carros, até a saída pelas escadarias após a apresentação. Porém, seus méritos artísticos não passam muito daí, e seus longos 20 minutos saturam rapidamente, flertando com a repetição e o tédio. Ainda assim a obra funciona como um registro histórico eficiente, ressignificando imagens pelo modo como as agrupa e organiza, imagens estas que separadamente não teriam apelo ou propósito algum para serem assistidas além da pura curiosidade de poucos.</span></p>
<figure id="attachment_16375" aria-describedby="caption-attachment-16375" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16375" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-6.jpg" alt="" width="2048" height="1010" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-6.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-6-300x148.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-6-1024x505.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-6-768x379.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-6-1536x758.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Imagem-6-1200x592.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16375" class="wp-caption-text">Escondida é tão sincero em seus registros que talvez transcenda o que entendemos por documentário (Foto: Divulgação Imprensa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto que em </span><i><span style="font-weight: 400;">Uma Noite na Ópera</span></i><span style="font-weight: 400;"> o tempo e realidade são manipulados e distorcidos, </span><a href="https://44.mostra.org/filmes/escondida"><i><span style="font-weight: 400;">Escondida</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não poderia ter seguido um caminho mais diferente. Talvez seja devido ao fato de este ter sido o meu primeiro contato com o cinema de Jafar Panahi, mas de qualquer maneira me senti tão surpreendido a ponto de repensar tudo o que eu antes entendia por documentário. Se no filme visto anteriormente a música, a seleção e a organização das imagens construía uma espécie de ilusão escapista e atraente, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Escondida </span></i><span style="font-weight: 400;">os eventos documentados sofrem pouca ou nenhuma alteração. As ações desenrolam-se praticamente em tempo real, em longos planos, e não há trilha sonora ou qualquer espécie de artifício para induzir emoções ou sensações além dos próprios registros, eles falam por si. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A proposta é revelada aos poucos: Panahi e sua filha filmam a eles mesmos acompanhados de uma amiga, enquanto vão a uma aldeia na tentativa de convencer uma mãe a permitir sua filha, proibida de cantar em público, a performar em um grupo de teatro formado apenas por mulheres. Gravado com apenas dois celulares, o filme nunca se esconde de sua própria condição de simplicidade, e justamente essa condição que colabora para tornar tudo tão crível e marcante. É quase como se tivéssemos acesso aos arquivos pessoais do diretor, e no meio disso fossem encontrados alguns registros improvisados de um momento singular de sua vida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com um desfecho que emociona por sua beleza e unicidade, </span><i><span style="font-weight: 400;">Escondida</span></i><span style="font-weight: 400;"> encerra a sessão de </span><i><span style="font-weight: 400;">Masters in Short</span></i><span style="font-weight: 400;"> com aquilo do qual alguns dos curtas exibidos tentaram escapar, e outros esculpir à sua própria maneira. Aquilo que o cinema costuma tentar maquiar, mas que após o rolar dos créditos predomina sobre a Arte; que as luzes, os efeitos e as artimanhas podem até tentar esconder, mas que sempre prevalecerá por detrás das cortinas e das telas. Aquilo que Arte busca sempre recriar, mas que Jafar Panahi insiste em manter, e que ao final se torna inescapável a qualquer tentativa de ilusão: o mundo real. </span></p>
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