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	<title>Arquivos A.J. Finn &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A Mulher na Janela nos convida a revisitar um clássico, mas se perde nele</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Jul 2021 21:10:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Fonseca Filmes são feitos de outros filmes. De músicas, pinturas, e livros também. Como linguagem e expressão artística, o Cinema está constantemente influenciando e sendo influenciado por outras obras. Algumas são referências diretas, como as centenas de easter eggs em Jogador Nº 1. Outras, são fontes de inspiração e resultam em um trabalho único, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-mulher-na-janela-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Mulher na Janela nos convida a revisitar um clássico, mas se perde nele"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_21605" aria-describedby="caption-attachment-21605" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-21605" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Foto-1.jpg" alt="Vemos cinco pessoas olhando para a câmera, em uma cena de A Mulher na Janela. A primeira, ao centro e à frente dos outros, é a atriz Amy Adams, que interpreta Anna Fox, uma mulher branca de cabelo ruivo preso, roupão rosa e camisola verde. Logo atrás, à esquerda vemos a atriz Jennifer Jason Leigh, que interpreta Jane Russell. Ela é uma mulher branca, de cabelo loiro e usa uma roupa social preta. Atrás dela, vemos o ator Brian Tyree Henry, que interpreta o Detetive Little, um homem negro, de cabelo curto, barba e sobretudo marrom. À direita, vemos mais dois atores. Wyatt Russell, que interpreta David, um homem branco, alto, de cabelo comprido loiro, barba, um blazer marrom escuro e calça jeans. Em seguida, Gary Oldman, ator que faz Alistair, outro homem branco, de cabelos grisalhos e um sobretudo preto." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Foto-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Foto-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Foto-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Foto-1-768x512.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21605" class="wp-caption-text">O longa se passa predominantemente em uma locação, a casa de Anna (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Fonseca</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Filmes são feitos de outros filmes. De músicas, pinturas, e livros também. Como linguagem e expressão artística, o Cinema está constantemente influenciando e sendo influenciado por outras obras. Algumas são referências diretas, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/jogador-n1-critica/"><span style="font-weight: 400;">as centenas de </span><i><span style="font-weight: 400;">easter eggs </span></i><span style="font-weight: 400;">em </span><i><span style="font-weight: 400;">Jogador Nº 1</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">Outras, são fontes de inspiração e resultam em um trabalho único, como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=spnSp4kbEl4&amp;ab_channel=EntrePlanos"><span style="font-weight: 400;">a pintura de Edward Hopper que inspirou a casa horripilante de </span><i><span style="font-weight: 400;">Psicose</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um clássico de Alfred Hitchcock. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por sua vez, Hitchcock foi uma fonte de referências e inspirações para Joe Wright, que é conhecido por dirigir dramas como </span><a href="https://personaunesp.com.br/orgulho-e-preconceito-15-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Orgulho e Preconceito</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/churchill-e-lingua-inglesa/"><i><span style="font-weight: 400;">O Destino de uma Nação</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">Wright se aventurou no suspense com </span><i><span style="font-weight: 400;">A Mulher na Janela</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma adaptação tediosa do romance homônimo de </span><a href="https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2019/02/10/a-mulher-na-janela-vai-virar-filme-mas-a-vida-do-seu-autor-e-mais-sinistra.htm"><span style="font-weight: 400;">A.J. Finn</span></a><span style="font-weight: 400;">. Lançado na </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">em maio, o filme é pura reverência às obras do passado – especialmente às de Hitchcock – e as utiliza como fórmula, sem propor uma experiência própria, ou alcançar o mesmo nível de tais obras.</span></p>
<p><span id="more-21604"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fazer um filme com elementos visuais, técnicos, ou com enredo que nos lembre de outro não é necessariamente um crime artístico. Na verdade, assim nascem os gêneros que costumamos usar para classificar o Cinema. Os filmes pioneiros ganham créditos por lançarem uma tendência, enquanto os posteriores são notados quando ultrapassam os limites do convencional. Usemos o exemplo do clássico </span><i><span style="font-weight: 400;">Blade Runner</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Ridley Scott. Com um futuro distópico herdado da literatura de George Orwell e </span><a href="https://personaunesp.com.br/fahrenheit-451-critica/"><span style="font-weight: 400;">Ray Bradbury</span></a><span style="font-weight: 400;">, o longa ostenta a roupagem dos clássicos </span><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i><span style="font-weight: 400;">. O resultado é uma combinação inovadora das visões de passado e futuro, que rendeu </span><a href="https://personaunesp.com.br/blade-runner-2049-critica/"><span style="font-weight: 400;">uma continuação de mesmo nível.</span></a></p>
<figure id="attachment_21607" aria-describedby="caption-attachment-21607" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-21607" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Foto-2-1.jpg" alt="Vemos uma foto em preto e branco do Diretor Alfred Hitchcock, falecido em 1980. Ele é um homem branco, calvo e robusto que usa um smoking preto e aponta uma pistola para a nossa esquerda" width="2000" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Foto-2-1.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Foto-2-1-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Foto-2-1-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Foto-2-1-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Foto-2-1-1536x768.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Foto-2-1-1200x600.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21607" class="wp-caption-text">Mesmo após quarenta e um anos de sua morte, o diretor Alfred Hitchcock ainda influencia a Sétima Arte (Foto: CBS Photo Archive)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da baixa criatividade, o filme de Wright ganha pontos ao escolher Amy Adams para dar vida à protagonista Anna Fox, uma psicóloga infantil com depressão e </span><a href="https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2021/05/15/o-que-e-agorafobia-transtorno-da-protagonista-de-a-mulher-na-janela.htm"><span style="font-weight: 400;">agorafobia</span></a><span style="font-weight: 400;">, um transtorno de ansiedade que a impede de sair de casa. Só de abrir a porta, Anna entra em pânico e desmaia. Nos primeiros minutos, surge o mistério inicial da história: a causa de sua condição psicológica. Tudo o que sabemos é que ela é divorciada, mistura remédios controlados com álcool, é fã de suspenses clássicos e desenvolveu uma obsessão pela vida dos vizinhos, especialmente os Russell, uma família que acabou de se mudar para a casa da frente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A semelhança com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RSFotFSkOTE&amp;ab_channel=CarolSantoian"><i><span style="font-weight: 400;">Janela Indiscreta</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1954) não é nenhum segredo, pois, logo no início de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Mulher na Janela</span></i><span style="font-weight: 400;">, vemos um frame do clássico, congelado na televisão de Anna</span><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">Também podemos ver cenas de outros filmes do mesmo gênero, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Quando Fala o Coração</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Prisioneiro do Passado</span></i><span style="font-weight: 400;">. Estas referências são colocadas na tela por Wright, que quer nos familiarizar com a narrativa e, em alguns momentos, com as sensações despertadas pelos filmes mais velhos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo, o espectador se antecipa em relação aos acontecimentos principais da trama: a protagonista que não pode sair de casa é testemunha de um assassinato, visto através de sua janela, o que coloca a sua vida em perigo também. Porém, construída com um perfil psicológico pouco confiável, Anna nos conduz à direção errada. Joe Wright, por sua vez, tenta nos posicionar dentro da cena, como observadores à espreita; o que consegue algumas vezes graças à atuação de Amy Adams e a cenografia. Tanto a atriz quanto a casa que a cerca são aflitivos, como se os dois representassem o mesmo estado de espírito.</span></p>
<figure id="attachment_21608" aria-describedby="caption-attachment-21608" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-21608" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Foto-3.jpg" alt="Vemos a personagem Anna Fox (Amy Adams) de frente para a janela de seu escritório, à direita. Ela é uma mulher branca, ruiva e usa um roupão rosa. A janela tem cortinas azuis e, ao fundo, vemos uma escrivaninha com diversos objetos em cima, incluindo um abajur amarelo. Na parede, podemos ver um quadro de um homem sentado, voltado para a esquerda. Assim, como o roupão de Anna e as cortinas, vemos o contraste de tons de azul no quadro e na parede com o tapete." width="1920" height="1279" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Foto-3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Foto-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Foto-3-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Foto-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Foto-3-1536x1023.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Foto-3-1200x799.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21608" class="wp-caption-text">O cenário de A Mulher na Janela mescla referências artísticas, como o quadro do escritório de Anna e as janelas de Janela Indiscreta (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta combinação entre a performance de Amy Adams e o cenário são como âncoras para criar o suspense. Vez ou outra, </span><a href="https://www.b9.com.br/144044/a-mulher-na-janela-critica-review-netflix/"><i><span style="font-weight: 400;">A Mulher na Janela</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> expressa visualmente o delírio e o medo de uma mulher traumatizada. Os outros personagens são revelados, se mostram mais do que os arquétipos que atribuímos a eles, porém, a sua transformação não nos surpreende porque não sentimos o seu peso, ou conseguimos nos importar suficientemente. A única exceção é Alistair, o pai da família Russell interpretado por Gary Oldman</span><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">O vilão é fino e carrancudo, até quebrar a sua passividade e explodir. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com elementos interessantes, como a cenografia, o enredo inspirado em um clássico, Adams e Oldman no elenco, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Woman in the Window </span></i><span style="font-weight: 400;">não transmite uma experiência </span><i><span style="font-weight: 400;">a la </span></i><span style="font-weight: 400;">Hitchcock. É apenas um amontoado de referências. Talvez o objetivo de Wright com este filme tenha sido explicitar as convenções do próprio gênero, para anteciparmos o enredo e nos surpreendermos com as alterações. Isto não acontece com quem assiste e não percebe tais referências – elas passam despercebidas, tornam a direção vazia. Por outro lado, para quem é aficcionado por este tipo de mistério, o filme soa como outro </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-paranoia-2007/"><i><span style="font-weight: 400;">Paranóia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que não encontrou a própria voz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se posicionar em uma tendência artística ou gênero não é o mesmo que reproduzi-los. Se Joe Wright intencionou homenagear outro artista, se esqueceu de uma das suas características mais notáveis: a sua personalidade. Muitas decisões tomadas nesta produção não passaram de um chamariz comercial, sem o objetivo de despertar um sentimento, senão, o de familiaridade: o título e o enredo que nos lembram outro filme, o plano na escada de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=91ccee3DOMk"><i><span style="font-weight: 400;">Um Corpo que Cai</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1958) e a mudança de tom no final, para um terror </span><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i><span style="font-weight: 400;">.  É como se toda obra fosse construída a partir de fórmulas, coisa que a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">faz às centenas, todos os anos.</span></p>
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