<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos A Favorita &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/a-favorita/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/a-favorita/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 07 Dec 2023 20:32:13 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0.4</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos A Favorita &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/a-favorita/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>Do começo ao fim, há vida: a cultura Ballroom do nascimento ao presente</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/cultura-ballroom-artigo/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/cultura-ballroom-artigo/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Dec 2023 20:04:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artes Visuais]]></category>
		<category><![CDATA[A Favorita]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Angie Xtravaganza]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Aryadne Xavier]]></category>
		<category><![CDATA[Avis Pendavis]]></category>
		<category><![CDATA[Ball Culture]]></category>
		<category><![CDATA[Ball-goers]]></category>
		<category><![CDATA[Ballroom]]></category>
		<category><![CDATA[Balls]]></category>
		<category><![CDATA[Beyoncé]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Children]]></category>
		<category><![CDATA[Crystal LaBeija]]></category>
		<category><![CDATA[Dança]]></category>
		<category><![CDATA[drags]]></category>
		<category><![CDATA[Eduarda Kona Zion]]></category>
		<category><![CDATA[Érika Hilton]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[Father]]></category>
		<category><![CDATA[FKA twigs]]></category>
		<category><![CDATA[FX]]></category>
		<category><![CDATA[Grand Prize]]></category>
		<category><![CDATA[Hamilton Lodge Ball]]></category>
		<category><![CDATA[HBO]]></category>
		<category><![CDATA[House of Corey (Dorian Corey)]]></category>
		<category><![CDATA[House of Dupree]]></category>
		<category><![CDATA[House of Hands Up]]></category>
		<category><![CDATA[House of LaBeija]]></category>
		<category><![CDATA[House of Ninja]]></category>
		<category><![CDATA[House of Pendavis]]></category>
		<category><![CDATA[House of Xtravaganza]]></category>
		<category><![CDATA[Houses]]></category>
		<category><![CDATA[José Xtravaganza]]></category>
		<category><![CDATA[Legendary]]></category>
		<category><![CDATA[LGBTQIA]]></category>
		<category><![CDATA[Lottie LaBeija]]></category>
		<category><![CDATA[Madonna]]></category>
		<category><![CDATA[Masquerade Ball]]></category>
		<category><![CDATA[Mother]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Paris Dupree]]></category>
		<category><![CDATA[Paris is Burning]]></category>
		<category><![CDATA[Pepper LaBeija]]></category>
		<category><![CDATA[Pop]]></category>
		<category><![CDATA[Pose]]></category>
		<category><![CDATA[Queer]]></category>
		<category><![CDATA[RENAISSANCE]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[The Mugler Ball]]></category>
		<category><![CDATA[Vogue]]></category>
		<category><![CDATA[Voguing]]></category>
		<category><![CDATA[Willi Ninja]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=32057</guid>

					<description><![CDATA[<p>Aryadne Xavier “Você pensou que eu deitaria e morreria?/Oh não, eu não. Eu vou sobreviver/Enquanto eu souber como amar/Eu sei que permanecerei viva/Eu tenho minha vida toda para viver/Eu tenho meu amor todo para dar e/Eu vou sobreviver, eu vou sobreviver”  &#8211; I Will Survive (Gloria Gaynor) O ser humano pode não nascer programado para &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cultura-ballroom-artigo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Do começo ao fim, há vida: a cultura Ballroom do nascimento ao presente"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/cultura-ballroom-artigo/">Do começo ao fim, há vida: a cultura Ballroom do nascimento ao presente</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32073" aria-describedby="caption-attachment-32073" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-32073" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3.jpg" alt="A capa é uma colagem de várias fotos de Mothers, figuras lendárias e muito respeitadas na cena da Ballroom por serem fundadoras de casas que acolhiam outras pessoas. A esquerda, Crystal LaBeija, uma pessoa negra, em um vestido vermelho com acessórios combinando e cabelo castanho volumoso e bem arrumado. Ao lado, em um recorte em preto e branco, está Angie Xtravaganza, com um elegante vestido, desfilando em uma das passarelas da Ballroom. Ao centro acima, uma parte da capa do documentário “Paris is Burning”. Logo abaixo, uma foto de Pepper LaBeija, uma pessoa também negra, em uma ball, com roupas douradas brilhantes e muita elegância. No topo direito está Paris Dupree, uma pessoa branca de cabelos loiros e olhos claros, usando uma boina e roupas pretas brilhantes que, na foto, está em uma pose de Voguing. Abaixo, Willi Ninja, um homem negro e um dos maiores nomes do Voguing de todos os tempos, considerado por muitos como o fundador do estilo amplamente conhecido, que na foto está parado em uma pose até meio contorcionsita, usando um boné azul e uma camisa parcialmente aberta." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-768x404.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32073" class="wp-caption-text">Sendo um símbolo de resistência, falar sobre e dar os devidos créditos a Ballroom por suas contribuições é mais do que um resgate histórico: é um ato político (Arte: Aryadne Xavier)</figcaption></figure>
<p><b>Aryadne Xavier</b></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Você pensou que eu deitaria e morreria?/Oh não, eu não. Eu vou sobreviver/Enquanto eu souber como amar/Eu sei que permanecerei viva/Eu tenho minha vida toda para viver/Eu tenho meu amor todo para dar e/Eu vou sobreviver, eu vou sobreviver” </span></p>
<p>&#8211; I Will Survive (<em>Gloria Gaynor)</em></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O ser humano pode não nascer programado para certos comportamentos, mas os aprende tão cedo que pode sentir, em seu íntimo, que as coisas apenas são dessa maneira. O desejo de pertencer, resquício fundamental do desenvolvimento em grupos, é tão latente que se transforma em uma vontade dupla de ser aquilo que é aceitável ou ao menos parecer ser. Lançada ao mundo pela primeira vez há 130 anos, a </span><a href="https://www.vogue.pt/vogue-historia-primeiras-vezes"><span style="font-weight: 400;">revista </span><i><span style="font-weight: 400;">Vogue</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">imprime o que seu próprio nome diz. Registrando e, talvez, ajudando a ditar o que está em alta, a publicação estadunidense foi, por incontáveis vezes, inacessível a uma parcela da população, que podia apenas se projetar nela, como um sonho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal projeção se via em uma sombra, refletindo aquilo que brilhava, mas o objetivo nunca foi copiar fielmente. Ao imitar as poses das modelos da </span><i><span style="font-weight: 400;">Vogue </span></i><span style="font-weight: 400;">em uma espécie de duelo, o grupo que participava das </span><i><span style="font-weight: 400;">balls </span></i><span style="font-weight: 400;">se apropriou daqueles movimentos, criando algo único. O </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XJ6fqQX_e9U"><i><span style="font-weight: 400;">Voguing</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">se tornou algo muito além da revista, mesmo que seus nomes ainda possam ser assimilados. Esse ato de reconstruir, verbo que sempre fez parte dessa cultura, foi o que reinventou e revolucionou o que é ser uma pessoa da comunidade LGBTQIA+ em sua época de fundação, trazendo identidade, força e conexão até o presente.</span></p>
<p><span id="more-32057"></span></p>
<div style="width: 840px;" class="wp-video"><video class="wp-video-shortcode" id="video-32057-1" width="840" height="441" preload="metadata" controls="controls"><source type="video/mp4" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMG2_voguing.mp4?_=1" /><a href="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMG2_voguing.mp4">http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMG2_voguing.mp4</a></video></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A origem histórica desses encontros se inicia no Harlem, bairro da cidade de Nova Iorque que concentra uma população predominantemente afro-americana. Ainda que a primeira manifestação de algo parecido com um concurso de beleza para pessoas </span><i><span style="font-weight: 400;">drags</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos EUA seja de 1849, no Masquerade Ball, alguns dos registros mais antigos do que realmente pode ser considerado Ballroom datam das décadas de 1920 e 1930, no então </span><a href="https://www.harlemworldmagazine.com/the-legendary-hamilton-lodge-ball-home-at-the-rockland-palace-dance-hall-in-harlem/"><span style="font-weight: 400;">Hamilton Lodge Ball</span></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">que viria a ser palco de diversas </span><i><span style="font-weight: 400;">balls</span></i><span style="font-weight: 400;"> (nome dado aos bailes). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A melhor maneira de sintetizar o que seriam esses encontros é descrita por </span><a href="https://www.nytimes.com/2003/05/26/arts/pepper-labeija-queen-of-harlem-drag-balls-is-dead-at-53.html"><span style="font-weight: 400;">Pepper LaBeija</span></a><span style="font-weight: 400;"> no documentário </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mBVBipOl76Q"><i><span style="font-weight: 400;">Paris is Burning</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1990), ao dizer que esses bailes eram como uma fantasia de ser famoso. Fruto de uma população marginalizada e excluída de um progresso disponível apenas para a população que se parecia e estrelava os anúncios que pregavam o ‘</span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2018/01/hollywood-paulo-cunha.html"><span style="font-weight: 400;">modelo de vida americano</span></a><span style="font-weight: 400;">’, as manifestações se tornaram um centro de encontro para negros e latinos que migraram para a terra do Tio Sam e toda a população LGBTQIA+ da região. </span></p>
<p><a href="https://blurredbylines.com/articles/crystal-labeija-drag-queen-house-ballrooom-culture/"><span style="font-weight: 400;">Crystal LaBeija</span></a><span style="font-weight: 400;"> pode ser destacada como a pioneira na formação dessas casas ao fundar a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pKGKcsdkgto"><span style="font-weight: 400;">House of LaBeija</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 1968 com Lottie LaBeija, primeira </span><i><span style="font-weight: 400;">house </span></i><span style="font-weight: 400;">da Ballroom que propôs </span><i><span style="font-weight: 400;">balls</span></i><span style="font-weight: 400;"> que contrariavam o silenciamento de corpos que não se encaixavam no padrão de beleza europeu, principalmente </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RYCQEl8TPeM"><span style="font-weight: 400;">corpos negros</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em 1972, aconteceu o primeiro baile anual da casa criado para acolher pessoas diferentes. Essa abertura a diferentes categorias e a possibilidade de enquadrar todas as pessoas em um ambiente seguro para serem quem são transformou a o movimento em um símbolo político, de ocupação de espaços que pertencem a cada pessoa e celebração da diversidade de gênero, sexualidade e raça.</span></p>
<figure id="attachment_32071" aria-describedby="caption-attachment-32071" style="width: 520px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-32071" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-1.png" alt="A imagem mostra uma fotografia da época do Harlem, um prédio grande de amplas janelas e portas, que foi o local a abrigar as primeiras manifestações da Ballroom. O Harlem é um bairro historicamente habitado por descendentes de negros e pessoas de baixa condição financeira, por isso, é um símbolo que demonstra a resistência do movimento." width="520" height="446" /><figcaption id="caption-attachment-32071" class="wp-caption-text">Ao entrar pelas portas do prédio, diversas pessoas eram finalmente livres para ser quem quisessem, sem precisar lidar com os questionamentos da sociedade (Foto: QueerMusicHeritage)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na construção dessa cultura, alguns termos foram empregados para definir lugares, ações e pessoas. As </span><i><span style="font-weight: 400;">houses</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, são casas que abrigam os </span><i><span style="font-weight: 400;">Ball-goers</span></i><span style="font-weight: 400;"> (pessoas que frequentam os bailes), criando um senso de pertencimento e acolhimento. Cada casa leva um nome, geralmente o de sua fundadora, e todos os membros o recebem como um sobrenome. Dentre as </span><a href="https://artsandculture.google.com/story/three-generations-of-house-mothers-proudly-black-and-trans/kQXxuMcMGbMNug"><i><span style="font-weight: 400;">houses</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">mais conhecidas, é possível citar House of Dupree</span> <span style="font-weight: 400;">(Paris Dupree), House of LaBeija</span> <span style="font-weight: 400;">(Crystal LaBeija), House of Ninja</span> <span style="font-weight: 400;">(Willi Ninja), House of Pendavis</span> <span style="font-weight: 400;">(Avis Pendavis), House of Xtravaganza</span> <span style="font-weight: 400;">(Angie Xtravaganza)</span> <span style="font-weight: 400;">e House of Corey</span> <span style="font-weight: 400;">(</span><a href="https://www.logotv.com/news/h027gw/who-is-dorian-corey-pose"><span style="font-weight: 400;">Dorian Corey</span></a><span style="font-weight: 400;">). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As casas ainda são lideradas por uma figura maior, a mãe (</span><i><span style="font-weight: 400;">Mother</span></i><span style="font-weight: 400;">) ou, algumas vezes, o pai </span><i><span style="font-weight: 400;">(Father</span></i><span style="font-weight: 400;">). As primeiras são chamadas assim por serem as </span><a href="https://artsandculture.google.com/story/4wWBwyCs0bhg0w"><span style="font-weight: 400;">matriarcas de cada </span><i><span style="font-weight: 400;">house</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o porto seguro de muitas crianças (</span><i><span style="font-weight: 400;">Children</span></i><span style="font-weight: 400;">) que não encontraram apoio em suas famílias biológicas. Mais do que figuras experientes, as </span><i><span style="font-weight: 400;">Mothers</span></i><span style="font-weight: 400;"> eram as vencedoras dos icônicos bailes que aconteceram no Harlem em décadas anteriores (1920, 1930 e 1940). Chamadas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Legendary</span></i><span style="font-weight: 400;">, elas foram essenciais para a construção e estabelecimento dessas comunidades, além do suporte constante que existia entre a mãe da casa e suas crianças na época. </span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hcjWmYFWz3Y&amp;pp=ygUPdm9ndWUgYmFsbCAxOTkw"><i><span style="font-weight: 400;">Ball</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é a maneira mais informal de nomear os bailes em si: eventos de longa duração em que cada participante performa em sua categoria. Até mesmo por isso se explica o nome Ballroom, que determina os lugares onde acontecem esses encontros. Cada evento conta também com seus prêmios, sendo dado a quem vence o</span><i><span style="font-weight: 400;"> Grand Prize</span></i><span style="font-weight: 400;">, troféu que traz muito prestígio ao vencedor(a/e) e a sua </span><i><span style="font-weight: 400;">house</span></i><span style="font-weight: 400;">. A honraria trazia um grande reconhecimento dentro da comunidade: a maioria das </span><i><span style="font-weight: 400;">Mothers </span></i><span style="font-weight: 400;">foram vencedoras de </span><i><span style="font-weight: 400;">Grand Prizes </span></i><span style="font-weight: 400;">e, quanto mais prêmios, maior a fama e o sucesso daquela casa. </span></p>
<figure id="attachment_32075" aria-describedby="caption-attachment-32075" style="width: 720px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-32075" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-2.png" alt="A imagem em P&amp;B demonstra a House of Xtravaganza, uma das Houses mais populares da Ballroom. Todos os seus membros, que vestem orgulhosamente um pano branco que estampa o X da família, estão ao redor de um Grand Prize, prêmio de maior honra na competição que acontecia nos bailes. " width="720" height="480" /><figcaption id="caption-attachment-32075" class="wp-caption-text">As casas mais populares sempre eram as maiores vencedoras dos prêmios; como uma disputa de gangues, mas os ataques são passos de dança (Foto: Derek Ridgers)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando falamos da influência da Ballroom na cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, um grande exemplo é a música </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GuJQSAiODqI"><i><span style="font-weight: 400;">Vogue</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um dos maiores sucessos da carreira de Madonna, que apresentou uma parcela dessa cultura ao mundo no início dos anos 1990. A canção conta com a participação ativa de </span><a href="http://youtube.com/watch?v=ib-RfmDhrBY"><span style="font-weight: 400;">José Xtravaganza</span></a><span style="font-weight: 400;">. Importante relembrar que a artista não é e nunca foi a fundadora do estilo de dança conhecido como </span><i><span style="font-weight: 400;">vogue</span></i><span style="font-weight: 400;">, mesmo tendo figurado o clipe e as apresentações da música, além de ter sido o rosto representativo dessa manifestação em um imaginário popular por muito tempo. A influência também pode ser notada na produção de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cNbFc-fa-ww"><span style="font-weight: 400;">FKA TWIGS</span></a><span style="font-weight: 400;">, cantora e performer que já esteve presente em alguns </span><i><span style="font-weight: 400;">balls</span></i><span style="font-weight: 400;">, como o </span><i><span style="font-weight: 400;">The Mugler Ball </span></i><span style="font-weight: 400;">(2014).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos exemplos mais recentes e de maior explosão no cenário musical global é o álbum </span><a href="https://personaunesp.com.br/renaissance-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Renaissance</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O projeto, protagonizado por Beyoncé, mas que carrega uma extensa lista de artistas envolvidos, veio como um resgate à cultura queer, apresentando o que há de mais potente na união dos ritmos. Na Sétima Arte, </span><a href="https://personaunesp.com.br/pose-3a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">da </span><i><span style="font-weight: 400;">FX</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/legendary-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Legendary</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;"> são destaques, retratando o funcionamento das </span><i><span style="font-weight: 400;">balls</span></i><span style="font-weight: 400;"> e as pessoas que participavam e ainda participam desses encontros. Mesmo falando muito no passado, por citar e tratar pontos históricos, é válido reforçar que a cultura Ballroom segue viva e resistente. </span></p>
<div style="width: 840px;" class="wp-video"><video class="wp-video-shortcode" id="video-32057-2" width="840" height="441" preload="metadata" controls="controls"><source type="video/mp4" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMG5_voguing.mp4?_=2" /><a href="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMG5_voguing.mp4">http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMG5_voguing.mp4</a></video></div>
<p><span style="font-weight: 400;">No contexto de um </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/lgbtfobia-brasil-e-o-pais-que-mais-mata-quem-apenas-quer-ter-o-direito-de-ser-quem-e/#:~:text=De%20acordo%20com%20o%20Dossi%C3%AA,por%20esse%20tipo%20de%20discrimina%C3%A7%C3%A3o."><span style="font-weight: 400;">país que mais mata pessoas LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;"> no mundo, é irônico sugerir que a comunidade tenha benefícios, imponha ditaduras ou algum tipo de glamourização em ser uma pessoa não heterossexual no Brasil. A fala da personagem Alícia, da novela </span><i><span style="font-weight: 400;">A Favorita</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2009), na qual afirma que “</span><a href="https://twitter.com/acervonovelas/status/1477456742170648591"><i><span style="font-weight: 400;">o chique é ser gay</span></i></a><span style="font-weight: 400;">” pode ter virado um meme nas redes sociais recentemente, mas, nas entrelinhas, sabe-se que o riso vem como forma de tirar do centro o poder de quem se sente no direito de controlar a vida, os jeitos e os sentimentos do outro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse cenário de luta diária, a cultura Ballroom também chegou aqui como um símbolo do movimento queer</span> <span style="font-weight: 400;">relacionado a pessoas não brancas. A primeira </span><i><span style="font-weight: 400;">house </span></i><span style="font-weight: 400;">brasileira é a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=omO1QGSb8sU"><span style="font-weight: 400;">House of Hands Up</span></a><span style="font-weight: 400;">, fundada em 2015 por Eduarda Kona Zion em Brasília. Essa cultura de espaços acolhedores</span> <span style="font-weight: 400;">se fortalece até os dias atuais no país por ser um lugar com uma função social: acolher e permitir a existência de quem foi marginalizado pela sociedade por ser diferente do que é considerado a ‘norma’.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lembrar e exaltar a cultura Ballroom</span> <span style="font-weight: 400;">é uma forma de colocar sob os holofotes pessoas negras, latinas e LGBTQIA+ e dar uma nova visão à sociedade, na qual essas vidas não estão atreladas ao sofrimento. Referenciando </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xFW6JoNynCA"><span style="font-weight: 400;">a fala da Deputada Federal Érika Hilton</span></a><span style="font-weight: 400;">, “</span><i><span style="font-weight: 400;">Aonde estão as pessoas trans além da prostituição? Aonde estão as pessoas trans além das manchetes policiais?</span></i><span style="font-weight: 400;">”, estão nas </span><i><span style="font-weight: 400;">balls</span></i><span style="font-weight: 400;">, nas </span><i><span style="font-weight: 400;">houses</span></i><span style="font-weight: 400;">, expressando sua vida pela Arte da Dança e da Música. E estão muito além do que a sociedade os enxerga: estão ressignificando e criando. A Ballroom pode ser descrita como uma forma coletiva de sobrevivência, mesmo quando tudo de si é tirado. É sobre se encontrar em um lugar, se reconhecer e tornar sua vida fabulosa nas suas possibilidades de ser.  </span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Ballroom no século vinte e um" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/0pnLLEqdYlMsKhJg2Cv5HW?si=c31e1a6bfbeb4b6b&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/cultura-ballroom-artigo/">Do começo ao fim, há vida: a cultura Ballroom do nascimento ao presente</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/cultura-ballroom-artigo/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		<enclosure url="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMG2_voguing.mp4" length="0" type="video/mp4" />
<enclosure url="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMG5_voguing.mp4" length="0" type="video/mp4" />

		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">32057</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Meu Pai é um retrato fiel sobre velhice, perda de memória e cuidado</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/meu-pai-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/meu-pai-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Apr 2021 17:59:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2020]]></category>
		<category><![CDATA[A Favorita]]></category>
		<category><![CDATA[Adaptação]]></category>
		<category><![CDATA[Alzheimer]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Júlia Trevisan]]></category>
		<category><![CDATA[Anthony Hopkins]]></category>
		<category><![CDATA[BAFTA]]></category>
		<category><![CDATA[Christopher Hampton]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Florian Zeller]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Ator]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Atriz Coadjuvante]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Design de Produção]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Filme]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Montagem]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Roteiro Adaptado]]></category>
		<category><![CDATA[Meu Pai]]></category>
		<category><![CDATA[O Silêncio dos Inocentes]]></category>
		<category><![CDATA[Olivia Colman]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar 2021]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Sony]]></category>
		<category><![CDATA[Teatro]]></category>
		<category><![CDATA[The Father]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=20078</guid>

					<description><![CDATA[<p>Ana Júlia Trevisan A perda de memória a curto prazo, problemas cognitivos, esquecimento do local onde guardou objetos de valor, repetição da mesma frase ou pergunta, esquecer o nome de parentes, esses são alguns dos sintomas característicos das fases iniciais do mal de Alzheimer, doença que foi respeitosamente retratada em Meu Pai (The Father). Adaptação &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/meu-pai-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Meu Pai é um retrato fiel sobre velhice, perda de memória e cuidado"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/meu-pai-critica/">Meu Pai é um retrato fiel sobre velhice, perda de memória e cuidado</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_20079" aria-describedby="caption-attachment-20079" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20079" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1-the-father.jpg" alt="[Foto retangular de divulgação do filme Meu Pai. À esquerda temos Olivia Colman. Uma mulher branca, de cabelo curto, na altura da orelha e preto. Seus olhos são castanhos e ela veste uma blusa azul escuro. À direita temos Anthony Hopkins, um homem branco, de 83 anos, seu cabelo é branco e seus olhos azuis. Ele veste paletó preto e camisa xadrez de azul e branco. Na parte central lê-se em branco THE FATHER. O fundo é uma janela com cortinas abertas e ao lado direito um quadro. Todos com tons de azul.]" width="1200" height="888" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1-the-father.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1-the-father-300x222.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1-the-father-1024x758.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1-the-father-768x568.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20079" class="wp-caption-text">Adaptado do teatro, dirigido pelo estreante Florian Zeller e com a melhor atuação de Anthony Hopkins, Meu Pai concorre a 6 categorias no Oscar 2021 (Foto: Sony Classics)</figcaption></figure><b>Ana Júlia Trevisan</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A perda de memória a curto prazo, problemas cognitivos, esquecimento do local onde guardou objetos de valor, repetição da mesma frase ou pergunta, esquecer o nome de parentes, esses são alguns dos sintomas característicos das fases iniciais do mal de </span><i><span style="font-weight: 400;">Alzheimer</span></i><span style="font-weight: 400;">, doença que foi respeitosamente retratada em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=X-JcsTIvCio"><i><span style="font-weight: 400;">Meu Pai</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">The Father</span></i><span style="font-weight: 400;">). Adaptação da premiada peça de teatro </span><i><span style="font-weight: 400;">O Pai</span></i><span style="font-weight: 400;">, o filme tem a direção brilhante de seu dramaturgo Florian Zeller, considerado pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">The Times</span></i><span style="font-weight: 400;">:</span> <a href="https://www.thetimes.co.uk/article/florian-zeller-interview-the-son-play-depression-family-secrets-76dml8c3p"><i><span style="font-weight: 400;">“o mais emocionante do nosso tempo.”</span></i></a></p>
<p><span id="more-20078"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama se inicia com a sutileza de uma conversa entre pai e filha. Com a atuação de dois gênios, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Tgdd94j_x18"><span style="font-weight: 400;">Anthony Hopkins</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/cinema-e-series/2020/11/olivia-colman-estou-ligeiramente-apaixonada-pela-rainha-no-momento.shtml"><span style="font-weight: 400;">Olivia Colman</span></a><span style="font-weight: 400;"> entregam interpretações na medida certa e sem esforços. Ela, com suas expressões faciais acolhedoras, por vezes é o respiro que precisamos durante a agonia de acompanhar uma doença degenerativa. Já Hopkins, com uma das carreiras mais memoráveis do Cinema no papel do</span><i><span style="font-weight: 400;"> serial killer</span></i><span style="font-weight: 400;"> Hannibal Lecter, em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8Qsq6DrYDxE"><i><span style="font-weight: 400;">O Silêncio dos Inocentes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, entrega o trabalho da vida. Com naturalidade e destreza indescritível de performance, ele parece ser o único a não estar atuando no filme, cada segundo de cena exala verdade do ator em seu personagem homônimo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É perceptível para quem convive com um paciente de </span><i><span style="font-weight: 400;">Alzheimer </span></i><span style="font-weight: 400;">que a pessoa cria </span><a href="https://www.hypeness.com.br/2013/07/conheca-a-vila-holandesa-totalmente-dedicada-ao-tratamento-de-alzheimer/"><span style="font-weight: 400;">uma própria realidade em sua mente</span></a><span style="font-weight: 400;">, um mundo paralelo que por vezes pode servir de fuga. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Meu Pai</span></i><span style="font-weight: 400;">, estamos dentro da cabeça de Anthony, transitando sem GPS entre dois mundos. Essa transição nos ajuda a entender o grau da demência e se une à sutileza da troca de cenas que de início coloca em dúvida quem realmente está interpretando Anne, a filha, tornando a experiência de estar no consciente do protagonista ainda mais profunda. A trilha sonora vem pra reforçar tudo que foi dito, com música clássica tocando, só ouvimos quando Anthony está com o aparelho de rádio ligado.</span></p>
<p><figure id="attachment_20080" aria-describedby="caption-attachment-20080" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20080" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2-the-father.jpg" alt="[Cena do filme Meu Pai. À direita temos Anthony Hopkins vestindo um roupão vermelho. Ao fundo, de forma desfocada, vemos uma estante cheia de livros e um sofá azul. Do lado esquerdo de Anthony há uma cadeira marrom e azul, um vaso azul e um abajur. Ao lado direito há mais uma cadeira azul, uma mesa de vidro com um prato redondo azul.]" width="1200" height="841" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2-the-father.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2-the-father-300x210.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2-the-father-1024x718.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2-the-father-768x538.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20080" class="wp-caption-text">O primeiro Oscar de Anthony Hopkins foi em 1992 como Melhor Ator pelo filme O Silêncio dos Inocentes, agora ele disputa o prêmio ao lado do indescritível <a href="https://personaunesp.com.br/a-voz-suprema-do-blues-critica/">Chadwick Boseman</a> (Foto: TOBIS Film GmbH)</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">O passar das cenas constrói um jogo que nos faz sentir o gosto amargo da mente confusa e o medo da solidão. Os sentimentos do roteiro também são impressos na troca de cenários. Os cômodos da casa são como partes de um labirinto da memória, que em cada ambiente temos cores e objetos casando com o enredo e com as lembranças momentâneas de Anthony. O centro desse labirinto é o </span><a href="https://variety.com/2021/artisans/awards/oscar-contenders-production-design-1234948339/"><span style="font-weight: 400;">corredor que conecta as salas</span></a><span style="font-weight: 400;">, como se cada vez que ele aparecesse, um novo dia começasse. As repetições e as cenas em </span><i><span style="font-weight: 400;">looping </span></i><span style="font-weight: 400;">confirmam que estamos na cabeça do personagem principal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há, também, detalhes que passam despercebidos em produções dessa temática, e que se não fossem encaixados no roteiro talvez nem fizessem falta ou deixasse um furo, mas a inserção faz diferença no acabamento e mostra o trabalho cuidadoso dos roteiristas e da direção de cena. No caso de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Father</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o uso de relógio. Parte das pessoas diagnosticadas com </span><i><span style="font-weight: 400;">Alzheimer </span></i><span style="font-weight: 400;">se </span><a href="https://alzheimerportugal.org/pt/text-0-15-71-212-alteracoes-do-comportamento"><span style="font-weight: 400;">apegam a objetos para garantir o próprio conforto</span></a><span style="font-weight: 400;"> nessa viagem ao novo mundo criado, o uso do relógio por Anthony, além de ser a cereja do bolo, deixa traços temporais na história que não conta com uma linearidade por causa da demência que já deixou pra trás a noção de tempo.</span></p>
<figure id="attachment_20081" aria-describedby="caption-attachment-20081" style="width: 1296px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20081 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/3-the-father.jpg" alt="Bastidor de Meu Pai. À esquerda temos Anthony sentado numa poltrona de couro. Ele veste blusa de lã verde e camisa azul. Ajoelhado à direita está Florian Zeller, um homem branco, de barba e cabelo castanhos. Ao lado uma mulher branca , de cabelo castanho amarado. Ela veste uma camisa azul claro. À direita temos Olivia Colman, sentada, vestindo azul escuro. Ao fundo vemos a sala de Anthony e três pessoas ao fundo." width="1296" height="730" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/3-the-father.jpg 1296w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/3-the-father-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/3-the-father-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/3-the-father-768x433.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/3-the-father-1200x676.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20081" class="wp-caption-text">A próxima adaptação de Florian Zeller, The Son, contará com Hugh Jackman e Laura Dern no elenco (Foto: TOBIS Film GmbH)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção de Florian Zeller é impecável e inovadora, sabendo escolher muito bem seu </span><i><span style="font-weight: 400;">cast</span></i><span style="font-weight: 400;"> e colocando o telespectador no íntimo de seu protagonista. A transição da peça de teatro para o cinema é feita com maestria, encaixando a trama nos padrões da Sétima Arte. Não é atoa que </span><i><span style="font-weight: 400;">Meu Pai</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-sobre-os-indicados-ao-oscar-2021/"><span style="font-weight: 400;">grande nome para ganhar o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Roteiro Adaptado</span></a><span style="font-weight: 400;">, a mesma categoria que lhe garantiu o </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">The Father</span></i><span style="font-weight: 400;"> também está na corrida para a estatueta de Melhor Filme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de todo tempo de tela e a importância de Olivia Colman no enredo, que consegue se destacar equilibrando as forças de atuação, é inegável que apenas Anthony Hopkins é protagonista, o olhar vazio predomina o filme que não existiria sem ele. Vencedor do </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1381668141844008960"><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Ator, ele é um dos favoritos do tapete vermelho. Olivia, que serve de fermento nesta receita, engrandecendo ainda mais a produção, também aparece na lista de indicadas, concorrendo a Melhor Atriz Coadjuvante, entretanto a jornada da atriz nesse papel até aqui, não deixa tantas esperanças.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além das já citadas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Meu Pai</span></i><span style="font-weight: 400;"> também, merecidamente, deixa o nome em Montagem e </span><i><span style="font-weight: 400;">Design </span></i><span style="font-weight: 400;">de Produção, somando assim 6 indicações ao prêmio mais importante do Cinema. O filme que não vem sendo vitorioso </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-vencedores-do-sag-2021/"><span style="font-weight: 400;">nos termômetros do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, tem suas chances de sair premiado nas mãos do roteiro e do Anthony Hopkins, de 83 anos, </span><a href="https://www.omelete.com.br/oscar/oscar-2021-anthony-hopkins-mais-velho-melhor-ator"><span style="font-weight: 400;">o ator mais velho a concorrer</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao prêmio principal, que pode ser o segundo da filmografia do veterano. </span></p>
<p><figure id="attachment_20082" aria-describedby="caption-attachment-20082" style="width: 1800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20082 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/4-the-father.jpg" alt="[Cena do filme The Father. Nela há Olivia Colman. A atriz veste uma roupa azul escura. Ela está dentro de casa e o ambiente é todo iluminado por uma luz amarela. O fundo é desfocado.]" width="1800" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/4-the-father.jpg 1800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/4-the-father-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/4-the-father-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/4-the-father-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/4-the-father-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/4-the-father-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20082" class="wp-caption-text">Vencedora do Oscar de Melhor Atriz em 2019, Olivia Colman eleva Meu Pai interpretando Anne (Foto: TOBIS Film GmbH)</figcaption></figure><i><span style="font-weight: 400;">Meu Pai</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é o único concorrente à estatueta que tem seu </span><a href="https://personaunesp.com.br/rosa-e-momo-critica/"><span style="font-weight: 400;">protagonista passando pela demência</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que colabora ainda mais para seu destaque. O tempo em que o filme acontece e o </span><i><span style="font-weight: 400;">Alzheimer </span></i><span style="font-weight: 400;">avança é ponto chave para identificação familiar. Não tem afobação, a doença não consome todo o ser em poucos minutos, a história acontece de maneira orgânica, com confusões diárias mas de avanço lento, sem apelar para a condição ou forçar o desenvolvimento dela. </span><i><span style="font-weight: 400;">The Father</span></i><span style="font-weight: 400;"> se torna grandioso em seus detalhes, seus atores certos escolhidos pelo roteirista e diretor certo.</span></p>
<p><a href="https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2020/02/18/como-conviver-com-uma-pessoa-que-tem-alzheimer-e-ajuda-la-no-dia-a-dia.htm"><span style="font-weight: 400;">Conviver com um paciente de </span><i><span style="font-weight: 400;">Alzheimer </span></i><span style="font-weight: 400;">é um exercício diário de paciência</span></a><span style="font-weight: 400;">. O retrato no filme está nos homens que passam por ele sendo companheiros da filha. A maneira mais fácil de lidar com os momentos de confusão era ligar para Anne e não ajudar Anthony. Explicando assim, a sobrecarga da filha, que sempre procura o melhor para zelar por aquele pai. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, o filme consegue fazer um ótimo proveito de seus personagens secundários. Representando o genro sempre incomodado, um ignorante, tratando o doente como um peso na vida, duvidando do mal e jogando isso na cara dele. Nesse momento a direção de cena se mostra de qualidade unânime, realizando a troca de personagens de maneira tão exata que consegue surpreender o telespectador tanto quanto espanta o Anthony, que tem em seu inconsciente a sensação de ser um estorvo.</span></p>
<figure id="attachment_20083" aria-describedby="caption-attachment-20083" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20083 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/5-the-father.jpg" alt="Cena de Meu Pai. Vemos Anthony de frente para Olivia. O cenário é o corredor da casa. Ao fundo temos uma porta aberta. À esquerda há outra porta. A cor predominante é amarelo envelhecido." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/5-the-father.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/5-the-father-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/5-the-father-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/5-the-father-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/5-the-father-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20083" class="wp-caption-text">O brilhantismo das atuações deixa os telespectadores com as emoções à flor da pele (Foto: TOBIS Film GmbH)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Todas as dores vividas pelas personagens transpassam com maestria os momentos mais difíceis pra quem sente na pele o </span><i><span style="font-weight: 400;">Alzheimer</span></i><span style="font-weight: 400;">: os momentos de lucidez. É nesse instante que o distúrbio e a realidade se confundem, onde a pessoa entende a doença e entende que está doente. A impotência do momento, o esquecimento sobre coisas que parecem óbvias pra quem está ao lado e dançar conforme a música, fingindo que se lembra, se perturbar com uma memória irreal e essa lembrança entrar em repetição no cérebro do paciente quando a lucidez termina.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Meu Pai</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um filme complexo e completo. Ele caminha do lapso de tarefas do dia a dia até o esquecimento de uma tragédia. Mostra que não há momento certo para as lembranças voarem. As possíveis cuidadoras que passam na vida de Anthony causam repúdio no idoso que não aceita ajuda para provar que pode se manter no controle, a cena do consultório médico é um choque de quão incompreensível o </span><i><span style="font-weight: 400;">Alzheimer </span></i><span style="font-weight: 400;">pode ser. O desfecho do filme reverbera por dias na mente de quem o assiste, e suas cenas são atentas a todos os detalhes que servem para amarrar a história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As memórias escorrendo pelas mãos e não conseguir fazer nada em relação. Medo, insegurança, pavor, anseio de estar no lar descrevem </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Fv2utqdesV4"><i><span style="font-weight: 400;">Meu Pai</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que apoia  seu enredo na construção do necessário vínculo pai e filha de cuidado. Envolvente e sentimental, a produção nos deixa em estado de êxtase, aflição e empatia se entrelaçam gerando uma dor que se remoe por ser real, pelo esquecimento machucar todos envolvidos. </span><i><span style="font-weight: 400;">The Father</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o mais respeitoso e fiel retrato do </span><i><span style="font-weight: 400;">Alzheimer</span></i><span style="font-weight: 400;">, e uma das melhores experiências cinematográficas da </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-vencedores-do-globo-de-ouro-2021/"><span style="font-weight: 400;">temporada de premiações</span></a><span style="font-weight: 400;">. É essencial ficar de olhos bem abertos para os próximos trabalhos de Florian Zeller.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/meu-pai-critica/">Meu Pai é um retrato fiel sobre velhice, perda de memória e cuidado</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/meu-pai-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">20078</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
