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	<title>Arquivos A Bruxa &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>O Homem do Norte: a vingança fria e brutal de Robert Eggers</title>
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					<description><![CDATA[<p>Nathan Nunes Poucos nomes são tão aclamados dentro do Cinema atual como o do diretor Robert Eggers. Seu primeiro filme, A Bruxa, foi um interessante sleeper hit, isto é, aquele caso onde o sucesso é construído no boca a boca. Tendo também revelado ao mundo a excepcional atriz Anya Taylor-Joy, o debute de Eggers fez &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-homem-do-norte-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Homem do Norte: a vingança fria e brutal de Robert Eggers"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28092" aria-describedby="caption-attachment-28092" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-28092" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-1-scaled.jpg" alt="Cena do filme O Homem do Norte. No centro da imagem, temos o ator Alexander Skarsgard, um homem alto, branco e loiro, de cabelos longos, barba grande, abdômen e músculos definidos. Ele está segurando dois machados em suas mãos e vestindo uma calça com uma bainha preta amarrada na cintura, sem camisa. Ao fundo, temos uma vila de camponeses, com casas cujos telhados são feitos de palha amarela e as portas de madeira marrom escura. A cena acontece durante o dia. " width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-1-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28092" class="wp-caption-text">Alexander Skarsgård é uma besta enjaulada com ódio em O Homem do Norte (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><b>Nathan Nunes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Poucos nomes são tão aclamados dentro do Cinema atual como o do diretor </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DAZy1NU7Q4c"><span style="font-weight: 400;">Robert Eggers</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seu primeiro filme, </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-bruxa-5-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">A Bruxa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, foi um interessante </span><i><span style="font-weight: 400;">sleeper hit</span></i><span style="font-weight: 400;">, isto é, aquele caso onde o sucesso é construído no boca a boca. Tendo também revelado ao mundo a excepcional atriz </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/anya-taylor-joy/"><span style="font-weight: 400;">Anya Taylor-Joy</span></a><span style="font-weight: 400;">, o debute de Eggers fez em bilheteria o equivalente a dez vezes do seu orçamento de modestos quatro milhões de dólares, colocando-o no mapa e deixando altíssimas expectativas para o seu próximo projeto. Felizmente, ele superou todas elas com </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-farol-the-lighthouse-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Farol</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, onde já trabalhou com atores mais conhecidos como Willem Dafoe e Robert Pattinson. Notório pela fotografia em preto e branco e aspecto 4&#215;3, o segundo longa do cineasta foi mais um sucesso de crítica, mas nem tanto de público. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Agora, três anos depois de seu último lançamento, Eggers retornou às telas com </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem do Norte </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">The Northman</span></i><span style="font-weight: 400;">), de uma forma que não poderia ser melhor e mais significativa. Eggers, discípulo de uma geração de diretores independentes catapultada pela produtora queridinha dos cinéfilos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=A0iUDc7dAL0"><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, chega em seu épico </span><i><span style="font-weight: 400;">viking</span></i><span style="font-weight: 400;"> ostentando um orçamento de noventa milhões de dólares, do qual ele se apropria para contar uma história nos mesmos moldes do Cinema autoral dessa mesma geração. Em outras palavras, o filme, que é sobre vingança, é também uma vingança ao sistema atual de produção dos grandes estúdios de Hollywood. </span></p>
<p><span id="more-28091"></span></p>
<figure id="attachment_28093" aria-describedby="caption-attachment-28093" style="width: 1800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-28093" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-2.jpg" alt=" Cena do filme O Homem do Norte. No canto superior direito, temos a atriz Anya Taylor-Joy, uma mulher branca, de cabelos brancos longos e trançados nas pontas, vestindo um manto branco de tecido grande e por dentro dele um vestido azul. Ela está montada em cima de um cavalo branco. À esquerda de Anya, temos o ator Alexander Skarsgard, um homem branco de cabelos loiros curtos e cavanhaque, vestindo uma manta azul-escura e com uma espada na perna. Ele está montado em um cavalo preto. Ao fundo, temos o cenário de uma praia. A cena acontece durante o dia. " width="1800" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-2.jpg 1800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28093" class="wp-caption-text">Sete anos depois de terem trabalhado juntos em A Bruxa, o diretor Robert Eggers e a atriz Anya Taylor-Joy retomam a parceria em O Homem do Norte (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Baseado nas histórias da mitologia nórdica de Amleto (que acredita-se terem servido de inspiração para </span><i><span style="font-weight: 400;">Hamlet</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Shakespeare), o filme acompanha o príncipe </span><i><span style="font-weight: 400;">viking </span></i><span style="font-weight: 400;">Amleth (</span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/alexander-skarsgard/"><span style="font-weight: 400;">Alexander Skarsgård</span></a><span style="font-weight: 400;">) em sua jornada para vingar seu pai Aurvandill (Ethan Hawke), resgatar sua mãe Gudrún (Nicole Kidman) e matar seu tio Fjölnir (Claes Bang), que usurpou o trono de seu irmão quando Amleth ainda era criança. Em seu caminho, o protagonista ainda vai cruzar com a feiticeira Olga (Anya Taylor-Joy), que lhe ajudará em sua busca por vingança. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos aspectos que mais chamam atenção é a </span><a href="https://mashable.com/article/the-northman-viking-history-alexander-skarsgard-robert-eggers#:~:text=%22It's%20a%20Robert%20Eggers%20film,was%20surprisingly%20easy%20to%20row."><span style="font-weight: 400;">autenticidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> para com a cultura nórdica retratada, tanto técnica quanto simbolicamente. No primeiro sentido, </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">de produção e figurinos são extremamente ricos em detalhes da época, além de estarem sempre muito mais a serviço da história do que a frente dela. Já no segundo, as tradições mitológicas são muito valorizadas, como tudo que envolve a ritualística e as línguas faladas naquele período. O esforço é visível e aumenta ainda mais a credibilidade do filme como um todo. </span></p>
<figure id="attachment_28094" aria-describedby="caption-attachment-28094" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-28094" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-3.jpg" alt="Cena do filme A Lenda do Cavaleiro Verde. No centro da imagem, temos o ator Dev Patel, um homem negro de pele clara, cabelos e cavanhaque pretos. Ele está usando uma manta branca, que é sustentada em seu pescoço por uma corrente de ouro. Ao fundo, vemos soldados utilizando lanças, em um cenário escuro de uma taverna medieval. A cena acontece durante a noite. " width="2048" height="1152" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-3.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28094" class="wp-caption-text">Mesmo retratados em épocas diferentes da Idade Média, O Homem do Norte e A Lenda do Cavaleiro Verde são dois filmes que conversam muito bem entre si e abordam os mesmos temas, de certa forma (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, é interessante notar como Eggers, juntamente com o roteirista Sjón, subverte as narrativas medievais tradicionais. Um exemplo está no arco narrativo do protagonista, que sofre uma virada na metade da rodagem e é levado a se questionar sobre seu propósito naquele mundo, onde honra e glória somente eram conquistadas na morte. Nesse sentido, o filme se alia bem a outro conto medieval recente e igualmente sensacional: </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-lenda-do-cavaleiro-verde-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Lenda do Cavaleiro Verde</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de David Lowery. Tanto o Amleth de Skarsgård quanto o Gawain de Dev Patel são homens que lidam com o fato de terem seus caminhos predestinados e a ausência de escolha como consequência disso, o que somente enriquece a profundidade de ambos enquanto personagens.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro fator que se encaixa dentro da visão subversiva do diretor é a participação das personagens femininas na narrativa, que estão sempre à frente dos homens e nunca à mercê deles. Olga, por exemplo, funciona como contraponto ao impulso de sacrifício masculino pungente na cultura da época, ao colocar seus objetivos de vingança em segundo plano e a preservação da sua própria vida e futuro em primeiro lugar. Já a rainha Gudrún representa bem a astúcia necessária para se sobreviver enquanto mulher na sociedade intrinsecamente machista e opressora da época, em uma interpretação fenomenal de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/nicole-kidman/"><span style="font-weight: 400;">Nicole Kidman</span></a><span style="font-weight: 400;">, embebida de uma malícia enigmática. </span></p>
<figure id="attachment_28095" aria-describedby="caption-attachment-28095" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28095" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-4.jpeg" alt=" Cena do filme O Homem do Norte. No canto superior esquerdo, temos a atriz Nicole Kidman, uma mulher branca, de cabelos loiros longos e trançados nas pontas. Ela utiliza uma tiara medieval em cima da cabeça e veste um casaco de pele cinza por cima de acessórios medievais como uma medalha debaixo do pescoço. Ao fundo, temos um cenário escuro iluminado por fogo. A cena acontece durante a noite. " width="1400" height="700" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-4.jpeg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-4-800x400.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-4-1024x512.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-4-768x384.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-4-1200x600.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28095" class="wp-caption-text">Após seu bom desempenho no péssimo Apresentando os Ricardos, Nicole Kidman participa de um dos melhores filmes de sua carreira em O Homem do Norte (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tecnicamente falando, Eggers busca um sentimento imersivo na maneira como dirige, algo que só é potencializado pela experiência de se assistir ao filme nos cinemas. A </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jbUrsi_g98g"><span style="font-weight: 400;">movimentação de câmera</span></a><span style="font-weight: 400;"> adotada pelo diretor em conjunto com o diretor de fotografia Jarin Blaschke é suave, retilínea e clínica, com as tomadas sempre se alongando na intenção de hipnotizar o espectador sensorialmente, em que se destacam também o </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">de som estridente e a </span><a href="https://www.youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_lVP306HFN9KA-HhgXBLHmcRbIcT5xCZ5I"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> berrante de Robin Carolan e Sebastian Gainsborough. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Chama atenção também a maneira como o diretor explora a violência de forma crua e sem </span><i><span style="font-weight: 400;">glamour</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mesmo na tangente do sadismo, ele ainda consegue dar as dimensões de seu impacto psicológico, como em uma cena onde primeiro são mostradas as reações das pessoas de horror e espanto e somente depois o objeto de brutalidade ao qual elas estão reagindo, fruto de um excepcional trabalho de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=a9gmI2SI7dU"><span style="font-weight: 400;">efeitos práticos</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No que diz respeito ao elenco, é impossível não falar da fantástica performance de Skarsgård, repleta de uma fúria bestial surpreendentemente gritante e introspectiva, ao mesmo tempo. Tudo recai sob a sua linguagem corporal animalesca, sua fala sempre carregada e sussurrada e a selvageria de seus momentos de ação. Claes Bang também não deixa barato na pele de seu nêmesis, com uma impenetrabilidade e uma crueldade que nunca deixam de impressionar. Por fim, temos participações marcantes e bem interpretadas de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/ethan-hawke/"><span style="font-weight: 400;">Ethan Hawke</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/willem-dafoe/"><span style="font-weight: 400;">Willem Dafoe</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_28096" aria-describedby="caption-attachment-28096" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28096" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-5.jpg" alt=" Cena do filme O Homem do Norte. No centro da imagem, temos a silhueta de um homem segurando dois machados, um em cada mão. Ao fundo, temos a silhueta de outros homens correndo. Essas silhuetas são iluminadas pelo fogo que consome a floresta atrás deles. A cena acontece durante a noite. " width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-5.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-5-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-5-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-5-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28096" class="wp-caption-text">Dois anos depois de ter sido indicado ao Oscar pelo seu excepcional trabalho em O Farol, o diretor de fotografia Jarin Blaschke continua enchendo os olhos do público em O Homem do Norte (Foto: Focus Features)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dito todos os elogios, nem tudo é perfeito em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem do Norte, </span></i><span style="font-weight: 400;">e o maior problema do filme é o seu ritmo lento e por vezes vagaroso demais. São duas horas e dezessete minutos de duração marcadas por um começo e um ato final muito fortes, mas um período específico na metade (definido pela participação de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=J4bmKrGWoGU"><span style="font-weight: 400;">Björk</span></a><span style="font-weight: 400;"> na trama) que é particularmente estafante de se acompanhar. Contudo, esse elemento também é um símbolo da autoralidade que Eggers imprime em cena e carrega da sua experiência pregressa no Cinema independente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao priorizar essas escolhas </span><a href="https://variety.com/2022/film/box-office/the-northman-box-office-flop-robert-eggers-1235239646/"><span style="font-weight: 400;">menos comerciais</span></a><span style="font-weight: 400;"> em um filme de escopo tão massificado, Eggers também está se aproveitando da máquina de produção dos grandes estúdios para expor sua voz, utilizando todos os milhões de seu orçamento, criando um produto de extremo requinte nos mínimos detalhes e vendendo-o como mais um </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster </span></i><span style="font-weight: 400;">de ação, apenas para subverter a expectativa do público casual. Em resumo, o </span><i><span style="font-weight: 400;">cineasta dos ovos</span></i><span style="font-weight: 400;"> fez uma jogada de mestre, além de mais uma excelente obra para ser adicionada ao seu currículo, um dos melhores da atualidade. </span></p>
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		<title>Macabro e memorável, A Bruxa completa 5 anos</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Jul 2021 16:06:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Nicastro Plena Idade Média. Um casal de camponeses e suas crianças curiosas. Um lenhador. Uma casinha ao lado de um bosque e uma bruxa que o habita. Parece mais um conto de fadas dos Irmãos Grimm, certo? Bom, na verdade trata-se de A Bruxa, lançado no Brasil em março de 2016. Inventivo, misterioso e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-bruxa-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Macabro e memorável, A Bruxa completa 5 anos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_21685" aria-describedby="caption-attachment-21685" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21685" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-5-Fonte-A24-Films.jpg" alt="Fotografia do filme A Bruxa. A foto é retangular e retrata uma floresta escura. No meio da imagem existem três silhuetas de costas. A central pertence a uma mulher e as outras duas pertencem a dois bodes. De frente para essas figuras, há uma fogueira. Sobre essa fogueira, existem sete corpos de mulheres que flutuam formando um arco. A fogueira é a única fonte de luz da imagem e ilumina fracamente algumas árvores ao fundo, dando uma aparência amarelada para o todo." width="1200" height="621" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-5-Fonte-A24-Films.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-5-Fonte-A24-Films-800x414.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-5-Fonte-A24-Films-1024x530.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/IMAGEM-5-Fonte-A24-Films-768x397.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21685" class="wp-caption-text">A Bruxa, ainda que tenha dividido opiniões do público quando lançado, é “tenso” e “instigante”, como definiu o Rei do Terror Stephen King em suas redes sociais (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Nicastro</b></p>
<p>Plena Idade Média. Um casal de camponeses e suas crianças curiosas. Um lenhador. Uma casinha ao lado de um bosque e uma bruxa que o habita. Parece mais um conto de fadas dos <a href="https://www1.folha.uol.com.br/webstories/cultura/2020/09/quem-foram-os-irmaos-grimm/">Irmãos Grimm</a>, certo? Bom, na verdade trata-se de <i>A Bruxa</i>, lançado no Brasil em março de 2016. Inventivo, misterioso e incômodo, o filme de terror utiliza da temática das bruxas para compor uma trama bem elaborada e assustadora. Com isso, ele tornou-se capaz de se destacar notoriamente no gênero e ainda ser alvo de discussões e elogios 5 anos após sua estreia.</p>
<p><span id="more-21682"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escrito e dirigido por </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/robert-eggers-como-comecar"><span style="font-weight: 400;">Robert Eggers</span></a><span style="font-weight: 400;">, também conhecido pela sua obra mais recente </span><a href="http://personaunesp.com.br/o-farol-the-lighthouse-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Farol</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2019)</span><i><span style="font-weight: 400;">, A Bruxa</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um filme incomum, que divide opiniões desde sua aparição nos cinemas. Esse fator ocorre devido a escolha de Eggers em fugir de histórias de terror convencionais</span> <span style="font-weight: 400;">e optar por uma trama lenta, que intriga com sua estranheza e depende da imersão do telespectador para total aproveitamento. Dessa forma, ela pode decepcionar quem recorre à obra em busca de um terror físico, repleto de sangue e sustos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, mesmo que desvie das </span><a href="https://personaunesp.com.br/rua-do-medo-1994-parte-1-critica/"><span style="font-weight: 400;">convenções do gênero</span></a><span style="font-weight: 400;"> que entregam um terror mais óbvio e instantâneo, o cineasta ainda consegue desenvolver excepcionalmente bem uma atmosfera aterrorizante. Assim, o filme flui de forma misteriosa, alimentando aos poucos o medo de quem o assiste. Ele, de fato, sempre sugere muito mais do que expõe, mas elabora crescentes situações bizarras, que se encaminham para um desfecho arrepiante.</span></p>
<figure id="attachment_21683" aria-describedby="caption-attachment-21683" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21683" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Imagem-2-1.jpg" alt="Fotografia de um trecho do filme A Bruxa. Nela, estão retratados em uma sala de jantar escura os personagens do filme sentados à uma mesa de madeira. Todos os filhos estão orando com as mãos unidas e olhos fechados, diante de tábuas com alimentos. A câmera encontra-se logo atrás da personagem Katherine (Kate Dickie), registrando sua silhueta. Logo à esquerda está Thomasin, interpretada por Anya Taylor-Joy, uma garota latina de pele clara, e ao seu lado está Caleb, interpretado por Harvey Scrimshaw, um menino branco de cabelos curtos. Sentados à direita de Katherine estão as crianças Mercy, interpretada por Ellie Grainger, e Jonas, interpretado por Lucas Dawson, uma menina e um menino branco, respectivamente. As meninas usam vestidos de época e os filhos, blusas de manga comprida. O pai está de frente para a câmera, no outro extremo da mesa, e tem os braços abertos, palmas das mãos erguidas para cima e olhos fechados. Ele é interpretado por Ralph Ineson, um homem branco de cabelos longos e barba. A escassa luz que permite a visualização dos personagens provém de uma vela acesa na mesa. Além dos atores, ela revela uma escada simples de madeira, no canto direito." width="1000" height="601" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Imagem-2-1.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Imagem-2-1-800x481.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Imagem-2-1-768x462.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21683" class="wp-caption-text">A fotografia escura e o enquadramento fechado utilizados nas cenas ambientadas dentro da casa contribuem para sensações de incômodo e aprisionamento (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientado em uma Nova Inglaterra do século XVII – com direito a cenários e figurinos realistas da época, que contribuem para a imersão na história –, o filme retrata o deslocamento forçado de uma família para um novo lar. Ela é composta por William (</span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/soundtrack-fiquei-chocado-com-a-sofisticacao-das-equipes-tecnicas-do-cinema-brasileiro-diz-ator-de-game-of-thrones"><span style="font-weight: 400;">Ralph Ineson</span></a><span style="font-weight: 400;">), Katherine (</span><a href="https://translate.google.com/translate?hl=pt-BR&amp;sl=en&amp;u=https://gameofthrones.fandom.com/wiki/Kate_Dickie&amp;prev=search&amp;pto=aue"><span style="font-weight: 400;">Kate Dickie</span></a><span style="font-weight: 400;">) e seus filhos Caleb (</span><a href="https://moviefit.me/pt/persons/34301-harvey-scrimshaw"><span style="font-weight: 400;">Harvey Scrimshaw</span></a><span style="font-weight: 400;">), Mercy (</span><a href="https://www.cineplayers.com/perfis/ellie-grainger"><span style="font-weight: 400;">Ellie Grainger</span></a><span style="font-weight: 400;">), Jonas (</span><a href="https://filmow.com/lucas-dawson-a422833/"><span style="font-weight: 400;">Lucas Dawson</span></a><span style="font-weight: 400;">), o bebê Samuel e a filha mais velha (e protagonista) Thomasin (</span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/anya-taylor-joy/"><span style="font-weight: 400;">Anya Taylor-Joy</span></a><span style="font-weight: 400;">). Anya, antes mesmo de viver Beth Harmon no sucesso da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><a href="http://personaunesp.com.br/o-gambito-da-rainha-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Gambito da Rainha</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, já brilhava em sua estreia em longas-metragens como </span><i><span style="font-weight: 400;">A Bruxa</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após uma breve ambientação e introdução dos personagens e do local onde a história acontecerá, a obra embarca em uma sequência de eventos perturbadores que jamais entregam o que está por vir, tornando inesperado e imprevisível o futuro da trama. </span><i><span style="font-weight: 400;">The Witch </span></i><span style="font-weight: 400;">aborda os pavores e crenças da época, na qual a </span><a href="https://www.appai.org.br/os-antigos-creram-nas-bruxas/"><span style="font-weight: 400;">bruxaria era fortemente temida</span></a><span style="font-weight: 400;"> e combatida pela religião cristã e pelas autoridades. Por sua vez, a baixa saturação na fotografia de Jarin Blaschke, os cenários escuros da floresta e da casa, e o isolamento dos personagens constroem com maestria um ambiente inquietante e desconfortável, que se perpetua por todo o longa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além desses fatores, há também diversas referências em segundo plano e mensagens subentendidas que permitem interpretações diversas e dão uma identidade única ao filme. Algumas podem passar despercebidas e assim valem uma nova assistida à obra, sob outras perspectivas. Sem entregar demais e sem estragar a experiência de quem ainda não o assistiu: </span><i><span style="font-weight: 400;">A Bruxa</span></i><span style="font-weight: 400;"> se torna ainda mais rico ao inserir alguns detalhes que remetem a </span><a href="https://www.legiaodosherois.com.br/2021/black-phillip-bruxa-tudo-sobre.html"><span style="font-weight: 400;">histórias antigas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de bruxas, contadas através dos séculos, e outros que aludem à Bíblia e simbologias cristãs.</span></p>
<figure id="attachment_21684" aria-describedby="caption-attachment-21684" style="width: 900px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21684" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Imagem-3-3.jpg" alt="Fotografia de um trecho do filme A Bruxa, em formato retangular. Ela retrata a personagem Thomasin, no centro da imagem, interpretada pela atriz Anya Taylor-Joy. Anya é uma menina jovem, latina de pele clara. Ela tem o rosto oval, cabelos loiros, longos e lisos. Tem olhos grandes, espaçados e castanhos, uma boca pequena e um nariz médio. Há alguns respingos de sangue em seu pescoço. Atrás dela existem tábuas de madeira. A foto é escura e seu rosto é fracamente iluminado por uma luz amarelada." width="900" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Imagem-3-3.jpg 900w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Imagem-3-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Imagem-3-3-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21684" class="wp-caption-text">O filme conta com diversas referências à religião e heresias, como o próprio nome da protagonista Thomasin sugere, considerando que “Sin” significa pecado, em inglês (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto às interpretações que surgem diante desse olhar mais aprofundado sobre o filme, cabe citar suas críticas ao comportamento da sociedade baseado em dogmas religiosos e às intolerâncias decorrentes disso. Isso é feito ao representar a repressão de desejos e vontades de alguns membros da família em contraste com a heresia, ousadia e liberdade do </span><a href="https://www.preparaenem.com/religiao/paganismo.htm"><span style="font-weight: 400;">paganismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, que ganham destaque no terceiro ato. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Bruxa</span></i><span style="font-weight: 400;"> fornece elementos marcantes e rios de pequenos acontecimentos macabros que deságuam em um mar de tensão e medo conforme ele avança. O filme se consagra como uma memorável criação do gênero, fornecendo 93 minutos de inquietação, curiosidade e horror. Logo, torna-se essencial na lista de quem é um admirador do terror e de histórias de bruxas, e merece ser lembrado como um clássico.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/a-bruxa-5-anos/">Macabro e memorável, A Bruxa completa 5 anos</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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