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	<title>Arquivos 911 &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos 911 &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Lady Gaga debate saúde mental através de um sonho conceitual em 911</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Sep 2020 16:25:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gatti Não falta conceito para a era Chromatica e para Lady Gaga. Lançada em fevereiro de 2020, a primeira faixa divulgada do novo álbum da cantora foi Stupid Love, na qual os fãs foram convidados a entrarem em um mundo criado pela Mother Monster. O clipe, entretanto, falhou na hora de entregar a ideia. O &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/lady-gaga-911-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Lady Gaga debate saúde mental através de um sonho conceitual em 911"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_15740" aria-describedby="caption-attachment-15740" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-15740 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-6.jpg" alt="" width="1600" height="901" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-6.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-6-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-6-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-6-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-6-1536x865.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-1-6-1200x676.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15740" class="wp-caption-text">Gaga começa o curta no meio do deserto cercada por romãs (Foto: Interscope Records)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Gatti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não falta conceito para a era </span><a href="http://personaunesp.com.br/chromatica-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Chromatica</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e para Lady Gaga. Lançada em fevereiro de 2020, a primeira faixa divulgada do novo álbum da cantora foi </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5L6xyaeiV58"><i><span style="font-weight: 400;">Stupid Love</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, na qual os fãs foram convidados a entrarem em um mundo criado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Mother Monster. </span></i><span style="font-weight: 400;">O clipe, entretanto, falhou na hora de entregar a ideia. O excesso de </span><i><span style="font-weight: 400;">chroma key</span></i><span style="font-weight: 400;"> e os <em>looks</em> toscos comprometeram o conteúdo do vídeo. Com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AoAm4om0wTs"><i><span style="font-weight: 400;">Rain On Me</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não foi muito diferente: a parceria com Ariana Grande resultou em um <em>hit</em> aclamado pelos fãs, porém deixou a desejar ao focar demasiadamente na coreografia e não pensar na construção de uma narrativa. No entanto, o mesmo erro não ocorreu no curta-metragem de <em>911</em>. Dirigido por Tarsem Singh (<a href="https://revistaforum.com.br/blogs/cinegnose/o-homem-diante-da-queda-no-filme-duble-de-anjo/"><em>Dublê de Anjo</em></a>, 2006), o vídeo traz história, figurinos bem produzidos e muito conceito.</span></p>
<p><span id="more-15736"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O clipe começa em um deserto onde Lady Gaga está jogada no chão, e a música que inicia o curta é </span><i><span style="font-weight: 400;">Chromatica II. </span></i><span style="font-weight: 400;">Em seguida, a cantora segue um cavaleiro que a leva até uma cidadela onde estão os personagens que guiam a narrativa. De início parece apenas um clipe surrealista com <em>looks</em> icônicos, porém a história se encerra evidenciando um acidente de carro, o que mostra que as cenas anteriores não passavam de um delírio de Gaga enquanto ela estava em um estágio entre a vida e a morte. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Lady Gaga - 911 (Short Film)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/58hoktsqk_Q?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A letra de <em>911</em> levanta a lebre para a questão da saúde mental, o que ficou muito bem referenciada pelo vídeo. Gaga já disse que a música <em>“é sobre um antipsicótico”</em> que ela tomava para para o controle sobre o cérebro. No caso, “<em>Mantenha minhas bonecas dentro de caixas de diamantes</em>”, que remete ao livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Valley of the Dolls </span></i><span style="font-weight: 400;">de Jacqueline Susann, faz referência ao uso esse remédio. Por esse motivo, a faixa foi intitulada de modo que faça alusão ao número de emergência na América do Norte. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com isso, <em>911</em> vai muito além do que uma música <em>pop</em> com uma batida dançante. Pelo<a href="https://www.instagram.com/p/CFSLpGdDRwT/"><em> Instagram</em></a>, Lady Gaga expressou a profundidade que a faixa e o curta apresentam: <em>“esse curta-metragem é muito pessoal para mim, minha experiência com a saúde mental e o jeito que a realidade e os sonhos podem se interconectar para formar heróis dentro e ao redor de nós”</em>.</span></p>
<figure id="attachment_15741" aria-describedby="caption-attachment-15741" style="width: 900px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-15741" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2-6.jpg" alt="" width="900" height="467" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2-6.jpg 750w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-2-6-300x156.jpg 300w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15741" class="wp-caption-text">Gaga faz uma analogia das pílulas com bonecas (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, para complementar a profundidade da letra da música, a cantora buscou diversas referências clássicas para o curta. As romãs logo no início remetem à deusa Perséfone raptada por Hades, o deus do submundo. Logo, a fruta da morte e da tentação para a mitologia grega reforçam a mensagem expressa pela cantora. Outras inspirações que complementam a narrativa da história são alguns clássicos do cinema. <em><a href="https://www.planocritico.com/critica-a-cor-da-roma/">A Cor da Romã</a> (1968)</em>, do armênio Sergei Paradjanov, <em><a href="https://www.planocritico.com/critica-8%C2%BD-fellini-oito-e-meio/">8½</a> (1963)</em>, dirigido pelo italiano Federico Fellini e <em><a href="https://www.planocritico.com/critica-el-topo/">O Topo</a> (1970),</em> que veio da mente de Alejandro Jodorowsky, são apenas algumas referências cinematográficas que atenuam a narrativa de <em>911</em>.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra obra que fisga a memória e nos faz lembrar ao assistir o vídeo de Gaga é a peça <em>O Auto da Compadecida</em> <em>(1955)</em>, de Ariano Suassuna, que ganhou adaptação para as telonas em 2000, além do filme surrealista </span><i><span style="font-weight: 400;">Mulholland Drive (2001),</span></i><span style="font-weight: 400;"> de David Lynch. A obra brasileira, que se passa no sertão, é protagonizada por João Grilo (Matheus Nachtergaele) e Chicó (Selton Mello). Quando aquele “morre”, ocorre um tribunal para julgar sua trajetória de vida. O cenário do livro e o figurino da Compadecida (Fernanda Montenegro) para a adaptação ao cinema se assemelham ao curta lançado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Mother Monster</span></i><span style="font-weight: 400;">. Já o longa norte-americano mistura delírio e realidade ao contar a história de Rita (Laura Harring) que, após sofrer um acidente, perde a memória e vaga desorientada até encontrar Diane (Naomi Watts), que a acolhe. </span></p>
<figure id="attachment_15742" aria-describedby="caption-attachment-15742" style="width: 1170px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15742" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-3-10.jpg" alt="" width="1170" height="780" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-3-10.jpg 1170w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-3-10-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-3-10-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/imagem-3-10-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15742" class="wp-caption-text">Cena do filme armênio A Cor das Romãs de Paradjanov (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O resultado de tantas influências como essas foi o curta muito bem produzido de <em>911</em>, e não foi a primeira vez que Lady Gaga constrói uma história para ilustrar suas músicas. O clipe de <em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=d2smz_1L2_0">Paparazzi</a></em>, por exemplo, narra que após a cantora ser arremessada da sacada pelo seu namorado, ela se vinga colocando veneno em sua na bebida do traidor. Além desse, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Mother Monster</span></i><span style="font-weight: 400;"> também tem outras megaproduções como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EVBsypHzF3U"><i><span style="font-weight: 400;">Telephone</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cggNqDAtJYU"><i><span style="font-weight: 400;"> Marry The Night</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PNu_-deVemE"><i><span style="font-weight: 400;">G.U.Y.</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><em>911</em> é mais um grande trabalho na carreira de Lady Gaga. O curta, que se constrói trazendo mais dúvidas que esclarecimentos ao longo de seu desenvolvimento, se encerra com um final surpreendente que amarra toda sua história. <em>911</em> é um clipe para nenhum </span><i><span style="font-weight: 400;">little monster</span></i><span style="font-weight: 400;"> botar defeito.</span></p>
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		<title>Chromatica é um divã na pista de dança</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Jun 2020 21:53:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Capa da versão deluxe (Foto: Norbert Schoerner/Interscope Records) Jho Brunhara Lady Gaga é uma ótima contadora de histórias. Desde seu primeiro projeto, quando sua persona foi construída através de uma imagem bizarra, instigante e quase mística, a nova-iorquina não estava ali só pelas músicas. Estava pelos visuais, conceitos pretensiosos que funcionam, e principalmente, sua narrativa. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/chromatica-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Chromatica é um divã na pista de dança"</span></a></p>
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<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-14047" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Chromatica_physical_artwork-1024x1024.jpg" alt="" width="580" height="580" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Chromatica_physical_artwork-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Chromatica_physical_artwork-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Chromatica_physical_artwork-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Chromatica_physical_artwork-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Chromatica_physical_artwork-1536x1536.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Chromatica_physical_artwork-2048x2048.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Chromatica_physical_artwork-1200x1200.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 580px) 85vw, 580px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size: 12px;"><em>Capa da versão deluxe (Foto: Norbert Schoerner/Interscope Records) </em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Jho Brunhara</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Lady Gaga é uma ótima contadora de histórias. Desde seu primeiro projeto, quando sua persona foi <a href="http://personaunesp.com.br/lady-gaga-10-anos-critica/">construída</a> através de uma imagem bizarra, instigante e quase mística, a nova-iorquina não estava ali só pelas músicas. Estava pelos visuais, conceitos pretensiosos que funcionam, e principalmente, sua narrativa. Uma jovem seduzida e engolida pelo monstro da fama; depois uma <a href="https://www.youtube.com/watch?v=Xx0pzrpdq84"><em>alien</em>-mãe</a> lutando pela liberdade de seus monstrinhos; um <a href="https://www.youtube.com/watch?v=H_EoaZ3eU6k">híbrido</a> metade-Warhol metade-Gaga nascido de um ovo azul botado por Jeff Koons; uma grande <a href="http://personaunesp.com.br/joanne-lady-gaga-pazes-publico/">homenagem póstuma</a> meio<em> country</em>; e agora, <em>Chromatica</em>. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Nem sempre é possível entender exatamente o que a artista quer contar em todos os universos que cria, como no controverso <em><a href="http://www.rdtladygaga.com/2018/11/revisitando-artpop-de-lady-gaga-cinco-anos-depois-observer">ARTPOP</a></em>, mas dessa vez a mensagem chega clara ao ouvido deste planeta: <em>Chromatica</em> soa como uma celebração. O primeiro disco de Gaga sem nenhuma <a href="https://www.dicionarioinformal.com.br/significado/balada/709/">balada</a> para desacelerar o caminho de suas 16 faixas incorpora o <em>house </em>e o <em>dance</em> dos anos 90, luta pelo seu espaço nas pistas de dança do presente, e relembra o mundo que às vezes você só precisa dançar, mesmo que sozinho em seu quarto, e tudo vai ficar bem. </p>



<p><span id="more-14046"></span></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="428" class="wp-image-14048" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/06/2-11-20_Norbert_Schoerner_008-1024x428.jpg" alt="" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/06/2-11-20_Norbert_Schoerner_008-1024x428.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/06/2-11-20_Norbert_Schoerner_008-300x125.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/06/2-11-20_Norbert_Schoerner_008-768x321.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/06/2-11-20_Norbert_Schoerner_008-1536x642.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/06/2-11-20_Norbert_Schoerner_008-2048x856.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/06/2-11-20_Norbert_Schoerner_008-1200x501.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size: 12px;"><em>As interludes I, II e III foram escritas pela produtora White Sea e Lady Gaga (Foto: Norbert Schoerner)</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar da atmosfera dançante e lotada de energia, o quinto álbum de Gaga é muito mais pessoal do que sua estética e sonoridade aparentam. Para quem cantou sobre um amor destrutivo e a psicose de Hitchcock em <a href="https://www.youtube.com/watch?v=qrO4YZeyl0I">um dos hinos pop</a> mais famosos da história, não é difícil incorporar temas mais densos em uma embalagem chiclete e plástica. <em>“Your monsters torture me”</em>, <em>“<a href="https://www.youtube.com/watch?v=-oI4_shsYnE">My biggest enemy is me</a>”</em>, <em>“I feel like I&#8217;m in a prison hell”</em>. Esse dualismo é evidenciado por letras que vasculham os horrores da consciência em embalos frenéticos, te colocando para dançar enquanto a artista canta suas confissões íntimas, como se a música fosse sua terapia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mergulhada em um <a href="https://www.storytellers.com.br/2011/11/ja-ouviu-falar-em-high-concept.html"><em>high-concept</em></a>, a narrativa se apoia em tudo que tem direito, desde imersão estética até participações de peso, como o <em>girl group </em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fnPn6At3v28">BLACKPINK</a>, gigantes do kpop. E mesmo com o risco de ressuscitar os batidões dos anos 90 para as gerações mais novas, o que chama a atenção é a necessidade de distrair o ouvinte de suas repetições e excessos.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="768" class="wp-image-14049" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/06/0-0-20_Frederik_Heyman_001-1024x768.jpg" alt="" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/06/0-0-20_Frederik_Heyman_001-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/06/0-0-20_Frederik_Heyman_001-300x225.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/06/0-0-20_Frederik_Heyman_001-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/06/0-0-20_Frederik_Heyman_001-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/06/0-0-20_Frederik_Heyman_001-2048x1536.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/06/0-0-20_Frederik_Heyman_001-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size: 12px;"><em>Em <a href="https://www.papermag.com/lady-gaga-chromatica-2645479910.html?rebelltitem=57#rebelltitem57">entrevista</a>, Gaga revelou ter enfrentado dores crônicas e depressão durante o processo de gravar e produzir o álbum, mas que utilizou as próprias músicas para canalizar a tristeza e encontrar forç</em>a<em> (Foto: Frederik Heyman)</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">As faixas propositalmente mais curtas no álbum não são apenas <a href="https://www.targethd.net/as-musicas-estao-cada-vez-mais-curtas-e-o-culpado-pode-ser-o-spotify/">efeito do <em>streaming</em></a>, e tem a mesma intenção das <em>interludes</em>, tornar o uso das batidas <a href="https://www.youtube.com/watch?v=J_DiWGyiQ38">4&#215;4</a> da <em>house music</em> menos maçantes. Jogada de mestre de Gaga e BloodPop®, o principal produtor do disco, mas que também mostra certa malandragem para mascarar as estruturas mais simples das músicas. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Em canções como <em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5L6xyaeiV58">Stupid Love</a></em>, <em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zWzBcrniDRw">Fun Tonight</a></em> e <em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xIq6lpdO-Bw">1000 Doves</a></em>, os recursos sonoros caem em um clichê já esperado, se distanciando da qualidade consistente do resto do CD, mas nada muito grave. E mesmo com 16 <em>tracks</em> e o constante bate-estaca do <em>house</em>, o álbum utiliza muito bem suas maracutaias e respiros, e a sonoridade se estende coesa sem parecer pesada, amarrando perfeitamente a experiência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O britânico BURNS também assina diversas faixas de <em>Chromatica</em>, mas é em <em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZTwpCLZLdRs">Replay</a></em> que sua produção brilha mais forte. Gaga canta sobre suas cicatrizes e um sentimento crônico de dor, acompanhada de um instrumental explosivo e absolutamente dançante. O contraste não poderia ser mais evidente, e essa <a href="https://www.megacurioso.com.br/artes-cultura/107423-musica-pop-esta-cada-vez-mais-triste-mas-mais-dancante.htm">combinação</a> tão conhecida na música pop ganha mais uma camada, e mostra uma artista sem medo de escancarar seus fantasmas, convertendo a tristeza em refrões poderosos.</p>



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<p><iframe loading="lazy" title="Lady Gaga, Ariana Grande - Rain On Me (Official Music Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/AoAm4om0wTs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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<p class="wp-block-paragraph">O desabafo de Gaga não para por aí: <em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=O9GUJ7Wqy3A">Sine From Above</a></em>, parceria com o lendário Elton John, fala sobre fé e superação em versos enérgicos. A colaboração com Ariana Grande, <em>Rain On Me</em>, também utiliza de seu momento para cantar sobre traumas e como encontrar um caminho para seguir em frente, “eu preferia estar seca mas pelo menos estou viva”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A nostalgia se manifesta em <em>Chromatica</em>, não apenas nas batidas da música <em>house</em>, mas também nas temáticas presentes no LP. Com um instrumental assinado por BloodPop® e Skrillex, <em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RHtdG2M_W3M">Plastic Doll</a></em> evoca o lirismo sarcástico e a estrutura das músicas do <em>The Fame</em>, e os “oh ma ma ma” de <em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wYLZq390IHg">Alice</a></em> parecem nos transportar diretamente para <em>Poker Face. </em>Aos que passaram os últimos anos implorando para que Lady Gaga &#8216;voltasse ao pop&#8217; (de onde nunca saiu exatamente), parece que a cantora atendeu aos pedidos, mas mostra em seus versos que nunca mais será a mesma pessoa que o mundo conheceu 12 anos atrás. </p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="801" height="1024" class="wp-image-14052" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/06/2-11-20_Norbert_Schoerner_009-2-801x1024.jpg" alt="" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/06/2-11-20_Norbert_Schoerner_009-2-801x1024.jpg 801w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/06/2-11-20_Norbert_Schoerner_009-2-235x300.jpg 235w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/06/2-11-20_Norbert_Schoerner_009-2-768x982.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/06/2-11-20_Norbert_Schoerner_009-2-1201x1536.jpg 1201w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/06/2-11-20_Norbert_Schoerner_009-2-1200x1535.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/06/2-11-20_Norbert_Schoerner_009-2.jpg 1219w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size: 12px;"><em> &#8220;Música é o que me curou durante a minha vida, e me curou novamente gravando esse álbum&#8221;, via <a href="https://www.youtube.com/watch?v=CZXBF9t32zA">Zane Lowe</a></em> <em>(Foto: Norbert Schoerner) </em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Não há outra forma de encerrar a história do disco que não seja com <em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bOuuMmlf_DE">Babylon</a></em>. Besuntada pela sonoridade dos anos 80 e 90, canta uma analogia envolvendo fofoca, pecado e a torre de Babel, sob pianos, coros e trompetes. À la <em>Vogue</em> de Madonna, o refrão transforma qualquer chão em um desfile, e crava suas palavras faladas em viciantes <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Gancho_(m%C3%BAsica)"><em>hooks</em></a><em>. </em>Esse universo idealizado por Gaga é sua própria Babilônia, mas ao contrário da imponente cidade, suas fragilidades são expostas para sua própria fortificação. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Chromatica</em> é essencialmente positivo em quase todas as decisões que toma. É meticuloso como experiência, sendo uma óbvia coletânea dançante, mas nunca se esquece do seu propósito narrativo. E mesmo manifestando um rebuliço interno de tristezas e angústias, sabe processar cada uma delas, como se Gaga estivesse cantando diretamente de um <a href="https://www.dicionarioinformal.com.br/div%C3%A3/">divã</a>, para curar a si mesma. Como arquiteta de mais um mundo que criou, dessa vez os tijolos parecem ser mais fortes. E se o processo de elaboração do disco foi a reabilitação, seu lançamento e recepção são um atestado de alta.</p>



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<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Chromatica" width="300" height="380" allowtransparency="true" frameborder="0" allow="encrypted-media" src="https://open.spotify.com/embed/album/05c49JgPmL4Uz2ZeqRx5SP?si=jrQ2vbtJRh2L-F2xakqlPg"></iframe></p><p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/chromatica-critica/">Chromatica é um divã na pista de dança</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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