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	<title>Arquivos 1982 &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Delírio e desobediência em Das Tripas Coração</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Oct 2022 20:56:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Juliana Boaventura As transformações físicas, descobertas sexuais e emoções intensas que fazem parte da transição da infância para a adolescência povoam e intrigam o imaginário popular. Muitos artistas buscam examinar isso em suas obras, partindo de suas experiências íntimas. Em Das Tripas Coração (1982) &#8211; em inglês, Heart and Guts &#8211;, a cineasta Ana Carolina &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/das-tripas-coracao-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Delírio e desobediência em Das Tripas Coração"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29033" aria-describedby="caption-attachment-29033" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-29033" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem1.jpg" alt="Cena do filme Das Tripas Coração (1982), em frente ao prédio da escola, na foto estão algumas alunas, vestidas de saia e camisa escolar, entre outros personagens, aglomerados, sem olhar para a câmera. Na direita da imagem, Guido (Antônio Fagundes) segura a professora de química do colégio enquanto ela vomita, abaixada, vestindo uma saia xadrez e camisa branca" width="512" height="267" /><figcaption id="caption-attachment-29033" class="wp-caption-text">Das Tripas Coração foi exibido na seção Apresentação Especial da 46ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo juntamente com outras produções da cineasta Ana Carolina, vencedora do Prêmio Humanidade (Foto: Crystal Cinematográfica)</figcaption></figure>
<p><b>Juliana Boaventura</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As transformações físicas, descobertas sexuais e emoções intensas que fazem parte da transição da infância para a adolescência povoam e intrigam o imaginário popular. Muitos artistas buscam examinar isso em suas obras, partindo de suas experiências íntimas. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Das Tripas Coração </span></i><span style="font-weight: 400;">(1982) &#8211; em inglês, </span><i><span style="font-weight: 400;">Heart and Guts &#8211;</span></i><span style="font-weight: 400;">, a cineasta Ana Carolina constrói um microcosmo que expõe aspectos dessa transição de forma cômica e teatral, valendo-se de uma narrativa onírica não-linear, declamações inflamadas e murmúrios fora de cena. Uma inclinação à rebeldia e à desobediência permeia o longa-metragem, que desenrola-se dentro de um colégio feminino, austero, religioso e falido. O filme compõem a seção Apresentação Especial na programação da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-29032"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A diretora e roteirista iniciou sua produção cinematográfica com um documentário sobre </span><i><span style="font-weight: 400;">Getúlio Vargas</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1974). Em seguida, ela concebe </span><i><span style="font-weight: 400;">Mar de Rosas</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1977) e mais dois longas que abordam a condição feminina, </span><i><span style="font-weight: 400;">Das Tripas Coração</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1982) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Sonho de Valsa</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1987); compondo uma trilogia. Seu trabalho mais recente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Paixões Recorrentes</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2022), também foi exibido na Apresentação Especial  da 46ª Mostra. Ao longo de sua carreira, ela tem exposto acerca da dificuldade em financiar e executar seus projetos, como em uma entrevista ao </span><a href="https://youtu.be/lphpUOvuH3I"><i><span style="font-weight: 400;">Roda Viva</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 1994. Ela menciona também a necessidade de renovação do aparato de produção cinematográfico brasileiro e suas perspectivas e ideias para o cinema nacional, colocando-o como um meio de mudança social.</span></p>
<figure id="attachment_29034" aria-describedby="caption-attachment-29034" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-29034 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem2-800x604.jpeg" alt="Fotografia que retrata a cineasta Ana Carolina, olhando para o lado, ela segura a gola de um casaco cinza com as duas mãos, de punhos cerrados. No fundo está o pôster do filme Mar de Rosas, no qual há uma ilustração de uma menina com as mãos na cintura, usando um vestido com a tipografia do título do filme. Trata-se de uma das personagens principais do longa, Betinha (Cristina Pereira), e em seu nariz há o que parece ser um prendedor de roupas vermelho" width="800" height="604" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem2-800x604.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem2-1024x773.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem2-768x580.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem2-1536x1160.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem2-1200x906.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem2.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29034" class="wp-caption-text">Ana Carolina em frente ao pôster de Mar de Rosas, estrelado por Norma Bengell e Cristina Pereira como mãe e filha (Foto: Tasso Marcelo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Das Tripas Coração</span></i><span style="font-weight: 400;">, há um uso provocativo de superposição das vozes dos atores, os sons se misturam espacialmente conforme a câmera se move. Isso evoca uma rejeição à ordem, como durante a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=90QrscVHL0k"><span style="font-weight: 400;">aula</span></a><span style="font-weight: 400;"> do professor Guido (Antônio Fagundes), em que os murmúrios das alunas vão de provocações a questionamentos sobre o estado civil do professor. A confusão de vozes agrega à comicidade dos diálogos e ao aspecto surreal do filme, um recurso que a diretora reconhece causar estranhamento no público. Em </span><a href="http://memoria.bn.br/docreader/DocReader.aspx?bib=154083_04&amp;pagfis=1114"><span style="font-weight: 400;">entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> à Tribuna da Imprensa em 1980, afirma: “</span><i><span style="font-weight: 400;">o delírio, as coisas que a gente pensa e não diz, aquelas de que a gente ri e outros não, isto é o que vale no meu cinema. Interesso-me pelo não-dito, pelo mal-dito, que tem mais graça, é mais possível e mais interessante</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O colégio em que a trama se passa é como um espaço fechado que encapsula os fenômenos da sociedade, conflitos geracionais, de classe social e a sexualidade em todas as fases da vida. Alguns diálogos entre as faxineiras, as inspetoras, o professor e as diretoras da escola, Miriam (Xuxa Lopes) e Renata (Dina Sfat), reforçam a ideia de que as alunas adolescentes representam uma força da natureza, incontroláveis. Há um </span><a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra67312/das-tripas-coracao"><span style="font-weight: 400;">espírito de rebelião</span></a><span style="font-weight: 400;">, de desobediência à ordem vigente, que atinge seu ponto máximo quando uma das alunas (Maria Padilha) urina em meio à uma missa, sendo punida em seguida.</span></p>
<figure id="attachment_29035" aria-describedby="caption-attachment-29035" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-29035 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem3-800x544.jpeg" alt="Cena do filme Das Tripas Coração em que Renata abraça Guido. Ela usa um vestido cinza de mangas compridas, tem o cabelo cacheado na altura dos ombros e olha para além da câmera, assim como Guido, que usa uma blusa cinza, tem cabelos pretos e barba cheia" width="800" height="544" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem3-800x544.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem3-1024x696.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem3-768x522.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem3-1536x1044.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem3-1200x816.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem3.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29035" class="wp-caption-text">As diretoras do colégio Renata e Miriam vivem um triângulo amoroso com Guido (Foto: Crystal Cinematográfica)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio ao ritmo acelerado dos acontecimentos, o desejo sexual dos personagens é a força motriz dos conflitos. Tanto revelações íntimas das personagens quanto declamações poéticas e reflexões filosóficas evocam o inconsciente, as classes sociais e as estruturas políticas. Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=90QrscVHL0k"><i><span style="font-weight: 400;">Das Tripas Coração</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Ana Carolina explora o estranhamento, e a maneira como a narrativa acontece acrescenta ao aspecto delirante e cômico da narrativa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O segundo filme da trilogia sobre a condição feminina, </span><a href="https://www.prppg.ufpr.br/siga/visitante/trabalhoConclusaoWS?idpessoal=79015&amp;idprograma=40001016001P0&amp;anobase=2021&amp;idtc=1703"><span style="font-weight: 400;">segundo ela</span></a><span style="font-weight: 400;">, traz uma tentativa de explorar o sexo e a culpa, a visão masculina do desejo feminino. Em um discurso que explora tanto a insubmissão e a desobediência características da transição da infância para a adolescência quanto diversas contradições ao longo das gerações, a produção acaba por abarcar (quase) toda a vida.</span></p>
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		<title>O Enigma de Outro Mundo: os 40 anos do clássico de John Carpenter</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Jul 2022 21:21:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathan Sampaio  O que faz um filme se tornar clássico? No caso de …E o Vento Levou (1939) foi sua popularidade e bilheteria. Já Titanic (1997), além dos fatores anteriores, conta com vitórias em importantes premiações. Por fim, há aqueles que revolucionaram o Cinema, como fez Cidadão Kane (1941). O Enigma de Outro Mundo não &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-enigma-de-outro-mundo-40-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Enigma de Outro Mundo: os 40 anos do clássico de John Carpenter"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28280" aria-describedby="caption-attachment-28280" style="width: 971px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28280" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-1-1-1.jpg" alt="Cena do filme O Enigma de Outro Mundo. Tem uma pessoa na imagem que aparece do joelho pra cima. No centro da foto tem MacReady, um homem branco, ele tem cabelo comprido castanho e cacheado, ele tem uma barba castanha e olhos azuis. Ele usa uma jaqueta de couro marrom, luvas pretas e calça. Na sua mão esquerda tem um lampião e na sua mão direita tem uma escopeta. No fundo tem um galpão tomado pelo gelo e neve. " width="971" height="667" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-1-1-1.jpg 971w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-1-1-1-800x550.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-1-1-1-768x528.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28280" class="wp-caption-text">Uma das melhoras obras de Carpenter, O Enigma de Outro Mundo completa 40 anos em 2022 (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><b>Nathan Sampaio </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que faz um filme se tornar clássico? No caso de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=FBaiPef5PUM"><i><span style="font-weight: 400;">…E o Vento Levou</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1939) foi sua popularidade e bilheteria. Já </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pbohZYIDh7U"><i><span style="font-weight: 400;">Titanic</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1997), além dos fatores anteriores, conta com vitórias em importantes premiações. Por fim, há aqueles que revolucionaram o Cinema, como fez </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0xdN25Td_AE"><i><span style="font-weight: 400;">Cidadão Kane</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1941). </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fYydUIt0Olg"><i><span style="font-weight: 400;">O Enigma de Outro Mundo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não se encaixa em nenhuma dessas categorias, mas se estabelece como um clássico por ser o retrato exemplar do gênero de Horror e por se manter influente na cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> mesmo após 40 anos do seu lançamento, em 1982. </span></p>
<p><span id="more-28279"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa acompanha um </span><a href="https://www.momentumsaga.com/2018/02/dez-coisas-que-voce-nao-sabia-sobre-o-enigma-de-outro-mundo.html"><span style="font-weight: 400;">grupo de cientistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> estadunidenses vivendo em uma base na Antártida para realizar seus experimentos. Até que, certo dia, surge uma dupla de noruegueses atirando em um cachorro. Prontamente, os pesquisadores salvam o animal e matam os perseguidores. Porém, com o passar do tempo, o cão se revela algo monstruoso, que pode se transformar e matar qualquer um no complexo.</span></p>
<figure id="attachment_28281" aria-describedby="caption-attachment-28281" style="width: 811px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28281" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-2-2-1.jpg" alt="Cena do filme O Enigma de Outro Mundo. Na imagem tem seis pessoas que aparecem do joelho pra cima. Da esquerda para a direita tem MacReady, ele usa uma jaqueta e calça verde, amarrado no seu tronco tem dinamites e em sua mão direita ele segura uma pistola. Ao seu lado tem Childs, um homem negro, ele é careca e tem olhos castanhos e um bigode, ele usa uma blusa de lã azul e calça cinza. Atrás dele aparece Garry, um homem de meia idade branco, ele tem cabelo liso e grisalho, seus olhos são verdes, e não é possível ver suas roupas. Em sua frente também aparece Palmer, um homem branco, ele tem cabelo castanho cacheado, seus olhos são castanhos, ele usa uma camiseta verde com mangas brancas, uma jaqueta jeans sem mangas e calça jeans. Ao seu lado tem Windows, um homem branco,ele tem cabelo cacheado castanho e barba castanho, ele tem olhos azuis e usa uma jaqueta marrom e calça jeans, ele segura uma corda em suas mãos. E por último aparece Nauls, um homem negro, ele tem cabelo curto castanho e cacheado, ele tem olhos castanhos e usa uma camiseta azul de manga curta por cima e uma camiseta branca de manga curta por baixo, calça preta e uma faixa azul na cabeça. No fundo aparece uma sala de jogos, com fliperamas e pinballs. " width="811" height="339" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-2-2-1.jpg 811w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-2-2-1-800x334.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-2-2-1-768x321.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28281" class="wp-caption-text">O clima de desconfiança paira por toda a projeção, afinal os protagonistas não sabem em quem podem confiar (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Enigma de Outro Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;"> é inspirado no conto </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=l-cAULT3Evo"><i><span style="font-weight: 400;">Who Goes There?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 1938, do escritor estadunidense John Campbell Jr. Em 2018, descobriu-se que a história faz parte de uma obra maior chamada </span><i><span style="font-weight: 400;">Frozen Hell</span></i><span style="font-weight: 400;">, publicada em 2019. Além da adaptação de 1982, outra, intitulada </span><a href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-979/trailer-19542135/"><i><span style="font-weight: 400;">O Monstro do Ártico</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, foi lançada em 1951, em uma releitura menos fiel à original. Tanto a história base quanto a dos anos 50 são referenciados no filme. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro de </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/bill-lancaster"><span style="font-weight: 400;">Bill Lancaster</span></a><span style="font-weight: 400;"> se esforça para diferenciar o projeto das demais obras de terror da época. Uma das maneiras encontradas pelo roteirista foi a de não ter um protagonismo individual, mas dar o destaque para o coletivo, de forma que possamos conhecer todos e até mesmo nos sentirmos parte daquele grupo de cientistas em busca de sobrevivência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Enigma de Outro Mundo </span></i><span style="font-weight: 400;">é de John Carpenter, um dos mestres do Horror e responsável por filmes como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=emN1KbD_DxM"><i><span style="font-weight: 400;">Halloween</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1979), </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YFMkZX_L5_c"><i><span style="font-weight: 400;">Fuga de Nova York</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1981) e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Tx1rUAIeSIU"><i><span style="font-weight: 400;">Eles vivem</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1988). Como é esperado, o diretor consegue transmitir de forma excepcional a paranoia que o grupo vive, sem saber quais deles ainda são humanos e quem será a próxima vítima. O espectador &#8211; imerso nessa sensação de incerteza &#8211; também passa a fazer parte do coletivo, uma vez que começa a buscar qual dos personagens já foi pego pelo monstro. </span></p>
<figure id="attachment_28282" aria-describedby="caption-attachment-28282" style="width: 960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28282" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-3-2-1.jpg" alt="Cena do filme O Enigma de Outro Mundo. Tem uma pessoa na imagem aparecendo da cintura pra cima. Na imagem toda, pode-se ver Vance, um homem branco, ele tem cabelo loiro, curto e cacheado, seus olhos são castanhos. Ele está deitado e sem camiseta, em sua barriga aparece um rasgo vertical que é idêntico a uma boca. Um homem está com as mãos dentro dessa boca. " width="960" height="418" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-3-2-1.jpg 960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-3-2-1-800x348.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-3-2-1-768x334.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28282" class="wp-caption-text">A cena em que Vance Norris é possuído pelo monstro tem alguns dos melhores efeitos visuais do longa (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A paranoia e a desconfiança, por mais interessantes que sejam, não sustentariam a trama sozinhas. Para auxiliar nessa tarefa, é necessário que se escale a tensão entre os personagens e o roteiro se utiliza das mortes e das aparições da criatura para elevar o suspense. Visto que, em cada um desses momentos, tanto quem assiste quanto os personagens sempre descobrem algo novo sobre o monstro, e isso os ajudará a combatê-lo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa desconfiança, que permeia todo o enredo, proporciona situações inquietantes ao espectador. Até mesmo o seu final ambíguo, um traço característico do diretor, faz com que o público continue pensando sobre o ocorrido e no que deve ter acontecido depois de tudo. Inclusive, obras posteriores, como a </span><i><span style="font-weight: 400;">prequel </span></i><span style="font-weight: 400;">homônima de 2011,  dão pistas sobre o desfecho do filme anterior. Também, o  jogo de </span><i><span style="font-weight: 400;">PlayStation </span></i><span style="font-weight: 400;">2, lançado em 2002, conta o que acontece após os eventos do primeiro longa.</span></p>
<figure id="attachment_28283" aria-describedby="caption-attachment-28283" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28283" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-4-2-1.jpg" alt="Cena do filme O Enigma de Outro Mundo. Tem apenas um ser na imagem. No centro da imagem aparece o rosto de Vance, porém ele está retorcido e com presas, seu pescoço está muito alongado, parecendo uma cobra, do seu pescoço saem patas de aranha que grudam no teto. No fundo tem um duto de ar e ele está coberto de gosma. " width="1000" height="564" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-4-2-1.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-4-2-1-800x451.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-4-2-1-768x433.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28283" class="wp-caption-text">A aparição mais marcante da criatura é quando ela possui Vance Norris e assume uma forma aracnídea (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O conceito da criatura é espetacular: ela acumula mistérios em volta de sua figura, criando uma aura de incógnita e provocando medo pelo desconhecido. A equipe de efeitos visuais de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Enigma de Outro Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;">, liderada por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=F5Cq1O7MEsY"><span style="font-weight: 400;">Rob Bottin</span></a><span style="font-weight: 400;">, fez um trabalho primoroso, criando monstros amorfos e que desafiam a lógica humana, aumentando a mística e o assombro pelo algoz. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo sem um desenvolvimento aprofundado, todos os personagens de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Enigma de Outro Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;"> são bem construídos e marcantes, com um traço de personalidade que os tornam únicos. O elenco também foge dos clichês do terror, com figuras espertas e criativas para saírem de situações de perigo. Os destaques são </span><a href="http://centralpandora.com.br/quem-e-a-coisa-the-thing/"><span style="font-weight: 400;">MacReady (Kurt Russell) e Childs (Keith David)</span></a><span style="font-weight: 400;">, que recebem um tempo de tela maior e personificam o grupo e a paranoia de estar naquela condição. </span></p>
<figure id="attachment_28284" aria-describedby="caption-attachment-28284" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28284 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-5-2.jpg" alt="Cena do filme O Enigma de Outro Mundo. Tem sete pessoas na imagem. Da esquerda para a direita aparecem Nauls, que usa uma duas camisetas, uma branca de manga longa por baixo e uma azul de manga curta por cima, ele usa uma calça preta e uma faixa azul na cabeça. Do seu lado tem Clark, um homem branco, ele tem barba loira comprida e olhos castanhos, ele usa um boné verde, uma camisa xadrez marrom e uma calça marrom. A frente deles aparece doutor Blair, um homem idoso branco, ele tem cabelo branco nas laterais e olhos castanhos, ele usa óculos e uma camiseta bege. Ao seu lado tem Fuchs, um homem branco, ele tem cabelo curto, liso e castanho, barba castanha, usa uma camiseta vermelha de manga longa e um avental marrom. Do seu lado aparece doutor Cooper, um homem idoso e branco, ele tem cabelo branco, liso e curto, ele usa uma camiseta branca de manga longa e uma camisa vermelha por cima. Atrás dele aparecem Garry, que usa camisa, calça e sapatos bege, em sua cintura tem um coldre. Ao lado dele tem Childs, que usa uma blusa de lã azul. Na frente de Blair, Futch e Cooper tem um amontoado de gosma, tentáculos e sangue. Ao fundo tem um laboratório." width="1280" height="544" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-5-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-5-2-800x340.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-5-2-1024x435.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-5-2-768x326.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-5-2-1200x510.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28284" class="wp-caption-text">O cenário e as roupas do filme são todas em cores claras, para destacar o sangue (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">John Carpenter é conhecido por conceber a trilha sonora de todos os seus filmes, sendo um dos nomes mais reconhecidos do</span> <a href="https://rateyourmusic.com/genre/horror-synth/"><i><span style="font-weight: 400;">horror synth</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, gênero musical que mistura Música eletrônica com batidas de suspense e terror. Mas, para a realização desse projeto, o diretor fez parceria com Ennio Morricone, um dos compositores mais respeitados da indústria cinematográfica. Morricone era conhecido pela trilha de clássicos do faroeste, como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lIVDryQDUS8"><i><span style="font-weight: 400;">Três Homens em Conflito</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1966) e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=P0fFU-0L95E"><i><span style="font-weight: 400;">Era um vez no Oeste</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1968). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo tendo um roteiro caprichado, efeitos especiais inacreditáveis, músicas inesquecíveis e uma direção magnífica,</span> <a href="https://www.uol.com.br/splash/colunas/roberto-sadovski/2022/06/29/o-enigma-de-outro-mundo-40-anos-do-melhor-filme-e-parceria-da-historia.htm"><i><span style="font-weight: 400;">O Enigma de Outro Mundo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não foi bem recebido em seu lançamento. Na época, os críticos não compreenderam o projeto, acusando-o de ser raso e com efeitos especiais problemáticos. A recepção negativa do grupo especializado proporcionou um fracasso de bilheteria, prejudicando a carreira de Carpenter nos anos seguintes. No ano de seu lançamento, o filme foi criticado em todos os âmbitos possíveis e chegou até a receber indicações ao </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RheRpjVmCpE"><i><span style="font-weight: 400;">Framboesa de Ouro</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a paródia do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">que premia as piores obras do ano. Até mesmo Morricone foi indicado na premiação. </span></p>
<figure id="attachment_28290" aria-describedby="caption-attachment-28290" style="width: 900px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28290 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-6-2.png" alt="Cena do filme O Enigma de Outro Mundo. Tem uma criatura na imagem. No centro da imagem tem uma criatura, ela se parece com um cachorro, porém sem pelos e com a pele marrom e enrugada. Em sua boca tem várias presas, seus olhos são pretos e ele não tem orelha. Seu corpo tem várias patas e tentáculos. O animal está coberto de gosma e sangue. A criatura está sentada em um monte de palha. " width="900" height="384" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-6-2.png 900w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-6-2-800x341.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-6-2-768x328.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28290" class="wp-caption-text">A primeira aparição da criatura é quando ela possui o cão, que logo se transforma em um monstro grotesco (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, quando as locadoras se popularizaram, o longa-metragem foi redescoberto, e logo passou a receber o devido reconhecimento da crítica e do público. Atualmente, o projeto é reconhecido como uma das melhores obras de terror, considerado uma referência dentro dos gêneros do Suspense, </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2021/07/body-horror-quando-o-corpo-humano-vira-materia-prima-do-medo.html"><span style="font-weight: 400;">Horror corporal</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2019/12/bases-filosoficas-do-horror-cosmico-na-literatura.html"><span style="font-weight: 400;">Horror cósmico</span></a><span style="font-weight: 400;">, sendo uma das melhores e mais conceituadas de John Carpenter. </span></p>
<p><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/rapaduracast-podcast/581040/rapaduracast-614-ennio-morricone-restinpeace/"><span style="font-weight: 400;">Ennio Morricone</span></a><span style="font-weight: 400;"> também recebeu os méritos por seu trabalho. Isso ocorreu tanto no reconhecimento das canções do filme, quanto anos mais tarde, já que algumas das músicas não aproveitadas em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Enigma de Outro Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;"> foram reutilizadas em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dgfL35I7bGY"><i><span style="font-weight: 400;">Os Oito Odiados</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2015), e proporcionaram ao compositor uma vitória no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">de Melhor Trilha Sonora Original.</span></p>
<figure id="attachment_28287" aria-describedby="caption-attachment-28287" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28287" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-7-1.jpg" alt="Cena do filme O Enigma de Outro Mundo. Tem um cachorro no centro da imagem. O cachorro é cinza e branco, o olho é branco e as orelhas pontudas. O cachorro olha pela janela. Ele está em cima de uma mesa e no fundo tem um escritório. " width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-7-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-7-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-7-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-7-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28287" class="wp-caption-text">Na cena em que os noruegueses encontram os protagonistas, um deles conta tudo sobre a criatura, mas, por causa da diferença de línguas, os cientistas não entendem nada (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A maquiagem e os efeitos visuais do projeto também são tidos como uma referência no meio em que o filme está inserido. Todos eles são práticos, ou seja, foram realizados artesanalmente, como maquiagens, animatrônicos e até mesmo fantoches. Essa maneira de confecção fez com que a criatura se tornasse mais palpável e crível. </span></p>
<p><a href="https://www.pipoca3d.com.br/2020/06/the-thing-13-curiosities.html"><i><span style="font-weight: 400;">O Enigma de Outro Mundo</span></i> </a><span style="font-weight: 400;"> é um dos melhores filmes de terror já feitos: o roteiro e a direção criam ótimos momentos de tensão e suspense, os personagens são cativantes e espertos, e a criatura é enigmática e ameaçadora na medida certa. O projeto captura a essência do gênero e a transmite perfeitamente em seus 110 minutos de duração. Muito mais que um clássico </span><i><span style="font-weight: 400;">cult</span></i><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">The Thing</span></i><span style="font-weight: 400;"> merece destaque como um clássico do Cinema. </span></p>
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		<title>Já que Ninguém me Tira pra Dançar: eu também quero ser Leila Diniz</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Oct 2021 20:15:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Júlia Trevisan “Toda mulher quer ser amada/Toda mulher quer ser feliz/Toda mulher se faz de coitada/Toda mulher é meio Leila Diniz.” Os trechos compostos por Rita Lee pressupõem toda a graça e grandiosidade de Leila Diniz. Atriz brasileira, Rainha das Vedetes e transgressora pela liberdade feminina, Leila é representante de Todas as Mulheres do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ja-que-ninguem-me-tira-pra-dancar-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Já que Ninguém me Tira pra Dançar: eu também quero ser Leila Diniz"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24154" aria-describedby="caption-attachment-24154" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24154" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila01.jpg" alt="Cena do documentário Já que Ninguém me Tira pra Dançar. Ao centro está Leila Diniz. Uma mulher branca de cabelos curtos. Ela está de braços abertos. Veste um sutiã com lantejoulas e ombreiras também com lantejoulas e fios. Em segundo há dezenas de homens. A imagem está em preto e branco" width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila01.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila01-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila01-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila01-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila01-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24154" class="wp-caption-text">Realizado em 1982 e remasterizado em 2021, o documentário inédito tem sua estreia na seção Mostra Brasil da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Nova Era Produções)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Júlia Trevisan</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Toda mulher quer ser amada/Toda mulher quer ser feliz/Toda mulher se faz de coitada/</span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bwf3UnacXuw&amp;ab_channel=RitaLee"><i><span style="font-weight: 400;">Toda mulher é meio Leila Diniz</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">.”</span></i><span style="font-weight: 400;"> Os trechos compostos por </span><a href="https://personaunesp.com.br/rita-lee-40-anos/"><span style="font-weight: 400;">Rita Lee</span></a><span style="font-weight: 400;"> pressupõem toda a graça e grandiosidade de Leila Diniz. Atriz brasileira, Rainha das Vedetes e transgressora pela liberdade feminina, Leila é representante de </span><i><span style="font-weight: 400;">Todas as Mulheres do Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com estreia marcada para acontecer durante a 45ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Já que Ninguém me Tira pra Dançar</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o documentário sobre Leila Diniz dirigido por sua amiga e também atriz Ana Maria Magalhães. </span></p>
<p><span id="more-24153"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nascida em Niterói em 1945, Leila Diniz possuía um carisma único, uma espontaneidade natural e uma paixão pela liberdade que vinham do berço. </span><i><span style="font-weight: 400;">Já que Ninguém me Tira pra Dançar</span></i><span style="font-weight: 400;"> reúne depoimentos saudosos sobre a estrela, as entrevistas foram realizadas em 1982, quando a partida de Leila completava 10 anos. Encontradas por </span><a href="https://abcine.org.br/site/o-sol-picando-o-coco-dos-caipiras/"><span style="font-weight: 400;">Fábio Fraccarolli</span></a><span style="font-weight: 400;">, ele convidou </span><a href="https://www.memoriascinematograficas.com.br/2020/01/por-onde-anda-atriz-ana-maria-magalhaes.html"><span style="font-weight: 400;">Ana Maria Magalhães</span></a><span style="font-weight: 400;"> para restaurar as gravações, complementar com novos arquivos e mais uma vez trazer à tona a memória de uma peça chave para a cultura brasileira.</span></p>
<figure id="attachment_24155" aria-describedby="caption-attachment-24155" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24155" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila02.jpg" alt="Cena do documentário Já que Ninguém me Tira pra Dançar. Ao centro está o desenho de um beija flor azul. À esquerda há o desenho flores amarelas e folhas verdes. À direita temos o desenho flores rosas e folhas verdes. Na parte superior lê-se em azul ‘Para Leila Diniz’. Na parte inferior lê-se em azul ‘Todo amor, Ana’. O fundo do desenho é bege." width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila02.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila02-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila02-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila02-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila02-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24155" class="wp-caption-text">“As flores do jardim da nossa casa renascem como se fosse chegar de uma breve ausência” (Foto: Nova Era Produções)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O esquadrão que faz declarações para Leila é digno de frente de batalha. Nomes como Marieta Severo, </span><a href="https://personaunesp.com.br/lancamentos-musicais-maio-2021/"><span style="font-weight: 400;">Nelson Sargento</span></a><span style="font-weight: 400;">, Betty Faria, Maria Gladys, </span><a href="https://personaunesp.com.br/cineclube-persona-agosto-de-2021/"><span style="font-weight: 400;">Paulo José</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Luiz Carlos Lacerda relembram com carinho o carimbo onipotente que Leila Diniz deixou em suas vidas. A atriz estava à frente de seu tempo, dando a cara a tapa com tabus que mal podiam ser levantados como pauta na época. Libertária, Leila precisou lutar contra duas forças que a oprimiam com fulgor: o machismo e a ditadura</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pelos colegas de ofício, Leila é descrita como uma profissional nata. Intensamente perfeccionista em seu trabalho, ela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=T4PkifEZtY8&amp;ab_channel=ORionoCinema"><span style="font-weight: 400;">dominava a cena</span></a><span style="font-weight: 400;"> lidando com grandes diretores no auge de sua adolescência, e se tornando uma garotinha apenas depois do grito de “</span><i><span style="font-weight: 400;">corta!</span></i><span style="font-weight: 400;">”. À frente de seu tempo e conhecedora de si própria, ela valorizava o corpo e o gestual, sendo uma atriz que transcendia os ensinos de qualquer academia de atuação. Leila Diniz compreendia que a atuação era uma aventura e se entregava de corpo e alma para o ato.</span></p>
<figure id="attachment_24156" aria-describedby="caption-attachment-24156" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24156" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila03.jpg" alt="Cena do documentário Já que Ninguém me Tira pra Dançar. À direita está Leila Diniz. Uma mulher branca de cabelos curtos. Ela sorrindo e sentada num banquinho. Sua mão direita está em sua cintura e sua mão esquerda está esticada em seu joelho esquerdo. Ela está usando um vestido longo de mangas longas e estampado. À esquerda está um homem usando camisa, calça e sapato social. Ele está numa câmera. O fundo é desfocado, vemos uma escada à direita e pessoas à esquerda. A imagem é em preto e branco." width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila03.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila03-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila03-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila03-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila03-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24156" class="wp-caption-text">&#8220;A liberdade sexual feminina é muito limitada, o que me entristece muito&#8221; (Foto: Nova Era Produções)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, </span><a href="https://www.casadocinemabrasileiro.com/ja-que-ninguem-me-tira-pra-dancar-na-mostra-sp/"><i><span style="font-weight: 400;">Já que Ninguém me Tira pra Dançar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não se limita em mostrar apenas uma atriz, descansando o rótulo de sua profissão, o documentário mostra a mulher por trás da persona, um ser humano que fazia Cinema e por consequência fazia Arte. Leila não se prendia ao simples ato de atuar, ela era descontraída, gostava de se envolver em tudo que acontecia nos bastidores e na pós-produção, reconhecendo a imensa importância dos trabalhadores das respectivas etapas. Advérbios de intensidade não faltam para descrever a atriz. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1lIT0XSWrJ8&amp;ab_channel=AstridFontenelle"><span style="font-weight: 400;">Leila Diniz</span></a><span style="font-weight: 400;"> era muito: muito aberta, muito sincera, muito viva.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da Leila atriz, quem ganha o maior espaço é a Leila amiga, a que aconselhava até alta madrugada e tinha o afeto como sentimento mais importante dentro de suas relações. </span><i><span style="font-weight: 400;">Já que Ninguém me Tira pra Dançar</span></i><span style="font-weight: 400;"> transforma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lsMXzz3fcx0&amp;ab_channel=MoacirSimpatia"><span style="font-weight: 400;">Leila Diniz em verdade absoluta</span></a><span style="font-weight: 400;">, colocando a artista, por merecimento próprio, na coluna dos imortais. A serenidade da voz de Ana Maria Magalhães arrebata, dando um contorno sentimental intransmutável, envolvendo o espectador num enlace íntimo e resplandecendo de carinho à memória da amiga, que permanece viva nas lembranças mais bonitas do Rio de Janeiro.</span></p>
<figure id="attachment_24157" aria-describedby="caption-attachment-24157" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24157" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila04.jpg" alt="Cena do documentário Já que Ninguém me Tira pra Dançar. Nela vemos Leila Diniz. Uma mulher branca de cabelos lisos na altura do ombro. Ela está com leve sorriso, seus olhos fixos na câmera. Sua mão direita está apoiada em sua cabeça na altura da orelha. Ela usa uma camisa. Na parte superior direita lê-se em branco VOZ NELSON PEREIRA DOS SANTOS. A imagem está em preto e branco." width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila04.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila04-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila04-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila04-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/leila04-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24157" class="wp-caption-text">Vieram os ataques orquestrados, revestidos de falso moralismo com o intuito de fragilizar-lá, testavam quão vulnerável seria uma mulher linda e livre como você (Foto: Nova Era Produções)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma mulher libertina feito Leila Diniz jamais passaria batida aos olhos sangrentos da ditadura. Entrevista pelo jornal </span><a href="http://www.abi.org.br/pasquim-50-anos-da-prisao-de-uma-redacao-de-craques/"><i><span style="font-weight: 400;">O Pasquim</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ela não poupou palavrões nas respostas, escancarando sua verdade particular sobre as pautas: relacionamento, sexo e fidelidade. Meses depois da entrevista, o </span><a href="https://catracalivre.com.br/cidadania/leila-diniz-jovem-que-contestou-o-machismo-nos-anos-60/"><span style="font-weight: 400;">Decreto 1.077</span></a><span style="font-weight: 400;">, batizado com o nome da atriz, instaurava a censura prévia à imprensa em todo o país. Eram os </span><a href="https://personaunesp.com.br/falso-brilhante-45-anos/"><span style="font-weight: 400;">Anos de Chumbo</span></a><span style="font-weight: 400;"> dando luz a uma de suas piores facetas. Leila sofreu duras penas por conta da ditadura, acumulando problemas dentro da </span><i><span style="font-weight: 400;">Globo</span></i><span style="font-weight: 400;">, que cortou a vedete de seus papéis.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Poética e apaixonada pela liberdade, Leila Diniz viveu intensamente seus </span><a href="https://acervo.oglobo.globo.com/fatos-historicos/atriz-leila-diniz-musa-da-liberacao-feminina-no-pais-morre-na-india-em-72-9200205"><span style="font-weight: 400;">27 anos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Entre todos os entrevistados a ideia é unânime: ela era a personificação do amor. Leila Diniz faz parte de qualquer contexto que seja Brasil. Sua brasilidade e sua alma insubmissa abriu os caminhos para a revolução sexual no país. Os filhos da santa devem muito a essa mulher intensa, sagrada e profana que com sua feminilidade encarou a ditadura e a estrutura patriarcal da sociedade. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Leila, você acertou no tabu. A falta que você nos faz. Seu amor, força e encantado.”</span></i></p>
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