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	<title>Arquivos Zoraide Coleto &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Zoraide Coleto &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>5 anos depois, Aquarius supera o reacionarismo e envelhece como vinho</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Sep 2021 16:05:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriela Reimberg É impossível falar de Aquarius sem mencionar o caótico frenesi que atravessava a política brasileira em seu ano de seu lançamento. A narrativa de aversão à esquerda, predominante na mídia, recebeu mal o filme quando, em maio de 2016, no Festival de Cinema mais importante da Europa, o elenco tomou a iniciativa de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/aquarius-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "5 anos depois, Aquarius supera o reacionarismo e envelhece como vinho"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22298" aria-describedby="caption-attachment-22298" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-22298" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f1.png" alt="Foto que compõe o pôster de “Aquarius”. Na imagem, temos Clara, a personagem de Sônia Braga, uma mulher de meia idade com a pele clara, o cabelo preso e usa uma blusa preta e cinza de manga comprida.. Clara está olhando para cima, com a cabeça inclinada para a esquerda. Ao fundo, entre ela, temos dois muros: um que parece ser um jardim vertical, à esquerda, e o outro, de concreto, à direita. A foto foi tirada de dia. " width="800" height="512" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f1.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f1-768x492.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-22298" class="wp-caption-text">Em seu ano de lançamento, o filme protagonizado por Sônia Braga não agradou nada os cidadãos de bem (Foto: Victor Jucá)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriela Reimberg</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É impossível falar de </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i><span style="font-weight: 400;"> sem mencionar o caótico frenesi que atravessava a política brasileira em seu ano de seu lançamento. A narrativa de aversão à esquerda, predominante na </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2016/09/02/midia-brasileira-construiu-narrativa-novelizada-do-impeachment"><span style="font-weight: 400;">mídia</span></a><span style="font-weight: 400;">, recebeu mal o filme quando, em maio de 2016, no </span><a href="https://www.festival-cannes.com/en/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;"> mais importante da Europa, o elenco tomou a iniciativa de protestar contra o </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2016/08/31/opinion/1472650538_750062.html"><i><span style="font-weight: 400;">impeachment</span></i><span style="font-weight: 400;"> ilegítimo</span></a><span style="font-weight: 400;"> que levou Michel Temer à presidência. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Assim que Aquarius estrear no Brasil, o dever das pessoas de bem é boicotá-lo”</span></i><span style="font-weight: 400;">, dizia uma </span><a href="https://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/assim-que-aquarius-estrear-no-brasil-o-dever-das-pessoas-de-bem-e-boicota-lo-que-os-esquerdistas-garantam-a-bilheteria/"><span style="font-weight: 400;">matéria</span></a><span style="font-weight: 400;"> da época. Foi no berço desse borbulhante caldeirão de reacionarismo que o segundo longa de Kleber Mendonça Filho veio ao mundo. </span></p>
<p><span id="more-22296"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da recepção hostil em casa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi, talvez, um dos filmes brasileiros da última década </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-121893/"><span style="font-weight: 400;">mais consagrados no exterior</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com temas que </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-36322435"><span style="font-weight: 400;">transpassam</span></a><span style="font-weight: 400;"> barreiras linguísticas e culturais &#8211; ora de forma pragmática -, como os abusos do capital e a desigualdade social &#8211; ora de forma subjetiva -, como a memória e os laços com o passado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i><span style="font-weight: 400;"> é sobre angústias que afligem a todos nós.</span></p>
<figure id="attachment_22299" aria-describedby="caption-attachment-22299" style="width: 1800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-22299" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f2.jpg" alt="Foto do elenco de Aquarius no Festival de Cannes. São dez pessoas, entre homens e mulheres de pele clara que, em fila indiana, sob o tapete vermelho, seguram cartazes em inglês e francês com mensagens de protesto contra o impeachment da ex presidenta Dilma Rousseff. Todos estão usando roupas formais - os homens de terno e as mulheres de vestido. A foto foi tirada de dia. " width="1800" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f2.jpg 1800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f2-1200x800.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22299" class="wp-caption-text">Elenco de Aquarius em Cannes segura cartazes em inglês e francês que dizem: “O Brasil não é mais uma democracia”, “Nós vamos resistir”, “Um golpe de estado está acontecendo no Brasil” e “O mundo não pode aceitar este governo ilegítimo” (Foto: Antonio Barros)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientada em Recife, a trama acompanha a história de Clara, representada pela fascinante </span><a href="http://artecult.com/atuacao-de-sonia-braga-e-destaque-da-revista-rolling-stones/"><span style="font-weight: 400;">Sônia Braga</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma jornalista aposentada que se recusa a sair de seu charmoso apartamento na praia de Boa Viagem, no edifício Aquarius, onde passou toda a sua juventude. Sendo a única moradora ali residente, Clara se vê pressionada pelo insistente Diego, interpretado por Humberto Carrão, representante de uma construtora que pretende tombar o prédio para empreender um condomínio de luxo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É a clássica relação de vilão-herói. O personagem ambicioso de Diego personifica o </span><a href="https://www.ufjf.br/pa8/files/2015/03/7B1_ESPECULA%C3%87%C3%83O-IMOBILI%C3%81RIA.pdf"><span style="font-weight: 400;">capital especulativo</span></a><span style="font-weight: 400;"> que, no espaço urbano, transforma tudo em concreto. Já Clara é a politizada protagonista que luta até o final para defender seus valores. Apesar do relacionamento conflituoso, entretanto, os dois pertencem à mesma classe abastada de Recife e têm muito mais em comum do que a gente imagina. Enquanto Diego não esconde sua presunção de filho herdeiro, que estudou nos Estados Unidos, Clara parece não querer pertencer a essa casta: mesmo sendo dona de cinco outros imóveis, ela insiste em morar no antigo </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i><span style="font-weight: 400;"> e levar uma vida modesta. É a contradição da elite que não se enxerga como tal. </span></p>
<figure id="attachment_22300" aria-describedby="caption-attachment-22300" style="width: 1498px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-22300" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f5.jpeg" alt="Sônia Braga em frente ao edifício Aquarius, cenário do filme que leva o mesmo nome. Ela está de braços abertos, olhando para cima, e usa uma blusa preta de mangas até o cotovelo. Novamente, ela aparece entre os dois muros - o jardim vertical e o de concreto. Atrás, podemos observar a fachada do edifício, azul celeste, com os dizeres “Edf. Aquarius” e “560”. A entrada e a porta têm formatos arredondados. " width="1498" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f5.jpeg 1498w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f5-800x534.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f5-1024x684.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f5-768x513.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f5-1200x801.jpeg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22300" class="wp-caption-text">Sônia Braga apareceu na lista das 25 melhores atuações de 2016 pela Rolling Stones (Foto: Victor Jucá)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Kleber aborda de forma sutil, quase microscópica, essas relações de classe. Em uma reunião com os irmãos, Clara revira os álbuns de fotos da família e encontra um punhado de imagens em que a ex-empregada, Juvenita, aparece ao fundo, como figurante, cuidando das crianças. Ela se lembra perfeitamente de suas habilidades na cozinha, mas não de seu nome. Esse apagamento de identidade também é simbolizado na figura da atual empregada, Ladjane (Zoraide Coleto), uma senhora de idade que mora na periferia de Recife e, ao contrário da protagonista, não teve o privilégio de desfrutar de sua aposentadoria despreocupadamente. Embora o filme pinte a relação entre Ladjane e Clara como amistosa, é possível perceber que existe uma hierarquia de </span><a href="https://www.portalintercom.org.br/anais/nordeste2016/resumos/R52-0022-1.pdf"><span style="font-weight: 400;">patrão e empregado</span></a><span style="font-weight: 400;"> muito bem delimitada entre as duas, causando um quê de desconforto ao telespectador. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É aqui que o diretor se destaca no Cinema nacional. Ao atribuir falhas tão particulares aos seus personagens, Kleber consegue denunciar as anomalias éticas da sociedade brasileira sem precisar apelar ao panfletário e ao caricato. A personagem de Sônia Braga é o puro suco dessas falhas. Ainda que ela se sobressaia por sua feminilidade e personalidade ímpares, Clara é cheia de defeitos: é chata, arrogante, inconveniente, esnobe e muito &#8211; mas muito &#8211; pedante. Mais do que isso, ela é o retrato fiel de uma </span><a href="https://michaelis.uol.com.br/busca?id=9oaPO"><span style="font-weight: 400;">pequena burguesia</span></a><span style="font-weight: 400;"> metida à besta que luta contra uma forma de opressão &#8211; a especulação imobiliária -, enquanto pratica outra &#8211; a exploração por meio do trabalho doméstico. </span></p>
<figure id="attachment_22301" aria-describedby="caption-attachment-22301" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22301" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f3.jpg" alt="Cena do filme Aquarius. Humberto Carrão, que interpreta Diego - um homem branco com barba e bigode -, está conversando, de frente, com a personagem Clara, interpretada por Sônia Braga - uma mulher de pele clara com cabelos pretos e presos. No meio deles, temos Ladjane, a empregada doméstica de Clara, uma mulher idosa de pele clara, com cabelos grisalhos e óculos. Clara e Diego estão olhando um para o outro, de perfil, enquanto Clara é a única que olha para a câmera, com uma expressão aérea. A cena foi gravada de dia e se passa no estacionamento do edifício Aquarius, com árvores circundando todos os personagens. " width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f3-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f3-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f3-768x403.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22301" class="wp-caption-text">Da esquerda para a direita: Diego, Ladjane e Clara (Foto: Cinemascópio)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto aos conflitos subjetivos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i><span style="font-weight: 400;"> também acerta em cheio. Para quem assistiu </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qlheaoLnewE&amp;ab_channel=Ingresso.com"><i><span style="font-weight: 400;">Bacurau</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019), o mais recente filme do diretor pernambucano, é notável o vínculo entre as tramas. A personagem de Sônia Braga é a amálgama da cidade de Bacurau: ambos resistem à tentativa de aniquilação de suas histórias. Além disso, o vínculo afetivo do ser humano com o espaço, seja ele urbano ou não, é uma temática presente nas duas obras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Falando em espaço, é interessante observar como Kleber brinca com a trilha sonora, logo no início do filme. Ao som de </span><a href="https://open.spotify.com/track/14XfK65ySuVy1SHo9Jwi1R?si=2dc22a7d04b74631"><span style="font-weight: 400;">Taiguara</span></a><span style="font-weight: 400;">, somos introduzidos à uma Recife em preto e branco, com um ar saudosista, ainda em processo de urbanização. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Trago em meu corpo as marcas do meu tempo</span></i><span style="font-weight: 400;">”, diz a música. É como se a cidade estivesse falando com a gente. E, de fato, a cidade é personagem em </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i><span style="font-weight: 400;">: ela representa a troca do velho pelo novo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já o apartamento de Clara é um ponto fora da curva. Entre discos de vinil, livros e álbuns de fotos, onde a saudade e a melancolia se emaranham docemente, o apartamento é um museu de memórias imateriais e materiais. Em um mundo cada vez mais permeado pela </span><a href="http://www.estrategiaemfoco.com.br/a-era-do-efemero-ou-da-modernidade-liquida/"><span style="font-weight: 400;">cultura do efêmero</span></a><span style="font-weight: 400;">, onde o consumo excessivo e a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dxbD0pUzjP0"><span style="font-weight: 400;">obsolescência programada</span></a><span style="font-weight: 400;"> reinam, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i><span style="font-weight: 400;"> busca mostrar que o espaço, e os objetos, têm um valor sentimental uno &#8211; quase sacro. </span></p>
<figure id="attachment_22302" aria-describedby="caption-attachment-22302" style="width: 1120px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22302" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f4.jpg" alt="Cena do filme Aquarius. Clara, personagem de Sônia Braga, está sentada com as pernas cruzadas no sofá de sua sala, escrevendo em um caderno que apoia sob o colo. Dessa vez, Clara está com os cabelos soltos e usa um vestido verde. Atrás dela, temos uma estante de livros e uma mesa de canto, com um abajur ligado. Existem outros objetos ao fundo, mas estão desfocados. A cena provavelmente foi gravada à noite. A única luz que existe é a que vem do abajur, dando um ar aconchegante à sala. " width="1120" height="685" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f4.jpg 1120w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f4-800x489.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f4-1024x626.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f4-768x470.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22302" class="wp-caption-text">“Quando você gosta, é vintage. Quando você não gosta, é velho”  (Foto: Cinemascópio)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, calma! Embora o longa aborde temas tão universais e inerentes ao ser humano, não é todo mundo que consegue digeri-lo bem. As duas horas e meia de duração, com uma fotografia pouco dinâmica, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2TIX2Ycc_Vc"><span style="font-weight: 400;">diálogos arrastados</span></a><span style="font-weight: 400;"> e cenas de silêncio absoluto, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i><span style="font-weight: 400;">, para algumas pessoas, pode acabar virando aquele filme que a gente deixa rolando em segundo plano enquanto tira uma sonequinha no sofá. É preciso ter sensibilidade e capacidade de mergulhar nas emoções e nas sensações que a obra provoca. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim, a única conclusão certeira é que temos aqui uma saborosa história de superação. Cinco anos depois, é possível assistir ao filme e tirar as mesmas lições que qualquer outra pessoa em 2016 poderia ter feito: a especulação imobiliária é predatória, os </span><a href="https://screenanarchy.com/2016/10/new-york-2016-review-aquarius-explores-indescreet-charm-of-brazilian-bourgeoisie.html"><span style="font-weight: 400;">ricos são hipócritas</span></a><span style="font-weight: 400;">, as rugas são virtudes e a cidade é um espaço de trocas fraternas. Agora, mais importante que isso, é saber que, mesmo depois de tanta demagogia e reacionarismo, para o desgosto do cidadão de bem, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i><span style="font-weight: 400;"> conseguiu se consolidar como um clássico contemporâneo do Cinema brasileiro. Não é que o tempo realmente cura tudo? </span></p>
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