<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Yukio Mishima &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/yukio-mishima/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/yukio-mishima/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 08 Jul 2022 17:06:35 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Yukio Mishima &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/yukio-mishima/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>A face por trás de Confissões de uma máscara</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/confissoes-de-uma-mascara-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/confissoes-de-uma-mascara-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Jul 2022 17:06:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[1949]]></category>
		<category><![CDATA[2022]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Autoaceitação]]></category>
		<category><![CDATA[Confissões de uma máscara]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica literária]]></category>
		<category><![CDATA[Japão]]></category>
		<category><![CDATA[Japão Imperial]]></category>
		<category><![CDATA[Jaqueline Nabeta]]></category>
		<category><![CDATA[Kimitake]]></category>
		<category><![CDATA[Koo-chan]]></category>
		<category><![CDATA[LGBTQIA]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura japonesa]]></category>
		<category><![CDATA[Livro]]></category>
		<category><![CDATA[Masculinidade]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Yoshimatu]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Segunda Guerra]]></category>
		<category><![CDATA[Seppuku]]></category>
		<category><![CDATA[Yukio Mishima]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=28124</guid>

					<description><![CDATA[<p>Pedro Yoshimatu “Pressenti então que neste mundo há um tipo de desejo semelhante à dor pungente. ‘Quero me transformar nele’ foi a vontade que me sufocou ao olhar para aquele rapaz todo sujo: ‘Quero ser ele’”. Publicado no Japão em 1949 pelo aclamado autor Yukio Mishima, Confissões de uma máscara é um interessante retrato de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/confissoes-de-uma-mascara-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A face por trás de Confissões de uma máscara"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/confissoes-de-uma-mascara-critica/">A face por trás de Confissões de uma máscara</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28125" aria-describedby="caption-attachment-28125" style="width: 666px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-28125 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem1-666x1024.jpg" alt="Capa do livro Confissões de uma máscara, do autor Yukio Mishima, retratando um leque sobre um fundo azul com o título e o nome do autor ao centro" width="666" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem1-666x1024.jpg 666w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem1-521x800.jpg 521w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem1-768x1180.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem1-1000x1536.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem1-1333x2048.jpg 1333w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem1-1200x1844.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem1.jpg 1666w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28125" class="wp-caption-text">De maneira bastante intimista, Confissões de uma máscara explora temas de autoconhecimento e rejeição (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Pedro Yoshimatu</b></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Pressenti então que neste mundo há um tipo de desejo semelhante à dor pungente. ‘Quero me transformar nele’ foi a vontade que me sufocou ao olhar para aquele rapaz todo sujo: ‘Quero </span><span style="font-weight: 400;">ser </span><span style="font-weight: 400;">ele’”.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado no Japão em 1949 pelo aclamado autor Yukio Mishima, </span><a href="https://www.amazon.com.br/Confiss%C3%B5es-uma-m%C3%A1scara-Yukio-Mishima/dp/8535904794"><i><span style="font-weight: 400;">Confissões de uma máscara</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um interessante retrato de muitas crises. A crise de seu protagonista, certamente &#8211; Koo-chan é um jovem em processo de descoberta da sua própria homossexualidade, em constante conflito com suas crenças pessoais sobre honra, valor próprio e masculinidade -, como também a crise de seu contexto histórico, marcado pela ideologia militarista do Japão Imperial e uma herança cultural em processo de transição e ressignificação. Mas é, principalmente, um livro sobre as crises de seu próprio autor, marcado pelo tom quase biográfico, uma sincera proximidade com o leitor na prosa e uma percepção bastante honesta sobre os dilemas enfrentados por um jovem LGBTQIA+ num período de grande repressão social.</span></p>
<p><span id="more-28124"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro segue a história de vida de seu protagonista, desde as particularidades de seu nascimento, passando pelas primeiras memórias de infância e experiências com a puberdade, até sua idade adulta. Nela, o personagem principal se vê em meio a um cenário politicamente tenso e socialmente conturbado, com o horror da guerra pairando sobre todos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa decisão narrativa dá à trama uma cadência natural, espelhando-se, muitas vezes, em episódios da própria </span><a href="https://www.fnac.pt/Yukio-Mishima/ia99849/biografia"><span style="font-weight: 400;">vida pessoal do autor</span></a><span style="font-weight: 400;">; Koo-chan, o protagonista, tem seu nome inspirado no diminutivo de “Kimitake”, o nome de nascimento por trás do pseudônimo Yukio Mishima. Os temas de descoberta de si mesmo enquanto LGBTQIA+ perpassam esses cenários mais históricos, mas também possuem profundidade no percurso humano do próprio protagonista.</span></p>
<figure id="attachment_28126" aria-describedby="caption-attachment-28126" style="width: 632px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-28126 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-632x1024.jpg" alt="Yukio Mishima segurando um microfone enquanto discursa em um palanque, em frente a um quadro negro, com uma expressão austera" width="632" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-632x1024.jpg 632w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-494x800.jpg 494w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-768x1244.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-948x1536.jpg 948w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2.jpg 1000w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28126" class="wp-caption-text">Mishima teve muito participação enquanto figura pública na política japonesa, muitas vezes de maneira controversa (Foto: Shinchosha/Japan Forward)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É interessante pensar em como a </span><a href="https://revistas2.uepg.br/index.php/uniletras/article/view/5260"><span style="font-weight: 400;">temática e o estilo narrativo de Mishima</span></a><span style="font-weight: 400;"> se articulam. Uma questão levantada desde o início do livro é o físico do protagonista, considerado longe do modelo tido como adequado ao seu redor. Num contexto em que a masculinidade é vista como algo austero, rígido e militarizado, Koo-chan encontra grandes dificuldades em se perceber como reflexo desse ideal inalcançável. Em contrapartida, Koo-chan venera as imagens pertencentes ao tipo de masculinidade que lhe é imposto; suas primeiras experiências de atração sexual são de contemplação quase platônica de homens com corpos esbeltos e que demonstram se encaixar nesse rígido modelo de beleza e autoaceitação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um paradoxo instigante é proposto durante a sua infância: Koo-chan idealiza e se sente atraído pela imagem de um cavaleiro ocidental, vestido em uma resplandecente armadura e demonstrando, com grande ênfase, todos os </span><a href="https://www.scielo.br/j/pcp/a/7ftQZzgJTGcvJmzWDv7gD5d/?lang=pt"><span style="font-weight: 400;">valores masculinos</span></a><span style="font-weight: 400;"> repassados pela sociedade em seu entorno. Tal atração é posta em cheque quando uma de suas babás revela que o cavaleiro é, na verdade, Joana d’Arc, e a ideia de que uma mulher poderia utilizar vestes consideradas masculinas e desempenhar valores idealizados enoja e confunde o protagonista.</span></p>
<figure id="attachment_28127" aria-describedby="caption-attachment-28127" style="width: 720px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-28127 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem3.jpg" alt="O autor Yukio Mishima sorri sem camisa sentado em um balcão, enquanto veste uma calça branca e revela o seu porte físico" width="720" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem3.jpg 720w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem3-640x800.jpg 640w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28127" class="wp-caption-text">O autor trabalhou, em seus textos e em sua vida pessoal, a questão do físico e o esforço para se adequar a um padrão (Foto: Getty Images)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1970, Yukio Mishima cometeu suicídio, após uma tentativa de golpe no governo estabelecido depois da Segunda Guerra Mundial. O método escolhido é reflexo de seu percurso em vida: o autor optou por cometer </span><a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/como-era-um-ritual-de-seppuku-em-que-o-samurai-se-matava/"><i><span style="font-weight: 400;">seppuku</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o ritual tradicional de suicídio do código de honra dos samurais. Mishima foi um grande crítico de uma ocidentalização do Japão, e um fervente crítico de ideologias estrangeiras se expandindo em seu país natal. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, seu contexto social é o da intensa ressignificação da identidade nacional, e nesse sentido o autor se apega a elementos fundacionais da cultura japonesa como âncoras culturais (sobretudo a tradição xintoísta, a sacralização do Imperador enquanto figura política e a valorização de ideias militares tradicionais). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com tradução de Jaqueline Nabeta, </span><i><span style="font-weight: 400;">Confissões de uma máscara</span></i><span style="font-weight: 400;"> permite ao leitor interessado observar mais de perto os detalhes de uma mente literária imersa em muitos conflitos, assim como seus dispositivos para administrar as crises internas e externas. Mais do que uma leitura recomendada para todos os interessados em </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/lgbtqia/"><span style="font-weight: 400;">questões LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;">, o livro debate sobre os conflitos inerentes a processos de transição, e aponta com maestria para a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/literatura-japonesa/"><span style="font-weight: 400;">Literatura japonesa</span></a><span style="font-weight: 400;"> do século XX.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/confissoes-de-uma-mascara-critica/">A face por trás de Confissões de uma máscara</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/confissoes-de-uma-mascara-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">28124</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
