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	<title>Arquivos Voguing &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Do começo ao fim, há vida: a cultura Ballroom do nascimento ao presente</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Dec 2023 20:04:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aryadne Xavier “Você pensou que eu deitaria e morreria?/Oh não, eu não. Eu vou sobreviver/Enquanto eu souber como amar/Eu sei que permanecerei viva/Eu tenho minha vida toda para viver/Eu tenho meu amor todo para dar e/Eu vou sobreviver, eu vou sobreviver”  &#8211; I Will Survive (Gloria Gaynor) O ser humano pode não nascer programado para &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cultura-ballroom-artigo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Do começo ao fim, há vida: a cultura Ballroom do nascimento ao presente"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32073" aria-describedby="caption-attachment-32073" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-32073" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3.jpg" alt="A capa é uma colagem de várias fotos de Mothers, figuras lendárias e muito respeitadas na cena da Ballroom por serem fundadoras de casas que acolhiam outras pessoas. A esquerda, Crystal LaBeija, uma pessoa negra, em um vestido vermelho com acessórios combinando e cabelo castanho volumoso e bem arrumado. Ao lado, em um recorte em preto e branco, está Angie Xtravaganza, com um elegante vestido, desfilando em uma das passarelas da Ballroom. Ao centro acima, uma parte da capa do documentário “Paris is Burning”. Logo abaixo, uma foto de Pepper LaBeija, uma pessoa também negra, em uma ball, com roupas douradas brilhantes e muita elegância. No topo direito está Paris Dupree, uma pessoa branca de cabelos loiros e olhos claros, usando uma boina e roupas pretas brilhantes que, na foto, está em uma pose de Voguing. Abaixo, Willi Ninja, um homem negro e um dos maiores nomes do Voguing de todos os tempos, considerado por muitos como o fundador do estilo amplamente conhecido, que na foto está parado em uma pose até meio contorcionsita, usando um boné azul e uma camisa parcialmente aberta." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-768x404.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32073" class="wp-caption-text">Sendo um símbolo de resistência, falar sobre e dar os devidos créditos a Ballroom por suas contribuições é mais do que um resgate histórico: é um ato político (Arte: Aryadne Xavier)</figcaption></figure>
<p><b>Aryadne Xavier</b></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Você pensou que eu deitaria e morreria?/Oh não, eu não. Eu vou sobreviver/Enquanto eu souber como amar/Eu sei que permanecerei viva/Eu tenho minha vida toda para viver/Eu tenho meu amor todo para dar e/Eu vou sobreviver, eu vou sobreviver” </span></p>
<p>&#8211; I Will Survive (<em>Gloria Gaynor)</em></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O ser humano pode não nascer programado para certos comportamentos, mas os aprende tão cedo que pode sentir, em seu íntimo, que as coisas apenas são dessa maneira. O desejo de pertencer, resquício fundamental do desenvolvimento em grupos, é tão latente que se transforma em uma vontade dupla de ser aquilo que é aceitável ou ao menos parecer ser. Lançada ao mundo pela primeira vez há 130 anos, a </span><a href="https://www.vogue.pt/vogue-historia-primeiras-vezes"><span style="font-weight: 400;">revista </span><i><span style="font-weight: 400;">Vogue</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">imprime o que seu próprio nome diz. Registrando e, talvez, ajudando a ditar o que está em alta, a publicação estadunidense foi, por incontáveis vezes, inacessível a uma parcela da população, que podia apenas se projetar nela, como um sonho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal projeção se via em uma sombra, refletindo aquilo que brilhava, mas o objetivo nunca foi copiar fielmente. Ao imitar as poses das modelos da </span><i><span style="font-weight: 400;">Vogue </span></i><span style="font-weight: 400;">em uma espécie de duelo, o grupo que participava das </span><i><span style="font-weight: 400;">balls </span></i><span style="font-weight: 400;">se apropriou daqueles movimentos, criando algo único. O </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XJ6fqQX_e9U"><i><span style="font-weight: 400;">Voguing</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">se tornou algo muito além da revista, mesmo que seus nomes ainda possam ser assimilados. Esse ato de reconstruir, verbo que sempre fez parte dessa cultura, foi o que reinventou e revolucionou o que é ser uma pessoa da comunidade LGBTQIA+ em sua época de fundação, trazendo identidade, força e conexão até o presente.</span></p>
<p><span id="more-32057"></span></p>
<div style="width: 840px;" class="wp-video"><video class="wp-video-shortcode" id="video-32057-1" width="840" height="441" preload="metadata" controls="controls"><source type="video/mp4" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMG2_voguing.mp4?_=1" /><a href="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMG2_voguing.mp4">http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMG2_voguing.mp4</a></video></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A origem histórica desses encontros se inicia no Harlem, bairro da cidade de Nova Iorque que concentra uma população predominantemente afro-americana. Ainda que a primeira manifestação de algo parecido com um concurso de beleza para pessoas </span><i><span style="font-weight: 400;">drags</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos EUA seja de 1849, no Masquerade Ball, alguns dos registros mais antigos do que realmente pode ser considerado Ballroom datam das décadas de 1920 e 1930, no então </span><a href="https://www.harlemworldmagazine.com/the-legendary-hamilton-lodge-ball-home-at-the-rockland-palace-dance-hall-in-harlem/"><span style="font-weight: 400;">Hamilton Lodge Ball</span></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">que viria a ser palco de diversas </span><i><span style="font-weight: 400;">balls</span></i><span style="font-weight: 400;"> (nome dado aos bailes). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A melhor maneira de sintetizar o que seriam esses encontros é descrita por </span><a href="https://www.nytimes.com/2003/05/26/arts/pepper-labeija-queen-of-harlem-drag-balls-is-dead-at-53.html"><span style="font-weight: 400;">Pepper LaBeija</span></a><span style="font-weight: 400;"> no documentário </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mBVBipOl76Q"><i><span style="font-weight: 400;">Paris is Burning</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1990), ao dizer que esses bailes eram como uma fantasia de ser famoso. Fruto de uma população marginalizada e excluída de um progresso disponível apenas para a população que se parecia e estrelava os anúncios que pregavam o ‘</span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2018/01/hollywood-paulo-cunha.html"><span style="font-weight: 400;">modelo de vida americano</span></a><span style="font-weight: 400;">’, as manifestações se tornaram um centro de encontro para negros e latinos que migraram para a terra do Tio Sam e toda a população LGBTQIA+ da região. </span></p>
<p><a href="https://blurredbylines.com/articles/crystal-labeija-drag-queen-house-ballrooom-culture/"><span style="font-weight: 400;">Crystal LaBeija</span></a><span style="font-weight: 400;"> pode ser destacada como a pioneira na formação dessas casas ao fundar a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pKGKcsdkgto"><span style="font-weight: 400;">House of LaBeija</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 1968 com Lottie LaBeija, primeira </span><i><span style="font-weight: 400;">house </span></i><span style="font-weight: 400;">da Ballroom que propôs </span><i><span style="font-weight: 400;">balls</span></i><span style="font-weight: 400;"> que contrariavam o silenciamento de corpos que não se encaixavam no padrão de beleza europeu, principalmente </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RYCQEl8TPeM"><span style="font-weight: 400;">corpos negros</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em 1972, aconteceu o primeiro baile anual da casa criado para acolher pessoas diferentes. Essa abertura a diferentes categorias e a possibilidade de enquadrar todas as pessoas em um ambiente seguro para serem quem são transformou a o movimento em um símbolo político, de ocupação de espaços que pertencem a cada pessoa e celebração da diversidade de gênero, sexualidade e raça.</span></p>
<figure id="attachment_32071" aria-describedby="caption-attachment-32071" style="width: 520px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-32071" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-1.png" alt="A imagem mostra uma fotografia da época do Harlem, um prédio grande de amplas janelas e portas, que foi o local a abrigar as primeiras manifestações da Ballroom. O Harlem é um bairro historicamente habitado por descendentes de negros e pessoas de baixa condição financeira, por isso, é um símbolo que demonstra a resistência do movimento." width="520" height="446" /><figcaption id="caption-attachment-32071" class="wp-caption-text">Ao entrar pelas portas do prédio, diversas pessoas eram finalmente livres para ser quem quisessem, sem precisar lidar com os questionamentos da sociedade (Foto: QueerMusicHeritage)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na construção dessa cultura, alguns termos foram empregados para definir lugares, ações e pessoas. As </span><i><span style="font-weight: 400;">houses</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, são casas que abrigam os </span><i><span style="font-weight: 400;">Ball-goers</span></i><span style="font-weight: 400;"> (pessoas que frequentam os bailes), criando um senso de pertencimento e acolhimento. Cada casa leva um nome, geralmente o de sua fundadora, e todos os membros o recebem como um sobrenome. Dentre as </span><a href="https://artsandculture.google.com/story/three-generations-of-house-mothers-proudly-black-and-trans/kQXxuMcMGbMNug"><i><span style="font-weight: 400;">houses</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">mais conhecidas, é possível citar House of Dupree</span> <span style="font-weight: 400;">(Paris Dupree), House of LaBeija</span> <span style="font-weight: 400;">(Crystal LaBeija), House of Ninja</span> <span style="font-weight: 400;">(Willi Ninja), House of Pendavis</span> <span style="font-weight: 400;">(Avis Pendavis), House of Xtravaganza</span> <span style="font-weight: 400;">(Angie Xtravaganza)</span> <span style="font-weight: 400;">e House of Corey</span> <span style="font-weight: 400;">(</span><a href="https://www.logotv.com/news/h027gw/who-is-dorian-corey-pose"><span style="font-weight: 400;">Dorian Corey</span></a><span style="font-weight: 400;">). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As casas ainda são lideradas por uma figura maior, a mãe (</span><i><span style="font-weight: 400;">Mother</span></i><span style="font-weight: 400;">) ou, algumas vezes, o pai </span><i><span style="font-weight: 400;">(Father</span></i><span style="font-weight: 400;">). As primeiras são chamadas assim por serem as </span><a href="https://artsandculture.google.com/story/4wWBwyCs0bhg0w"><span style="font-weight: 400;">matriarcas de cada </span><i><span style="font-weight: 400;">house</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o porto seguro de muitas crianças (</span><i><span style="font-weight: 400;">Children</span></i><span style="font-weight: 400;">) que não encontraram apoio em suas famílias biológicas. Mais do que figuras experientes, as </span><i><span style="font-weight: 400;">Mothers</span></i><span style="font-weight: 400;"> eram as vencedoras dos icônicos bailes que aconteceram no Harlem em décadas anteriores (1920, 1930 e 1940). Chamadas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Legendary</span></i><span style="font-weight: 400;">, elas foram essenciais para a construção e estabelecimento dessas comunidades, além do suporte constante que existia entre a mãe da casa e suas crianças na época. </span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hcjWmYFWz3Y&amp;pp=ygUPdm9ndWUgYmFsbCAxOTkw"><i><span style="font-weight: 400;">Ball</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é a maneira mais informal de nomear os bailes em si: eventos de longa duração em que cada participante performa em sua categoria. Até mesmo por isso se explica o nome Ballroom, que determina os lugares onde acontecem esses encontros. Cada evento conta também com seus prêmios, sendo dado a quem vence o</span><i><span style="font-weight: 400;"> Grand Prize</span></i><span style="font-weight: 400;">, troféu que traz muito prestígio ao vencedor(a/e) e a sua </span><i><span style="font-weight: 400;">house</span></i><span style="font-weight: 400;">. A honraria trazia um grande reconhecimento dentro da comunidade: a maioria das </span><i><span style="font-weight: 400;">Mothers </span></i><span style="font-weight: 400;">foram vencedoras de </span><i><span style="font-weight: 400;">Grand Prizes </span></i><span style="font-weight: 400;">e, quanto mais prêmios, maior a fama e o sucesso daquela casa. </span></p>
<figure id="attachment_32075" aria-describedby="caption-attachment-32075" style="width: 720px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-32075" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-2.png" alt="A imagem em P&amp;B demonstra a House of Xtravaganza, uma das Houses mais populares da Ballroom. Todos os seus membros, que vestem orgulhosamente um pano branco que estampa o X da família, estão ao redor de um Grand Prize, prêmio de maior honra na competição que acontecia nos bailes. " width="720" height="480" /><figcaption id="caption-attachment-32075" class="wp-caption-text">As casas mais populares sempre eram as maiores vencedoras dos prêmios; como uma disputa de gangues, mas os ataques são passos de dança (Foto: Derek Ridgers)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando falamos da influência da Ballroom na cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, um grande exemplo é a música </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GuJQSAiODqI"><i><span style="font-weight: 400;">Vogue</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um dos maiores sucessos da carreira de Madonna, que apresentou uma parcela dessa cultura ao mundo no início dos anos 1990. A canção conta com a participação ativa de </span><a href="http://youtube.com/watch?v=ib-RfmDhrBY"><span style="font-weight: 400;">José Xtravaganza</span></a><span style="font-weight: 400;">. Importante relembrar que a artista não é e nunca foi a fundadora do estilo de dança conhecido como </span><i><span style="font-weight: 400;">vogue</span></i><span style="font-weight: 400;">, mesmo tendo figurado o clipe e as apresentações da música, além de ter sido o rosto representativo dessa manifestação em um imaginário popular por muito tempo. A influência também pode ser notada na produção de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cNbFc-fa-ww"><span style="font-weight: 400;">FKA TWIGS</span></a><span style="font-weight: 400;">, cantora e performer que já esteve presente em alguns </span><i><span style="font-weight: 400;">balls</span></i><span style="font-weight: 400;">, como o </span><i><span style="font-weight: 400;">The Mugler Ball </span></i><span style="font-weight: 400;">(2014).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos exemplos mais recentes e de maior explosão no cenário musical global é o álbum </span><a href="https://personaunesp.com.br/renaissance-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Renaissance</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O projeto, protagonizado por Beyoncé, mas que carrega uma extensa lista de artistas envolvidos, veio como um resgate à cultura queer, apresentando o que há de mais potente na união dos ritmos. Na Sétima Arte, </span><a href="https://personaunesp.com.br/pose-3a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Pose</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">da </span><i><span style="font-weight: 400;">FX</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/legendary-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Legendary</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;"> são destaques, retratando o funcionamento das </span><i><span style="font-weight: 400;">balls</span></i><span style="font-weight: 400;"> e as pessoas que participavam e ainda participam desses encontros. Mesmo falando muito no passado, por citar e tratar pontos históricos, é válido reforçar que a cultura Ballroom segue viva e resistente. </span></p>
<div style="width: 840px;" class="wp-video"><video class="wp-video-shortcode" id="video-32057-2" width="840" height="441" preload="metadata" controls="controls"><source type="video/mp4" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMG5_voguing.mp4?_=2" /><a href="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMG5_voguing.mp4">http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/IMG5_voguing.mp4</a></video></div>
<p><span style="font-weight: 400;">No contexto de um </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/lgbtfobia-brasil-e-o-pais-que-mais-mata-quem-apenas-quer-ter-o-direito-de-ser-quem-e/#:~:text=De%20acordo%20com%20o%20Dossi%C3%AA,por%20esse%20tipo%20de%20discrimina%C3%A7%C3%A3o."><span style="font-weight: 400;">país que mais mata pessoas LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;"> no mundo, é irônico sugerir que a comunidade tenha benefícios, imponha ditaduras ou algum tipo de glamourização em ser uma pessoa não heterossexual no Brasil. A fala da personagem Alícia, da novela </span><i><span style="font-weight: 400;">A Favorita</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2009), na qual afirma que “</span><a href="https://twitter.com/acervonovelas/status/1477456742170648591"><i><span style="font-weight: 400;">o chique é ser gay</span></i></a><span style="font-weight: 400;">” pode ter virado um meme nas redes sociais recentemente, mas, nas entrelinhas, sabe-se que o riso vem como forma de tirar do centro o poder de quem se sente no direito de controlar a vida, os jeitos e os sentimentos do outro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse cenário de luta diária, a cultura Ballroom também chegou aqui como um símbolo do movimento queer</span> <span style="font-weight: 400;">relacionado a pessoas não brancas. A primeira </span><i><span style="font-weight: 400;">house </span></i><span style="font-weight: 400;">brasileira é a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=omO1QGSb8sU"><span style="font-weight: 400;">House of Hands Up</span></a><span style="font-weight: 400;">, fundada em 2015 por Eduarda Kona Zion em Brasília. Essa cultura de espaços acolhedores</span> <span style="font-weight: 400;">se fortalece até os dias atuais no país por ser um lugar com uma função social: acolher e permitir a existência de quem foi marginalizado pela sociedade por ser diferente do que é considerado a ‘norma’.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lembrar e exaltar a cultura Ballroom</span> <span style="font-weight: 400;">é uma forma de colocar sob os holofotes pessoas negras, latinas e LGBTQIA+ e dar uma nova visão à sociedade, na qual essas vidas não estão atreladas ao sofrimento. Referenciando </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xFW6JoNynCA"><span style="font-weight: 400;">a fala da Deputada Federal Érika Hilton</span></a><span style="font-weight: 400;">, “</span><i><span style="font-weight: 400;">Aonde estão as pessoas trans além da prostituição? Aonde estão as pessoas trans além das manchetes policiais?</span></i><span style="font-weight: 400;">”, estão nas </span><i><span style="font-weight: 400;">balls</span></i><span style="font-weight: 400;">, nas </span><i><span style="font-weight: 400;">houses</span></i><span style="font-weight: 400;">, expressando sua vida pela Arte da Dança e da Música. E estão muito além do que a sociedade os enxerga: estão ressignificando e criando. A Ballroom pode ser descrita como uma forma coletiva de sobrevivência, mesmo quando tudo de si é tirado. É sobre se encontrar em um lugar, se reconhecer e tornar sua vida fabulosa nas suas possibilidades de ser.  </span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Ballroom no século vinte e um" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/0pnLLEqdYlMsKhJg2Cv5HW?si=c31e1a6bfbeb4b6b&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>A celebração do passado e do presente de Beyoncé em Renaissance</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Apr 2023 18:40:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aryadne Xavier Que Beyoncé se consolidou como uma das mais importantes figuras do cenário pop nas últimas duas décadas, todo mundo já sabe. Citar o nome da cantora é a porta de entrada para conversas sobre singles que marcaram épocas e provaram como a Música pode ir além de qualquer fronteira física, se espalhando pelo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/renaissance-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A celebração do passado e do presente de Beyoncé em Renaissance"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30688" aria-describedby="caption-attachment-30688" style="width: 1839px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30688" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-01.jpg" alt="Na imagem, vemos Beyoncé, uma mulher negra, adulta, ao centro, vestindo uma roupa prateada com brilhantes, um chapéu branco e sapatos de salto. Ela está com a postura ereta e observa a câmera que a fotografa. Seu rosto possui uma maquiagem na qual o destaque está para seus lábios, com um batom escuro. Ela está sentada sobre um cavalo prateado que reluz e, ao fundo, tem um grande quadro." width="1839" height="1463" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-01.jpg 1839w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-01-800x636.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-01-1024x815.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-01-768x611.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-01-1536x1222.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-01-1200x955.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30688" class="wp-caption-text">Em seu sétimo álbum, Beyoncé confirma a superstição popular: sete é realmente o número da perfeição (Foto: Carlijn Jacobs)</figcaption></figure>
<p><b>Aryadne Xavier</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Que Beyoncé se consolidou como uma das mais importantes figuras do cenário </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> nas últimas duas décadas, todo mundo já sabe. Citar o nome da cantora é a porta de entrada para conversas sobre </span><a href="https://gizmodo.uol.com.br/as-10-melhores-musicas-de-beyonce-segundo-a-rolling-stone/"><i><span style="font-weight: 400;">singles</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">que marcaram épocas e provaram como a Música pode ir além de qualquer fronteira física, se espalhando pelo globo. Seu trabalho artístico, que começou com o grupo </span><a href="https://frequenciamodulada.blogosfera.uol.com.br/2018/10/02/retrato-destinys-child-20-anos-depois/"><span style="font-weight: 400;">Destiny’s Child</span></a><span style="font-weight: 400;"> e progrediu para uma carreira solo no início dos anos 2000, evoluiu a cada novo lançamento, criando a expectativa da mídia e dos fãs ao redor de todo novo passo da vocalista. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Renaissance</span></i><span style="font-weight: 400;">, Beyoncé alcança o seu próprio renascimento, provando como uma artista que vivenciou todas as mudanças da indústria fonográfica nos últimos 30 anos consegue se manter </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-discos-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">relevante</span></a><span style="font-weight: 400;">, atual e soar ainda mais potente em suas criações.</span></p>
<p><span id="more-30687"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Beyoncé Giselle Knowles-Carter, amplamente conhecida apenas pelo seu primeiro nome, já era vencedora do </span><a href="https://www.grammy.com/artists/destinys-child/13008"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">quando lançou seu primeiro disco solo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Dangerously in Love</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2003), e, dentro dele, uma de suas faixas mais memoráveis: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ViwtNLUqkMY&amp;list=OLAK5uy_m_LNFtvBtGHB5lSFMXGoacbZ2Bl20tUWg"><i><span style="font-weight: 400;">Crazy in Love</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A canção, feita em parceria com seu esposo, o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> Jay-Z, ficou oito semanas no topo das paradas norte-americanas e rendeu outros dois gramofones à cantora. Porém, seus feitos na indústria musical são muitos e ultrapassam o topo dos </span><a href="https://uproxx.com/music/beyonce-billboard-hot-100-no-1-hits/"><i><span style="font-weight: 400;">charts</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> com a versatilidade de suas canções que vão do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;">, a inovação em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4m1EFMoRFvY"><span style="font-weight: 400;">clipes</span></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WDZJPJV__bQ"><span style="font-weight: 400;">posicionamento político</span></a><span style="font-weight: 400;">, a propagação de toda uma cultura e a revolução na forma de lançar e consumir Música que se iniciou com o lançamento de sua </span><a href="https://medium.com/converg%C3%AAncia-digital/os-impactos-do-%C3%A1lbum-beyonc%C3%A9-na-ind%C3%BAstria-fonogr%C3%A1fica-e-sua-influ%C3%AAncia-para-m%C3%BAsica-na-era-digital-ad6e27a87fc"><span style="font-weight: 400;">obra homônima</span></a><span style="font-weight: 400;">. Seis anos depois de seu último álbum, </span><i><span style="font-weight: 400;">Lemonade</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela retorna com um projeto novo, “</span><a href="https://www.papelpop.com/2022/07/beyonce-confirma-renaissance-como-trilogia-e-diz-foi-uma-jornada-linda-de-exploracao/"><i><span style="font-weight: 400;">uma jornada linda de exploração</span></i></a><span style="font-weight: 400;">” visual, lírica e sonora. </span></p>
<figure id="attachment_30689" aria-describedby="caption-attachment-30689" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30689" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-02.jpg" alt="Nessa imagem, temos Beyoncé sentada no chão, com as pernas esticadas (lateralmente) e o seu braço apoiando o torço. Ela veste um body preto, com um decote e mangas longas, cobertas por um tipo de &quot;pelinho&quot;. Em sua cabeça há um chapéu preto cujas abas se encontram acima do topo da cabeça, em seus pés estão sapatos de salto preto. Ela usa uma maquiagem que tem tons de rosa, roxo e verde, inspirada na cantora Donna Summer." width="1400" height="787" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-02.jpg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-02-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-02-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-02-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-02-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30689" class="wp-caption-text">Um compositor é pouco, dois é bom, 24 é melhor ainda: ALIEN SUPERSTAR demonstrou que não se faz história sozinho (Foto: Carlijn Jacobs)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Lavando-se de seus pecados e transicionando sem medo pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">soul</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">I’M THAT GIRL</span></i><span style="font-weight: 400;"> ostenta que não são os diamantes, nem as pérolas, nem o nome de seu esposo, Queen Bey é a melhor no que faz e quer transpor esse orgulho para quem a escuta. Nesse momento de abertura do disco, é interessante notar como a estruturação da obra passa por tríades, a combinação perfeita para contar, em partes, uma narrativa. O primeiro agrupamento ainda conta com uma linha de baixo marcante e agitada em </span><i><span style="font-weight: 400;">COZY</span></i><span style="font-weight: 400;">, sendo um manifesto de como ela se sente confortável em sua própria pele. Ao interpolar trechos do vídeo de Ts Madison, “</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=l6gJ6Uxi6es"><i><span style="font-weight: 400;">B**ch I’m Black</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, Beyoncé reivindica e afirma sua identidade como uma mulher negra, discurso que permeia a obra como um todo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E </span><i><span style="font-weight: 400;">Renaissance </span></i><span style="font-weight: 400;">se mostra muito maior do que qualquer expectativa com </span><i><span style="font-weight: 400;">ALIEN SUPERSTAR</span></i><span style="font-weight: 400;">: uma experiência auditiva que guia o ouvinte por diferentes atmosferas em um espaço temporal curto, mas libertador. A canção que se inicia com trechos de “</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rb4-oOKIZQ8"><i><span style="font-weight: 400;">Moonraker</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, sucesso nas noites de 1998 de Nova Iorque, utiliza com originalidade o conceito de “</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PKsHcX27Vio"><i><span style="font-weight: 400;">Unique</span></i></a><span style="font-weight: 400;">” ao afirmar que ela é a número um e deságua em um refrão que interpola “</span><a href="http://youtube.com/watch?v=P5mtclwloEQ"><i><span style="font-weight: 400;">I’m too sexy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, de Right Said Fred, resgatando seu conteúdo para a negritude e caráter </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">da </span><i><span style="font-weight: 400;">dance music</span></i><span style="font-weight: 400;">. A presença do </span><a href="https://www.vogue.pt/voguing-historia-danca#:~:text=O%20voguing%20era%20uma%20forma,maquilhar%20ou%20arranjar%20o%20cabelo."><i><span style="font-weight: 400;">voguing</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é quase palpável a cada batida marcada. </span></p>
<figure id="attachment_30690" aria-describedby="caption-attachment-30690" style="width: 1846px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30690" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-03.jpg" alt="Na imagem Beyoncé está em foco central. Ela está com o cabelo preso, as mãos estão colocadas próximas a cabeça em um gesto que simula uma coroa. Seu rosto é coberto por uma maquiagem esfumaçada preta nos olhos e um batom dourado na boca. Sua roupa é completamente dourada e os adereços que a compões também. Sua vestimenta é uma referência a símbolos da cultura Ballroom norte americana." width="1846" height="1145" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-03.jpg 1846w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-03-800x496.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-03-1024x635.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-03-768x476.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-03-1536x953.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-03-1200x744.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30690" class="wp-caption-text">O passeio entre as tríades do álbum é como uma montanha-russa: às vezes dançante, outras reflexivo, mas sempre marcante (Foto: Carlijn Jacobs)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra tríade do disco que merece atenção é enérgica e capaz de colocar o ouvinte no ritmo marcante dos baixos e sintetizadores. Com um trabalho vocal fenomenal que se expande em várias faixas de gravação, </span><i><span style="font-weight: 400;">CUFF IT </span></i><span style="font-weight: 400;">aparece desinibida e simpática. A presença sensual e marcante da voz, trabalhada em diferentes nuances, torna esta uma das, se não, a canção de maior sucesso no álbum. Suas batidas finais nos guiam a </span><i><span style="font-weight: 400;">ENERGY</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a familiaridade com o refrão não é por acaso. A utilização do </span><i><span style="font-weight: 400;">sample </span></i><span style="font-weight: 400;">de “</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6AwXKJoKJz4"><i><span style="font-weight: 400;">Milkshake</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, da cantora Kelis, pode ser mais fácil de ser reconhecida, mas a interpolação com</span> <span style="font-weight: 400;">“</span><a href="https://youtu.be/0L5OeCaZDdI"><i><span style="font-weight: 400;">Oh La La La</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, de Teena Marie, e a finalização com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Pa5IV_3fVfk"><i><span style="font-weight: 400;">“Explode”</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Big Freedia, tornam a transição para </span><i><span style="font-weight: 400;">BREAK MY SOUL</span></i><span style="font-weight: 400;"> uma experiência explosiva. Com as batidas de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ps2Jc28tQrw"><i><span style="font-weight: 400;">“Show Me Love”</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, esse é o ápice do bloco, uma celebração ao </span><i><span style="font-weight: 400;">house music</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos anos 90 e à vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio as composições de </span><i><span style="font-weight: 400;">HEATED </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">THIQUE</span></i><span style="font-weight: 400;">, o destaque aqui é direcionado a faixa </span><i><span style="font-weight: 400;">MOVE</span></i><span style="font-weight: 400;">. Beyoncé nos apresenta um encontro interessante: ela mesma como representante do presente, </span><a href="https://vogue.globo.com/lifestyle/cultura/noticia/2022/07/muitas-faces-de-grace-jones.html"><span style="font-weight: 400;">Grace Jones</span></a><span style="font-weight: 400;">, ícone da cultura negra e </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">do passado e a jovem </span><a href="https://tangerina.uol.com.br/musica/tems-nigeriana-beyonce-pantera-negra/"><span style="font-weight: 400;">Tems</span></a><span style="font-weight: 400;">, como uma promessa desse legado para o futuro. Com batidas bem marcadas, a composição das rimas dita seu próprio ritmo a quem escuta, transitando entre três vozes e deixando ao espectador o papel de alguém presente em uma roda urbana, ouvindo essa apresentação. Ao citar o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=khin2DnRknw"><i><span style="font-weight: 400;">Bruk Up</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Jones escancara as referências da cultura jamaicana e integra o propósito de resgate histórico, dando nome a mais uma fonte de inspiração.</span></p>
<figure id="attachment_30691" aria-describedby="caption-attachment-30691" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30691 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-04.png" alt="Nessa foto, Beyoncé aparece vestindo um adereço corporal que cobre apenas suas partes íntimas, fazendo curvas que seguem o formato de seu corpo. Esse adereço é inteiramente prateado e possui detalhes em formas geométricas. Ela usa uma maquiagem carregada, sendo uma sombra roxa com contorno preto em seus olhos, além de um batom rosa em seus lábios. Suas mãos estão acima de sua cabeça, compondo sua pose. Atrás dela, está a figura do cavalo prateado." width="1000" height="667" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-04.png 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-04-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-04-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30691" class="wp-caption-text">Mesmo com os deslizes em sua produção, em 16 faixas o ato I de sua nova trilogia reafirma que não era pura sorte os inúmeros acertos anteriores: Beyoncé sabe o que faz (Foto: Mason Poole)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um dos blocos que mais criou divisões nos sentimentos de quem escuta, Bey expõe um lado mais sentimental e menos agitado, como se ela afirmasse que o momento agora é apenas escutar o lado dela e sentir. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">CHURCH GIRL</span></i><span style="font-weight: 400;">, a cantora se liberta das amarras de sua culpa cristã e afirma como ninguém, além dela, pode a julgar. Já em </span><i><span style="font-weight: 400;">PLASTIC OFF THE SOFA</span></i><span style="font-weight: 400;">, um </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> leve e gostoso de ouvir, ela se declara ao homem com o qual </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kbMqWXnpXcA"><span style="font-weight: 400;">divide a vida</span></a><span style="font-weight: 400;">, revelando que toda especulação envolvendo “</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QxsmWxxouIM"><i><span style="font-weight: 400;">Becky with a good hair</span></i></a><span style="font-weight: 400;">” já foi superada por ela. Na maior faixa do álbum, </span><i><span style="font-weight: 400;">VIRGO’S GROOVE</span></i><span style="font-weight: 400;">, um </span><i><span style="font-weight: 400;">disco-funk </span></i><span style="font-weight: 400;">cria uma atmosfera de romance a partir de texturas, nuances e batidas que a tornam única. Eleita a </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/tracks/beyonce-virgos-groove/"><span style="font-weight: 400;">melhor canção do álbum</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela crítica especializada, seu fluxo continua agradável e dançante por incríveis seis minutos, não caindo na mesmice ao seguir em improvisos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quebrando a sequência de trios e apostando em duas peças únicas, o disco introduz </span><i><span style="font-weight: 400;">ALL UP IN YOUR MIND</span></i><span style="font-weight: 400;">, que se caracteriza como uma faixa experimental. Com a participação de A. G. Cook, a expectativa em descobrir qual gênero musical a cantora mergulharia aumentou, e o resultado foi uma canção com raízes no passado em suas batidas e uma experimentação que mira o futuro. Com a irreverente </span><i><span style="font-weight: 400;">AMERICA HAS A PROBLEM</span></i><span style="font-weight: 400;">, é notável o transporte para as décadas de 80 e 90, que remonta aos brasileiros batidas do tradicional </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nny8m4jwueA"><i><span style="font-weight: 400;">funk</span></i><span style="font-weight: 400;"> carioca</span></a><span style="font-weight: 400;">. É automático querer a resposta para problema americano apontado pela letra, especialmente, considerando lançamentos anteriores de cunho político, mas a surpresa é encontrar um motivo ímpar em seus versos: uma música auto-referencial, com uma batida contagiante que reafirma a grandiosidade de quem a interpreta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com </span><i><span style="font-weight: 400;">PURE/HONEY</span></i><span style="font-weight: 400;">, sua referência à </span><a href="https://houseofraabe.alboompro.com/post/46681-culturaballroom"><i><span style="font-weight: 400;">Ballroom</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">fica ainda mais exposta com a junção de três </span><i><span style="font-weight: 400;">samples</span></i><span style="font-weight: 400;"> em sua construção: </span><a href="https://youtu.be/tW8curhicTQ"><i><span style="font-weight: 400;">“Feels Like”</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://youtu.be/opLpiGv04wE"><i><span style="font-weight: 400;">“Cunty”</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e</span> <a href="https://youtu.be/ECyslqRHQNE"><i><span style="font-weight: 400;">“Miss Honey”</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A inclusão de pessoas da cena que formaram o escopo de quem a artista é hoje pode ser percebida em diferentes trechos de praticamente todas as músicas, mas o maior fica para o final. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">SUMMER RENAISSANCE</span></i><span style="font-weight: 400;">, a presença de Donna Summer é palpável com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Nm-ISatLDG0"><i><span style="font-weight: 400;">“I Feel Love”</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, não diluída em outras batidas, reverenciando a grandeza desse clássico. O encerramento do disco, no entanto, não é o seu fim: </span><i><span style="font-weight: 400;">Renaissance </span></i><span style="font-weight: 400;">nasce como um </span><a href="https://www.omelete.com.br/musica/beyonce-renaissance-trilogia#:~:text=Maior%20nome%20da%20m%C3%BAsica%20pop,isolamento%20causado%20pela%20COVID%2D19."><span style="font-weight: 400;">primeiro ato de três</span></a><span style="font-weight: 400;"> planejados nesse novo projeto da cantora. Sua estreia estrondosa não poderia ser ignorada: alcançando um bilhão de </span><a href="https://updatecharts.com.br/2022/11/10/renaissance-de-beyonce-ultrapassa-1-bilhao-de-streams-no-spotify/"><i><span style="font-weight: 400;">streamings </span></i><span style="font-weight: 400;">no Spotify</span></a><span style="font-weight: 400;"> e primeiro lugar em 100 países no </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple Music</span></i><span style="font-weight: 400;"> no dia de seu lançamento, o álbum rendeu a intérprete mais nove indicações ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30692" aria-describedby="caption-attachment-30692" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30692" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-05.jpg" alt="Na imagem, Beyoncé está com os cabelos, que são castanhos com luzes loiras, soltos. Ela sorri enquanto segura um gramofone e faz seu discurso de aceitação do prêmio. Seu rosto possui uma maquiagem leve e ela utiliza um vestido tomara que caia nas cores prata e bege, e em suas mãos está uma luva preta." width="1500" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-05.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-05-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-05-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-05-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-05-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30692" class="wp-caption-text">Renascendo e sendo continuamente aclamada pela crítica e pela multidão de fãs, Beyoncé segue sem o aguardado Álbum do Ano do Grammy (Foto: Kevin Winter)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo tornando-se a mulher mais premiada dentre todas as edições com 32 gramofones, Beyoncé não alcançou o patamar desejado aos requisitos da premiação, o que ressoa como uma afirmação de que, para a Academia de Gravação estadunidense, ela é boa, mas não o suficiente para o </span><a href="https://personaunesp.com.br/harrys-house-critica/"><span style="font-weight: 400;">Álbum do Ano</span></a><span style="font-weight: 400;">. Essa, no entanto, não foi a primeira vez que isso aconteceu com a cantora, que já perdeu a categoria anteriormente com os álbuns </span><i><span style="font-weight: 400;">I Am… Sasha Fierce </span></i><span style="font-weight: 400;">(2008), </span><i><span style="font-weight: 400;">Beyoncé </span></i><span style="font-weight: 400;">(2013) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/lemonade-amor-confianca-empoderamento/"><i><span style="font-weight: 400;">Lemonade</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2017). Em uma análise até mesmo rápida, é possível notar algo em comum entre todos os ganhadores, que diz além da qualidade de suas </span><a href="https://personaunesp.com.br/25-adele-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">produções</span></a><span style="font-weight: 400;"> e transcende a própria Bey. Em uma indústria racista, para chegar ao ato de </span><a href="https://www.insider.com/black-grammys-winners-album-of-the-year#1999-lauryn-hill-7"><span style="font-weight: 400;">Lauryn Hill</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 1999, torna-se necessário ser três vezes (ou mais) melhor em tudo, mesmo 24 anos depois. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Contudo, por mais apurada e cuidadosa que possa ter sido sua seleção, Beyoncé não estava ilesa aos erros. Durante o ato de lançamento, a quinta faixa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Renaissance</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">ENERGY</span></i><span style="font-weight: 400;">, ficou entre os assuntos mais comentados não apenas pela sua qualidade, como também pelos comentários da cantora da gravação original que foi interpolada na música. Após o pronunciamento público de Kelis (e aqui vale dizer que Beyoncé havia comprado os direitos da música com seus produtores, logo não constava nenhum problema legal em seu uso), uma reviravolta interessante aconteceu. 20 anos depois do lançamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Milkshake</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela finalmente foi creditada como compositora, fortalecendo, mesmo que indiretamente, o exercício de </span><a href="https://personaunesp.com.br/black-is-king-critica/"><span style="font-weight: 400;">resgate histórico</span></a><span style="font-weight: 400;"> do trabalho como um todo.</span><i><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></i><i><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></i><span style="font-weight: 400;">Outra questão de aguardo e dúvidas gira em torno dos visuais desse novo trabalho. Após lançar o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=09z3qcegpHU"><span style="font-weight: 400;">vídeo</span></a><span style="font-weight: 400;"> intitulado como teaser oficial, oferecendo um gostinho aos fãs do que poderia estar por vir, e um segundo trailer repleto de diferentes figurinos e cenários, estimulando o pensamento de muitas adições a sua videografia, Bey pareceu esquecer de lançá-los. Ao se tornar referência e reestruturar a indústria </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> como algo que se apoia no pilar de videoclipes bem planejados e que caminham lado a lado do resultado sonoro, a expectativa de ter algo para se deslumbrar visualmente foi colocada lá para cima. E, talvez comprovando que nem tudo é como se espera, os fãs continuam aguardando, há meses, por um produto que nem sabem se existirá mesmo.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<figure id="attachment_30693" aria-describedby="caption-attachment-30693" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30693" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-06.png" alt="Na foto, Beyoncé segura um copo na mão direita que está levantada. Ela está sentada ereta, com as pernas cruzadas. Seu cabelo está preso em um volumoso coque, de onde caem fios que aparecem como uma franja. Ela usa um vestido preto com detalhes prata. O fundo é composto por espelhos e uma parede (ou encosto de banco) feita com madeira." width="1400" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-06.png 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-06-800x514.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-06-1024x658.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-06-768x494.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/imagem-06-1200x771.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30693" class="wp-caption-text">Como uma historiadora, Beyoncé guia os ouvintes de 2023 em uma viagem temporal (Foto: Mason Poole)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Independente de sua performance em premiações, o trabalho de resgate histórico e reconhecimento realizado no disco é seu maior triunfo: utilizando sua visibilidade, Beyoncé aponta e certifica a influência de quem a precedeu. O uso de </span><i><span style="font-weight: 400;">samples </span></i><span style="font-weight: 400;">para a construção da identidade sonora do álbum (e a </span><a href="https://www.rollingstone.com/music/music-news/beyonce-removes-kelis-milkshake-energy-1390926/"><span style="font-weight: 400;">devida creditação</span></a><span style="font-weight: 400;">) utiliza da nostalgia de batidas já conhecidas do público para criação de algo novo, que é aceito sem muitas dificuldades pelo sentimento de familiaridade. A referência a cultura </span><a href="https://www.boniclub.com.br/bonita_de_pele_posts/por-tras-da-beleza-de-beyonce-em-renaissance/"><i><span style="font-weight: 400;">Ballroom </span></i></a><span style="font-weight: 400;">em suas fotos promocionais, utilizando de sua vestimenta e maquiagem inspiradas em ícones como Crystal LaBeija e Moi Renee, é uma esforço consciente de trazer o enfoque a quem fundou algo muito maior. É reconhecer e engrandecer diversos nomes da cultura negra e LGBTQIA+ que foram apagados, esquecidos e marginalizados por tanto tempo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=b2xLsCo8zmQ&amp;list=PLzrMYyHmLhGA9MJNeIMOPrciPVTbnk48M"><i><span style="font-weight: 400;">Renaissance</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a artista demonstra, mais uma vez, seu talento e genialidade, proporcionando um passeio de quase uma hora de duração por diferentes gêneros e estilos, e ilustrando a engenhosidade ao encadear as músicas. A celebração proposta no álbum vai muito além da exaltação ao passado: Beyoncé convida o ouvinte a celebrar quem ele é, a se divertir em uma dança, a reconhecer suas raízes e sua importância no mundo que o permeia. Em um trabalho detalhista, o álbum comprova que muitas mãos, em sintonia e unidas em um propósito, podem construir trabalhos enormes, que vão além de uma experiência sonora. </span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: RENAISSANCE" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/6FJxoadUE4JNVwWHghBwnb?si=P-L0U8ASQ5uhPjnX0ZAkDA&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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