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	<title>Arquivos Vince Vaughn &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Nonnas é simples, mas dá um aconchego no coração</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Sep 2025 19:18:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Lucas Barbosa  É legal em um domingo à tarde, pós almoço, você sentar no sofá com a família e ver um filme aconchegante, Nonnas é isso: faz da dor da saudade e do luto, uma maneira de se reencontrar na vida. O longa do diretor Stephen Chbosky (cineasta de As Vantagens de Ser Invisível – &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/nonnas-e-simples-mas-da-um-aconchego-no-coracao/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Nonnas é simples, mas dá um aconchego no coração"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35800" aria-describedby="caption-attachment-35800" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-35800" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-7-800x534.jpg" alt="Quatro mulheres brancas mais velhas estão em uma cozinha industrial, todas usando aventais da cor bege, interagindo entre si Ao fundo, há prateleiras com mantimentos, utensílios pendurados e portas de cozinha." width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-7-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-7-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-7.jpg 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35800" class="wp-caption-text">O filme conta a história de um dos restaurantes mais incríveis de Nova York (Foto: Jeong Park/Netflix)</figcaption></figure>
<p><b style="color: #1a1a1a; font-size: 16px;">Lucas Barbosa </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É legal em um domingo à tarde, pós almoço, você sentar no sofá com a família e ver um filme aconchegante, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nonnas</span></i><span style="font-weight: 400;"> é isso: faz da dor da saudade e do luto, uma maneira de se reencontrar na vida. O longa do diretor </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-vantagens-de-ser-invisivel-critica/"><span style="font-weight: 400;">Stephen Chbosky</span></a><span style="font-weight: 400;"> (cineasta de </span><i><span style="font-weight: 400;">As Vantagens de Ser Invisível </span></i><span style="font-weight: 400;">– 2012) se baseia na história de vida de Joe Scaravella. O filme tem uma gama de personagens que são puro carisma, e um roteiro que fala sobre amor, luto, tradição e redescobertas.</span><span id="more-35798"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção inicia com Joe (</span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-features/vince-vaughn-netflix-nonnas-interview-1236223369/"><span style="font-weight: 400;">Vince Vaughn</span></a><span style="font-weight: 400;">), um homem de meia idade que trabalha como mecânico de ônibus. Após perder a mãe, começa a fazer as receitas antigas da família durante o período de luto. Um dia, depois de receber o dinheiro da herança, resolve comprar um restaurante e transformá-lo em um lugar especial, e para isso, contrata quatro mulheres na flor da idade com receitas magníficas para o projeto.</span></p>
<figure id="attachment_35801" aria-describedby="caption-attachment-35801" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35801" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-8-800x451.png" alt="Na imagem, há três pessoas brancas paradas na rua. Uma mulher de cabelos loiros do lado cacheados sorri, segurando o braço do homem ao centro, que veste uma camisa polo cinza com logotipo. Na direita, outro homem de camisa clara caminha olhando para frente" width="800" height="451" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-8-800x451.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-8-1024x577.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-8-768x433.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-8-1200x676.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-8.png 1296w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35801" class="wp-caption-text">Vince Vaughn entendeu que o filme iria reviver momentos felizes da infância (Foto: Jeong Park/Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os primeiros momentos do longa são tomados por uma tristeza profunda, por meio da paleta de cores em tons azuis e a <a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/2N8HDLPULHxfHV9CX1xnw3">trilha sonora</a> suave e serena. Tais escolhas técnicas vão de encontro à solidão do protagonista, que viveu a vida toda ao redor do núcleo familiar, nesse momento, montar um restaurante virou uma forma de alento do luto, e para isso precisava juntar mais amores, e histórias para chegar ao seu maior objetivo: reviver os momentos que fizeram sua vida feliz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme tem uma narrativa gostosa de se ver: a necessidade de renovação depois do luto é um caminho simples, sem tentativas de forçar situações e eventos. Tudo ocorre de forma natural, desde o desenvolvimento de Joe até as brigas das </span><a href="https://www.eater.com/24422628/nonnas-netflix-review-true-story-enoteca-maria"><span style="font-weight: 400;">senhoras</span></a><span style="font-weight: 400;"> são orgânicas, o que dá margem para a evolução das personagens, que falam sobre a idade e a vontade de viver dentro de uma Nova York que destoa do habitual, diverge entre o colorido e o monocromático, se relacionando com cada momento da produção.</span></p>
<figure id="attachment_35799" aria-describedby="caption-attachment-35799" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35799" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-6-800x450.jpg" alt="Três senhoras brancas estão sentadas em uma bancada, usando aventais, enquanto um homem branco em pé serve comida. Todos interagem de forma animada, com pratos, travessas e copos espalhados sobre o balcão. Ao fundo, há cadeiras empilhadas e paredes em reforma, cobertas por plástico." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-6-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-6-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-6.jpg 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35799" class="wp-caption-text">“A mesa não se envelhece” (Foto: Jeong Park/Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O imbróglio de </span><i><span style="font-weight: 400;">Nonnas </span></i><span style="font-weight: 400;">é que mesmo com a fluidez da história e da construção dos seus personagens, há uma certa </span><a href="https://miscelana.com/2025/05/21/as-nonnas-uma-receita-previsivel-com-gosto-de-comfort-food/"><span style="font-weight: 400;">previsibilidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos acontecimentos e suas milagrosas resoluções até se tornam banais diante do roteiro previsível escrito por Liz Maccie (</span><i><span style="font-weight: 400;">Siren: A Lenda das Sereias </span></i><span style="font-weight: 400;">– 20020). Algumas cenas pareciam pouco desenvolvidas na edição, algumas cenas com um CGI um pouco forçado, talvez para deixar alguns momentos em um foco para deixar uma emoção a mais, o que não aconteceu.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O elenco não deixa nada a desejar: </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-reviews/nonnas-review-vince-vaughn-susan-sarandon-netflix-1236209510/"><span style="font-weight: 400;">Vince Vaughn</span></a><span style="font-weight: 400;"> demonstra a dor da perda, com o calor de uma vida nova ao redor dele, é sincero no que fala e nas suas reações nos momentos de mais emoção no filme. Susan Sarandon, Talia Shire, Lorraine Bracco e Brenda Vaccaro, nomes de peso do cinema e que fizeram seus papéis com muita dinâmica, entenderam completamente qual era a narrativa que tinham que produzir, e conseguiram realizar além do esperado: fizeram personagens concisos e concretos.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Nonnas</span></i><span style="font-weight: 400;">, que concorreu ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2025/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">2025</span></a><span style="font-weight: 400;"> na categoria de Melhor Filme para Televisão, é uma escolha acolhedora, longa tranquilo, com uma boa história e ótimos atores no elenco. O maior problema não é o conteúdo em si, mas as falhas técnicas no roteiro. É uma indicação concisa, chegou na Netflix no </span><a href="https://www.netflix.com/tudum/articles/top-10-may-5-2025"><span style="font-weight: 400;">top 10 global</span></a><span style="font-weight: 400;"> e conseguiu boas notas nas críticas, como um 82% no </span><a href="https://www.rottentomatoes.com/m/nonnas"><i><span style="font-weight: 400;">Rotten Tomatoes</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">.  </span></i><span style="font-weight: 400;">É um filme bem feito, simples, como arroz e feijão, ou melhor, como um bom Cacio e Pepe.</span></p>
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		<title>15 anos de Na Natureza Selvagem: a felicidade compartilhada com a totalidade do nada</title>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Solidão. Substantivo feminino. Estado de quem está só, retirado do mundo ou de quem se sente desta forma mesmo estando rodeado por outras pessoas; isolamento. Solitude. Substantivo feminino. Condição de quem se isola propositalmente ou está em um momento de reflexão e de interiorização. Popularmente usada em oposição à solidão para indicar que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/na-natureza-selvagem-15-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "15 anos de Na Natureza Selvagem: a felicidade compartilhada com a totalidade do nada"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28872" aria-describedby="caption-attachment-28872" style="width: 1363px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28872 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-1-e1666196420816.jpg" alt="Cena do filme Na Natureza Selvagem. Nela, Alexander Supertramp, um jovem branco de cabelos volumosos e barba, ambos castanhos, está sentado em uma cadeira na frente de um ônibus nas cores verde e branca. Ele veste uma camisa xadrez nas mesmas cores que o ônibus, porém com sujeira mais visível, calça bege e galocha preta. Ele segura um caderno azul aberto, o qual está olhando. Ao redor do ônibus, há plantas e flores na cor rosa." width="1363" height="565" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-1-e1666196420816.jpg 1363w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-1-e1666196420816-800x332.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-1-e1666196420816-1024x424.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-1-e1666196420816-768x318.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-1-e1666196420816-1200x497.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28872" class="wp-caption-text">A adaptação da história de Christopher McCandless por Sean Penn é carregada de significados (Foto: Paramount Vantage)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Solidão. Substantivo feminino. </span><span style="font-weight: 400;">Estado de quem está só, retirado do mundo ou de quem se sente desta forma mesmo estando rodeado por outras pessoas; isolamento. </span><a href="https://encenasaudemental.com/comportamento/insight/solitude-e-solidao-a-diferenciacao-do-estar-so/"><span style="font-weight: 400;">Solitude</span></a><span style="font-weight: 400;">. Substantivo feminino. Condição de quem se isola propositalmente ou está em um momento de reflexão e de interiorização.</span> <span style="font-weight: 400;">Popularmente usada em oposição à solidão para indicar que estar sozinho não implica obrigatoriamente estar em sofrimento. Associada à alegria de estar sozinho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se tudo é algo, então nada é algo. A relação entre preenchimento e vazio sempre bailou mais junta do que se imagina. Por mais que esses dois extremos estejam bastante próximos, a jornada para percepção dessa curta distância é bem trabalhosa. É essa </span><i><span style="font-weight: 400;">via-crúcis</span></i><span style="font-weight: 400;"> que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XZG1FzyB8DI&amp;ab_channel=RottenTomatoesClassicTrailers"><i><span style="font-weight: 400;">Na Natureza Selvagem</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2007), filme que completa quinze anos em 19 de Outubro de 2022, busca percorrer.</span></p>
<p><span id="more-28871"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baseado na obra homônima de </span><a href="https://personaunesp.com.br/em-nome-do-ceu-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jon Krakauer</span></a><span style="font-weight: 400;">, que vem virando um queridinho dos roteiristas de Hollywood, o longa acompanha a verdadeira história da “morte” &#8211; social, por assim dizer &#8211; de Christopher McCandless, e o “nascimento e vida” de Alexander Supertramp. Na trama e na vida real, Chris largou sua vida promissora de jovem prodígio para buscar a completude no meio do nada. Aqui, Sean Penn, em sua espaçada carreira de diretor, dirige uma de suas melhores obras cinematográficas, garantindo duas indicações no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2008, além do Prêmio do Público de Melhor Longa Estrangeiro de Ficção na 31ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, em 2007.</span></p>
<figure id="attachment_28873" aria-describedby="caption-attachment-28873" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28873 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-2-e1666196626365-1024x406.jpg" alt="Cena do filme Na Natureza Selvagem, Nela, Alexander Supertramp está deitado no banco do ônibus, apontando a mão para cima e com a boca aberta, como se estivesse em seus últimos suspiros. Ele só aparece da altura dos ombros para cima e veste um caso verde, com pelagem bege ao redor da touca." width="840" height="333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-2-e1666196626365-1024x406.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-2-e1666196626365-800x318.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-2-e1666196626365-768x305.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-2-e1666196626365-1200x476.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-2-e1666196626365.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28873" class="wp-caption-text">A cena final é extremamente tocante e poética, mostrando uma competência tanto do ator principal quanto da escrita do roteiro (Foto: Paramount Vantage)</figcaption></figure>
<p><a href="https://darkside.blog.br/henry-david-thoreau-fui-para-o-bosque-porque-queria-viver-deliberadamente/"><span style="font-weight: 400;">Henry Thoreau</span></a><span style="font-weight: 400;">, um dos intelectuais que serve de estopim para o roteiro e referenciado diretamente ao longo da obra, defende o abandono das ilusões de uma vida repleta de coisas supérfluas para, daí sim, sabermos o que realmente é essencial. Seguindo radicalmente esse conceito, Supertramp enxerga a própria existência em sociedade como banal, e, assim como em </span><i><span style="font-weight: 400;">Walden </span></i><span style="font-weight: 400;">(1854), um dos livros mais célebres de Thoreau, busca a contemplação de sua vida rasgando o contrato social de John Locke, a fim de viver livremente sua própria natureza.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas seria muito simplista dizer que </span><i><span style="font-weight: 400;">Into the Wild</span></i><span style="font-weight: 400;"> é apenas uma nova roupagem desse conceito. Abraçando o gênero de </span><a href="https://www.teclasap.com.br/road-movie/"><i><span style="font-weight: 400;">road movie</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a obra, além da trajetória “do ponto a ao ponto b”, convida o espectador a embarcar em uma viagem reflexiva sobre o quanto estamos enraizados em nossas próprias ideias de sociedade. Isso começa com a percepção que temos de Supertramp no início, sendo muito fácil identificá-lo como um egoísta dissimulado &#8211; mesmo que, em partes, ele seja. Porém, nós e o próprio Supertramp estamos tão imersos nos ritos sociais que não é possível enxergá-lo como um desprezível desvio dessa constante, mas sim como um erro grotesco, que não se encaixa no padrão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso é muito bem colocado pelo roteiro no momento da construção do personagem de McCandless. Por ser adaptado de um livro que narra fatos, é esperado que a escrita tenha maior liberdade poética, tornando-se algo perceptível a partir do “nascimento” de Supertramp. Claro que a jornada até o Alasca é o pano de fundo, mas a história – que além da direção, tem o roteiro assinado por </span><a href="https://cineclick.uol.com.br/artistas/sean-penn"><span style="font-weight: 400;">Sean Penn</span></a> <span style="font-weight: 400;">– usa da jornada do andarilho para traçar um estudo sobre a inserção (ou não) do indivíduo no mundo contemporâneo, e faz isso de forma muito tocante.</span></p>
<figure id="attachment_28874" aria-describedby="caption-attachment-28874" style="width: 1018px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28874 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-3-e1666196728927.jpg" alt="Cena de Na Natureza Selvagem. Nela, Supertramp está em uma praia no nascer ou pôr do sol. Por conta do sol, só é possível ver sua silhueta centralizada. Ao fundo dele, no meio do mar, uma ilha e alguns pássaros à direita." width="1018" height="427" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-3-e1666196728927.jpg 1018w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-3-e1666196728927-800x336.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-3-e1666196728927-768x322.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28874" class="wp-caption-text">O longa sabe trabalhar o isolamento do ator principal em meio a imensidão do mundo (Foto: Paramount Vantage)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O Cinema, historicamente, aborda a solidão e a solitude. Claro que a solidão é muito mais prática de ser transmitida, devido a sua familiaridade e violência de impacto. Podemos tirar ótimos exemplos das telas, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/taxi-driver-completa-40-anos-permanece-extremamente-atual/"><i><span style="font-weight: 400;">Taxi Driver</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1976),</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=C3NDz_7KP2g&amp;ab_channel=HDRetroTrailers"><i><span style="font-weight: 400;">Amores Expressos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1994) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Her </span></i><span style="font-weight: 400;">(2013). Já com a solitude, o trabalho é mais minucioso, pois é um conceito embaralhado dentro de nós mesmos. Ainda assim, é possível traçar paralelos, como a simples ida ao cinema em </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/cinema-paradiso-serie"><i><span style="font-weight: 400;">Cinema Paradiso</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1988) ou o azar de ser esquecido em outro planeta em </span><a href="https://personaunesp.com.br/perdido-em-marte-o-azarao-no-oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Perdido em Marte</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2015).</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">“Para chamar cada coisa pelo seu devido nome</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;"> pelo seu devido nome”</span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">E é aí que está o valor de </span><i><span style="font-weight: 400;">Na Natureza Selvagem</span></i><span style="font-weight: 400;">: ele não é um ótimo expoente de uma dessas vertentes, mas sim das duas ao mesmo tempo, e consegue destrinchar os meandros desse nebuloso meio termo. McCandless pensa que é descolado da sociedade que o cerca, mas não. Desde a burocracia para ser reconhecido como pessoa até os momentos que ele exala euforia ao estar completamente isolado e, por conta do seu inconsciente, grita para ser ouvido por ninguém; é nesse lugar que mora a linha tênue entre solidão e solitude.</span></p>
<figure id="attachment_28875" aria-describedby="caption-attachment-28875" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28875 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-4.jpg" alt="Cena de Na Natureza Selvagem. Nela vemos Supertramp ao lado de Ron, um senhor idoso branco e de cabelos brancos. Supertramp veste uma camisa branca, short preto e tênis cinza. Ron Veste uma polo azul claro, uma calça azul escura e meias e tênis pretos. Ambos estão sentados em uma montanha de pedras olhando para frente. Ao lado direito de Supertramp, sua mochila está bege e azul está caída para o lado." width="2048" height="1366" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-4.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-4-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-4-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-4-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-4-1536x1025.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-4-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28875" class="wp-caption-text">A relação entre Supertramp e Ron é de longe uma das mais emocionantes da obra (Foto: Paramount Vantage)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, é inegável que a solitude de Supertramp preenche toda a obra de cabo a rabo, graças à primorosa atuação de </span><a href="https://www.instagram.com/emilehirsch/"><span style="font-weight: 400;">Emile Hirsch</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Speed Racer</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Reis de Dogtown</span></i><span style="font-weight: 400;">). Por isso, a escrita é muito inteligente ao explorar a solidão e suas infinitas formas de dor através dos personagens secundários, com as também brilhantes atuações de, entre outros, Vince Vaughn (</span><i><span style="font-weight: 400;">Os Estagiários</span></i><span style="font-weight: 400;">), </span><a href="https://personaunesp.com.br/spencer-critica/"><span style="font-weight: 400;">Kristen Stewart</span></a><span style="font-weight: 400;"> pré-</span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-144402/"><i><span style="font-weight: 400;">Crepúsculo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, William Hurt (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Beijo da Mulher Aranha</span></i><span style="font-weight: 400;">) e a tocante relação com Hal Holbrook (</span><i><span style="font-weight: 400;">Todos os Homens do Presidente</span></i><span style="font-weight: 400;">) no papel de Ron Franz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais do que um filme sobre a auto-descoberta, </span><i><span style="font-weight: 400;">Na Natureza Selvagem </span></i><span style="font-weight: 400;">esconde a discussão sobre o auto-perdão e como este é importante para tal descoberta. Cada pessoa com quem Supertramp cruza, até o memorável </span><a href="https://gooutside.com.br/a-historia-do-onibus-de-na-natureza-selvagem/"><span style="font-weight: 400;">ônibus 142</span></a><span style="font-weight: 400;">, desperta esse sentimento no protagonista, em diferentes aspectos, como relacionamento, trabalho, traumas e amor familiar. A produção peca um pouco ao escancarar tanto essa virada de chave que McCandless dá nos outros personagens &#8211; salvo alguns momentos que isso é benéfico, como no diálogo com Ron -, deixando a mudança de percepção de Supertramp cozinhando na subjetividade para conseguir encaixá-la no excelente final da obra.</span></p>
<figure id="attachment_28876" aria-describedby="caption-attachment-28876" style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28876" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-5.gif" alt="Gif do filme Na Natureza Selvagem. Nele, Supertramp está com uma camisa xadrez verde e amarela e uma camisa verde por baixo. Ele abre os braços para sentir a brisa enquanto a câmera rodopia pelo cenário, que é composto por uma cadeia de montanhas que estão em processo de degelo." width="500" height="208" /><figcaption id="caption-attachment-28876" class="wp-caption-text">A fotografia do longa entrega um Estados Unidos de paisagens incríveis (Foto: Paramount Vantage)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Direção e roteiros afiados, ou um elenco impecável, não são capazes de garantir a sustentação de uma boa obra. É nessa hora que brilham alguns aspectos técnicos do longa, a começar pela sua fotografia. Embora Sean Penn tenha trazido um caráter contemplativo e carregado de filosofia para o texto, foi com Eric Gautier, experiente com </span><i><span style="font-weight: 400;">road movies</span></i><span style="font-weight: 400;"> pela jornada de Che Guevara em </span><a href="https://cinemaemcena.com.br/critica/filme/6834/diarios-de-motocicleta"><i><span style="font-weight: 400;">Diários de Motocicleta</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2004), que a escrita conseguiu ser traduzida para o gênero. A mudança entre os planos abertos nas locações, que transmitem um Estados Unidos diferente do habitual, e os planos extremamente fechados nas personas, quase que uma quebra da quarta parede simulada, mostram a ambiguidade que a história carrega.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro aspecto é a brilhante contribuição de Eddie Vedder para a trilha sonora do longa, que por si só merecia um texto à parte. Mesmo indo totalmente ao oposto do que apresenta no </span><a href="https://personaunesp.com.br/pearl-jam-ten-30-anos/"><span style="font-weight: 400;">Pearl Jam</span></a><span style="font-weight: 400;">, com o icônico dedilhado do violão, que mesmo sem assistir a obra é provável que você conheça, Vedder entrega uma das obras mais singelas e concisas de toda sua discografia. As músicas conversam totalmente com a ideia do filme e amplificam a mensagem da produção. A trilha, digna de </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, não garfou o careca dourado e levou somente o Globo de Ouro de Melhor Canção Original daquele ano para as mãos de Vedder.</span></p>
<figure id="attachment_28877" aria-describedby="caption-attachment-28877" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28877 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-6.jpg" alt="Cena do filme Na Natureza Selvagem. Nela, vemos um livro em inglês. Entre o espaço de um parágrafo para o outro, uma caneta preta escreve de letras maiúsculas a palavra &quot;Happiness&quot;. A imagem é legendada com o texto em cor branca, escrito “happiness only real when shared.”" width="1280" height="624" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-6.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-6-800x390.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-6-1024x499.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-6-768x374.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Into-The-Wild-Imagem-6-1200x585.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28877" class="wp-caption-text">“A felicidade só é real quando compartilhada” (Foto: Paramount Vantage)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa é muito consciente ao enriquecer filosoficamente a história de Supertramp, sem correr o perigo de ser o principal difusor da imprudente decisão do andarilho. Claro que ele, de certa forma, espalha essa ideia; é inevitável, e com a obra tornando o ato algo mais </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;">, pessoas se </span><a href="https://www.uol.com.br/nossa/viagem/noticias/2015/03/17/trilha-no-alasca-segue-os-passos-do-livro-e-filme-na-natureza-selvagem.htm"><span style="font-weight: 400;">inspiraram a partir dele</span></a><span style="font-weight: 400;">. A questão é que o filme tem muito mais material além disso, e o problema está longe de residir no conteúdo da mensagem, mas sim em como ele é recepcionado pelos diferentes tipos de público.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aos 15 anos, ao assistir pela primeira vez, </span><i><span style="font-weight: 400;">Na Natureza Selvagem</span></i><span style="font-weight: 400;"> se tornou um dos meus favoritos, pois as concepções sobre a mensagem chegavam em alguém tão idealista e dissimulado quanto Supertramp. Revendo a obra, 15 anos depois de seu lançamento, tal visão mudou, pela única razão de que a ótica da vida também mudou. Nietzsche, outro autor que o longa chega a citar, tinha o conceito de </span><a href="https://razaoinadequada.com/2013/04/03/nietzsche-amor-fati/"><i><span style="font-weight: 400;">amor fati</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, amor ao fado (destino), ao pé da letra, cujo significado é aceitar as coisas que chegam até sua efêmera vida – o final já está decretado. E se parte da jornada é o fim, apenas aproveitar a vista seria muito clichê, então, por que não adaptar o olhar para saber quando contemplá-la, nos mais diferentes sentidos da palavra contemplar? Por que não identificar e chamar cada coisa pelo seu devido nome?</span></p>
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