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	<title>Arquivos Victor Assis Brasil &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Vitor Assis Brasil: entre Berklee e o beco das garrafas</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Sep 2016 20:13:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Eli Vagner F. Rodrigues No seleto grupo de colecionadores de LPs da música instrumental brasileira, aqueles que possuem o álbum Desenhos, de Vitor Assis Brasil, podem se vangloriar de ter um dos documentos fonográficos mais importantes do jazz brasileiro. A gravação de 1966 completa 50 anos e é uma das primeiras mostras do talento daquele &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/vitor-assis-brasil-entre-berklee-beco-das-garrafas/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Vitor Assis Brasil: entre Berklee e o beco das garrafas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Eli Vagner F. Rodrigues</strong></p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-4853" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/09/foto-2.jpg" alt="foto-2" width="1024" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/09/foto-2.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/09/foto-2-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/09/foto-2-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/09/foto-2-768x768.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p>No seleto grupo de colecionadores de LPs da música instrumental brasileira, aqueles que possuem o álbum <em>Desenhos,</em> de Vitor Assis Brasil, podem se vangloriar de ter um dos documentos fonográficos mais importantes do jazz brasileiro. A gravação de 1966 completa 50 anos e é uma das primeiras mostras do talento daquele que foi considerado o maior saxofonista brasileiro. O álbum foi gravado pelo quarteto integrado pelo pianista Tenório Júnior, morto pelo regime militar argentino em 76, Edison Lobo, no contrabaixo (com apenas 19 anos) e Chico &#8220;Batera&#8221;, cujo nome dispensa a menção ao instrumento. <span id="more-4842"></span></p>
<p>Marcos Boreli, músico que conviveu com Vitor Assis Brasil, afirma que o saxofonista, já nessa gravação, deixaria pela primeira vez impressa no vinil a marca do extraordinário improvisador e a inegável influência &#8211; que o acompanharia pelo resto de sua trajetória musical &#8211; de John Coltrane e Phill Woods. Para quem não pode se dar ao luxo de possuir os originais vale dizer que hoje, como quase tudo, a gravação pode ser encontrada no <i>youtube &#8211; </i>para os mais afortunados, vale avisar: <a href="https://www.discogs.com/Vitor-Assis-Brasil-Desenhos/release/8857478" target="_blank">o disco foi relançado esse ano</a>, pelo selo português Mad About Record<i>s</i>. Obviamente não com a mesma sonoridade e definição, observariam, com razão, os puristas do vinil!</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Victor Assis Brasil - Desenhos - 1966 - Full Album" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/s-xoDvIpDmk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>Deixando a polêmica sobre a superioridade do vinil como mídia para outra ocasião, o aniversário de meio século de <em>Desenhos</em> é um ótimo pretexto para retomarmos alguns aspectos da carreira de Vitor Assis Brasil.</p>
<p>Segundo João Carlos Assis Brasil, seu irmão gêmeo – que mereceria outro texto, dada sua importância para a música brasileira – Vitor começou como autodidata com uma gaita (harmônica de boca, para os portugueses) e aos 17 anos iniciou-se no saxofone. No início dos anos 60 Vitor Assis Brasil estudou, ou foi descoberto, como afirma o irmão, por ninguém menos que Paulo Moura, e logo começou a participar das <i>jam sessions</i> dos lendários &#8220;<i>Little Club</i>&#8221; e &#8220;<i>Bottles</i>&#8221; no Beco das Garrafas em Copacabana. Esse espaço boêmio-musical viu nascer algumas figuras importantes da música brasileira e foi o berço do que viria a se consolidar como a Bossa Nova. Além do time de cantores como Elis Regina, Nara Leão, Sylvinha Telles, Claudette Soares, Jorge Ben, Marisa Gata Mansa, Doris Monteiro, Wilson Simonal, Alaíde Costa, Pery Ribeiro e Leny Andrade, passaram por ali grandes instrumentistas como Sérgio Mendes, Baden Powell, Airto Moreira, Johnny Alf, Hélcio Milito, Chico Batera, Wilson das Neves, Durval Ferreira, Dom Um Romão, Paulo Moura e Trio Bossa Três.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-4882" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/09/foto-4.jpg" alt="foto-4" width="1200" height="834" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/09/foto-4.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/09/foto-4-300x209.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/09/foto-4-768x534.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/09/foto-4-1024x712.jpg 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p>Nessa constelação de músicos que despontou no “beco das garrafas” &#8211; o nome se refere às garrafas que eram atiradas pelos moradores do entorno, incomodados com o barulho e não às garrafas que eram esvaziadas nos bares &#8211;  o nome mais representativo do que podemos chamar de “jazz brasileiro” foi Vitor Assis Brasil. A expressão carrega alguma liberdade uma vez que não se pode afirmar que existe no Brasil um movimento musical caracterizado pelo jazz como gênero “fundamental”, mas se refere à categoria dos músicos e da produção de música instrumental brasileira que apresenta forte influência do jazz. Nessa “categoria”, a obra de Vitor Assis Brasil é exemplar, tanto no aspecto da formação musical como na incorporação do fraseado jazzístico, improvisação e reinterpretações de clássicos tanto da música brasileira quanto do jazz, os chamados jazz standard  (&#8220;Love for sale&#8221; e &#8220;Nada será como antes&#8221; do álbum <em>Pedrinho,</em> &#8220;Summertime&#8221; d<em>e Trajeto,</em> o disco<em> Jobim</em> em sua integridade, entre inúmeros outros exemplos).</p>
<p>Como são raros no Brasil os artistas que conseguiram projeção nacional e internacional com uma obra inteiramente voltada para a formação instrumental, baseada ou não no jazz, artistas como Vitor Assis Brasil figuram como felizes exceções, ao lado de Egberto Gismonti, Hermeto Pascoal e Raul de Souza. Vitor Assis Brasil conseguiu estabelecer a excelência em seu instrumento e acima de tudo a comunicação entre a linguagem do jazz e os temas e ritmos do universo da MPB.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-4895" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/09/foto-3.jpg" alt="foto-3" width="640" height="390" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/09/foto-3.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/09/foto-3-300x183.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p>Ao ouvi-lo no &#8220;Clube de Jazz e Bossa&#8221; em 1965, o maestro austríaco Friederich Gulda, amante do Jazz, convidou Vitor Assis a participar de um concurso internacional de jazz em Viena. O resultado foi o terceiro lugar do concurso de Viena e o prêmio de melhor solista do Festival de Berlim. Mas o que consolidou sua veia jazzística foram os cinco anos que passou no EUA, graças a uma bolsa que ganhou na prestigiosa <i>Berklee School of Music</i>, em Boston. Nesse período tocou com músicos americanos e brasileiros e chegou a formar sua própria banda. Posteriormente tocou com Dizzy Dillespie, Jeremy Steig, Ritchie Cole, Clark Terry, Chick Correa, Ron Carter e Bob Mover.</p>
<p>A partir dos anos 70, de volta ao Brasil, o músico viveu as dificuldades comuns aos artistas que não se submetem à, segundo ele próprio, “tocar bolero na praça Mauá”. Como a expressão e expansão da música popular se dá, em grande medida, pela força da palavra e não tanto pelo impacto da composição musical em si (pense no <em>rock</em> sem as letras), o sucesso não alcança com tanta facilidade o universo “mais abstrato” da música instrumental. Neste contexto, os “artistas do instrumento” parecem ter sido coadjuvantes em relação aos grandes nomes da MPB.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-4907" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/09/foto-5.jpg" alt="foto-5" width="1417" height="1417" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/09/foto-5.jpg 1417w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/09/foto-5-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/09/foto-5-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/09/foto-5-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/09/foto-5-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/09/foto-5-1200x1200.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p>Para conhecer a obra do artista três álbuns são fundamentais e podem ser considerados obras primas da música instrumental brasileira: <em>Pedrinho</em>, <em>Victor Assis Brasil Toca Antonio Carlos Jobim</em> e <em>Self Portrait</em>, este último, um álbum gravado pelo irmão com composições de Vitor. O depoimento de Marcos Boreli sobre o amigo Vitor dá detalhes desta história:</p>
<p>“Tendo morrido aos trinta e cinco anos, em consequência de periartite nodosa, uma doença circulatória rara e grave, Victor deixou uma discografia pequena, restrita a oito álbuns que gravou entre 1966 e 1980. Muito pouco para sua força criativa. Pouca gente sabe, por exemplo, que a obra que deixou revela um compositor fecundo. Quando Victor morreu, Dona Elba manteve fechadas duas malas que encontrou no quarto do filho. Em 1988, quando o irmão João Carlos deixou o apartamento da Marquês de Abrantes, Dona Elba entregou-lhe as malas. Um dia, João Carlos resolveu abri-las e deparou com mais de quatrocentas composições inéditas: peças para piano solo, para orquestra, quarteto de cordas, jazz erudito (uma vertente que começou a explorar, seguindo as pegadas da chamada &#8220;Third Stream&#8221;, uma corrente musical que pretendia unir elementos do jazz e da música clássica)”.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class=" size-full wp-image-4913 aligncenter" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/09/foto-6.jpg" alt="foto-6" width="500" height="277" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/09/foto-6.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/09/foto-6-300x166.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /></p>
<p>João Carlos Assis Brasil conta, orgulhoso, que <a href="http://www.villa-lobos.rj.gov.br/noticias/joao-carlos-assis-brasil-uma-vida-dedicada-exclusivamente-a-musica/" target="_blank">“o Victor aprendeu saxofone sozinho, e ganhou uma bolsa para tocar em Berklee – Boston EUA. Ele era garoto e foi. Chegou lá, tocou, o professor de saxofone falou: “vem cá, afinal você está aqui para aprender ou para ensinar?”</a></p>
<p>A faixa “Nada será como antes”, do álbum <em>Pedrinho</em>, com Victor Assis Brasil &#8211; sax alto e soprano; Jotinha Moraes &#8211; piano e vibrafone; Paulo Russo &#8211; contrabaixo e Ted Moore – bateria, é um bom exemplo da fusão do fraseado jazzístico com temas da música brasileira dos anos 60/70.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Victor Assis Brasil - NADA SERÁ COMO ANTES - Milton Nascimento-Ronaldo Bastos - ano de 1980" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/23RidzGWctI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>Do mesmo álbum, “Night and Day” deixa claro o domínio de elementos fundamentais para a excelência na linguagem do jazz, arranjo, improviso, retorno aos <em>standards</em>, desenvoltura, espontaneidade e técnica apurada.</p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Night and day - Victor Assis Brasil" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/Au3Jj7NJj-g?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>A música de Vitor Assis Brasil já foi classificada nas seguintes categorias: Fusion, Jazz brasileiro e Third Stream. O <i>eJazz</i>, site especializado em música instrumental brasileira classifica o músico como o maior instrumentista brasileiro e um dos seus articulistas, V. A. Bezerra, vai além:</p>
<p><a href="http://www.ejazz.com.br/detalhes-artistas.asp?cd=164" target="_blank">“Maior instrumentista brasileiro? Pode-se ir além. Alguém que ouça as gravações de Victor poderia perfeitamente ser levado a fazer uma afirmativa ainda mais radical: trata-se de um músico do porte de Charlie Parker e John Coltrane — logo, um dos maiores jazzistas de todos os tempos.”</a></p>
<p>Se a afirmação soa exagerada, ela pode provocar, no mínimo, aquela curiosidade diretamente responsável pela ampliação de nossos horizontes musicais.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-4910" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/09/foto-vitor-assis-1.jpg" alt="foto-vitor-assis-1" width="650" height="461" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/09/foto-vitor-assis-1.jpg 650w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/09/foto-vitor-assis-1-300x213.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/vitor-assis-brasil-entre-berklee-beco-das-garrafas/">Vitor Assis Brasil: entre Berklee e o beco das garrafas</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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