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	<title>Arquivos Tudum &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Bebê Rena é o retrato de uma sociedade corrompida pela obsessão</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Sep 2024 19:43:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner Em 2024, a mensagem “Enviado do meu Iphone” – que, normalmente, acompanha os e-mails dos usuários de dispositivos da ‘marca da maçã’ – passou a aterrorizar as pessoas. O motivo é a minissérie britânica Bebê Rena, sucesso da Netflix que disputa 11 categorias no Emmy 2024. A trama, inspirada no caso verídico de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/bebe-rena-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Bebê Rena é o retrato de uma sociedade corrompida pela obsessão"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33927" aria-describedby="caption-attachment-33927" style="width: 931px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-33927" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-2.png" alt="Cena da série Bebê Rena. Na imagem, Donny, interpretado por Richard Gadd, um homem branco de cabelos e olhos claros, está sentado em um sofá olhando para algo que está atrás da câmera. Ele é um humorista, por isso, veste um terno xadrez todo colorido que se assemelha aos trajes de um palhaço de circo. Ao fundo, o cenário desfocado se trata de uma sala de madeira com sofás vermelhos e iluminação quente." width="931" height="608" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-2.png 931w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-2-800x522.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-2-768x502.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33927" class="wp-caption-text">Bebê Rena estreou no streaming com pouca audiência até viralizar duas semanas depois (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2024, a mensagem “</span><a href="https://youtu.be/BP3hV6ca-KQ?si=ProwEWNRtxM7OwdC"><i><span style="font-weight: 400;">Enviado do meu Iphone</span></i></a><span style="font-weight: 400;">” – que, normalmente, acompanha os </span><i><span style="font-weight: 400;">e-mails</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos usuários de dispositivos da ‘marca da maçã’ – passou a aterrorizar as pessoas. O motivo é a minissérie britânica </span><a href="https://jornal.usp.br/radio-usp/bebe-rena-muito-alem-dos-simplismos/"><i><span style="font-weight: 400;">Bebê Rena</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, sucesso da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> que disputa 11 categorias no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2024/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2024</span></a><span style="font-weight: 400;">. A trama, inspirada no caso verídico de </span><i><span style="font-weight: 400;">stalking</span></i><span style="font-weight: 400;"> ocorrido com o ator Richard Gadd, esbarra em temas extremamente sensíveis e coloca em discussão o modo como a obsessão corrompeu a nossa sociedade, principalmente com o avanço da tecnologia e a consequente deturpação do limite que separa o real do virtual.</span></p>
<p><span id="more-33925"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vivemos em um universo volátil. A cada dia que passa, novas oportunidades e evoluções florescem frente a nós. No começo da década de 2020, em especial, a inteligência artificial generativa deu ‘pano para manga’ no tópico do questionamento da realidade e das </span><a href="https://youtu.be/Lio_UWu3BOI?si=EeC2oX39buQJZMmO"><span style="font-weight: 400;">fronteiras éticas</span></a><span style="font-weight: 400;"> da relação entre homem e robô. Com isso, para além da banalização do termo ‘hiperfoco’ pelas redes sociais, é fácil ficarmos obcecados por qualquer coisa e, até mesmo, por pessoas – desde aquelas que conhecemos até as que nunca encontramos nem nos nossos sonhos mais fantasiosos, porém, que estão ali, há um </span><i><span style="font-weight: 400;">click </span></i><span style="font-weight: 400;">de nós.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, há quem desafie as leis dos direitos fundamentais e, por motivos psíquicos ou de má índole, interfira no cotidiano e nas relações dos seres humanos. Essa é a premissa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bebê Rena</span></i><span style="font-weight: 400;">, um retrato tão </span><a href="https://youtu.be/uXI-BsI8Qk8?si=jluUDhl0WgZImTjs"><span style="font-weight: 400;">desconfortável</span></a><span style="font-weight: 400;"> que obriga a audiência a assistir todos os sete episódios o mais rápido possível, a fim de acabar logo com o sofrimento de acompanhar a trajetória de um alvo de </span><i><span style="font-weight: 400;">stalking</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com altos e baixos dignos de um seriado de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> – há momentos de dramatização excessiva –, a produção original do ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">Tudum</span></i><span style="font-weight: 400;">’ faz valer a indicação de Melhor Série Limitada ou Antologia pela premiação mais tradicional da Televisão estadunidense. </span></p>
<figure id="attachment_33928" aria-describedby="caption-attachment-33928" style="width: 1092px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33928" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-1.png" alt="Cena da série Bebê Rena. Na imagem, Martha, interpretada por Jessica Gunning, uma mulher branca de cabelos e olhos claros, está sentada em uma lanchonete com Donny que, por sua vez, está de costas para a câmera, que os captura a partir do busto. Martha está com um olhar de expectativa e, ao fundo, é possível perceber silhuetas desfocadas dos demais clientes do local." width="1092" height="606" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-1.png 1092w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-1-800x444.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-1-1024x568.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-1-768x426.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33928" class="wp-caption-text">Na ‘vida real’, Richard Gadd recebeu 41.071 emails, 744 tweets, 46 mensagens no Facebook, 106 páginas de cartas e 350 horas de mensagens de voz de sua stalker (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A relação de Donny (</span><a href="https://youtu.be/AatuUqAtgl8?si=Ggu9AtCvqCeh-qZ6"><span style="font-weight: 400;">Richard Gadd</span></a><span style="font-weight: 400;">) com sua </span><i><span style="font-weight: 400;">stalker</span></i><span style="font-weight: 400;"> ultrapassa tempo e espaço. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Baby Reindeer</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original), Martha (Jessica Gunning), não coincidentemente  tem muitas horas livres e mora na mesma cidade de sua vítima. O roteiro, escrito pelo próprio Gadd, faz um trabalho praticamente inédito em relação a abordagem do ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">stalking</span></i><span style="font-weight: 400;">’; termo popularizado pelas produções hollywoodianas e criminalizado pela Lei brasileira 14.132/21, sendo definido como a perseguição e ameaça à liberdade comportamental da vítima em ir e vir. Assim, o humorista mostra as nuances da condição humana em um texto que não recai no maneirismo da vilã e do ‘mocinho’.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Justamente por não limitar o enredo a uma dualidade de perspectivas, a obra disputa a estatueta do </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Roteiro em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme. Com chances de vitória significativas, os diálogos e linhas de raciocínio, ambos bem elaborados, são explorados pela visão invasiva e nem um pouco contemplativa de Weronika Tofilska e Josephine Bornebusch, que se dividem no comando dos capítulos. O modo nada delicado que elas </span><a href="https://youtu.be/bUIaO38Z1s8?si=z91RtlPJdJ87pYmw"><span style="font-weight: 400;">adentram</span></a><span style="font-weight: 400;"> o mundo de Donny e o cercam com o enquadramento fechado, quando Martha se aproxima dele, também garantiu a nomeação de Tofilska e Bornebusch como Melhor Direção em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Stalking, na Televisão, tende a ser muito sexualizado. Tem um ar místico. É alguém em um beco escuro. É alguém que é muito sexy, muito normal, mas depois fica estranho aos poucos. Mas a perseguição é uma doença mental. Eu realmente queria mostrar as camadas disso de uma forma humana que eu nunca tinha visto em uma produção”.</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">&#8211; Richard Gadd em entrevista ao Tudum, da Netflix.</span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Já no campo das atuações, o elenco entrega uma performance impecável, capaz de despertar empatia e repulsa nos momentos certos. Cientes de que interpretam personagens redondas, os atores se alternam entre expressões faciais e corporais completamente diferentes, seguindo o ritmo da descoberta das fases distintas da vida do protagonista. Richard Gadd revive nas telas o que podem ser considerados os piores momentos de sua vida com uma coragem invejável, que o coloca no páreo pelo título de Melhor Ator em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme. Ao seu lado, </span><a href="https://youtu.be/dPFbMQFlD5I?si=nv8GFfuUSblbjsOZ"><span style="font-weight: 400;">Jessica Gunning</span></a><span style="font-weight: 400;"> se entrega para viver Martha, deixando para o telespectador uma entrega à Arte de mestre.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No papel de uma </span><i><span style="font-weight: 400;">stalker</span></i><span style="font-weight: 400;"> sem escrúpulos, Gunning não mede esforços para destruir qualquer relação íntima do protagonista de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bebê Rena</span></i><span style="font-weight: 400;">. Nesse caso, Teri (</span><a href="https://revistaforum.com.br/lgbt/2024/7/18/nava-mau-da-beb-rena-primeira-mulher-trans-ser-indicada-ao-emmy-162370.html"><span style="font-weight: 400;">Nava Mau</span></a><span style="font-weight: 400;">), interesse amoroso de Donny, é uma pedra em seu sapato. Os encontros entre as duas são tensos e extasiantes, deixando nítido que as atrizes realmente merecem as vagas em Melhor Atriz Coadjuvante em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme. Não menos genial, Tom Goodman-Hill – indicado como Melhor Ator Coadjuvante em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme – interpreta Darrien, um indivíduo desprezível, que funciona no roteiro como a personificação da maldade intrínseca à farsa da fama e status, um ideal que a indústria do entretenimento mundial sempre vendeu aos jovens artistas.</span></p>
<figure id="attachment_33926" aria-describedby="caption-attachment-33926" style="width: 1085px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33926" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-1.png" alt="Cena da série Bebê Rena. Na imagem, Donny, interpretado por Richard Gadd, um homem branco de cabelos e olhos claros, e Teri, interpretada por Nava Mau, uma mulher mexicana de cabelos e olhos escuros, estão encostados no vagão de um metrô. Eles se entreolham sorrindo enquanto a câmera os captura a partir dos ombros. Ao fundo, o cenário desfocado revela silhuetas de passageiros." width="1085" height="608" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-1.png 1085w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-1-800x448.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-1-1024x574.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-1-768x430.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33926" class="wp-caption-text">A atriz Nava Mau, que interpreta Teri, é a primeira mulher trans a ser indicada como Melhor Atriz Coadjuvante em Série Limitada ou Antologia ou Telefilme na história do Emmy (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que a obra apresente algumas falhas de concepção, que justifiquem o fato de não agradar a todos os públicos, ela tenta vencer a superficialidade do meio em que se reproduz. Isso, por si, é um esforço notável e digno de reconhecimento. Apresentando os mesmos ‘erros’ que seu </span><a href="https://youtu.be/KRoD0pX-AUM?si=pXCvFFC8oW87hyLk"><span style="font-weight: 400;">protagonista</span></a><span style="font-weight: 400;">, como a representação um tanto quanto clichê das mulheres trans e a exposição pouco cuidadosa de temas sensíveis, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bebê Rena</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue abrir a discussão sobre questões fundamentais que percorrem a sociedade atual, entre elas, a urgência da obsessão, fator que nos corrompe como nunca antes. Afinal, pouco tempo após a viralização da produção nas redes sociais, a mídia logo voltou a atenção à mulher que inspirou Martha; uma prova do quanto estamos longe de compreendermos coletivamente o perigo do </span><i><span style="font-weight: 400;">stalking</span></i><span style="font-weight: 400;">, embora a minissérie tenha contribuído para colocar em xeque o imaginário popular, acostumado com abordagens levianas do tema.</span></p>
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<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/bebe-rena-critica/">Bebê Rena é o retrato de uma sociedade corrompida pela obsessão</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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