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	<title>Arquivos Tomás Corredor &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Novembro tenta honrar as memórias do passado, mas sucumbe na superficialidade</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Oct 2025 13:10:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Arthur Caires O cerco ao Palácio da Justiça da Colômbia, ocorrido em 6 de novembro de 1985, foi um dos episódios mais violentos e traumáticos da história do país. Integrantes do grupo guerrilheiro M-19 invadiram o edifício, em Bogotá, tomando magistrados, funcionários e civis como reféns em um ato que pretendia denunciar o governo e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/novembro-tenta-honrar-as-memorias-do-passado-mas-sucumbe-na-superficialidade/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Novembro tenta honrar as memórias do passado, mas sucumbe na superficialidade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36021" aria-describedby="caption-attachment-36021" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36021" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-12-800x450.png" alt="Em um close-up do filme Novembro, uma mulher loira com expressão angustiada e olhos arregalados cobre a boca e o nariz com um pano azul escuro. Ela veste uma jaqueta escura, e o fundo está desfocado com um tom esverdeado." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-12-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-12-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-12-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-12-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-12-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-12.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36021" class="wp-caption-text">Entre o real e o encenado, Novembro busca dar forma ao trauma coletivo colombiano (Foto: Vulcana Cinema)</figcaption></figure>
<p><b>Arthur Caires</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cerco ao </span><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/ha-37-anos-ataque-da-guerrilha-de-petro-ao-palacio-da-justica-da-colombia-resultou-em-mais-de-cem-mortes/"><span style="font-weight: 400;">Palácio da Justiça da Colômbia</span></a><span style="font-weight: 400;">, ocorrido em 6 de novembro de 1985, foi um dos episódios mais violentos e traumáticos da história do país. Integrantes do grupo guerrilheiro M-19 invadiram o edifício, em Bogotá, tomando magistrados, funcionários e civis como reféns em um ato que pretendia denunciar o governo e forçar um julgamento simbólico do presidente colombiano. A resposta militar foi imediata e devastadora: o exército cercou o prédio e iniciou uma ofensiva que durou cerca de dois dias, resultando em um incêndio que deixou mais de cem mortos, incluindo juízes da Suprema Corte. </span></p>
<p><span id="more-36020"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Novembro </span></i><span style="font-weight: 400;">nos joga imediatamente dentro do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=m1xpLN_LwF4"><span style="font-weight: 400;">acontecimento</span></a><span style="font-weight: 400;">, sem oferecer tempo para respirar ou compreender. Começamos com a gravação de uma ligação em um momento tenso, a tela chuviscando como se o próprio filme tentasse resistir ao colapso da imagem. Entre ruídos e reflexos, o espectador é arremessado ao olho do caos, como se também estivesse preso naquele banheiro onde guerrilheiros, juízes e civis se confrontam com algo mais violento do que balas: suas próprias convicções. </span></p>
<figure id="attachment_36023" aria-describedby="caption-attachment-36023" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36023" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-12-800x450.png" alt="Em uma cena do filme Novembro, um homem de terno cinza e gravata vermelha listrada olha para o lado com uma expressão de choque e alarme, com os olhos arregalados. Ele está em um local cheio, com outras pessoas ao fundo, incluindo uma mulher de cabelos cacheados que observa com medo." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-12-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-12-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-12-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-12-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-12-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-12.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36023" class="wp-caption-text">Novembro mostra as vítimas como reflexos de uma nação à beira do abismo (Foto: Vulcana Cinema)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigido por Tomás Corredor, que também assina o roteiro ao lado de Iana Cossoy Paro e Jorge Goldenberg, o longa é uma coprodução entre Colômbia, México, Brasil e Noruega, com participação da produtora gaúcha </span><a href="https://vulcanacinema.com/"><span style="font-weight: 400;">Vulcana Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">. Inspirado em um dos episódios mais trágicos da história colombiana, o longa tenta equilibrar ficção e documento, alternando entre cenas dramatizadas e imagens reais. A proposta é ambiciosa: revisitar o trauma coletivo de um país e transformá-lo em catarse cinematográfica. Porém, entre a intenção e a execução, há uma distância que a própria obra parece não conseguir atravessar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da intensidade do tema, </span><i><span style="font-weight: 400;">Novembro </span></i><span style="font-weight: 400;">encontra dificuldade em construir uma ambientação que sustente sua tensão. Ao optar por começar já dentro do acontecimento, </span><a href="https://www.tomascorredor.com/tom%C3%A1s"><span style="font-weight: 400;">Corredor</span></a><span style="font-weight: 400;"> abdica de um processo de imersão gradual, e o resultado é um cenário que se esvazia antes mesmo de se consolidar. As cenas de clímax carecem de textura; o cenário limitado, embora se esforce para sugerir uma dimensão simbólica, soa simples. Há uma vontade de fazer o espectador sentir o pânico, mas o medo nunca chega a se materializar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas performances, essa fragilidade se repete. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oxy8udgWRmo"><span style="font-weight: 400;">Natalia Reyes</span></a><span style="font-weight: 400;">, no papel de Clara Helena, entrega uma atuação que parece travada entre o esforço de transmitir dor e a limitação do roteiro em oferecer profundidade emocional. Santiago Alarcón – como Magistrado Gaona – e o restante do elenco também oscilam entre o didatismo e o vazio, um conjunto de atuações que se esforçam para gerar empatia, e acabam transmitindo apenas um texto falado.</span></p>
<figure id="attachment_36022" aria-describedby="caption-attachment-36022" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36022" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-10-800x450.png" alt="Em uma cena do filme Novembro, um homem de terno cinza e gravata vermelha listrada olha para o lado com uma expressão de choque e alarme, com os olhos arregalados. Ele está em um local cheio, com outras pessoas ao fundo, incluindo uma mulher de cabelos cacheados que observa com medo." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-10-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-10-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-10-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-10-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-10-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-10.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36022" class="wp-caption-text">Na tentativa de revisitar o passado, o filme revela a fragilidade da reconstrução (Foto: Vulcana Cinema)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao incorporar </span><a href="https://comunica.ufu.br/noticias/2022/01/filmes-podem-ser-fontes-historicas-entre-o-anacronismo-e-historicidade"><span style="font-weight: 400;">vídeos de arquivo</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Novembro </span></i><span style="font-weight: 400;">pretende evocar a força da história e conferir densidade à narrativa. No entanto, a costura entre o material histórico e a ficção se mostra irregular. As imagens antigas parecem inseridas mais como reforço simbólico do que como parte orgânica do discurso. Falta uma correlação que sustente o gesto memorial, como se a produção acreditasse que a mera presença do real fosse suficiente para garantir profundidade. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Novembro </span></i><span style="font-weight: 400;">quer ser uma elegia, uma tentativa de fazer justiça à memória das </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/10/vitimas-de-ataque-ao-palacio-da-justica-sao-identificadas-na-colombia.html"><span style="font-weight: 400;">pessoas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que morreram naquele 6 de novembro. No entanto, o que emerge é uma obra que deseja dizer muito, sem encontrar as palavras certas. Há uma nobreza inegável em revisitar uma ferida nacional, porém também uma responsabilidade estética e ética que o filme não assume plenamente. O resultado é uma reflexão incompleta: o longa fala sobre o trauma, mas não o sente.</span></p>
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