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	<title>Arquivos Tina Turner &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A Noite que Mudou o Pop: um encontro imperfeito, mas emocionante</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Aug 2024 17:32:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner O cenário é o estúdio de uma clássica gravadora em Los Angeles. No ambiente, as espumas nas paredes evidenciam o cantarolar de uma voz familiar e icônica; Michael Jackson ensaia We Are The World sozinho, enquanto Lionel Richie orquestra, nos bastidores do American Music Awards, o que pode ser considerado o mais importante &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-noite-que-mudou-o-pop-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Noite que Mudou o Pop: um encontro imperfeito, mas emocionante"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33851" aria-describedby="caption-attachment-33851" style="width: 980px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-33851" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image2-4.png" alt="Cena de A Noite que Mudou o Pop. Na imagem, parte dos 45 artistas convocados para cantar aparecem posicionados em um estúdio de gravação. Em frente a todos eles está Quincy Jones, um homem negro, produtor da música We Are The World. Ele veste roupas casuais e usa um fone de ouvido. O cenário é composto por tons amarronzados, espumas nas paredes e um telão ao fundo dos cantores." width="980" height="655" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image2-4.png 980w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image2-4-800x535.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image2-4-768x513.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33851" class="wp-caption-text">O documentário estreou em primeiro lugar na lista de produções mais assistidas da Netflix (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário é o estúdio de uma clássica gravadora em Los Angeles. No ambiente, as espumas nas paredes evidenciam o cantarolar de uma voz familiar e icônica; Michael Jackson ensaia </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=s3wNuru4U0I"><i>We Are The World</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> sozinho, enquanto Lionel Richie orquestra, nos bastidores do </span><span style="font-weight: 400;"><i>American Music Awards</i></span><span style="font-weight: 400;">, o que pode ser considerado o mais importante encontro da história da Música. Seguindo o embalo de tantas vozes que marcaram gerações, </span><span style="font-weight: 400;"><i>A Noite que Mudou o Pop</i></span><span style="font-weight: 400;"> emociona, ainda que seja um documentário tão imperfeito quanto a tentativa de unir timbres diferentes em uma só faixa e atenuar egos inflados em prol de uma causa humanitária: a fome no continente africano.</span></p>
<p><span id="more-33849"></span><br />
<span style="font-weight: 400;">Através das lentes de Bao Nguyen – diretor veterano de documentários, como a biografia de Bruce Lee, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JSTy5EMrQA8"><i>Be Water</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> (2020) –, o público assiste à registros e depoimentos inéditos do encontro entre as 45 maiores estrelas da década de 1980, enquanto contempla Lionel Richie se reencontrar com as memórias de uma noite inesquecível. O intérprete de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gIbw0OkC9po"><i>Say You, Say Me</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> age como um ‘fanfarrão’ e aproveita de sua aura de apresentador nato para tentar transformar o filme em algo apoteótico. Por vezes, a narração soa exagerada e redundante, porém, é difícil julgá-lo por isso, afinal, qualquer mero mortal também passaria uma eternidade se gabando caso fosse o responsável por tamanha façanha.</span></p>
<figure id="attachment_33850" aria-describedby="caption-attachment-33850" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33850" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image1.jpg" alt="Cena de A Noite que Mudou o Pop. Da esquerda para a direita na imagem, Cyndi Lauper e Bruce Springsteen estão sentados no estúdio de gravação. Lauper, uma mulher branca de cabelos loiros e coloridos, veste uma camiseta branca e muitos acessórios enquanto segura um papel com os versos de We Are The World. Já Springsteen, um homem branco de cabelos escuros, veste jaqueta de couro preta sobre uma blusa azul enquanto olha para a cantora. Ao fundo, o cenário apresenta tons amarronzados." width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image1-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33850" class="wp-caption-text">Cyndi Lauper quase desistiu de participar do projeto porque seu namorado na época duvidou do sucesso da canção (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O contexto dessa missão quase impossível é explorado por </span><span style="font-weight: 400;"><i>The Greatest Night In Pop</i></span><span style="font-weight: 400;"> (no original), que faz questão de relembrar cada passo e demonstrar como ela atravessou o </span><span style="font-weight: 400;"><i>AMA’s</i></span><span style="font-weight: 400;">, tradicional premiação da indústria musical estadunidense. Richie, que estava celebrando um ótimo ano na carreira, precisava coordenar aqueles astros sentados na plateia para o estúdio de gravação. Todos foram inicialmente convidados por Harry Belafonte, músico e ativista idealizador da iniciativa que se assemelhava ao </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=j3fSknbR7Y4"><i>Band Aid</i></a></span><span style="font-weight: 400;">; união dos artistas britânicos e irlandeses. Ao seu lado, Quincy Jones é referenciado, no longa, como a peça fundamental para extrair o melhor do supergrupo </span><span style="font-weight: 400;"><i>USA For Africa.</i></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante o documentário, o telespectador acaba se identificando com um ou outro artista e, até mesmo, se surpreendendo com a postura de outros. No campo dos que conquistam a audiência, a irreverência de Cyndi Lauper, o estilo de vocalização único de Bruce Springsteen – alerta: </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EPhWR4d3FJQ"><i>Born In The USA</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> gruda mais na mente do que </span><span style="font-weight: 400;"><i>We Are The World</i></span><span style="font-weight: 400;"> –, o sorriso genuíno de Diana Ross e a timidez de Bob Dylan preenchem a tela. Por outro lado, a falta de paciência de Waylon Jennings com um Stevie Wonder muito animado, e a ausência de Prince, que venceu vários prêmios da noite em categorias que </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/michael-jackson-thriller-resenha/">Michael Jackson</a></span><span style="font-weight: 400;"> também concorria, somaram-se como pontos desagradáveis de acompanhar.</span></p>
<figure id="attachment_33852" aria-describedby="caption-attachment-33852" style="width: 1118px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33852" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image3.jpg" alt="Cena de A Noite que Mudou o Pop. Da esquerda para a direita na imagem, Michael Jackson e Lionel Richie estão sentados no estúdio de gravação. Jackson, um homem negro de cabelos escuros, veste roupas escuras enquanto segura um papel com os versos de We Are The World. Já Richie, um homem negro de cabelos escuros, veste jaqueta de couro preta sobre uma blusa branca enquanto folheia o mesmo papel. Ao fundo, o cenário apresenta tons amarronzados." width="1118" height="708" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image3.jpg 1118w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image3-800x507.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image3-1024x648.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image3-768x486.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33852" class="wp-caption-text">We Are The World foi escrita por Michael Jackson e Lionel Richie, e produzida por Quincy Jones e Michael Omartian (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Indicada em três categorias do </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2024/"><i>Emmy</i></a></span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2024/"> 2024</a></span><span style="font-weight: 400;">, a produção da </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/tag/netflix/"><i>Netflix</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> é uma concorrente forte pela estatueta de Melhor Documentário ou Especial de Não-Ficção e Melhor Edição de Som em Reality ou Programa de Não-Ficção, assinada por Richard Gallagher. O diretor, Bao Nguyen, ainda enfrenta nomes consolidados pelo prêmio de Melhor Direção em Documentário ou Programa de Não-Ficção. </span><span style="font-weight: 400;"><i>A Noite que Mudou o Pop</i></span><span style="font-weight: 400;"> mira na </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/euphories-critica/">nostalgia</a></span><span style="font-weight: 400;"> de tempos que não voltam mais e acaba, consequentemente, celebrando Lionel Richie como um dos grandes nomes da época. Embora tenha altos e baixos, exatamente como a faixa que arrecadou 60 milhões de dólares em fundos para a África, a emoção deixa a última e boa impressão.</span></p>
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		<title>Tina: a chave de ouro de uma lenda</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Aug 2021 19:29:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Eduardo Rota Hilário Sucesso, fama e uma multidão de fãs. Se a abertura contagiante do documentário Tina parece dimensionar muito bem a figura de Tina Turner, verdadeira lenda do rock’n’roll, poucos minutos são necessários para que surjam pontos contrastantes em relação a esse clima festivo. Decerto, são as dores dessa artista mundialmente venerada que protagonizam, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/tina-documentario-hbo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Tina: a chave de ouro de uma lenda"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22498" aria-describedby="caption-attachment-22498" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22498" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-Tina-scaled.jpg" alt="Fotografia retangular da cantora Tina Turner. Ao fundo, vemos um estádio de futebol. No centro, sentada em uma cadeira, a artista se dispõe de lado, com pernas dobradas e boca levemente aberta. Ela é uma mulher negra, com sandálias gladiadoras, esmalte e batom vermelhos, um anel e outros adereços. " width="2560" height="1733" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-Tina-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-Tina-800x542.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-Tina-1024x693.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-Tina-768x520.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-Tina-1536x1040.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22498" class="wp-caption-text">Tudo que é bom acaba: Tina Turner se despede da vida pública em documentário indicado três vezes ao Emmy 2021; na foto, a cantora esbanja estilo em solo brasileiro (Foto: Dave Hogan)</figcaption></figure>
<p><b>Eduardo Rota Hilário</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sucesso, fama e uma multidão de fãs. Se a abertura contagiante do documentário </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2021/03/16/tina-turner-relembra-vida-e-carreira-em-novo-documentario-para-a-hbo.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Tina</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> parece dimensionar muito bem a figura de Tina Turner, verdadeira </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2021/05/12/jay-z-tina-turner-e-foo-fighters-serao-induzidos-ao-hall-da-fama-do-rock.htm"><span style="font-weight: 400;">lenda do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock’n’roll</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, poucos minutos são necessários para que surjam pontos contrastantes em relação a esse clima festivo. Decerto, são as dores dessa artista mundialmente venerada que protagonizam, na maior parte do tempo, a narrativa de um filme honesto, memorialístico e quase melancólico. Dividido em cinco partes, o longa-metragem dirigido e roteirizado por Daniel Lindsay e T.J. Martin é uma boa escolha para </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2021/03/24/tina-turner-se-despede-da-vida-publica-com-documentario-e-diz-nao-foi-uma-vida-boa.ghtml"><span style="font-weight: 400;">quem se despede da vida pública</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span id="more-22497"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Levando em consideração que criar um </span><i><span style="font-weight: 400;">gran finale</span></i><span style="font-weight: 400;"> para uma carreira longa e próspera não é tarefa fácil, alguns acertos desse desafio sem dúvida merecem destaque. No caso de </span><i><span style="font-weight: 400;">Tina</span></i><span style="font-weight: 400;">, fixar indiretamente o amor como centro de um enredo extremamente delicado, com diferentes pontos de vista, é uma decisão admirável. Seja através da ausência, marcada na confissão “</span><i><span style="font-weight: 400;">quase nunca recebi amor em minha vida</span></i><span style="font-weight: 400;">” &#8211; nem mesmo dos próprios pais, </span><a href="http://g1.globo.com/globo-news/noticia/2014/11/rainha-do-rock-e-lenda-da-musica-cantora-tina-turner-completa-75-anos.html"><span style="font-weight: 400;">que abandonaram a cantora logo cedo</span></a><span style="font-weight: 400;"> -, seja através da conquista, quando ela conhece o atual marido, </span><a href="https://claudia.abril.com.br/famosos/tina-turner-revela-ter-feito-um-transplante-de-rim-doado-pelo-marido/"><span style="font-weight: 400;">Erwin Bach</span></a><span style="font-weight: 400;">, o amor é peça essencial &#8211; e, muitas vezes, implícita &#8211; em todos os acontecimentos da vida de Tina Turner. </span></p>
<figure id="attachment_22500" aria-describedby="caption-attachment-22500" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22500" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-2-Tina.jpg" alt="Cena do documentário Tina. Na imagem, vemos a cantora Tina Turner dentro de um carro, disposta de perfil, olhando pela janela e apoiando o rosto em sua mão fechada. Ela é uma mulher negra, de cabelos loiros, com semblante reflexivo e veste roupas de frio. " width="1366" height="765" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-2-Tina.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-2-Tina-800x448.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-2-Tina-1024x573.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-2-Tina-768x430.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-2-Tina-1200x672.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22500" class="wp-caption-text">Longa-metragem de Daniel Lindsay e T.J. Martin é uma espécie de biografia oficial e definitiva da cantora Tina Turner (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, uma centralidade também fundamental à história que se quer contar são os traumas vividos pela artista. Nesse aspecto, o documentário se aproxima de outras produções recentes, como o emocionante </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hcPPo1ZY-wI"><i><span style="font-weight: 400;">Gaga: Five Foot Two</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2017, e o confessional </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yN30-wJZqf4"><i><span style="font-weight: 400;">Narciso em Férias</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2020. A diferença é que, agora, vemos uma produção com maior variedade de fontes, em um conjunto de entrevistas mais ou menos padronizado. Isso contribui para uma melhor organização e dinâmica de relatos sufocantes, que detalham </span><a href="https://emais.estadao.com.br/noticias/gente,tina-turner-tentou-cometer-suicidio-tomando-50-comprimidos-para-dormir,70002540257"><span style="font-weight: 400;">tentativas de suicídio</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma carreira agitada, que tolhe momentos em família, e outros lugares de difícil revisitação.       </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas o ápice dessas angústias é, com certeza, o </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/documentario-sobre-tina-turner-mostra-desde-abusos-sofridos-criacao-de-hits-nao-foi-uma-vida-boa-diz-ela-1-24945255"><span style="font-weight: 400;">relacionamento abusivo</span></a><span style="font-weight: 400;"> que Tina vivenciou com o ex-marido Ike Turner, também parceiro musical no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hzQnPz6TpGc"><span style="font-weight: 400;">começo de sua carreira artística</span></a><span style="font-weight: 400;">. Responsável por violências físicas, sexuais e psicológicas, Ike é, depois de Tina, a figura de maior destaque do documentário &#8211; o que é, no mínimo, irônico, já que a cantora tenta, há anos, se desvencilhar da imagem construída ao lado do antigo companheiro. Para se ter uma noção mais exata, uma entrevista concedida à revista </span><i><span style="font-weight: 400;">People</span></i><span style="font-weight: 400;">, em 1981, um </span><a href="https://www.consultoriadorock.com/2019/01/13/eu-tina-a-historia-da-minha-vida-1986/"><span style="font-weight: 400;">livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4YMzT2Uelts"><span style="font-weight: 400;">filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> não foram suficientes para colocar um fim nessa história. Na verdade, isso tudo somente aumentou a curiosidade da mídia, que nunca perdeu uma única oportunidade de colocar o tema em pauta.</span></p>
<figure id="attachment_22501" aria-describedby="caption-attachment-22501" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22501 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-Tina-800x800.jpeg" alt="Capa do álbum Private Dancer. Fotografia quadrada, com fundo preto. No canto superior esquerdo, lemos Tina em letras brancas sublinhadas. No canto superior direito, lemos Turner em letras brancas espaçadas. Logo abaixo, a cantora Tina Turner ocupa o meio da foto de cima a baixo. Ela é uma mulher negra, sentada de pernas abertas sobre um suporte com toalha acinzentada, e veste uma blusa decotada, de manga comprida, meias-calças e saltos, todos pretos. No canto inferior direito, lemos Private Dancer em letras pretas. " width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-Tina-800x800.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-Tina.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-Tina-150x150.jpeg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-Tina-768x768.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-22501" class="wp-caption-text">Uma das duas versões de capa do álbum Private Dancer, responsável por projetar mundialmente a carreira de Tina Turner (Foto: Capitol Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Registrando, no documentário, uma possível versão definitiva desse passado conturbado, Tina Turner não vê a hora de poder parar de falar sobre isso. Afinal, por que não dão maior ênfase e importância ao período em que ela assumiu o controle da própria vida? Ela precisou </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-03-03/tina-a-despedida-da-tigresa-do-rock.html"><span style="font-weight: 400;">ir ao tribunal para manter o nome artístico</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mais tarde, em 1984, dominou o mundo com o disco </span><a href="https://open.spotify.com/album/7gVHUNPQr0AE2A0Yf5MjqR?si=Qy131GZHSL20ef9clqAugw&amp;dl_branch=1"><i><span style="font-weight: 400;">Private Dancer</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; nas palavras da própria artista, “</span><i><span style="font-weight: 400;">Tina nunca tinha realmente estreado. Foi a estreia de Tina, e aquele foi o meu primeiro álbum</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Por que dar menos importância a tantas conquistas, preferindo sempre destacar o antigo casamento? São questões dessa natureza que a cantora tenta resolver de vez, antes de sair de cena.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em essência, o que o longa-metragem realmente busca é recriar o processo de construção de Tina Turner. Com alguma variedade de fontes &#8211; embora todas tenham pelo menos uma proximidade mínima com a artista -, além, é claro, dos relatos da própria estrela, busca-se organizar a trajetória de uma vida nada fácil, que serviu de caminho para moldar a cantora tal qual a conhecemos hoje. Resgatando alguns </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/gente/tina-turner-reaparece-para-divulgar-documentario-de-sua-carreira,cdb09426d7a47f6011db0b57262a1b746wdly12k.html"><span style="font-weight: 400;">arquivos até então inéditos</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Tina</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode </span><a href="https://www.cineset.com.br/critica-tina-turner-hbo-202/"><span style="font-weight: 400;">chover no molhado</span></a><span style="font-weight: 400;"> para antigos fãs, visto que revisita uma história já contada inúmeras vezes. Mas não deixa de ser um filme perfeito para quem ainda está se introduzindo ao universo dessa diva.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="TINA (2021) Official Trailer | HBO" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/w9IkVtLvflU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">De modo geral, um trabalho tão complexo só obteria êxito com uma boa direção. Por isso, não é coincidência que Daniel Lindsay e T.J. Martin &#8211; dupla que já recebeu um </span><a href="http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2012/02/undefeated-leva-o-oscar-de-melhor-documentario.html"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Documentário</span></a><span style="font-weight: 400;"> por </span><i><span style="font-weight: 400;">Undefeated</span></i><span style="font-weight: 400;">, em 2012 &#8211; estejam concorrendo a Melhor Direção em Documentário/Programa de Não-Ficção no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">. Certamente, de nada adiantaria a ambição de um projeto dessa magnitude se ele fosse desenvolvido de maneira caótica e desorganizada. E se tratando da carreira de um ícone da Música, faz ainda mais sentido que o documentário esteja concorrendo também a Melhor </span><i><span style="font-weight: 400;">Mixagem </span></i><span style="font-weight: 400;">de Som em <em>Reality</em> ou Programa de Não-Ficção (Única ou Múltiplas Câmeras).  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já a disputa por Melhor Documentário ou Especial de Não-Ficção parece estar ainda mais acirrada, uma vez que nomes de grande repercussão, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/framing-britney-spears-a-vida-de-uma-estrela-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Framing Britney Spears: A Vida de uma Estrela</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="http://personaunesp.com.br/o-dilema-das-redes-netflix-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Dilema das Redes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, também concorrem à categoria. Pode até ser que </span><i><span style="font-weight: 400;">Tina</span></i><span style="font-weight: 400;"> se destaque pela coesão narrativa, ou por abordar temas urgentes, tal como a violência contra a mulher, mas é cedo para cantar qualquer tipo de vitória. De toda maneira, com essas indicações, a qualidade do longa começa a se revelar inegável. E Tina Turner? Continua sendo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GC5E8ie2pdM"><span style="font-weight: 400;">simplesmente a melhor</span></a><span style="font-weight: 400;">.       </span></p>
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