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	<title>Arquivos The Twilight Zone &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Phoebe Bridgers e a loucura racional de Punisher</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Jan 2021 16:33:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Laura Ferreira A melhor parte de entrar em contato com gêneros, ritmos e cantores que não estamos acostumados a escutar é ter uma experiência totalmente nova, que se intensifica de acordo com nossa entrega. E nada seria mais intenso do que Punisher, de Phoebe Bridgers. O disco que concorre a Melhor Álbum de Música &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/punisher-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Phoebe Bridgers e a loucura racional de Punisher"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-17781" style="font-weight: bold; background-color: transparent; text-align: inherit; color: #1a1a1a; font-size: 16px;" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/1-3.jpg" alt="Capa do álbum Punisher. Mostra Phoebe Bridgers em pé e olhando para o céu, de perfil, com um macacão preto que imita um esqueleto. Ela está em um lugar cheio de pedras e ao fundo há uma montanha. O céu está estrelado e em azul escuro forte, enquanto o resto do quadro está sendo iluminado por uma luz vermelha. " width="1200" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/1-3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/1-3-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/1-3-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/1-3-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/1-3-768x768.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p><b>Ana Laura Ferreira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A melhor parte de entrar em contato com gêneros, ritmos e cantores que não estamos acostumados a escutar é ter uma experiência totalmente nova, que se intensifica de acordo com nossa entrega. E nada seria mais intenso do que </span><i><span style="font-weight: 400;">Punisher</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Phoebe Bridgers. O disco que concorre a Melhor Álbum de Música Alternativa no</span> <a href="https://personaunesp.com.br/tag/grammy-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy 2021</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é uma descoberta transcendental de entrega e história, embalada pela mais perfeita melodia. Novo, fresco e autêntico, ele encanta por elevar a todas as potências sem perder a mão.</span></p>
<p><span id="more-17780"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Bem iniciado com uma construção de atmosfera que vai dar sequência ao fantástico mundo de Bridgers, a coletânea não hesita em formar um caminho narrativo entre suas faixas. Como crônicas literárias que se unem em um grande livro, </span><i><span style="font-weight: 400;">Punisher </span></i><span style="font-weight: 400;">organizou suas músicas em um grande álbum. Talvez seja pretensioso falar, mas a delicadeza e as epifanias empregadas pela cantora em seus “contos” me levam a crer que ela seria uma grande apreciadora das obras de </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/12/10/cultura/1544426497_594113.html"><span style="font-weight: 400;">Clarice Lispector</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como a literata, Phoebe transforma vivências rotineiras em poesias e grandes ensinamentos de vida. O seu próprio </span><a href="https://contobrasileiro.com.br/amor-conto-de-clarice-lispector/"><i><span style="font-weight: 400;">“cego mascando chiclete&#8221;</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> permeia todas as faixas na dicotomia entre o querer e o ser, entre expectativa e realidade. É em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Tw0zYd0eIlk"><i><span style="font-weight: 400;">Kyoto</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que ela canta: </span><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><i><span style="font-weight: 400;">Eu queria ver o mundo/Através dos seus olhos até que isso aconteceu/Então eu mudei de ideia”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Assim como Lispector, os momentos de revelação de Bridgers são celestiais, sem se perderem no fantasioso, e acima de tudo cotidianos. </span></p>
<figure id="attachment_17782" aria-describedby="caption-attachment-17782" style="width: 870px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-17782" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/2-1.jpg" alt="Imagem de Phoebe Bridgers da cintura para cima. Ela usa um macacão preto com desenho de esqueleto e tem os cabelos loiros soltos. Ao fundo há algumas árvores. Uma luz vermelha ilumina o rosto da cantora." width="870" height="580" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/2-1.jpg 870w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/2-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/2-1-768x512.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17782" class="wp-caption-text">No Grammy 2020, Bridgers ainda concorre a Melhor Música de Rock e Melhor Performance de Rock com Kyoto (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse sentimento transcendental de apreciação tem como grande exemplo a trilha </span><i><span style="font-weight: 400;">Punisher</span></i><span style="font-weight: 400;">. Calma e caótica ao mesmo tempo, Phoebe traz uma experiência completa a cada nova música, construída com uma autenticidade que vem faltando na indústria. Conseguimos sentir a voz da cantora em meio às narrativas de maneira tão íntima e sincera que nos coloca dentro das histórias ali contadas. Essa sensação de entrega consegue se manter única, assim como os trabalhos, tão autorais e inovadores quanto, de bandas como </span><a href="https://open.spotify.com/artist/46CitWgnWrvF9t70C2p1Me?si=gcroSMNLQE2hsHov8h3o1w"><span style="font-weight: 400;">Daughter</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, o que mais chama atenção nas melodias de Bridgers é seu modo de cantar. Ela entoa cada faixa com liberdade e singularidade, moldando o tempo das palavras e se permitindo brincar com as sonoridades. Essa forma de harmonia traz uma estética ímpar que pode ou não agradar o público. Mas apesar do gosto pessoal, as fisionomias surrealistas que a voz de Phoebe toma não podem ser consideradas nada menos do que arte em sua forma mais pura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez fosse difícil descrever as milhares de sensações que o disco passa se não como a trilha perfeita para se escutar contemplando o nada e sentindo tudo, seja deitado na cama olhando para o teto ou para uma bela paisagem. Assim, o que realmente prende em </span><i><span style="font-weight: 400;">Punisher </span></i><span style="font-weight: 400;">não só sua infinidade de qualidades técnicas, mas o poder que ele tem sobre nossos sentidos. Quase como uma viagem, podemos desfrutar um pouco da essência de Bridgers em uma experiência de renovação, porque o “eu” que entra em </span><i><span style="font-weight: 400;">DVD Menu</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é o mesmo que sai em </span><i><span style="font-weight: 400;">I Know The End</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_17783" aria-describedby="caption-attachment-17783" style="width: 940px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-17783" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/3-1.jpg" alt="Imagem de Bridgers de perfil com os cabelos platinados soltos. Ela usa uma blusa branca coberta por um blazer preto. Ao fundo há uma rua desfocada." width="940" height="550" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/3-1.jpg 940w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/3-1-300x176.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/3-1-768x449.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17783" class="wp-caption-text">Garden Song fez parte da trilha sonora da primeira temporada de Grand Army, da Netflix, florescendo perfeitamente na cena (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de melancólico, </span><i><span style="font-weight: 400;">Punisher </span></i><span style="font-weight: 400;">encanta pela mistura de influências de diferentes gêneros que unem os sintetizadores de </span><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">dos anos 1970 em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xprOOPOht8I"><i><span style="font-weight: 400;">ICU</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ao violão suave, e quase </span><i><span style="font-weight: 400;">country</span></i><span style="font-weight: 400;">, de </span><i><span style="font-weight: 400;">Graceland Too</span></i><span style="font-weight: 400;">. Essa mistura apazigua o caos das melodias criando um estilo particular pelo qual Bridgers é reconhecida. Porém, apesar de belo, o excesso de elementos às vezes pode incomodar. Por vezes a simplicidade de músicas como </span><i><span style="font-weight: 400;">Moon Song</span></i><span style="font-weight: 400;"> são melhor desenvolvidas do que a abundância de </span><i><span style="font-weight: 400;">Chinese Satellite</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre os pontos mais fortes do álbum está a singularidade entre pessoal e universal. As histórias desenvolvidas em cada faixa funcionam com curtas-metragem de diferentes gêneros como romance, drama e até terror, que vistos de longe ganham outro panorama. As conexões são discretas de forma a não atrapalhar as narrativas e ainda construir um todo. Quando Bridgers canta, ao fim de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gheV7FyJPZ4"><i><span style="font-weight: 400;">Halloween</span></i></a> <i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><i><span style="font-weight: 400;">Eu serei o que você quiser”</span></i><span style="font-weight: 400;"> e inicia a faixa seguinte com </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu tenho andado em círculos/Fingindo ser eu mesma”</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela traz a composição para um nível tão pessoal que é quase como se estivéssemos lendo seu diário.</span></p>
<figure id="attachment_17784" aria-describedby="caption-attachment-17784" style="width: 1800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-17784" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/4-1.jpg" alt="Imagem de Bridgers cantando. Ela está com os cabelos platinados para trás e usa um headphone. Ela está cantando em frente a um microfone e há vários aparelhos ao fundo. A imagem é em branco e preto." width="1800" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/4-1.jpg 1800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/4-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/4-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/4-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/4-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/01/4-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17784" class="wp-caption-text">A mistura óbvia, mas ainda assim maravilhosa, entre Bridgers e The 1975, fizeram da faixa dos britânicos &#8220;Jesus Christ 2005 God Bless America” o contraste perfeito entre drama e calmaria (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda essa construção de histórias e sonoridades abre espaço para que as melodias estejam no mesmo patamar de importância que a voz de Phoebe nas músicas &#8211; isso se não estiverem até acima?! As particularidades de sons criam uma atmosfera densa e profunda com ruídos tridimensionais e, assim, mais impactantes. Esse mergulho às profundezas sonoras de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2bOigld3D1k"><i><span style="font-weight: 400;">Punisher</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">podem ser sintetizado em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WJ9-xN6dCW4"><i><span style="font-weight: 400;">I Know The End</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A mais longa das onze faixas do álbum é também uma montanha russa de sentimentos e emoções.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Chega a ser difícil descrever a experiência, quase metafísica, de escutar esse disco e ter permissão de entrar na mente de Phoebe Bridgers. Para os fãs de ficção científica, </span><i><span style="font-weight: 400;">Punisher </span></i><span style="font-weight: 400;">seria algo próximo a </span><i><span style="font-weight: 400;">The</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Twilight Zone</span></i><span style="font-weight: 400;"> em questão de elementos, sensações e loucura organizada. Imponente, excitante e atemporal, o álbum é o tipo de obra que escutamos nos sentindo honrados de ter acesso a ela.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Punisher" width="300" height="380" allowtransparency="true" frameborder="0" allow="encrypted-media" src="https://open.spotify.com/embed/album/2xECuqnvvmVktV7UO8Dd3s?si=0gGQUmiaQ--Ep3U3rox0ww"></iframe></p>
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