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	<title>Arquivos Syd Barrett &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>50 anos de Wish You Were Here e a presença remanescente de Syd Barrett no lirismo do Pink Floyd</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Oct 2025 13:00:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Eduardo Dragoneti Lançado em 12 de setembro de 1975, o álbum Wish You Were Here do Pink Floyd se tornou um marco, não só em sua discografia, mas na história do post-rock e da música conceitual. Surgido em um contexto de esgotamento criativo e crescente desilusão com a indústria fonográfica, o disco é, antes &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/wish-you-were-here-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "50 anos de Wish You Were Here e a presença remanescente de Syd Barrett no lirismo do Pink Floyd"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_35873" aria-describedby="caption-attachment-35873" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-35873 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/WYWH-1.jpg" alt="Capa do álbum Wish You Were Here do Pink Floyd. Na capa, ambientada no estacionamento dos estúdios da Warner Bros, um pátio de cimento com galpões bege nas laterais, dois homens de terno apertam as mãos enquanto um deles está em chamas." width="512" height="512" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/WYWH-1.jpg 512w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/WYWH-1-150x150.jpg 150w" sizes="(max-width: 512px) 85vw, 512px" /><figcaption id="caption-attachment-35873" class="wp-caption-text">A capa, criada pela Hipgnosis, simboliza a sensação de ‘ser queimado’ nos negócios, refletindo a visão da banda sobre a indústria musical da época (Foto: Hipgnosis)</figcaption></figure>
<p><b>Eduardo Dragoneti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em 12 de setembro de 1975, o álbum </span><a href="https://entreacordes.blog/2020/09/12/45-anos-de-wish-you-were-here-um-dos-maiores-discos-conceituais-de-todos-os-tempos"><i><span style="font-weight: 400;">Wish You Were Here</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do Pink Floyd se tornou um marco, não só em sua discografia, mas na história do </span><i><span style="font-weight: 400;">post-rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> e da música conceitual. Surgido em um contexto de esgotamento criativo e crescente desilusão com a indústria fonográfica, o disco é, antes de tudo, uma </span><a href="https://www.antena1.com.br/noticias/wish-you-were-here-a-triste-historia-que-rendeu-a"><span style="font-weight: 400;">homenagem profunda</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos integrantes da banda (David Gilmour, Roger Waters, Richard Wright e Nick Mason) ao ex-membro </span><a href="https://rollingstone.com.br/noticia/por-que-syd-barrett-saiu-do-pink-floyd"><span style="font-weight: 400;">Syd Barrett</span></a><span style="font-weight: 400;"> (1946-2006), cuja a ausência pairava sobre eles de forma incômoda após o artista sair do grupo.</span></p>
<p><span id="more-35872"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Barrett havia deixado o conjunto musical em abril de 1968, após episódios de instabilidade mental associados ao uso abusivo de LSDs e a um diagnóstico nunca confirmado de esquizofrenia. Apesar disso, sua influência e seu legado artístico ecoaram notavelmente nos trabalhos seguintes do </span><a href="https://whiplash.net/materias/news_680/371767-pinkfloyd.html"><span style="font-weight: 400;">Pink Floyd</span></a><span style="font-weight: 400;">, seja no próprio </span><i><span style="font-weight: 400;">Wish You Were Here</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou em álbuns posteriores, como em </span><a href="https://rollingstone.com.br/musica/pink-floyd-lanca-animals-2018-remix-ainda-atual-disco-precisava-de-nova-versao-review"><i><span style="font-weight: 400;">Animals</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e o aclamado </span><a href="https://pinkfloyd.com.br/another-brick-in-the-wall-a-musica-mais-famoso-do-pink-floyd"><i><span style="font-weight: 400;">The Wall</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Já em </span><a href="https://www.collectorsroom.com.br/2019/08/review-pink-floyd-momentary-lapse-of.html"><i><span style="font-weight: 400;">A Momentary Lapse of Reason</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, faixas como </span><i><span style="font-weight: 400;">Sorrow</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">One Slip</span></i><span style="font-weight: 400;"> falam sobre a fragilidade da mente e a perda de alguém próximo, temas que os fãs relacionam à história do ex-vocalista e guitarrista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A faixa que abre e encerra o álbum, </span><a href="https://1023.clicrbs.com.br/blogda1023/2022/02/15/alem-da-letra-conheca-historia-da-musica-shine-crazy-diamond-pink-floyd"><i><span style="font-weight: 400;">Shine On You Crazy Diamond</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é uma suíte em nove partes composta por Waters, Wright e Gilmour, dedicada a Barrett – o “</span><i><span style="font-weight: 400;">diamante louco</span></i><span style="font-weight: 400;">” a quem o título faz referência. Os primeiros 13 minutos e meio do disco introduzem de forma lenta, instrumental e muito bem elaborada a </span><a href="https://www.letras.mus.br/blog/shine-on-you-crazy-diamond-historia"><span style="font-weight: 400;">dor da perda</span></a><span style="font-weight: 400;">, diferente da causada pela morte, mas a de saber que um alguém querido está em algum lugar, que não é mais tão perto quanto antes (física e afetivamente).</span></p>
<figure id="attachment_35874" aria-describedby="caption-attachment-35874" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-35874" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/WYWH-2.jpg" alt="Syd Barrett, caminha por uma calçada por um bairro de Londres em uma foto em preto e branco. Ele veste terno e camisa escura, olhando diretamente para a câmera com expressão séria e um cigarro na mão esquerda. Ao fundo, há carros antigos estacionados e uma mulher carregando sacolas." width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-35874" class="wp-caption-text">Roger ‘Syd’ Barrett faleceu de câncer no pâncreas em 7 de julho de 2006 no Hospital Addenbrooke, em Cambridge. Ele não deixou esposa nem filhos (Foto: Mick Rock)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na mesma faixa, Waters escreve: &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Você foi apanhado no fogo cruzado / Da infância e da fama / Soprado pela brisa de aço</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221; – um retrato aguçado da trajetória de Barrett e de seu desaparecimento dentro de si mesmo. No encerramento da canção, o sintetizador de Wright emula as notas de </span><a href="https://whiplash.net/materias/news_701/356414-pinkfloyd.html"><i><span style="font-weight: 400;">See Emily Play</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, composição de Barrett que abre o primeiro disco da banda, </span><a href="https://www.rockinthehead.com/single-post/pink-floyd-resenha-do-%C3%A1lbum-the-piper-at-the-gates-of-dawn"><i><span style="font-weight: 400;">The Piper at the Gates of Dawn</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A escolha não foi à toa. Segundo os próprios integrantes do Pink Floyd, Emily é uma personagem que foi fruto de um sonho de Syd Barrett, possivelmente induzido por LSD. Ele dizia ter visto uma garota etérea brincando em um bosque, e que a imagem ficou em sua mente como uma pintura viva.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A mistura de fantasia e realidade, típica das composições de Syd nesse período, passou a ser vista como uma espécie de </span><a href="https://www.ecstaticintegration.org/p/the-rise-and-fall-of-the-acid-casualty"><span style="font-weight: 400;">prenúncio</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu colapso. Décadas depois, muitos fãs e críticos enxergam a música como uma despedida simbólica de uma mente criativa que estava se afastando da realidade, justificando a escolha de Wright como uma espécie de ‘adeus’ não-verbal ao amigo.</span></p>
<figure id="attachment_35875" aria-describedby="caption-attachment-35875" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-35875" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/WYWH-3.png" alt=" Fotografia em preto e branco mostrando os integrantes do Pink Floyd na sacada de um prédio. Da direita para a esquerda: Nick Mason apoiado na grade, Roger Waters usando um casaco de pele, Syd Barrett em destaque com blusa branca e cabelo desgrenhado, e Richard Wright inclinado para frente, segurando a barra do corrimão. Entre eles há luzes decorativas penduradas e, ao fundo, parte de uma escada lateral externa" width="512" height="344" /><figcaption id="caption-attachment-35875" class="wp-caption-text">Roger Waters é creditado como compositor em mais de 90 músicas do Pink Floyd (cerca de 60 como autor principal e mais de 30 em créditos compartilhados) e foi o líder e principal letrista da banda por grande parte da sua carreira, especialmente após a saída de Syd Barrett (Foto: Baron Wolman)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A certeza da saudade se concretiza na canção homônima do álbum. </span><a href="https://pinkfloyd.com.br/a-musica-mais-famosa-do-pink-floyd-e-wish-you-were-here"><i><span style="font-weight: 400;">Wish You Were Here</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> chega como um tiro no peito sem aviso prévio, como é de costume para canções do Pink Floyd. A faixa inicia com uma curta conversa gravada nos corredores do </span><a href="https://www.abbeyroad.com/news/the-dark-side-of-the-moon-studio-documents-3299"><i><span style="font-weight: 400;">Abbey Road Studios</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, interrompida rapidamente pelo famoso </span><i><span style="font-weight: 400;">riff </span></i><span style="font-weight: 400;">da música, impactando o ouvinte que nem tem tempo de compreender o diálogo. Ao fundo, um violão ‘falso’ soa abafado e distante, como se vindo de um rádio velho. Em seguida, o toque real de Gilmour entra em primeiro plano, limpo, criando um contraste sonoro que traduz exatamente o </span><a href="https://cafecomsociologia.com/analise-da-musica-wish-you-were-here-pink-floyd-ideologia/"><span style="font-weight: 400;">sentimento</span></a><span style="font-weight: 400;"> da canção: estar ao lado e, ao mesmo tempo, distante de alguém. As risadas e respirações no início parecem espontâneas, quase casuais, até que a melodia se impõe de maneira íntegra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo Roger Waters, compositor da música, </span><i><span style="font-weight: 400;">Wish You Were Here</span></i><span style="font-weight: 400;"> não fala apenas de Syd Barrett, mas de um sentimento mais amplo e existencial. Em suas palavras em entrevista ao documentário </span><a href="https://www.collectorsroom.com.br/2012/08/pink-floyd-critica-de-historia-de-wish.html#google_vignette"><i><span style="font-weight: 400;">Pink Floyd: The Story of “Wish You Were Here”</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2012): “</span><i><span style="font-weight: 400;">Você consegue se libertar o suficiente para experimentar a realidade da vida e como ela acontece diante de você? Porque, se não conseguir, você vai continuar parado na estaca zero até morrer. É disso que essa música trata.</span></i><span style="font-weight: 400;">” Já para David Gilmour: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Embora &#8216;Shine On&#8217; seja a que fala </span></i><a href="https://www.hfnews.com.br/news/entendendo-wish-you-were-here-um-dos-albuns-mais-controversos-do-pink-floyd"><i><span style="font-weight: 400;">especificamente sobre Syd</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, e Wish You Were Here tenha um escopo mais amplo… eu não consigo cantá-la sem pensar nele.</span></i><span style="font-weight: 400;">” Assim, a canção torna-se um lamento que é pessoal e universal ao mesmo tempo, a ausência de alguém que está presente demais para ser esquecido.</span></p>
<figure id="attachment_35876" aria-describedby="caption-attachment-35876" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-35876 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/WYWH-4.png" alt="Foto preto e branca: Roger Waters debruça sobre a mesa de som do Abbey Road Studios vestindo um suéter e atrás dele um garoto, também vestindo um suéter, come um picolé enquanto observa o equipamento." width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-35876" class="wp-caption-text">A banda demorou em torno de 6 meses,de janeiro a julho de 1975, para gravar todas as músicas do disco (Foto: Jill Furmanovsky)</figcaption></figure>
<p><a href="https://americansongwriter.com/the-meaning-behind-welcome-to-the-machine-by-pink-floyd"><i><span style="font-weight: 400;">Welcome to the Machine</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://consequence.net/2020/10/the-story-behind-pink-floyd-have-a-cigar"><i><span style="font-weight: 400;">Have a Cigar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> formam o núcleo mais </span><a href="https://open.spotify.com/episode/6XrX5iAT9N8K2dCJLppvIK?si=9dde9c576168444f&amp;nd=1&amp;dlsi=b8802c23183b4f86"><span style="font-weight: 400;">ácido</span></a><span style="font-weight: 400;"> do disco, funcionando como uma espécie de dupla crítica ao universo da indústria fonográfica. Se a primeira traduz a engrenagem impessoal do sistema, a segunda dá rosto e voz aos executivos bajuladores que movem essa mesma </span><a href="https://whiplash.net/materias/news_831/171296-pinkfloyd.html"><span style="font-weight: 400;">máquina</span></a><span style="font-weight: 400;">. Juntas, as duas canções revelam o olhar desencantado do Pink Floyd diante de um mercado que transforma sonhos em mercadoria, e deixam claro que o sucesso também podia ser uma prisão – ideia que, inevitavelmente, remete àquilo que afastou Syd Barrett do grupo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Welcome to the Machine</span></i><span style="font-weight: 400;">, a banda constrói um diálogo entre a Máquina –metáfora para o capitalismo e o próprio mercado musical – e um </span><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/caderno-g/syd-barrett-o-lado-escuro-do-pink-floyd-9kg9efu40pijuafyahd36wksu"><span style="font-weight: 400;">jovem sonhador</span></a><span style="font-weight: 400;">, disposto a se entregar para alcançar reconhecimento. O suposto acolhimento é, na verdade, uma manipulação: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Com o que você sonhou? / Tudo bem, nós te dissemos com o que sonhar / Você sonhou com uma grande estrela</span></i><span style="font-weight: 400;">”. O </span><a href="https://revistacontinente.com.br/edicoes/267/o-lado-brilhante-do-pink-floyd"><span style="font-weight: 400;">sistema</span></a><span style="font-weight: 400;"> não apenas dita as regras, mas também escolhe seus desejos. A voz de Gilmour, carregada de pesar ao cantar: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Ele tocava uma guitarra bestial / Ele comia sempre no bar / Ele adorava dirigir seu Jaguar / Então, bem-vindo à máquina</span></i><span style="font-weight: 400;">”, expõe o sonhador agora como um personagem do passado, alguém que foi engolido pela engrenagem que o consagrou. Inevitavelmente o trecho foi associado à trajetória de Barrett.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já em </span><i><span style="font-weight: 400;">Have a Cigar</span></i><span style="font-weight: 400;">, a abstração dá lugar à caricatura de um executivo da indústria, ignorante e interesseiro, que os trata como produto e não como Arte. Com vocais de </span><a href="https://faroutmagazine.co.uk/lead-vocals-pink-floyd-song-have-a-cigar"><span style="font-weight: 400;">Roy Harper</span></a><span style="font-weight: 400;">, convidado para substituir Waters e Gilmour, insatisfeitos com suas próprias tentativas, a faixa carrega ironia do início ao fim. O </span><a href="https://mumblingabout.com/2019/07/16/oh-by-the-way-which-ones-pink"><span style="font-weight: 400;">famoso verso</span></a><span style="font-weight: 400;"> – “</span><i><span style="font-weight: 400;">A banda é fantástica, isso é o que eu realmente acho / Oh, por sinal, qual de vocês é o Pink?</span></i><span style="font-weight: 400;">” – expõe o desdém de quem só enxerga cifras e fama, sem nenhum interesse pelo grupo em si. A canção também é interpretada como uma exposição do preço que os integrantes pagaram para chegar a </span><a href="https://rollingstone.com.br/musica/a-pior-epoca-do-pink-floyd-segundo-david-gilmour"><span style="font-weight: 400;">ascensão astronômica</span></a><span style="font-weight: 400;">. O personagem executivo é a materialização de um sucesso sem alma, justamente o que afastou o ex-membro.</span></p>
<figure id="attachment_35877" aria-describedby="caption-attachment-35877" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35877" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/WYWH-5.jpg" alt="Foto polaroid: Syd Barrett, careca, obeso e sem sobrancelhas, vestindo uma camisa social branca e uma calça preta, posa de lado para a foto, encarando profundamente a câmera dentro do Abbey Road Studios." width="512" height="495" /><figcaption id="caption-attachment-35877" class="wp-caption-text">Os integrantes da banda demoraram em torno de 45 minutos para finalmente reconhecerem Syd Barrett, que, segundo Wright, ficou o tempo todo em silêncio e escovando constantemente os dentes no banheiro do estúdio (Foto: Nick Mason)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um dos episódios mais </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/o-som-e-a-furia/o-dia-em-que-um-dos-maiores-grupos-de-rock-viu-um-fantasma-no-estudio"><span style="font-weight: 400;">marcantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> da história do Pink Floyd, Syd Barrett apareceu inesperadamente no </span><i><span style="font-weight: 400;">Abbey Road Studios </span></i><span style="font-weight: 400;">em 5 de junho de 1975, enquanto o grupo finalizava as gravações de </span><i><span style="font-weight: 400;">Shine On You Crazy Diamond (Pts. 6-9)</span></i><span style="font-weight: 400;">. Estava irreconhecível: obeso, com a cabeça raspada, sem sobrancelhas e o olhar distante. Seus antigos colegas demoraram a reconhecê-lo, e o encontro foi carregado de tristeza e </span><a href="https://www.portaltela.com/entretenimento/musica/2025/01/27/pink-floyd-e-a-surpreendente-aparicao-de-syd-barrett-durante-gravacao-historica"><span style="font-weight: 400;">simbolismo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Waters e Gilmour, em especial, ficaram profundamente abalados, caindo em lágrimas ao verem o amigo por muito tempo perdido. Gilmour relata no documentário que: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Foi uma grande perda. E imaginar o que ele teria feito&#8230; especular sobre isso, se você preferir&#8230; Ele poderia ter se tornado tão grandioso</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Ninguém sabe onde você está / O quão perto ou o quão longe / Brilhe, seu diamante louco”.</span></i><span style="font-weight: 400;"> A certeza de que, independente de onde Syd Barrett estivesse, o Pink Floyd só queria que ele brilhasse loucamente, como fez enquanto esteve na </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/ultima-reuniao-do-pink-floyd-com-formacao-classica-foi-ha-20-anos-relembre/"><span style="font-weight: 400;">banda</span></a><span style="font-weight: 400;">. Aqui, o álbum finaliza voltando a melancolia da qual foi iniciado, a sensação de que o recado foi passado, mas com a incerteza de que chegará ao </span><a href="https://rollingstone.com.br/noticia/flashback-ultima-entrevista-de-syd-barrett/"><span style="font-weight: 400;">destinatário</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Wish You Were Here</span></i><span style="font-weight: 400;"> é essencialmente um disco sobre ausência, seja a de Barrett, seja a de autenticidade no mercado musical ou seja a </span><a href="https://www.loudersound.com/features/how-wish-you-were-here-was-the-beginning-of-the-end-for-pink-floyd"><span style="font-weight: 400;">desconexão</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre os próprios membros do grupo. É também uma carta de amor a um amigo perdido, um lamento musical que, meio século depois, ainda ecoa com intensidade. O álbum é um lembrete de que algumas presenças continuam a se fazer sentir, mesmo que estejam absolutamente perdidas.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Wish You Were Here" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/0bCAjiUamIFqKJsekOYuRw?si=oQQGRO-bQRSWId731Ki2tQ&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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