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	<title>Arquivos Susanna Nicchiarelli &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Miss Marx: relacionamentos doentios podem ser tão destrutivos quanto o capitalismo</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Nov 2020 19:19:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra Quem nunca assistiu uma amiga incrível se metendo num relacionamento medíocre que flerta com características abusivas? E se essa amiga fosse filha de uma das figuras mais relevantes dos últimos séculos? Pois bem, nesse cenário primeiramente comum e segundamente impensável está a vida de Eleanor Marx, que ao mesmo tempo em que continuava &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/miss-marx-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Miss Marx: relacionamentos doentios podem ser tão destrutivos quanto o capitalismo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_16420" aria-describedby="caption-attachment-16420" style="width: 1401px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-16420" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/triste.png" alt="" width="1401" height="835" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/triste.png 1401w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/triste-300x179.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/triste-1024x610.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/triste-768x458.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/triste-1200x715.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16420" class="wp-caption-text">A cinebiografia da caçula de Karl Marx chega ao Brasil na seção Perspectiva Internacional da 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Raquel Dutra</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem nunca assistiu uma amiga incrível se metendo num relacionamento medíocre que flerta com características abusivas? E se essa amiga fosse filha de uma das figuras mais relevantes dos últimos séculos? Pois bem, nesse cenário primeiramente comum e segundamente impensável está a vida de Eleanor Marx, que ao mesmo tempo em que continuava o legado de seu pai, também era parte de uma relação problemática e desproporcional a toda potência revolucionária que ela era. Para ressaltar essas inconstâncias da vida da caçula de Karl Marx e humanizar sua pessoa com doses de elementos da cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> é que se constrói </span><i><span style="font-weight: 400;">Miss Marx</span></i><span style="font-weight: 400;">, drama biográfico que vem direto das principais premiações do Festival de Veneza para a 44ª <a href="https://personaunesp.com.br/tag/44-mostra/">Mostra Internacional</a> de Cinema de São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-16419"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já numa metáfora que revela a dificuldade de Eleanor (Romola Garai) em construir seu próprio caminho longe da sombra dos homens presentes na sua vida, o filme se inicia no mesmo ano em que se finda a vida de Karl Marx. Em 1883, a jovem, na época com 28 anos, conduz o velório do pai, e mesmo com o coração partido pela perda discursa com firmeza sobre a vida, obra e relevância política e social de Karl Marx para uma maioria de homens e figuras importantes do partido que ele era membro. Prendendo a atenção de todos, Eleanor se transforma em uma aposta de liderança para os movimentos que Karl deixou em estado de efervescência. Logo, a jovem aceita seu destino e assume a frente dos movimentos pelas causas que o pai dedicou toda a sua vida: a luta de classes e os direito dos trabalhadores. Enquanto isso, ela também traça sua própria história ao acrescentar a igualdade de gênero (sendo uma das primeiras autoras a interseccionar feminismo e socialismo) e o fim do trabalho infantil em suas principais reivindicações.</span></p>
<figure id="attachment_16421" aria-describedby="caption-attachment-16421" style="width: 1789px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-16421" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/enchendo-a-cara.png" alt="" width="1789" height="1075" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/enchendo-a-cara.png 1789w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/enchendo-a-cara-300x180.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/enchendo-a-cara-1024x615.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/enchendo-a-cara-768x461.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/enchendo-a-cara-1536x923.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/enchendo-a-cara-1200x721.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16421" class="wp-caption-text">A fotografia de Crystel Fournier trabalha em harmonia com o texto e os atores na hora de evidenciar as diferentes posturas e aspirações de seus personagens (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tamanha segurança de Eleanor atrai também a atenção do dramaturgo Edward Aveling (Patrick Kennedy), que logo captura a jovem em seus encantos. A partir disso, o roteiro e direção de </span><span style="font-weight: 400;">Susanna Nicchiarelli terminam de dar as cartas do filme com um</span><span style="font-weight: 400;"> desenvolvimento rápido do relacionamento, que acontece enquanto Eleanor conhece fábricas do mundo todo para ouvir as queixas e necessidades dos trabalhadores. Aos poucos, ela vai se metendo em problemas com as lideranças do partido que a financia por causa da companhia inútil e cara do parceiro nas viagens. Outras pessoas próximas a Eleanor também a alertam sobre o caráter duvidoso de seu esposo. Ela, mesmo assim, permanece ali, e <em>Miss Marx </em>segue, até o final, construindo um arco clássico de relacionamento abusivo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessa dualidade conflitante de vida pessoal e profissional/pública, Romola Garai constrói impecavelmente a segurança relutante de Eleanor Marx. Sempre com olhos atentos e peito aberto ao mundo, a personagem é disposta e solícita, mas quando dentro de casa, assume uma submissão incoerente e, de início, inconsciente diante do marido e de suas irresponsabilidades e infantilidades. Edward, por sua vez, conserva um cinismo irritante e soberbo, que carrega uma postura curvada e diminuída quando divide presença com Eleanor. A partir disso, os atores constroem uma dinâmica para o casal que é interessantíssima de observar: em cenários caseiros, Patrick mantém a pequenez do marido de Eleanor enquanto Garai a reduz até chegar à altura dele. Assim, os dois se transformam em crianças. Ele querendo chamar atenção, e Eleanor sem pulso para recusar a armadilha. </span></p>
<figure id="attachment_16422" aria-describedby="caption-attachment-16422" style="width: 1411px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-16422" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/livros.png" alt="" width="1411" height="851" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/livros.png 1411w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/livros-300x181.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/livros-1024x618.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/livros-768x463.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/livros-1200x724.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16422" class="wp-caption-text">&#8220;A mulher é vítima da tirania do homem assim como o trabalhador é vítima da tirania dos exploradores. A mulher é expropriada de seus direitos como ser humano como o trabalhador é exporpriado de seus direitos como produtor (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma trilha </span><i><span style="font-weight: 400;">punk-rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> sempre entoada por uma mulher nos momentos de clímax, o filme lembra comédias românticas e filmes adolescentes dos anos 2000. </span><span style="font-weight: 400;">Em uma cena em especial, </span><i><span style="font-weight: 400;">Miss Marx </span></i><span style="font-weight: 400;">coloca a protagonista para dançar efusivamente a música, quase como uma libertação emocional de toda pressão que Eleanor carrega. Essa sensação também é transmitida em alguns momentos em que o filme quebra sua 4ª parede, quando Eleanor, em meio a multidões, fala mecanicamente para a câmera como se ensaiasse uma fala a partir da leitura que faz dos registros do pai, com medo de cometer algum deslize.</span></p>
<p>E falando nele, Karl Marx (Philip Gröning) tem breves aparições no filme, que se dão através de <em>flashbacks</em> carinhosos da infância de Eleanor. Em um deles, a família está participando de um jogo liderado pela jovem em que cada um deve dizer sua frase favorita. O pai escolhe citar o poeta romano Terêncio e afirma que <span style="font-weight: 400;">“</span><em>Nada do que é humano me é estranho</em>”. Colocando-o numa posição quase de vidente do futuro conflitante da filha, <em>Miss Marx</em> entrega com sutileza que sua intenção não é julgar a vida pessoal de Eleanor, mas mostrar que os efeitos do patriarcalismo se desenvolvem sobre todas as mulheres, sem exceção.</p>
<figure id="attachment_16447" aria-describedby="caption-attachment-16447" style="width: 1403px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16447" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/indignada.png" alt="" width="1403" height="785" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/indignada.png 1403w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/indignada-300x168.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/indignada-1024x573.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/indignada-768x430.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/indignada-1200x671.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16447" class="wp-caption-text">Eleanor suicidou-se em 1898 e Edward Aveling foi rechaçado em toda a comunidade socialista como culpado pela sua morte (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Concentrando-se mais em como a personagem se sentia do que em pontuar seus feitos e sua importância política e social, o filme não se garante completamente enquanto biografia. Tendo isso em vista, junto de suas construções que fogem do convencional, é difícil mensurar os efeitos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Miss Marx</span></i><span style="font-weight: 400;">. Um cuidado que deve existir é não compreendê-lo justamente de uma forma que toda a história e relevância de Eleanor sejam apagados frente ao seu relacionamento problemático. A partir disso, existe uma humanização da pessoa histórica que ela foi, que também deve ser feita longe de qualquer julgamento. Por fim, </span><span style="font-weight: 400;">podemos tirar um alerta: seja aos olhos da própria sociedade que condena mais a mulher-alvo do que o abusador ou dentro da nossa própria mente, nossa vida e genialidade pode ser minada por homens medíocres.</span></p>
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