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	<title>Arquivos Stevie Wonder &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A Noite que Mudou o Pop: um encontro imperfeito, mas emocionante</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Aug 2024 17:32:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner O cenário é o estúdio de uma clássica gravadora em Los Angeles. No ambiente, as espumas nas paredes evidenciam o cantarolar de uma voz familiar e icônica; Michael Jackson ensaia We Are The World sozinho, enquanto Lionel Richie orquestra, nos bastidores do American Music Awards, o que pode ser considerado o mais importante &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-noite-que-mudou-o-pop-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Noite que Mudou o Pop: um encontro imperfeito, mas emocionante"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33851" aria-describedby="caption-attachment-33851" style="width: 980px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-33851" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image2-4.png" alt="Cena de A Noite que Mudou o Pop. Na imagem, parte dos 45 artistas convocados para cantar aparecem posicionados em um estúdio de gravação. Em frente a todos eles está Quincy Jones, um homem negro, produtor da música We Are The World. Ele veste roupas casuais e usa um fone de ouvido. O cenário é composto por tons amarronzados, espumas nas paredes e um telão ao fundo dos cantores." width="980" height="655" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image2-4.png 980w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image2-4-800x535.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image2-4-768x513.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33851" class="wp-caption-text">O documentário estreou em primeiro lugar na lista de produções mais assistidas da Netflix (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário é o estúdio de uma clássica gravadora em Los Angeles. No ambiente, as espumas nas paredes evidenciam o cantarolar de uma voz familiar e icônica; Michael Jackson ensaia </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=s3wNuru4U0I"><i>We Are The World</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> sozinho, enquanto Lionel Richie orquestra, nos bastidores do </span><span style="font-weight: 400;"><i>American Music Awards</i></span><span style="font-weight: 400;">, o que pode ser considerado o mais importante encontro da história da Música. Seguindo o embalo de tantas vozes que marcaram gerações, </span><span style="font-weight: 400;"><i>A Noite que Mudou o Pop</i></span><span style="font-weight: 400;"> emociona, ainda que seja um documentário tão imperfeito quanto a tentativa de unir timbres diferentes em uma só faixa e atenuar egos inflados em prol de uma causa humanitária: a fome no continente africano.</span></p>
<p><span id="more-33849"></span><br />
<span style="font-weight: 400;">Através das lentes de Bao Nguyen – diretor veterano de documentários, como a biografia de Bruce Lee, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JSTy5EMrQA8"><i>Be Water</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> (2020) –, o público assiste à registros e depoimentos inéditos do encontro entre as 45 maiores estrelas da década de 1980, enquanto contempla Lionel Richie se reencontrar com as memórias de uma noite inesquecível. O intérprete de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gIbw0OkC9po"><i>Say You, Say Me</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> age como um ‘fanfarrão’ e aproveita de sua aura de apresentador nato para tentar transformar o filme em algo apoteótico. Por vezes, a narração soa exagerada e redundante, porém, é difícil julgá-lo por isso, afinal, qualquer mero mortal também passaria uma eternidade se gabando caso fosse o responsável por tamanha façanha.</span></p>
<figure id="attachment_33850" aria-describedby="caption-attachment-33850" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33850" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image1.jpg" alt="Cena de A Noite que Mudou o Pop. Da esquerda para a direita na imagem, Cyndi Lauper e Bruce Springsteen estão sentados no estúdio de gravação. Lauper, uma mulher branca de cabelos loiros e coloridos, veste uma camiseta branca e muitos acessórios enquanto segura um papel com os versos de We Are The World. Já Springsteen, um homem branco de cabelos escuros, veste jaqueta de couro preta sobre uma blusa azul enquanto olha para a cantora. Ao fundo, o cenário apresenta tons amarronzados." width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image1-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33850" class="wp-caption-text">Cyndi Lauper quase desistiu de participar do projeto porque seu namorado na época duvidou do sucesso da canção (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O contexto dessa missão quase impossível é explorado por </span><span style="font-weight: 400;"><i>The Greatest Night In Pop</i></span><span style="font-weight: 400;"> (no original), que faz questão de relembrar cada passo e demonstrar como ela atravessou o </span><span style="font-weight: 400;"><i>AMA’s</i></span><span style="font-weight: 400;">, tradicional premiação da indústria musical estadunidense. Richie, que estava celebrando um ótimo ano na carreira, precisava coordenar aqueles astros sentados na plateia para o estúdio de gravação. Todos foram inicialmente convidados por Harry Belafonte, músico e ativista idealizador da iniciativa que se assemelhava ao </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=j3fSknbR7Y4"><i>Band Aid</i></a></span><span style="font-weight: 400;">; união dos artistas britânicos e irlandeses. Ao seu lado, Quincy Jones é referenciado, no longa, como a peça fundamental para extrair o melhor do supergrupo </span><span style="font-weight: 400;"><i>USA For Africa.</i></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante o documentário, o telespectador acaba se identificando com um ou outro artista e, até mesmo, se surpreendendo com a postura de outros. No campo dos que conquistam a audiência, a irreverência de Cyndi Lauper, o estilo de vocalização único de Bruce Springsteen – alerta: </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EPhWR4d3FJQ"><i>Born In The USA</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> gruda mais na mente do que </span><span style="font-weight: 400;"><i>We Are The World</i></span><span style="font-weight: 400;"> –, o sorriso genuíno de Diana Ross e a timidez de Bob Dylan preenchem a tela. Por outro lado, a falta de paciência de Waylon Jennings com um Stevie Wonder muito animado, e a ausência de Prince, que venceu vários prêmios da noite em categorias que </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/michael-jackson-thriller-resenha/">Michael Jackson</a></span><span style="font-weight: 400;"> também concorria, somaram-se como pontos desagradáveis de acompanhar.</span></p>
<figure id="attachment_33852" aria-describedby="caption-attachment-33852" style="width: 1118px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33852" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image3.jpg" alt="Cena de A Noite que Mudou o Pop. Da esquerda para a direita na imagem, Michael Jackson e Lionel Richie estão sentados no estúdio de gravação. Jackson, um homem negro de cabelos escuros, veste roupas escuras enquanto segura um papel com os versos de We Are The World. Já Richie, um homem negro de cabelos escuros, veste jaqueta de couro preta sobre uma blusa branca enquanto folheia o mesmo papel. Ao fundo, o cenário apresenta tons amarronzados." width="1118" height="708" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image3.jpg 1118w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image3-800x507.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image3-1024x648.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image3-768x486.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33852" class="wp-caption-text">We Are The World foi escrita por Michael Jackson e Lionel Richie, e produzida por Quincy Jones e Michael Omartian (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Indicada em três categorias do </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2024/"><i>Emmy</i></a></span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2024/"> 2024</a></span><span style="font-weight: 400;">, a produção da </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/tag/netflix/"><i>Netflix</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> é uma concorrente forte pela estatueta de Melhor Documentário ou Especial de Não-Ficção e Melhor Edição de Som em Reality ou Programa de Não-Ficção, assinada por Richard Gallagher. O diretor, Bao Nguyen, ainda enfrenta nomes consolidados pelo prêmio de Melhor Direção em Documentário ou Programa de Não-Ficção. </span><span style="font-weight: 400;"><i>A Noite que Mudou o Pop</i></span><span style="font-weight: 400;"> mira na </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/euphories-critica/">nostalgia</a></span><span style="font-weight: 400;"> de tempos que não voltam mais e acaba, consequentemente, celebrando Lionel Richie como um dos grandes nomes da época. Embora tenha altos e baixos, exatamente como a faixa que arrecadou 60 milhões de dólares em fundos para a África, a emoção deixa a última e boa impressão.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Greatest Night in Pop | Official Trailer | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/MD3oU1gowu4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Summer of Soul… ou, Quando o Sonho se Tornou Possível</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Mar 2022 17:25:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Bruno Andrade O ano é 1969. Seria mais um verão qualquer, não fosse as mais de 300 mil pessoas reunidas em seis finais de semana consecutivos nos Estados Unidos, envoltas por música, dança e fortes discursos indignados que sucederam o assassinato de Martin Luther King Jr. (após uma sequência de homícidios políticos com motivações racistas, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/summer-of-soul-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Summer of Soul… ou, Quando o Sonho se Tornou Possível"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/summer-of-soul-critica/">Summer of Soul… ou, Quando o Sonho se Tornou Possível</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_26765" aria-describedby="caption-attachment-26765" style="width: 1425px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26765 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-...ou-Quando-a-Revolucao-Nao-Pode-Ser-Televisionada-5.jpg" alt="Cena do filme Summer of Soul. Na fotografia retangular colorida, vemos centenas de pessoas negras vestindo roupas populares nos anos 1960, que são camisetas listradas, blusas com golas grandes e óculos redondos. As três mulheres negras que estão à frente da fotografia possuem cabelos crespos e grandes, de cor preta, e vestem respectivamente uma camisa preta com uma blusa azul sobre os ombros; uma camiseta listrada; e uma blusa de couro marrom com detalhes em cor branca." width="1425" height="1079" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-...ou-Quando-a-Revolucao-Nao-Pode-Ser-Televisionada-5.jpg 1425w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-...ou-Quando-a-Revolucao-Nao-Pode-Ser-Televisionada-5-800x606.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-...ou-Quando-a-Revolucao-Nao-Pode-Ser-Televisionada-5-1024x775.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-...ou-Quando-a-Revolucao-Nao-Pode-Ser-Televisionada-5-768x582.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-...ou-Quando-a-Revolucao-Nao-Pode-Ser-Televisionada-5-1200x909.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26765" class="wp-caption-text">Vencedor do BAFTA de Melhor Documentário, Summer of Soul (&#8230;Or, When the Revolution Could Not Be Televised) é o favorito na mesma categoria do Oscar 2022 [Foto: Hulu]</figcaption></figure><b>Bruno Andrade</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ano é 1969. Seria mais um verão qualquer, não fosse as mais de 300 mil pessoas reunidas em seis finais de semana consecutivos nos Estados Unidos, envoltas por música, dança e fortes discursos indignados que sucederam o assassinato de Martin Luther King Jr. (após uma sequência de homícidios políticos com motivações racistas, de Malcolm X à posterior morte de Bobby Kennedy – e tantos outros). Mas ao contrário do que se possa imaginar, não se trata do famigerado festival de Woodstock, pois esse, apesar de dominar a cultura popular, aconteceu em somente quatro dias (15 à 18 de agosto de 1969). A 160 km dali, no antigo bairro periférico do Harlem, estava acontecendo uma revolução não televisionada. Indicado ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2022</span></a><span style="font-weight: 400;"> na categoria de Melhor Documentário, </span><a href="https://aodisseia.com/summer-of-soul-critica-mostra-sp/"><i><span style="font-weight: 400;">Summer of Soul</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (…ou, Quando a Revolução Não Pôde Ser Televisionada) </span></i><span style="font-weight: 400;">traz à tona os registros do Festival Cultural do Harlem, um marco histórico na Música que se seguiu esquecido; até agora.</span></p>
<p><span id="more-26764"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As filmagens – inéditas por mais de 50 anos – foram recuperadas pelo músico e diretor estreante </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9Kxn1QCqRQU"><span style="font-weight: 400;">Ahmir “Questlove” Thompson</span></a><span style="font-weight: 400;">, e revelam um importante momento cultural estadunidense, guiado por nomes como B.B. King, </span><span style="font-weight: 400;">Mahalia Jackson e </span><span style="font-weight: 400;">Nina Simone. As ebulições sociais e sócio-políticas que se infiltraram na sociedade à época são jogadas na tela em cada discurso incisivo que os artistas trazem – seja através dos registros do Harlem Cultural Festival, seja pelas falas “contemporâneas” que ex-participantes relatam. Havia algo importante na existência de um evento do tipo naquele momento da História, e todos ali pareciam ter consciência disso; talvez por essa razão </span><i><span style="font-weight: 400;">Summer of Soul </span></i><span style="font-weight: 400;">permaneça contundente e avassalador: é um registro esquecido de uma revolta segmentada através da arte.</span></p>
<figure id="attachment_26766" aria-describedby="caption-attachment-26766" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26766 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image.jpg" alt="Foto retangular colorida do diretor Ahmir Questlove. Na imagem, vemos Questlove sorrindo ao centro, olhando diretamente para a câmera, e ao fundo um poster do filme Summer of Soul. Questlove é um homem negro, possui cabelos pretos e crespos, barba de cor preta, utiliza um óculos de grau com hastes pretas e veste jaqueta em cor laranja com detalhes brancos. Ele está usando um colar de cor cinza e uma camiseta de cor verde." width="1500" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/image-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26766" class="wp-caption-text">Summer of Soul é a estreia promissora de Questlove na direção de longa-metragens, que veio acompanhada de uma série de premiações relevantes (Foto: Todd Williamson)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O documentário, em si, não inventa muita firula. Trata-se de uma sobreposição de imagens de época em contraponto a entrevistas recentes. Na abertura – uma sequência genial –, vemos Stevie Wonder em um </span><i><span style="font-weight: 400;">solo </span></i><span style="font-weight: 400;">magistral de bateria. Esse trecho logo no começo não parece ter sido escolhido a mero acaso, pois Questlove é também baterista, e lidera a banda </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ojC0mg2hJCc"><span style="font-weight: 400;">The Roots</span></a><span style="font-weight: 400;">, que integra o programa </span><i><span style="font-weight: 400;">The Tonight Show Starring Jimmy Fallon</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> A montagem primorosa, a cargo de Joshua L. Pearson, também merece destaque, dado que cria lentamente em seus 118 minutos de duração as tensões sociais as quais o festival estava inserido. A junção de conteúdo e técnica impecável de edição rendeu ao filme duas indicações ao </span><a href="https://www.bafta.org/film/awards/2022-nominations-winners"><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">como Melhor Montagem e Melhor Documentário – categoria em que venceu –, e uma série de vitórias nos principais festivais de Cinema, incluindo o de</span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/noticias/594350/summer-of-soul-documentario-premiado-em-sundance-e-adquirido-pela-searchlight/"><i><span style="font-weight: 400;"> Sundance</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e o </span><a href="https://pitchfork.com/news/questloves-summer-of-soul-wins-best-documentary-at-2022-independent-spirit-awards/"><i><span style="font-weight: 400;">Independent Spirit Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O longa também concorre no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/grammy/"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2022 na categoria Melhor Filme Musical.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Summer of Soul </span></i><span style="font-weight: 400;">ganha ainda mais fôlego ao se desenvolver entre os bastidores do Festival Cultural do Harlem. Diferente do que costuma ocorrer em filmes do gênero, o foco não está somente nos </span><i><span style="font-weight: 400;">shows </span></i><span style="font-weight: 400;">e na reação do público, mas também em seus entremeios e ligações externas, nos políticos envolvidos, na relação conturbada com a polícia (com medo de reações policiais violentas, os organizadores do evento contrataram os </span><a href="https://personaunesp.com.br/judas-e-o-messias-negro-critica/"><span style="font-weight: 400;">Panteras Negras</span></a><span style="font-weight: 400;"> para fazerem a segurança do festival) e todo o contexto repressivo que foi permitido esquecer em meio aos </span><i><span style="font-weight: 400;">solos </span></i><span style="font-weight: 400;">catatônicos das guitarras amplificadas, dos pianos melódicos e dos tambores que rugiam raivosamente.</span></p>
<figure id="attachment_26767" aria-describedby="caption-attachment-26767" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26767 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-02.jpg" alt="Cena do filme Summer of Soul. Na imagem retangular colorida vemos o palco do Festival Cultural do Harlem, com instrumentos e dezenove músicos espalhados ao longo dele. A imagem está distante e não conseguimos visualizar o rosto de cada um, mas todos eles são negros. Ao fundo, vemos o papel de parede do evento, escrito Festival em fonte de cor branca em meio a diversas formas geométricas coloridas." width="1400" height="786" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-02.jpg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-02-800x449.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-02-1024x575.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-02-768x431.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul-02-1200x674.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26767" class="wp-caption-text">O documentário se desdobra nos eventos históricos sempre através da Música; por essa razão, não cai em clichês (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1969, o “Homem Estadunidense” também foi à Lua, mas ele era branco, e não pretendia considerar a população negra em sua viagem interestelar. Uma das cenas mais marcantes do longa é durante a fala de Roger Parris, na qual ele diz que a comunidade do Harlem não estava interessada em ir à Lua, </span><i><span style="font-weight: 400;">“estava preocupada na realidade”</span></i><span style="font-weight: 400;">, e o real era cruel o suficiente para se negar o direito a sair da Terra. Como se não bastasse as complicações de todos os tipos que vinham externamente – principalmente por forças políticas –, outro inimigo dominou o bairro: a heroína. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O final dos anos 1960, especificamente, foi um período duro, no qual a epidemia da droga ceifou a vida de vários jovens, cujos possíveis motivos do vício estavam ligados justamente à realidade abissal que a população negra havia sido jogada em decorrência do racismo, como sugere um entrevistado em uma das cenas. Foi também um momento chave na Guerra do Vietnã, onde o governo estadunidense enviou </span><a href="https://personaunesp.com.br/destacamento-blood-critica/"><span style="font-weight: 400;">jovens negros</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao </span><i><span style="font-weight: 400;">front </span></i><span style="font-weight: 400;">em números muito maiores do que jovens brancos, e muitos daqueles que se negaram a ir foram caçados e mortos pela polícia. Por esses motivos, como o próprio documentário deixa no ar, Tony Lawrence idealizou o Harlem Cultural Festival para evitar que a cidade queimasse em meio às revoltas e protestos – totalmente legítimos.</span></p>
<figure id="attachment_26769" aria-describedby="caption-attachment-26769" style="width: 2400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26769 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone.jpg" alt="Cena do filme Summer of Soul. Na foto retangular colorida, vemos a cantora e musicista Nina Simone, sentada em um piano de cor marrom. Ela é uma negra, veste um vestido de cor amarela com detalhes pretos, utiliza dois brincos grandes, cujo tamanho é similar ao de uma bola de tênis, e está com a cabeça inclinada para a direita, em direção ao público que assiste ao seu show." width="2400" height="1800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone.jpg 2400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone-2048x1536.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Summer-of-Soul_Nina_Simone-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26769" class="wp-caption-text">“Essa é a parte triste do apagamento; antes do nosso filme, você quase não conheceu nada sobre isso. Houve apenas rumores de que talvez isso tenha acontecido”, disse Questlove em entrevista a Variety (Foto: Hulu)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O subtítulo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Summer of Soul </span></i><span style="font-weight: 400;">remete a canção </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vwSRqaZGsPw"><i><span style="font-weight: 400;">Revolution Will Not Be Televised</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do músico e poeta Gil Scott-Heron – considerado uma das fontes de inspiração para o surgimento do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap </span></i><span style="font-weight: 400;">–, sustentado como um dos hinos de ativistas negros no final dos anos 1960. Ao longo do documentário, </span><span style="font-weight: 400;">os entrevistados explicam como a palavra “</span><i><span style="font-weight: 400;">Black</span></i><span style="font-weight: 400;">” mudou de um termo pejorativo para um lugar de autodeterminação e orgulho, valores que foram ainda mais impulsionados – e incentivados – no festival. </span><span style="font-weight: 400;">Algo que Questlove explorou muito bem foi o desenrolar de um novo mundo para a população negra que começava a ser consolidado, e os discursos dos artistas no evento giravam em torno de um mesmo tema: tenha orgulho de ser quem você é. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Próximo ao fim, Nina Simone surge cantando </span><i><span style="font-weight: 400;">“somos negros, somos lindos”</span></i><span style="font-weight: 400;">, reafirmando a essência do festival e sua importância histórica. Pela primeira vez, após um período intenso de crimes hediondos contra a comunidade, havia um evento que celebrava, enfim, a existência dessa mesma comunidade. Aquele era um período de mudanças sociais profundas, e embora fossem julgadas como inatingíveis e utópicas por uma parcela da população, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fz_7luovxPc"><span style="font-weight: 400;">sonhar ainda era possível</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Summer of Soul (...ou, Quando a Revolução Não Pôde Ser Televisionada) | Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/7A_A9IqC3Co?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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