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	<title>Arquivos Steve Single &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Por trás da Estátua da Liberdade, O Brutalista encontra o verdadeiro Estados Unidos</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Nov 2024 19:50:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: o texto contém spoiler e aborda temas sensíveis. Guilherme Moraes Um dos longas mais aguardados da 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, O Brutalista, que fez parte da seção Perspectiva Internacional, é o clássico filme que recebe indicações na temporada de premiações. O teor biográfico, as atuações sisudas, os movimentos de câmeras &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-brutalista-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Por trás da Estátua da Liberdade, O Brutalista encontra o verdadeiro Estados Unidos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><b>Aviso</b><span style="font-weight: 400;">: o texto contém spoiler e aborda temas sensíveis.</span></em></p>
<figure id="attachment_34344" aria-describedby="caption-attachment-34344" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-34344" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/imagem-1-800x451.png" alt="Cena do filme O Brutalista. O cenário é de um quarto transformado em um escritório. Um tom esverdeado toma conta da imagem. No centro está Erzsébet Tóth sentada com uma blusa com uma coloração amarelada por fora, e outra blusa florida por dentro. László está atrás de Erzsébet, colado a ela, com uma camisa de coloração esverdeada. Ambos estão com uma expressão de preocupação." width="800" height="451" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/imagem-1-800x451.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/imagem-1-768x433.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/imagem-1.png 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34344" class="wp-caption-text">O filme teve uma sessão na Mostra em SP antes mesmo de sair o trailer (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos longas mais aguardados da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Brutalista</span></i><span style="font-weight: 400;">, que fez parte da seção Perspectiva Internacional, é o clássico filme que recebe indicações na temporada de premiações. O teor biográfico, as atuações sisudas, os movimentos de câmeras sutis e uma trilha sonora pensada previamente para tomar a sala de cinema e criar algo mais sensorial são exemplos disso. No entanto, eles não foram usados de maneira vazia. Brady Corbet consegue aderir a todos os elementos que a Academia gosta para contar um épico sobre a desconstrução dos Estados Unidos como um país grandioso e  terra da liberdade.</span></p>
<p><span id="more-34342"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A abertura com um </span><i><span style="font-weight: 400;">handshake</span></i><span style="font-weight: 400;"> muito forte e um trabalho de som vigoroso, feito por Steve Single e Andy Neil ao estilo </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/artist/0YC192cP3KPCRWx8zr8MfZ"><span style="font-weight: 400;">Hans Zimmer</span></a><span style="font-weight: 400;">, com notas graves e poderosas, tornam o ambiente dentro do </span><i><span style="font-weight: 400;">container</span></i><span style="font-weight: 400;"> confuso, claustrofóbico e desesperador. Essa cena se contrapõe a um certo Cinema de ‘prestígio’ que virá posteriormente, com a utilização dos elementos cinematográficos de maneira mais sutil, como se escondesse a ‘podridão’ dos Estados Unidos; como se isso fosse algo sentido e não falado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde sua chegada à América, László Tóth (</span><a href="https://revistamonet.globo.com/celebridades/noticia/2024/10/a-resposta-de-adrien-brody-vencedor-do-oscar-de-melhor-ator-ao-ser-confundido-por-kim-kardashian-com-colega-quase-homonimo.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Adrien Brody</span></a><span style="font-weight: 400;">) precisa lidar com diversos problemas, como o desemprego, a falta de moradia, a fome e o preconceito. Assim como seu amigo Gordon (</span><a href="https://www.instagram.com/isaachdebankole/"><span style="font-weight: 400;">Isaach de Bankolé</span></a><span style="font-weight: 400;">), o protagonista é visto como parte da escória da sociedade. Enquanto László é rejeitado por ser judeu, o outro sofre por ser negro. Durante as quase quatro horas de duração do filme, poucas vezes esses pontos são expressados diretamente – tudo é sentido por meio da construção atmosférica.</span></p>
<figure id="attachment_34346" aria-describedby="caption-attachment-34346" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34346" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/imagem-2-1-800x295.png" alt="Cena do filme O Brutalista. Três homens estão na imagem. Ao fundo há um prédio comprido e cinza. Mais perto da câmera está um morro de terra preta. A direita está Gordon com uma camisa branca, uma blusa marrom, uma calça cinza surrada e uma boina cinza velha. A esquerda está Harrison de costas para a câmera, ele veste um sobretudo vermelho alaranjado e um chapéu marrom. Acima dos dois no morro de terra está László com uma pá, uma calça azul surrada e uma camisa verde escuro." width="800" height="295" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/imagem-2-1-800x295.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/imagem-2-1-1024x378.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/imagem-2-1-768x284.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/imagem-2-1-1536x567.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/imagem-2-1-1200x443.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/imagem-2-1.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34346" class="wp-caption-text">O nome do filme vem de um estilo arquitetônico que surgiu no pós Segunda Guerra, o brutalismo (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de parecer, a obra não é sobre um </span><a href="https://www.guiadasemana.com.br/cinema/galeria/filmes-com-verdadeiros-genios"><span style="font-weight: 400;">gênio</span></a><span style="font-weight: 400;"> de personalidade forte e que possui problemas com drogas. Essas características estão presentes em László, porém, elas não são o foco da trama. A questão de </span><a href="https://laart.art.br/blog/arquitetura-brutalista/"><i><span style="font-weight: 400;">O Brutalista</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">está muito mais em como essa figura será engolida pelo sistema e pelo racismo. O valor dele está em sua genialidade e nada mais; sua pessoa não é de interesse dos norte-americanos. Harrison Van Buren (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2tKQSp2sJ-g"><span style="font-weight: 400;">Guy Pearce</span></a><span style="font-weight: 400;">), um empresário que contrata o protagonista para construir um monumento, não liga se seu funcionário está drogado ou não, ou se eles ficarão sem trabalho, o que importa para ele é satisfazer seus desejos ególatras. É o gênio subjugado nessa falsa terra da liberdade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos momentos mais fortes do longa é a sequência em que Harrison abusa sexualmente de László como forma de estabelecer a hierarquia e demonstrar todo seu ódio e inveja. Quando Erzsébet Tóth (</span><a href="https://www.instagram.com/felicity.jones/"><span style="font-weight: 400;">Felicity Jones</span></a><span style="font-weight: 400;">) revela esse segredo para a família Van Buren nos instantes finais do filme, Brady Corbet traz de volta os mesmos elementos e sentimentos da cena de abertura. O </span><i><span style="font-weight: 400;">handshake</span></i><span style="font-weight: 400;">, a barulheira e a sensação de angústia e confusão estão de volta, pois a verdadeira face dos Estados Unidos está exposta. Talvez, o único problema do final seja o epílogo, que busca explicar didaticamente alguns pontos da obra, parecendo até um vídeo sobre </span><a href="https://canaltech.com.br/curiosidades/easter-eggs-voce-sabe-o-que-sao/"><i><span style="font-weight: 400;">easter eggs</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Brutalista </span></i><span style="font-weight: 400;">possui características estéticas fáceis de serem encontradas nas listas dos indicados ao prêmio de Melhor Filme do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, como o fato de parecer uma biografia. Nesse sentido, ele lembra um pouco </span><a href="https://personaunesp.com.br/maestro-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Maestro</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2023)</span> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Vgf_d19hyx8"><i><span style="font-weight: 400;">Tár</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2022)</span><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i><span style="font-weight: 400;"> No entanto, o que há de diferente é a maneira como a obra utiliza essas técnicas em favor de uma ideia de narrativa, indo além de usá-las apenas para simular uma autoralidade. Apesar de passar em branco, sem vitórias, na Mostra em SP, o longa de Brady Corbet conseguiu lotar as suas sessões e tem tudo para fazer sucesso na temporada de premiações.</span></p>
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