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	<title>Arquivos Spike Jonze &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Mesmo que se passem 10 anos, sempre haverá um pedaço dEla em você</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Oct 2023 18:35:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Leticia Stradiotto Estamos cansados de saber sobre o avanço da influência artificial e seus impactos na realidade cotidiana – não soa incomum se apaixonar por alguém que conhecemos através de uma tela virtual. Por mais que pareça a um primeiro olhar, o filme Ela não foca na evolução tecnológica e seus efeitos nas interações humanas. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/her-10-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Mesmo que se passem 10 anos, sempre haverá um pedaço dEla em você"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_31646" aria-describedby="caption-attachment-31646" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-31646" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her1-800x432.jpeg" alt="Cena do filme Ela. Ao fundo da imagem existem prédios com janelas e algumas luzes acesas, está de noite. No canto direito, tem uma mulher com vestido preto e sapatilha preta, com um cone laranja de trânsito na cabeça. Em sua frente tem um homem de roupa social marrom, com calça preta e sapato preto, também está com um cone laranja de trânsito na cabeça. Ambos estão no meio de uma rua vazia." width="800" height="432" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her1-800x432.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her1-1024x553.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her1-768x414.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her1-1536x829.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her1-1200x648.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her1.jpeg 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31646" class="wp-caption-text">“Ás vezes eu olho para as pessoas e tento senti-las [&#8230;], imagino o quão profundamente elas se apaixonaram ou por quanto sofrimento elas passaram” (Foto: Annapurna Pictures)</figcaption></figure><b>Leticia Stradiotto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estamos cansados de saber sobre o </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/261353-ha-10-anos-her-imagivana-futuro-ia-cada-vez-real.htm"><span style="font-weight: 400;">avanço da influência artificial</span></a><span style="font-weight: 400;"> e seus impactos na realidade cotidiana – não soa incomum se apaixonar por alguém que conhecemos através de uma tela virtual. Por mais que pareça a um primeiro olhar, o filme </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hX09Kz7BAlU"><i><span style="font-weight: 400;">Ela</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não foca na evolução tecnológica e seus efeitos nas interações humanas. De fato, o diretor </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/her-joaquin-phoenix-e-a-ideia-maluca-de-spike-jonze"><span style="font-weight: 400;">Spike Jonze</span></a><span style="font-weight: 400;"> deu vida a um romance entre humanos e máquinas, mas ao finalizar a experiência da obra, é possível notar que esse não é o seu tema principal. </span><i><span style="font-weight: 400;">Her</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original) nada mais é do que um retrato subjetivo da solidão, sentimento esse compartilhado por todo e qualquer ser humano.</span></p>
<p><span id="more-31641"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Completando 10 anos de lançamento em 2023, o longa que levou o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Roteiro Original em 2014 cutuca aquela ferida dolorosa que, por algum motivo, não consegue cicatrizar: a ausência daquilo que ainda permanece. O enredo se ampara na história do personagem Theodore (Joaquin Phoenix, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/coringa-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Coringa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), um homem solitário que vive em uma Los Angeles futurista, está na casa dos 40 e lida com a tristeza ocasionada pelo seu divórcio. O emprego de Theo, por si só, também é uma sátira à sua realidade. Ele escreve cartas manuscritas para clientes que desejam enviar mensagens à pessoa amada; assim, fica claro que a sociedade desaprende a se relacionar de forma </span><a href="https://newronio.espm.br/a-nostalgia-futurista-de-her/"><span style="font-weight: 400;">espontânea</span></a><span style="font-weight: 400;">. Logo, a solidão ganha espaço na vida do protagonista quando as suas necessidades não são mais atendidas pela quantidade e qualidade das relações sociais dentro de seu convívio.</span></p>
<figure id="attachment_31645" aria-describedby="caption-attachment-31645" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-31645" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her2-800x420.jpg" alt="Cena do filme Ela. Ao fundo existem vários prédios com luzes acesas, está de noite. A frente está o personagem principal, Theodore, um homem branco de óculos, cabelo marrom e bigode, ele veste uma blusa social vermelha e está olhando para um monitor de computador branco que ilustra uma tela vermelha operando. Essa tela é o sistema operacional, Samantha. O computador está em cima de uma mesa de escritório marrom com vários papéis bagunçados e canetas." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her2-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her2-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her2-768x403.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her2.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31645" class="wp-caption-text">“É difícil, com certeza, mas existe algo tão bom em compartilhar sua vida com alguém” (Foto: Annapurna Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Claro, como seres humanos, precisamos de um ambiente social seguro para sobreviver. De maneira simples, após seu divórcio, Theodore se envolve emocionalmente com um sistema operacional chamado Samantha (com a voz de </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2013/11/scarlett-johansson-recebe-premio-de-melhor-atriz-por-sua-voz-em-her.html"><span style="font-weight: 400;">Scarlett Johansson</span></a><span style="font-weight: 400;">), que tem a habilidade de desenvolver </span><a href="https://blog.hsm.com.br/o-que-o-filme-her-pode-nos-ensinar/"><span style="font-weight: 400;">personalidade e consciência</span></a><span style="font-weight: 400;"> de acordo com seu tempo de uso. Essa inteligência artificial também experimenta o florescimento de emoções humanas. No entanto, ela tem a capacidade de se relacionar com milhares de indivíduos simultaneamente, o que amplia suas possibilidades de se apaixonar. Quando questionada sobre a quantidade de pessoas que ela ama, Samantha menciona que está ‘amando’ 641 pessoas ao mesmo tempo, incluindo Theo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A paleta de cores é um elemento visual fundamental que contribui significativamente para a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pnk06an1upg"><span style="font-weight: 400;">atmosfera e as emoções</span></a><span style="font-weight: 400;"> do filme. Com a predominância de cores quentes, mas também em tons pastéis, são evocadas sensações de conforto e familiaridade em meio a um </span><a href="https://virgula.me/tvecinema/spike-jonze-mistura-romantismo-e-modernidade-em-seu-novo-filme-her/"><span style="font-weight: 400;">cenário tecnologicamente avançado</span></a><span style="font-weight: 400;">. Os ângulos da câmera realizados pelo diretor de fotografia  Hoyte van Hoytema também são escolhidos cuidadosamente para destacar a solidão de Theodore. Muitas vezes, ele é enquadrado no centro da tela, destacando mais ainda a dimensão de seu isolamento perante os outros personagens da trama.</span></p>
<figure id="attachment_31644" aria-describedby="caption-attachment-31644" style="width: 740px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31644" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her3.png" alt="Cena do filme Ela, em que o protagonista Theodore está olhando fixamente para frente, ele é um homem branco de cabelo marrom, bigode, olhos azuis e usa óculos redondos." width="740" height="401" /><figcaption id="caption-attachment-31644" class="wp-caption-text">A atmosfera imagética tem predominância de cores quentes, quase nunca utilizando o azul, o que garante proximidade dos sentimentos do personagem ao telespectador (Foto: Annapurna Pictures)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Her</span></i><span style="font-weight: 400;"> martela um constante questionamento: o quão verdadeiramente estamos sozinhos? As pessoas deixam marcas em nós, quase como tatuagens emocionais que nunca desaparecem. Como ao fim em que Theo, em contrapartida com seu emprego de escrever mensagens de amor para desconhecidos, expressa em uma carta para sua ex-esposa Catherine (Rooney Mara, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-ghost-story-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Ghost Story</span></i></a><span style="font-weight: 400;">): &#8220;</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dkGJRAFvw_Q"><i><span style="font-weight: 400;">Haverá um pedaço de você em mim, sempre</span></i></a><span style="font-weight: 400;">&#8220;. É quase impossível se relacionar com alguém e não carregar consigo algum </span><a href="https://bemditojor.com/a-ficcao-do-amor-em-her/"><span style="font-weight: 400;">vestígio</span></a><span style="font-weight: 400;"> de amor, alegria ou mesmo mágoa. O que arde é o processo de aceitação desses tantos resquícios permanentes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essas cicatrizes emocionais e resquícios de relacionamentos passados são representados de maneira poderosa no longa. Apesar de Theodore estar incomodado com a lembrança de um casamento fracassado, ele não consegue superar os vestígios dessa relação. O protagonista acaba tentando preencher o desconforto com distrações e gratificações momentâneas, como seu </span><a href="https://cinema.uol.com.br/noticias/efe/2013/10/13/joaquin-phoenix-se-apaixona-por-sistema-de-computador-no-filme-her.htm"><span style="font-weight: 400;">relacionamento com Samantha</span></a><span style="font-weight: 400;">, que oferece um refúgio temporário para a solidão.</span></p>
<figure id="attachment_31643" aria-describedby="caption-attachment-31643" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31643" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her4.jpg" alt="Cena do filme Ela. Os personagens de Theodore e sua melhor amiga estão em um terraço de costas observando a cidade com muitos prédios com algumas luzes acesas em um fim de tarde com cores predominantes azuis." width="750" height="392" /><figcaption id="caption-attachment-31643" class="wp-caption-text">É um privilégio viver tendo a experiência e a sorte de encontrar um amor verdadeiro – mesmo que ele não seja para sempre (Foto: Annapurna Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, não tem como fugir da realidade – ela está presente e explode constantemente na alma do personagem. </span><i><span style="font-weight: 400;">Her</span></i><span style="font-weight: 400;"> insiste em recordar o quão frágeis e medrosos ainda somos quando temos que lidar com as próprias emoções de maneira real: Theo se perde em prazeres efêmeros ao invés de enfrentar o doloroso processo de aceitação, e isso fica claro quando o protagonista rememora lembranças da paixão em seu casamento. Logo, ele descobre que relacionamentos superficiais não podem preencher o vazio deixado por quem já sentiu o que é o amor. E que o mesmo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=FEqBwKvBtnA"><span style="font-weight: 400;">amor</span></a><span style="font-weight: 400;"> jamais será sentido novamente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa realização, porém, não é motivo para desesperança. Ele compreende que teve a sorte de conhecer de perto o que é amar e, embora nunca possa reviver o amor que compartilhou com sua ex-parceira, ainda existe a possibilidade de encontrar outros amores em sua jornada. Amizades e novos relacionamentos também podem ser significativos de maneiras diferentes dentro da imensidão desse sentimento, e enquanto estiver nesse momento breve que é a vida, ele deve </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oU3D-iybwm8"><span style="font-weight: 400;">permitir-se sentir a felicidade</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_31642" aria-describedby="caption-attachment-31642" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31642" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her5-800x434.jpg" alt="Cena do filme Ela. O personagem principal, Theodore, um homem branco de óculos redondos, cabelo marrom e bigode está olhando para seu reflexo na janela do metrô que tem predominância de tons claros com um leve sorriso." width="800" height="434" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her5-800x434.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her5-1024x556.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her5-768x417.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her5.jpg 1172w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31642" class="wp-caption-text">“O passado é apenas uma história que contamos a nós mesmos” (Foto: Annapurna Pictures)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Her</span></i><span style="font-weight: 400;">, mesmo após uma década de seu lançamento, mantém uma relevância notável por ressoar profundamente com os sentimentos mais </span><a href="https://canaltech.com.br/cinema/critica-ela-162476/"><span style="font-weight: 400;">intrínsecos</span></a><span style="font-weight: 400;"> da vida humana. A obra é um lembrete atemporal de que, apesar de todas as mudanças externas em nosso mundo, as questões essenciais da vida e da humanidade ainda são muito pertinentes para a compreensão da racionalidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme captura de forma sensível a busca universal pela conexão e pelo significado nas relações humanas e nos relembra que, apesar dos avanços tecnológicos, nossa necessidade de amar, compreender e pertencer permanece inalterada. </span><i><span style="font-weight: 400;">Ela</span></i><span style="font-weight: 400;"> instiga uma reflexão sobre o que realmente </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=v5IjF_vxsS8"><span style="font-weight: 400;">significa ser humano</span></a><span style="font-weight: 400;"> e como as complexas emoções, desafios e alegrias que experimentamos nas relações ainda são tão relevantes hoje.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra transcende as expectativas convencionais sobre a relação entre humanos e tecnologia, afinal, estamos todos familiarizados com a crescente influência da inteligência artificial em nossas vidas diárias. Contudo, </span><a href="https://pordentrodatela.com.br/o-diversificado-cinema-de-spike-jonze/"><span style="font-weight: 400;">Spike Jonze</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos conduz a uma jornada emocional profunda que vai muito além do mero avanço tecnológico. </span><i><span style="font-weight: 400;">Her</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, acima de tudo, um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0uKfhchqKvI"><span style="font-weight: 400;">espelho</span></a><span style="font-weight: 400;"> de nossas próprias solidões e anseios, um retrato sincero do humanismo que reside em todos nós. No desfecho do filme, a pergunta fundamental de Jonze não parece mais ser se as máquinas podem um dia amar, mas sim se elas poderão ser </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VAuXLu0gRwg"><span style="font-weight: 400;">mais capazes </span></a><span style="font-weight: 400;">de amar do que um ser humano.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/her-10-anos/">Mesmo que se passem 10 anos, sempre haverá um pedaço dEla em você</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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